04/11/2022

Publicações em Novembro 4

 


(Nota: Seguindo a recomendação de São Josemaria Escrivá procurarei viver o Evangelho como um personagem mais. Para tal seguirei fielmente os textos pronto a fazer as considerações que me ocorrerem.)

 

Dentro do Evangelho – Lc I

 

 

Sou um samaritano e o que hoje aconteceu comigo, tem a sua raiz há tempos atrás.

Vivia com a minha família em Sicar.

A minha vida corria bem, os negócios prosperavam, embora tivesse que deslocar-me com frequência a Jericó o que era assaz perigoso dada a frequência dos assaltos e atropelos praticados pelos malfeitores que infestavam o caminho.

Sem aviso, comecei a notar sinais alarmantes no meu corpo e, depois de observado pelo médico as suspeitas confirmaram-se: estava a ser “atacado” pelo terrível flagelo da lepra. Como se calcula, toda a minha vida se transformou, não ousava sair de casa e evitava qualquer contacto com outras pessoas, sempre à espera que a minha doença fosse conhecida pelas autoridades que me obrigariam a um exílio e imporiam uma segregação social extrema.

Um dia, porém, não pude deixar de assomar a uma janela de minha casa para verificar a que se devia o burburinho e agitação que percorria toda a aldeia.

Uma mulher, no meio do povo que a rodeava cada vez em maior número, contava entre lágrimas e risos, numa excitação quase frenética, algo espantoso. Dizia ela que tendo ido buscar água ao poço de Jacob encontrara um judeu sentado na borda do poço que, sem mais, lhe pediu de beber.

Na sua surpresa argumentara: «Como, sendo Tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou samaritana?»  Mas, continuava, a resposta foi ainda mais surpreendente de tal forma que regressara a correr à aldeia a dar conta do sucedido e acrescentava: «Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz; será este, porventura, o Cristo?».  Muitos ficaram excitados e correram atrás da mulher em direcção ao poço, outros continuaram discutindo entre si tão insólita novidade.

Recolhi-me de novo dentro de casa sem saber o que pensar, mas, dentro de mim algo me dizia que este assunto não acabaria ali.

A doença avançava com rapidez e, tal como temia, as autoridades vieram, forçaram-me a sair de casa e ir para uma furna onde mal viviam outros dez homens com o mesmo mal.

Desesperava… as condições de vida eram insuportáveis, ninguém ousava aproximar-se de nós e os escassos alimentos eram atirados do alto da ravina como se fossemos animais perigosos.

Um dia, passado algum tempo, ouviram-se gritos e agitação no caminho que passava perto do local onde nos encontrávamos e, um de nós, arriscou-se a subir ao parapeito a dar-se conta do que acontecia. Regressou e, ofegante, disse-nos que o tal homem de que a mulher falara vinha pelo caminho seguido por uma multidão de gente que o apertava e assediava com perguntas.

Tomámos uma decisão e, os dez, subimos ao caminho e gritámos de longe: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!»  Ele viu-nos e disse-nos: «Ide, mostrai-vos aos sacerdotes»  Não pensámos mais e pusemo-nos imediatamente a caminho.

Depois de alguns passos, dei-me conta que o meu corpo coberto de chagas estava limpo, a pele sã e – espantoso! – não havia qualquer sinal de lepra! Parei de repente e, enquanto os outros continuavam a caminhar, voltei para trás quase gritando incontrolavelmente graças ao Senhor Deus Todo Poderoso que operara em mim tal maravilha. Rompendo pelo meio dos que o rodeavam e prostrei-me a seus pés continuando a dar graças.  E foi então que a minha vida se modificou radicalmente porque, o Mestre, disse-me simplesmente: «Levanta-te, vai; a tua fé te salvou».

Sempre que tinha uma oportunidade ocorria ao local onde me diziam que Ele estava a pregar, a ensinar, a anunciar que o Reino de Deus estava próximo e que todos – absolutamente todos – os homens devemos amar-nos uns aos outros.

A normalidade tinha regressado à minha vida e retomando os meus negócios recomecei as minhas viagens a Jericó. E, hoje, o que aconteceu – o que me aconteceu – ao ver um pobre desgraçado estendido no chão, maltratado e ferido por salteadores foi aproximar-me dele e prestar-lhe o auxílio que estava nas minhas mãos prestar-lhe.

Agora, descansa na estalagem para onde o levei e, eu, já deitado, sinto-me tão bem comigo próprio, tão – porque não admiti-lo - orgulhoso com o meu comportamento que não posso deixar de pensar no Nazareno que me deu tão preciosa lição de vida que resumirei assim: “Faz aos outros o que desejas que te façam a ti”.

 

Reflectindo

 

Mentir pode ser, quase sempre é, um hábito. Bem... chego a justificar... não é importante, não prejudico ninguém. Esqueço-me contudo que a Verdade não tem dimensão pequena ou grande... ou é ou não é.

A prudência pode aconselhar que, em determinadas circunstâncias, não se diga a verdade. Mas nunca aconselhará mentir.

Mentir sobre o que for, importante ou não, gera, pelo menos dois Efeitos: O primeiro é próprio de uma consciência bem formada: o arrependimento; a segunda é a imperiosa necessidade de corrigir.

Quanto á Segunda posso concluir que a manifestação do meu arrependimento pode ter, pelo menos, dois Efeitos: o primeiro será o "contamento" do(s) a quem menti; o segundo é a lógica possibilidade de que "esses" pensem: 'Bem... está bem, mentiu mas retratou-se... mas será que foi, ou será, esta a única vez que mentiu?'

 

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03/11/2022

Publicações em Novembro 3

 


(Nota: Seguindo a recomendação de São Josemaria Escrivá procurarei viver o Evangelho como um personagem mais. Para tal seguirei fielmente os textos pronto a fazer as considerações que me ocorrerem.)

 

Dentro do Evangelho – Lc I

 

Fiquei atónito, sem palavras e levei algum tempo a reagir, mas, como que por encanto desvaneceram-se as minhas dúvidas e pruridos e ajudei a transportar o ferido para a melhor habitação de que dispunha.

Deitámos o homem numa cama, despimos-lhe os farrapos, arranjei uma túnica lavada que lhe vestimos e, enquanto o Samaritano observava de novo as feridas renovando as ligaduras e unguentos fui à cozinha buscar um caldo de sopa que a custo conseguiu engolir. Tendo caído num sono profundo, deixámo-lo a descansar e retiramo-nos; o samaritano para uma acomodação na parte superior da casa, eu para o meu posto à entrada da estalagem.

A noite ia adiantada e como não era de prever aparecessem novos hóspedes, fui deitar-me. Mas não conseguia conciliar o sono pensando em tudo quanto acontecera e algo apreensivo quanto ao dia seguinte.

Logo pela manhã o samaritano preparou-se para seguir viagem, mas, antes que eu pudesse perguntar o que fosse, abriu a sua bolsa, «tirou dois denários, e deu-mos dizendo: Cuida dele; quanto gastares a mais, eu to pagarei quando voltar».

Ainda hoje, passado tanto tempo, me admiro com a minha reacção! Nem por um momento me ocorreu que o Samaritano não faria exactamente como me disse e que não ficaria por receber o que viesse a gastar com o pobre coitado agora a meu cargo.

Sim, eu que sou judeu e tenho um negócio, não posso dar-me ao luxo de receber hóspedes sem ter a certeza que serei ressarcido das despesas de estadia, tanto mais que estas seriam bastante fora do “normal”: os tratamentos, ligaduras, unguentos e outros cuidados que seriam necessários. Volto a repetir: Ainda hoje, passado tanto tempo, me admiro com a minha atitude!

 

Pela noitinha, o doente estava visivelmente melhor e começou por perguntar-me como tinha ido ali parar, o que acontecera…

Contei-lhe tudo, claro, e o seu espanto foi tão grande como tinha sido o meu no dia anterior quando o estranho “cortejo” aparecera à minha porta.

Não se lembrava de nada, tão súbita e violenta tinha sido a acção dos salteadores, nem sequer quanto tempo estivera prostrado por terra. Mas achava estranho que ninguém o tivesse visto naquela situação, já que o caminho onde tudo acontecera era muito concorrido.

Eu também – pensando melhor – achei estranho, mas como estou habituado à indiferença das pessoas perante as necessidades dos outros não me custava acreditar que alguns o terão visto e, ao dar-se conta da situação, tivessem optado por seguir adiante livrando-se de “trabalhos” e incómodos. De facto, há tanta gente que vai pelos caminhos da vida tão cheios de si próprios, absorvidos com os seus assuntos que olhando não vêm e, se acaso vêm, ficam indiferentes ao que, pensam, não lhes diz respeito.

Tomei uma decisão: A partir de agora a porta da minha estalagem estará sempre aberta a quem tiver necessidade de entrar, não a fecharei a ninguém por motivos de raça, cor da pele ou religião e independentemente de possuírem meios ou recursos para cobrir as despesas que porventura façam.

Esta decisão consola-me muito porque penso que, um dia, pode acontecer-me o mesmo que ao pobre homem assaltado e espancado pelos salteadores e, então precisarei de alguém – um Samaritano… talvez – que se condoa de mim e me preste assistência.

 

 

 

Reflectindo

 

Quando passo em revista os meus defeitos é conveniente ter em conta as virtudes que tenho.

Sim, no meu "entender" cristão eu possuo virtudes.

Neste momento em particular detenho-me na PACIÊNCIA.

Logo me ocorre que me falta.

Tal reflecte-se imediatamente nesta reflexão!

Mas, pensando melhor, concluo que não será assim tão radical para justificar reflectir sobre ela.

O que tenho de ter bem claro é que a PACIÊNCIA é, além de uma Virtude, um Dom do Espírito Santo e, evidentemente só Ele a  pode dar, daí que é fundamental pedir com perseverante insistência que ma conceda.

A sua falta reflecte-se em todos os momentos da minha vida diária e, pior, torna-me "insuportável" aos que me rodeiam.

No que me respeita - aliás não tenho nenhuma "autoridade" para escrever o que for sobre outros -, vejo muito claramente que a "minha" PACIÊNCIA pessoal, intrínseca, é um "desastre", poderia, quase, dizer que "não me suporto"! E, isto que é absolutamente verdade, tem um nome: ORGULHO PESSOAL!

Sim... é verdade!

Quero-me perfeito, impecável, um exemplo, uma referência, mas... como não o sou, - porque seria?  - rendo-me pensando que não há nada que possa fazer. Mas... de facto há! Se eu pedir, como já referi, ao Divino Espírito Santo que me dê PACIÊNCIA, Ele não ma dará!?!?

Se for para meu bem e para melhor fazer, em tudo, a Vontade de Deus, seguramente que sim. E, portanto, a única coisa a fazer é esperar pacientemente que Ele oiça e atenda o meu pedido: Divino Espírito Santo dai-me PACIÊNCIA!

 

 

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Explícame-la-bioética

02/11/2022

Publicações em Novembro 2


(Nota: Seguindo a recomendação de São Josemaria Escrivá procurarei viver o Evangelho como um personagem mais. Para tal seguirei fielmente os textos pronto a fazer as considerações que me ocorrerem.)

 


Dentro do Evangelho - Lc - X-25

 

2-1

Imagino-me à porta do meu estabelecimento onde recebo hóspedes, normalmente viajantes que percorrem os caminhos poeirentos e agrestes da Palestina e que procuram um lugar onde tomar uma refeição, descansar um pouco ou passar a noite com um mínimo de conforto.

Estando ali, no meu posto de trabalho, deparo-me com uma cena estranha: Um homem que se aproxima a pé, conduzindo a sua cavalgadura pela arreata e, mal se mantendo direito em cima desta, um outro homem com os vestidos em farrapos, cheio de feridas, num estado lastimoso.

Apresso-me a ir ao seu encontro e tenho logo uma primeira reacção de enorme dúvida: quem conduz o ferido é um Samaritano!

O que faz um Samaritano dirigir-se ao meu estabelecimento?

Sim, eu, que sou judeu, não “morro de amores” pelos samaritanos que, aliás, me pagam na mesma moeda.

Um antagonismo ancestral – que ninguém sabe exactamente quando começou e porquê – divide os filhos de Israel: Samaritanos e Judeus.

Surpreendentemente, o Samaritano aproxima-se de mim e diz-me: 

- Encontrei este teu irmão estendido na vera do caminho porque «caiu nas mãos dos ladrões, que o despojaram, o espancaram e retiraram-se, deixando-o meio morto». Tentei prestar-lhe o auxílio possível ligando-lhe «as feridas, deitando nelas azeite e vinho», mas não podia deixá-lo ali naquele estado por isso pu-lo sobre minha cavalgadura e trouxe-o até esta estalagem para melhor cuidar dele. Ajuda-me a levá-lo para dentro e encontra uma acomodação confortável onde o possamos fazer.

 

Reflectindo

 

Projectos e compromissos.

Penso que já reflecti sobre este assunto. Mas não me coíbo de o fazer outra vez...

Grandes "priojectos" ou, até, compromissos de melhoria nisto ou naquilo, quase sempre ficam por isso mesmo: projectos... compromissos.

A única forma realmente válida é ir passo a passo: amanhã vou fazer assim...

E, se acaso o não fiz, examinar porquê e, depois ou corrigir ou manter o compromisso.

Que pode interessar ter um bem elaborado programa de "coisas" a fazer se não o cumpro?

Parece-me que o óbvio será fazer "um programa" que possa cumprir com as minhas capacidades e competências mas, e sobretudo, com a assistência do Divino Espírito Santo.

... Senhor amanhã penso fazer "isto e aquilo" mas se for da Tua Amabilíssima Vontade, por mim, só, não serei capaz mas com a Tua ajuda conseguirei.

E... pronto... fico em paz...

 

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