09/12/2022

Publicações em Dezembro 9

 

 

 

DENTRO DO EVANGELHO

 

Jesus Cristo garante-nos que «grande será a recompensa nos Céus dos que sofrerem por causa do Seu Nome

Sofrer por Cristo, pelo Seu Santíssimo Nome, a Sua Igreja, é um facto recorrente de todos os tempos.

Não é necessário lembrar os espectáculos no Circo de Roma porque, hoje em dia, este mesmo dia, milhares de cristãos são atacados, feridos de morte, sujeitos às maiores violências pelas feras que odeiam O Senhor nosso Deus. No terceiro milénio depois da Ressurreição de Cristo, neste mesmo mundo dominado pela tecnologia e pela cultura, prossegue essa perseguição que o próprio Senhor anunciou.

Nós, cristãos que vivemos numa sociedade supostamente civilizada, recebemos a força da nossa Fé directamente desse sangue que milhares de inocentes derramam pela mesma Fé.

Consola-nos saber que: Grande será a sua recompensa nos Céus!

Jesus Cristo proclama o Sermão da Montanha que será, ao longo dos tempos, como que uma “Magna Carta” sobre a felicidade.

Os pobres em espírito; Os que choram; Os mansos; Os que têm fome e sede de justiça; Os misericordiosos, Os puros de coração; Os pacificadores; Os que sofrem perseguição por amor da justiça; Os perseguidos, que sofrem insultos e calúnias.

Em nome de Cristo, por amor a Deus, todos estes receberão a ventura eterna, portanto, alcançarão a felicidade maior a que se pode aspirar.

Para os que ouviam Jesus, estas Suas palavras devem ter sido consoladoras e tranquilizado muitos. "Ovelhas sem pastor", como Jesus lhes chamava, encontravam um discurso positivo e concreto, quando o que recebiam dos chefes do povo era apenas um conjunto informe de regras restritivas algumas absolutamente absurdas.  Para os responsáveis, Deus estava tão sumamente distante que era inacessível e não havia sequer o direito de pronunciar o Seu nome.

Jesus Cristo aparece no meio do povo, um homem simples e amistoso que fala de Si próprio e da Lei Deus com uma autoridade singela e indiscutível.

Muitos se aperceberão que é o próprio Deus Quem lhes falta e ensina.

Este discurso de Jesus ficará para sempre como um legado extraordinário da misericórdia divina.

Qualquer ser humano pode encontrar a alegria, a paz e a consolação de saber que as suas acções e comportamento terão um prémio, encontrarão eco no Coração Amantíssimo de Deus, eco esse que terá um efeito de grande, enorme importância para a vida de todos os dias, individual e colectiva.

Parece algo estranho – ou controverso – que Jesus diga expressamente: «Se alguém violar um destes preceitos mais pequenos, e ensinar assim aos homens, será o menor no Reino do Céu»

Porque pode parecer-nos que quem pratica estas faltas não será digno do Reino dos Céus. Mas temos de considerar que o Senhor não condena ninguém pelas faltas que comete – pequenas ou grandes – porque deixa sempre “a porta aberta” ao arrependimento, sendo que – e aqui Jesus foi muito claro – a falta deste (os pecados contra o Espírito Santo) condenam irreversivelmente o homem. Ou seja, mais uma vez se refere que Deus Nosso Senhor detesta o pecado e não o homem, este é que é responsável pela sua própria condenação.

Pelas palavras de Jesus podemos concluir que, na Vida Eterna, não haverá como que uma “nivelação” de todos. Haverá “grandes” e “pequenos”, o Senhor afirma-o. Isto tem importância? Penso que sim, embora considere que, na Vida Eterna, o Supremo Bem é a visão beatífica da Face de Deus. Tem a ver, sim, com a obrigação de fazermos o melhor que pudermos e não nos contentarmos com os “mínimos”, como que “ir andando”, não fazendo muitos disparates, não pecando com gravidade e… pronto! Quem assim procede corre um perigo enorme, porque quanto mais baixo se voa maior é a possibilidade de chocar com um obstáculo que trave o “voo” e, a queda, pode ser grave.

Deve ser terrível a responsabilidade de alguém que propositadamente ensina, propaga o erro, a falsa doutrina

Quanto mais grave, quanto maior a inocência e fragilidade de quem é objecto de tal procedimento mais “apertadas” serão as contas que terá de prestar.

Poderá alguém ter dúvidas sobre como alcançar a Vida Eterna?

Pelas palavras de Jesus podemos ver claramente o caminho e a obrigação. Cumprir a Lei não basta é necessário levar outros a fazer o mesmo.

Um autêntico e definitivo aviso de Jesus Cristo sobre o comportamento de qualquer ser humano. Não há meias palavras nem tergiversações, mas tão só afirmações muito concretas e reais sobre o procedimento a ter como norma de vida. Pagar o que se deve, ter atenção ao próximo e ás suas necessidades, viver, em suma, com inteireza e verdade nos actos como nas acções concretas. Estas é que têm valor, não as intenções nem os desejos. Como posso estar "bem" com Deus quando estou "mal" com o meu próximo? Acaso o Senhor poderia aceitar tal coisa?

Infelizmente há alguns cristãos que vão pela vida fora como actores. Sim… não exagero! Frequentam com assiduidade a Igreja e os Sacramentos, usam grandiloquência sobre assuntos da religião, mas, privadamente, mantêm uma lista de agravos e reivindicações que aguardam ocasião para cobrar e fazer.

Ofensas antigas, más interpretações, juízos precipitados e malévolos e coisas do mesmo género de que se sentem credores quando, na maior parte das vezes, são eles mesmos os devedores. Há que pôr as coisas em ordem e agir com critério em toda e qualquer circunstância que o cristão é-o sempre e não apenas quando é conveniente.

Jesus Cristo vem como que "preparar o terreno" para o que será o Mandamento Novo.

O amor ao próximo é inseparável do amor a Deus ou, por outras palavras, não é possível amar a Deus sem amar o próximo. Este mandamento é - se se me permite a expressão - absolutamente lógico porque sendo os homens TODOS filhos de Deus, pertencendo à Família Divina, não se concebe que não se amem entre si.

Do amor nasce a união e o Senhor quer que sejamos «Um como Ele e o Pai são UM!»

O Senhor deixa bem claro que os dois primeiros mandamentos - amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos - são inseparáveis e não pode conceber-se um sem o outro. O Senhor tem a prioridade mas esta não existirá sem a segunda.

Talvez que nunca nos demos conta que amar o próximo pode tornar-se muito mais difícil que amar a Deus. Não nos atrevemos a "julgar" Deus ou pôr em causa se O devemos amar ou não. Já quanto ao próximo muitas vezes guardamos ressentimentos, avaliamos a sua conduta, fazemos o papel de juízes e críticos. E, tal excede em muito o que não podemos nem devemos fazer.

Há uma “declaração” de Jesus que, forçosamente, nos fará pensar detidamente: «todo aquele que olhar para uma mulher, cobiçando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração». Aqui se vê a importância da “guarda da vista” porque ver é algo muito diferente de reparar. Quantos pecados – por vezes bem sórdidos – têm a sua origem na vista?

Aliás, todo o pecado, por assim dizer, é sórdido, mau, aberrante, mas, e no caso vertente, ninguém ignora que o nosso pensamento e imaginação nos levam por vezes por caminhos de incrível perversidade. Basta um segundo, um fugaz pensamento, um desejo mal expresso e, todavia, deixámo-nos corromper.

Tenhamos bem presente o seguinte: Ao demónio não lhe interessa nada que nos concentremos na oração, que, inclusive, nos preparemos com todo o amor e compunção para receber a Comunhão Eucarística e, assim, não raramente nos assedia com pensamentos ou desejos torpes precisamente nesses momentos. Eu diria que “a força da tentação” estará em relação directa com a intensidade da nossa união com Deus.

Está claríssimo: para haver pecado é preciso intenção e, mais, mesmo se não se pecar em acto, se houver intenção peca-se em pensamento.

É evidente que o pecado é um acto livre da vontade expressa e - nunca - algo fortuito e inocente.

É fundamental ter uma consciência bem formada e as ideias bem claras: é impossível pecar sem querer!

 

 

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08/12/2022

Publicações em Dezembro 8

 


Dentro do evangelho

 

Nas Bodas de Caná terão os discípulos percebido que fora por causa da  intervenção da Virgem que, Jesus decidira, definitivamente, fazer o milagre? Talvez não. Posso supor que sendo a primeira vez que o poder divino de Jesus se manifestava de forma tão evidente, eles não estivessem preparados para dar atenção aos pormenores. Mais tarde, sim. No fragor dos dias que se seguiram à Crucifixão e Morte do Senhor, hão-de procurar refúgio junto da Mãe e, será junto dela, no Cenáculo, que receberão o Espírito Santo que lhes abrirá definitivamente a compreensão de todas as coisas.

Junto dela encontro, sempre, refúgio e protecção, a luz necessária para distinguir os caminhos que Jesus quer que percorra e, também, a compreensão das incidências e agruras que inevitavelmente surgem na vida de cada um.

Pedro, que será a coluna sobre a qual assentará a Igreja de Cristo, duvidará muito, terá momentos de desânimo, sem compreender o que Jesus lhe diz acerca do sofrimento, da Cruz… Maria, ajudá-lo-á a compreender, a confiar e, sobretudo, a aceitar. Repetirá, vezes sem conta, o que dissera em Caná: «Fazei tudo o que Ele vos disser…»

Chamá-los-á também para testemunhar a Sua Transfiguração, para verem com os seus olhos tão humanos a glória do Filho de Deus. Ainda aqui, não entendiam nada. Com os olhos carregados de sono, a Pedro só lhe ocorre dizer que se sente bem, que não quer afastar-se daquela visão, daquele local. Depois, nos momentos derradeiros, convidá-los-á, aos mesmos três, para O acompanharem no Horto das Oliveiras para testemunharem a Sua Agonia.

Mais uma vez, o sono vence-os. Este sono é a figura do desânimo, da preocupação, da incerteza, do medo.

Tristeza e sono… como andam juntas estas “fraquezas” do homem!

Consentir na tristeza é caminho certo para adormecer. Ficamo absorto no problema ou na situação que me aflige e me entristece. Tudo parece cinzento à minha volta, não vejo nem saída nem escapatória e, se me deixo ir por aí, o mais certo é os meus olhos deixarem de ver o que realmente se passa à minha volta e cerrarem-se com sono. ‘Eu…? Não!’ Digo, espantado com tal possibilidade, ‘comigo isso não acontece, nunca estou triste!’ Será verdade? Todas as vezes que me detenho a pensar no que não possuo e desejaria ter, porque pensao que me faz falta, no que faria se as circunstâncias fossem as que considero ideais; quando deixo insinuar-se a suspeita, a pequena inveja, a minha vontade de sobressair, de ser notado, talvez mais “querido” que os outros; quando me revejo com prazer e gosto no que fiz, como falei, como fui “certeiros” na minha avaliação, como me olharam com admiração… aí, não estou triste, bem pelo contrário, sentimo-me contente, feliz até, talvez, eufórico. E, a tristeza, que tem a ver com isto, que, afinal, são coisas pequenas que procuro reprimir de imediato? Tem, e muito, a ver. Porque essa alegria e esse contentamento depressa se desvanecem quando me dou conta da minha fraqueza, do pouco que sou, da minha tendência para considerar detidamente tudo aquilo que é agradável aos meus sentidos e, em contrapartida, a fuga ao sacrifício, à entrega, à renúncia, à simples contenção de pensamentos, atitudes e palavras.

Os discípulos agora, não sentem sono. Estão bem despertos, talvez preocupados com a multidão que cerca Jesus num turbilhão de pessoas de todas as condições sociais, homens, mulheres, jovens e anciãos, gente humilde e de posses, letrados e ignorantes, sãos e doentes, que quer aproximar-se, ouvir, tocar o Mestre. A sua preocupação é protegê-Lo, resguardá-Lo e, talvez, também darem a perceber que são os discípulos, os próximos, os íntimos. Talvez haja algum orgulho, vaidade até. Afinal, são eles os confidentes de Jesus… Que são orgulho! Que justificada vaidade! Estar próximo de Jesus. Ser Seu íntimo!

Mas, como se pode ser íntimo de alguém se não convivemos com ele com regularidade, com interesse?

Tu! Vem e segue-me!’ Olho em volta para ter a certeza de que é mesmo a minha pessoa que Ele interpela. Não me restam dúvidas, é mesmo comigo! Pergunto-me porquê, que tenho eu de “especial” para querer que O siga? Tenho as minhas pequenas virtudes e enormes defeitos, a minha inteligência e a minha ignorância, a minha vontade e a minha preguiça, o meu ânimo e a minha letargia. Sou, assim, como que duas, ou mesmo várias, pessoas numa só, e, não obstante, Ele repete aquele chamamento doce e imperioso ao mesmo tempo, simultaneamente expectante e autoritário. Fico-me mais um pouco examinando o que se passa, o que tenho de fazer agora, as coisas que tenho “entre as mãos”, aquilo a que meti ombros, os entusiasmos que me excitam a imaginação, as prioridades que estabeleci – se é que o fiz, de facto – e pergunto-me: Vou? Não vou? Agora? Mais logo?

Percebo que não posso deter-me muito mais porque Ele, depois de me chamar, seguiu o Seu caminho e afasta-Se de mim. Não Se volta para trás a ver se O sigo, se atendi ou não o apelo que me fez; de certo modo parece confiante que entendi e atendi o que me disse. Sem grandes pressas, confesso, começo a andar na Sua peugada, deitando contas à vida, arrumando mentalmente as coisas de enormíssima importância que vão ficar por fazer, o conforto que vou desdenhar, talvez as críticas que irei ouvir. Mas, aos poucos, começo a dar-me conta de uma realidade: o peso insignificante de todo esse amontoado de coisas e, até, o pouco interesse que têm. Apercebo-me, com alguma surpresa, confesso, que a minha decisão de O seguir não causou transtornos a ninguém, que a vida não parou, que tudo continua paulatinamente a “funcionar” como se eu não fosse imprescindível, absolutamente necessário. Parece-me que, de facto, estava convencido do contrário. Sim… estive parado muitas vezes na vera do caminho sem saber para onde ir ou, talvez, na esperança de não de ir a lado nenhum, de poder ficar quieto sem me preocupar com coisa nenhuma. Não sinto grande dificuldade em acompanhá-Lo, a Sua passada é firme, mas certa, sem hesitações.

Vejo, sinto, que conhece muito bem o caminho e, mais, sabe perfeitamente para onde vai. Sinto-me possuído como que de uma estranha segurança não obstante a incógnita do destino final. Ele, sinto-o, não Se engana, não pode enganar ninguém.

O interessante é que sendo um caminho a subir, cada vez para mais alto, não sinto o esforço que normalmente se sente quando se sobe.

Talvez se deva ao facto de a carga que me pôs nos ombros ser leve, muito leve… mesmo para a imensidão que representa. Também não me sinto preso não obstante o jugo com que me cingiu o pescoço, sinal que me considera propriedade sua; porque é tão suave que não prende como um jugo autêntico, antes parece um elo de uma cadeia de amor e, por conseguinte, muito suave a e agradável. Sinto-me bem.

Agi correctamente, tenho a certeza, em acolher o Seu chamamento, o Seu convite: Tu! Vem e segue-me!

Não sei porque me disse isto, porque me escolheu, há tantos como eu que esperam, alguns até sem o saberem, por um chamamento igual, por isso sinto-me privilegiado pela escolha.

Ainda não Lhe disse muitas coisas, acho que não é preciso, Ele sabe o quero dizer-Lhe, mas, nas confidências de viajante, contei-Lhe das minhas expectativas, esperanças, ousadias, desejos por satisfazer. Sem querer, acho, fui abrindo o coração e em frases breves e curtas, deixei sair o que há tanto tempo estava como que travado dentro de mim.

Não tenho vergonha ou receio que me ache tonto, com pouco critério, talvez inconsequente. Quis sempre tantas coisas e ao mesmo tempo!

Ouve-me sem me olhar, não pergunta nada, não faz um gesto de admiração ou surpresa. Parece que tudo quanto Lhe possa dizer já o conhece, mas, estranhamente, parece gostar que, não obstante, lho diga, Lhe conte as minhas privacidades, patenteie as ilusões e as quimeras do meu espírito sonhador.

 

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07/12/2022

Publicações em Dezembro 7

  


DENTRO DO EVANGELHO

 

Na sua pregação, Jesus Cristo repete muitas vezes, de forma seme­lhante, esta frase: «Se alguém tem ouvidos para ouvir, oiça».

É um aviso sério a ter muito em conta por todos os homens, sobretudo pelos cristãos.

A Palavra que ouvimos é Palavra de vida eterna, tem a ver com a nossa salvação, por isso é de suma importância entender o que ouvimos, mas, principalmente, ouvir de forma a pôr em prática o que nos é dito.

Se não… seremos uns sujeitos passivos, desatentos e a quem tanto faz ou pouco importa o que lhe é dito.

Será uma pena e um desperdício com resultados nefastos e, talvez, decisivos para a nossa própria felicidade.

O que tenho, na verdade, não é meu, não me pertence, foi-me em­prestado para fazer render e passar a outros.

Na medida em que o fizer – e tenho de o fazer como obrigação cristã – ser-me-á acrescentado e, não obstante dar, passarei a ter mais.

É, de facto, um mistério mas, para mim, é claro como água porque foi o próprio Jesus quem o disse.

Ajuda-me, Senhor, a partilhar a luz que de Ti recebo para que outros também possam ver  como Tu queres que vejam.

‘Quem dá aos pobres empresta a Deus!’ ouvia o meu Pai dizer com frequência.

Mais que uma frase bonita, ela transmite uma realidade já que foi o próprio Jesus Cristo Quem garantiu que nem um simples copo com água dado por amor ao próximo ficará sem recompensa.

Assim é que o Senhor devolve com altíssimos juros aquilo que Lhe emprestamos nas pessoas que nos pedem assistência.

É, pois, um excelente negócio a ter muito em conta.

O Reino de Deus não é algo que se instala no espírito do homem de um momento para o outro.

Começa no nosso Baptismo em que por obra e Graça do Espírito Santo somos convertidos em Filhos de Deus e, depois, ao longo da nossa vida deverá ir crescendo através da prática das boas obras, da frequência dos Sacramentos, principalmente com a recepção da Sagrada Comu­nhão Eucarística.

Este é o campo, a semente onde devemos “trabalhar” com afinco, pe­dindo que a Graça de Deus nos robusteça a Fé, a Esperança e a Cari­dade que enformarão todo o nosso ser humano.

Damo-nos conta da extraordinária Graça que nos é concedida: saber-mos de “fonte segura” o que é o Reino de Deus?

Passaram centenas e centenas de anos em que uma incomensurável multidão de seres humanos não sabia exactamente o que era e em enorme maioria nem sequer suspeitava da sua existência.

Foram esses homens um pouco “desconfiados” e de escassa cultura que nos transmitiram esse conhecimento tal como o ouviram repetidas vezes dos lábios de Cristo.

Como devemos agradecer, venerar e exaltar esses Discípulos e Após­tolos a quem tanto devemos!

O Reino de Deus existe quer o homem queira ou não, deseje ou não fazer parte dele.

O Senhor explica abundantemente e com paciência amorosa o que é esse Reino e as vantagens – reais – de participar no seu anúncio a todos os homens sem distinção ou acepção.

Os trabalhadores do Reino, que devemos ser todos os cristãos, têm uma garantia de “sucesso” que é dada pelo próprio Rei: mesmo que a sua acção seja como um grão de mostarda, aparentemente insignifi­cante, o resultado ultrapassa tudo o que possamos imaginar.

Grandes e pequenas sementeiras, todas darão frutos porque é O Se­nhor Quem os faz surgir para os santificar e distribuir por todos.

Um grão de mostarda!

Tal é o Reino de Deus!

Esse mesmo Reino que Cristo veio instaurar na missão a que entregou a própria Vida.

Como Deus é simples!

Nós, homens, temos esta tendência para O considerar Grande e Pode­roso e, consequentemente, complicado.

Mas não é.

Não há nada nem ninguém mais simples que Deus porque sendo Uno tem de ser simples, só o múltiplo é complicado e, por vezes, difícil de entender.

A Deus Nosso Senhor entendemo-lo perfeitamente desde que, verda­deiramente, escutemos o que nos diz.

Como se pode ver, o Reino de Deus que Jesus Cristo veio anunciar e trazer à terra só existirá com o concurso do trabalho do homem.

Não podemos ficar inertes à espera que tudo aconteça como uma dá­diva de Deus.

Esta dádiva – aquilo que Deus assegura no Seu Reino – serão os frutos que o nosso trabalho, bem feito, com perseverança e persistência dará e que Ele distribuirá conforme Lhe aprouver.

No fim e ao cabo é exercermos a nossa vocação pessoal – seja qual for – com os olhos postos no Senhor a Quem queremos oferecer o nosso trabalho e dedicar o nosso empenho.

Ora, para que tal possa ser aceite tem de ser algo em que nos empe­nhámos a sério, pondo todas as nossas capacidades e talentos naquilo que fazemos seja semear, estudar, ensinar, construir… o quer que seja a nossa profissão, o nosso trabalho.

Assim, seremos, de facto e pleno direito, súbditos deste Reino que nos foi dado pelo próprio Rei com a Sua imolação na Cruz.

Que extraordinário!

Este Rei, Criador e Senhor de todas as coisas, quer que O “ajudemos” na construção do Seu Reino!

Sem mérito algum da nossa parte concede-nos essa dignidade espan­tosa: construtores do Reino de Deus!

É admirável a confiança que o Senhor tem em nós, pobres criaturas cheios de fraquezas e misérias, para levar a cabo tão portentosa tarefa.

Não desperdicemos a oportunidade, não desiludamos Quem nos con­vida.

A paga será proporcional à tarefa:

Incomensurável.

Dia após dia, passo a passo, assim é, deve ser, o trabalho de aposto­lado com perseverança e confiança.

Perseverança em não esmorecer no trabalho, mesmo que os frutos tardem em surgir ou, até, não os vejamos nunca.

Alguém os colherá quando for o tempo certo.

A missão do apóstolo não é colher, mas sim semear, não em seu nome mas em nome de Deus.

Confiança porque, o Senhor, não deixa nunca que o trabalho de apos­tolado seja em vão. Ele, que sabe mais, decidirá quando e como os frutos hão-de aparecer e, também, não deixará sem prémio, o trabalho efectuado em Seu Nome.

Somos, de facto, imensamente mais afortunados que os discípulos que seguiam Jesus!

Esta afirmação que faço sem hesitar vem-me da constatação de que, a mim, não é preciso que o Senhor me explique as parábolas com que Se refere ao Seu Reino.

Aqueles se encarregaram de, ao longo dos tempos, as irem explicando e comentando de modo que, o que hoje nos chega é tão abundante e rico que só quem não quiser realmente entender é que terá alguma dúvida.

Mas, eles, foram os primeiros e enfrentavam uma “novidade”, algo tão “revolucionário”, grandioso e, ao mesmo tempo, simples que não eram capazes por si sós de entender completamente o significado.

A catequese de Jesus Cristo, chega-nos até aos dias de hoje através da Sua Igreja e do Magistério desta que, constantemente, propõe aos seus filhos, abundantes meios de formação e enriquecimento espiri­tual.

Mal de nós se não os aproveitarmos!

 

Advento 7

 

Esta palavra - Advento - vem do Latim Adventus e significa: Chegada; Vinda; Exaltação; Princípio.

Sexta reflexão: Exaltação

2

“Exaltação” no Advento sentimos muito particularmente este estado de alma, por                                                                             que esta, está numa actitude expectante de algo muito bom e singular.

(AMA, 2020)

 

 

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