19/11/2022

Publicações em Novembro 19

  


Dentro do Evangelho

 

Morri’!!!

 

Sonhei com a minha morte e, de certa forma bizarra, percebi que estava a ficar preocupado com algo que, sei, vai acontecer: o “interrogatório” que o Senhor me fará!

O que vou responder? Como vou responder? Penso que poderia usar um pequeno (grande) “truque” e usar as palavras de Pedro: «Tu, Senhor, Tu sabes tudo! Porque me interrogas?»

Mas, talvez, Ele vá insistir em obter respostas concretas.

Tenho ali, a meu lado, o meu Anjo da Guarda e olho para ele num apelo mudo e um pouco aflito. Inclina-se sobre o meu ombro e segreda-me: ‘Ne timeas…’

Assim, de repente, penso que isso é bem fácil de dizer, mais a mais a um Anjo: Não temas! Grande coisa!!!

Não tive tempo de lhe explicar que não tenho medo, sim… na verdade, não tenho medo! Tenho a convicção absoluta que este chamamento final, derradeiro, do Senhor se deve à Sua Misericórdia. Muito provavelmente terá decidido fazê-lo pensando: ‘Chamemos este desgraçado antes que faça mais disparates!!!

Ou seja… provavelmente não estava “pronto”, quero dizer, não tinha tudo em ordem, arrumado, muito certinho… seria só chegar ali e mostrar-me, abrir o livro e… pronto…

Estar pronto!

Lembro-me de um dia, há anos atrás, no regresso do funeral de uma cunhada minha falecida depois de longo sofrimento vinhamos, o “Amor da minha vida” e eu, quando ela comentou:

- Pergunto porquê Deus não me levou a mim que sou muito mais velha? Ah! Talvez porque ainda não estou pronta!

Penso nisto muitas vezes e na sabedoria que encerram estas palavras. Estar pronto!

Como é que estarei pronto para me apresentar a Deus quando Ele me chamar à Sua Presença?

Como que absorto fico-me pedindo inssistentemente: ‘Senhor, ajuda-me a preparar-me diariamente para comparecer quando me chamares’.

 

O livro é Ele Quem o tem nas Suas mãos.

Tem mais de oitenta páginas escritas em letra bem nítida e compreensível.

Consigo ver muitos pontos de exclamação e, isto, preocupa-me um pouco porque não sei se se devem a uma apreciação positiva ou negativa.

Depois vejo a Senhora! Radiante, linda, sereníssima.

Tem um enorme marcador verde na mão direita e, debruçando-se sobre o livro começa a sublinhar frases inteiras, às vezes, períodos extensos.

Fico fascinado e expectante enquanto a Senhora, tranquilamente, vai passando página após página sempre sublinhando, sem qualquer hesitação palavras após palavras.

De soslaio olho para o meu Anjo que me sorri de volta: ‘Ne timeas…’

O Filho não diz nada, observa atentamente a “tarefa” da Sua Mãe. Parece-me que já está habituado a estas coisas e, espera, pacientemente, até que, nas Suas mãos, fica um livro cheio de marcas verdes. Uma coisa inacreditável!

Fico, também, calado, pois que hei-de eu dizer?

Finalmente, este maravilhoso interregno, acaba e, eu, fico à espera do tal “interrogatório”.

Mas… O Senhor, não diz nada. Fecha o livro e entrega-o ao meu Anjo para que o guarde na grande Estante dos Livros da Vida dos Homens.

Olha para mim uns brevíssimos momentos como se uma pequena hesitação O assaltasse, mas, logo de imediato, estende-me a Sua Mão e diz-me simplesmente: ‘Vem!)

 

Apercebo-me sem dificuldade que faz todo o sentido a presença da Mãe. De facto, ela tem muito a ver com tudo o que se passa com a humanidade. Afinal todos os homens – por vontade expressa do Filho - somos seus filhos. Mas também tem muito a ver com o mar porque é Guia dos Navegantes; a Stela Maris; a segurança – iter para tuto.

A sua vida depois que o Filho começou a ingente tarefa que O trouxe ao mundo foi passada entre pescadores, homens do mar, gente habituada aos “altos e baixos” da profissão, das pescas abundantes e dos malogros das redes vazias. Sabe do que falam, conhece o que desejam, consola-os e anima-os a prosseguir. Tal como o Filho também ela lhes diz: «Duc in altum», fazei-vos ao largo onde a pesca será mais abundante e compensadora do esforço dispendido. Não vai com eles nas barcas, mas fica em terra, na praia, pensando neles, pedindo insistentemente ao Filho que os guie, os proteja, que os ventos e as ondas não se tornem perigos insuperáveis. Mas, se acaso, soçobram ou estão prestes a sucumbir porque ou perderam os remos ou as velas e estão à deriva num mar desconhecido apressa-se a socorrê-los.

Em Dezembro de 2011 a embarcação “Virgem do Sameiro” com seis pescadores a bordo naufragou. Os pescadores recolheram-se numa balsa e andaram sessenta horas à deriva no mar, exaustos, sem comida nem água sem quaisquer meios disponíveis para sobreviver quando finalmente foram avistados por um helicóptero que os resgatou e os trouxe para terra. Rodeado pelas televisões e jornalistas, o Mestre da embarcação respondeu a uma jornalista que perguntava o que tinha a dizer sobre o que se afirmava que teria sido milagre por intervenção de Nossa Senhora: ‘Sim, estou convencido que foi um milagre! Não é por acaso que o nome da embarcação é “Virgem do Sameiro” e que dentro da balsa tínhamos um Terço do Rosário’». [1]

É bem conhecida a devoção das gentes do mar à Virgem Santíssima.

Muitas das suas embarcações têm nomes que a invocam. Fazem-se procissões em sua honra muito concorridas com os barcos engalanados em ambiente de grande festa e alegria. Algumas ostentam pinturas algumas de carácter bem ingénuo quase infantis, outras mais elaboradas retratando cenas mais complexas em que a Senhora é sempre a figura central.



Reflectindo

 

Empreender

 

Não, não se trata de fazer o quer que seja, utilizo apenas uma expressão muito típica da cozinheira de casa meus pais, onde esteve mais de quarenta anos.

'o menino não esteja praí a empreender' dizia ela, significando com isto: 'não se ponha a fazer juízos' (sobre qualquer coisa ou alguém).

Pois... dou por mim muitas vezes a "empreender" sobre algo que não entendo, uma atitude ou comportamento que me confunde.

Porquê?

Porque, eu, quero saber tudo, estar ao corrente do que acontece, porque tudo me diz respeito dada a minha importância e posição.

Concluo, tristemente, que sou um "convencido", que me considero digno de todas as preocupações e cuidados dos outros sem sequer me ocorrer que devo tantas atenções, carinho, solidariedade e interesse de tanta gente que me fala, telefona, escreve, se preocupa comigo.

Valha-me Deus!

Que ingrato!

 

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[1] Estas declarações estão gravadas em vídeo. (http://expresso-virgem-do-sameiro-diz-que-o-mais-dificil-foi-suportar-o-frio-video=f692077)

18/11/2022

Publicações em Novembro 18

  


Dentro do Evangelho

 

 

O Senhor procura-nos a todo o instante: levanta-te - diz-nos - e sai da tua preguiça, do teu comodismo, dos teus pequenos egoísmos, dos teus “problemazinhos” sem importância. Desapega-te da terra; estás aí rasteiro, achatado e informe. Ganha altura, peso, volume e visão sobrenatural.

Muitas vezes dou comigo a pensar que, a minha vida é uma constante procura de um encontro com o Senhor, fazendo oração, procurando-O no sacrário, participando na Santa Missa. Quando me detenho mais um pouco, vejo com clareza que não é bem assim, aliás, não é de todo assim; com efeito, eu, procuro encontrar-me com Ele, mas, isto só acontece porque, primeiro, Ele, quis encontrar-se comigo.

De muitas maneiras diferentes, nos mais diversos ambientes e circunstâncias, sinto que me fala, me interpela, me chama. Está à minha espera! E não deixo de me surpreender com este cuidado e carinho que Jesus tem para comigo, sendo eu o que sou, sendo eu como sou: Nada!

Depois, mergulho em mim mesmo e reflicto: Sou filho de Deus! Ser Teu filho Senhor! Esta certeza é cada vez mais uma presença dominante no meu espírito e desejo sinceramente que assim continue, aumente e cresça até tomar conta total de mim. De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante porque sei que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te  que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Penso na minha vida e imagino-me um marinheiro, um navegante na viagem permanente que é qualquer vida normal e corrente de todo o ser humano. Dentro de mim mesmo entrechocam-se emoções contraditórias principalmente devido a que, sabendo-me um ponto minúsculo no Universo, tenho simultâneamente a certeza de uma extraordinária “grandeza” pessoal cuja verdadeira dimensão não consigo abarcar completamente.

 

«Estava junto do mar, quando chega um dos príncipes da sinagoga, de nome Jairo, e, ao vê-lo, cai-lhe aos pés e suplica-lhe instantemente, dizendo: A minha filhinha está em agonia, Vem impor-lhe as mãos, para que se salve e viva! E foi com ele.»

Cristo está junto ao mar. O mar da vida de cada homem. O mar onde navega a multidão de seres humanos lutando por chegar a um porto. O porto que cada um escolheu para si, para descansar da luta da viagem, longa ou breve, que começou quando nasceu de sua mãe e acabará exactamente nesse porto.

Sabemos qual é o porto para onde nos dirigimos? Temos a certeza de que a nossa “navegação” nos levará a esse destino?

Sem dúvida que o porto é o seio de Deus fim de todo o homem: A Eternidade!

No cais desse porto, Ele estará à nossa espera com o grande livro nas mãos. Ao lado está presente o Anjo que designou para ser o “nosso Guarda”.  Ele sabe qual era a vontade do nosso Criador a nosso respeito, o que desejava que nós fizéssemos para navegar no rumo que tinha traçado para nós.

Ao lado do Juiz, está atentíssimo ao folhear das páginas, preparado para intervir, sempre em nosso favor, nalguma passagem mais crítica ou delicada. Apressar-se-á a explicar que as circunstâncias, o mar revolto, as ondas e os ventos, o ambiente, as debilidades pessoais, talvez tenham contribuído para o nosso navegar por vezes incerto, errático. Nesse livro está toda a nossa vida, desde que nascemos até a esse derradeiro momento da nossa partida. É um registo fiel e rigoroso onde tudo, absolutamente se descreve.

Em primeiro lugar deverá constar a “expectativa” do Criador a nosso respeito: ‘Desde o início do mundo, pensei em ti e criei-te para seres… Depois virá uma lista, rigorosa, completa de tudo quanto nos deu para conseguir-mos corresponder a essas “expectativas”. É uma lista longa, que, constataremos talvez com espanto, cobre todos os dias da nossa vida. Diariamente fomos recebendo dons, graças, inspirações, sentimentos que se destinaram a ajudar-nos em cada momento a caminhar nesse sentido.

Logo no início, deverão descrever-se os talentos que recebemos, que Ele, com Infinita Bondade, inseriu na nossa alma no momento em que fomos concebidos.

Depois virá um rol exaustivo das graças iniciais que nos foram concedidas: O ambiente cristão em que nascemos, a educação que os nossos pais nos proporcionaram, o exemplo que nos deram, assim como que uma espécie de “handicap” que nos foi concedido em relação a tantos – muitos – outros que não tiveram nada disso ou tiveram muito menos.

Aqui sobressai a graça do Baptismo que nos integrou na Sua Santa Igreja e onde, perante o mundo, nos foi dado o nome pelo qual Ele próprio, nos chamou desde o início da criação. Constará, decerto, a primeira vez que nos dirigimos à Sua Santíssima Mãe, a primeira Ave-Maria que, pacientemente, a nossa mãe nos ensinou a balbuciar. Com cores muito vivas estará patente o retrato da nossa alma inocente, branca, pura, impecável na festa do nosso primeiro encontro com Ele, quando O recebemos pela primeira vez.

Também consta o momento em que nos tornamos Seus “soldados” com a descrição das graças que em nós infundiu o Espírito Santo. A partir destas páginas iniciais abre-se um segundo capítulo que cobre toda a nossa juventude.

Minuciosamente passa em revista, ponto por ponto, tudo o que se passou connosco nesse período.

Não nos lembrávamos nem de uma pequena parte e, no entanto, está tudo ali cuidadosamente registado. Talvez surja um “apontamento” referente a uma insinuação que nos fez acerca da nossa vocação e, claro, a nossa resposta. Esta referência há-de aparecer mais vezes ao longo das páginas deste capítulo e, também, em cada caso, a resposta que então demos: ‘Sim, aqui estou’! ‘Sim, mas…’; ‘Agora… não’!; ‘Não! Nem pensar em tal coisa’!

Ficamos muito admirados porque não nos lembrávamos de quantas vezes tínhamos ouvido a pergunta, escutado o desafio: ‘Vem comigo. Segue-me’! E os entusiasmos passageiros, os desejos de corresponder logo sufocados e os projectos de mudança por concretizar… tantas oportunidades não aproveitadas e para sempre perdidas!

As mãos divinas folheiam agora o grande capítulo da nossa vida adulta. Desejaríamos que algumas passagens, talvez páginas inteiras, não estivessem ali, mas… estão! Deve ser aqui que “o nosso Guarda” mais intervém, quase sempre para confirmar: ‘Mas… arrependeu-se, pediu perdão’… ‘Sim – dirá Cristo – é verdade, foi perdoado e o assunto esquecido, mas… consta aqui… quod scripsi, scripsi’.

E, o Senhor, passa adiante... Sentimos como que um “aperto” no peito ao constatar os pequenos traços vermelhos com que o Juiz vai sublinhando passagens do livro; às vezes páginas inteiras. Traços vermelhos! Não auguram nada de bom!….

 

Reflectindo

Neste "caminhar" em Novembro tudo parece contribuir para um certo "abatimento" do ânimo interior.

Parece-me normal.

Estou a chegar ao fim de um ano e tendo a passar em revista quanto se passou e, sobretudo, como reagi aos acontecimentos.

Mas, ao mesmo tempo penso que, talvez isso interesse muito pouco..., o que se passou... passou, o que fiz... está feito, o que deveria ter feito e não fiz está irremediavelmente perdido.

Quando disse "abatimento interior" queria referir exactamente essa insatisfação pessoal de verificar que, bem ao contrário do que me julgo, não sou um super-homem capaz de tudo e mais alguma coisa e só tenho de concluir que sou apenas uma pessoa, com defeitos, sem dúvida, mas, também com algumas virtudes, das quais a mais importante é reconhecer a minha inteira dependência da Vontade de Deus, daí que conclua que nada mais tenho a fazer, e, sobretudo preocupar-me, desde que Lhe diga com o coração nas mãos: 'Senhor, faz de mim o que quiseres, eu quero fazer, em tudo a Tua Vontade Santa'.

Fico em paz.

 

 

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17/11/2022

Publicações em Novembro 17

  


Dentro do Envangelho

 

No deambular diário pelos poierentos caminhos da Palestina os dias passavam intensos e tão repletos de episódios que, confesso, me é difícil eleger um para me expandir.

Chegado o final do dia, habitualmente, estendiamos os mantos no chão e procurávamos descansar.

Olhava em volta a ver o que se passava com Jesus.

Como nós, repousando sobre o Seu manto, os olhos fechados, o Seu Rosto apresentava uma serenidade deveras extraordinária.

Ficava-me a pensar como era possível esta serenidade com tantos episódios, alguns quase "dramáticos", que tinham ocorrido durante o dia.

Compreendo, hoje, que a serenidade é o "efeito" lógico e consequente da "causa" que é a certeza de ter cumprido quanto era esperado que se cumprisse.

A serenidade é uma virtude importantíssima para poder não só enfrentar sem receio o que acontece mas, também encontrar a atitude correcta a tomar.

Reagir precipitadamente ao que for sem ponderação prévia nunca é aconselhável.

Para ter serenidade é necessário ter paz interior, estar seguro de o que se pensa e faz é o correcto, dominar a turba-multa das emoções e impulsos e, a paz só se obtém com a certeza razoável de que procedemos com consciência e honestidade absoluta.

A Paz de Cristo, essa que Ele nos oferece... «dou-vos a Minha Paz», é a única que nos interessa sobremaneira obter; é a que Lhe devemos pedir insistentemente.

Com esta PAZ virá a tranquilidade interior que referi, a que nos permite ter o espírito livre de amarras, quais forem e em consequência proceder correctamente.

Se os homens, todos os homens mas principalmente os que têm responsabilidades de governação compreendessem que a paz não se impõe pela força acabariam os confrontos, disputas e guerras.

"Si vis pax para bellum" (se queres a paz prepara-te para a guerra) sugeria um antiquissimo aforismo romano.

Ao longo de milénios a humanidade sofreu por este conceito profundamente errado.

Guerras, algumas bem recentes, outras a decorrer em várias regiões, ceifaram milhões de vidas humanas e continuam a provocar hecatombes um pouco por toda a terra.

Quem serão os verdadeiros "culpados"?

Tomando como referência Hitler, se não tivesse quem seguisse as suas instruções, como os estrategas, generais, etc. que pusessem em marcha fábricas de armamentos, pusessem de pé exércitos formidáveis, planeassem batalhas, invasões, elaborassem estratégias, bem poderia dizer ou ordenar o que a sua locura lhe sugerisse, não passaria disso.

Não sou, definitivamente não quero ser, juiz nem acusador, mas... lembro, uma outra vez, as palavras de Cristo na Cruz: «Pai... perdoa-lhes que não sabem o que fazem».

Hitler era, manifestamente, um homem com profundas deficiências de carácter mas, os Generais e estrategas que puseram em marcha as suas tresloucadas ordens provaram, da pior forma, que eram inteligentes, capazes, competentes. A verdade é que, sem a sua prestação bem poderia Hitler ordenar o que lhe passasse pela tresloucada cabeça… não haveria as consequências terríveis que a humanidade guardará por muitos anos na memória.

A referência que faço ás palavras de Cristo na Cruz aplica-se, quanto a mim aos que cumpriram cegamente as ordens recebidas. Seriam, na maior parte, gente ignara, cega, sem vontade própria. 

Mas, um qualquer membro de uma, como se diz… Força Armada qual for, um vulgar Agente da Autoridade, por exemplo, é um ser humano com responsabilidades próprias a que não pode eximir-se.

Tem de ser responsável – e sê-lo-á sempre – por ter executado ordens iníquas, atentórias da dignidade humana.

Poderá sofrer consequências graves por ter desobedecido mas, a sua consciência e rectidão serão premiadas por Quem o irá julgar definitivamente.

Tenho consciência que o que escrevo se baseia no conhecimento próprio. Também eu estive na guerra. Absolutamente por acaso não tirei a vida a ninguém mas, algumas vezes ultrapassei limites de violência na condução de interrogatórios a prisioneiros.

A obcecação por obter informações sobre as movimentações do inimigo levavam-me a esses excessos. Passados mais de quarenta anos ainda me envergonho e lamento profundamente ter feito tal.

Compreendo que as circunstâncias eram graves, mas nunca terei justificação por ter praticado um mal concreto para tentar obter um possível bem.

É este um dos efeitos que as guerras provocam nas pessoas, quer nos “actores” directos quer em muitos outros: como que uma cegueira que impede ver onde acaba o que é legítimo fazer e onde começa o que é um abuso tentar obter.  

Todos os Papas têm falado, escrito, publicado Encíclicas sobre a paz porque sabem que é o maior bem a que a humanidade pode aspirar.

Uma pequena parte do dinheiro -  milhões de milhões - gastos em armamentos, exércitos, investigações acerca de armas mais potentes e sofisticadas, seria mais que suficiente para acabar com os problemas da fome no mundo e ainda sobraria o bastante para que cada ser humano tivesse recursos para viver com a dignidade que legítimamente espera viver.

Penso o que poderia acontecer se, pelo menos uma das Potências Mundiais abolisse as suas "leis de defesa", destruísse todo o seu aparato militar, incluindo armas e exércitos... seria que qualquer outra "potência" se aproveitaria para a aniquilar?

Sinceramente... duvido muito que tal acontecesse, talvez, ao invés, seguisse o exemplo e aplicasse esses "milhões de milhões" no bem-estar do seu próprio povo.

Tenho por certo que se cada ser humano tiver o necessário para viver com dignidade deixará de sentir desejo de ter mais.

Para quê?

Muito possivelmente alguns pensarão que o que acima escrevi não passa de um sonho irrealista, mas, eu, permito-me pensar que, este, é o "sonho" de Jesus Cristo para a humanidade.

 

Reflectindo

Tranquilidade

 

Não é primeira vez que o tema TRANQUILIDADE é objecto de reflexão e isto porque a situação que vivo me arrasta - sem eu querer e sem aviso - para consideração de factos, situações etc., que me inquietam e perturbam.

 

Tranquilidade tem obviamente que ver com a paz espírito pelo que, se o espírito está em paz a tranquilidade é consequente.

 

Não se trata de ignorar os problemas e muito menos de os adiar, mas sim a certeza que tudo na vida tem remédio porque nada é definitivo.

 

Paz, foi e é, a principal recomendação de Cristo, Ele próprio o Príncipe da Paz, porque Ele sabia muito bem - e disse-o claramente - que a Sua vinda a este mundo iria provocar lutas e dissensões um pouco por todo o lado e em todas as sociedades humanas.

 

Mas também afirmou que tinha vencido o mundo e que, portanto, nada teríamos a temer.

 

«Tende paz em vós», disse.

 

É o que ambicionamos e lhe pedimos ajuda para a conseguir.

 

Tranquilos, pois, tudo tem solução e nada adianta preocupar-nos se ela tarda em concretizar-se. Acontecerá, tenhamos a certeza, quando o Senhor quiser e achar conveniente. Ele  nunca nos abandonará!

 

Não é este um motivo mais que suficiente para estar tranquilos?

 

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