16/09/2021

NUNC COEPI Publicações Em Setembro 16

 


PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

Quarta-Feira 

 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Simplicidade e modéstia.

Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.

Lembrar-me: Do meu Anjo da Guarda.

Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de corres-pondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos. 

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?


 

LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

 

Jo XVIII, 1-18

 

Prisão de Jesus

1 Tendo dito estas coisas, Jesus saiu com os discípulos para o outro lado da torrente do Cédron, onde havia um horto, e ali entrou com os seus discípulos. 2 Judas, aquele que o ia entregar, conhecia bem o sítio, porque Jesus se reunia ali frequentemente com os discípulos. 3 Judas, então, guiando o destacamento romano e os guardas ao serviço dos sumos sacerdotes e dos fariseus, munidos de lanternas, archotes e armas, entrou lá. 4 Jesus, sabendo tudo o que lhe ia acontecer, adiantou-se e disse-lhes: «Quem buscais?» 5 Responderam-lhe: «Jesus, o Nazareno.» Disse-lhes Ele: «Sou Eu!» E Judas, aquele que o ia entregar, também estava junto deles. 6 Logo que Jesus lhes disse: ‘Sou Eu!’, recuaram e caíram por terra. 7 E perguntou-lhes segunda vez: «Quem buscais?» Disseram-lhe: «Jesus, o Nazareno!» 8 Jesus replicou-lhes: «Já vos disse que sou Eu. Se é a mim que buscais, então deixai estes ir embora.» 9 Assim se cumpria o que dissera antes: ‘Dos que me deste, não perdi nenhum.’ 10 Nessa altura, Simão Pedro, que trazia uma espada, desembainhou-a e arremeteu contra um servo do Sumo Sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. O servo chamava-se Malco. 11 Mas Jesus disse a Pedro: «Mete a espada na bainha. Não hei-de beber o cálice de amargura que o Pai me ofereceu?»

 

Jesus diante do Sinédrio

12 Então, o destacamento, o comandante e os guardas das autoridades judaicas prenderam Jesus e manietaram-no. 13 E levaram-no primeiro a Anás, porque era sogro de Caifás, o Sumo Sacerdote naquele ano. 14 Caifás era quem tinha dado aos judeus este conselho: ‘Convém que morra um só homem pelo povo’.

 

Pedro nega Jesus

15 Entretanto, Simão Pedro e outro discípulo foram seguindo Jesus. Esse outro discípulo era conhecido do Sumo Sacerdote e pôde entrar no seu palácio ao mesmo tempo que Jesus. 16 Mas Pedro ficou à porta, de fora. Saiu, então, o outro discípulo que era conhecido do Sumo Sacerdote, falou com a porteira e levou Pedro para dentro. 17 Disse-lhe a porteira: «Tu não és um dos discípulos desse homem?» Ele respondeu: «Não sou.» 18 Lá dentro estavam os servos e os guardas, de pé, aquecendo-se à volta de um braseiro que tinham acendido, porque fazia frio. Pedro ficou no meio deles, aquecendo-se também.

 

Comentário

 

O Evangelista relata o que ele próprio assistiu e no Versículo 6 descreve: «Logo que Jesus lhes disse: ‘Sou Eu!’, recuaram e caíram por terra».

Compreendo que a revelação de Quem É como que esmaga os que perguntam, não conseguem compreender a Verdade quando a constatam.

Dizer a verdade em qualquer circunstância, mesmo naquelas em que tal possa implicar umas consequências nefastas é obrigação de um cristão.

Não o conseguiremos se não pedirmos ao Divino Espírito Santo que, como Cristo prometeu, ponha na nossa boca o que havemos de dizer.

 

(AMA, 2021)




VIRTUDES

 

A virtude da esperança corresponde ao desejo de felicidade que Deus colocou no coração de todo o homem. (Catecismo, 1818), purifica-o e eleva-o; protege-o do desalento; dilata-lhe o coração na espera da bem-aventurança eterna; preserva-o do egoísmo e condu-lo à alegria (cf. Concílio de Trento: DS 1545).

 


 

REFLEXÃO

 

Exame pessoal 7

 

Há que ter algum cuidado neste aspecto do propósito.

Talvez possa haver uma intenção sincera de o levar a termo mas é necessário que esse propósito seja muito concreto fugindo às generalidades.

E também simples para ser exequível.

Pode ser um propósito composto, isto é, a levar a cabo por fazes, com tempo, não pretender que seja tudo feito imediatamente como um objectivo que em vez de ser "acessível" se converta num fardo difícil de levar.

 

(AMA, 2018)

 


 

SÃO JOSEMARIA – textos

 

 

Constância, que nada te desoriente

O desalento é inimigo da tua perseverança. - Se não lutares contra o desalento, chegarás ao pessimismo, primeiro, e à tibieza, depois. - Sê optimista. (Caminho, 988)

Constância, que nada desoriente. - Faz-te falta. Pede-a ao Senhor e faz o que puderes para a obter; porque é um grande meio para te não separares do fecundo caminho que empreendeste. (Caminho, 990)

Não podes "subir". - Não é de estranhar: aquela queda!... Persevera e "subirás". - Recorda o que diz um autor espiritual: a tua pobre alma é um pássaro que ainda tem as asas empastadas de lama. É preciso muito calor do céu e esforços pessoais, pequenos e constantes, para arrancar essas inclinações, essas imaginações, esse abatimento, essa lama pegajosa das tuas asas. E ver-te-ás livre. - Se perseverares, "subirás". (Caminho, 991)

Dá graças a Deus, que te ajudou, e rejubila com a tua vitória. - Que alegria tão profunda, a que sente a tua alma depois de ter correspondido! (Caminho, 992)

 

15/09/2021

NUNC COEPI Publicações em Setembro 15

 


PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

Quarta-Feira 

 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Simplicidade e modéstia.

Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.

Lembrar-me: Do meu Anjo da Guarda.

Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de corres-pondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos. 

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 


LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

 

Jo XVII, 1-26

 

Jesus pede por Si

 

1 Assim falou Jesus. Depois, levantando os olhos ao céu, exclamou: «Pai, chegou a hora! Manifesta a glória do teu Filho, de modo que o Filho manifeste a tua glória, 2 segundo o poder que lhe deste sobre toda a Humanidade, a fim de que dê a vida eterna a todos os que lhe entregaste. 3 Esta é a vida eterna: que te conheçam a ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem Tu enviaste. 4 Eu manifestei a tua glória na Terra, levando a cabo a obra que me deste a realizar. 5 E agora Tu, ó Pai, manifesta a minha glória junto de ti, aquela glória que Eu tinha junto de ti, antes de o mundo existir.

 

Jesus pede pelos Apóstolos

6 Dei-te a conhecer aos homens que, do meio do mundo, me deste. Eles eram teus e Tu mos entregaste e têm guardado a tua palavra. 7 Agora ficaram a saber que tudo quanto me deste vem de ti, 8 pois as palavras que me transmitiste Eu lhas tenho transmitido. Eles receberam-nas e reconheceram verdadeiramente que Eu vim de ti, e creram que Tu me enviaste. 9 É por eles que Eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me confiaste, porque são teus. 10 Tudo o que é meu é teu e o que é teu é meu; e neles se manifesta a minha glória.11 Doravante já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, e Eu vou para ti. Pai santo, Tu que a mim te deste, guarda-os em ti, para serem um só, como Nós somos! 12 Enquanto estava com eles, Eu guardava-os em ti, em ti que a mim te deste. Guardei-os e nenhum deles se perdeu, a não ser o homem da perdição, cumprindo-se desse modo a Escritura. 13 Mas agora vou para ti e, ainda no mundo, digo isto para que eles tenham em si a plenitude da minha alegria. 14 Entreguei-lhes a tua palavra, e o mundo odiou-os, porque eles não são do mundo, como também Eu não sou do mundo. 15 Não te peço que os retires do mundo, mas que os livres do Maligno. 16 De facto, eles não são do mundo, como também Eu não sou do mundo. 17 Faz que eles sejam teus inteiramente, por meio da Verdade; a Verdade é a tua palavra. 18 Assim como Tu me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo, 19 e por eles totalmente me entrego, para que também eles fiquem a ser teus inteiramente, por meio da Verdade.

 

Jesus pede pela Sua Igreja

20 Não rogo só por eles, mas também por aqueles que hão-de crer em mim, por meio da sua palavra, 21 para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em mim e Eu em ti; para que assim eles estejam em Nós e o mundo creia que Tu me enviaste. 22 Eu dei-lhes a glória que Tu me deste, de modo que sejam um, como Nós somos Um. 23 Eu neles e Tu em mim, para que eles cheguem à perfeição da unidade e assim o mundo reconheça que Tu me enviaste e que os amaste a eles como a mim. 24 Pai, quero que onde Eu estiver estejam também comigo aqueles que Tu me confiaste, para que contemplem a minha glória, a glória que me deste, por me teres amado antes da criação do mundo. 25 Pai justo, o mundo não te conheceu, mas Eu conheci-te e estes reconheceram que Tu me enviaste. 26 Eu dei-lhes a conhecer quem Tu és e continuarei a dar-te a conhecer, a fim de que o amor que me tiveste esteja neles e Eu esteja neles também.»

 

Comentário 

 

As palavras para comentar este trecho do discurso de Jesus pecam por exíguas e mal conseguem exprimir quanto nos vai na alma. Poderíamos dizer que é um discurso poderoso, final, definitivo - e sem dúvida que é - mas podemos adivinhar perfeitamente o estado de alma do Senhor quando o pronunciou. Desta forma, estas palavras soam-nos como um testamento cuidadosamente elaborado, onde a principal preocupação é a felicidade futura dos herdeiros e o amor entranhado que lhes tem.

O Senhor revela um pouco sobre os planos de Deus a respeito da humanidade e, sobretudo, o fim para que criou o homem. A vida eterna está aqui bem explicada:  «Esta é a vida eterna: que te conheçam a ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem Tu enviaste». Para aqui chegar, temos de seguir Cristo pelo caminho que Ele nos preparou e descobriu e que, em síntese, consiste em fazer em tudo – absolutamente – a Vontade de Deus. A verdade santifica, é clara esta afirmação de Cristo. Sendo Ele a Verdade é Ele Quem nos santifica. Para ser santo, o que todos devemos desejar ser, não há outro caminho, seguir Cristo, imitar Cristo,  viver em Cristo.

Neste longo discurso de Jesus que ocupa todo o Capítulo XVII do Evangelho escrito por São João, avulta, principalmente, o desejo intenso de Cristo pela unidade dos filhos de Deus – os discípulos de então e os cristãos de todos os tempos. Se é bem verdade que “a união faz a força” conclui-se que Cristo aconselha veementemente a unidade entre os Seus irmãos, os homens, e, com Ele, com Deus Pai. Este “feixe” uno e coeso resistirá a tudo, mesmo às piores e mais elaboradas tentações e garantirá que o Reino de Deus não terá fim e sairá sempre vencedor. O resultado desta unidade é a conquista da alegria plena e da felicidade eterna. Só a união faz a força! E que união será esta? A que Jesus quer e deseja de tal modo a considera importante que deu a Sua vida por ela. E de que força ser trata? A força da filiação divina, da família de Deus Nosso Senhor que nos leva a todos os homens a lutar por uma só coisa:  a salvação eterna. Juntos, unidos, será muito mais fácil porque o irmão que ajuda o irmão é como uma cidade amuralhada e as forças do mal nada poderão contra ela. O Senhor continua o Seu longo discurso a que chamo testamentário porque nele se contem quanto é necessário para fortalecer a fé neLe próprio. Por isso mesmo faz revelações – diria – que sintetizam quanto foi dizendo ao longo do tempo sobre Ele Próprio as Suas “relações” de intimidade plena com O Pai, que se consubstanciam na unidade perfeita. É essa unidade que o Senhor propõe como o ideal para os Seus seguidores, os cristãos. E, de facto, sem unidade não há coesão nem de princípios nem de práticas o que, inevitavelmente, levará à confusão e desnorte que, infelizmente, aconteceram do seio da Igreja e, ainda hoje, surgem. O Papa é o símbolo - e a garantia - dessa unidade e todos os cristãos têm estrita obrigação de pedir a Deus que o ajude na sua tarefa de guia e chefe e proteja dos seus inimigos. Dominus conservat eum, vivicet eum et beatum faciam eum in terra et non tradant in animan inimicorum eius

 

(AMA, 2017)


 

REFLEXÃO

Exame pessoal 6

 

Há duas posições que parecem antagónicas mas, de facto não são.

A primeira é considerar-se um desgraçado cheio de defeitos e debilidades incapaz de merecer o que for.

A segunda é ter-se como alguém impecável que procede bem e credor de reconhecimento das suas qualidades.

Como dizia parecem antagónicas, mas na verdade têm pelo menos um ponto em comum: ambas são exageradas e fogem à realidade. Quando se tem uma consciência bem formada, isto é, se consegue quase sem esforço distinguir o bem do mal - não no sentido abstracto ou subjectivo mas no aspecto simples e formal - o que pode ser conveniente ou o que não interessa, temos com certeza facilidade em fazer exame.

Por exemplo: O fiz hoje de bom? O que fiz mal? O que podia ter evitado? O que deveria fazer melhor?

Perguntas simples e concretas que requerem respostas ao mesmo nível. Ah e sempre – condição sine-qua-non, com honestidade intelectual. Depois, naturalmente, como consequência lógica, surgirá um propósito, um desejo de melhoria que pode incluir compromisso de correcção.

(AMA, 2018)

 

Nossa Senhora das Dores



 

SÃO JOSEMARIA – textos

 

Não te fias em nada de ti, e te fias em tudo de Deus

Nunca te tinhas sentido tão livre, libérrimo, como agora que a tua liberdade está tecida de amor e desprendimento, de segurança e insegurança, porque já não te fias em nada de ti, e te fias em tudo de Deus. (Sulco, 787)

O amor de Deus é ciumento; não fica satisfeito, se nos apresentarmos com condições no encontro marcado: espera com impaciência que nos entreguemos totalmente, que não guardemos no coração recantos escuros, onde o gozo e a alegria da graça e dos dons sobrenaturais não consigam chegar. Talvez pensem: responder sim a esse Amor exclusivo não é, porventura, perder a liberdade? (…) Cada um de nós sabe por experiência que, algumas vezes, seguir Cristo Nosso Senhor implica dor e fadiga. Negar esta realidade significaria não se ter encontrado com Deus. A alma apaixonada sabe que essa dor é uma impressão passageira e bem depressa descobre que o seu peso é leve e a sua carga suave, porque Ele a leva às costas, tal como se abraçou ao madeiro quando estava em jogo a nossa felicidade eterna. Mas há homens que não entendem, que se revoltam contra o Criador – uma rebelião impotente, mesquinha, triste –, que repetem cegamente a queixa inútil que o Salmo regista: Quebremos os seus laços! Para longe de nós o seu jugo. Resistem a realizar, com silêncio heróico, com naturalidade, sem brilho e sem lamentações, o trabalho duro de cada dia. Não compreendem que a Vontade divina, mesmo quando se apresenta com matizes de dor, de exigências que ferem, coincide exactamente com a liberdade, que só reside em Deus e nos seus desígnios. São almas que fazem barricadas com a liberdade. A minha liberdade, a minha liberdade! Têm-na e não a seguem; olham-na e põem-na como um ídolo de barro dentro do seu entendimento mesquinho. É isso liberdade? Que aproveitam dessa riqueza sem um compromisso sério, que oriente toda a existência? Um tal comportamento opõe-se à categoria própria, à nobreza, da pessoa humana. Falta a rota, o caminho claro que oriente os seus passos na terra; essas almas – decerto já as encontraram, como eu – depressa se deixarão arrastar pela vaidade pueril, pela presunção egoísta, pela sensualidade. (Amigos de Deus, 28–29)

 

 

 

 

 

14/09/2021

NUNC COEPI Publicações em Setembro 14

 


PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

Terça-Feira 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me: Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?




LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

 

Jo VI, 1-71

 

Multiplicação dos pães e dos peixes

1 Depois disto, Jesus foi para a outra margem do lago da Galileia, ou de Tiberíades. 2 Seguia-o uma grande multidão, porque presenciavam os sinais miraculosos que realizava em favor dos doentes. 3 Jesus subiu ao monte e sentou-se ali com os seus discípulos. 4 Estava a aproximar-se a Páscoa, a festa dos judeus. 5 Erguendo o olhar e reparando que uma grande multidão viera ter com Ele, Jesus disse então a Filipe: «Onde havemos de comprar pão para esta gente comer?» 6 Dizia isto para o pôr à prova, pois Ele bem sabia o que ia fazer. Filipe respondeu-lhe: 7 «Duzentos denários de pão não chegam para cada um comer um bocadinho.» 8 Disse-lhe um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro: 9 «Há aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta gente?» 10 Jesus disse: «Fazei sentar as pessoas.» Ora, havia muita erva no local. Os homens sentaram-se, pois, em número de uns cinco mil. 11 Então, Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os pelos que estavam sentados, tal como os peixes, e eles comeram quanto quiseram. 12 Quando se saciaram, disse aos seus discípulos: «Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca». 13 Recolheram-nos, então, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada que sobejaram aos que tinham estado a comer. 14 Aquela gente, ao ver o sinal milagroso que Jesus tinha feito, dizia: «Este é realmente o Profeta que devia vir ao mundo!» 15 Por isso, Jesus, sabendo que viriam arrebatá-lo para o fazerem rei, retirou-se de novo, sozinho, para o monte.

 

Jesus caminha sobre as águas

16 Ao cair da tarde, os seus discípulos desceram até ao lago 17 e, subindo para um barco, foram atravessando o lago em direcção a Cafarnaúm. 18 Já tinha escurecido e Jesus ainda não fora ter com eles. Soprando uma forte ventania, o lago começou a agitar-se. 19 Depois de terem remado mais ou menos uma légua, avistaram Jesus que se aproximava do barco, caminhando sobre o lago, e tiveram medo. 20 Mas Ele disse-lhes: «Sou Eu, não tenhais medo!» 21 Quiseram recebê-lo logo no barco, e o barco chegou imediatamente à terra para onde iam.

 

Discurso do Pão do Céu

22 No dia seguinte, a multidão que ficara do outro lado do lago reparou que ali não estivera mais do que um barco, e que Jesus não tinha entrado no barco com os seus discípulos, mas que estes tinham partido sozinhos. 23 Entretanto, chegaram outros barcos de Tiberíades até ao lugar onde tinham comido o pão, depois de o Senhor ter dado graças. 24 Quando viu que nem Jesus nem os seus discípulos estavam ali, a multidão subiu para os barcos e foi para Cafarnaúm à procura de Jesus. 25 Ao encontrá-lo no outro lado do lago, perguntaram-lhe: «Rabi, quando chegaste cá?» 26Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: vós procurais-me, não por terdes visto sinais miraculosos, mas porque comestes dos pães e vos saciastes. 27 Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará; pois a este é que Deus, o Pai, confirma com o seu selo.» 28 Disseram-lhe, então: «Que havemos nós de fazer para realizar as obras de Deus?» 29 Jesus respondeu-lhes: «A obra de Deus é esta: crer naquele que Ele enviou.» 30 Eles replicaram: «Que sinal realizas Tu, então, para nós vermos e crermos em ti? Que obra realizas Tu? 31 Os nossos pais comeram o maná no deserto, conforme está escrito: Ele deu-lhes a comer o pão vindo do Céu.» 32 E Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés que vos deu o pão do Céu, mas é o meu Pai quem vos dá o verdadeiro pão do Céu, 33 pois o pão de Deus é aquele que desce do Céu e dá a vida ao mundo.» 34 Disseram-lhe então: «Senhor, dá-nos sempre desse pão!» 35 Respondeu-lhes Jesus: «Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede. 36 Mas já vo-lo disse: vós vistes-me e não credes. 37 Todos os que o Pai me dá virão a mim; e quem vier a mim Eu não o rejeitarei, 38 porque desci do Céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. 39 E a vontade daquele que me enviou é esta: que Eu não perca nenhum daqueles que Ele me deu, mas o ressuscite no último dia. 40 Esta é, pois, a vontade do meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia.» 41 Os judeus puseram-se, então, a murmurar contra Ele por ter dito: 'Eu sou o pão que desceu do Céu'; 42 e diziam: «Não é Ele Jesus, o filho de José, de quem nós conhecemos o pai e a mãe? Como se atreve a dizer agora: 'Eu desci do Céu'?» 43 Jesus disse-lhes, em resposta: «Não murmureis entre vós. 44 Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não atrair; e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia. 45 Está escrito nos profetas: E todos serão ensinados por Deus. Todo aquele que escutou o ensinamento que vem do Pai e o entendeu vem a mim. 46 Não é que alguém tenha visto o Pai, a não ser aquele que tem a sua origem em Deus: esse é que viu o Pai. 47 Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê tem a vida eterna. 48 Eu sou o pão da vida. 49 Os vossos pais comeram o maná no deserto, mas morreram. 50 Este é o pão que desce do Céu; se alguém comer dele, não morrerá. 51 Eu sou o pão vivo, o que desceu do Céu: se alguém comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, pela vida do mundo.» 52 Então, os judeus, exaltados, puseram-se a discutir entre si, dizendo: «Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?!» 53 Disse-lhes Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. 54 Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia, 55 porque a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida. 56 Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele. 57 Assim como o Pai que me enviou vive e Eu vivo pelo Pai, também quem de verdade me come viverá por mim. 5 8Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os antepassados comeram, pois eles morreram; quem come mesmo deste pão viverá eternamente.» 59 Isto foi o que Ele disse em Cafarnaúm, ao ensinar na sinagoga.

 

Reacção dos discípulos

60 Depois de o ouvirem, muitos dos seus discípulos disseram: «Que palavras insuportáveis! Quem pode entender isto?» 61 Mas Jesus, sabendo no seu íntimo que os seus discípulos murmuravam a respeito disto, disse-lhes: «Isto escandaliza-vos? 62 E se virdes o Filho do Homem subir para onde estava antes? 63 É o Espírito quem dá a vida; a carne não serve de nada: as palavras que vos disse são espírito e são vida. 64 Mas há alguns de vós que não crêem.» De facto, Jesus sabia, desde o princípio, quem eram os que não criam e também quem era aquele que o havia de entregar. 65 E dizia: «Por isso é que Eu vos declarei que ninguém pode vir a mim, se isso não lhe for concedido pelo Pai.» 66 A partir daí, muitos dos seus discípulos voltaram para trás e já não andavam com Ele. 67 Então, Jesus disse aos Doze: «Também vós quereis ir embora?» 68 Respondeu-lhe Simão Pedro: «A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna! 69 Por isso nós cremos e sabemos que Tu é que és o Santo de Deus.» 70 Disse-lhes Jesus: «Não vos escolhi Eu a vós, os Doze? Contudo, um de vós é um diabo.» 71 Referia-se a Judas, filho de Simão Iscariotes, pois esse é que viria a entregá-lo, sendo embora um dos Doze.


Comentário

Este portentoso milagre ficou de tal forma gravado na memória do Apóstolo que refere detalhes como: «Ora, havia muita erva no local». De resto, o milagre não podia passar despercebido nem a sua magnitude como o demonstra a reacção dos circunstantes como se lê no versículo 14. Cristo continua a alimentar multidões e, por muitos que sejam os que recebem a Sagrada Eucaristia, esta nunca se esgota renovada constantemente no Sacrifício da Santa Missa.

Não podemos nem devemos criticar os judeus pela sua admiração e incredulidade. Muito provavelmente, se estivéssemos presentes, teríamos reacção semelhante. As declarações de Jesus Cristo são algo inteiramente novo e, talvez, “estranho” de difícil compreensão. Todos queremos as coisas muito claras e compreensíveis e, algumas vezes quando isso não acontece, não fazemos o mais elementar: obter esclarecimentos. Como se vê no trecho de São João, não há uma pergunta sequer, ninguém pede uma explicação. Mais tarde, o Espírito Santo fará luz sobre esta como outras questões da pregação de Jesus Cristo, e tudo se tornará claro e substantivo. Ninguém daquela «grande multidão» jamais esquecerá este milagre operado por Jesus. Os discípulos de certa forma “habituados” às maravilhas que o Senhor faz constantemente não deveriam ter palavras para descrever um acto tão extraordinário. Querem fazê-Lo Rei! E, de facto, Ele, é o Rei do nosso coração em festa sempre que O recebemos na Comunhão Eucarística.

 

(AMA, 2018)

 

EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ

 

SANTÍSSIMA VIRGEM

 

CARTA ENCÍCLICA

REDEMPTORIS MATER

DO SUMO PONTÍFICE

JOÃO PAULO II

SOBRE A BEM-AVENTURADA

VIRGEM MARIA

NA VIDA DA IGREJA

QUE ESTÁ A CAMINHO

 

 

Veneráveis Irmãos, caríssimos Filhos e Filhas: saúde e Bênção Apostólica!

 

INTRODUÇÃO

 

6. Tudo isto se realiza num grande processo histórico e, por assim dizer, “numa caminhada”. “A peregrinação da fé” indica a história interior, que é como quem diz a história das almas. Mas esta é também a história dos homens, sujeitos nesta terra à condição transitória e situados nas dimensões históricas. Nas reflexões que seguem quereria, juntamente convosco, concentrar-me primeiro que tudo na sua fase presente, que aliás de per si não pertence ainda à história; e, contudo, incessantemente já a vai plasmando, também no sentido de história da salvação. Aqui abre-se um espaço amplo, no interior do qual a Bem-aventurada Virgem Maria continua a “preceder” o Povo de Deus. A sua excepcional peregrinação da fé representa um ponto de referência constante para a Igreja, para as pessoas singulares e para as comunidades, para os povos e para as nações e, em certo sentido, para toda a humanidade. É verdadeiramente difícil abarcar e medir o seu alcance.

O Concílio sublinha que a Mãe de Deus já é a realização escatológica da Igreja: “na Santíssima Virgem ela já atingiu aquela perfeição sem mancha nem ruga que lhe é própria (cf. Ef 5, 27)” ― e, simultaneamente, que “os fiéis ainda têm de envidar esforços para debelar o pecado e crescer na santidade; e, por isso, eles levantam os olhos para Maria, que brilha como modelo de virtudes sobre toda a comunidade dos eleitos”. A peregrinação da fé é algo que já não pertence à Genetriz do Filho de Deus: glorificada nos céus ao lado do próprio Filho, a sua união com o mesmo Deus já transpôs o limiar entre a fé e a visão “face-a-face” (1 Cor 13,12). Ao mesmo tempo, porém, nesta realização escatológica, Maria não cessa de ser a “estrela do mar” (Maris Stella) para todos aqueles que ainda percorrem o caminho da fé. Se levantam os olhos para Ela nos diversos lugares onde se desenrola a sua existência terrena, fazem-no porque Ela “deu à luz o Filho, que Deus estabeleceu como primogénito entre muitos irmãos(Rom 8, 29) e também porque “Ela coopera com amor de mãe” para “a regeneração e educação” destes irmãos e irmãs.

 


 

REFLEXÃO

 

Exame pessoal 5

Mas, o exame é algo privado, como que secreto?

Privado e pessoal sim, mas não tem que ser secreto.

Ao contrário, pode muito bem servir para ajudar outros.

Seria, talvez, motivo de conversa apostólica levar outros ao hábito do exame pessoal.

O exame dá sempre fruto o que é óptimo para quem necessita - e somos todos os homens - de se apresentar ao Senhor com algo para Lhe oferecer.

(AMA, 2018)

 


 

SÃO JOSEMARIA textos

 

A transfiguração do Senhor

O Céu. "Nem olho algum viu, nem ouvido algum ouviu, nem passaram pelo pensamento do homem as coisas que Deus preparou para aqueles que O amam". Não te incitam à luta estas revelações do Apóstolo? (Caminho, 751)

E transfigurou-Se diante deles. E o Seu rosto ficou refulgente como o Sol e as Suas vestes tornaram-se brancas como a neve (Mt 17, 2). Jesus: ver-Te, falar contigo! Permanecer assim, contemplando-Te; abismado na imensidade da Tua formosura, e nunca, mais deixar de Te contemplar! Ó Cristo, quem Te pudesse ver! Quem Te visse, para ficar ferido de amor por Ti! E eis que da nuvem uma voz dizia: Este é o meu Filho dilecto em quem pus toda a minha complacência: ouvi-O (Mt 17, 5). Senhor nosso, aqui nos tens, dispostos a escutar tudo o que nos quiseres dizer. Fala-nos; estamos atentos à Tua voz. Que as Tuas palavras, caindo na nossa alma, inflamem a nossa vontade, para que se lance fervorosamente a obedecer-Te! Vultum tuum, Domine, requiram (S 26,8) – buscarei, Senhor, o Teu rosto. Encanta-me cerrar os olhos, e considerar que chegará o momento – quando Deus quiser – em que poderei vê-lo, não como num espelho, e sob imagens obscuras…, mas face a face (1 Cor 13, 12). Sim, o meu coração está sedento do Deus, do Deus vivo; quando irei e verei a face de Deus? (S 41, 3). (Santo Rosário. 4. º Mistério luminoso)

 

 

 

 

 

 

13/09/2021

NUNC COEPI Publicações em Setembro 13

 


PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

Segunda-Feira

 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me: 

Sorrir, ser amável.

 


LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

 

 

Jo V, 1-47

 

Cura do paralítico da piscina de Betzatá

1 Depois disto, havia uma festa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. 2 Em Jerusalém, junto à Porta das Ovelhas, há uma piscina, em hebraico chamada Betzatá. Tem cinco pórticos, 3 e neles jaziam numerosos doentes, cegos, coxos e paralíticos. 4 5 Estava ali um homem que padecia da sua doença há trinta e oito anos. 6 Jesus, ao vê-lo prostrado e sabendo que já levava muito tempo assim, disse-lhe: «Queres ficar são?» 7 Respondeu-lhe o doente: «Senhor, não tenho ninguém que me meta na piscina quando se agita a água, pois, enquanto eu vou, algum outro desce antes de mim». 8 Disse-lhe Jesus: «Levanta-te, toma a tua enxerga e anda.» 9 E, no mesmo instante, aquele homem ficou são, agarrou na enxerga e começou a andar. Ora, aquele dia era de sábado. 10 Por isso os judeus diziam ao que tinha sido curado: «É sábado e não te é permitido transportar a enxerga.» 11 Ele respondeu-lhes: «Quem me curou é que me disse: 'Toma a tua enxerga e anda'.» 12 Perguntaram-lhe, então: «Quem é esse homem que te disse: 'Toma a tua enxerga e anda'?» 13 Mas o que tinha sido curado não sabia quem era, porque Jesus se tinha afastado da multidão ali reunida. 14 Mais tarde, Jesus encontrou-o no templo e disse-lhe: «Vê lá: ficaste curado. Não peques mais, para que não te suceda coisa ainda pior.» 15 O homem foi-se embora e comunicou aos judeus que fora Jesus quem o tinha curado. 16 E foi por isto, por Jesus realizar tais coisas em dia de sábado, que os judeus começaram a persegui-lo. 17 Naquela altura Jesus replicou-lhes: «O meu Pai continua a realizar obras até agora, e Eu também continuo!» 18 Perante isto, mais vontade tinham os judeus de o matar, pois não só anulava o Sábado, mas até chamava a Deus seu próprio Pai, fazendo-se assim igual a Deus.

 

Discurso apologético: o poder do Filho

19 Jesus tomou, pois, a palavra e começou a dizer-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: o Filho, por si mesmo, não pode fazer nada, senão o que vir fazer ao Pai, pois aquilo que este faz também o faz igualmente o Filho. 20 De facto, o Pai ama o Filho e mostra-lhe tudo o que Ele mesmo faz; e há-de mostrar-lhe obras maiores do que estas, de modo que ficareis assombrados. 21 Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos e os faz viver, também o Filho faz viver aqueles que quer. 22 O Pai, aliás, não julga ninguém, mas entregou ao Filho todo o julgamento, 23para que todos honrem - o Filho como honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou. 24 Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não é sujeito a julgamento, mas passou da morte para a vida. 25 Em verdade, em verdade vos digo: chega a hora - e é já - em que os mortos hão-de ouvir a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão, 26 pois, assim como o Pai tem a vida em si mesmo, também deu ao Filho o poder de ter a vida em si mesmo; 27 e deu-lhe o poder de fazer o julgamento, porque Ele é Filho do Homem. 28 Não vos assombreis com isto: é chegada a hora em que todos os que estão nos túmulos hão-de ouvir a sua voz, 29 e sairão: os que tiverem praticado o bem, para uma ressurreição de vida; e os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de condenação. 30 Por mim mesmo, Eu não posso fazer nada: conforme ouço, assim é que julgo; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a daquele que me enviou.»

 

Testemunhos a favor do Filho: as credenciais de Jesus

31 «Se Eu testemunhasse a favor de mim próprio, o meu testemunho não teria valor; 32 há outro que testemunha em favor de mim, e Eu sei que o seu testemunho, favorável a mim, é verdadeiro. 33 Vós enviastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade. 34Não é, porém, de um homem que Eu recebo testemunho, mas digo-vos isto para vos salvardes. 35 João era uma lâmpada ardente e luminosa, e vós, por um instante, quisestes alegrar-vos com a sua luz. 36 Mas tenho a meu favor um testemunho maior que o de João, pois as obras que o Pai me confiou para levar a cabo, essas mesmas obras que Eu faço, dão testemunho de que o Pai me enviou. 37 E o Pai que me enviou mantém o seu testemunho a meu favor. Nunca ouvistes a sua voz, nem vistes o seu rosto, 38 nem a sua palavra permanece em vós, visto não crerdes neste que Ele enviou. 39 Investigai as Escrituras, dado que julgais ter nelas a vida eterna: são elas que dão testemunho a meu favor. 40 Vós, porém, não quereis vir a mim, para terdes a vida! 41 Eu não ando à procura de receber glória dos homens; 42 a vós já vos conheço, e sei que não há em vós o amor de Deus. 43 Eu vim em nome de meu Pai, e vós não me recebeis; se outro viesse em seu próprio nome, a esse já o receberíeis. 44 Como vos é possível acreditar, se andais à procura da glória uns dos outros, e não procurais a glória que vem do Deus único? 45 Não penseis que Eu vos vou acusar diante do Pai; há quem vos acuse: é Moisés, em quem continuais a pôr a vossa esperança. 46 De facto, se acreditásseis em Moisés, talvez acreditásseis em mim, porque ele escreveu a meu respeito. 47 Mas, se vós não acreditais nos seus escritos, como haveis de acreditar nas minhas palavras?»

 

Comentário

 

Também a nós o Senhor nos diz constantemente: Levanta-te, sai desse torpor, desse comodismo em que estás mergulhado e anda, vem comigo. Muitos estão à tua espera para que os assistas nas suas necessidades, fales de salvação e de esperança, de amor e solidariedade, de fé e confiança. Não fiques deitado quando podes andar, não te detenhas metido em ti mesmo e nos teus problemas. Estão à tua espera para que os ajudes a resolver os deles. Levanta-te! Anda!

Este acontecimento extraordinário que São João nos relata contem um detalhe que, penso, tem uma importância capital: «Senhor, não tenho ninguém que me meta na piscina quando se agita a água, pois, enquanto eu vou, algum outro desce antes de mim». Como é possível que durante trinta e oito anos ninguém tivesse ajudado este pobre homem? A indiferença perante os outros com quem nos cruzamos nos caminhos da vida, o alheamento – automático ou voluntário – das condições em que se encontra, das necessidades que possa ter, revelam uma dureza de coração e um egoísmo absolutamente incompatíveis com o que deve ser a atitude de um cristão para com o seu próximo. Pensemos, por momentos, que tal coisa se passaria connosco! Trinta e oito anos deitado numa enxerga porque ninguém reparou em mim?!

«Vê lá: ficaste curado. Não peques mais, para que não te suceda coisa pior». Então, podemos concluir que a doença daquele homem seria como que um castigo dos seus pecados? Não! O que Jesus quer dizer com este aviso é que, de facto, a pior coisa que pode acontecer ao homem é exactamente o pecado porque se trata de uma ofensa a Deus e, conforme a sua gravidade, um corte de relações entre o Criador e a criatura, uma situação muito pior que qualquer doença ou limitação física. Tantas vezes estou à espera nem eu sei bem de quê! Que passe alguém e me fale, me pergunte se preciso de algo, se estou bem? Ou, estou, simplesmente ali, inerte, sem acção nem ânimo, mergulhado num torpor que me condiciona? E, Ele, o meu Jesus, passa por mim constantemente, mas como não dou sinal de vida, respeita a minha vontade, o meu querer estar assim. Na verdade, eu nem reparo nEle! Ah! Que miserável me sinto e que mal-agradecido! Um simples gesto, um olhar que fosse e Ele deter-Se-ia a perguntar-me o que preciso, o que desejo, o que me faz falta. E, eu, teria tudo, absolutamente, porque as Suas palavras - que são de vida eterna - tirar-me-iam do meu torpor e devolver-me-iam a vida, a acção, o interesse pelos outros e, sobretudo, a vontade de viver mais e melhor para cumprir, em tudo, a Sua Vontade Santa.

Em toda a Sua Majestade Divina, Jesus apresenta-se aos que O interrogam. Esclarece todos os pontos essenciais da Fé não deixando dúvidas sobre a Sua figura e o Seu papel na história da Redenção humana. Ele tem, de facto, todo o poder e os atributos de Deus Pai, Criador e Senhor de todas as coisas. Impressiona-me, particularmente, o último versículo «Não posso por Mim mesmo fazer coisa alguma. Julgo segundo o que ouço, e o Meu juízo é justo, porque não busco a Minha vontade, mas a d'Aquele que Me enviou», porque, realmente, declara o Seu supremo respeito pela liberdade do homem que é, em última análise, quem escolhe o seu destino na Vida Eterna. Dá-me vontade de Lhe pedir - se fosse possível - que me coarcte essa liberdade e me coaja a ser santo; que não me deixe, a mim, a opção, porque, eu, pobre de mim, sou fraco e débil para fazer as escolhas correctas. Então digo-lhe, com o coração nas mãos: "Docere me facere voluntatem Tuam quia Deus meus es Tu”. Assim, e só assim, estarei seguro e a salvo de mim mesmo.

Nós, cristãos de hoje, compreendemos perfeitamente estas palavras de Jesus que, talvez, aos que O ouviam naquela altura, não fossem muito esclarecedoras. Compreendemos porque sabemos que Jesus Cristo é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade e que, esta, tem um só querer, uma só vontade, um só desígnio, ou seja, o que é do Pai é do Filho e do Espírito Santo. Então porquê estas palavras de Jesus? Para que os circunstantes compreendessem e acreditassem que Ele, o Messias Salvador, era Deus Verdadeiro.

É bastante difícil para quem não tem fé aceitar as palavras de Cristo quando fala de Si Próprio e da Santíssima Trindade. Mais que difícil, diria que é impossível, porque para aceitar é fundamental ter o coração disponível e sem preconceitos e, sobretudo, querer ouvir, desejar entender. Ter a noção clara de que há as barreiras próprias que os mistérios levantam e que não é possível ultrapassar sem a ajuda da fé. Pedir a fé será, pois, o recurso lógico de quem deseja compreender as palavras de Jesus Cristo. Aprofundar no Mistério da Santíssima Trindade pode parecer tarefa impossível, melhor dizendo, chegar a um conhecimento exacto. Mas, os cristãos, expressam no Credo – símbolo da sua Fé – que acreditam em Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo e, portanto, têm de aprofundar até onde for possível aquilo em que acreditam. Só a Fé não basta, haverá que pedir ao Espírito Santo os Dons de Ciência, Entendimento e Sabedoria para nos ajudar a, passo a passo, ir adentrando nessa realidade. Não tenhamos receio da tarefa ser por demais complexa – como todo o mistério, afinal, – nem tenhamos a pretensão de obter respostas conclusivas mas, o estudo e, sobretudo, a oração hão-de conduzir-nos – passo a passo – no caminho certo. É o que devemos fazer.

Jesus não deixa sem resposta as questões levantadas pelos Seus opositores e, naturalmente que o faz para esclarecer os muitos que O ouvem. Sabe de sobejo que, aos fariseus e escribas não interessam para nada as Suas respostas, estão de tal forma aferrados aos seus próprios conceitos que nem sequer as ouvem. Aliás, talvez, até, preferissem que o Senhor não respondesse. Mas O Senhor não pode perder o ensejo para esclarecer e doutrinar com segurança e radicalidade absolutas expondo a verdade tal qual é.

 

 

(AMA, 2021)

 

São JOÃO CRISÓSTOMO, bispo e doutor da Igreja



FILOSOFIA E RELIGIÃO, VIDA HUMANA

 

Filosofia e Religião, Vida Humana


 

REFLEXÃO

Senhor... não sei que fazer!

E oiço-Te:

Faz o que sabes melhor, tens uns predicados, umas qualidades que Eu te dei gratuitamente, paga-Me distribuinduas pelos outros, não para teu contentamento mas para Me servires.

Compreendo e fico em paz. GTB.

2021

 


SÃO JOSEMARIA - textos