02/10/2022

Publicações em Outubro 2

 


Mês do Santo Rosário

A Santíssima Virgem no Santo Rosário

 

                                                       Dores

 

Agonia de Jesus no horto

 

 

O meu Senhor retirou-se para rezar. Procurou a solidão no silêncio do fim do dia. A Sua Humanidade sofria intensamente com a visão dos tormentos que se aproximavam. Poderia Jesus ter suportado a flagelação, as vergastadas, os espinhos cravando-se na Sua cabeça, os pregos rasgando a carne, o horror do suplício da Cruz? Estou certo que sim. Jesus era um homem perfeito e o sofrimento, por excessivo que fosse não deveria atemorizá-Lo de forma tão esmagadora. Outros, por amor a Jesus Cristo, sofreram também horrores, tormentos inauditos de incrível crueldade e, ainda nos dias de hoje, continuam a sofrer e a dar as suas vidas pela fé que abraçaram. Julgo que o atroz sofrimento de Jesus, no Horto das Oliveiras, nascia principalmente no Seu espírito, no Seu coração. Ele tinha dado tudo quanto tinha para dar, oferecido todos os meios, apontado todos os caminhos e, agora, iam fazer pouco d’Ele, escarnecê-Lo, violentá-Lo na Sua inteireza de homem bom e recto, iam negá-Lo como Filho de Deus, Deus verdadeiro feito homem. Tudo isto, e muito mais, e não só nessa noite e no dia seguinte, mas depois, em todas as noites e todos os dias até ao final dos tempos. Milhões de homens e mulheres que sempre O iriam negar, escarnecer, cuspir e crucificar outra vez. Que peso, Senhor, que peso incrível seria o conhecimento de tudo isto! Ah! Meu Jesus, se ainda se salvassem todos os homens! Se, apesar de tudo, essas almas conhecessem a Vida Eterna no seio de Deus Pai, como tinhas previsto e desejado desde o início dos tempos! Mas não, Jesus, o que mais Te dói agora, neste fim de dia no Horto das Oliveiras, é que tantos milhões de homens e mulheres se percam eternamente.  Dói-te tanto, Senhor, não pelo Teu sacrifício ter sido inútil para esses, mas porque o Teu coração bondoso, a Tua misericórdia infinita, se entristece mortalmente com esse fim trágico dos Teus filhos. Não foi isso que quisesTe. Nunca desejas-Te outra coisa senão a eterna felicidade de todos os homens, que todos, absolutamente todos, se salvassem e pudessem estar conTigo, com o Pai, com o Espírito Santo, com a Tua Santíssima Mãe, com a legião de Anjos e Santos, por toda a eternidade. Não tens, ali, a Tua Mãe extremosa, para Te amparar e dar consolo. Nesta hora tão triste, de certeza que o seu coração se contrai também na dor que não pode deixar de sentir em uníssono com o seu Filho. Talvez, na casa onde pernoita, vele angustiada, esperando o horror que adivinha. Decerto que Tu, Filho fiel, com todo o carinho e ternura lhe terás desvendado algo do que irá acontecer nas próximas horas. Soube, antes que lho contasses, da tristeza que já Te invadia o coração, bastava-lhe olhar o rosto adorado do seu divino Filho para se aperceber do vendaval de emoções que nEle se chocavam. Também ela, a Tua Santíssima Mãe, reza com fervor repetindo o “Fiat” que pronunciara trinta e três anos antes. Punha nas mãos de Deus, Teu e seu Pai, toda a vida, toda a morte, todos os sofrimentos do seu Filho. Tem confiança, tem esperança mas, sobretudo, sabe, que há-de voltar a ver-Te ressuscitado e glorioso. Esta certeza, do sofrimento de Tua Mãe, junta-se às dores que Te partem o coração e tornam tão grande, tão incomensurável, a Tua dor, tens tanta pena, que suas sangue (Cfr Lc 22, 44) e, numa fraqueza momentânea, pedes a Teu Pai que afaste esse cálice. (Cfr. Mc 14, 36) Por momentos, Senhor, a Tua humanidade tornou-se mais evidente. Mas logo, a Tua perfeição absoluta, reduziu a nada esse desejo legítimo, a esse desabafo: «não se faça o que Eu quero, senão o que Tu queres(Cfr. 14,36) Também eu digo: Faça-se a Tua vontade, Deus e Senhor de tudo e de todas as coisas e não a minha vontade de homem! A Tua dor, Senhor, é uma dor de amor que só pode ser mitigada com amor. Posso eu, Senhor, ter sempre presente a Tua agonia enorme e inimaginável, ou estou sempre tão ocupado, tão absorvido, tão disperso que nem sequer sou capaz de estar conTigo uma simples hora do meu dia, inteiramente dedicada a Ti, fazendo-Te companhia, compartilhando a Tua dor, carregando um pouco do Teu sofrimento? Minha Mãe Santíssima, ajuda-me a ter uma dor de amor tão completa que me faça despertar deste sono que me carrega o espírito e permanecer ao lado do teu divino Filho, vigilante e decidido a não ceder nem à dor nem ao cansaço. Jesus, ajuda-me a acompanhar a Tua Santíssima Mãe e compartilhar com Ela estes Mistérios Dolorosos, animando-a e confortando-a na sua dor e angústia. Sei que, Ela, a Tua e minha Santíssima Mãe, me ajudará – sempre – a seguir-Te em todos os caminhos que possa escolher porque, Ela, é o Caminho Seguro, para me conduzir a Ti e ao Pai. Cor Maria Dulcissimo: Iter para tuto! Coração Dulcíssimo de Maria prepara-me um caminho seguro. Seguro, confiante, sob o teu manto protector, não me enganarei na minha escolha. O meu caminho será seguir-te, querida Mãe porque, sei-o muito bem, não há outro melhor ou mais conveniente para encontrar Jesus. E, quando, conduzido pela tua terna mão de Mãe, O encontrar Ele não poderá deixar de abrir-me os braços e acolher-me no Seu Reino. Desde Fátima quantos milhões dos teus filhos já encontraram esse caminho. Refugiados sob o teu manto, mão na mão, deixaram-se conduzir com indízivel alegria e absoluta confiança. Tu, Senhora és o Refúgio dos pecadores, a Consoladora dos aflitos, a Mãe Amável, a Mãe admirável, a Mãe do Bom Conselho, a Porta do Céu, a Cura dos Enfermos.

 

(AMA, 1999)

 

Flagelação de Jesus

2

Amarrado a uma coluna, o meu Senhor está ali, estremecendo a cada golpe dos algozes que se revezam. Cada vergastada é um suplício. Os pedaços de osso de carneiro que pendem das extremidades das finas tiras de couro, enegrecidas de sangue antigo, causam dores indescritíveis, vergões e ferimentos profundos, arrancam a pele e pedaços de carne e rasgam os músculos. A experiência dos algozes atinge os locais mais sensíveis e, talvez, mais acicatados pelo silêncio deste Homem, a Quem o suplício não arranca um queixume, redobram de energia e os golpes caiem, rápidos, fortíssimos, procurando com maquiavélica destreza provocar o maior sofrimento possível. Mas é em vão. Apenas um som abafado sai da garganta ressequida de Jesus. É um estertor involuntário que a violência do castigo provoca. Eu, escondido num vão, não intervenho. Estou atónito e assustado com o que vejo. É uma cena de uma brutal e inaudita ferocidade. Não me julgo capaz de Te provocar tal suplício... Quem? Eu? Oh Senhor!  Eu não..., eu amo-Te com todas as minhas forças, nunca seria capaz de tal coisa. E, no entanto, as minhas frequentes faltas e pecados o que são, senão chicotadas na Tua carne santa?

Acabou o terrível suplício. Solto da coluna imunda à qual Te ataram cais por terra, desfalecido, meio morto. Eu, caio também de joelhos e peço-Te perdão. Perdão pela minha cobardia, pela minha pouca fé, a minha tibieza, pela minha falta de carácter. E tu, minha Mãe, que no exterior, com o coração angustiado, aguardas o fim do suplício que infligem ao teu Filho, tu, Senhora de Dores, acolhe-me junto de ti e sossega o meu espírito. Diz-me que jamais, jamais consentirás que eu me converta em carrasco, algoz, do teu Divino Filho. Afiança-me que a tua confiança de filha de Deus Pai, ajudará a minha pouca fé. Persuade-me que a tua certeza de Mãe de Deus Filho, aumentará a minha esperança. Garante-me que o teu amor de Esposa do Espírito Santo, suprirá a minha falta de caridade. Incute no meu espírito o desejo de estar com Jesus, nesta hora solene, em que o Rei do Reis, o Senhor dos Senhores, está amarrado como um malfeitor, recebendo um castigo duríssimo que não mereceu. A interpor-me entre os carrascos e o teu Filho, aparando os golpes. A limpar os vergões e as feridas da Sua carne. Pôr um bálsamo, lavar o sangue, limpar as feridas. Permite-me querer ficar com Ele, ofegante de emoção, amarrado também a essa coluna, partilhando o possível da Sua Flagelação. Que, como Ele, se preciso for, saiba sofrer em silêncio recolhido e consciente de que, se sofro é porque o Senhor entende dar-me uma oportunidade para reconsiderar e cair em mim, reconsiderar, emendar o que for errado, corrigir o que não estiver correcto. O sofrimento – qual for – é cautério de feridas e mazelas que os pecados e faltas provocam, de cicatrizes que o arrependimento incompleto ou com defeito deixa na alma e, seguramente, também, um como que edurecimento da nossa vontade, do nosso carácter, o que nos ajudará a combater a nossa vontade volúvel, o nosso ânimo enfraquecido pelas contínuas cedências aos caprichos de momento, a nossa determinação sempre em “descanço” e “análise” de conveniência e oportunidade. Ele, não quer, não deseja que eu – nenhum dos Seus filhos – sofra, e por isso mesmo, oferece o Seu próprio sofrimento por nós, mas, neste oferecimento, há também uma lição: a oferta pelos outros, pela remissão dos pecados dos homens – todos os homens – os que ainda vivem e, também pelos que já partiram e aguardam no Purgatório a suprema felicidade de contemplar a Face do Pai. Sim, o sofrimento pessoal, pequeno ou grande, pode – e deve – ser uma excelente ocasião de merecer pelas Almas do Purgatório. Um dia, saberei como a Justiça Divina, “aplicou” essas “ofertas” em benefício dessas almas santas e, então, constatarei como foi “útil” e bom essa nossa dedicação. Além do mais, é muito conveniente quanto possam fazer pelas Almas do Purgatório porque, uma vez no Céu, não deixarão de interceder por mim junto de Deus para que me ajude e me salve. Serei “credor” de bens inestimáveis; é, o que, em palavras humanas, se pode considerar: um bom investimento!

 

(AMA, Santo Rosário, 1999)

 

Coroação de espinhos

 

 

3

Todo eu me angustio, Senhor, com este quadro horrível. Não já tanto pelo sofrimento, mas ainda mais pela troça, pelo escárnio. Mal sabiam eles que de facto ajoelhavam em frente do Rei, não só dos Judeus, mas de todos os homens.

Mal sabiam eles que Jesus sabia muito bem quem Lhe batia, não só naquele momento, mas durante mais dois mil anos, pelo menos, todos quantos Lhe bateram e Lhe enterraram a horrível Coroa na cabeça. E eu, onde estava, Senhor? Escondido atrás de alguma coluna, estarrecido com tal cena, ou era dos que Te atormentavam e troçavam de Ti? Quantos espinhos da Tua Coroa foram directamente cravados por mim na Tua fronte sublime? E quantas vezes o fiz? Ah, Senhor! Muitas decerto, infelizmente. E Tu perdoas-me ainda! Queixo-me eu por um pequeno incómodo, uma dorzita, um mal estar de nada, um desconforto, que está frio, que está calor… e Tu, Senhor, ali, sentado num escabelo, naquela tristíssima e pungente figura de um justiçado silencioso, olhando para os Teus algozes, para mim, com os teus doces olhos serenos e cheios de mágoa. E o Teu Misericordioso Coração deixa escapar uma prece: «Pai perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem(Cfr Lc 23, 44) Mas eu sei, Senhor, ah!, eu sei o que faço. Sempre soube, só que fingia e finjo que não sei. Quero convencer-me que não sou um dos Teus algozes, que talvez não passe de um espectador passivo. A verdade é bem diferente e eu tenho que humildemente reconhecer que, também eu, por diversas vezes, Te cravei espinhos na cabeça, fiz pouco de Ti, e Te magoei profundamente. Disponho-me Senhor a que com todo o cuidado retire a coroa da Tua cabeça, procure os espinhos um a um, lave as feridas com as minhas lágrimas, Te vista uma roupa digna e… finalmente, ocupe o Teu lugar no escabelo onde estás sentado. Sei bem que não tenho merecimento para tal, nem sou digno sequer de tal pedido, mas, Senhor, dar-me-ias Tu coragem para fazer isto? Consentirias Tu, Senhor, que um pecador como eu, ocupasse o Teu lugar neste momento? Sucumbiria eu ao sofrimento? Rebelar-me-ia eu contra os vexames? Responderia, com rancor, ao escárnio? Não, com a Tua ajuda, Senhor, porque Tu és a minha força e a minha razão. Tudo em mim me impele para junto de Ti. Deixa, Senhor, que me aproxime apesar de tudo quanto fiz e faço, das minhas misérias e fraquezas. Deixa-me, Senhor, olhar para Ti tão intensamente que jamais esqueça esta Tua imagem dolorosa e de tal forma ela fique gravada em mim que eu não seja mais capaz de Te ofender com os meus pecados. Permite, Senhor, que seja eu a receber a troça, os insultos, que seja eu a sofrer as dores dos espinhos e das bofetadas, para aliviar um pouco que seja a Tua imensa dor e para poder ser um pouco mais merecedor deste enormíssimo sacrifício que levasTe a cabo por minha salvação. Penso em todos os muitos milhares de homens simples como eu e outros sapientes e notáveis na sociedade que sofreram horrorosos suplícios por causa da Fé. Eles são o testemunho vivo e permanente de que a Tua Igreja regada com o sangue dos Mártires vive e viverá para sempre. Muito provavelmente não desejas que eu seja mártir mas sim que entregue a minha vida de todos os dias ao Teu serviço. Servindo os outros – quem quer que sejam – sirvo-Te a Ti donde me parece claro o que tenho de fazer: Entregar-me de alma e coração ao apostolado da forma e como me é indicado pelo Director Espiritual e insinuado pelo Divino Espírito Santo. Sim… entregar-me sem me deter a considerar se sou capaz, se possuo aptidões para a tarefa. Ser o que sou sem mais, sem preocupações de protagonismo ou evidência mas e apenas arrastar outros pelo exemplo que dou. Sei muito bem que não valho nada e não posso nada mas tenho a certeza que Tu porás o que possa faltar e seja necessário. O apostolado não está reservado aos sábios e dotados de qualidades de relevo mas a todos os homens por mais vulgares e correntes que possam ser… como eu. Diz o povo que “Quem dá tudo o que tem a mais não é obrigado” e é esse ditado que quero tornar o meu objectivo. Falando, escrevendo mas, principalmente rezando por quem desejo trazer para o Teu rebanho é o que tenho de fazer com perseverança. Os êxitos que houver não são meus mas unicamente Teus para a Tua Glória. Os fracassos servirão para eu meditar o que devo corrigir, melhorar. Quando, finalmente no Céu, me apresentar à Tua  Presença verei que o que fiz Te agradou. Assim espero! Assim anseio!

 

(AMA, 1999)

 

 

Jesus toma a Cruz

4

Sobre os Teus ombros doridos, repousa agora a Cruz que, desde sempre, Te estava reservada. Enfraquecido como estás, uma noite inteira sem dormir, o sofrimento atroz do Getsémani, as vergastadas, os encontrões, deixaram-Te quase sem forças. O Teu Espirito está como que aturdido pelos insultos, as palavras soezes, o ódio e a raiva que vês nos homens que Te rodeiam e que toda a noite Te atormentaram. Para alguns judeus, príncipes dos sacerdotes e os outros do Sinédrio, és um inimigo e há que exacerbar ao máximo a multidão dos simples, analfabetos, pouco mais que brutos selvagens, para que peçam mais e mais sofrimentos, mais e mais troça e escárnio. Só descansarão quando Te virem morto, pregado na Cruz. Há o secreto medo que os Teus discípulos que se contam por milhares, acorram em Teu auxílio, se sublevem e subvertam facilmente toda uma turba de pobres homens e mulheres ávidos de um chefe, de um líder contra os odiados opressores romanos. Para estes últimos, não passas de um divertimento. Algo que sai da rotina. Ainda por cima, não têm qualquer responsabilidade; não lavou as mãos do assunto, o seu chefe, Pôncio Pilatos? E onde estou eu, Senhor? No grupo turbulento, inconsciente e sem vontade própria os que gritam: «Crucifica-O!» (Cfr. Jo 19. 15), daqueles que se aglomeram, ávidos de verem se vais aguentar o pesado madeiro ou secumbir ao seu peso esmagador? Ou estou no meio daqueles que se limitam a cumprir ordens, sem querer saber, como nem porquê, se são justas ou injustas, e assim Te flagelei e agora Te arrasto para receberes a Cruz? Acrescento, talvez, alguma coisa da minha lavra: uso o azorrague com mais força, fui eu quem se lembrou da coroa de espinhos, dei-Te algumas bofetadas por minha conta? Ou sou, ainda, dos que, de longe, disfarçadamente, olham tudo, apavorados que descubram qualquer ligação conTigo, olhando em volta, perscrutando se alguém se lembra de me Ter visto no meio dos quatro mil que alimentas-Te milagrosamente com uns poucos de peixes e pães? Esta angústia de não saber onde estou, faz-me encolher na minha própria insignificância cobarde e pusilânime. Quantas vezes me deixei ir com os outros, sem querer saber para onde ia, onde levava aquele caminho? Quantas vezes inventei eu próprio algumas modificações nesses caminhos ínvios tornando-os mais tortuosos? Quantas vezes não fugi e não me escondi, fiquei calado e atentei passar despercebido com medo de cair em “ridículo”, de “chocar” os outros, ou muito simplesmente de me afirmar como Teu filho e não consentir, na minha presença, ofensas a meu Pai? Descansa agora a Cruz no Teu ombro dorido, Senhor que Tu és homem e, embora perfeito, sentes em todo o Teu corpo esse peso enorme desse lenho duro que há-de receber o teu Corpo martirizado. E conheces, um a um, todos os pecados de todos os homens que constituem o peso dessa Cruz. Os meus também. E eu queixo-me da minha cruz. Que é pesada, que é incómoda, que, até por vezes, me tira o sono! Perdoa-me, Senhor, a minha insensibilidade perante a Tua Cruz. Não olhes para mim, Senhor, com o Teu olhar magoado e triste. Deixa-me respirar um pouco, tomar alento, ganhar coragem para então, postado a Teu lado, volveres para mim o Teu olhar misericordioso e, silenciosamente, dizeres-me: Estás perdoado; não tornes a pôr mais peso nesta tão pesada Cruz. E eu, Senhor, com o coração cheio de alegria pela Tua bondade, prometo solenemente fazer tudo, com a Tua ajuda, para não tornar mais pesada a Tua Santa Cruz.

 

(AMA, 1999)

 

Jesus morre na Cruz

5

Chegou ao fim o Teu calvário. O sofrimento, os insultos, o vexame de seres despido em público, o opróbrio de seres contado entre os salteadores, tudo se consumou. Inclinas a cabeça gotejante, e expiras. E o mundo cobre-se de trevas. E muitos ressuscitaram. E eu? Coberto pelas trevas ou ressuscitado? Inclinado em prostração pelo sacrifício tremendo, coberto de crepes, as lágrimas correndo, o corpo alquebrado pela angústia de ver o meu Senhor morto, ou, ao contrário, ressuscitado para a vida que acabas-Te de dar-me, para a luminosa realidade de Teu filho e irmão, para a felicidade de finalmente ter sido liberto da minha escravidão ao pecado? Como pude eu, Senhor, mergulhar nas trevas? Como posso eu, Senhor, passear-me indiferente ao Teu sacrifício? Como é possível que eu não me transfigure num homem novo, diferente? Porquê não começo a caminhar em frente, para Ti, em vez dos desvios que faço continuamente, das paragens para deter-me em coisas que não valem nada, nesta minha viagem para me juntar a Ti? Nessa Cruz onde expiras-Te, caberei eu também? Posso, Senhor, juntar-me a Ti de braços estendidos e participar conTigo na expiação do Calvário? Porque não queres Senhor, que eu seja, ao menos, esse ladrão que levaste conTigo para o Paraíso? Mais fácil, muito mais fácil teria sido, sem dúvida. Tu queres de mim, Senhor, toda a minha entrega e, eu, não Te dou senão bocadinhos de mim, da minha vida e, mesmo esses, de má vontade e sem determinação. Posso eu merecer este Teu sacrifício? Decerto que sim, mas só com a Tua ajuda, Senhor. Só com a Tua ajuda constante. Bastará um momento, uma fracção de segundo, que me falte o Teu apoio e eu sou de novo aquele que Te flagela, que Te coloca a coroa de espinhos, que Te trespassa o peito com a lança, que Te vê morrer sem compreender nada, sem fazer nada. Não podes, Senhor, deixar-me. Tenho de ser digno da Tua morte, tenho de merecer o Teu calvário, a Tua Cruz. Eu protesto que a minha cruz é pesada, difícil e, no entanto, não morro nela. Pelo contrário, constantemente sinto a Tua mão a ajudar-me a carregá-la, o seu peso descansar também no Teu ombro dorido. Pois é, Senhor, mas eu não passo de um pobre pecador, desnorteado por vezes, cheio de ambições, de vaidade e fraquezas. Tenho à minha frente a Tua cruz, essa enorme cruz onde morresTe por mim. Inclino-me contristado e com o coração compungido pela dor de Te ver partir, de Te ver morrer. Sei porem que ressuscitarás e que estarás sempre comigo, até que resolvas chamar-me para o pé de Ti. Nada mais quero, nada mais desejo. O que for preciso, Senhor, o que for necessário fazer para merecer esta Tua morte, que eu o faça com a Tua ajuda, com o alento que sabes dar, com a Tua misericórdia e bondade infinitas. E então, quando prostrado Te adorar, quando estiver no Teu seio, dir-Te-ei: Obrigado Senhor, pela Tua morte, sem ela não estaria aqui gozando a Vida Eterna. E Tu Minha querida Mãe do Céu deixa-me colocar-me a teu lado, sim… ali aos pés da Cruz onde o teu Divino Filho acaba de morrer. Vejo as lágrimas silenciosas correrem pela tua face e guardo para mim, no mais íntimo do meu ser, esta imagem da Virgem Lacrimosa, da Senhora das Dores. Não há dor igual à dor de uma Mãe, e a tua, Senhora é uma dor de carne e também de espírito. Pelos teus olhos húmidos repassam as imagens de tantos filhos teus que se perdem porque não aceitam, não querem saber, o sacrifício do teu Filho Jesus. Mesmo os que não queiram, “porta aberta” para a salvação eterna. O teu Jesus deu a Sua vida por todos os homens, absolutamente todos sem distinção de raça, capacidades pessoais ou côr da pele. E espera-nos a todos para gozar com Ele, por toda a Eternidade, a Visão Beatifíca do Pai.

 

(AMA, 1999)

 

 

 

Links sugeridos:

 

Opus Dei

Evangelho/Biblia

Santa Sé

Religión en Libertad

 



[i] Não compreendo porque se apelidam os vários episódios do Santo Rosário de  “Mistérios”. Um Mistério é algo que não se compreende, não se entende. Mas o que acontece no Santo Rosário são acontecimentos que sucederam realmente, que tiveram testemunhas, daí que não sejam “Mistérios” mas relatos de algo que realmente axonteceu e foi testemunhado.

01/10/2022

Publicações em Outubro 1

 


1

Mês do Santo Rosário

A Santíssima Virgem no Santo Rosário

 

Alegrias e Gozo

 

 

Anunciação do Anjo a Nossa Senhora

 

Salve, ó cheia de graça! Foi com estas palavras que, Gabriel, o Anjo do Senhor se dirigiu a ti, Maria de Nazaré. Tão longe estarias tu deste acontecimento. Decerto que, desde pequenina, a oração constante, a simplicidade nos pensamentos e nos actos, sem a mais leve mancha de malícia ou impudor, deverias sentir Deus muito próximo, ao alcance da tua voz. Certamente que sim, pois acreditavas firmemente que Ele te ouvia sempre e em cada momento. Mas a tua modéstia, a tua simplicidade, a tua total e humilde submissão a teu Senhor, ao teu Deus, não permitiriam nunca que essa possibilidade te ocorresse sequer. O Senhor Todo Poderoso, o Criador do Céu e da Terra e de tudo quanto existe, enviar a Nazaré, à tua casa humilde e simples, um Anjo Seu para te saudar! Que coisa mais extraordinária. Sabias que Deus não era um Ser longínquo e distante, inacessível aos homens. Constantemente tinha intervindo junto do povo eleito para comunicar a Sua Vontade, os Seus desígnios. Mas, os Seus interlocutores tinham sido sempre grandes personagens da História Humana: Abraão, Moisés, David, os Profetas. E tu, pobre e humilde menina, recebias do Senhor uma graça semelhante!? Logo no início o salve do Mensageiro te perturba. Salve, isto é, alegra-te. Mas, mais: Oh! Cheia de graça! Que saudação estranha e desusada que manifesta uma dignidade e honra que julgas não merecer. Alegra-te Filha... de Jerusalém... o Senhor está no meio de ti. Estes altíssimos louvores ferem o teu espírito humilde e, por isso a estas palavras, ela perturbou-se e ficou a pensar que saudação seria aquela. Mas, Gabriel é um Anjo do Senhor, e apercebe-se a tua confusão, talvez, o teu natural temor. E sossega-te: Não tenhas receio, Maria. Conhecias bem pelas Escrituras que lias e meditavas, o que significava esta saudação e portanto, quando Gabriel evoca estas prerrogativas, entendeste claramente que te era anunciado que irias ser a Mãe do Messias Salvador. Mas há ainda no teu espírito esclarecido, não obstante a tua juventude, uma dúvida séria: Como poderias tu, virgem humilde, teres sido escolhida para Mãe de Jesus Salvador pelo próprio Deus a quem tinhas dedicado a tua virgindade?! E, não obstante a tua humildade de jovem simples não deixas de interrogar: Como será isso, se eu não conheço homem?! Ah! ... mas o Anjo tranquiliza-te: Virá sobre ti o Espírito Santo, e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a Sua sombra. Esta resposta corresponde também ao que nas Escrituras se revelava sobre o aparecimento do Messias. «Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho a quem será dado o nome de Emanuel, que quer dizer Deus connosco.» Não tinhas mais dúvidas por isso nada mais perguntaste. Não quiseste saber como, quando, porquê. Nada, nada absolutamente te interessava averiguar porque: «Heis aqui a escrava do Senhor: seja-me feito segundo a tua palavra!» Assim, tal qual, tu, Senhora, a quem acabava de anunciado seres eleita por Deus a maior, a mais sublime de entre as mulheres da Terra, assim, com esta simplicidade que fere pela sua inteira singeleza, assim, tu defines um coração puro, uma alma de Deus, uma total entrega ao Senhor. Por isso Deus te escolheu. A Mãe do Salvador, do Deus feito homem, perfeito homem, que haveria de morrer na Cruz para salvar todos os homens, num sacrifício cruento, completo, total, não poderia senão expressar a aceitação pronta e total da Vontade Divina. Faça-se a Tua Vontade de uma forma total e completa. Não para meu bem, não para minha glória, não para benefício de quem quer que seja, não... só e unicamente porque é a Tua Vontade Senhor; o resto não me interessa... E, no entanto esta jovem era já a Mãe do Salvador, escolhida desde o princípio dos tempos. Poderei eu, algum dia, alguma vez, do fundo do coração, manifestar tal sentimento? Decerto que não. Quantas vezes que me proponho aceitar a Vontade de Deus, mas reservando no meu íntimo, que ela esteja de acordo com a minha vontade. Que se satisfaçam os meus desejos, que obtenha o que quero do Senhor, que actue assim, como uma espécie de Deus privado, ao meu serviço. Ah! Senhora minha, que maravilha a tua resposta, que espantosa a tua entrega. Ajuda-me, querida Mãe, a dizer a cada momento sim ao Senhor. Instila no meu coração de filho, porque és minha Mãe, esses sentimentos puros e humildes, esse desprendimento das coisas, essa disponibilidade permanente para ouvir e, ouvindo, dizer que sim aos desejos do Senhor. Desejo tanto ser honesto comigo mesmo para poder ser honesto para com os outros e para com Deus. Não me mentir, não me enganar, não me esconder atrás de falsas coisas, defeitos ou virtudes, para me esquivar constantemente ao que me é pedido. E a Tua Vontade, o Teu mandato, claríssimo é que eu seja santo. Não um dia, não qualquer dia, agora - «nunc coepi - pois pode ser que o amanhã me falte.» «Ave Cheia de Graça, o Senhor está contigo.» Assim te falou o Anjo do Senhor. Ave minha Mãe Santíssima. Ave, minha querida Mãe que estás no Céu, digo-te eu, com a esperança, que é certeza, que me ouves e atenderás as minhas súplicas. Como tu, também eu quero dizer “fiat”, faça-se, «cumpra-se a justíssima e amabilíssima Vontade de Deus sobre todas as coisas.» «Monstra te esse mater, mostra que és mãe, ajuda-me e guia-me todos os dias da minha vida para que eu seja um bom filho, sob o teumanto protector eu me abrigo certo que aí estarei a salvo de todos os males e das torpezas que sou capaz.

 

Jesus Nasce em Belém

 

Estava próxima a hora de nasceres, Senhor, e como não havia lugar na hospedaria, Tua Mãe santíssima, decerto preocupada, mas serenamente confiante, levou-te ainda no seu seio para uma gruta que servia de estábulo. E aí nasceste Senhor. O meu Deus, o meu Senhor, o meu Salvador! «Como não havia lugar na hospedaria...»

Porque não haveria lugar? Por a cidade estar cheia de forasteiros que ali iam recensear-se? Por não aparentarem, aquela jovem mulher e o seu marido, posses ou posição social? Sim, com um simples burrico por transporte, uma pequena trouxa de magros pertences, não o seriam por certo. Talvez fosse por estas duas principais razões, talvez. É um facto que a cidade estaria cheia de gente. Mas então, Maria e José foram tão imprudentes que não esperaram uns dias até que Tu nascesses para então fazerem a viagem!? Não procuraram assegurar estadia em casa de algum parente ou conhecido! Não, não terão feito nada disto. Provavelmente porque não podiam, as comunicações eram difíceis e, depois, porque se tratava de duas criaturas de extrema simplicidade. Não era seu hábito programar a vida, medir os passos, organizar em detalhe as coisas futuras. Com uma confiança ilimitada na providência de Deus, sabiam perfeitamente que haverias de nascer quando e onde quisesses, Senhor, e que haverias de prover todas as necessidades que ocorressem. Mas não havia, de facto, lugar na hospedaria? Não seria possível descobrir um pequeno recanto, uma água-furtada, um esconso onde a jovem mãe pudesse, com recato e algum conforto, dar à luz o seu Filho!? Quantas vezes, Senhor, eu não tive lugar para Ti? Quantas vezes! Sempre cheio de coisas, de preocupações, ambições, desejos, devaneios, ouvi eu, entendi eu que eras Tu ali, à porta do meu coração, pedindo um bocadinho, um pequeno espaço, para poderes nascer! Quantas vezes quiseste nascer dentro de mim e, eu, pobre de mim, não deixei, não quis! Ah! Senhor, eu sei que não sou digno, mas uma simples palavra Tua e este pobre coração cheio de mazelas e pecados, ficará radioso de brancura e Tu poderás, ainda que por momentos, nascer dentro d'Ele. Bate, Senhor, com força à minha porta, eu abrir-te-ei e deixar-te-ei entrar e aqui farás o teu Presépio. Não desejo outra coisa, Senhor, senão sentir-Te dentro de mim, irradiando a Tua Paz e o Teu calor de amor. Oh! Minha mãe, Maria Santíssima, descansa aqui um pouco, deixa-me por momentos o teu Filho que eu O embalarei com o meu amor, a minha dedicação inteira, a minha devoção profunda. Podes tu, José meu Pai e Senhor, confiar-me o teu excelente Filho adoptivo, eu tomarei boa conta d'Ele, embora fique estático e estarrecido por tamanha ventura e tão grande honra. Sei muito bem que não sou digno, mas a minha alma anseia que assim seja.

 

Apresentação de Jesus no Templo

 

Com a humildade simples de sempre, foste, Senhora, cumprir a Lei: Passados os dias estabelecidos depois do nascimento, a jovem Mãe tem de purificar-se no Templo e levar O Recém Nascido para ser circuncidado. Pelo filho devem fazer uma oferta para sustento do Templo, como nem tu nem José têm posses oferecerão um casal de pombas ou rolas brancas. E tu, Senhora, foste purificar-te ao Templo! Tu, sem mancha de pecado, sem qualquer defeito que pudesse macular a brancura do teu coração e a limpidez da tua alma, não hesitaste um segundo em cumprir o que estava escrito que os filhos da Casa de Israel fizessem! Quantas vezes eu não pensei que estava dispensado de rezar mais, de me humilhar, de me declarar disponível para o Senhor; quantas vezes não pensei comigo mesmo que sou melhor que estes, porque eu faço, eu penso, eu desejo muito mais e melhor! Tudo porque o meu coração tem uma carapaça que turva a sua limpidez. A minha alma cheia de equimoses de pecados antigos e recentes; feridas e lanhos de defeitos que não consigo rebater nem ultrapassar. Não consigo porque não dedico a essa luta um esforço humilde, continuado e perseverante que me leve a estar sempre pronto para a luta contra a minha falta de carácter. Toda a tua vida, Senhora minha, é uma lição de humildade simples e serena. Não fazes nada de extraordinário, não dás nas vistas, não sobressais no meio das outras mulheres e, no entanto, cumpres com alegria e simplicidade todas as prescrições da Lei como se tuas obrigações fossem. E nisto está o teu segredo, Maria: Cumprir o que Deus manda, sem discutir, sem argumentar, a tempo e horas, quando e como deve ser feito. Esta singela disponibilidade cumpridora dos deveres é sem dúvida, a característica mais extraordinária da Mãe do meu Senhor e minha Mãe. Não a vemos nunca em êxtase em frente das multidões, sentada numa cadeira especial, ou nos primeiros lugares das assembleias. Não. Uma mulher simples, em que as coisas, os actos e as palavras não são estudados ou arquitectados de acordo e com conveniências ou objectivos. Apenas uma serena certeza: Obedecer com prontidão e total disponibilidade. E, no entanto, esta mulher é a Mãe de Deus! Que lugar mais alto, que maior honra, que pergaminho, que nome ilustre pode comparar-se: A Mãe de Deus! Ah Senhora minha, conseguiste com a tua serena calma, impor ao mundo um nome doce e vigoroso ao mesmo tempo que se nos coloca na boca com amoroso deleite, ou com esperançada angústia? Nos nossos lábios um último grito, um último apelo, dos aflitos, dos que sofrem, dos que, em último recurso, para ti apelam. Dos que, acabrunhados pela dor buscam lenitivo. Dos que, esmagados pela alegria te agradecem. Dos que, como eu, doidos de amor apenas pronunciam o teu nome lentamente, deixando-o ecoar por todo o seu ser até ao mais profundo do seu coração. Obedecer. Obedecer prontamente, sem hesitações ou desvios. Não dai a pouco, ou mais logo quando houver mais tempo, mais sossego, melhor luz… todas as mil desculpas que invento para adiar o que tem de ser feito já. Obedecer! É isto, Senhora, que procuro. É isto, Senhora, que quero: Obedecer. Para isso, bem o sei, preciso expurgar de mim todos os invólucros que me cingem, as preocupações com coisas pequenas, as cobardias constantes, as faltas de atenção, as interrupções, os devaneios. Para isto é preciso estar pronto. Só tu, Senhora minha, podes ajudar-me a conseguir este estado de alma. Só tu podes ajudar-me a eliminar tudo aquilo que tenho a mais e que tanto é, que não me deixa ver o essencial, o que realmente vale a pena. A ti recorro, Mãe Santíssima, para que me conduzas pela mão ao Templo da Purificação, onde eu, com os olhos finalmente libertos de escamas e o coração nu, de fora do peito, veja com toda a clareza a Vontade de Deus meu Senhor. Tenho a certeza que serei também purificado e o fogo interior que se me acende no peito, incendiará todo o meu ser, purificando-me assim de todas as minhas faltas.

 

Jesus perdido e encontrado no Templo

 

A primeira prova! A primeira dor! Como o teu coração amantíssimo de Mãe estaria angustiado e compungido com a ausência do teu Filho! E a demora em encontrá-lo? Ao teu espírito deveriam acorrer as palavras de Simeão e, mesmo sabendo que Ele tinha uma missão a cumprir, não deixavas de sentir aquele aperto no coração que uma mãe sente quando um filho pequeno desaparece sem explicação e não consegue encontrá-lo. Onde poderia estar? Eu, que ando por esta vida, tantas vezes, à procura de Jesus que, por vezes, parece que Se afasta de mim para bem longe, também me sinto triste angustiado. Porquê? Porque Te afastasTe Senhor de mim? E mergulho dentro de mim mesmo, única forma séria de reflectir, e chego sempre à triste conclusão que, não foste Tu quem Se afastou mas, sim, eu que me ausentei da Tua presença. Tenho tantas coisas em que pensar; enormes preocupações que me consomem por dentro; inúmeros desejos por satisfazer; caminhos que quero tanto percorrer embora saiba que não interessam e não conduzem a nada que valha a pena. E, depois, são estas coisas todas que possuo – que julgo possuir – e as muitas outras que anseio vir a ter, que me mantêm agarrado ao meu lugar, estático e imóvel enquanto, Tu, caminhas sempre, esperando que Te siga. Vou ficando para trás, preso a tudo isto que não vale nada e para nada interessa e vejo-Te esfumar no horizonte e, em vez de correr pressuroso atrás de Ti, fico-me inerte e como que morto. Parece-me que Te oiço com as palavras de Tua Mãe: «Filho, porque procedeste assim connosco?» Porque Te deténs no caminho? Anda que, eu, estou á Tua espera! E fico-me sem reposta, pois que Te hei-de eu dizer a não ser confessar a minha fraqueza, a mostrar-Te humildemente o pouco que sou, a pedir-Te que esperes por mim, que não Te afastes mais, que quero ir conTigo. Sou tão feliz porque me ouves e deténs o passo e ficas, num gesto acolhedor, de amigo íntimo, à espera que eu, finalmente, volte para o pé de Ti. É então que me dou conta da enorme desventura que é a Tua ausência, o não Te ter presente bem ao pé de mim e, como compreendo a Tua Mãe na sua procura ansiosa pelas ruas de Jerusalém durante esses três dias de alvoroço. Digo-lhe, então, com o coração nas mãos: Minha Mãe, não deixes que me afaste nunca do teu Filho, do nosso Jesus. Ensina-me a procurá-Lo onde Ele deverá estar à minha espera, em vez de andar perdido tentando encontrá-Lo onde Ele não pode estar. Leva-me pela tua mão – também sou teu filho, um filho pequeno – ao encontro Dele para que, juntos, possamos sossegar na Sua companhia.

 

2

Reflexão

 

Ser feliz

O que me falta para ser feliz?

Examino, escalpelizo e chego à conclusão: Nada! Não me falta nada para ser feliz!

Se a Felidade consiste em ter uma meridiana certeza que faço o que devo fazer, sempre e quando devo fazer, então a "coisa" complica-se porque então cedo a, antes, fazer o que no momento me apetece.

Senhor... ajuda-me a fazer o que devo fazer, sempre!

 

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30/09/2022

Publicações em Setembro 30



Cartas de São Paulo  

                               

1.ª Coríntios 13

 

Cântico do amor

 

13 1* Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine. 2Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu tenha tão grande fé que transporte montanhas, se não tiver amor, nada sou. 3Ainda que eu distribua todos os meus bens e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada me aproveita. 4*O amor é paciente, o amor é prestável, não é invejoso, não é arrogante nem orgulhoso, 5nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita nem guarda ressentimento. 6Não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade. 7Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 8*O amor jamais passará. As profecias terão o seu fim, o dom das línguas terminará e a ciência vai ser inútil. 9Pois o nosso conhecimento é imperfeito e também imperfeita é a nossa profecia. 10Mas, quando vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá. 11Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Mas, quando me tornei homem, deixei o que era próprio de criança. 12*Agora, vemos como num espelho, de maneira confusa; depois, veremos face a face. Agora, conheço de modo imperfeito; depois, conhecerei como sou conhecido. 13*Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor; mas a maior de todas é o amor.      

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29/09/2022

Publicações em Setembro 29


 

Cartas de São Paulo  

1.ª Coríntios 12

 

V. OS CARISMAS (12,1-14,40)

 

12 Os carismas e o seu uso - 1*A respeito dos dons do Espírito, irmãos, não quero que fiqueis na ignorância. 2Sabeis que, quando éreis pagãos, vos deixáveis arrastar, irresistivelmente, para os ídolos mudos. 3*Por isso, quero que saibais que ninguém, falando sob a acção do Espírito Santo, pode dizer: «Jesus seja anátema», e ninguém pode dizer: «Jesus é Senhor», senão pelo Espírito Santo. 4*Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo; 5há diversidade de serviços, mas o Senhor é o mesmo; 6há diversos modos de agir, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. 7A cada um é dada a manifestação do Espírito, para proveito comum. 8*A um é dada, pela acção do Espírito, uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência, segundo o mesmo Espírito; 9a outro, a fé, no mesmo Espírito; a outro, o dom das curas, no único Espírito; 10a outro, o poder de fazer milagres; a outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, a variedade de línguas; a outro, por fim, a interpretação das línguas. 11Tudo isto, porém, o realiza o único e o mesmo Espírito, distribuindo a cada um, conforme lhe apraz. A imagem do corpo - 12*Pois, como o corpo é um só e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, apesar de serem muitos, constituem um só corpo, assim também Cristo. 13*De facto, num só Espírito, fomos todos baptizados para formar um só corpo, judeus e gregos, escravos ou livres, e todos bebemos de um só Espírito. 14*O corpo não é composto de um só membro, mas de muitos. 15Se o pé dissesse: «Uma vez que não sou mão, não faço parte do corpo», nem por isso deixaria de pertencer ao corpo. 16E se o ouvido dissesse: «Uma vez que não sou olho, não faço parte do corpo», nem por isso deixaria de pertencer ao corpo. 17Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo ele fosse ouvido, onde estaria o olfacto? 18Deus, porém, dispôs os membros no corpo, cada um conforme lhe pareceu melhor. 19Se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? 20Há, pois, muitos membros, mas um só corpo. 21Não pode o olho dizer à mão: «Não tenho necessidade de ti», nem tão pouco a cabeça dizer aos pés: «Não tenho necessidade de vós.» 22Pelo contrário, quanto mais fracos parecem ser os membros do corpo, tanto mais são necessários, 23e aqueles que parecem ser os menos honrosos do corpo, a esses rodeamos de maior honra, e aqueles que são menos decentes, nós os tratamos com mais decoro; 24os que são decentes, não têm necessidade disso. Mas Deus dispôs o corpo, de modo a dar maior honra ao que dela carecia, 25para não haver divisão no corpo e os membros terem a mesma solicitude uns para com os outros. 26Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria. 27*Vós sois o corpo de Cristo e cada um, pela sua parte, é um membro. 28*E aqueles que Deus estabeleceu na Igreja são, em primeiro lugar, apóstolos; em segundo, profetas; em terceiro, mestres; em seguida, há o dom dos milagres, depois o das curas, o das obras de assistência, o de governo e o das diversas línguas. 29Porventura são todos apóstolos? São todos profetas? São todos mestres? Fazem todos milagres? 30Possuem todos o dom das curas? Todos falam línguas? Todos as interpretam? 31*Aspirai, porém, aos melhores dons. Aliás, vou mostrar-vos um caminho que ultrapassa todos os outros.

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28/09/2022

Publicações em Setembro 28

 


Cartas de São Paulo  

Coríntios 1

                               

11 1*Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo.

 

IV. A ASSEMBLEIA LITÚRGICA

 

2*Felicito-vos porque em tudo vos lembrais de mim e guardais as tradições, conforme eu vo-las transmiti. 3*Mas quero que saibais que a cabeça de todo o homem é Cristo, a cabeça da mulher é o homem, e a cabeça de Cristo é Deus. O véu das mulheres - 4*Todo o homem que reza ou profetiza, de cabeça coberta, desonra a sua cabeça. 5Mas toda a mulher que reza ou profetiza, de cabeça descoberta, desonra a sua cabeça; é como se estivesse com a cabeça rapada. 6Se a mulher não usa véu, mande cortar os cabelos! Mas se é vergonhoso para uma mulher cortar os cabelos ou rapar a cabeça, então cubra-se com um véu. 7*O homem não deve cobrir a cabeça, porque é imagem e glória de Deus; mas a mulher é glória do homem. 8Pois não foi o homem que foi tirado da mulher, mas a mulher do homem. 9E o homem não foi criado para a mulher, mas a mulher para o homem. 10*Por isso, a mulher deve trazer sobre a cabeça o sinal da autoridade, por causa dos anjos. 11*Todavia, nem a mulher é separável do homem, nem o homem da mulher, diante do Senhor. 12Pois, se a mulher foi tirada do homem, o homem nasce da mulher, e tudo provém de Deus. 13Julgai por vós mesmos: será decoroso que a mulher reze a Deus de cabeça descoberta? 14E não é a própria natureza que vos ensina que é uma desonra para o homem trazer cabelos compridos, 15ao passo que, para a mulher, deixá-los crescer é uma glória, porque a cabeleira lhe foi dada como um véu? 16Mas, se alguém quiser contestar, nós não temos esse costume, nem tão-pouco as igrejas de Deus. A Ceia do Senhor - 17*Feitas estas advertências, não posso louvar-vos: reunis-vos, não para vosso proveito, mas para vosso dano. 18Em primeiro lugar, ouço dizer que, quando vos reunis em assembleia, há divisões entre vós, e em parte eu acredito. 19É mesmo necessário que haja divisões entre vós, para que se tornem conhecidos aqueles que de entre vós resistem a esta provação. 20Quando, pois, vos reunis, não é a ceia do Senhor que comeis, 21pois cada um se apressa a tomar a sua própria ceia; e enquanto um passa fome, outro fica embriagado. 22Porventura não tendes casas para comer e beber? Ou desprezais a Igreja de Deus e quereis envergonhar aqueles que nada têm? Que vos direi? Hei-de louvar-vos? Nisto, não vos louvo. 23*Com efeito, eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: o Senhor Jesus na noite em que era entregue, tomou pão 24e, tendo dado graças, partiu-o e disse: «Isto é o meu corpo, que é para vós; fazei isto em memória de mim». 25Do mesmo modo, depois da ceia, tomou o cálice e disse: «Este cálice é a nova Aliança no meu sangue; fazei isto sempre que o beberdes, em memória de mim.» 26*Porque, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha. 27*Assim, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. 28Portanto, examine-se cada um a si próprio e só então coma deste pão e beba deste vinho; 29pois aquele que come e bebe, sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação. 30Por isso, há entre vós muitos débeis e enfermos e muitos morrem. 31Se nos examinássemos a nós mesmos, não seríamos julgados; 32mas, quando somos julgados pelo Senhor, Ele corrige-nos, para não sermos condenados com o mundo. 33Por isso, meus irmãos, quando vos reunirdes para comer, esperai uns pelos outros. 34*Se algum tem fome, coma em casa, a fim de não vos reunirdes para vossa condenação. Quanto a outros assuntos, hei-de resolvê-los quando chegar.

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