21/07/2023

Publicações em Julho 21

 


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mc XI...)

 

Falavam os discípulos entre eles sobre a oração e isto, a mim que os escutava, parecia-me pertinente porque as orações que se ouviam aos Escribas e Sacerdotes eram praticamente incompreensíveis, alongavam-se interminavelmente, num como que amontoado disforme de citações de Salmos e outros textos da Escritura, repletas de gestos rituais como bater no peito, levantar as mãos ao céu, etc.

Para eles, Deus era particularmente cioso e irredutível na Sua magestade todo poderosa, não admitiria outras formas de os seres humanos se dirigirem a Ele.

Nas suas "orações" não pediam nada nem por ninguém, limitavam-se a infindáveis palavras sobre como eram bons, irrepreensíveis, cumpridores da Lei.

O povo ignaro e submisso não entendia nada, não compreendia nada de tal modo que pura e simplesmente pensava que não lhe competia orar uma vez que não saberia como.

Já tínhamos assistido por diversas vezes a momentos de oração de Jesus e podíamos constatar a serenidade, a ausência de gestos e até, muitas vezes ausência de palavras. Quando as pronunciava, eu pelo menos assim percebia, era para nos instruir, dar exemplo de como orar.

O que fui retendo e guardo é a conclusão de que Orar é falar com Deus, numa conversa normal, sincera, aberta, sem manifestações desnecessárias. Nessa conversa falamos dos outros, todos os outros que nos são familiares, próximos ou meramente os que se vão cruzando connosco nos caminhos da vida.

Também, claro está, falamos de nós próprios contando o que nos acontece e o que desejamos nos acontecesse

Qualquer lugar ou circunstância servem para essa conversa desde que, evidentemente, consigamos o recolhimento interior indispensável a uma conversa com o nosso Deus e Senhor.

Não me interessa avaliar se o que agora digo ou peço é a milionésima vez que o faço, Ele Próprio recomendou que insistisse com perseverança e sem desfalecimentos.

Para mim, basta-me conhecer e acreditar nas palavras de Jesus:

 

«Tudo quanto pedirdes na oração, crede que o havereis de conseguir e o obtereis».

 

Reflexão

 

Por vezes penso que me seria conveniente ser invizual, cego.

Pelos olhos dentro surgem coisas, imagens, cenas que me incomodam, excitam os sentidos, provocam desconforto.

Se não pudesse ver seria tudo muito mais fácil...

Porém, reflicto que os olhos do corpo não têm forçosamente que ver como os "olhos da alma" e, sendo assim, peço ao Senhor que os olhos da minha alma fiquem imunes, protegidos com uma carapaça inviolável, dessas imagens.

Não consentir, não contemplar e, se o Senhor me ajudar, como estou seguro me ajudará, todo esse lixo não passará de imagens fugases que não deixarão qualquer lastro.

 

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20/07/2023

Publicações em Julho 20

 


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mt XI…)

Hoje fazia-se sentir um calor sufocante e Jesus levou-nos a descansar debaixo de um arvoredo na margem de um pequeno curso de água.

Reclinados nas capas estendidas no chão, começámos a sentir fome; desde manhãzinha cedo que não comeramos nada.

Jesus também sentia fome e, olhando em volta vendo uma frondosa figueira foi em busca de figos . mas... não encontrou senão ramos e folhas, figos... nem um!

Disse, então, algo surpreendente: «Ninguém coma do teu fruto» e, imediatamente a figueira secou.

Fiquei-me a pensar... mas... não é "tempo de figos", que culpa tem a figueira?

Hoje, passado tanto tempo, compreendo o que Jesus me quis dizer com a Sua acção; uma árvore de fruto tem de dar frutos, bons, comestíveis, sadios, é para isso que serve: o "tempo dar frutos" não lhe diz respeito.

Eu, considerando-me uma árvore fruteira, tenho de dar frutos, sempre e independentemente da época, quem procura os frutos que eu possa dar, pode não saber se é, ou não, a "minha época de frutificar", confia que os terei disponíveis para oferecer ou que, o agricultor, os tenha guardado em lugar fresco para os conservar comestíveis.

Se, como sei, o meu Agricultor É O Senhor, compreendo que a minha preocupação deve ser dar frutos, muitos frutos, Ele saberá o que fazer com eles.

Mais tarde, passá-mos pelo local e um dos Discípulos disse:

«Senhor, repara, a figueira que amaldiçoaste secou!»

Jesus responde com uma parábola:

«Um homem rico possuía uma vinha e, no meio desta uma figueira. Vendo que não dava frutos ordenou ao vinhateiro:

- corta esta figueira, não dá frutos, para que estará ela a ocupar lugar; o vinhateiro respondeu: Senhor, deixa-a ficar nais um tempo, vou cavar-lhe em volta e pôr adubo, esterco e, se mesmo assim continuar sem dar frutos então cortá-la-ei».

Vejo, agora, que é assim que o Agricultor Divino procede para com "esta figueira" que sou eu. Vai insistindo uma e outra vez, com infinita paciência para que eu dê frutos. Cuida de mim, "aduba" as minhas raízes com o infinito amor das Suas inspirações, sempre tentando que eu faça o que Ele, legítimamente espera que faça: Dê frutos!

 

Reflexão

 

Houve-se com frequência dizer a respeito de alguém:

'É muito honesto'.

Isto é dito como se fosse algo extraordinário, fora do "normal". Mas, então, o normal não é ser-se honesto! Aliás, não se é "muito honesto", ou se é ou não! Por isso penso que esta locução não faz qualquer sentido e que o que realmente se deveria dizer seria: 'Pode confiar-se' (nessa pessoa). Isto sim é o que realmente queremos pensar a respeito dos outros e que igualmente desejamos que os outros pensem de nós.

Claro que uma pessoa digna de confiança é, por natureza, honesta. É que parece haver uma tendência para considerar que a honestidade se resume e conclui em não se apropriar do alheio quando, de facto, é muito mais que isso: é viver, pensar e actuar com critérios sãos e estáveis, que não mudam conforme as circunstâncias, o ambiente ou outra coisa qualquer.

Considerar alguém honesto só porque não se apropria do que não lhe pertence é reduzir essa virtude a um mero comportamento, ou dito de outra forma, que essa virtude é a consequência lógica de não ter o defeito. Mas... não ter um defeito não determina possuir uma virtude.

Por exemplo: Se não me embriago não permite concluir que tenha a virtude da temperança, mas apenas que sou comedido na bebida; Se cumpro as regras de trânsito não quer dizer que sou obediente, mas que respeito as leis; As virtudes - tema já abordado antes -  só se adquirem com os bons hábitos praticados com regularidade e independentemente das circunstâncias. Por isso mesmo é muito importante a igualdade de vida.

Mas… E o que vem a ser a "igualdade de vida"?

Para os cristãos, é proceder de acordo com a Fé que afirmam professar, sem "intervalos" ou concessões. Que os actos correspondam ao que se diz, que haja coerência, sintonia, entre o que se pensa e diz e o que se pratica. Que, em suma, se seja honesto consigo próprio. Mas, sobretudo, se seja honesto com Deus Nosso Senhor que não pode aceitar nem desculpas nem "justificações" se o nosso comportamento não corresponde integralmente ao que Ele tem todo o direito de esperar.

Ele sabe muito bem se o que fazemos corresponde à Sua Vontade ou aos nossos desejos ou conveniências de momento. Portanto, pode concluir-se, igualdade de vida é fazer, em tudo, a Vontade de Deus!

Atentando no que escrevo nestas "reflexões" verifico que me apresento como um homem sofredor, cheio de achaques, limitações...

Concluo que estou como que a "excitar" a piedade própria e dos que eventualmente lerem.

Isto é... desejo ter pena de mim, que outros tenham pena de mim.

Isto é, pelo menos, "rasteiro", detestável. É o "EU" de que fala São Tomás Moro, sempre presente: EU! EU! EU!...

Ah Senhor! Desejo e preciso que outros rezem por mim mas, não levados pela "piedade" que lhes transmito mas pela generosidade dos seus corações e, mais, não me esquecer que a oração "vai e vem" daí que se rezar pelos outros é natural que os outros rezem por mim.

 

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19/07/2023

Publicações em Julho 19

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mt V...)

 

Os momentos de descanso eram, quase sempre, aproveitados por Jesus para ensinar e instruir os mais próximos; na verdade, Ele não descansava nunca como que possuído de uma ânsia de ensinar, instruir a queles a quem tanto queria e que destinava a "grandes coisas"; alargava-Se em discursos, parábolas muitas vezes sobre assuntos já considerados mas que, Ele queria que ficassem bem gravados nas suas mentes.

Ele bem sabia com quem falava, quem eram os que O escutavam, (pois claro que sabia... foi Ele Quem os escolheu... um a um...).

Os inimigos de Cristo encarniçam-se com argumentos... como:

"Quem haveria de seguir um carpinteiro? Um carpinteiro não é nenhum "condutor de homens", não tem prosélitos, admiradores incondicionais, é um carpinteiro e ponto!!!"

Sim... é verdade que reconheço mérito nesta "alegação", é absolutamente verdadeira, substancial, não oferece discussão.

Talvez, por isto mesmo, valha a pena esmiuçar os motivos, as razões porque este CARPINTEIRO arrastou e arrasta atrás de Si incontáveis milhões de seres humanos, funda uma Igreja da qual É a Cabeça, propaga uma doutrina baseada no AMOR.

O "chefe" desses inimigos de Cristo, retira-se da discussão, não lhe interessa, sabe que perderá "votos", seguidores, espera que a "cizânea" que furtivamente espalhou na sementeira divina, consiga vingar e impedir que as espigas de trigo são e fecundo cresçam e se multipliquem.

Os inimigos de Cristo, a meu ver, não sendo muito inteligentes, são "práticos": tantas vezes tocaremos a mesma música que esta acabará por ficar no ouvido."

Imerso nestes pensamentos, mal me dou conta que Jesus termina o Seu longo discurso onde falou e esclareceu sobre as relações entre os homens, sempre complexas e problemáticas, o dever de amar todos, mesmo os que consideramos como inimigos   e termina com uma "sentença" de um alcance incomensurável: «Sede perfeitos como É perfeito o vosso Pai Celeste».

A mim, que sou sou um pobre homem, a uma distância extraordinária daqueles Doze Santos homens que O seguem incondiconalmente, Jesus diz-me tal coisa!!!

Vem-me à memória o que um Santo dos nossos dias escreveu: "Santos... só no Céu...".

Considerando.... digo: "Senhor... leva-me para o Céu".

 

Reflexão

 

Sinais

 

No dia, 7 de Dezembro de 2016, faleceu uma grande amiga nossa. Fui à Igreja onde estava o corpo para cumprimentar o Marido. Era o meu dever.

Ver o seu cadáver teve um efeito devastador.

A memória de uma situação similar por mim vivida provocou tal desassossego e abatimento que estive até de madrugada com um nó no peito num choro incontrolável... enfim, um sofrimento indizível.

Para mais, no dia Oito seria o cinquentenário do meu casamento.

De madrugada, olhando para a televisão - sem de facto ver - algo me chamou a atenção.

Tratava-se de um filme policial em que um homem desesperado e completamente devastado pela perda da esposa na explosão das Torres Gémeas, em Nova Iorque, tinha sequestrado várias pessoas exigindo uma reparação que no seu perturbado espírito seria a "devolução" da esposa perdida.

Um agente do FBI tinha conseguido introduzir-se no ambiente e aos poucos convencido o pobre homem a libertar todos os reféns. Estavam os dois sozinhos.

Depois de troca de argumentos o agente diz-lhe: ‘V pensa que é o único que perdeu alguém nesse fatídico acontecimento em que pereceram centenas de pessoas?

Quantos casais não perderam um dos cônjuges, pais que ficaram sem filhos, filhos sem pais etc., etc.? O que o torna a si tão especial?’

O homem caiu em si e pouco depois tudo acabava sem mais complicações.

Um filme como tantos outros...

Porém, esta parte final foi o "sinal " que eu precisava. Também eu caí em mim considerando que o meu sofrimento não é exclusivo, que não sou ninguém "especial", que devo lembrar-me de tantos que não têm ninguém com quem desabafar, que lhes faça companhia, que estão absolutamente sós!

Então, envergonhado, pedi perdão, fiquei tranquilo e fui deitar-me.

Deus Nosso Senhor envia-nos sinais como quer e entende, até mesmo num vulgar filme na televisão.

 

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16/07/2023

Publicações em Julho 16

 


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mt XI…)

 

Ouvi aquela mulher que do meio da multidão que rodeava Jesus, gritou:

«Bemdito o ventre que Te trouxe e os peitos que Te amamentaram»!

Sim... foi um grito como que irreprimível, espontâneo de uma mulher do povo.

É, talvez, o primeiro elogio público da Santíssima Mãe de Jesus que consta no Evangelho.

De facto, esta Senhora, aparece poucas vezes nos relatos evangélicos, com, talvez, excepção de São Lucas que dedica páginas entranháveis à Santíssima Virgem só possíveis de escrever porque a "entrevistou" detidamente.

Na sua Humildade, a Mãe de Jesus, compreendeu que seria muito útil e conveniente para os seus filhos, os homens, saber detalhes,  diria íntimos, de quanto diz respeito ao seu Divino Filho.

Ficamos a saber e conhecer detalhadamente os factos da Anunciação do Arcanjo, a visita a Santa Isabel, com a revelação do extraordinário canto MAGNIFICAT, as dúvidas, ou reticências de São José, a Fuga para o Egipto, a perda e reencontro com Jesus no Templo, a feroz e impiedosa perseguição de Herodes.

Depois, com mais ou menos trinta anos de hiato, volta a aparecer, nas Bodas de Caná onde demonstra o seu cuidado e carinho por todos.

«Não têm vinho»!

E, depois... «Fazei quanto Ele vos disser».

De Caná até ao Gólgota não aparece mais e, mesmo aqui, terminado o drama, é mencionada como tendo recebido nos braços o cadáver do Seu Filho; está na Anunciação, no Nascimento na gruta de Belém, na aridez sanguinolenta do Gólgota; no princípio de tudo... no fim de tudo!

Mas... na verdade não é bem assim... vai estar presente no Cenáculo quando o Divino Espírito Santo Se derrama em Línguas de Fogo, está presente na sua humilde moradia de Nazareth, a porta sempre franca para os que a procuram, nomeadamente Os Doze, aconselhando, acalmando, transmitindo Fé, Confiança e Esperança.

Nos tempos dramáticos de ferocissímos ataques à Fé, sobretudo à guardiã da  Fé, a Santa Igreja, como acontecia em Portugal em 1917, ela vem falar com uns humildes pastorinhos e transmitir-lhes uma missão urgente e imperiosa: Rezar pelos pecadores, rezar diariamente o Santo Rosário.

Desde 1917 quantos milhões de pessoas não foram - e continuam a ir - a Fátima, pessoas "importantes", ilustres, Governantes, Sábios, Papas; e, também gente anónima, humilde.

Todos têm algo em comum: venerar, agradecer, pedir o que for e, todos voltam para suas casas com o coração cheio, a confiança restaurada, a fé mais vibrante.

 

Uma MÃE! Por desejo expresso do Seu Divino Filho... A MINHA MÃE!

 

Reflexão

 

Regras morais

 

Moral rules must be obeyed when itdoesn't suit us. Otherwise, why would we need rules? (Ken Follet, Edge of eternity)

Esta "sentença" parece-me muito feliz e adequada ao que me proponho reflectir.

O conceito de "regra moral" não tem várias interpretações consoante conveniências ou circunstâncias, é apenas um: os limites em que a moral se move e actua.

Pode definir-se moral desta forma:

Moral é o conjunto de regras adquiridas através da cultura, da educação, da tradição e do quotidiano, e que orientam o comportamento humano dentro de uma sociedade.

Etimologicamente, o termo moral tem origem no latim morales, cujo significado é “relativo aos costumes”.

As regras definidas pela moral regulam o modo de agir das pessoas, sendo uma palavra relacionada com a moralidade e com os bons costumes.

Está associada aos valores e convenções estabelecidos colectivamente por cada cultura ou por cada sociedade a partir da consciência individual, que distingue o bem do mal, ou a violência dos actos de paz e harmonia.

Os princípios morais como a honestidade, a bondade, o respeito, a virtude, e etc., determinam o sentido moral de cada indivíduo. São valores universais que regem a conduta humana e as relações saudáveis e harmoniosas.

Não pode alguém dizer, por exemplo, 'a minha moral é esta!
Tal não faz nenhum sentido, não quer dizer outra coisa que: 'eu próprio restabeleço o que é ou não a moral'.

Pode também definir-se moral como o comportamento correcto e impecável do homem nas diversas actividades que desenvolve na sua vida. A correção e impecabilidade não oferecem várias interpretações, estão ao abrigo de qualquer reparo, crítica ou correção por parte de outros.

Tem, além do mais, uma característica muito própria: a moral é a base do comportamento, por isso é comum dizer-se de alguém cujos actos se caracterizam pela sua maldade ou irregularidade, fora dos padrões considerados aceitáveis pela sociedade em geral, que tal pessoa é amoral, isto é, não tem moral.

Mas o que vêm a ser os actos moralmente aceites pela sociedade?

Lembremos do Antigo Testamento o que se passava na cidade de Sodoma.

A ausência de critérios de pureza, respeito pelo corpo - próprio e alheio - eram um hábito adquirido e, portanto, aqui não cabiam conceitos de prevaricação moral. Mas não obstante isso as regras existiam.

 

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