Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
29/06/2020
Leitura espiritual
Cristo que passa 41 a 45
41
A fé, o amor e a esperança
de José
A justiça não consiste na
mera submissão a uma regra; a rectidão deve nascer de dentro, deve ser
profunda, vital, porque o justo vive da fé.
Viver da fé: estas
palavras que foram, mais tarde, tema frequente de meditação para o apóstolo S.
Paulo, vêem-se realizadas superabundantemente em S. José.
O seu cumprimento da
vontade de Deus não é rotineiro nem formalista, mas espontâneo e profundo.
A lei que todo o judeu
praticante vivia não foi para ele um simples código nem uma fria recompilação
de preceitos, mas expressão da vontade de Deus vivo.
Por isso, soube reconhecer
a voz do Senhor quando esta se lhe manifestou inesperada e surpreendente.
A história do Santo
Patriarca foi uma vida simples, mas não uma vida fácil.
Depois de momentos
angustiosos, sabe que o Filho de Maria foi concebido por obra do Espírito
Santo.
E esse Menino, Filho de
Deus, descendente de David segundo a carne, nasce numa gruta.
Os anjos celebram o seu
nascimento e personalidades de terras longínquas vêm adorá-Lo, mas o rei da
Judeia deseja a sua morte e é necessário fugir.
O Filho de Deus é um
menino aparentemente indefeso que terá de viver no Egipto.
42
S. Mateus, ao narrar estas
cenas no seu Evangelho, põe constantemente em destaque a fidelidade de José,
que cumpre sem vacilações os mandatos de Deus, embora por vezes o sentido
desses mandatos lhe possa parecer obscuro ou se lhe oculte a sua conexão com o
resto dos planos divinos.
Em muitas ocasiões os
Padres da Igreja e os autores espirituais fazem ressaltar a firmeza da fé de
José.
Referindo-se às palavras
do Anjo que lhe ordena que fuja de Herodes e se refugie no Egipto, Crisóstomo
comenta: Ao ouvir isto, S. José não se escandalizou nem disse: isto parece um
enigma.
Ainda há pouco Tu me davas
a conhecer que Ele salvaria o seu povo e agora não é sequer capaz de salvar-se
a si próprio e somos nós que temos necessidade de fugir, de empreender uma
viagem e fazer uma grande deslocação; isto é contrário à tua promessa.
José não discorre deste
modo, porque é um varão fiel.
Também não pergunta pela
data de regresso, apesar do Anjo a ter deixado indeterminada, posto que lhe
tinha dito: fica lá - no Egipto - até que eu te avise.
Nem por isso levanta
dificuldades, mas obedece e crê e suporta todas as provas alegremente.
A fé de José não vacila, a
sua obediência é sempre estrita e rápida. Para compreender melhor esta lição
que aqui nos dá o Santo Patriarca, é bom que consideremos que a sua fé é activa
e que a sua obediência não se parece com a obediência de quem se deixa arrastar
pelos acontecimentos.
Porque a fé cristã é o que
há de mais oposto ao conformismo ou à falta de actividade e de energia
interiores.
José abandonou-se sem
reservas nas mãos de Deus, mas nunca deixou de reflectir sobre os
acontecimentos, e assim recebeu do Senhor a inteligência das obras de Deus, que
é a verdadeira sabedoria.
Deste modo, aprendeu a
pouco e pouco que os planos sobrenaturais têm uma coerência divina, que às
vezes está em contradição com os planos humanos.
Nas diversas
circunstâncias da sua vida, o Patriarca não renuncia a pensar, nem se alheia da
sua responsabilidade.
Pelo contrário: põe toda a
sua experiência humana ao serviço da fé. Quando volta do Egipto, ouvindo que
Arquelau reinava na Judeia em vez de seu pai Herodes, temeu ir para lá.
Aprendeu a mover-se dentro
dos planos divinos e, como confirmação de que Deus quer o que ele pressentia,
recebe a indicação de se retirar para a Galileia.
Assim foi a fé de S. José:
plena, confiante, íntegra, manifestando-se numa entrega real à vontade de Deus,
numa obediência inteligente. E, com a Fé, a Caridade, o Amor.
A sua fé funde-se com o
amor: com o amor de Deus, que estava a cumprir as promessas feitas a Abraão, a
Jacob, a Moisés; com o carinho de esposo para com Maria e com o carinho de pai
para com Jesus. Fé e amor da esperança da grande missão que Deus, servindo-se
também dele - um carpinteiro da Galileia - estava a começar no mundo: a
redenção dos homens.
43
Fé, amor, esperança: estes
são os eixos em torno dos quais gira a vida de S. José e toda a vida cristã.
A entrega de S. José
aparece-nos tecida pelo entrecruzamento de um Amor fiel, de uma Fé amorosa e de
uma Esperança confiante.
A sua festa é, por isso,
uma boa altura para renovarmos a entrega à vocação de cristãos, concedida pelo
Senhor a cada um de nós.
Quando se deseja
sinceramente viver da Fé, do Amor e da Esperança, a renovação da entrega não
consiste em retomar uma coisa que tinha entrado em desuso.
Quando há Fé, Amor e
Esperança, renovar-se - apesar dos nossos erros pessoais, das quedas, das
debilidades - é manter-se nas mãos de Deus: confirmar um caminho de fidelidade.
Renovar a entrega é
renovar, repito, a fidelidade àquilo que o Senhor quer de nós: amar com obras.
0 amor tem necessariamente
as suas manifestações características. Às vezes fala-se do amor como se fosse
uma procura de satisfação pessoal ou um mero recurso para completarmos
egoisticamente a nossa personalidade.
E não é assim; amor
verdadeiro é sair de si mesmo, entregar-se.
O amor traz consigo a
alegria, mas é uma alegria que tem as suas raízes em forma de cruz.
Enquanto estivermos na
terra e não tivermos chegado à plenitude da vida futura, não pode haver amor
verdadeiro sem a experiência do sacrifício, da dor.
Uma dor de que se gosta,
amável, fonte de íntimo gozo, mas dor real, porque significa vencer o nosso
egoísmo e tomar o amor como regra de todas e cada uma das nossas acções.
44
As obras do Amor são
sempre grandes, ainda que se trate, aparentemente, de coisas pequenas.
Deus aproximou-se dos
homens, pobres criaturas, e disse-nos que nos ama: Deliciae mea esse cum filiis
hominum, a minha delícia é estar entre os filhos dos homens.
O Senhor mostra-nos que
tudo tem importância: as acções que, com olhos humanos, consideramos grandes;
aquelas outras que, pelo contrário, qualificamos de pouca categoria...
Nada se perde.
Nenhum homem é desprezado
por Deus.
Todos, seguindo cada um a
sua vocação - no seu lar, na sua profissão ou no seu ofício, no cumprimento das
obrigações que correspondem ao seu estado, nos seus deveres de cidadão, no
exercício dos seus direitos - todos estão chamados a participar no Reino dos
Céus.
É isto o que nos ensina a
vida de José, simples, normal e vulgar, feita de anos de trabalho sempre igual,
de dias humanamente monótonos, que se sucedem uns aos outros.
Muitas vezes o tenho
pensado ao meditar sobre a figura de S. José, e esta é uma das razões que faz
com que sinta por ele uma devoção especial.
Quando no seu discurso de
encerramento da primeira sessão do Concílio Vaticano II, no passado dia 8 de
Dezembro, o Santo Padre João XXIII anunciou que no cânon da Missa se
mencionaria o nome de S. José, uma altíssima personalidade eclesiástica
telefonou-me imediatamente para me dizer: Rallegramenti! Felicidades!
Ao ouvir a notícia pensei
logo em si, na alegria que lhe tinha dado. E assim era, porque na assembleia
conciliar, que representa a Igreja inteira reunida no Espírito Santo, se
proclamava o valor divino da vida de S. José, o valor de uma vida simples de
trabalho face a Deus e em total cumprimento da vontade divina.
45
Santificar o trabalho,
santificar-se no trabalho, santificar com o trabalho
Descrevendo o espírito da
associação a que dediquei a minha vida, o Opus Dei, tenho dito que se apoia,
como em seu gonzo, no trabalho ordinário, no trabalho profissional exercido no
meio do mundo.
A vocação divina dá-nos
uma missão, convida-nos a participar na tarefa única da Igreja, para sermos
assim testemunho de Cristo perante os nossos iguais, os homens, e para levarmos
todas as coisas a Deus.
A vocação acende uma luz
que nos faz reconhecer o sentido da nossa existência.
É convencermo-nos, com o
resplendor da fé, do porquê da nossa realidade terrena.
Toda a nossa vida, a
presente, a passada e a que há-de vir, cobra um novo relevo, uma profundidade
de que antes não suspeitávamos. Todos os factos e acontecimentos passam a
ocupar o seu posto: entendemos aonde nos quer levar o Senhor e sentimo-nos
entusiasmados e envolvidos por esse encargo que se nos confia.
Deus tira-nos das trevas
da nossa ignorância, do nosso caminho incerto entre os acontecimentos da
história e chama-nos com voz forte, como um dia o fez com Pedro e André: Venite
post me, et faciam vos fieri piscatores hominum. - Segui-me e eu vos farei
pescadores de homens - qualquer que seja o lugar que ocupemos no mundo.
Quem vive da fé pode
encontrar a dificuldade e a luta, a dor e até a amargura, mas nunca o desânimo
nem a angústia, porque sabe que a sua vida serve, sabe para que veio a esta
terra.
Ego sum lux mundi -
exclamou Cristo - qui sequitur me non ambulate in tenebris, sed habebit lumen
vitae.
Eu sou a luz do mundo;
aquele que me segue não caminha às escuras, mas possuirá a luz da vida.
Para merecer essa luz de
Deus é preciso amar, ter a humildade de reconhecer a necessidade de sermos
salvos e dizer com Pedro: Senhor a quem iremos? Tu tens palavras de vida
eterna. E nós acreditamos e sabemos, que Tu és Cristo, Filho de Deus.
Se realmente procedermos
assim, se deixarmos entrar no nosso coração o chamamento de Deus, também
poderemos repetir com verdade que não caminhamos nas trevas, pois, por cima das
nossas misérias e dos nossos defeitos pessoais, brilha a luz de Deus, como o
Sol brilha por cima da tempestade.
(continua)
Vivei uma particular Comunhão dos Santos
Comunhão dos Santos. - Como to hei-de dizer? - Sabes
o que são as transfusões de sangue para o corpo? Pois assim vem a ser a
Comunhão dos Santos para a alma. (Caminho,
544)
Vivei uma particular Comunhão dos Santos: e cada um
sentirá, à hora da luta interior, e à hora do trabalho profissional, a alegria
e a força de não estar só. (Caminho, 545)
Aqui estamos, consummati in unum, em unidade
de petição e de intenções, dispostos a começar este tempo de conversa com o
Senhor com renovado desejo de sermos instrumentos eficazes nas suas mãos.
Diante de Jesus Sacramentado - como gosto de fazer um acto de fé explícita na
presença real do Senhor na Eucaristia! - fomentai nos vossos corações o desejo
de transmitir, pela vossa oração, um impulso fortíssimo que chegue a todos os
lugares da terra, até ao último recanto do planeta, onde houver alguém gastando
a sua existência ao serviço de Deus e das almas. Com efeito, graças à inefável
realidade da Comunhão dos Santos, somos solidários - cooperadores, diz São João
- na tarefa de difundir a verdade e a paz do Senhor. (Amigos de Deus, 154)
Temas para reflectir e meditar
A
Santa Igreja – que somos todos os cristãos – tem como Cabeça Jesus Cristo seu
Fundador.
Só
Ele pode alterar seja o que for na sua essência.
Nenhum
homem seja qual for o cargo que ocupe ou o ministério que desempenhe tem esse poder.
Confiemos,
pois, com a certeza que quanto maior a provação maior será o Seu cuidado.
Fujamos
da tentação de fazer juízos – mesmo íntimos – porque tal não os compete.
Rezemos
com perseverança pedindo Luz, Sabedoria e Justiça para todos, principalmente os que mais responsabilidades
possam ter na condução do Povo de Deus.
(AMA,
reflexão, 2019)
As
“crises” na Igreja Católica têm – sempre – originado o aparecimento de grandes
Santos.
Por
exemplo, no pontificado de Lúcio III, 01 Set
1181 a 25 Nov 1185, as dissensões que dariam origem – entre outros
acontecimentos como a saída de Roma para Verona e o posterior surgimento da inquisição – surgiram São
Francisco de Assis.
Pequena agenda do cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.
Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.
Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.
Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.
Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.
Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.
Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
28/06/2020
Evangelho e comentário
SAGRADO
CORAÇÃO DE JESUS
Evangelho: Lc 15, 3-7
3
Jesus propôs-lhes, então, esta parábola: 4 «Qual é o homem dentre vós que,
possuindo cem ovelhas e tendo perdido uma delas, não deixa as noventa e nove no
deserto e vai à procura da que se tinha perdido, até a encontrar? 5 Ao
encontrá-la, põe-na alegremente aos ombros 6 e, ao chegar a casa, convoca os
amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha
ovelha perdida.’ 7 Digo-vos Eu: Haverá mais alegria no Céu por um só pecador
que se converte, do que por noventa e nove justos que não necessitam de
conversão.»
Comentário:
A
devoção ao Sagrado Coração de Jesus é uma tradição muito antiga.
Em
casa dos meus Pais, como era costume em famílias cristãs, um quadro votivo ao
Sagrado Coração ocupava lugar proeminente, normalmente na sala de família.
Sempre
adornado com uma pequena jarra com flores frescas substituídas todas as semanas
era para todos os da casa uma referência de suma importância como que a lembrar
que aquela casa era Sua pertença e estava sob a Sua protecção.
Ainda
hoje lá está e sempre que por ali passo não deixo de dizer-lhe – como a minha
querida Mãe me ensinou em criança – ‘Sagrado Coração de Jesus fazei que o meu
coração seja igual ao Vosso’.
São
costumes antigos!
Pois
são, mas deveriam ser de sempre!
(AMA, comentário sobre Lc 15, 3-7, 02.04.2016)
LEITURA ESPIRITUAL
São João
Cap. VI
1 Depois disto, Jesus foi para a outra margem do lago da
Galileia, ou de Tiberíades. 2 Seguia-o uma grande multidão, porque presenciavam
os sinais miraculosos que realizava em favor dos doentes. 3 Jesus subiu ao
monte e sentou-se ali com os seus discípulos. 4 Estava a aproximar-se a Páscoa,
a festa dos judeus. 5 Erguendo o olhar e reparando que uma grande multidão
viera ter com Ele, Jesus disse então a Filipe: Onde havemos de comprar pão para
esta gente comer? 6 Dizia isto para o pôr à prova, pois Ele bem sabia o que ia
fazer. Filipe respondeu-lhe: 7 ‘Duzentos denários de pão não chegam para cada
um comer um bocadinho.’ 8 Disse-lhe um dos seus discípulos, André, irmão de
Simão Pedro: 9 ‘Há aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes.
Mas que é isso para tanta gente?’ 10 Jesus disse: Fazei sentar as pessoas. Ora,
havia muita erva no local. Os homens sentaram-se, pois, em número de uns cinco
mil. 11 Então, Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os pelos
que estavam sentados, tal como os peixes, e eles comeram quanto quiseram. 12
Quando se saciaram, disse aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que
sobraram, para que nada se perca. 13 Recolheram-nos, então, e encheram doze
cestos de pedaços dos cinco pães de cevada que sobejaram aos que tinham estado
a comer. 14 Aquela gente, ao ver o sinal milagroso que Jesus tinha feito,
dizia: ‘Este é realmente o Profeta que devia vir ao mundo!’ 15 Por isso, Jesus,
sabendo que viriam arrebatá-lo para o fazerem rei, retirou-se de novo, sozinho,
para o monte.
16 Ao cair da tarde,
os seus discípulos desceram até ao lago 17 e, subindo para um barco, foram
atravessando o lago em direcção a Cafarnaúm. 18 Já tinha escurecido e Jesus
ainda não fora ter com eles. Soprando uma forte ventania, o lago começou a
agitar-se. 19 Depois de terem remado mais ou menos uma légua, avistaram Jesus
que se aproximava do barco, caminhando sobre o lago, e tiveram medo. 20 Mas Ele
disse-lhes: Sou Eu, não tenhais medo! 21 Quiseram recebê-lo logo no barco, e o
barco chegou imediatamente à terra para onde iam. 22 No dia seguinte, a
multidão que ficara do outro lado do lago reparou que ali não estivera mais do
que um barco, e que Jesus não tinha entrado no barco com os seus discípulos,
mas que estes tinham partido sozinhos. 23 Entretanto, chegaram outros barcos de
Tiberíades até ao lugar onde tinham comido o pão, depois de o Senhor ter dado
graças. 24 Quando viu que nem Jesus nem os seus discípulos estavam ali, a
multidão subiu para os barcos e foi para Cafarnaúm à procura de Jesus. 25 Ao
encontrá-lo no outro lado do lago, perguntaram-lhe: ‘Rabi, quando chegaste cá?’
26 Jesus respondeu-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: vós procurais-me, não
por terdes visto sinais miraculosos, mas porque comestes dos pães e vos
saciastes. 27 Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento
que perdura e dá a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará; pois a este é
que Deus, o Pai, confirma com o seu selo. 28 Disseram-lhe, então: ‘Que havemos
nós de fazer para realizar as obras de Deus?’ 29 Jesus respondeu-lhes: A obra
de Deus é esta: crer naquele que Ele enviou. 30 Eles replicaram:
‘Que sinal realizas Tu, então, para nós vermos e crermos em ti? Que obra
realizas Tu? 31 Os nossos pais comeram o maná no deserto, conforme está escrito:
Ele deu-lhes a comer o pão vindo do Céu.’ 32 E Jesus respondeu-lhes: Em
verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés que vos deu o pão do Céu, mas é o
meu Pai quem vos dá o verdadeiro pão do Céu, 33 pois o pão de Deus é aquele que
desce do Céu e dá a vida ao mundo. 34 Disseram-lhe então: ‘Senhor, dá-nos
sempre desse pão!’ 35 Respondeu-lhes Jesus: Eu sou o pão da vida. Quem vem a
mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede. 36 Mas já vo-lo
disse: vós vistes-me e não credes. 37 Todos os que o Pai me dá virão a mim; e
quem vier a mim Eu não o rejeitarei, 38 porque desci do Céu não para fazer a
minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. 39 E a vontade daquele que
me enviou é esta: que Eu não perca nenhum daqueles que Ele me deu, mas o ressuscite
no último dia. 40 Esta é, pois, a vontade do meu Pai: que todo aquele que vê o
Filho e nele crê tenha a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia. 41 Os
judeus puseram-se, então, a murmurar contra Ele por ter dito: Eu sou o pão que
desceu do Céu; 42 e diziam: ‘Não é Ele Jesus, o filho de José, de quem nós
conhecemos o pai e a mãe? Como se atreve a dizer agora: ‘Eu desci do Céu’?’ 43
Jesus disse-lhes, em resposta: Não murmureis entre vós. 44 Ninguém pode vir a
mim, se o Pai que me enviou o não atrair; e Eu hei-de ressuscitá-lo no último
dia. 45 Está escrito nos profetas: E todos serão ensinados por Deus. Todo
aquele que escutou o ensinamento que vem do Pai e o entendeu vem a mim. 46 Não
é que alguém tenha visto o Pai, a não ser aquele que tem a sua origem em Deus:
esse é que viu o Pai. 47 Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê tem a
vida eterna. 48 Eu sou o pão da vida. 49 Os vossos pais comeram o maná no
deserto, mas morreram. 50 Este é o pão que desce do Céu; se alguém comer dele,
não morrerá. 51 Eu sou o pão vivo, o que desceu do Céu:
se alguém comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que Eu hei-de dar é a
minha carne, pela vida do mundo. 52 Então, os judeus, exaltados, puseram-se a
discutir entre si, dizendo: ‘Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?!’ 53
Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes mesmo a
carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós.
54 Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu
hei-de ressuscitá-lo no último dia, 55 porque a minha carne é uma verdadeira
comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida. 56 Quem realmente come a minha
carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele. 57 Assim como o Pai
que me enviou vive e Eu vivo pelo Pai, também quem de verdade me come viverá
por mim. 58 Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os
antepassados comeram, pois eles morreram; quem come mesmo deste pão viverá
eternamente. 59 Isto foi o que Ele disse em Cafarnaúm, ao ensinar na
sinagoga. 60 Depois de o ouvirem, muitos dos seus discípulos disseram: ‘Que
palavras insuportáveis! Quem pode entender isto?’ 61 Mas Jesus, sabendo no seu
íntimo que os seus discípulos murmuravam a respeito disto, disse-lhes: Isto
escandaliza-vos? 62 E se virdes o Filho do Homem subir para onde estava antes?
63 É o Espírito quem dá a vida; a carne não serve de nada: as palavras que vos
disse são espírito e são vida. 64 Mas há alguns de vós que não crêem. De facto,
Jesus sabia, desde o princípio, quem eram os que não criam e também quem era
aquele que o havia de entregar. 65 E dizia: Por isso é que Eu vos declarei que
ninguém pode vir a mim, se isso não lhe for concedido pelo Pai. 66 A partir
daí, muitos dos seus discípulos voltaram para trás e já não andavam com Ele. 67
Então, Jesus disse aos Doze: Também vós quereis ir embora? 68 Respondeu-lhe
Simão Pedro: ‘A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna! 69
Por isso nós cremos e sabemos que Tu é que és o Santo de Deus.’ 70 Disse-lhes
Jesus: Não vos escolhi Eu a vós, os Doze? Contudo, um de vós é um diabo. 71
Referia-se a Judas, filho de Simão Iscariotes, pois esse é que viria a
entregá-lo, sendo embora um dos Doze.
Comentários:
Este portentoso milagre ficou de tal forma gravado na memória do
Apóstolo que refere detalhes como: «Ora,
havia muita erva no local». De resto, o milagre não podia passar
despercebido nem a sua magnitude como o demonstra a reacção dos circunstantes
como se lê no versículo 14. Cristo continua a alimentar multidões e, por muitos
que sejam os que recebem a Sagrada Eucaristia, esta nunca se esgota renovada
constantemente no Sacrifício da Santa Missa.
Os Evangelhos relatam duas situações como a que neste trecho se descreve.
Em ambas depois de saciada a multidão se recolhem sobras, uma vez seis e outra,
doze cestos cheios. O Senhor dá com largueza, liberalidade sem cálculos nem
parcimónia para que se veja e constate a grandeza do Seu Coração mas, não
consente em desperdícios ou desprezo pelo que sobra. Há sempre quem precise de
alimento, quem procure ser saciado. O desperdício de alimentos é um insulto a
todos estes talvez próximos de nós.
Não podemos nem devemos criticar os judeus pela sua admiração e
incredulidade. Muito provavelmente, se estivéssemos presentes, teríamos reacção
semelhante. As declarações de Jesus Cristo são algo inteiramente novo e,
talvez, “estranho” de difícil compreensão. Todos queremos as coisas muito
claras e compreensíveis e, algumas vezes quando isso não acontece, não fazemos
o mais elementar: obter esclarecimentos. Como se vê no trecho de São João, não
há uma pergunta sequer, ninguém pede uma explicação. Mais tarde, o Espírito
Santo fará luz sobre esta como outras questões da pregação de Jesus Cristo, e
tudo se tornará claro e substantivo.
Ninguém daquela «grande multidão»
jamais esquecerá este milagre operado por Jesus. Os discípulos, de certa forma,
“habituados” às maravilhas que o Senhor faz constantemente, não deveriam ter
palavras para descrever um acto tão extraordinário. Querem fazê-Lo Rei! Nós,
cristãos de todos os tempos, temos sido saciados por esse alimento que o Senhor
multiplica constantemente na Sagrada Eucaristia. E, de facto, Ele, é o Rei do
nosso coração em festa sempre que O recebemos na Comunhão Eucarística.
«não tenhais medo» repete- nos
Jesus sempre que os acontecimentos da vida corrente nos esmagam e apavoram. Ele
está sempre connosco, disposto a socorrer-nos, amparar-nos, trazer-nos a paz e
tranquilidade. Quando a nossa confiança é posta à prova – e por vezes de forma
bem dura – façamos como os discípulos convidemo-Lo a entrar no barco onde
navegamos na nossa vida. Estando connosco, nada nos acontecerá porque, Ele, é a
Salvação e a Vida!
São João não escreve muitos pormenores – como outros Evangelistas fazem
– e podemos perguntar-nos qual a razão. Quando São João publica o “seu”
Evangelho já depois de publicados os de São Mateus, São Marcos e São Lucas e
talvez tenha achado desnecessário relatar alguns detalhes que os outros já
tinham feito constar. A sua principal preocupação e insistência é a afirmação
conclusiva da divindade de Jesus Cristo. Assim a referência: «Sou Eu, não tenhais medo!» é o mais
importante a sublinhar. Com Cristo no barco, depois de ter caminhado sobre as
águas revoltas, o mar amainou e «o barco
chegou imediatamente à terra para onde iam.» Quase todos nós já alguma vez
experimentamos essa surpresa e esse poder de Cristo Nosso Senhor. Concluímos
que, além de não haver motivo para termos medo, bem ao contrário sobram razões
para confiar e ter absoluta Fé n’Ele.
A uma pergunta concreta: «Que
havemos nós de fazer para realizar as obras de Deus?», O Senhor responde
com toda a clareza: «A obra de Deus é
esta: crer naquele que Ele enviou.» Não há, pois, alternativa: é
fundamental acreditar em Cristo para fazer a Vontade de Deus que é, como
sabemos, que alcancemos a salvação eterna.
Jesus confirma que o verdadeiro alimento – o que de facto interessa para
a nossa salvação – é a Sua palavra, Ele Próprio. Na Sagrada Comunhão
Eucarística temos esse privilégio que no Seu Coração Misericordioso Ele
instituiu exactamente para que tenhamos esse mesmo alimento disponível sempre
que dele precisarmos. E… precisamos sempre! Nele encontramos a força, a
coragem, a determinação para seguir em frente nos caminhos da vida por agrestes
ou difíceis que possam ser.
Nestes versículos – 22-29 -, São João como que “esconde” um milagre de
Jesus: como Se deslocou para o outro lado do lago.
Os que O procuram estranham e perguntam mas,
o Mestre, não lhes responde directamente, antes lhes faz ver que terão de
compreender que a Ele, Cristo, tudo é possível.Procurar Jesus com verdadeiro
desejo de O encontrar e não por curiosidade simples é condição primeira para
conseguir o que se pretende, Ele nunca negará a Sua presença aos que, com fome
e sede, O procuram para serem saciados.
Quer que sejamos muito humanos e muito divinos
Há muitos anos já que vi com clareza meridiana um
critério que será sempre válido: o ambiente da sociedade, com o seu afastamento
da fé e da moral cristãs, necessita de uma nova forma de viver e de propagar a
verdade eterna do Evangelho. No próprio cerne da sociedade, do mundo, os filhos
de Deus hão-de brilhar pelas suas virtudes como lanternas na escuridão,
"quasi lucernae lucentes in caliginoso loco". (Sulco, 318)
Se aceitarmos a nossa responsabilidade de filhos de
Deus, saberemos que Ele quer que sejamos muito humanos. A cabeça pode tocar o
céu, mas os pés assentam na terra, com segurança. O preço de se viver
cristãmente não é nem deixar de ser homem nem abdicar do esforço por adquirir
essas virtudes que alguns têm, mesmo sem conhecerem Cristo. O preço de todo o
cristão é o Sangue redentor de Nosso Senhor, que nos quer - insisto - muito
humanos e muito divinos, com o empenho diário de O imitar, pois é perfectus
Deus, perfectus homo.
Talvez não seja capaz de dizer qual é a principal
virtude humana. Depende muito do ponto de vista de que se parta. Além disso, a
questão torna-se ociosa, porque não se trata de praticar uma ou várias
virtudes. É preciso lutar por adquiri-las e praticá-las todas. Cada uma de per
si entrelaça-se com as outras e, assim, o esforço por sermos sinceros, por
exemplo, torna-nos justos, alegres, prudentes, serenos.
Precisamos, ao mesmo tempo, de considerar que a
decisão e a responsabilidade residem na liberdade pessoal de cada um e, por
isso, as virtudes são também radicalmente pessoais, da pessoa. No entanto,
nessa batalha de amor ninguém luta sozinho - ninguém é um verso solto, costumo
repetir. De certo modo, ou nos ajudamos ou nos prejudicamos. Todos somos elos
de uma mesma cadeia. Pede agora comigo a Deus Nosso Senhor, que essa cadeia,
nos prenda ao seu Coração, até chegar o dia de O contemplar face a face, no
Céu, para sempre. (Amigos de Deus,
75-76)
Temas para reflectir e meditar
O Senhor nunca Se deixa
vencer em Generosidade.
Dá-me quanto preciso e
quando necessito.
Porque quer - tenho a
certeza absoluta - mostrar-me que não é porque eu mereça, mas porque é um Pai
extremoso e compassivo e que, não obstante as minhas misérias e fraquezas, não
deixa que nada me falte.
(AMA,
reflexões, 2019)
Pequena agenda do cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Viver a família.
Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.
Lembrar-me:
Cultivar a Fé
São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
27/06/2020
Se vês claramente o teu caminho, segue-o
Se vês claramente o teu caminho, segue-o. -
Por que não repeles a cobardia que te detém? (Caminho, 903)
"Ide, pregai o Evangelho... Eu estarei
convosco..." - Isto disse Jesus... e disse-to a ti. (Caminho, 904)
"Et regni ejus non erit finis".
- O seu Reino não terá fim!
Não te dá alegria trabalhar por um reinado
assim? (Caminho, 906)
"Nesciebatis quia his quae Patris mei
sunt oportet me esse?" - Não sabíeis que Eu devo ocupar-Me das coisas
que dizem respeito ao serviço de meu Pai?
Resposta de Jesus adolescente. E resposta a
uma mãe com a sua Mãe, que há três dias anda à sua procura julgando-O perdido.
- Resposta que tem por complemento aquelas palavras de Cristo que São Mateus
transcreve: «Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim».
(Caminho, 907).
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