01/11/2019

Deus não te arranca do teu ambiente


Deus não te arranca do teu ambiente, não te tira do mundo, nem do teu estado, nem das tuas ambições humanas nobres, nem do teu trabalho profissional... mas, aí, quer-te santo! (Forja, 362)

Convencei-vos de que a vocação profissional é parte essencial e inseparável da nossa condição de cristãos. O Senhor quer que sejais santos no lugar onde estais e no trabalho que haveis escolhido pelas razões que vos aprouveram: pela minha parte, todos me parecem bons e nobres – desde que não se oponham à lei divina – e capazes de ser elevados ao plano sobrenatural, isto é, enxertados nessa corrente de Amor que define a vida de um filho de Deus. (...).

Temos de evitar o erro de considerar que o apostolado se reduz ao testemunho de algumas práticas piedosas. Tu e eu somos cristãos, mas, ao mesmo tempo e sem solução de continuidade, cidadãos e trabalhadores, com obrigações bem nítidas que temos de cumprir exemplarmente, se deveras queremos santificar-nos. É Jesus Cristo que nos estimula: Vós sois a luz do mundo. (Amigos de Deus, 60–61)

Temas para meditar e reflectir

Uma recolecção no Opus Dei

Atrevo-me a escrever sobre este tema porque - me apetece, que é uma razão poderosa – mas, também, porque sendo uma “actividade”, ou melhor, um meio de formação espiritual muito característico da OBRA[i], merece mensalmente uma atenção especial e muito frequentada por os que, de alguma forma, pensam que têm algo a beneficiar com ela.

Beneficiar no aspecto de crescimento espiritual e de reflexão interior já que, os temas, normalmente, chamam a isso mesmo: reflectir sobre o comportamento pessoal – humano e religioso – de cada um.

Parece que estes meios de formação se dirigem especialmente aos membros da Obra, mas de facto, vemos muitos assistentes – regulares ou esporádicos – que não têm, por assim dizer, nenhum “elo de ligação específica” com ela.

As pessoas – homens e mulheres em ambientes diferentes - procuram uns momentos de reflexão interior – normalmente conduzidos por um Sacerdote da Obra – que vão ao encontro de alguma preocupação ou dúvida interior, ou apenas para “aferir” ou examinar a sua vida normal e corrente nos aspectos que a cada um dizem respeito.

Não se trata de uma “pregação” ou sequer o enunciado de um conjunto de regras ou comportamentos destinados a resolver problemas específicos mas, antes, o discorrer sensato e calmo, apoiado em experiências e conselhos dos mais variados autores espirituais além, - claro está – da própria experiência pessoal do “pregador”, sempre um experiente condutor de almas – que imprime o seu carisma pessoal no que diz e propõe.

As pessoas vão livremente participar não propriamente para cumprir ma regra ou observar uma “norma”, mas porque entendem que lhes faz bem, retiram ensinamentos preciosos, vêm com outros olhos as realidades da vida corrente, e, sobretudo, encontram algum caminho – talvez “escapatória” – para um problema que as preocupa no momento.

Uma recolecção é isso mesmo que a palavra significa: momento de recolhimento para melhor reflectir sobre os variadíssimos aspectos da vida corrente – e não só os espirituais – de cada um, já que, no bulício trepidante da vida normal de todos os dias, o recolhimento interior não é nem fácil nem, muitas vezes, possível.

Às vezes – muitas vezes – o sacerdote parece estar a falar para mim directamente de tal forma o que diz, o tema que aborda e explana, condiz com a minha situação pessoal. Tal tem-me acontecido inúmeras vezes e nunca deixa de me espantar.
Lembro-me do episódio do homem com uma mão atrofiada que estava no Templo e ouviu Jesus esta ordem imperiosa: «Tu, levanta-te e põe-te aí no meio»[ii] e penso no que seria se o Sacerdote, de repente, me dissesse; António: levanta-te e põe-te aí no meio.

Eu, como “exemplo em carne e osso” da falta de humildade, ânsia de protagonismo e notoriedade, cheio de empáfia e de sabedoria… punha-me de pé ou, antes, “enterrar-me-ia” na cadeira tentando “fazer de conta” que o assunto não era comigo?

Evidentemente que nunca ninguém me disse tal coisa ou fez semelhante ultimato mas, quantas vezes, meu Deus, quantas vezes não pensei comigo mesmo que bem merecia que o fizessem.

Caio em mim e peço perdão, revolvo-me por dentro e sinto-me envergonhado, sinto-me rasteiro, baixo, insignificante.

Fez-me muito bem ir à recolecção!

AMA, reflexão, 27.01.2019





[i] Passaremos a chamar OBRA ao OPUS DEI
[ii] Cfr.Mt 9, 13

Novíssimos




Evangelho e comentário


TEMPO COMUM


TODOS OS SANTOS

Evangelho: Mt 5, 1-12

Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo: «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».

Comentário:

Jesus Cristo garante-nos que grande será a recompensa nos Céus dos que sofrerem por causa do Seu Nome.

Sofrer por Cristo, pelo Seu Santíssimo Nome, a Sua Igreja, é um facto recorrente de todos os tempos.

Não é necessário lembrar os espectáculos no Circo de Roma porque, hoje em dia, este mesmo dia, milhares de cristãos são atacados, feridos de morte, sujeitos às maiores violências pelas feras que odeiam O Senhor nosso Deus.

No terceiro milénio depois da Ressurreição de Cristo, neste mesmo mundo dominado pela tecnologia e pela cultura, prossegue essa perseguição que O próprio Senhor anunciou.

Nós, cristãos que vivemos numa sociedade supostamente civilizada, recebemos a força da nossa Fé directamente desse sangue que milhares de inocentes derramam pela mesma Fé.

Consola-nos saber que:

Grande será a sua recompensa nos Céus!


(AMA, comentário sobre Mt 5, 1-12, 29.01.2017)



Leitura espiritual

Cartas de São Paulo

Rm 14

Os «fortes» e os «fracos»

1 Àquele que é fraco na fé, acolhei-o, sem cair em discussões sobre as suas maneiras de pensar. 2 Enquanto a fé de um lhe permite comer de tudo, o que é fraco só come legumes. 3 Quem come não despreze aquele que não come; e quem não come não julgue aquele que come, porque Deus o acolheu. 4 Quem és tu para julgares o criado de um outro? Se está de pé ou se cai, isso é lá com o seu patrão. Há-de, aliás, ficar de pé, porque o Senhor tem poder para o segurar. 5 Além disso, enquanto um julga que há dias e dias, há quem julgue que os dias são todos iguais. Tenha um e outro plena convicção daquilo que pensa. 6 Quem guarda alguns dias, é em honra do Senhor que os guarda; quem come de tudo, é em honra do Senhor que come, pois dá graças a Deus; e quem não come, é em honra do Senhor que não come, e também ele dá graças a Deus. 7 De facto, nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum morre para si mesmo. 8Se vivemos, é para o Senhor que vivemos; e se morremos, é para o Senhor que morremos. Ou seja, quer vivamos quer morramos, é ao Senhor que pertencemos. 9 Pois foi para isto que Cristo morreu e voltou à vida: para ser Senhor tanto dos mortos como dos vivos. 10 Mas tu, porque julgas o teu irmão? E tu, porque desprezas o teu irmão? De facto, todos havemos de comparecer diante do tribunal de Deus, 11 pois está escrito: Tão certo como Eu vivo, diz o Senhor, todo o joelho se dobrará diante de mim e toda a língua dará a Deus glória e louvor. 12 Portanto, cada um de nós terá de dar contas de si mesmo a Deus.


Unidos no amor

13 Deixemos, pois, de nos julgar uns aos outros. Tomai de preferência esta decisão: não ser para o irmão causa de tropeço ou de escândalo. 14 Sei e estou convencido, no Senhor Jesus, de que nada é impuro em si mesmo. Uma coisa é impura só para aquele que a considera como impura. 15 Se, por tomares um alimento, entristeces o teu irmão, então não estás a proceder de acordo com o amor. Não faças, com o teu alimento, com que se perca aquele por quem Cristo morreu. 16 Que não seja, pois, motivo de blasfémia o bem que há em vós. 17 É que o Reino de Deus não é uma questão de comer e beber, mas de justiça, paz e alegria no Espírito Santo. 18 E quem deste modo serve a Cristo é agradável a Deus e estimado pelos homens. 19 Procuremos, portanto, aquilo que leva à paz e à edificação mútua. 20 Não destruas a obra de Deus, por uma questão de alimento. Todas as coisas são puras, certamente, mas tornam-se más para aquele que, ao comê-las, encontra nisso causa de tropeço. 21 O que é bom é não comer carne nem beber vinho, nada em que o teu irmão possa tropeçar. 22 Guarda para ti, diante de Deus, a convicção de fé que tens. Feliz de quem não se condena a si mesmo, devido às decisões que toma. 23 Mas quem sente escrúpulos por aquilo que come fica culpado, por não agir de acordo com a sua convicção de fé. Tudo o que não é feito a partir da convicção de fé é pecado.

Pequena agenda do cristão

Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




31/10/2019

Santificar o nosso trabalho não é uma quimera


Santificar o nosso trabalho não é uma quimera; é missão de todos os cristãos... – tua e minha. Foi o que descobriu aquele torneiro, que comentava: – "Põe-me louco de contente essa certeza de que eu, manejando o torno e cantando, cantando muito – por dentro e por fora –, posso fazer-me santo... Que bondade a do nosso Deus!". (Sulco, 517)

Nesta hora de Deus, a da tua passagem por este mundo, decide-te a sério a realizar alguma coisa que valha a pena. O tempo urge, e é tão nobre, tão heróica, tão gloriosa a missão do homem e da mulher sobre a Terra quando abrasa no fogo de Cristo os corações murchos e apodrecidos!
Vale a pena levar aos outros a paz e a felicidade de uma corajosa e alegre cruzada! (Sulco, 613)

Umas vezes deixas explodir o teu mau génio, que em mais de uma ocasião aflora com uma dureza disparatada. Outras, não preparas o teu coração e a tua cabeça para servirem de aposento confortável à Santíssima Trindade... E acabas sempre por ficar um tanto afastado de Jesus, que conheces pouco.
Assim nunca terás vida interior. (Sulco, 651)

Remédio para tudo: santidade pessoal! Por isso, os Santos estavam cheios de paz, de fortaleza, de alegria, de segurança. (Sulco, 653)

Temas para reflectir e meditar

FILIAÇÃO DIVINA



Quando chamamos a Deus 'Pai Nosso' temos de nos recordar de que temos de nos comportar como filhos de Deus.




(S. CiprianoTratado da Oração ao Senhor, 11)

Jesus Cristo tinha um Anjo da Guarda? 1


O Evangelho fala do anjo que O consolou no Getsémani, mas será que Jesus precisava de um anjo da guarda como os nossos?
Sabemos que todo homem tem seu anjo da guarda, de modo que é válido perguntar se Jesus Cristo, sendo ao mesmo tempo Deus e homem, também tinha o d’Ele.
De fato, o Evangelho nos diz que Nosso Senhor foi consolado por um anjo enquanto orava em agonia no jardim do Getsémani. Seria o Seu anjo da guarda?


Quem são os anjos da guarda


Para começo de resposta, é preciso observar os anjos, em relação a nós, são encarregados por Deus Pai de nos guiar à Pátria Celeste, cuidando de nós e nos desviando de perigos. É por isto que são chamados de anjos “da guarda”: eles nos protegem, sempre respeitando a nossa liberdade humana, mediante a iluminação da nossa inteligência: “A guarda dos anjos tem como efeito último e principal a iluminação doutrinal”, explica São Tomás de Aquino (Suma Teológica I, q. 113, a. 5, ad 2).


Evangelho e comentário


TEMPO COMUM



Evangelho: Lc 13, 31-35

Naquele dia, aproximaram-se alguns fariseus, que disseram a Jesus: «Vai-te daqui, porque Herodes quer matar-te». Jesus respondeu-lhes: «Ide dizer a essa raposa: Eu expulso demónios e realizo curas hoje e amanhã; ao terceiro dia chego ao meu fim. Mas hoje, amanhã e depois de amanhã, devo seguir o meu caminho, porque não é possível que um profeta morra fora de Jerusalém. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas aqueles que te são enviados, quantas vezes Eu quis reunir os teus filhos, como a galinha recolhe os pintainhos debaixo das suas asas! Mas vós não quisestes. Pois bem. A vossa casa vai ficar abandonada. E Eu vos digo: Não voltareis a ver-Me, até chegar o dia em que direis: ‘Bendito o que vem em nome do Senhor!’».

Comentário:

Jesus Cristo É O Profeta por excelência e todas as Suas palavras se cumprem – e cumprirão – até ao final dos tempos.

Temos, os cristãos, esta certeza absoluta.

(AMA, comentário sobre Lc 13, 31-35, 01.08.2019)


Leitura espiritual


Cartas de São Paulo

Rm 13

Colaborar com as autoridades

1 Que todos se submetam às autoridades públicas, pois não existe autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram estabelecidas por Deus. 2 Por isso, quem resiste à autoridade opõe-se à ordem querida por Deus, e os que se opõem receberão a condenação. 3 É que os detentores do poder não são temidos por quem pratica o bem, mas por quem pratica o mal. Não queres ter medo da autoridade? Faz o bem e receberás os seus elogios. 4 De facto, ela está ao serviço de Deus, para te incitar ao bem. Mas, se fazes o mal, então deves ter medo, pois para alguma coisa ela traz a espada. De facto, ela está ao serviço de Deus para castigar aquele que pratica o mal. 5 É por isso que é necessário submeter-se, não só por medo do castigo, mas também por razões de consciência. 6 É também por essa razão que pagais impostos; aqueles que têm de se ocupar disso são funcionários de Deus. 7 Dai a cada um o que lhe é devido: o imposto, a quem se deve o imposto; a taxa, a quem se deve a taxa; o respeito, a quem se deve o respeito; a honra, a quem se deve a honra.


O amor é o cumprimento da Lei

8 Não fiqueis a dever nada a ninguém, a não ser isto: amar-vos uns aos outros. Pois quem ama o próximo cumpre plenamente a lei.  9 De facto: Não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, bem como qualquer outro mandamento, estão resumidos numa só frase: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. 10 O amor não faz mal ao próximo. Assim, é no amor que está o pleno cumprimento da lei.


Viver na luz

11 Sabeis em que tempo vivemos: já é hora de acordardes do sono, pois a salvação está agora mais perto de nós do que quando começámos a acreditar. 12 A noite adiantou-se e o dia está próximo. Despojemo-nos, por isso, das obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. 13 Como quem vive em pleno dia, comportemo-nos honestamente: nada de comezainas e bebedeiras, nada de devassidão e libertinagens, nada de discórdias e invejas. 14Pelo contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não vos entregueis às coisas da carne, satisfazendo os seus desejos.

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





30/10/2019

Ajuda-os sem que o notem


O pensamento da morte ajudar-te-á a cultivar a virtude da caridade, porque talvez esse instante concreto de convivência seja o último em que estás com este ou com aquele... Eles, ou tu, ou eu, podemos faltar em qualquer momento. (Sulco, 895)

Dir-me-ás talvez: e porque havia eu de me esforçar? Não sou eu quem te responde, mas S. Paulo: o amor de Cristo urge-nos. Todo o espaço de uma existência é pouco para alargar as fronteiras da tua caridade. Desde os primeiríssimos começos do Opus Dei, manifestei o meu grande empenho em repetir sem cessar, para as almas generosas que se decidam a traduzi-lo em obras, aquele grito de Cristo: nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros. Conhecer-nos-ão precisamente por isso, porque a caridade é o ponto de arranque de qualquer actividade de um cristão. (…)

Queria fazer-vos notar que, após vinte séculos, ainda aparece com toda a pujança de novidade o Mandato do Mestre, que é uma espécie de carta de apresentação do verdadeiro filho de Deus. Ao longo da minha vida sacerdotal, tenho pregado com muitíssima frequência que, desgraçadamente para muitos, continua a ser novo, porque nunca ou quase nunca se esforçaram por praticá-lo. É triste, mas é assim. E não há dúvida nenhuma de que a afirmação do Messias ressalta de modo terminante: nisto vos conhecerão, que vos amais uns aos outros! Por isso, sinto a necessidade de recordar constantemente essas palavras do Senhor. S. Paulo acrescenta: levai os fardos uns dos outros e, desta maneira, cumprireis a lei de Cristo. Momentos perdidos, talvez com a falsa desculpa de que te sobra tempo... Se há tantos irmãos, amigos teus, sobrecarregados de trabalho! Com delicadeza, com cortesia, com um sorriso nos lábios, ajuda-os, de tal maneira que se torne quase impossível que o notem; e que nem se possam mostrar agradecidos, porque a discreta finura da tua caridade fez com que ela passasse inadvertida. (Amigos de Deus, 43–44)

Crise na Igreja?

Não tenhais medo [1]


A Santa Igreja – que somos todos os cristãos – tem como Cabeça Jesus Cristo seu Fundador.

Só Ele pode alterar seja o que for na sua essência.

Nenhum homem seja qual for o cargo que ocupe ou o ministério que desempenhe tem esse poder.

Confiemos, pois, com a certeza que quanto maior a provação maior será o Seu cuidado.

Fujamos da tentação de fazer juízos – mesmo íntimos – porque tal não os compete.

Rezemos com perseverança pedindo Luz, Sabedoria e Justiça para todos, principalmente os que mais responsabilidades possam ter na condução do Povo de Deus.

(AMA, reflexão, 2019)



[1] Mt 8, 25-26

Temas para reflectir e meditar

IGNORÂNCIA


Se bem que seja evidente que um homem ignorante possa ser virtuoso, é igualmente verdade que a ignorância não é uma virtude. 
Houve mártires que não teriam sido capazes de enunciar correctamente a doutrina da Igreja, sendo o martírio a prova máxima do amor. 
Todavia, se tivessem conhecido mais a Deus, o seu amor teria sido maior.

(F. L. SheedTeologia para todos, Palabra, Madrid, 1977, nr. 15-16, trad ama)

Barbaridades en educación sexual



Evangelho e comentário


TEMPO COMUM



Evangelho: Lc 13, 22-30

Naquele tempo, Jesus dirigia-Se para Jerusalém e ensinava nas cidades e aldeias por onde passava. Alguém Lhe perguntou: «Senhor, são poucos os que se salvam?». Ele respondeu: «Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir. Uma vez que o dono da casa se levante e feche a porta, vós ficareis fora e batereis à porta, dizendo: ‘Abre-nos, senhor’; mas ele responder-vos-á: ‘Não sei donde sois’. Então começareis a dizer: ‘Comemos e bebemos contigo e tu ensinaste nas nossas praças’. Mas ele responderá: ‘Repito que não sei donde sois. Afastai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade’. Aí haverá choro e ranger de dentes, quando virdes no reino de Deus Abraão, Isaac e Jacob e todos os Profetas, e vós a serdes postos fora. Virão muitos do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e sentar-se-ão à mesa no reino de Deus. Há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos».

Comentário:

Não cedamos à tentação de deixar para depois - lá mais para diante – os nossos esforços por alcançar o Reino de Deus.

Impõe-se urgência, não perder tempo, hoje, agora Nunc Coepi, é quando temos de envidar o nosso empenho em consegui-lo.

Não sabemos se esse momento futuro chegará e correr o risco de não ser dos “primeiros” na miragem de ser dos “últimos” é estultícia e erro crasso.

Deus dá-nos todas as oportunidades que possamos necessitar.

Não as desperdicemos.


(AMA, comentário sobre Lc 13, 22-30, 01.08.2019)


Leitura espiritual


Cartas de São Paulo

Rm 12

II. CULTO DE ACORDO COM O EVANGELHO (12,1-15,13)

O culto espiritual

1 Por isso, vos exorto, irmãos, pela misericórdia de Deus, a que ofereçais os vossos corpos como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus. Seja este o vosso verdadeiro culto, o espiritual. 2 Não vos acomodeis a este mundo. Pelo contrário, deixai-vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade, para poderdes discernir qual é a vontade de Deus: o que é bom, o que lhe é agradável, o que é perfeito.


Ao serviço da comunidade

3 Assim, em virtude da graça que me foi dada, digo a todos e a cada um de vós que não se sinta acima do que deve sentir-se; mas sinta-se preocupado em ser sensato, de acordo com a medida de fé que Deus distribuiu a cada um. 4 É que, como num só corpo, temos muitos membros, mas os membros não têm todos a mesma função, 5 assim acontece connosco: os muitos que somos formamos um só corpo em Cristo, mas, individualmente, somos membros que pertencem uns aos outros. 6 Temos dons que, consoante a graça que nos foi dada, são diferentes: se é o da profecia, que seja usado em sintonia com a fé; 7 se é o do serviço, que seja usado a servir; se um tem o de ensinar, que o use no ensino; 8 se outro tem o de exortar, que o use na exortação; quem reparte, faça-o com generosidade; quem preside, faça-o com dedicação; quem pratica a misericórdia, faça-o com alegria.


O amor faz o bem

9 Que o vosso amor seja sincero. Detestai o mal e apegai-vos ao bem. 10 Sede afectuosos uns para com os outros no amor fraterno; adiantai-vos uns aos outros na estima mútua. 11 Não sejais preguiçosos na vossa dedicação; deixai-vos inflamar pelo Espírito; entregai-vos ao serviço do Senhor. 12 Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação, perseverantes na oração. 13 Partilhai com os santos que passam necessidade; aproveitai todas as ocasiões para serdes hospitaleiros. 14 Bendizei os que vos perseguem; bendizei, não amaldiçoeis. 15 Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram. 16 Preocupai-vos em andar de acordo uns com os outros; não vos preocupeis com as grandezas, mas entregai-vos ao que é humilde; não vos julgueis sábios por vós próprios. 17 Não pagueis a ninguém o mal com o mal; interessai-vos pelo que é bom diante de todos os homens. 18 Tanto quanto for possível e de vós dependa, vivei em paz com todos os homens. 19 Não vos vingueis por vós próprios, caríssimos; mas deixai que seja Deus a castigar, pois está escrito: É a mim que compete punir, Eu é que hei-de retribuir, diz o Senhor. 20 Em vez disso, se o teu inimigo tem fome, dá-lhe de comer; se tem sede, dá-lhe de beber; porque, se fizeres isso, amontoarás carvões em brasa sobre a sua cabeça. 21 Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem.

Pequena agenda do cristão

Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?