Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
18/04/2020
PANDEMIA
BONDADE
“O
amor é bondoso”. (1 Corintios 13:4-7)
Esta
afirmação de São Paulo tem a “força” de uma afirmação categórica.
E, de
facto, o AMOR, para o ser, tem em si mesmo a aceitação amorosa dos predicados
do outro, em vez de, os invejar.
O
AMOR É:
ENTREGA
– DOAÇÃO – RESPEITO – PRUDÊNCIA – UNIVERSAL
-TOTAL – SACRIFÍCIO – REFLEXO - OBEDIÊNCIA
– CONFIANÇA – PACIENTE – GENUÍNO – HUMANO – CONSAGRAÇÃO - ALEGRIA – PACIENTE –
ESPERANÇA – BONDADE
Com
estes predicados o AMOR não será a solução?
(AMA,
2020)
Não cries necessidades
Há muitos anos – mais de vinte e cinco – eu costumava passar por
um refeitório de caridade, para mendigos que não comiam em cada dia outro
alimento senão o que ali lhes davam. Tratava-se de um local grande, entregue
aos cuidados de um grupo de senhoras bondosas. Depois da primeira distribuição,
acudiam outros mendigos, para recolher as sobras. Entre os deste segundo grupo
houve um que me chamou a atenção: era proprietário de uma colher de lata!
Tirava-a cuidadosamente do bolso, com avareza, olhava-a com satisfação e,
quando acabava de saborear a sua ração, voltava a olhar para a colher com uns
olhos que gritavam: é minha! Dava-lhe duas lambedelas para a limpar e guardava-a
de novo, satisfeito, nas pregas dos seus andrajos. Efectiva mente era sua! Um
pobre miserável que, entre aquela gente, companheira de desventura, se
considerava rico.
Por essa altura, conhecia também uma senhora com título
nobiliárquico, Grande de Espanha. Isto não conta nada diante de Deus: somos
todos iguais, todos filhos de Adão e Eva, criaturas débeis, com virtudes e com
defeitos, capazes dos piores crimes, se o senhor nos abandona. Desde que Cristo
nos redimiu, não há diferença de raça, nem de língua, nem de cor, nem de
estirpe, nem de riquezas... Somos todos filhos de Deus. Essa pessoa de que vos
falo agora residia numa casa solarenga, mas não gastava consigo mesma nem duas
pesetas por dia. Por outro lado, pagava muito bem aos seus empregados e o resto
destinava-o a ajudar os necessitados, passando ela própria privações de todo o
género. A esta mulher não lhe faltavam muitos desses bens que tantos
ambicionam, mas ela era pessoalmente pobre, muito mortificada, completamente
desprendida de tudo. Compreendestes bem? Aliás, basta escutar as palavras do
Senhor: bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus.
Se desejas alcançar esse espírito, aconselho-te a que sejas sóbrio
contigo e muito generoso com os outros. Evita os gastos supérfluos por luxo,
por capricho, por vaidade, por comodidade...; não cries necessidades. Numa
palavra, aprende com S. Paulo a viver na pobreza e a viver na abundância, a ter
fartura e a passar fome, a ter de sobra e a padecer necessidade. Tudo posso
naquele que me conforta. E, como o Apóstolo, também sairemos vencedores da luta
espiritual, se mantivermos o coração desapegado, livre de ataduras. (Amigos de Deus, 123–124)
Temas para reflectir e meditar
Pequena agenda do cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.
A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.
Lembrar-me:
Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.
Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
Orações sugeridas:
LEITURA ESPIRITUAL
COMENTANDO OS EVANGELHOS
Cap. XVIII
1 Ao descer do monte, seguia-o uma
enorme multidão. 2 Foi, então, abordado por um leproso que se prostrou diante
dele, dizendo-lhe: «Senhor, se quiseres, podes purificar-me.» 3 Jesus estendeu
a mão e tocou-o, dizendo: «Quero, fica purificado!» No mesmo instante, ficou
purificado da lepra. 4 Jesus, porém, disse-lhe: «Vê, não o digas a ninguém; mas
vai mostrar-te ao sacerdote e apresenta a oferta que Moisés preceituou, para
que lhes sirva de testemunho.» 5 Entrando em Cafarnaúm,
aproximou-se dele um centurião, suplicando nestes termos: 6 «Senhor, o meu
servo jaz em casa paralítico, sofrendo horrivelmente.» 7 Disse-lhe Jesus: «Eu
irei curá-lo.» 8 Respondeu-lhe o centurião: «Senhor, eu não sou digno de que
entres debaixo do meu tecto; mas diz uma só palavra e o meu servo será curado.
9 Porque eu, que não passo de um
subordinado, tenho soldados às minhas ordens e digo a um: ‘Vai’, e ele vai; a
outro: ‘Vem’, e ele vem; e ao meu servo: ‘Faz isto’, e ele faz.» 10 Jesus, ao
ouvi-lo, admirou-se e disse aos que o seguiam: «Em verdade vos digo: Não
encontrei ninguém em Israel com tão grande fé! 11 Digo-vos que, do Oriente e do
Ocidente, muitos virão sentar-se à mesa do banquete com Abraão, Isaac e Jacob,
no Reino do Céu, 12 ao passo que os filhos do Reino serão lançados nas
trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes.» 13 Disse, então,
Jesus ao centurião: «Vai, que tudo se faça conforme a tua fé.» Naquela mesma
hora, o servo ficou curado. 14 Entrando em casa de Pedro, Jesus viu que a sogra
dele jazia no leito com febre. 15 Tocou-lhe na mão, e a febre deixou-a. E ela,
levantando-se, pôs-se a servi-lo. 16 Ao entardecer, apresentaram-lhe muitos
possessos; e Ele, com a sua palavra, expulsou os espíritos e curou todos os que
estavam doentes, 17 para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías:
Ele tomou as nossas enfermidades e carregou as nossas dores. 18 Vendo Jesus em
torno de si uma grande multidão, decidiu passar à outra margem. 19 Saiu-lhe ao
encontro um doutor da Lei, que lhe disse: «Mestre, seguir-te-ei para onde quer
que fores.» 20 Respondeu-lhe Jesus: «As raposas têm tocas e as aves do céu têm
ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.» 21 Um dos
discípulos disse-lhe: «Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar o meu pai.» 22 Jesus,
porém, respondeu-lhe: «Segue-me e deixa os mortos sepultar os seus mortos.» 23 Depois
subiu para o barco e os discípulos seguiram-no. 24 Levantou-se, então, no mar,
uma tempestade tão violenta, que as ondas cobriam o barco; entretanto, Jesus
dormia. 25 Aproximando-se dele, os discípulos despertaram-no, dizendo-lhe:
«Senhor, salva-nos, que perecemos!» 26 Disse-lhes Ele: «Porque temeis, homens
de pouca fé?» Então, levantando-se, falou imperiosamente aos ventos e ao mar, e
sobreveio uma grande calma. 27 Os homens, admirados, diziam: «Quem é este, a
quem até o vento e o mar obedecem?» 28 Chegado à outra margem, à região dos
gadarenos, vieram ao seu encontro dois possessos, que habitavam nos sepulcros.
Eram tão ferozes que ninguém podia passar por aquele caminho. 29 Vendo-o,
disseram em alta voz: «Que tens a ver connosco, Filho de Deus? Vieste aqui
atormentar-nos antes do tempo?» 30 Ora, andava a pouca distância dali, a
pastar, uma grande vara de porcos. 31 E os demónios pediram-lhe: «Se nos
expulsas, manda-nos para a vara de porcos.» 32 Disse-lhes Jesus: «Ide!» Então,
eles, saindo, entraram nos porcos, que se despenharam por um precipício, no
mar, e morreram nas águas. 33 Os guardas fugiram e, indo à cidade, contaram
tudo o que se tinha passado com os possessos. 34 Toda a cidade saiu ao encontro
de Jesus e, vendo-o, rogaram-lhe que se retirasse daquela região.
Comentários:
5-11 -
Não
podemos deixar de reagir a este trecho de São Mateus! Reagir, naturalmente, com
admiração enorme e, ao mesmo tempo, surpresa. Admiração por constatar – como de
resto o próprio Jesus o afirma – uma fé tão profunda que traduz uma confiança
total e absoluta no poder de Jesus Cristo por parte de um homem que nem sequer
é considerado como “um crente”. Surpresa porque este homem – de posição
destacada – se preocupa e sofre com a saúde de um subalterno seu, contrariando
todos os sentimentos – comuns, sobretudo naquela época em o que os “patrões”,
ou “senhores”, tratavam os subalternos com profundo desprezo. Mais uma vez, vem
ao de cima a absoluta necessidade de sermos – os cristãos – pessoas de são
critério e isentos de preconceitos ou reservas em relação aos outros.
Este
acontecimento – que supomos ser o mesmo – é relatado de forma diferente por
outro evangelista, mas, o que interessa não é o pormenor, mas sim a
extraordinária lição de fé daquele homem que procura Jesus. Não é um judeu nem
sequer se poderia considerar um “crente”, no sentido que lhe davam os chefes do
povo daquela época, e, por isso mesmo, constatamos que o Senhor não faz acepção
de pessoas e que, ter fé, não é privilégio de alguns, mas um dom que Deus concede
a quem muito bem entende. E a fé deste homem está alicerçada – profundamente –
no seu coração misericordioso porque, o que pede, não é para si, porque não se
considera digno, mas para um servo, um subalterno.
5-17 -
Ao ler este
trecho do Evangelho de São Mateus, ficamos praticamente sem palavras porque a
Liturgia, seguramente com um objectivo muito concreto, quer dar-nos uma imagem
do verdadeiro Jesus Cristo Nosso Senhor e das suas relações com os homens. Um milagre portentoso: A cura do servo do centurião; outro
de escasso relevo: A cura da sogra de Pedro; e, depois as curas incontáveis - «todos os doentes o procuravam» - e a
expulsão dos demónios. Ou seja, o poder de Jesus não tem nem medida nem obedece
a outro critério que não seja a Sua infinita misericórdia.
18, 22 -
Jesus Cristo, sendo Deus todo poderoso, não tem nada de Seu, nem sequer «onde reclinar a
cabeça»! Que chefe é este que espera seguidores fiéis e entusiasmados? Não
haverá algo que poderíamos chamar "visionário"? Seguramente que sim! O
Senhor é um visionário, um entusiasta que acredita nos homens e deseja, absolutamente, que os homens acreditem neLe e O sigam. Porquê? Porque, só se o
fizerem, poderão salvar-se.
Quando, na vida
corrente, nos propõem algo, cabe-nos ter uma de duas atitudes: aceitar ou
recusar. Não obtemos nenhum resultado positivo por tentar emitir as nossas condições
de acordo com as conveniências próprias. Quem o faz é quem faz a proposta, o
convite, porque, naturalmente, é quem sabe o que pretende de nós, o que deseja
que façamos. Assim com o chamamento que Cristo faz pessoalmente a cada um em
particular. Ele sabe para que nos quer, para que nos chama.
Uma pessoa séria, de bom critério, quando é chamada só tem
uma de duas respostas: Sim, aceito! Ou: Não,
recuso! Estamos a considerar o chamamento divino que, num momento qualquer da
nossa vida, o Senhor não deixará de nos fazer. Em primeiro lugar, ser chamado é
uma honra e um privilégio que, só por si, deveria ser mais que suficiente para
o nosso acolhimento imediato; depois considerando Quem chama não nos deve
preocupar para quê ou porquê porque só pode ser bom e conveniente para nós.
1-4 -
Impressiona este diálogo tão simples entre o pobre
leproso e Jesus Cristo. Não são necessárias nem muitas palavras nem grandes
gestos. Uma afirmação de fé: «Se quiseres»!
Não
há pior lepra que o pecado. Se nos fosse dado ver o mal, o horror que constitui
a ferida aberta no Coração de Jesus por um pecado nosso, ficaríamos arrepiados e
aturdidos. E, no entanto, como neste trecho do Evangelho, o Senhor estende a Sua
mão e toca-nos. Mais, humilha-se num pouco de pão consagrado e oferece-se como
alimento! Diria que, de facto, somos “curados” cada vez que recebemos a Comunhão
Eucarística, não prostrados como o leproso do Evangelho, mas com toda a vénia,
respeito e compunção que o nosso amor por Jesus nos obriga e sugere.
Com o Senhor
tudo é simples e claro. A gente diz-Lhe o que deseja sem duvidar um segundo
que Ele o pode fazer. E se o pedido é justo e a Fé verdadeira Ele nos dará o
que pedimos.
Sem dúvida que
este leproso fez o seu pedido da forma mais correcta e - atrevo-me – eficaz,
para obter o que desejava. Mostra a sua confiança no poder de Jesus e na Sua
infinita misericórdia. Reparemos bem: Pede o que deseja com simplicidade sem se alongar em
palavras ou justificações desnecessárias, porque sabe, acredita, confia, que o
Senhor conhece o que ele precisa e tem o poder e o desejo de lho conceder.
5-17
-
Jesus cura
todos os que a Ele recorrem com Fé e Confiança. Não precisa de grandes manifestações porque o Seu
Coração Amantíssimo e Misericordioso vibra e comove-se com as necessidades e carências
dos Seus irmãos os homens. Pois se Ele deu a Sua vida por nós como não fará o
que lhe pedir-mos?
Estamos habituados, por assim dizer, aos pormenorizados
relatos que São Mateus faz da actividade diária de Jesus. Incansavelmente
percorre lugar após lugar, povoação após povoação movido pelo desejo de
encontrar quem precise da Sua assistência, conselho, auxílio. Na verdade, todos
precisam de algo e sabem que, Jesus, pode satisfazer e atender as suas
necessidades.
23-27 -
A
resposta de Jesus aos discípulos aterrados com a procela tem toda a razão de
ser. Talvez pudesse acrescentar: ‘Eu não estou aqui convosco? Como podeis temer?’
Mas, como se vê pelo texto, eles não tinham, ainda fé suficiente em Jesus. Por
isso ficam admirados com o poder do Senhor. Nós, também, não temos nada a temer
porque, se o Senhor está connosco, na nossa alma em graça, nada – absolutamente
– nos poderá fazer mal. Portanto, confiar na Sua Infinita Misericórdia SEMPRE, mesmo
quando parece que está ausente, desinteressado ou a dormir.
Perante situações extremas - guerras, cataclismos da
natureza, perseguições e violências de toda a ordem, somos, por vezes, levados
a exclamar: Senhor, onde estás? Dormes? Não Te importas? Este “grito”
explica-se, é natural. Somos humanos e reconhecemos a nossa impotência. Mas,
Ele, não, pode tudo, é o Senhor de tudo. Não Se enfadará com o nosso “grito”,
bem ao contrário, actuará com a urgência que julgar conveniente.
28-14 -
Disseram em alta voz: «Que tens a ver connosco, Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos antes
do tempo?» Por aqui se vê que o demónio não só sabia quem era Jesus, como
conhecia o que a Sua vinda à terra significava: que o domínio, quase
discricionário, que exercia sobre a humanidade, iria terminar com a instauração
do Reino de Deus.
28-34 -
O
demónio não tem outro objectivo senão fazer o mal. Ao pedirem a Jesus que os
enviasse para a vara dos porcos, precipitando-se no mar, como que quiseram
demonstrar que os gadarenos não acreditavam em Jesus Cristo, dando maior
importância aos bens materiais que à vida humana. E o Senhor não sabia o que
iria acontecer? Evidentemente que sim, Ele sabe tudo, mas não podia permitir
que acreditassem nele pela confissão do demónio que é o pai da mentira.
Muitos comentários se têm escrito sobre este trecho do
Evangelho. Talvez sem querer, ficamos algo decepcionados com Jesus ter
permitido que os demónios entrassem nos porcos com o resultado que se sabe. Talvez
possamos tirar duas ou três ilacções: a primeira é a confirmação que o demónio
existe o que, muitos, insistem em negar; a segunda, será que Cristo não poderia
consentir que acreditassem nele pelo testemunho do demónio, que é o pai da mentira;
A terceira, é a completa inversão de valores do gadarenos que dão mais
importância a perda dos porcos que à recuperação da saúde do seu conterrâneo; E,
uma quarta, - talvez a mais inesperada – é a sua reacção pedindo a Jesus que se
afaste do seu território, sem procurar compreender, sem fazer uma pergunta, sem,
sequer, considerar o extraordinário do acontecimento. Preferem, de facto,
fechar os olhos e os ouvidos e ignorar o
que foi tão patente perante todos.
Já o dissemos: O Senhor não podia consentir que a Sua
Pessoa: Jesus Cristo o Filho Unigénito de Deus, fosse revelada pelo demónio que é o Pai da mentira. O
episódio com a vara de porcos revela claramente a maldade e desprezo do
tentador. Fica bem claro que dele só se pode esperar o mal e o ódio.
(AMA,
2018)
17/04/2020
Temas para reflectir e meditar
PALAVRA DE DEUSA palavra de Deus revela-nos um mistério que se revelou na vida da humanidade.
Realizou-se, com efeito, um acontecimento decisivo: o Senhor Jesus, o Cordeiro de Deus, ofereceu-se a Si Mesmo pela salvação do mundo. Desde então, começou uma nova história, e a Igreja de Jesus, com a força do Espírito Santo, é chamada a levar este anúncio da salvação a todos os povos, até aos confins da terra.
É uma missão exigente, confiada às pessoas humildes dos Apóstolos, dos seus sucessores e colaboradores vindos de todos os povos, ao longo dos séculos, com a promessa que nenhum poder terreno poderá jamais interromper.
(São João Paulo II, Passai um Ano Comigo, Editorial Verbo 1986, pg. 112)
PANDEMIA
ESPERANÇA
O
amor tudo espera (1 Corintios 13:4-7)
Sim…
o AMOR é a esperança confirmada porque deseja, ardentemente, vencer todos os
obstáculos e barreiras, chegar a todos e receber de todos.
Esta
é, sem dúvida, uma extraordinária característica da bondade do amor.
O
AMOR É:
ENTREGA
– DOAÇÃO – RESPEITO – PRUDÊNCIA – UNIVERSAL
-TOTAL – SACRIFÍCIO – REFLEXO - OBEDIÊNCIA
– CONFIANÇA – PACIENTE – GENUÍNO – HUMANO – CONSAGRAÇÃO - ALEGRIA – PACIENTE -
ESPERANÇA
Com
estes predicados o AMOR não será a solução?
(AMA,
2020)
Fazer da sua vida diária um testemunho de Fé
Muitas realidades materiais, técnicas, económicas, sociais,
políticas, culturais..., abandonadas a si mesmas, ou nas mãos de quem carece da
luz da nossa fé, convertem-se em obstáculos formidáveis à vida sobrenatural:
formam como que um couto cerrado e hostil à Igreja. Tu, por seres cristão –
investigador, literato, cientista, político, trabalhador... –, tens o dever de
santificar essas realidades. Lembra-te de que o universo inteiro – escreve o
Apóstolo – está a gemer como que em dores de parto, esperando a libertação dos
filhos de Deus. (Sulco,
311)
Já falámos muito deste tema noutras ocasiões, mas permiti-me
insistir de novo na naturalidade e na simplicidade da vida de S. José, que não
se distinguia da dos seus vizinhos nem levantava barreiras desnecessárias.
Por isso, ainda que possa ser conveniente nalguns momentos ou em
algumas situações, habitualmente não gosto de falar de operários católicos, de
engenheiros católicos, de médicos católicos, etc., como se se tratasse de uma
espécie dentro dum género, como se os católicos formassem um grupinho separado
dos outros, dando assim a sensação de que existe um fosso entre os cristãos e o
resto da humanidade. Respeito a opinião oposta, mas penso que é muito mais
correcto falar de operários que são católicos, ou de católicos que são
operários; de engenheiros que são católicos ou de católicos que são
engenheiros. Porque o homem que tem fé e exerce uma profissão intelectual,
técnica ou manual, está e sente-se unido aos outros, igual aos outros, com os
mesmos direitos e obrigações, com o mesmo desejo de melhorar, com o mesmo
empenho de se enfrentar com os problemas comuns e de lhes encontrar a solução.
O católico, assumindo tudo isto, saberá fazer da sua vida diária
um testemunho de Fé, de Esperança e de Caridade; testemunho simples, normal,
sem necessidade de manifestações aparatosas, pondo de manifesto – com a
coerência da sua vida – a presença constante da Igreja no mundo, visto que
todos os católicos são, eles mesmos, Igreja, pois são membros, com pleno
direito, do único Povo de Deus. (Cristo que passa, 53)
LEITURA ESPIRITUAL
COMENTANDO OS EVANGELHOS
Cap. XVII
1 Seis dias depois, Jesus tomou consigo
Pedro, Tiago e seu irmão João, e levou-os, só a eles, a um alto monte. 2 Transfigurou-se
diante deles: o seu rosto resplandeceu como o Sol, e as suas vestes tornaram-se
brancas como a luz. 3 Nisto, apareceram Moisés e Elias a conversar com Ele. 4 Tomando
a palavra, Pedro disse a Jesus: «Senhor, é bom estarmos aqui; se quiseres,
farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias.» 5 Ainda
ele estava a falar, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra, e uma
voz dizia da nuvem: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu
agrado. Escutai-o.» 6 Ao ouvirem isto, os discípulos caíram com a face por
terra, muito assustados. 7 Aproximando-se deles, Jesus tocou-lhes, dizendo:
«Levantai-vos e não tenhais medo.» 8 Erguendo os olhos, os discípulos apenas
viram Jesus e mais ninguém. 9 Enquanto desciam do monte, Jesus ordenou-lhes:
«Não conteis a ninguém o que acabastes de ver, até que o Filho do Homem
ressuscite dos mortos.» 10 Os discípulos fizeram a
Jesus esta pergunta: «Então, porque é que os doutores da Lei dizem que Elias
há-de vir primeiro?» 11 Ele respondeu: «Sim, Elias há-de vir e restabelecerá
todas as coisas. 12 Eu, porém, digo-vos: Elias já veio, e não o reconheceram;
trataram-no como quiseram. Também assim hão-de fazer sofrer o Filho do Homem.»
13 Então, os discípulos compreenderam que se referia a João Baptista. 14 Quando eles chegaram perto da multidão, um homem
aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se a seus pés e 15 disse-lhe: «Senhor, tem
piedade do meu filho. Ele tem ataques e está muito mal. Cai frequentemente no
fogo e muitas vezes na água. 16 Apresentei-o aos teus discípulos, mas eles não
puderam curá-lo.» 17 Disse Jesus: «Geração descrente e perversa! Até quando
estarei convosco? Até quando vos hei-de suportar? Trazei-mo cá.» 18 Jesus falou
severamente ao demónio, e este saiu do jovem que, a partir desse momento, ficou
curado. 19 Então, os discípulos aproximaram- se de Jesus e perguntaram-lhe em
particular: «Porque é que nós não fomos capazes de expulsá-lo?» 20 Disse-lhes
Ele: «Pela vossa pouca fé. Em verdade vos digo: Se tiverdes fé como um grão de
mostarda, direis a este monte: ‘Muda-te daqui para acolá’, e ele há-de
mudar-se; e nada vos será impossível. 21 Esta espécie de demónios não se
expulsa senão à força de oração e de jejum.» 22 Estando
reunidos na Galileia, Jesus disse-lhes: «O Filho do Homem tem de ser entregue
nas mãos dos homens, 23 que o matarão; mas, ao terceiro dia, ressuscitará.» E
eles ficaram profundamente consternados. 24 Entrando em Cafarnaúm,
aproximaram-se de Pedro os cobradores do imposto do templo e disseram-lhe: «O
vosso Mestre não paga o imposto?» 25 Ele respondeu: «Paga, sim». Quando chegou
a casa, Jesus antecipou-se, dizendo: «Simão, que te parece? De quem recebem os
reis da terra impostos e contribuições? Dos seus filhos, ou dos estranhos?» 26 E
como ele respondesse: «Dos estranhos», Jesus disse-lhe: «Então, os filhos estão
isentos. 27 No entanto, para não os escandalizarmos, vai ao mar, deita o anzol,
apanha o primeiro peixe que nele cair, abre-lhe a boca e encontrarás lá um
estáter. Toma-o e dá-lho por mim e por ti.»
Comentários:
1-9-
Este episódio da Transfiguração de Jesus Cristo,
podemos interpretá-lo como uma “benesse” aos três Apóstolos pedras angulares a
Igreja que iria fundar. Esta “visão” como o próprio Senhor lhe chama deve ter
sido de tal forma “esmagadora” que o próprio evangelista relata que «os
discípulos caíram de rosto por terra e assustaram-se muito». Naturalmente que,
a partir deste momento passaram a ver a Pessoa de Cristo com outros olhos e,
seguramente, a prestarem muito mais atenção às Suas palavras e às Suas obras.
De certa forma, podemos dizer que o Senhor lhes antecipou a visão beatífica que
os esperaria no Reino de Deus, na Vida Eterna.
Vultum tuum requiram, é a minha ambição e desejo,
quando quiseres, como quiseres! Será sem dúvida a aspiração de qualquer
cristão: ter a dita de contemplar a Face do Senhor tal qual é. O inefável
prémio - que só encontra justificação no Teu Amor pelos homens - será de tal
forma grandioso e extraordinário que nem conseguimos fazer uma pálida ideia.
Por isso só, valerá a pena toda a luta, todo o esforço, o começar e recomeçar
com perseverança constante.
10-13
-
O tema deste trecho de São Mateus repete-se
noutros evangelistas e, seguramente, tal acontece pela importância da figura e
da missão de João Baptista. Pelo seu exemplo, a sua conduta, a forma de se
apresentar em público, o Percursor arrastou multidões e tinha numerosos
seguidores atraídos por uma mensagem absolutamente nova. O apelo à conversão e
revisão de vida, o Baptismo para remissão dos pecados são o prelúdio
absolutamente necessário para receber Aquele que está para chegar. A sua
humilíssima figura de homem austero e de vida frugal tem tudo menos a de um
“pregador” de palavra inflamada e gestos grandiloquentes. Considera-se indigno
de desatar as correias das sandálias ao Salvador, ou seja, indigno de um
trabalho reservado aos escravos e, no entanto, a sua palavra tem tal autoridade
e convicção que arrasta e atrai muitos que procuram uma vida nova, um rumo
diferente, uma esperança renascida. Jesus Cristo, irá, assim, encontrar muitas
almas predispostas a ouvir a Sua doutrina e a segui-lo no Seu caminho.
Para os doutores e escribas Elias era um
profeta de referência destacada no Antigo Testamento. Toda a sua vida e actos
extraordinários marcaram uma vida excepcional de um homem de quem Deus de
serviu para comunicar com o Seu povo. O facto de ter sido arrebatado ao Céu num
carro de fogo mais adensa essa crença do seu regresso à terra antes do Messias
exactamente para O indicar ao povo. Por isso mesmo, Jesus Cristo refere que
Elias já teria vindo na pessoa da João Baptista cuja missão era precisamente
essa: Preparar a vinda do Salvador da Humanidade.
14-20-
A exclamação de Jesus é como que um grito da
Sua alma dorida pela falta de fé mesmo daqueles que O seguem mais de perto. E
explica no versículo 20 o que é a verdadeira Fé. A que move montanhas! Como se
chega a “esta fé”, perguntamo-nos inquietos porque bem sabemos como, a que
temos, é imperfeita. Pedindo, perseverantemente, que o Senhor nos aumente,
consolide a fé, para podermos compreender, em primeiro lugar e, depois para
podermos fazer tudo – sempre em Seu Nome – o que for necessário fazer para bem
das almas e glória de Deus.
Jesus Cristo deseja, quer que nós tenhamos
fé. Não diz uma fé inamovível, firme como rocha, capaz de arrostar contra todas
as dúvidas e erros. Não! Basta ter uma fé do tamanho de um “grão de mostarda”,
aparentemente pequena e insignificante mas, como sabemos, capaz de produzir uma
árvore de grandes proporções sob cujos ramos muitos de poderão acolher. Evidentemente
que, na nossa oração diária, é conveniente dizermos: ‘Senhor, eu creio mas
aumenta a minha fé’ Porquê? Porque, evidentemente, quanto maior for a nossa fé,
mais robusta e eficaz se torna e, sobretudo, mais fácil de conservar.
22-27
-
Façamos
umas contas: Didracma = a mais ou menos 7, 2 grms de prata, ou seja, um pouco
menos do salário de um dia de trabalho que seria igual a 4 grm de prata; Estáter
= 14, 4 grms de prata = a mais ou menos o salário de um dia e meio de trabalho.
Ou seja, o Senhor não possui, sequer, o correspondente a dia e meio de salário!
Mas, nem por isso deixa de assistir ao Seu amigo Pedro que, obviamente, também
não possui essa pequena quantia. A resposta de Pedro à Sua pergunta declara-o
isento do imposto, mas, não obstante, deseja pagar o que supostamente deve. Compreende-se
que Jesus nos dá uma razão para o fazer: se não O reconhecem como Filho de Deus
não quer causar escândalo eximindo-se ao imposto, mas, fá-lo de forma que
demonstra de forma claríssima a Sua Divindade, o Seu Poder.
Ler esta passagem
do Evangelho com “olhos estreitos” pode levar-nos a considerar que, pagar os impostos
assim é fácil… Mas, o cristão, não tem os “olhos estreitos”, antes procura nos
detalhes quanto basta para o esclarecer sobre as intenções e os motivos das
acções de Jesus. Fica dito que em primeiro lugar, observa a Lei
escrupulosamente, sendo Filho de Deus está isento de pagar o imposto e o mesmo
em relação a Pedro. Depois fica bem claro a total ausência de bens pessoais
tanto de um como de outro, mesmo os de escassa importância como seria um
estáter. Logo, para evitar escândalo é necessário um milagre. Mas, o dinheiro
não surge do nada, é preciso algum trabalho e cooperação – neste caso Pedro tem
de ir pescar – a sua profissão – e assim fica claro que um milagre não é um
“passe de magia” mas algo dependente da Absoluta Vontade de Deus.
(AMA, 2018)
(AMA, 2018)
16/04/2020
Temas para reflectir e meditar
Redenção
Pasma ante a magnanimidade
de Deus: fez-se Homem para nos redimir, para que tu e eu - que não valemos
nada, reconhece-o! - o tratemos com confiança. (Forja , 30)
PANDEMIA
VERDADE
Com
efeito, a alegria do AMOR é a consequência
directa da sua VERDADE.
O
amor alegra-se com a verdade (1 Coríntios 13:4-7)
O
AMOR É:
ENTREGA
– DOAÇÃO – RESPEITO – PRUDÊNCIA – UNIVERSAL
-TOTAL – SACRIFÍCIO – REFLEXO - OBEDIÊNCIA
– CONFIANÇA – PACIENTE – GENUÍNO – HUMANO – CONSAGRAÇÃO - ALEGRIA – PACIENTE -
ESPERANÇA
(AMA,
2020)
Não queiramos esquivar-nos à sua Vontade
Esta é a chave para abrir a
porta e entrar no Reino dos Céus: "qui
facit voluntatem Patris mei qui in coelis est, ipse intrabit in regnum coelorum"
– quem faz a vontade de meu Pai..., esse entrará! (Caminho,
754)
Não te esqueças: muitas
coisas grandes dependem de que tu e eu vivamos como Deus quer. (Caminho,
755)
Nós somos pedras, silhares,
que se movem, que sentem, que têm uma libérrima vontade. O próprio Deus é o
estatuário que nos tira as esquinas, desbastando-nos, modificando-nos, conforme
deseja, a golpes de martelo e de cinzel.
Não queiramos afastar-nos,
não queiramos esquivar-nos à sua Vontade, porque, de qualquer modo, não
poderemos evitar os golpes. – Sofreremos mais e inutilmente, e, em lugar de
pedra polida e apta para edificar, seremos um montão informe de cascalho que os
homens pisarão com desprezo. (Caminho, 756)
A aceitação rendida da
Vontade de Deus traz necessariamente a alegria e a paz; a felicidade na Cruz. –
Então se vê que o jugo de Cristo é suave e que o seu peso é leve. (Caminho,
758)
Um raciocínio que conduz à
paz e que o Espírito Santo oferece aos que querem a Vontade de Deus: "Dominus regit me, et nihil mihi deerit"
– o Senhor é quem me governa; nada me faltará.
Que é que pode inquietar uma
alma que repita sinceramente estas palavras? (Caminho, 760)
Pequena agenda do cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Participar na Santa Missa.
Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.
Lembrar-me:
Comunhões espirituais.
Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
LEITURA ESPIRITUAL
COMENTANDO OS EVANGELHOS
Cap. XVI
1 Foram ter
com Ele os fariseus e os saduceus e, para O tentarem, pediram-Lhe que lhes
mostrasse algum prodígio do céu. 2 Ele, porém, respondeu-lhes: «Vós, quando vai
chegando a noite, dizeis: “Haverá tempo sereno, porque o céu está vermelho”. 3
E de manhã: “Hoje haverá tempestade, porque o céu mostra um avermelhado
sombrio”. 4 Sabeis, pois, distinguir o aspecto do céu e não podeis conhecer os
sinais dos tempos? Esta geração perversa e adúltera pede um prodígio, mas não
lhe será dado outro prodígio, senão o prodígio do profeta Jonas». E,
deixando-os, retirou-Se. 5 Os Seus discípulos, tendo passado à outra margem do
lago, tinham-se esquecido de levar pão. 6 Jesus disse-lhes: «Olhai e
acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus». 7 Mas eles discorriam
entre si, dizendo: «É que não trouxemos pão». 8 Conhecendo Jesus isto, disse:
«Homens de pouca fé, porque estais a discorrer entre vós por não terdes trazido
pão? 9 Ainda não compreendeis nem vos lembrais dos cinco pães para os cinco mil
homens, e quantos cestos recolhestes? 10 Nem dos sete pães para quatro mil
homens, e quantos cestos recolhestes? 11 Porque não compreendeis que não foi a
respeito do pão que eu vos disse: “Acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos
saduceus”?». 12 Então compreenderam que não havia dito que se guardassem do
fermento dos pães, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus. 13 Tendo
chegado à região de Cesareia de Filipe, Jesus interrogou os Seus discípulos,
dizendo: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?». 14 Eles responderam:
«Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou
algum dos profetas». 15 Jesus disse-lhes: «E vós quem dizeis que Eu sou?». 16
Respondendo Simão Pedro, disse: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo». 17
Respondendo Jesus, disse-lhe: «Bem-aventurado és, Simão filho de João, porque
não foi a carne e o sangue que to revelaram, mas Meu Pai que está nos céus. 18
E Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja, e
as portas do inferno não prevalecerão contra ela. 19 Eu te darei as chaves do
Reino dos Céus; e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos
céus, e tudo o que desatares sobre a terra, será desatado também nos céus». 20
Depois ordenou aos Seus discípulos que não dissessem a ninguém que Ele era o
Cristo. 21 Desde então começou Jesus a manifestar a Seus discípulos que devia
ir a Jerusalém e padecer muitas coisas dos anciãos, dos príncipes dos
sacerdotes e dos escribas, ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia. 22 Tomando-O
Pedro à parte, começou a repreendê-l'O, dizendo: «Deus tal não permita, Senhor;
não Te sucederá isto». 23 Ele, voltando-Se para Pedro, disse-lhe: «Retira-te de
Mim, Satanás! Tu serves-Me de escândalo, porque não tens a sabedoria das coisas
de Deus, mas dos homens». 24 Então, Jesus disse aos Seus discípulos: «Se alguém
quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. 25 Porque
quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; e quem perder a sua vida por amor de
Mim, acha-la-á. 26 Pois, que aproveitará a um homem ganhar todo o mundo, se
vier a perder a sua alma? Ou que dará um homem em troca da sua alma? 27 Porque
o Filho do Homem há-de vir na glória de Seu Pai com os Seus anjos, e então dará
a cada um segundo as suas obras. 28 Em verdade vos digo que, entre aqueles que
estão aqui presentes, há alguns que não morrerão antes que vejam vir o Filho do
Homem com o Seu reino».
Comentários:
9-15 –
Quem se dedica
ao apostolado – que deve ser tarefa de todo o cristão – terá de contar com a incredulidade
e as dúvidas daqueles que o escutam e não terá outro remédio que pedir
insistentemente ao Senhor que o ajude a ser convincente no que transmite.
Mas, e além disso, deve preparar muito bem o que vai dizer e como vai dizer, tentando saber de antemão se a quem se dirige tem um são critério e
um coração bem-disposto. Jesus Cristo teve de enfrentar constantemente pessoas
de vistas estreitas e repletas de preconceitos e, no entanto, repetia uma e
outra vez as mesmas verdades ilustrando-as de forma sempre nova e sempre velha,
isto é, sem retirar a essência do que ensinava. Porquê? Porque todas as Suas
palavras eram a própria essência da verdade. Não desanimemos pois, a verdade
acaba sempre por vencer!
Não se pode acreditar
no que não se conhece. Chegamos à conclusão, por este trecho de S. Marcos, que
os onze não conheciam Jesus. Em mais de uma ocasião é o próprio Jesus que
afirma que não conhecem o Pai porque não conhecem o Filho. E nós, cristãos de
hoje bem informados e bem formados, conhecemos, de facto, Jesus? Preocupa-nos
conhecê-lo cada vez melhor, mais intimamente? Lemos o Evangelho diariamente? Com
pausa e atenção metendo-nos nas cenas "como um personagem mais", como
aconselhava São Josemaria?
13-19
-
Eu, como Pedro, creio firmemente que Tu és Deus, meu
Salvador e Redentor, que amo com todas as veras do meu coração, que sigo com
incondicional entrega até ao momento que queiras chamar-me definitivamente para
junto de Ti. Como anseio por esse momento, Senhor! Vultum Tuum requiram, Domine!
Jesus
Cristo quer confirmar os Seus Apóstolos na Fé na Sua Divindade. Que tenham
absolutamente claro e seguro que Ele é o Filho Unigénito de Deus, a Segunda
Pessoa da Santíssima Trindade, que veio ao mundo para redimir a humanidade
inteira e instaurar o Reino de Deus. Para nós, cristãos, esta é uma verdade de
Fé e assim o afirmamos no Credo.
As Chaves do Reino de Deus! Nem mais
nem menos! O Senhor entrega a Pedro, um simples Pescador da Galileia, um poder
extraordinário sem comparação com qualquer outro. Poder que se mantém desde
então nas mãos da cabeça visível da Igreja, o Papa. É obrigação dos cristãos
apoiar com orações e carinho o Vigário de Cristo ajudando-o a carregar tão
enorme responsabilidade. Dominus
conservat eum et vivificat eum et beatum faciat eum in terra et non tradat eum
in animam inimicorum eius. [i]
A
pergunta de Jesus pode parecer desnecessária e, de facto, é porque, Ele sabe
muito bem, com detalhado pormenor, o que diz d'Ele. A intenção é clara: quer
suscitar a resposta de Pedro que, assim, assume, desde logo, a responsabilidade
de responder por todos os discípulos. Cristo aproveita esta atitude de Pedro e
confirma-o como chefe da Igreja que irá fundar. E não só como chefe mas, como
detentor de um poder que é unicamente de Deus: ligar e desligar, ou seja,
aceitar os pedidos de perdão dos homens pelos pecados cometidos, reatando as
relações deste com Deus. Este poder, claramente dado a Pedro, que será depois
transmitido por este aos seus sucessores, é extensivo aos Bispos da Igreja
Católica que o repartem pelos presbíteros sob o seu múnus. A grande questão dos
Escribas que por várias vezes afirmam que, só Deus tem poder para perdoar os
pecados, tem, assim, uma resposta mais completa ainda porque, na verdade, Deus
pode fazer o que quiser com os Seus poderes – que são absolutos – inclusive,
como neste caso, autorizar outros para os usarem em Seu Nome. É, efectivamente
o que faz o Sacerdote ao declarar ao penitente: "Eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai, do Filho e do Espírito
Santo" não em meu nome, mas em nome daqueLe de Quem me vem este poder. Quando
se ouve – com alguma frequência, infelizmente – eu confesso-me a Deus, essa
pessoa está a dizer uma verdade absoluta, embora a sua intenção seja outra.
Como é que Pedro sabe que Jesus é o Filho de
Deus? Foi o próprio Deus quem lho revelou, disse Jesus. Também a nós acontece o
mesmo, conhecemos as verdades essenciais sobre Deus porque Ele mesmo no-las
revela. Queremos saber mais e mais profundamente? Peçamos mais e com maior confiança! Não há outra forma: ou Deus satisfaz os nossos pedidos feitos
com são critério e boa intenção e nos revela o que nos convém saber, ou não os
aceitando, porque não convêm ou vão mal endereçados, nos deixará na ignorância
que merecemos.
Quem
dizemos nós que é Jesus Cristo? A pergunta não é descabida, tentemos responder: Jesus, alguns dirão, é Aquele a Quem recorro sempre que preciso e faço-o com
toda a confiança; Para mim, dirá outro, é o Salvador, O que veio
propositadamente para nos salvar a todos; Já eu acho que Cristo é o verdadeiro
Filho de Deus...etc., etc. Todas as respostas estarão, em princípio, certas
mas, quantas referem a Cruz? Não se pode separar Cristo da Cruz porque foi nela
que, Ele, cumprindo a vontade do Pai, nos redimiu e salvou definitivamente
abrindo-nos as portas da Vida Eterna. Jesus Cristo não é o Deus particular,
individual que muitos desejam ter ao serviço das suas
necessidades do momento. Embora Se humilhe fazendo-se igual a nós em tudo, menos
no pecado, Ele é de todos, a Sua Morte na Cruz foi por toda a humanidade
passada, presente e futura.
13-20
-
Queremos
– temos esse secreto desejo – de ser como Pedro, ter a sua frontalidade e
singeleza, simples e categórica, com dúvidas convertidas em certezas
inabaláveis. Realmente o que desejamos é que, como Pedro, o Senhor confie em
nós!
A
humanidade inteira deve a Pedro e aos outros seus companheiros, saber Quem É Jesus e, sabendo-o, ter a oportunidade através dos Evangelhos, de chegar a
conhecê-Lo intimamente. Conhecer Jesus Cristo é conhecer Deus Uno e Trino,
Criador e Senhor de toda a criação. Sem estes homens, simples, um pouco rudes,
cheios de defeitos e debilidades mas, sentindo um amor incomensurável pelo
Mestre, por Quem a maior parte deu a própria vida, não teríamos essa ventura. E
devemos, todos, estar-lhes muito gratos e, como são pessoas comuns como nós,
imitá-los em tudo mas, sobretudo, nesse Amor com A grande por Nosso Senhor
Jesus Cristo.
Fica
absolutamente claro que só podemos conhecer Deus pela Fé. E… o que é a Fé? Podemos
responder simplesmente que se trata de uma Virtude Teologal que só o próprio
Deus pode incutir em nós. É que, de facto, não merecemos ter Fé, porque, por
nós mesmos, nada podemos fazer já que não conhecemos Deus e, evidentemente, não
se pode amar o que não se conhece. Assim, a primeira coisa a fazer é pedir
veementemente ao Senhor que nos conceda essa virtude, fundamental para que O
possamos amar e, mais, nunca nos darmos "por satisfeitos" com a fé que temos
porque, se não a cultivarmos e incessantemente a pedirmos, até a que temos
podemos perder. Os cristãos têm Fé, foi-lhes como que “doada” no Baptismo. Sem
qualquer mérito da nossa parte, ao tornar-nos Seus filhos, o Criador
entregou-nos como que o ADN dessa Virtude. A nós, cabe-nos, agradecendo tão
grande dom, não deixarmos que ela definhe ou enfraqueça. Por isso mesmo,
alimentando-nos da Eucaristia, havemos de a manter bem viva e actuante.
Este
trecho do Evangelho de São Mateus leva-nos, quase que inevitavelmente, a
considerar a Confissão Sacramental. É um tema, infelizmente para muitos,
controverso que, sem qualquer fundamentação séria, consideram não ser
necessária a Confissão Sacramental para obter o perdão de Deus. Mas… estão
profundamente errados, bastando para fundamentar esta afirmação, ler atentamente
o que Jesus Cristo diz a este respeito; claramente dá a Pedro e aos seus
sucessores, os Bispos, o poder, que só Ele tem, de perdoar os pecados. E como o poderão fazer se o pecador não revelar, directa e claramente, as suas faltas?
E
eu? Sim, eu? Quem digo eu que Tu és? Sei-o, no meu coração, na minha alma, que
Tu, És O Filho de Deus, O meu Salvador e O Redentor do mundo. Sei, desde
pequenino, tudo isso, só que, por vezes – tantas vezes! – actuo como se não o
soubesse. Levado pelos respeitos humanos, pelos preconceitos, pela falta de
coragem, desvio muitas vezes a “conversa”, esquivo-me ao tema, digo para mim
mesmo que “não é nem o tempo nem o lugar certos”. E, Tu, Senhor, que nunca me
esqueces nem me negas como Teu filho! Tão triste deves ficar! Ajuda-me a
retribuir o Teu grande amor por mim com o meu pequeno amor por Ti. Pequeno,
porque sou pouca coisa, mas grande, porque é todo o que tenho.
13-23 -
De
uma forma absolutamente clara que não deixa qualquer margem para dúvidas,
o Senhor dá a Pedro e nele aos seus sucessores, os poderes que até então eram
exclusivos de Deus: Perdoar os pecados. Pedro fica assim, constituído como um
representante de Cristo na terra a quem, portanto, é devido respeito e
acatamento das instruções que dele vêm.
A
sabedoria das coisas de Deus e a sabedoria dos homens! A verdadeira Sabedoria é
um Dom do Espírito Santo, logo é ela que deve estar na base de toda a sabedoria
humana. De que serve saber muitas coisas – ser um “sábio” – se se ignora este
Dom? É ele que dá a luz, o enfoque de quanto precisamos saber e, sobretudo,
acompanhado do Dom de Entendimento, compreender aquilo que sabemos.
15-18 -
Detendo-me um pouco nesta frase: «Eis os milagres que acompanharam os que crerem» fico a pensar na Força da Fé na Palavra de Deus. Jesus, de facto, diz que aqueles que acreditarem serão dados poderes extraordinários. Porquê? Parece-me que Jesus quer garantir aos primeiros crentes auxílios especiais para ultrapassarem as dificuldades que, sabe, irão enfrentar. Na verdade, as perseguições e ataques de toda a ordem contra os fieis seguidores da Palavra, irão surgir logo no início da Igreja nascente.
15-20 -
Que felicidade teres partido para o
Céu!, não me canso de pensar. Indo ficaste connosco, comigo, para sempre. Na
presença viva e real na Sagrada Eucaristia, que é o meu alimento, a minha força,
o manancial onde bebo a água da vida eterna. Tenho-Te aqui como nenhum dos Teus
Apóstolos Te teve; eles tinham a Tua companhia, gozavam da Tua presença, ouviam
as Tuas palavras, viam os Teus gestos, eu, pelo contrário, tenho isso tudo,
ouço-Te no meu coração quando me falas, sinto as inspirações que constantemente
sopras no meu entendimento e, finalmente, recebo-Te todo inteiro, em Corpo,
Alma e Divindade tal como estás no Céu para onde subisTe!
21-27 -
Ajuda-me, Senhor, a olhar para os
outros com o Teu olhar divino e não com o meu modo de ver tão humano e
rasteiro. Só assim poderei descobrir neles a Tua imagem e amá-los como a mim
mesmo.
21-28 -
Parece estranho que O Senhor tenha dito que «quem
pretender salvar a sua vida acabará por perdê-la»! Como se pode entender tal
coisa! É preciso compreender que Jesus fala do apego à vida sobre tudo o resto
como o único bem que realmente possa interessar ao homem. Na verdade não deve
ser assim; a vida, a nossa vida, pertence a Deus que no-la deu e a pode fazer
cessar quando bem entenda. Ou seja por nós, nada podemos fazer para a prolongar
um segundo que seja. Devemos, isso sim, preservar a vida como um bem concedido
por Deus para que dela tiremos o melhor partido e a façamos frutificar em obras
e serviço. O apego desmesurado à saúde e bem-estar pessoal é contrário à missão
que temos de levar a cabo: viver como Deus quer que vivamos, com a consciência
que somos Suas criaturas e que teremos de Lhe dar contas do uso que demos a
essa mesma vida.
A gente sente pena de Pedro! Coitado... Ainda
há pouco o Senhor o bendisse e exaltou a sua resposta sobre quem Ele era e,
agora... umas palavras duras, agrestes... Claro que, e em primeiro lugar, não
sabemos o tom, a inflexão de voz de Jesus ao pronunciá-las e, depois, o sentido
que agora damos difere, seguramente do de então. Seja como for, Pedro "não
tem tempo para ficar auto-satisfeito", percebe, sabe que tem muito ainda a
aprender. O facto é que, nos derradeiros momentos foi capaz de negar conhecer
Jesus! Mas é a Pedra firme sobre a qual assenta a
Igreja porque, a fortaleza e a capacidade, não está no homem que é um mero
instrumento mas sim em Cristo que Se serve dele como Lhe apraz.
23-33 -
Parecem
– e de facto são – duras as palavras que Jesus Cristo dirige a Pedro! Excessivas?
Não! O Senhor quer deixar bem vincadas no espírito do Apóstolo duas coisas: A
primeira é que ninguém, seja qual for o seu estatuto, pode corrigir – ou sequer
tentar – o Senhor; A segunda para chamar Pedro à realidade simples e crua da
sua condição humana e a impossibilidade, por si próprio, de compreender as
coisas de Deus.
Como
nos emociona a figura de Pedro! Podemos, cada um de nós, rever-nos neste homem
são, um pouco impulsivo, generoso, disponível, amigo íntimo de Jesus, que não
esconde os seus sentimentos e, sobretudo, que não impede – talvez antes o tenha
sugerido – que as suas fraquezas sejam expostas nos textos evangélicos, algo
que revela um surpreendente e cativante aspecto do seu carácter: a humildade
pessoal. Ele é de facto o chefe dos Apóstolos porque Jesus Cristo assim o quis
mas, nunca lemos em nenhum lugar que alguma vez se tenha vangloriado ou, sequer,
feito valer o seu “estatuto”. Ao contrário, tendo guardado bem fundo no seu
coração todas as palavras, conselhos e directivas do seu Mestre e Senhor, não
esqueceu esta tão importante: que, o próprio Senhor, não veio para ser servido
mas para servir.
O
escândalo da sabedoria dos homens quando se opõe – o que é frequente – à sabedoria
de Deus! Como evitar isto, nós que julgamos saber tanto sobre tantas coisas?
A resposta é simples:
Doutrina! Claro! Doutrina, catequese, estudar, rever, meditar a Palavra de
Deus. Que já sabemos o suficiente? Não, não sabemos nada e, muito menos o
suficiente para nos salvarmos e para conduzir outros à salvação. Não esqueçamos
que São João deixou escrito, para que constasse para sempre, que Jesus disse e
fez muitíssimo mais coisas que aquelas que os quatro Evangelhos relatam e que, em todo o mundo não caberiam os livros que seria preciso escrever para as
relatar. Com os olhos da alma leremos o Evangelho e descobriremos, sempre
coisas novas. Com o nosso olhar humano apenas (re)leremos pela enésima vez o
que já sabemos, talvez, de cor. Há que ter este conhecimento da nossa limitação
natural e tentar obter uma dimensão sobrenatural, a única forma de compreender
as coisas divinas.
24-28 -
Perder
a vida para ganhar a vida! Que estranha forma de explicar em que consiste a
salvação! Aparentemente, falta algo nesta “sentença” de Cristo que melhor nos
faça entender o que propõe. Mas, de facto, o que de algum modo foi
incompreensível para as pessoas da Sua época, inclusive os discípulos, é, hoje
em dia, perfeitamente entendível para os cristãos. Deve-se ao Espírito Santo e
ao Seu Dom de Entendimento esse entender e compreender o alcance e significado
das palavras do Senhor. Assim, ficamos cientes que a vida, a verdadeira Vida, é
a vida em Cristo, com Cristo e por Cristo. A
vida de um cristão autêntico parece ser algo de pesado, angustiante, de luta
contínua. Pode parecer a alguns que assim é mas, estão enganados. A cruz é
comum a todos os homens que, uns mais outros menos, têm de suportá-la e
conviver com ela. Faz parte integrante da condição humana. Mas, o cristão
autêntico, tem-na como um sinal indelével da sua pertença a Cristo que nos
redimiu – a todos – numa Cruz. E vive a sua vida – a sua cruz – com a alegria
que as pequenas vitórias diárias proporcionam e, convenhamos, não há maior
alegria que vencer!
Perder
a vida para ganhá-la? Que estranha forma de encarar a nossa santa religião! A
vida, a nossa vida, é o bem mais precioso que possuímos e por isso mesmo somos
levados num primeiro impulso, a rejeitar esta sentença de Jesus Cristo. Mas, e
aí está a verdade, a vida não é nossa, pertence a Deus que no-la deu e mantém
até Ele próprio querer. Não somos mais que usufrutuários desse bem. Esta é que
é a verdade! Sendo assim, como de facto é, amar a vida só faz sentido amando a
Deus e só se pode amar a Deus sobre todas as coisas, logo, mais que a própria
vida.
A
cruz talvez seja o símbolo mais usado e visto no mundo. A Cruz de Cristo é o
instrumento de Redenção da humanidade e, por isso mesmo, deve ser usado com
reverência e autêntico amor. Ela é, também, a “nossa cruz” porque nela estavam
as faltas, os pecados de todos os homens de todos os tempos. Comparar a nossa
cruz pessoal, essa cruz que todos carregamos ao longo da vida, por pesada que
seja, é algo de bom e meritório porque, sabemo-lo muito bem por experiência
própria, sozinhos dificilmente a suportamos.
Ah a
cruz! A cruz de cada dia que é de cada um, pesada, leve, mas... cruz, é, quase
sempre, feita por nós. Como dizia São Filipe de Néri "os homens são
frequentemente os carpinteiros das suas próprias cruzes". O que tem O Senhor a
ver com a nossa cruz? Tem muito a ver porque Ele próprio carregou com ela ou,
pelo menos com a parte mais pesada, mais penosa de transportar. A Cruz que
levou às costas para o monte Calvário tinha o peso de todos os nossos pecados,
faltas, omissões e desvarios de todos os homens e de todos os tempos. A nossa
cruz do dia-a-dia tem só o peso das faltas que acrescentamos pela nossa
fragilidade; são muitas as faltas… o peso é maior, são poucas e sem grande
relevo… é mais levadeira. A nossa cruz e a Cruz da Redenção têm em comum que para
serem levadas precisam do Senhor, dos Seus ombros fortes, da Sua ajuda
preciosa. Sozinhos não a moveremos um milímetro!
(AMA, 2018)
[i] Deus o conserve e
vivifique e o faça santo na terra e não o deixe sucumbir ao ânimo dos seus
inimimigos
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