06/11/2021

Publicações em Novembro 6



Sou um judeu natural de Jerusalém e no exercício da minha actividade desloco-me a várias povoações de Israel, nomeadamente Jericó.

O que faço? Bem… sou um cobrador de impostos, o que chamam depreciativamente: um Publicano.

Não tenho muitos amigos… na verdade… não tenho sequer alguém a quem possa chamar: AMIGO! A princípio incomodava-me muito a forma suspeitosa e, até, o desprezo com que me tratam e, tenho de reconhecer, que um cobrador de impostos – sobretudo quando os impostos são cobrados em nome do invasor da nossa Pátria – não pode esperar outra coisa dos seus conterrâneos. Mas… é a minha vida… que hei-de eu fazer!

Acordei hoje manhã, já um pouco tarde, numa estalagem. Levei algum tempo a lembrar-me de quanto acontecera na véspera. Como que em cenas pouco nítidas vi-me no caminho de Jericó para Jerusalém com os alforges da minha montada, carregados com o produto da cobrança. Sou assaltado por uns meliantes – três, parece-me – e tentei defender-me como pude, só que eles não me deram tréguas e, talvez por se aperceberem quem eu era, atacaram-me com tal violência que fiquei prostrado no caminho.

Não sei quanto tempo ali fiquei inconsciente e cheio de dores dos golpes sofridos. Lembro-me vagamente de alguém que se aproximou de mim e me prestou assistência, tratou como pode as minhas numerosas feridas deitando-lhes azeite e vinho.

Nisto, o estalajadeiro aparece no meu quarto e pergunta-me como me sinto. Fico a olhar para ele. Como se percebesse da minha confusão conta-me o que aconteceu, como tinha chegado na noite anterior trazido por um Samaritano – o mesmo que me encontrara prostrado no caminho – que tratara de mim e me instalara na cama. Tinha partido há pouco mas dissera que voltaria passados dois dias.

Na minha surpresa, perguntei: ‘Mas tens a certeza que era um Samaritano?’

Respondeu: ‘Compreendo a tua surpresa pois, na verdade, também eu fiquei atónito’.

Disse-lhe: ‘Eu sou um Publicano e fui roubado e espoliado de quanto trazia, não sei como vou pagar-te a minha estadia.’

‘Não te preocupes com isso – responde-me – o teu “salvador” deixou-me dinheiro para cuidar de ti e até me disse que se o que me deixou não fosse suficiente no seu regresso me pagaria o que faltasse.’

Quando o estalajadeiro saiu do meu quarto não pude deixar de pensar no estranho e insólito e toda a situação. Como era possível? Um Samaritano e um Judeu, ainda por cima, Publicano?

Na minha vida tenho cometido alguns – bastantes – erros. Sobretudo abusos nas cobranças aproveitando-me das circunstâncias para guardar para mim uma boa parte. Isto nunca me incomodou… afinal é o que fazem todos os Publicanos! Bem sei que há pouco tempo atrás, um colega, nos surpreendera a todos quando resolvera abandonar a profissão que exercia precisamente em Jericó e devolver aos lesados o quádruplo do que se apropriara e, como se não bastasse, oferecera aos pobres metade do que possuía. Aliás circulava uma história sobre um encontro com um tal Jesus da Galileia a quem oferecera um banquete depois do que passou a fazer parte do grupo dos que O seguiam por todo o lado.  Mas, confesso, não dei muita importância ao assunto. Agora, porém, parece que um incómodo estranho está a revirar-me as entranhas e começo a pensar que, logo que possível, tenho de encontrar-me com ele para que me conte quanto aconteceu.

Conheço-o bem e, se ele, tomou tais decisões é porque algo muito especial aconteceu e, conhecendo-o como conheço, só posso concluir que terá escolhido uma vida muitíssimo melhor que a que tinha antes. Estando assim decidido, parece que as dores no meu corpo abrandaram e voltei a adormecer.

 

…

 

Reflectindo

Outra vez volto a este tema, “ Os meus talentos”, não que tenha grandes dúvidas mas porque é "objecto" de tentação

Tenho um talento que é a capacidade de escrever.

A tentação surge quase sempre: "Escreves para quê? Não é uma manifestação de  vaidade pessoal? Não escrevas mais sobretudo porque repetes coisas sobre as quais já escreveste"

Percebo... ao tentador incomoda-o que escreva!

Portanto concluo que escrever é o que devo fazer pondo sempre nas Suas mãos a inspiração do que convém que escreva e como.

Se sou inteligente, tenho uns predicados, o razoável é demonstrá-lo, se não para que servem.

Tenho forçosamente que aplicar esses talentos e, por isso, peço ao Divino Espírito Santo que me inspire a melhor forma de o fazer.

Assim... não estarei a "sublimar-me" mas a cumprir a Vontade de Deus qye, como dizia São Josemaria, se serve da "perna de uma mesa" para escrever o que quer.

Fico tranquilo.

 

Uma das "expertezas" do tentador é induzir-me na consideração que ao aplicar um talento que tenho estou a pecar por vaidade.

Considero que qualquer talento que possa ter não me pertence mas  a Deus Nosso Senhor que mo deu.

Portanto concluo que ao aplicar um talento estou a servir a Deus.

É o que me interessa e convém porque será isso mesmo que Ele deseja que eu faça.

 

 

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05/11/2021

Publicações em Novembro 5

 


 

Toda a minha vida tem sido a de um autêntico marginal, dedicando-me a roubar quanto me aparece a jeito.

A princípio, teria talvez escassos dezoito anos, juntava-me a outros rapazes da minha idade, marginais como eu, e assim levava-mos uma vida de sobressaltos sempre em fuga das autoridades e, muitas vezes, alguns dos que assaltávamos reagiam e as coisas corriam mal, para o nosso lado, já se vê.

Um dia as coisas mudaram bastante porque veio ter connosco um sujeito bastante mais velho que nós e que nos reuniu num bando passando a agir sob as suas ordens e instruções. O homem era de facto um autêntico facínora que não hesitava em empregar violência para atingir os seus fins. Chamava-se Barrabás!

Dizia ele que, como Zelote que era, o seu principal alvo era provocar o ocupante romano de modo a mantê-lo ocupado em acções de polícia desviando-o de outras acções mais aparatosas com que tentavam manter a férrea disciplina que impunham ao povo.

Dividiu-nos em grupos de três e quatro e a cada grupo dava instruções sobre o que fazer e onde. O meu grupo – eu e mais três – tinha sido “destacado” para a via que descia de Jericó para Jerusalém que, segundo ele, tinha numerosos viandantes a maioria dos quais eram gente que comerciava, logo, trazendo consigo ou bens ou o dinheiro produto da sua venda. E, realmente, a nossa actividade produzia bons resultados e Barrabás estava muito satisfeito connosco pois arrecadava a maior parte dos “proventos” da nossa actividade.

 

Hoje, porém, as coisas não correram muito bem, ou antes, correram muito mal. Do nosso esconderijo avistámos um homem sozinho que descia pelo caminho. O jumento que conduzia estava ajoujado de mercadoria. Todo o seu aspecto e a forma como trajava indicavam que seria um homem de posses. Não se avistando mais ninguém por perto resolvemos assaltá-lo e, foi aqui, que tudo se complicou. O homem era bastante robusto e ofereceu uma resistência feroz e determinada a não se deixar roubar.

Um dos meus companheiros recebeu vários golpes que o deixaram praticamente inanimado e outro recebeu um profundo corte provocado pela adaga que o homem esgrimia com destreza. Não estive com contemplações e com um bastão de ferro agredi o sujeito prostrando-o no chão poeirento. Depois… movido pela raiva dei-lhe pontapés, murros, eu sei lá… arranquei-lhe os vestidos deixando-o em farrapos e pondo o meu companheiro em cima do jumento fugimos para o nosso esconderijo para tentar recuperar dos ferimentos recebidos e deitar contas ao espólio arrecadado.

Os outros dois, amparando-se mutuamente, puseram-se a caminho de Jerusalém para procurar tratamento para as suas feridas, eu fiquei ali escondido remoendo a minha raiva pelo que acontecera. Deixara-me dominar pela ira ao atacar de forma tão desumana o desgraçado que nos caíra nas mãos.

Ora um chefe, um verdadeiro chefe, não pode deixar que os seus sentimentos extravasem colocando-se fora de controlo. É fundamental manter a calma em qualquer situação para se impor aos que têm de ver nele capacidade e aptidão para chefiar e comandar.

Ouvi um ruido de cavalgadura e avistei um homem que se aproximava. Já era o terceiro desde que decorrera o assalto. Antes tinham aparecido um sacerdote e um levita que mal olharam para o desgraçado que jazia na vera do caminho, antes estugaram o passo seguindo viajem.  Porém, este, deteve-se e debruçou-se sobre a vítima, voltando-o de costas, retirou o manto e pôs-lho debaixo da cabeça. Depois dirigiu-se à sua montada e dos alforges retirou um pequeno odre com vinho e uma garrafa com azeite. Com grande cuidado e destreza foi destapando as numerosas feridas e contusões deitando-lhes azeite e vinho  e cobrindo-as com pequenos pedaços de pano que rasgava de um lençol.

O pobre ferido começou a falar e embora eu não pudesse ouvir o que diziam percebi que mostrava gratidão e reconhecimento.

Depois, e a muito custo, conseguiu coloca-lo sobre a sua cavalgadura e afastaram-se por outro caminho.

Tenho de confessar que estava atónito com o que acabara de presenciar. É que, esquecia-me de dizer, o socorrista era um samaritano que, como toda agente sabe, não suportam os judeus. Fiquei longo tempo ali, sentado pensando em tudo aquilo que tanto me impressionara, sobretudo na solicitude e compaixão demonstradas pelo samaritano para com a vítima e não pude deixar de me avaliar a mim mesmo se, acaso, procederia de igual forma. O meu coração empedernido por anos de violências e desacatos, abusos e esbulhos parece que me estalava no peito e, num impulso irresistível dei um salto para fora do esconderijo e abalei numa corrida desenfreada em direcção Jerusalém.

 

Mas tive de parar a minha correria: um aglomerado de gente atravancava o caminho. Escutavam um homem que falava com uma voz tão clara e segura que me percebi logo ser alguém excepcional. Parecia estar a acabar um longo discurso e ouvi estas palavras finais: «Quero misericórdia e não sacrifício. Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores».

Fiquei por ali pensando no que acabara de ouvir e, dentro de mim algo se transformou como se, sem eu compreender bem o que me acontecia, estivesse a ver toda a minha vida num relance, uma vida feita de assaltos, roubos, violências de toda a ordem e percebi, sim, entendi, que tinha de mudar radicalmente.

Retomei a corrida e cheguei ofegante, mal podendo respirar, à escadaria do Templo e, pela primeira vez na minha vida, entrei. Não sabia o que fazer ou o que dizer, mas, a verdade, é que caí de joelhos e pus a cabeça no chão. Então, como se fosse outro que não eu, ouvi-me dizer: ‘Senhor, tem misericórdia de mim que sou um desgraçado, um malfeitor, um miserável!’

Quando saí parecia-me que mal punha os pés no chão de tal forma me sentia outro, mais leve, muito mais leve e voltei pelo mesmo caminho, decidido a encontrar a minha vítima para lhe restituir o que lhe roubara.

….

 

Reflectindo

 

A inveja pode ser saudável?

Bom... a inveja é um defeito detestável e muito frequente. Reduz a capacidade de apreciar nos outros o que têm de bom, seja qualidades ou outra coisa, para se dedicar ao desejo estrénue de possuir igual.

À pergunta de início respondo que sim, a inveja pode ser boa quando se deseja ter, possuir ou imitar as qualidades ou virtudes que outros têm. Claro que tal implica uma capacidade de reconhecer o que nos falta e seguir o exemplo daqueles em quem tal existe. Daqui que, inveja e humildade sejam tão opostas e difíceis de compaginar.

A humildade é uma virtude complexa porque não se pode definir com exactidão já que tendo inúmeros "graus" ou "patamares" difere de pessoa para pessoa sem obedecer a um padrão.

Um exemplo será a cordialidade. Uma pessoa cordial, isto é, agradável no trato, na convivência, é naturalmente humilde já que não tenta superiorizar-se ou impor os seus pontos de vista a propósito do que for, mas demonstra uma abertura sincera e espontânea aos pontos de vista dos outros. Tal não significa que "ab initio" concorde ou anua mas, antes que não se esquiva a ouvir e procurar entender e, neste particular, perguntar para esclarecer o que não entende é - "tout court" - ser humilde. Ser humilde também não é abdicar das próprias convicções mas estar aberto a emendar ou corrigir o que, eventualmente não esteja correcto. Ser humilde não é fugir a um assunto que sabemos o nosso interlocutor não gosta, não domina ou tem ideias erróneas. Pelo contrário mesmo sabendo que talvez seja "uma perda de tempo" discorrer sobre o assunto sem a pretensão de impor o nosso saber mas com o desejo de ajudar o outro a ter uma visão mais correcta.

Este particular acontece muitas vezes nas conversas sobre temas sobre Religião, Fé... Quem por qualquer motivo não tem formação nestes assuntos encontra grande dificuldade em compreender e aceitar as "verdades", em primeiro lugar porque ninguém acredita no que não conhece e, se não conhece, mas, mesmo assim discute e espende é porque, quase sempre, foi construindo teorias e conceitos para se sentir confortável. É muito difícil manter a serenidade e compostura quando insistem nas suas "teorias" completamente descabidas e sem qualquer base.

Quem não possui conhecimentos sólidos, coerentes e, sobretudo assentes em doutrina sã e correcta deve evitar este género de discussão porque pode fazer mais mal que bem. É aqui que se manifesta a humildade pessoal: Reconhecer que não se está "à altura" nem se é a pessoa indicada para tratar do tema e, ao mesmo tempo, reconhecer que a outa pessoa não terá tido as mesmas oportunidades que nós para adquirir essa formação. Deve ter-se sempre presente que a pessoa pode estar de "está de boa-fé" sendo honesta nos argumentos e opiniões e que, a grande verdade é: Ninguém pode dar o que não tem...

 

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04/11/2021

Publicações em Novembro 4

 


Sou um samaritano e o que hoje aconteceu comigo, tem a sua raiz há tempos atrás.

Vivia com a minha família em Sicar.

A minha vida corria bem, os negócios prosperavam, embora tivesse que deslocar-me com frequência a Jericó o que era assaz perigoso dada a frequência dos assaltos e atropelos praticados pelos malfeitores que infestavam o caminho.

Sem aviso, comecei a notar sinais alarmantes no meu corpo e, depois de observado pelo médico as suspeitas confirmaram-se: estava a ser “atacado” pelo terrível flagelo da lepra. Como se calcula, toda a minha vida se transformou, não ousava sair de casa e evitava qualquer contacto com outras pessoas, sempre à espera que a minha doença fosse conhecida pelas autoridades que me obrigariam a um exílio e imporiam uma segregação social extrema.

Um dia, porém, não pude deixar de assomar a uma janela de minha casa para verificar a que se devia o burburinho e agitação que percorria toda a aldeia.

Uma mulher, no meio do povo que a rodeava cada vez em maior número, contava entre lágrimas e risos, numa excitação quase frenética, algo espantoso. Dizia ela que tendo ido buscar água ao poço de Jacob encontrara um judeu sentado na borda do poço que, sem mais, lhe pediu de beber.

Na sua surpresa argumentara: «Como, sendo Tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou samaritana?»  Mas, continuava, a resposta foi ainda mais surpreendente de tal forma que regressara a correr à aldeia a dar conta do sucedido e acrescentava: «Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz; será este, porventura, o Cristo?».  Muitos ficaram excitados e correram atrás da mulher em direcção ao poço, outros continuaram discutindo entre si tão insólita novidade.

Recolhi-me de novo dentro de casa sem saber o que pensar, mas, dentro de mim algo me dizia que este assunto não acabaria ali.

A doença avançava com rapidez e, tal como temia, as autoridades vieram, forçaram-me a sair de casa e ir para uma furna onde mal viviam outros dez homens com o mesmo mal.

Desesperava… as condições de vida eram insuportáveis, ninguém ousava aproximar-se de nós e os escassos alimentos eram atirados do alto da ravina como se fossemos animais perigosos.

Um dia, passado algum tempo, ouviram-se gritos e agitação no caminho que passava perto do local onde nos encontrávamos e, um de nós, arriscou-se a subir ao parapeito a dar-se conta do que acontecia. Regressou e, ofegante, disse-nos que o tal homem de que a mulher falara vinha pelo caminho seguido por uma multidão de gente que o apertava e assediava com perguntas.

Tomámos uma decisão e, os dez, subimos ao caminho e gritámos de longe: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!»  Ele viu-nos e disse-nos: «Ide, mostrai-vos aos sacerdotes»  Não pensámos mais e pusemo-nos imediatamente a caminho.

Depois de alguns passos, dei-me conta que o meu corpo coberto de chagas estava limpo, a pele sã e – espantoso! – não havia qualquer sinal de lepra! Parei de repente e, enquanto os outros continuavam a caminhar, voltei para trás quase gritando incontrolavelmente graças ao Senhor Deus Todo Poderoso que operara em mim tal maravilha. Rompendo pelo meio dos que o rodeavam e prostrei-me a seus pés continuando a dar graças.  E foi então que a minha vida se modificou radicalmente porque, o Mestre, disse-me simplesmente: «Levanta-te, vai; a tua fé te salvou».

Sempre que tinha uma oportunidade ocorria ao local onde me diziam que Ele estava a pregar, a ensinar, a anunciar que o Reino de Deus estava próximo e que todos – absolutamente todos – os homens devemos amar-nos uns aos outros.

A normalidade tinha regressado à minha vida e retomando os meus negócios recomecei as minhas viagens a Jericó. E, hoje, o que aconteceu – o que me aconteceu – ao ver um pobre desgraçado estendido no chão, maltratado e ferido por salteadores foi aproximar-me dele e prestar-lhe o auxílio que estava nas minhas mãos prestar-lhe.

Agora, descansa na estalagem para onde o levei e, eu, já deitado, sinto-me tão bem comigo próprio, tão – porque não admiti-lo - orgulhoso com o meu comportamento que não posso deixar de pensar no Nazareno que me deu tão preciosa lição de vida que resumirei assim: “Faz aos outros o que desejas que te façam a ti”.

 

Reflectindo

 

Mentir pode ser, quase sempre é, um hábito. Bem... chego a justificar... não é importante, não prejudico ninguém. Esqueço-me contudo que a Verdade não tem dimensão pequena ou grande... ou é ou não é.

A prudência pode aconselhar que, em determinadas circunstâncias, não se diga a verdade. Mas nunca aconselhará mentir.

Mentir sobre o que for, importante ou não, gera, pelo menos dois Efeitos: O primeiro é próprio de uma consciência bem formada: o arrependimento; a segunda é a imperiosa necessidade de corrigir.

Quanto á Segunda posso concluir que a manifestação do meu arrependimento pode ter, pelo menos, dois Efeitos: o primeiro será o "contamento" do(s) a quem menti; o segundo é a lógica possibilidade de que "esses" pensem: 'Bem... está bem, mentiu mas retratou-se... mas será que foi, ou será, esta a única vez que mentiu?'

 

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