17/08/2021

NUNC COEPI: Publicações em Agosto 17

 


PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

Terça-Feira 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me: Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?




LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

 

Lc XVIII, 1-43

 

Parábola do juíz e da viúva

1 Depois, disse-lhes uma parábola sobre a obrigação de orar sempre, sem desfalecer: 2 «Em certa cidade, havia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. 3 Naquela cidade vivia também uma viúva que ia ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário.’ 4 Durante muito tempo, o juiz recusou-se a atendê-la; mas, um dia, disse consigo: ‘Embora eu não tema a Deus nem respeite os homens, 5 contudo, já que esta viúva me incomoda, vou fazer-lhe justiça, para que me deixe de vez e não volte a importunar-me.’» 6 E o Senhor continuou: «Reparai no que diz este juiz iníquo. 7 E Deus não fará justiça aos seus eleitos, que a Ele clamam dia e noite, e há-de fazê-los esperar? 8 Eu vos digo que lhes vai fazer justiça prontamente. Mas, quando o Filho do Homem voltar, encontrará a fé sobre a terra?»

 

O fariseu e o publicano

9 Disse também a seguinte parábola, a respeito de alguns que confiavam muito em si mesmos, tendo-se por justos e desprezando os demais: 10 «Dois homens subiram ao templo para orar: um era fariseu e o outro, cobrador de impostos. 11 O fariseu, de pé, fazia interiormente esta oração: ‘Ó Deus, dou-te graças por não ser como o resto dos homens, que são ladrões, injustos, adúlteros; nem como este cobrador de impostos. 12 Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de tudo quanto possuo.’ 13 O cobrador de impostos, mantendo-se à distância, nem sequer ousava levantar os olhos ao céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador.’ 14 Digo-vos: Este voltou justificado para sua casa, e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado.»

 

Jesus e as crianças

15 Apresentavam-lhe também as criancinhas, para que Ele lhes tocasse. Vendo isso, os discípulos repreenderam-nos. 16 Mas Jesus chamou-os a si, dizendo: «Deixai vir a mim os pequeninos; não os impeçais, pois deles é o Reino de Deus. 17 Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como um pequenino, não entrará nele.»

 

O jovem rico, perigo das riquezas

18 Certo chefe perguntou-lhe, então: «Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?» 19 Respondeu-lhe Jesus: «Porque me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus. 20 Tu sabes os mandamentos: Não cometerás adultério, não matarás, não roubarás, não levantarás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe.» 21 Ele retorquiu: «Tudo isso tenho cumprido desde a minha juventude.» 22 Ouvindo isto, Jesus disse-lhe: «Ainda te falta uma coisa: vende tudo o que tens, distribui o dinheiro pelos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-me.» 23 Quando isto ouviu, ele entristeceu-se, pois era muito rico. 24 Vendo-o assim, Jesus exclamou: «Como é difícil para os que têm riquezas entrar no Reino de Deus! 25 Sim, é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!» 26 Os que o ouviram disseram: «Então, quem pode salvar-se?» 27 Jesus respondeu: «O que é impossível aos homens é possível a Deus.»

 

Recompensa dos que seguem Jesus

28 Disse-lhe Pedro: «Nós deixámos os próprios bens e seguimos-te.» 29 Ele disse-lhes: «Em verdade vos digo: Não há ninguém que tenha deixado casa, mulher, irmãos, pais ou filhos, por causa do Reino de Deus, 30 que não receba muito mais no tempo presente e, no tempo que há-de vir, a vida eterna.»

 

Nova profecia da Paixão

31 Tomando os Doze consigo, Jesus disse-lhes: «Olhai, subimos agora a Jerusalém e vai cumprir-se tudo o que foi escrito pelos profetas acerca do Filho do Homem: 32 vai ser entregue aos gentios, vai ser escarnecido, maltratado e coberto de escarros; 33 e, depois de o açoitarem, vão dar-lhe a morte. Mas, ao terceiro dia, ressuscitará.» 34 Eles, porém, nada disto entenderam. Aquela linguagem era incompreensível para eles, e não entendiam o que lhes dizia.

 

Cura do cego de Jericó

35 Quando se aproximavam de Jericó, estava um cego sentado a pedir esmola à beira do caminho. 36 Ouvindo a multidão que passava, perguntou o que era aquilo. 37 Disseram-lhe que era Jesus de Nazaré que ia a passar. 38 Então, bradou: «Jesus, Filho de David, tem misericórdia de mim!» 39 Os que iam à frente repreendiam-no, para que se calasse. Mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem misericórdia de mim!» 40 Jesus parou e mandou que lho trouxessem. Quando o cego se aproximou, perguntou-lhe: 41 «Que queres que te faça?» Respondeu: «Senhor, que eu veja!» 42 Jesus disse-lhe: «Vê. A tua fé te salvou.» 43 Naquele mesmo instante, recobrou a vista e seguia-o, glorificando a Deus. E todo o povo, ao ver isto, deu louvores a Deus.

 

Comentário

 

Como diz o evangelista, a parábola destina-se a reforçar a obrigação de orar sempre, sem desfalecer. O exemplo que o Senhor dá nesta parábola não precisa de explicação, qualquer um sabe muito bem que a perseverança é a “chave” para se conseguir o que se pretende. O que pretendem, pois, os cristãos? Qual é a sua principal e primeira preocupação, o seu objectivo último? Evidentemente, a Salvação Eterna! Então…

À perseverança podemos, sem medo, chamar teimosia? Penso que nada tem de pejorativo porque, na realidade, tanto se persevera praticando o mal como fazendo o bem. Os fins são, evidentemente diferentes e será sempre necessário teimar, insistir, voltar uma e outra vez até se conseguir o se deseja. O que pedimos ou o desejamos com todo o nosso coração e as nossas forças ou, então, deixará de haver motivo para “incomodar” o Senhor. Falando com palavras humanas, o coração de Deus move-se pelo amor e, este, quando expresso com firme veemência e persistência confiada, não pode senão bater com mais força à porta daquele Coração Amantíssimo.

Ter-se a si mesmo em boa conta ou, até, motivo de admiração dos outros, é uma vaidade pessoal que não tem nem fundamento nem possível aceitação seja por quem for. O vaidoso – auto-convencido – vai pela vida sozinho com a sua empáfia e nem repara nos outros que o rodeiam ou com quem se cruza nos caminhos da vida. Vive de si mesmo, do que julga saber e possuir, e isto é suficiente. É uma figura triste e digna de pena porque, afinal, não se dá conta que todos os homens temos uma mesma dignidade, que não obtemos nem conseguimos, mas que Deus nos deu a todos por igual: Sermos Seus Filhos!

A humildade pessoal é das virtudes talvez a mais difícil de alcançar. Parece que a tendência do homem é para se sublimar e julgar-se com benevolência, ou então para se considerar sem qualquer valor ou mérito pessoal, ambos sem grande preocupação por ser correcto e justo. Os dois personagens que, neste trecho São Lucas, Jesus Cristo coloca à nossa consideração parecem estar em posições diametralmente opostas mas, a verdade, é que me parece que têm, pelo menos, um ponto em comum: ambos não têm em conta a Quem se dirigem na sua oração. O Fariseu porque não realiza que Deus Nosso Senhor é Infinitamente Justo e que, portanto, não vale a pena referir as obras que pensa merecerem recompensa. O Publicano porque não percebe que o Senhor quer igualmente a todos os homens porque todos são Seus filhos. Claro que, no fim, as palavras de Jesus são o “corolário” justíssimo: «Todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado

Termina o capítulo 18 do Evangelho escrito por São Lucas e, pode dizer-se que termina com “chave de ouro”. De facto, a cena relatada, é de excepcional importância para compreendermos bem quanto vale a insistência na oração, removendo obstáculos que possam surgir ou, até, impedimentos levantados por outros que acharão “excessivo” o empenho. O prémio é extraordinário e ultrapassa tudo quanto se pede. Este cego recupera a vista, o que pedia em altos brados, mas, sobretudo, por causa da sua insistência, consegue um bem muito maior: a Salvação!

Quando na verdade desejamos algo que não só nos faz falta mas pode mudar radicalmente a nossa vida, empenhamo-nos a sério, com persistência e sem receio de ser incómodo em conseguir o que aspiramos. É o que faz com este cego que esta cena evangélica nos relata. A sua necessidade é tal que pede aos gritos, numa esperança incontida, que, Jesus que passa no caminho o oiça. O que pede? Misericórdia daquele Jesus que, ele sabe, opera milagres, e demonstra a cada passo uma misericórdia sem limites. E na resposta a Jesus que o interpela, não se perde em divagações ou louvaminhas destinadas a comover o Coração de Cristo. Simplesmente, com a maior franqueza e convicção diz o que quer: «Senhor, que eu veja!». É assim que deve ser a nossa petição: perseverante e simples. Perseverante para “convencer” o Senhor da nossa fé, simples, porque Ele sabe muito bem o que necessitamos.

 

(AMA, 1999)

 



 

SANTÍSSIMA VIRGEM

 

Oração mariana

 

Nos perigos, nas angústias, em todos os momentos de dúvida, pensa em Maria, invoca Maria. Que este nome sagrado não se afaste do teu coração e não falte jamais nos teus lábios. Seguindo esta Estrela, não te desviarás. Se a invocares com humildade, não desesperarás. Se pensares em Maria, não errarás. Se ela estiver contigo, não cairás. Se te proteger, nada temerás. Com ela, como guia, não te fatigarás. Se te for propícia, chegarás à meta, firme e seguro. Quem quer que sejas, sacudido pelo vendaval das tempestades deste mundo, sentindo a terra como um mar devorador, não afastes os olhos do fulgor desta Estrela. Quando soprar o vento tempestuoso e traiçoeiro da tentação, quando te sentires batido contra os escolhos perigosos da tribulação, olha para a Estrela e invoca Maria. Se te açoitarem as ondas da soberba, da inveja, da maledicência, olha para a Estrela, invoca Maria. Quando sentires a ira, a avareza, a carne e a tristeza tentarem fazer soçobrar a barquinha frágil de tua alma, olha para a Estrela, invoca Maria…

 

(São Bernardo de Claraval)

 

 


REFLEXÃO

Procurai viver as virtudes que, segundo julgais, faltam aos vossos irmãos e já não vereis os seus defeitos, porque não os tereis vós.

 

(Santo Agostinho, Enarrationes in Psalmos, 30, 2, 7)

 


 

 

SÃO JOSEMARIA textos

 

A oração deve enraizar-se na alma

A verdadeira oração, a que absorve todo o indivíduo, não a favorece tanto a solidão do deserto como o recolhimento interior. (Sulco, 460)

O caminho que conduz à santidade é o caminho da oração; e a oração deve enraizar-se pouco a pouco na alma, como a pequena semente que se tornará mais tarde árvore frondosa. Começamos com orações vocais, que muitos de nós repetimos desde crianças: são frases ardentes e simples, dirigidas a Deus e à Sua Mãe, que é nossa Mãe. De manhã e à tarde, não um dia, mas habitualmente, ainda renovo aquele oferecimento que os meus pais me ensinaram: Ó Senhora minha, ó minha mãe, eu me ofereço todo a Vós. E, em prova da minha devoção para convosco, Vos consagro neste dia os meus olhos, os meus ouvidos, a minha boca, o meu coração... Não será isto, de algum modo, um princípio de contemplação, uma demonstração evidente de confiante abandono? Que dizem aqueles que se querem, quando se encontram? Como se comportam? Sacrificam tudo o que são e tudo o que possuem pela pessoa que amam. Primeiro uma jaculatória, e depois outra e outra... Até que parece insuficiente esse fervor, porque as palavras se tornam pobres...: e abrem-se as portas à intimidade divina, com os olhos postos em Deus sem descanso e sem cansaço. Vivemos então como cativos, como prisioneiros. Enquanto realizamos com a maior perfeição possível, dentro dos nossos erros e limitações, as tarefas próprias da nossa condição e do nosso ofício, a alma anseia escapar-se. Vai até Deus como o ferro atraído pela força do íman. Começa-se a amar Jesus de forma mais eficaz, com um doce sobressalto. (Amigos de Deus, 295–296)

 

 

 

 

 

16/08/2021

NUNC COEPI: Publicações em Agosto 16

 


PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

Segunda-Feira

 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me: 

Sorrir, ser amável.


 

LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

 

Lc XVII, 1-37

 

Os escândalos

1 Disse, depois, aos discípulos: «É inevitável que haja escândalos; mas ai daquele que os causa! 2 Melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço uma pedra de moinho e o lançassem ao mar, do que escandalizar um só destes pequeninos.

 

Perdão das injúrias

3 Tende cuidado convosco! Se o teu irmão te ofender, repreende-o; e, se ele se arrepender, perdoa-lhe. 4 Se te ofender sete vezes ao dia e sete vezes te vier dizer: ‘Arrependo-me’, perdoa-lhe.»

 

Força da fé

5 Os Apóstolos disseram ao Senhor: «Aumenta a nossa fé.» 6 O Senhor respondeu: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a essa amoreira: ‘Arranca-te daí e planta-te no mar’, e ela havia de obedecer-vos.»

 

O nosso dever

7 «Qual de vós, tendo um servo a lavrar ou a apascentar gado, lhe dirá, quando ele regressar do campo: ‘Vem cá depressa e senta-te à mesa’? 8 Não lhe dirá antes: ‘Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires, enquanto eu como e bebo; depois, comerás e beberás tu’? 9 Deve estar grato ao servo por ter feito o que lhe mandou? 10 Assim, também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer.’»

 

Cura dos dez leprosos

11 Quando caminhava para Jerusalém, Jesus passou através da Samaria e da Galileia. 12 Ao entrar numa aldeia, dez homens leprosos vieram ao seu encontro; mantendo-se à distância, 13 gritaram, dizendo: «Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós!» 14 Ao vê-los, disse-lhes: «Ide e mostrai-vos aos sacerdotes.» Ora, enquanto iam a caminho, ficaram purificados. 15 Um deles, vendo-se curado, voltou, glorificando a Deus em voz alta; 16 caiu aos pés de Jesus com a face em terra e agradeceu-lhe. Era um samaritano. 17 Tomando a palavra, Jesus disse: «Não foram dez os que ficaram purificados? Onde estão os outros nove? 18 Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?» 19 E disse-lhe: «Levanta-te e vai. A tua fé te salvou.»

 

A vinda do Reino de Deus

20 Interrogado pelos fariseus sobre quando chegaria o Reino de Deus, Jesus respondeu-lhes: «O Reino de Deus não vem de maneira ostensiva. 21 Ninguém poderá afirmar: ‘Ei-lo aqui’ ou ‘Ei-lo ali’, pois o Reino de Deus está entre vós.» 22 Depois, disse aos discípulos: «Tempo virá em que desejareis ver um dos dias do Filho do Homem e não o vereis. 23 Vão dizer-vos: ‘Ei-lo ali’, ou então: ‘Ei-lo aqui.’ Não queirais ir lá nem os sigais. 24 Porque, como o relâmpago, ao faiscar, brilha de um extremo ao outro do céu, assim será o Filho do Homem no seu dia. 25 Mas, primeiramente, Ele tem de sofrer muito e ser rejeitado por esta geração. 26 Como sucedeu nos dias de Noé, assim sucederá também nos dias do Filho do Homem: 27 comiam, bebiam, os homens casavam-se e as mulheres eram dadas em casamento, até ao dia em que Noé entrou na Arca e veio o dilúvio, que os fez perecer a todos. 28 O mesmo sucedeu nos dias de Lot: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam, construíam; 29 mas, no dia em que Lot saiu de Sodoma, Deus fez cair do céu uma chuva de fogo e enxofre, que os matou a todos. 30 Assim será no dia em que o Filho do Homem se revelar. 31 Nesse dia, quem estiver no terraço e tiver as suas coisas em casa não desça para as tirar; e, do mesmo modo, quem estiver no campo não volte atrás. 32 Lembrai-vos da mulher de Lot. 33 Quem procurar salvar a vida, há-de perdê-la; e quem a perder, há-de conservá-la. 34 Digo-vos que, nessa noite, estarão dois numa cama: um será tomado e o outro será deixado. 35 Duas mulheres estarão juntas a moer: uma será tomada e a outra será deixada. 36 Dois homens estarão no campo: um será tomado e o outro será deixado.» 37 Tomando a palavra, os discípulos disseram-lhe: «Senhor, onde sucederá isso?» Respondeu-lhes: «Onde estiver o corpo, lá se juntarão também os abutres.»

 

Comentário

 

O Senhor responde aos Apóstolos com um exemplo sobre a Fé, no mínimo, extraordinário. Não é de admitir que alguém – mesmo por experiência pateta – mande uma árvore plantar-se no mar! Mas, pelas palavras do Senhor, até poderia, com uma condição prévia: Ter fé como um grão de mostarda! Ou seja, mesmo uma fé do tamanho de um grão de dimensões mínimas, tem um poder e um alcance extraordinários. Uma pergunta se impõe: Qual é o tamanho da nossa Fé?

Que há-de querer um cego? Naturalmente… ver. E quando precisa realmente, quando o que pede é um bem inestimável, não há nada nem ninguém que o impeça de tudo fazer para o conseguir. E nós? Vemos? Distinguimos claramente o bem do mal? Temos o olhar limpo ou por vezes deixamos que a concupiscência nos turve a vista e nos impeça ver o perigo da tentação? Peçamos insistentemente ao Senhor um olhar limpo e puro para podermos ver as maravilhas que Ele opera em nós.

Serviço é sempre trabalho donde que, servir e trabalhar, são praticamente a mesma coisa. Mas alguns acham que servir é de alguma forma submissão ou sujeição que coarcta a liberdade pessoal e fere a dignidade próprias. Não é assim, bem ao contrário, servir ajuda a crescer na dignidade e na própria estatura moral exactamente porque se cumpre o desígnio de Deus Criador que criou o homem para que trabalhasse e, trabalhando, dominar a natureza e alcançar a plenitude da vida.

Parecem um pouco “duras” as palavas do Senhor: Servos inúteis! Porquê? Talvez achemos que, por cumprir o nosso dever devemos ser louvados e exaltados? Mas… e se não fizermos? Deveríamos sofrer, por isso, um castigo? Então, bem vistas as coisas, só somos úteis se cumprirmos o que nos compete fazer, caso contrário, não temos qualquer préstimo.

De facto, os dez leprosos demonstraram uma mesma fé absoluta em Jesus Cristo: sob a Sua ordem, não hesitaram em fazer como lhes ordenara. Não fizeram perguntas, não duvidaram um instante sequer. Sim… é de louvar tal fé! Mas, como vemos no final do texto, embora os dez ficassem curados a um só foi garantida a salvação: ao que voltou para trás para mostrar o seu agradecimento. A Fé, sem dúvida, é importantíssima e consegue coisas extraordinárias, o mas dar graças a Deus alcança muito mais além da cura do corpo. Alcança a cura da alma e a salvação eterna!

Há efectivamente um paralelismo nas palavras de Jesus entre o que aconteceria - e de facto aconteceu - na conquista de Israel, a destruição de Jerusalém e o fim do mundo. Para os judeus a destruição do templo significava o final dos tempos. Não obstante a catástrofe e os longos anos de sofrimento a que os babilónicos o submeteu, o povo judeu acabou por reconquistar a liberdade, reconstruir, o templo, recomeçar a vida. Mas não tinha "aprendido" com isso de tal modo que Cristo não deixa de avisar repetidamente que, o futuro prepara-se no presente e depende do comportamento diário.

O Senhor faz várias referências sobre o “chamado” fim do mundo. Jesus Cristo não é o profeta da desgraça, nem o prenunciador de factos ou acontecimentos terríveis, mas, sabe, porque Ele sabe tudo, quanto irá acontecer. Não o revela exactamente para não desanimar os que – como Ele deseja e incentiva – procuram estar preparados para o que vier. Se atentarmos bem nas palavras que pronuncia, o que o Senhor deseja é que os homens – todos os homens – Seus irmãos estejam prevenidos e, sem saber nem como nem quando, estejam aptos a receber o Juiz Supremo quando Ele vier na Sua Glória julgar os vivos e os mortos.

Ao longo dos tempos não tem faltado quem se intitule como sendo o Messias Salvador. Alguns… visionários com evidentes desvios de personalidade, outros com o fim declarado de arrastar outros numa aventura que eles próprios são os primeiros a beneficiar. E, o que é de espantar, é que há quem os siga e contribua sem titubear para “a sua causa”, que mais não é, que a própria cupidez. Vemos, pois, quanta gente digna de dó – como o Senhor terá sentido tantas vezes – que vão atrás de sonhos, quimeras, histórias bem urdidas destinadas a convencer os mais fracos. Nós, cristãos, temos o dever de rezar – e muito – por esses muitos que seguem esses “lobos vestidos de pele de cordeiro”, para que encontrem alguém que os leve por um rumo certo e fiável.

O nome de Deus, de Jesus Cristo, tem sido usado por gente que pretende apenas aproveitar-se das pessoas fracas e desnorteadas. Sim há loucos e visionários, exaltados e sonhadores, sem dúvida, mas, esses, mais tarde ou mais cedo ou desaparecem ou caem no descrédito dos seus seguidores. Mas, infelizmente, muitos outros não. São pessoas sagazes, com o dom da palavra e de forte personalidade que encontram, com aparente facilidade, quem esteja disposto a segui-los e a aceitar as suas teorias e visões do mundo. Como infelizmente também não faltam os que andam perdidos na vida, arrastando-se sem rumo nem critério, esmagados pelas dúvidas e toda a sorte de males, ansiosos por encontrar quem lhes aponte um caminho seguro, lhes dê uma esperança, lhes confirme uma salvação ou cura. E, são estes, quase sempre, as primeiras vítimas dos primeiros, deixando-se embalar em falsas promessas, acreditando em manhas e truques de toda a ordem, enfim, enchendo o coração com aquilo que lhes falta. Como são dignos de dó e como todos nós, cristãos, temos de rezar por eles para que vão a tempo de ver a verdadeira luz e, assim, reconhecerem a verdade.

 

 


VIRTUDES

 

As virtudes humanas

 

Entre as virtudes humanas há quatro chamadas cardeais, porque todas as outras se agrupam à volta delas. São a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança. (cf. Catecismo, 1805).

 

A prudência é a virtude que dispõe a razão prática para discernir, em qualquer circunstância, o nosso verdadeiro bem e para escolher os justos meios de o atingir (Catecismo, 1806). É a norma recta da acção

 

A justiça é a virtude moral que consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido. (Catecismo 1807)

 

A fortaleza é a virtude moral que, no meio das dificuldades, assegura a firmeza e a constância na prossecução do bem. Torna firme a decisão de resistir às tentações e de superar os obstáculos na vida moral. A virtude da fortaleza dá capacidade para vencer o medo, mesmo da morte, e enfrentar a provação e as perseguições. Dispõe a ir até à renúncia e ao sacrifício da própria vida, na defesa duma causa justa. (Catecismo, 1808).

 

A temperança a virtude moral que modera a atracção dos prazeres e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos nos limites da honestidade. A pessoa temperante orienta para o bem os apetites sensíveis, guarda uma sã discrição e não se deixa arrastar pelas paixões do coração. A temperança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento: “Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites” (Sir 18, 30). No Novo Testamento, é chamada “moderação”, ou “sobriedade”» (Catecismo , 1809).

 

A respeito das virtudes morais, afirma-se que in médio virtus. Isto significa que a virtude moral consiste no meio entre um defeito e um excesso. In médio virtus não é uma chamada à mediocridade. A virtude não é o termo médio entre dois ou mais vícios, mas a rectidão da vontade que, como num cume, se opõe a todos os abismos que são os vícios.

 


 

REFLEXÃO

Recorda-te que as abelhas no tempo em que fazem o mel comem e sustentam-se de um mantimento muito amargo; e assim nós não podemos praticar actos de maior mansidão e paciência, nem compor o mel das melhores virtudes, senão quando comemos o pão da amargura e vivemos no meio das aflições.

 

(São Francisco de Sales, Introducción a la vida devota, III, 3)




SÃO JOSEMARIA - textos

 

Faz tudo o que puderes para conheceres a Deus

Em cada dia faz tudo o que puderes para conheceres a Deus, para te dares com Ele, para te enamorares mais em cada instante e não pensares senão no seu Amor e na sua glória. – Cumprirás este plano, filho, se não deixares, por nada!, os teus tempos de oração, a tua presença de Deus (com jaculatórias e comunhões espirituais para te inflamarem), a tua Santa Missa pausada, o teu trabalho bem acabado por Ele. (Forja, 737)

Meus filhos, onde estiverem os homens, vossos irmãos; onde estiverem as vossas aspirações, o vosso trabalho, os vossos amores, é aí que está o sítio do vosso encontro quotidiano com Cristo. É no meio das coisas mais materiais da Terra que devemos santificar-nos, servindo Deus e todos os homens. Tenho ensinado constantemente com palavras da Sagrada Escritura: o mundo não é mau porque saiu das mãos de Deus, porque é uma criatura Sua, porque Iavé olhou para ele e viu que era bom (Cfr. Gen. 1, 7 e ss.). Nós, os homens, é que o tornamos mau e feio, com os nossos pecados e as nossas infidelidades. Não duvideis, meus filhos: qualquer forma de evasão das honestas realidades diárias é, para vós, homens e mulheres do mundo, coisa oposta à vontade de Deus. Pelo contrário, deveis compreender agora – com uma nova clareza – que Deus vos chama a servi-Lo em e a partir das ocupações civis, materiais, seculares da vida humana: Deus espera-nos todos os dias no laboratório, no bloco operatório, no quartel, na cátedra universitária, na fábrica, na oficina, no campo, no lar e em todo o imenso panorama do trabalho. Ficai a saber: escondido nas situações mais comuns há um quê de santo, de divino, que toca a cada um de vós descobrir. (Temas Actuais do Cristianismo, 113–114)

 

 

15/08/2021

NUNC COEPI: Publicações em Agosto 15

 


PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

DOMINGO

 

PLANO DE VIDA;  (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 

ASSUNÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA

 



LEITURA ESPIRITUAL

Evangelho

 

Lc XVI, 1-31

O feitor infiel

1 Disse ainda Jesus aos discípulos: «Havia um homem rico, que tinha um administrador; e este foi acusado perante ele de lhe dissipar os bens. 2 Mandou-o chamar e disse-lhe: ‘Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar.’ 3 O administrador disse, então, para consigo: ‘Que farei, pois, o meu senhor, vai tirar-me a administração? Cavar não posso; de mendigar tenho vergonha. 4 Já sei o que hei-de fazer, para que haja quem me receba em sua casa, quando for despedido da minha administração.’ 5 E, chamando cada um dos devedores do seu senhor, perguntou ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu senhor?’ Ele respondeu: 6 ‘Cem talhas de azeite.’ Retorquiu-lhe: ‘Toma o teu recibo, senta-te depressa e escreve cinquenta.’ 7 Perguntou, depois, ao outro: ‘E tu quanto deves?’ Este respondeu: ‘Cem medidas de trigo.’ Retorquiu-lhe também: ‘Toma o teu recibo e escreve oitenta.’ 8 O senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. É que os filhos deste mundo são mais sagazes que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes.» 9 «E Eu digo-vos: Arranjai amigos com o dinheiro desonesto, para que, quando este faltar, eles vos recebam nas moradas eternas. 10 Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é infiel no pouco também é infiel no muito. 11 Se, pois, não fostes fiéis no que toca ao dinheiro desonesto, quem vos há-de confiar o verdadeiro bem? 12 E, se não fostes fiéis no alheio, quem vos dará o que é vosso? 13 Nenhum servo pode servir a dois senhores; ou há-de aborrecer a um e amar o outro, ou dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.»

 

Murmuração dos fariseus; indissolubilidade do matrimónio

14 Os fariseus, como eram avarentos, ouviam as suas palavras e troçavam dele. 15 Jesus disse-lhes: «Vós pretendeis passar por justos aos olhos dos homens, mas Deus conhece os vossos corações. Porque o que os homens têm por muito elevado é abominável aos olhos de Deus. 16 A Lei e os Profetas subsistiram até João; a partir de então, é anunciada a Boa-Nova do Reino de Deus, e cada qual esforça-se por entrar nele. 17 Ora, é mais fácil que o céu e a terra passem do que cair um só acento da Lei. 18 Todo aquele que se divorcia da sua mulher e casa com outra comete adultério; e quem casa com uma mulher divorciada comete adultério.»

 

O rico avarento e o pobre Lázaro

19 «Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino e fazia todos os dias esplêndidos banquetes. 20 Um pobre, chamado Lázaro, jazia ao seu portão, coberto de chagas. 21 Bem desejava ele saciar-se com o que caía da mesa do rico; mas eram os cães que vinham lamber-lhe as chagas. 22 Ora, o pobre morreu e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. 23 Na morada dos mortos, achando-se em tormentos, ergueu os olhos e viu, de longe, Abraão e também Lázaro no seu seio. 24 Então, ergueu a voz e disse: ‘Pai Abraão, tem misericórdia de mim e envia Lázaro para molhar em água a ponta de um dedo e refrescar-me a língua, porque estou atormentado nestas chamas.’ 25 Abraão respondeu-lhe: ‘Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado, enquanto tu és atormentado. 26 Além disso, entre nós e vós há um grande abismo, de modo que, se alguém pretendesse passar daqui para junto de vós, não poderia fazê-lo, nem tão-pouco vir daí para junto de nós.’ 27 O rico insistiu: ‘Peço-te, pai Abraão, que envies Lázaro à casa do meu pai, pois tenho cinco irmãos; 28 que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento.’ 29 Disse-lhe Abraão: ‘Têm Moisés e os Profetas; que os oiçam!’ 30 Replicou-lhe ele: ‘Não, pai Abraão; se algum dos mortos for ter com eles, hão-de arrepender-se.’ 31 Abraão respondeu-lhe: ‘Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão-pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos.’»

 

 

Comentário:

 

Jesus Cristo louva a desonestidade? De modo algum, enfatiza a prudência no preparar o futuro. Sim, prudência, porque o futuro depende muito do presente. Deixar para o fim a solução de problemas não é uma medida prudente porque nada garante que possamos dispor dessa oportunidade. O tempo certo é agora, hoje, imediatamente. Nunc Coepi, sem demora ou adiamento. Precisamos sempre de um exame sério e criterioso sobre a nossa conduta e reagir de acordo. Podemos construir o nosso futuro?

Por próprios não, mas com a ajuda de Deus, sim.

Os “filhos da luz”, como o Senhor lhes chama, podem considerar-se todos os cristãos e, na verdade, no trato com os outros acontece, bastantes vezes, esse receio, ou “respeito humano” que impede que se dediquem ao trabalho de apostolado que o Senhor pede a todos. Fazemos mal, porque, além de não cumprir o Mandato Divino, desprezamos oportunidades de ganhar almas que intercedam por nós que, sempre, precisamos.

Pode parecer que Jesus tece um louvor ao administrador infiel e à sua “esperteza” em acautelar o futuro, prejudicando, uma vez mais, o seu senhor. Evidentemente que não! O que se passa – sempre se passou – hoje em dia é quase recorrente, pessoas que se aproveitam do que não é seu para arranjar fortuna própria. O que é entregue em confiança a alguém – a uma instituição – tem de ser tratado não como propriedade própria, mas como algo que foi entregue para guardar ou fazer render segundo o acordado entre as partes. O que assistimos – infelizmente – é uma autêntica fraude absolutamente desonesta que merece o maior repúdio e condenação. Não somos – nem queremos ser – juízes ou críticos destas situações mas aflige-nos pensar na tremenda injustiça social que, um pouco por todo o lado e, às vezes em grande escala, se continua praticando. Mas, por outro lado, há muitos que nunca se manifestam quando beneficiam desses “esquemas fraudulentos” para apenas se queixarem quando as coisas correm mal e os prejuízos aparecem. Parece que, tudo, se resume a uma questão muito simples: HONESTIDADE!

Ser fiel não tem como que “uma tabela” de valores, nem está condicionado por qualquer circunstância. Mais, a fidelidade parte do coração pelo que, não se é fiel com receio que a nossa infidelidade possa vir a ser descoberta. Ser fiel, implica, antes de mais, honestidade intelectual, antes mesmo de qualquer outra forma de honestidade. A pessoa intelectualmente honesta não tem um comportamento desigual ou diferente, errático e ao sabor das ocasiões.  Não! Rege-se por normas interiores, convicções arreigadas, esclarecidas e firmes que nada nem ninguém farão mudar. Não pensa uma coisa e diz outra ou, se atreve a considerar, ou julgar, o comportamento dos outros.

Será que a fidelidade tal como a honestidade são situações controversas? Quer dizer: haverá mais que uma interpretação possível? Não! Decididamente… não! Tal como ser fiel não tem que ver com a importância do assunto – tenha o valor que tiver – assim a fidelidade não conhece graus nem limites. Ou se é honesto ou não! Ou se é fiel em tudo ou não! Não há nem medidas nem “graus”, consoante as circunstâncias, os valores ou as situações. Quem não entende isto não é nem honesto nem fiel. É alguém em quem não se pode confiar o que seja.

Já o dissemos várias vezes e repetimos: Não se é muito ou pouco fiel. Ou se é ou não! Fidelidade é uma virtude do carácter estável e do bom critério não sofre oscilações consoante as consideradas "conveniências". A fidelidade gera a confiança e, esta é fundamental para a convivência em sociedade. Confiamos em Deus exactamente porque Ele é fiel e cumpre sempre o que promete independentemente do nosso merecimento que sempre ficará muito aquém. Atrevo-me a afirmar que sem fidelidade as outras virtudes não são possíveis pelo menos não se desenvolvem em plenitude.

Aí está o fosso entre o Paraíso e o Inferno impossível de transpor por toda a eternidade! A exclamação aplica-se porque é tão séria e grave esta constatação que não admite distracções dos vivos – enquanto têm tempo – para corrigir o rumo da sua vida. E não valem a pena lamentações, tudo é definitivo. Convém, portanto ter bem presente esta realidade: existe castigo eterno como, de facto, existe ventura eterna e, uma ou outra, só dependem de nós e do nosso comportamento enquanto vivos.

A verdade é que as palavras de Jesus se cumprem sempre. Não dando ouvidos nem à Igreja, nem às evidências diárias da existência de Deus, como acreditar no Ressuscitado? Inúmeras questões se levantam, pedidos de sinais repetidamente reclamados, nenhum sinal é suficiente, nenhum é satisfatório. Dá pena - muita pena - verificar que tantos homens continuam num agnosticismo feroz negando o que é evidente, combatendo o que é verdadeiro. Temos, os cristãos, de rezar - e rezar muito - por estes muitos que não sabem o que perdem com as suas posições irredutíveis, os respeitos humanos, a falta de humildade e honestidade intelectual tudo em nome de teorias, axiomas construídos sobre falsas premissas, sem qualquer base ou critério minimamente honesto.

Pela leitura deste trecho de São Lucas pode parecer que a resposta de Abraão ao homem rico é concludente: Um recebeu em vida, é condenado a nada mais recebe; O outro viveu privações e receberá incontáveis bens. Mas, não é assim tão linear. Não são nem as riquezas nem a ausência delas que determinam a vida eterna mas sim o comportamento, o uso que se fez num caso e noutro. A ausência de riqueza ou as privações não dão ”direito” a qualquer compensação mas sim a forma como foram vividas e suportadas. Oferecer as privações e dificuldades económicas como reparação e louvor a Deus tem um valor incomensurável ao passo que, viver gozando os bens – muitos ou poucos – sem a menor preocupação em distribuir, socorrer, partilhar com os que precisam e não têm, num egoísmo e indiferença feroz e avaro, merecem a reprovação de Deus Nosso Senhor que, sendo absolutamente Justo, não suporta a injustiça da indiferença e da avareza.

 

(AMA,1999)

 


FAMÍLIA

 

3. Deveres dos filhos para com os pais

 

Os filhos hão-de respeitar e honrar os pais, procurar dar-lhes alegrias, rezar por eles e corresponder lealmente ao seu sacrifício: para um bom cristão, estes deveres são um dulcíssimo preceito.

 

A paternidade divina é a fonte da paternidade humana cf. Ef 3,14); é o fundamento da honra devida aos pais (cf. Catecismo, 2214). O respeito pelos pais (piedade filial) é feito de reconhecimento àqueles que, pelo dom da vida, pelo seu amor e seu trabalho, puseram os filhos no mundo e lhes permitiram crescer em estatura, sabedoria e graça. “Honra o teu pai de todo o teu coração e não esqueças as dores da tua mãe. Lembra-te de que foram eles que te geraram. Como lhes retribuirás o que por ti fizeram?” (Sir 7, 27-28)» ( Catecismo, 2215).

 

O respeito filial manifesta-se na docilidade e obediência. “Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isto é agradável ao Senhor” (Cl 3, 20). Enquanto estão sujeitos aos seus pais, os filhos devem obedecer-lhes no que disponham para o seu bem e o da família. Esta obrigação cessa com a emancipação dos filhos, mas não cessa nunca o respeito que devem aos seus pais (cf. Catecismo , 2216-2217).

 

O quarto mandamento lembra aos filhos adultos as suas responsabilidades para com os pais. Tanto quanto lhes for possível, devem prestar-lhes ajuda material e moral, nos anos da velhice e no tempo da doença, da solidão ou do desânimo (Catecismo, 2218).

 

Se os pais mandarem alguma coisa oposta à Lei de Deus, os filhos estão obrigados a antepor a vontade de Deus aos desejos dos pais, tendo presente que “é necessário obedecer antes a Deus que aos homens” (Act 5, 29). Deus é mais Pai do que os nossos pais: d’Ele procede toda a paternidade (cf. Ef 3,15).

 


REFLEXÃO

Se a virtude tivesse de ser imediatamente recompensada com um favor temporal, a virtude seria um bom negócio, a abstenção do pecado, um hábil empréstimo. Seria o fim de toda a moralidade: procuraríamos o bem-estar, nunca amaríamos o bem.

 

(Georges Chevrot, Jesus e a Samaritana, Éfeso, 1956, pg. 77)

 


SÃO JOSEMARIA – textos

 

Dilata o teu coração

Não tenhas espírito provinciano. – Dilata o teu coração, até que seja universal, "católico". Não voes como ave de capoeira, quando podes subir como as águias. (Caminho, 7)

Em certa ocasião, vi uma águia encerrada numa jaula de ferro. Estava suja e meia depenada. Tinha entre as garras um pedaço de carne podre. Pensei então no que seria de mim se abandonasse a vocação recebida de Deus. Tive pena daquele animal solitário, enjaulado, que tinha nascido para subir muito alto e olhar de frente o Sol. Podemos ascender até às humildes alturas do amor de Deus, do serviço a todos os homens. Para isso, porém, é preciso que não haja na alma recantos escondidos, onde não possa entrar o sol de Jesus Cristo. Temos de deitar fora todas as preocupações que nos afastem d'Ele; e assim terás Cristo na tua inteligência, Cristo nos teus lábios, Cristo no teu coração, Cristo nas tuas obras. Toda a vida – o coração e as obras, a inteligência e as palavras – cheia de Deus. (...) Invoca comigo Nossa Senhora, e imagina como passaria Ela aqueles meses à espera do Filho que havia de nascer. E Nossa Senhora, Santa Maria, fará com que sejas alter Christus, ipse Christus, outro Cristo, o próprio Cristo. (Cristo que passa, 11)