11/12/2017

Em nome de Deus: não desesperes

São santos os que lutam até ao final da sua vida: os que se sabem levantar sempre depois de cada tropeção, de cada queda, para prosseguir valentemente o caminho com humildade, com amor, com esperança. (Forja, 186)


Para que não te afastes por cobardia da confiança que Deus deposita em ti, evita a presunção de menosprezar ingenuamente as dificuldades que aparecerão no teu caminho de cristão. Não temos de estranhar. Trazemos em nós mesmos – consequência da natureza decaída – um princípio de oposição, de resistência à graça: são as feridas do pecado original, agravadas pelos nossos pecados pessoais. Portanto, temos de empreender as ascensões, as tarefas divinas e humanas – as de cada dia – que sempre desembocam no Amor de Deus, com humildade, com coração contrito, fiados na assistência divina e dedicando os nossos melhores esforços, como se tudo dependesse de nós mesmos.

Enquanto pelejamos – uma peleja que durará até à morte – não excluas a possibilidade de que se levantem, violentos, os inimigos de fora e de dentro. E, como se fosse pequeno o lastro, às vezes, acumular-se-ão na tua mente os erros cometidos, talvez abundantes. Em nome de Deus te digo: não desesperes. Quando isso suceder – não tem necessariamente que suceder, nem será o habitual – converte essa ocasião num motivo para te unires mais com o Senhor; porque Ele, que te escolheu como filho, não te abandonará. Permite a prova, para que ames mais e descubras com mais clareza a sua contínua protecção, o seu Amor.


Insisto, tem ânimo, porque Cristo, que nos perdoou na Cruz, continua a oferecer o seu perdão no Sacramento da Penitência e sempre temos um advogado junto do Pai, Jesus Cristo, o Justo. Ele mesmo é a vítima de propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos mas também pelos de todo o mundo, para que alcancemos a Vitória. (Amigos de Deus, 214)

Temas para meditar

A força do Silêncio, 99


O amor que nada diz e nada pede conduz ao maior amor, o amor silencioso de Deus.

O silêncio do amor é o silêncio perfeito diante de Deus que resume toda a bondade – toda a bondade e toda a perfeição.




CARDEAL ROBERT SARAH

Evangelho e comentário

Tempo do Advento


Evangelho: Lc 5, 17-26

17 Um dia, quando Jesus ensinava, estavam ali sentados alguns fariseus e doutores da Lei, que tinham vindo de todas as localidades da Galileia, da Judeia e de Jerusalém; e o poder do Senhor levava-o a realizar curas. 18 Apareceram uns homens que traziam um paralítico num catre e procuravam fazê-lo entrar e colocá-lo diante dele. 19 Não achando por onde introduzi-lo, devido à multidão, subiram ao tecto e, através das telhas, desceram-no com a enxerga, para o meio, em frente de Jesus. 20 Vendo a fé daqueles homens, disse: «Homem, os teus pecados estão perdoados.» 21 Os doutores da Lei e os fariseus começaram a murmurar, dizendo: «Quem é este que profere blasfémias? Quem pode perdoar pecados, a não ser Deus?» 22 Mas Jesus, penetrando nos seus pensamentos, tomou a palavra e disse-lhes: «Que estais a pensar em vossos corações? 23 Que é mais fácil dizer: ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te e anda’? 24 Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem, na terra, o poder de perdoar pecados, ordeno-te - disse ao paralítico: Levanta-te, pega na enxerga e vai para tua casa.» 25 No mesmo instante, ergueu-se à vista deles, pegou na enxerga em que jazia e foi para a sua casa, glorificando a Deus. 26 Todos ficaram estupefactos e glorificaram a Deus, dizendo cheios de temor: «Hoje vimos maravilhas!»

Comentário:

Talvez estivessem ali por mera curiosidade, mas, a sua presença confere, de certo modo, uma credibilidade maior ao milagre que Jesus irá praticar.

De facto, foram eles próprios que “obrigaram” o Senhor a curar o paralítico para que ficassem com um testemunho iniludível do Seu poder como Deus Verdadeiro.

(AMA, comentário sobre Lc 5, 17-26, 09.09.2017)







Leitura espiritual

São Josemaria Escrivá

CRISTO QUE PASSA

176
          
Uma única receita: santidade pessoal

O melhor caminho para nunca se perder a audácia apostólica, o afã eficaz de servir todos os homens, não é senão a plenitude da vida de fé, de esperança e de amor; numa palavra, a santidade.
Não conheço outra receita além desta: santidade pessoal.

Hoje, em união com a Igreja, celebramos o triunfo da Mãe, Filha e Esposa de Deus.
E assim como nos sentíamos contentes na Páscoa da Ressurreição do Senhor, três dias depois da sua morte, agora estamos alegres porque Maria, depois de acompanhar Jesus desde Belém até à Cruz, está junto dele em corpo e alma, gozando da sua glória por toda a eternidade.
Esta é a misteriosa economia divina: Nossa Senhora, participando plenamente na obra da nossa salvação, tinha de seguir de perto os passos de seu Filho - a pobreza de Belém, a vida oculta de trabalho ordinário em Nazaré, a manifestação da divindade em Caná da Galileia, as afrontas da Paixão, o Sacrifício divino da Cruz, e a bem-aventurança eterna do Paraíso.

Tudo isto nos afecta directamente, porque este itinerário sobrenatural há-de ser também o nosso caminho.
Maria mostra-nos que essa senda é factível, que é segura.
Ela precedeu-nos na via da imitação de Cristo e a glorificação da Nossa Mãe é a firme esperança da nossa salvarão.
Por isso lhe chamamos spes nostra e causa nostra laetitiae, esperança nossa e causa da nossa alegria.

Jamais podemos perder a esperança de chegar a ser santos, de aceitar os convites do Senhor, de ser perseverantes até ao final.
Deus, que em nós começou a obra da santificação, levá-la-á a cabo. Porque, se o Senhor é por nós, quem será contra nós?
Quem não poupou o seu próprio Filho, mas por nós todos O entregou à morte, como não nos dará também com Ele todas as coisas?

Nesta festa, tudo convida à alegria.
A firme esperança na nossa santificação pessoal é um dom de Deus, embora o homem não possa permanecer passivo.
Recordai as palavras de Cristo: se alguém quer vir após de mim, negue-se a si mesmo e tome a sua cruz de cada dia e siga-me. Vedes?
A cruz de cada dia.
Nulla dies sine cruce, nenhum dia sem Cruz: nenhum dia que não carreguemos com a Cruz do Senhor, em que não aceitemos o seu jugo.
Eis porque não quis deixar de vos recordar também que a alegria da Ressurreição é consequência da dor da Cruz.

Não temais, contudo, porque o próprio Senhor nos diz: vinde a Mim todos, os que trabalhais e vos achais carregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e o meu peso leve.
Vinde - glosa S. João Crisóstomo - não para prestar contas, mas para serdes livres dos vossos pecados; vinde, podeis procurar-me, pois eu não tenho necessidade da vossa glória, mas da vossa salvação...
Não temais ao ouvir falar de jugo, porque é suave: não temais se falo de peso, porque é leve.

O caminho da nossa santificarão pessoal passa, quotidianamente, pela Cruz: esse caminho não é desgraçado, porque o próprio Cristo nos ajuda e com Ele não há lugar para a tristeza.
In laetitia, nulla dies sine cruce!, gosto eu de repetir.
Com a alma trespassada de alegria, nenhum dia sem Cruz!

177  
        
A alegria cristã

Recolhamos de novo o tema que a Igreja nos propõe: Maria subiu aos céus em corpo e alma: os anjos rejubilam!
Penso também no júbilo de S. José, seu Esposo castíssimo, que a aguardava no paraíso.
Mas voltemos à Terra.
A fé confirma-nos que aqui em baixo, na vida presente, estamos em tempo de viagem, pelo que não faltarão os sacrifícios, a dor e as privações.
Todavia, a alegria há-de ser sempre o contraponto do caminho.

Servi ao Senhor com alegria.
Não há outro modo de servi-Lo, Deus ama quem dá com alegria, quem se entrega totalmente num sacrifício gostoso porque não há motivo algum que justifique o desânimo!

Talvez julgueis que este optimismo é excessivo, porque todos os homens conhecem as suas insuficiências e os seus fracassos, experimentam o sofrimento, o cansaço, a ingratidão, talvez até o ódio.
Nós, os cristãos, se somos iguais aos outros, como poderemos estar livres dessas constantes da condição humaniza?

Seria ingénuo negar a reiterada presença da dor e do desânimo, da tristeza e da solidão, durante a nossa peregrinação por esta terra. Aprendemos pela fé com segurança que tudo isso não é produto do acaso e que o destino da criatura não é caminhar para a aniquilação dos seus desejos de felicidade.
A fé ensina-nos que tudo tem um sentido divino, pois esta é uma característica intrínseca e própria do caminho que nos leva à casa do Pai. Esta maneira sobrenatural de compreender a existência terrena do cristão, não simplifica a complexidade humana, mas assegura ao homem que essa complexidade pode ser penetrada pelo nervo do amor de Deus, pelo cabo forte e indestrutível, que liga a vida na Terra com a vida definitiva na Pátria.

A festa da Assunção de Nossa Senhora apresenta-nos a realidade dessa feliz esperança.
Somos ainda peregrinos, mas a Nossa Mãe precedeu-nos e aponta-nos já o termo do caminho.
Repete-nos que é possível lá chegar e que, se formos fiéis, lá chegaremos, pois a Santíssima Virgem não é só nosso exemplo, mas também auxílio dos cristãos.
E perante a nossa petição - Monstra te esse Matrem mostra que és Mãe - não pode nem quer negar-se a cuidar dos seus filhos com solicitude maternal.

178  
        
A alegria é um bem cristão.

Só desaparece com a ofensa a Deus, porque o pecado é fruto do egoísmo e o egoísmo é a causa da tristeza.
Mesmo então, essa alegria permanece no fundo da alma, pois sabemos que Deus e a sua Mãe nunca se esquecem dos homens. Se nos arrependemos no santo sacramento da penitência, Deus vem ao nosso encontro e perdoa-nos.
E já não há tristeza.
Na verdade, é muito justo que haja regozijo, porque o teu irmão estava morto e ressuscitou; tinha-se perdido e foi encontrado.

Estas palavras são o final maravilhoso da parábola do filho pródigo, que jamais nos cansaremos de meditar: eis que o Pai vem ao teu encontro; inclinar-se-á sobre o teu ombro e dar-te-á um beijo, penhor de amor e de ternura; fará que te entreguem um vestido, um anel, o calçado.
Tu receias ainda uma repreensão, e ele devolve-te a tua dignidade; temes um castigo, e dá-te um beijo; tens medo duma palavra irada, e prepara para ti um banquete.

O amor de Deus é insondável.
Se procede assim com quem O ofendeu, o que não fará para honrar a sua Mãe, imaculada, Virgo fidelis, Virgem Santíssima, sempre fiel?

Se o amor de Deus se manifesta tão grande quando o acolhimento que lhe dá o coração humano - tantas vezes traidor - é tão pouco, como não será no coração de Maria, que nunca levantou o mínimo obstáculo à vontade de Deus?

Vede como a liturgia da festa faz eco da impossibilidade de compreender a misericórdia infinita do Senhor com raciocínios humanos; mais do que explicar, canta; fere a imaginação, a fim de que todos se entusiasmem no louvor, pois ficaremos sempre muito aquém do que é merecido: apareceu no céu um grande sinal.
Uma mulher vestida de sol, e a lua debaixo de seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça.
E o rei cobiçará a tua beleza. A filha do rei entra toda formosa; tecidos de ouro são os seus vestidos.

A liturgia acabará com algumas palavras de Maria, nas quais a maior humildade se conjuga com a maior glória: eis que, de hoje em diante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque fez em mim grandes coisas aquele que é todo poderoso.

Cor Mariae Dulcissimum, iter para tutum: Coração Dulcíssimo de Maria, dá força e segurança ao nosso caminho na Terra.
Sê tu mesma o nosso caminho, porque tu conheces as vias e os atalhos certos que, através do teu amor, levam ao amor de Jesus Cristo.

179 
         
Acaba o ano litúrgico e no Santo Sacrifício do Altar renovamos ao Pai o oferecimento da Vitima, Cristo, Rei de santidade e de graça, rei de justiça, de amor e de paz, como leremos dentro de pouco tempo no Prefácio.
Todos sentis nas vossas almas uma alegria imensa, ao considerar a santa Humanidade de Nosso Senhor, por saberdes que se trata dum Rei com um coração de carne como o nosso, que é o autor do universo e de todas as criaturas e que não se impõe pelo domínio, mas mendigando um pouco de amor, ao mesmo tempo que nos mostra, em silêncio, as suas mãos chagadas.

Como é possível, então, que tantos O ignorem?
Porque se ouve ainda esse protesto cruel: nolumus hunc regnare super nos, não queremos que este reine sobre nós?
Na terra há milhões de homens que se enfrentam assim com Jesus Cristo, ou melhor, com a sombra de Jesus Cristo, porque não O conhecem, nem viram a beleza do seu rosto, nem se aperceberam da maravilha da sua doutrina.

Diante deste triste espectáculo, sinto-me movido a desagravar o Senhor. Ao ouvir o clamor que não cessa e que se constrói mais com obras pouco nobres do que com palavras, sinto a necessidade de gritar bem alto: oportet illum regnare!, convém que Ele reine.

(cont)


Diálogos apostólicos - II Parte

O JUÍZO PARTICULAR E FINAL – 6 


Pergunto:

Porque convém que haja um juízo final?; o particular não é suficiente? 


Respondo:


A sentença é a mesma, mas convém um juízo final para que as sentenças sejam públicas, se aprecie a justiça divina, e aumente a glória de Deus.

Bento XVI – Pensamentos espirituais 166

Jesus e a Igreja

A Cruz

Em suma, a Cruz é o «sinal» por excelência que nos foi dado para compreendermos a realidade do Homem e a verdade de Deus: todos fomos criados e redimidos por um Deus que, por amor, sacrificou o seu único Filho.

Eis por que razão na Cruz [...] «se cumpre aquele virar-se de Deus contra si próprio, com o qual Ele Se entrega para levantar o ser humano e salvá-lo - o amor na sua forma mais radical» (Deus Caritas Est, n. a 12)

Homilia na Paróquia de Deus-Pai Misericordioso, em Roma (26.Mar.06)

 (in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

Pequena agenda do cristão

SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça ‘boa cara’, que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





10/12/2017

É tempo de esperança

"É tempo de esperança, e eu vivo desse tesouro. Não é uma frase, Padre; é uma realidade", dizes-me. Então... o mundo inteiro, todos os valores humanos que te atraem com uma força enorme (amizade, arte, ciência, filosofia, teologia, desporto, natureza, cultura, almas...), tudo isso, deposita-o na esperança – na esperança de Cristo. (Sulco, 293)


Onde quer que nos encontremos, esta é a exortação do Senhor: vigiai! Em face deste apelo de Deus, alimentemos nas nossas consciências os desejos esperançosos de santidade, com obras. Dá-me, meu filho, o teu coração, sugere-nos o senhor ao ouvido. Deixa-te de construir castelos com a fantasia, decide-te a abrir a tua alma a Deus, pois exclusivamente no Senhor acharás o fundamento real para a tua esperança e para fazer o bem aos outros. Quando não lutamos connosco mesmos, quando não rechaçamos terminantemente os inimigos que estão dentro da cidadela interior – o orgulho, a inveja, a concupiscência da carne e dos olhos, a auto-suficiência, a tresloucada avidez da libertinagem – quando não existe essa peleja interior, os mais nobres ideais definham como a flor do feno; ao romper o sol ardente, a erva seca, a flor cai e acaba a sua vistosa formosura. Depois, pela menor fenda brotarão o desalento e a tristeza, como plantas daninhas e invasoras.

Jesus não se conforma com um assentimento titubeante. Pretende, tem direito a que caminhemos com inteireza, sem concessões às dificuldades. Exige passos firmes concretos; pois, de ordinário, os propósitos gerais servem para pouco. Os propósitos pouco delineados parecem-me entusiasmos falazes que intentam calar as chamadas divinas percebidas pelo coração; fogos-fátuos, que não queimam nem dão calor e que desaparecem com a mesma fugacidade com que surgiram.


Por isso, convencer-me-ei de que as tuas intenções de alcançar a meta são sinceras, se te vir caminhar com determinação. Faz o bem, revendo as tuas atitudes habituais quanto à ocupação de cada instante; pratica a justiça, precisamente nos ambientes que frequentas, ainda que a fadiga te vença; fomenta a felicidade dos que te rodeiam, servindo os outros com alegria no lugar do teu trabalho, com esforço para o acabar com a maior perfeição possível, com a tua compreensão, com o teu sorriso, com a tua atitude cristã. E tudo por Deus, com o pensamento na sua glória, com o olhar no alto, anelando a Pátria definitiva, pois só esse fim vale a pena. (Amigos de Deus, 211)

Temas para meditar

A força do Silêncio, 94



O despojamento do silêncio torna o homem semelhante a uma criança: puro, mas frágil, inocente e desprovido.

O silêncio molda-nos como um ferreiro que trabalha o metal.



CARDEAL ROBERT SARAH

Evangelho e comentário

Tempo do Advento


Evangelho: Mc 1, 1-8

1 Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. 2 Conforme está escrito no profeta Isaías: Eis que envio à tua frente o meu mensageiro, a fim de preparar o teu caminho. 3 Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.’ 4 João Baptista apareceu no deserto, a pregar um baptismo de arrependimento para a remissão dos pecados. 5 Saíam ao seu encontro todos os da província da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém e eram baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. 6 João vestia-se de pêlos de camelo e trazia uma correia de couro à cintura; alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. 7 E pregava assim: «Depois de mim vai chegar outro que é mais forte do que eu, diante do qual não sou digno de me inclinar para lhe desatar as correias das sandálias. 8 Eu baptizei-vos em água, mas Ele há-de baptizar-vos no Espírito Santo.»

Comentário:


De facto, o Baptista está intimamente ligado a Jesus Cristo, mesmo antes do nascimento de ambos.

Tem uma missão particularmente difícil, preparar o caminho do Salvador.

Efectivamente será ele quem indicará quem é Jesus Cristo e ao que vem e, naturalmente, os seus seguidores – que seriam muitos – seguem as suas instruções e começam a acompanhar Jesus quando este inicia a Sua vida pública.

É um homem duro e implacável que não transige de nenhuma forma com situações irregulares, e, isso, há-de custar-lhe a própria vida.

O seu exemplo de sacrifício pessoal e austeridade de vida devem ter impressionado muitos, inclusive, do partido dos chefes do povo que o ouviam.

(AMA, comentário sobre Mc 1, 1-8, 09.9.2017)





Leitura espiritual

São Josemaria Escrivá

CRISTO QUE PASSA

173 
         
Imitar Maria

A nossa Mãe é modelo de correspondência à graça e, ao contemplarmos a sua vida, o Senhor dar-nos-á luz para que saibamos divinizar a nossa existência vulgar.
Durante o ano, quando celebramos as festas marianas, e cada dia em várias ocasiões, nós, os cristãos, pensamos muitas vezes na Virgem. Se aproveitamos esses instantes, imaginando como se comportaria a nossa Mãe nas tarefas que temos de realizar, iremos aprendendo a pouco e pouco, até que acabaremos por nos parecermos com Ela, como os filhos se parecem com a sua mãe.

Imitar, em primeiro lugar, o seu amor.
A caridade não se limita a sentimentos: há-de estar presente nas palavras e, sobretudo, nas obras.
A Virgem não só disse fiat, mas também cumpriu essa decisão firme e irrevogável a todo o momento.
Assim, também nós, quando o amor de Deus nos ferir e soubermos o que Ele quer, devemos comprometer-nos a ser fiéis, leais, mas a sê-lo efectivamente.
Porque nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus; mas o que faz a vontade de meu Pai, que está nos Céus, esse entrará no reino dos Céus.

Temos de imitar a sua natural e sobrenatural elegância.
Ela é uma criatura privilegiada na História da Salvação, porque em Maria o Verbo se fez carne e habitou entre nós.
Foi testemunha delicada, que soube passar inadvertida; não foi amiga de receber louvores, pois não ambicionou a sua própria glória.
Maria assiste aos mistérios da infância de seu Filho, mistérios, se assim se pode dizer, cheios de normalidade; mas à hora dos grandes milagres e das aclamações das massas desaparece.
Em Jerusalém, quando Cristo - montado sobre um jumentinho - é vitoriado como Rei, não está Maria.
Mas reaparece junto da Cruz, quando todos fogem.
Este modo de se comportar tem o sabor, sem qualquer afectação, da grandeza, da profundidade, da santidade da sua alma!

Procuremos aprender, seguindo também o seu exemplo de obediência a Deus, numa delicada combinação de submissão e de fidalguia. Em Maria, nada existe da atitude das virgens néscias, que obedecem, sim, mas como insensatas.
Nossa Senhora ouve com atenção o que Deus quer, pondera aquilo que não entende, pergunta o que não sabe.
Imediatamente a seguir, entrega-se sem reservas ao cumprimento da vontade divina: eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a Vossa palavra.
Vedes esta maravilha?
Santa Maria, mestra de toda a nossa conduta, ensina-nos agora que a obediência a Deus não é servilismo, não subjuga a consciência, pois move-nos interiormente a descobrirmos a liberdade dos filhos de Deus.

174
         
A escola da oração

O Senhor ter-vos-á feito descobrir muitos outros aspectos da correspondência fiel da Santíssima Virgem, que por si mesmos já são um convite para que os tomemos como modelo: a sua pureza, a sua humildade, a sua fortaleza, a sua generosidade, a sua fidelidade...
Eu gostaria de falar sobre um aspecto que engloba todos os outros, porque é o clima do progresso espiritual, isto é, a vida de oração.

Para aproveitar a graça que nos concede a Nossa Mãe no dia de hoje e para secundar também, em qualquer momento, as inspirações do Espírito Santo, pastor das nossas almas, devemos estar seriamente comprometidos numa actividade que nos leve a ter intimidade com Deus.
Não podemos esconder-nos no anonimato, porque a vida interior, se não for um encontro pessoal com Deus, não existe.
A superficialidade não é cristã. Admitir a rotina, na nossa luta ascética, equivale a assinar a certidão de óbito da alma contemplativa. Deus procura-nos um a um, e precisamos de Lhe responder um a um: eis-me aqui, pois Tu me chamaste.

Oração, sabêmo-lo todos, é falar com Deus.
É possível, porém, que alguém pergunte: falar, de quê?
Do que há-de ser, senão das coisas de Deus e das que enchem o nosso dia?
Do nascimento de Jesus, do seu caminhar por este mundo, da sua vida oculta e da sua pregação, dos seus milagres, da sua Paixão Redentora, da sua Cruz e da sua Ressurreição...
E na presença de Deus, Uno e Trino, tendo por Medianeira Santa Maria e por advogado S. José, Nosso Pai e Senhor - a quem tanto amo e venero - falaremos também do nosso trabalho de todos os dias, da família, das relações de amizade, dos grandes projectos e das pequenas coisas sem importância.

O tema da minha oração é o tema da minha vida.
Eu faço assim.
E à vista da minha situação concreta, surge naturalmente o propósito, determinado e firme, de mudar, de melhorar, de ser mais dócil ao amor de Deus.
Um propósito sincero, concreto.
E não pode faltar o pedido urgente, mas confiado, de que o Espírito Santo nos não abandone, porque tu és, Senhor, a minha fortaleza.

Somos cristãos correntes.
Trabalhamos em profissões muito diferentes. Toda a nossa actividade segue o caminho da normalidade.
Tudo se desenvolve com um ritmo previsível.
Os dias parecem iguais, inclusivamente monótonos...
Pois bem: esse programa, aparentemente tão comum, tem um valor divino e é algo que interessa a Deus, porque Cristo quer encarnar nos nossos afazeres, animando, a partir de dentro, até as nossas mais humildes acções.

Este pensamento é uma realidade sobrenatural, nítida, inequívoca; não é uma consideração destinada a consolar ou a confortar aqueles que, como nós, não conseguem gravar o seu nome no livro de oiro da História.
Cristo interessa-se por esse trabalho que devemos realizar - uma vez e mil vezes - no escritório, na fábrica, na oficina, na escola, no campo, no exercício da profissão manual ou intelectual.
Interessa-lhe também o sacrifício oculto que fazemos para não derramar sobre os outros o fel do nosso mau humor.

Recordai na oração estes temas, aproveitai-os precisamente para dizer a Jesus que o adorais, e assim, estareis a ser contemplativos no meio do mundo, no meio do ruído da rua, em toda a parte.
Essa é a primeira lição, na escola da intimidade com Jesus Cristo. Dessa escola, Maria é a melhor professora, porque a Virgem manteve sempre essa atitude de fé, de visão sobrenatural, perante tudo o que sucedia à sua volta: conservava todas estas coisas ponderando-as no seu coração.

Supliquemos hoje a Santa Maria que nos torne contemplativos, que nos ajude a compreender os contínuos apelos que o Senhor nos dirige, batendo à porta do nosso coração.
Peçamos-lhe: Mãe, tu trouxeste ao mundo Jesus, que nos revela o amor do nosso Pai, Deus; ajuda-nos a reconhecê-lo, no meio das preocupações de cada dia; remove a nossa inteligência e a nossa vontade, para que saibamos escutar a voz de Deus, o impulso da graça.

175 
         
Mestra de apóstolos

Mas não penseis só em vós mesmos: dilatai o vosso coração até abarcar toda a Humanidade.
Pensai, antes de mais nada, naqueles que vos rodeiam - parentes, amigos, colegas - e vede como podereis levá-los a sentir mais profundamente a amizade com Nosso Senhor.
Se se trata de pessoas honradas e rectas, capazes de estarem habitualmente mais próximas de Deus, recomendai-as concretamente a Nossa Senhora.
E pedi também por tantas almas que não conheceis, porque todos os homens estão embarcados na mesma barca.

Sede leais, generosos.
Fazemos parte de um só corpo, do Corpo Místico de Cristo, da Igreja Santa, à qual estão chamados muitos que procuram nobremente a verdade.
Por isso temos obrigação estrita de manifestar aos outros a qualidade, a profundidade do amor de Cristo. O cristão não pode ser egoísta. Se o fosse, atraiçoaria a sua própria vocação. Não é de Cristo a atitude daqueles que se contentam com conservar a sua alma em paz - falsa paz é essa... - despreocupando-se dos bens dos outros.
Desde que aceitemos o significado autêntico da vida humana - que nos foi revelado pela fé - não podemos sentir-nos satisfeitos, persuadidos de que nos comportamos bem pessoalmente, se não fizermos com que os outros se aproximem de Deus, de maneira prática e concreta.

Há um obstáculo real para apostolado: o falso respeito, o temor de tocar temas espirituais, a suspeita de que uma tal conversa não agradará em determinados ambientes, o medo de ferir susceptibilidades.
Quantas e quantas vezes esse raciocínio não é mais do que a máscara do egoísmo!
Não se trata de ferir ninguém, mas, pelo contrário, de servir.
Embora sejamos pessoalmente indignos, a graça de Deus torna-nos instrumentos para sermos úteis aos outros, comunicando-lhes a boa nova de que Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade.

E será lícito meter-se desse modo na vida das outras pessoas?
É necessário.
Cristo meteu-se na nossa vida sem nos pedir autorização.
Assim procedeu também com os primeiros discípulos: passando, ao longo do mar da Galileia, viu Simão e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores.
E disse-lhes Jesus: Segui-me, e eu vos farei pescadores de homens. Cada um de nós mantém a liberdade, a falsa liberdade, de responder a Deus que não, como aquele jovem carregado de riquezas, de quem nos fala S. Lucas.
Mas o Senhor e nós - se lhe obedecermos: ide e ensinai - temos. o direito e o dever de falar de Deus, deste grande tema humano, porque o desejo de Deus é o mais profundo que nasce no coração do homem.

Santa Maria, Regina Apostolorum, rainha de todos aqueles que desejam dar a conhecer o amor de teu filho: tu, que compreendes tão bem as nossas misérias, pede perdão pela nossa vida, pelo que em nós poderia ter sido fogo e não passou de cinzas, pela luz que deixou de iluminar, pelo sal que se tomou insípido.
Mãe de Deus, omnipotência suplicante: dá-nos juntamente com o perdão, a força de vivermos verdadeiramente de fé e de amor, para podermos levar aos outros a fé de Cristo.

(cont)


Pequena agenda do cristão

DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

09/12/2017

A Imaculada Conceição

A Imaculada Conceição [i]


Ontem celebrámos uma das grandes festas da Igreja e que também é, uma das maiores festas na tradição portuguesa.

As homenagens à Mãe de Deus, têm este ponto culminante na festa da Imaculada Conceição.

De todos os títulos carinhosos com que os cristãos distinguem a Virgem Maria, talvez este seja o mais expressivo e aquele que, na verdade, só a Ela se pode aplicar.

Nenhuma criatura foi, ou será, mais perfeita, cheia de virtudes e graça de Deus, é verdade, mas, além disso, Deus quis que a encarnação da Segunda Pessoa Divina, se realizasse num seio imaculado desde a sua concepção, isto é, com ausência total de pecado, mesmo, o pecado original a que toda a raça descendente de Adão e Eva está sujeita.

Quando do castigo terrível, anunciado pelo Criador aos nossos primeiros pais, castigo que mais não foi que a consequência directa do seu pecado, condoído da situação que Adão e Eva tinham irremediavelmente provocado, movido pelo Seu infinito amor pelos homens, Deus anunciou desde logo um meio - o único meio - de salvação desse castigo.

E, como o Senhor sempre cumpre as Suas promessas, criou essa excelsa criatura de forma única e perfeita, para ser a Mãe do Seu Filho estremecido, cuja missão foi exactamente, indicar esse caminho de salvação.

Toda esta extraordinária história da salvação humana é, por isso mesmo, uma história de amor; amor de Deus pelos homens.

Esta forma da Igreja celebrar os "passos" desta história de amor, tem, como nos podemos aperceber, uma consequência lógica.

O Advento, que neste momento vivemos, que é o anúncio dessa mesma salvação.
O aviso urgente que nos é feito, durante estas quatro semanas, para nos prepararmos de forma concreta - preparai o caminho do Senhor, endireitai as Suas veredas [ii] - dá-nos conta, por João Baptista, da Sua eminente chegada.

Estar preparados, com o coração limpo e disponível, para ouvir o anúncio do Seu nascimento.

No meio deste tempo, surge esta festa da Imaculada que é como que uma apresentação daquela que será a portadora humana desse Deus vivo e verdadeiro que virá daqui a alguns dias.

É assim que a Igreja pretende associar, definitiva e solenemente, a Virgem Maria à salvação do homem, porque, se é verdade que Deus, na Sua omnipotência, poderia ter escolhido qualquer outra forma ou meio para essa salvação, ao fazê-lo por intermédio de uma mulher, que tinha sido também a causa primeira da queda original, demonstrou a Sua vontade de que, esta Mãe de Deus, fosse figura importante na Sua relação com os homens.

É pois, temos a certeza, muito do agrado de Nosso Senhor, todo o carinho, amor e devoção que dedicarmos à Sua e Nossa Mãe.

Além disso, Ela é o caminho natural para chegar a Jesus, a melhor mediadora e a mais competente advogada, aquela que, como excelentíssima Mãe, tentará, junto do Seu Filho, sublimar as nossas pequenas virtudes, relevando, desculpando e intercedendo pelas nossas numerosas faltas.

Preparai os caminhos do Senhor, endireitai as Suas veredas. [iii]

Jesus quer, efectivamente, caminhar para nós, vir ao nosso encontro para, depois, ir connosco, juntos, até ao fim do nosso caminho.

Se essa vereda, que O conduzirá até nós, estiver atravancada com dificuldades, escolhos, obstáculos, Jesus demorará mais tempo a chegar ou, que terrível seria, nem sequer chegar a tempo.

Porque, Ele, não obstante o Seu poder infinito, não removerá um obstáculo, não afastará uma dificuldade.

Respeita muito a nossa liberdade e, por isso mesmo, espera, ansiosamente, que sejamos nós a fazê-lo.

E o que são estes obstáculos, estas dificuldades? Nada mais que os nossos defeitos, distracções, faltas de amor.

São as nossas preocupações excessivas com a vida corrente, os negócios, o trabalho, o que os outros pensam, o que os outros têm e nós não temos e gostaríamos de ter, as dissensões, as criticas, os julgamentos apressados ou pouco fundamentados, as faltas de caridade, o encolhimento ante as dificuldades, a aversão ao sacrifício à renúncia a pequenas coisas e o apego a tantas outras que, bem avaliadas, podemos perfeitamente dispensar.

Tudo isto e muito mais, como cada um de nós, no seu íntimo, muito bem sabe.

S. Josemaria escreveu:

«Não sei nada, não tenho nada, não posso nada, não valho nada» [iv]

E, ele, era um santo... e nós, acaso podemos dizer algo muito diferente?

Temos portanto que, forçosamente, diria eu, recorrer a Ela, essa querida Senhora que, embora sendo a maior e a mais excelsa de todas as criaturas, Ela própria Mãe de Deus.

Que não se importou de dar à luz num presépio, o Senhor de todas as coisas, porque, essa, foi a Vontade de Deus.

Que cumpriu os ritos da purificação exigidos pela Lei, não obstante saber-se Virgem Imaculada, porque essa, foi a Vontade de Deus.

Que arrostou com os perigos, o desconforto e incerteza de uma duríssima viagem para terra desconhecida, o Egipto, porque, essa, foi a Vontade de Deus.

Que aceitou o anonimato mais completo, durante os trinta e três anos de vida de Jesus, não obstante ser a Sua Mãe, porque, essa, foi a Vontade de Deus

Que, finalmente, viu o Seu Filho torturado e morto numa Cruz, sabendo como sabia, que Ele era a própria Segunda Pessoa divina, porque, essa, foi a Vontade de Deus.

Como não irá Ela socorrer-nos, ajudar-nos, amorosa e dedicadamente se, essa, é a Vontade de Deus?

Com esta certeza, que temos a felicidade de ter, havemos de recorrer a Ela com toda a urgência e fervor, para que nos ajude a preparar o caminho pelo qual Jesus virá, rapidamente, até ao nosso coração.

Lembremo-nos desta oração mariana que, entre muitas outras, igualmente belas, talvez melhor traduza esse anseio de auxilio:

«Lembrai-Vos ó puríssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tendo recorrido à Vossa protecção, implorado a Vossa assistência, proclamado o Vosso auxílio, fosse por Vós desamparado.
Animado eu pois, de igual confiança em Vós, Virgem entre todas singular, como Mãe recorro, gemendo sob o peso dos meus pecados me prostro aos Vossos pés.
Não desprezeis as minhas suplicas, ó Mãe do Filho de Deus Humanado, e dignai-Vos alcançar-me as promessas de Cristo. Amen[v]




[i] Palestra na Meadela, 9 de Dezembro de 1999
[ii] Cfr Mt 3, 3
[iii] Cfr Mt 3, 3
[iv] S. Josemaría, Amigos de Deus nr. 215
[v] Oração Saxum