21/09/2021

NUNC COEPI Publicações em Setembro 21

                      


                             Quarta-Feira 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Simplicidade e modéstia.

Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.

 

Lembrar-me: Do meu Anjo da Guarda.

Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 


LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

 

Jo XIV, 1-31

 

Jesus, caminho para o Pai

1 Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus; crede também em mim. 2 Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, como teria dito Eu que vos vou preparar um lugar? 3 E quando Eu tiver ido e vos tiver preparado lugar, virei novamente e hei-de levar-vos para junto de mim, a fim de que, onde Eu estou, vós estejais também. 4 E, para onde Eu vou, vós sabeis o caminho.» 5 Disse-lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais, como podemos nós saber o caminho?» 6 Jesus respondeu-lhe: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim. 7 Se ficastes a conhecer-me, conhecereis também o meu Pai. E já o conheceis, pois estais a vê-lo.» 8 Disse-lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta!» 9 Jesus disse-lhe: «Há tanto tempo que estou convosco, e não me ficaste a conhecer, Filipe? Quem me vê, vê o Pai. Como é que me dizes, então, 'mostra-nos o Pai'? 10 Não crês que Eu estou no Pai e o Pai está em mim? As coisas que Eu vos digo não as manifesto por mim mesmo: é o Pai, que, estando em mim, realiza as suas obras. 11 Crede-me: Eu estou no Pai e o Pai está em mim; crede, ao menos, por causa dessas mesmas obras. 12 Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim também fará as obras que Eu realizo; e fará obras maiores do que estas, porque Eu vou para o Pai, 13 e o que pedirdes em meu nome Eu o farei, de modo que, no Filho, se manifeste a glória do Pai. 14 Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, Eu o farei.»

 

Primeira promessa do Espírito

15 «Se me tendes amor, cumprireis os meus mandamentos, 16 e Eu apelarei ao Pai e Ele vos dará outro Paráclito para que esteja sempre convosco, 17 o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; vós é que o conheceis, porque permanece junto de vós, e está em vós.»

 

Jesus promete voltar

18 «Não vos deixarei órfãos; Eu voltarei a vós! 19 Ainda um pouco e o mundo já não me verá; vós é que me vereis, pois Eu vivo e vós também haveis de viver. 20 Nesse dia, compreendereis que Eu estou no meu Pai, e vós em mim, e Eu em vós. 21 Quem recebe os meus mandamentos e os observa esse é que me tem amor; e quem me tiver amor será amado por meu Pai, e Eu o amarei e hei-de manifestar-me a ele.» 22 Perguntou-lhe Judas, não o Iscariotes: «Porque te hás-de manifestar a nós e não te manifestarás ao mundo?» 23 Respondeu-lhe Jesus: «Se alguém me tem amor, há-de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada. 24 Quem não me tem amor não guarda as minhas palavras; e a palavra que ouvis não é minha, mas é do Pai, que me enviou.»

 

Segunda promessa do Espírito

25 «Fui-vos revelando estas coisas enquanto tenho permanecido convosco; 26 mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse é que vos ensinará tudo, e há-de recordar-vos tudo o que Eu vos disse.»

 

Jesus deixa a sua paz

27 «Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo, que Eu vo-la dou. Não se perturbe o vosso coração nem se acobarde. 28 Ouvistes o que Eu vos disse: 'Eu vou, mas voltarei a vós.' Se me tivésseis amor, havíeis de alegrar-vos por Eu ir para o Pai, pois o Pai é mais do que Eu. 29 Digo-vo-lo agora, antes que aconteça, para crerdes quando isso acontecer. 30 Já não falarei muito convosco, pois está a chegar o dominador deste mundo; ele nada pode contra mim, 31 mas o mundo tem de saber que Eu amo o Pai e actuo como o Pai me mandou. Levantai-vos, vamo-nos daqui!»

 

Comentário

 

O Senhor voltou para o Céu para, como diz, preparar uma morada para cada um de nós. E que morada será? Preparada pelo próprio Jesus Cristo, Deus e Irmão nosso, deve ser tão excelente e extraordinária que não pudemos sequer imaginar. Como não fazer quanto estiver ao nosso alcance para conquistar o direito habitá-la? Pelo que Jesus nos diz, podemos inferir que, na Vida Eterna, ocuparemos um lugar determinado. Tal é difícil de entender já que os espíritos, ou Corpos Gloriosos, não ocupam nem lugar nem espaço e, a Vida eterna não é de facto um espaço, um lugar, mas uma “situação”, um “estado” que consiste na contemplação – e gozo – da Face de Deus. Mas – e sempre pensando humanamente, única forma possível – não custa entender que haverá santos – e todos na vida eterna são santos – diferentes não na importância, mas na categoria específica que não gozarão nem mais nem menos que os outros, mas que, de alguma forma se destacam. Parece-me muitíssimo justo! Por exemplo, São José, que na terra fez as vezes de Pai de Cristo, não “merecerá” esse destaque de que falei? Como explicar? Não eu, decerto, mas haverá um momento – pelo qual mal - posso esperar, em que tudo se tornará claro e cristalino e ficaremos abismados com a simplicidade da grandeza e glória eternas. Sabemos, evidentemente, que a vida eterna é um mistério para nós, enquanto neste mundo, impenetrável. Mas nada nos coíbe – eu diria até que nos convém muito – pensar não com o objectivo de decifrar ou compreender totalmente mas sim de nos aproximar-nos cada vez mais de algo que, também cada vez mais, estará próximo. Jesus Cristo fala-nos da vida eterna, fala-nos das moradas que terá preparadas para cada um, do lugar específico que nos tem reservado. Eu, pessoalmente, entendo isto, como uma definição suprema da Ordem divina. Ou seja, que a vida eterna não é algo informe e amálgamo onde estarão mais ou menos amontoados, como num “depósito”, os santos que alcançam o Céu. Não faria qualquer sentido pensar o que O Senhor que nos conhece pelo nosso nome desde o princípio de tudo o criado e que oferece a Sua Vida por cada um em particular, nos deixasse como que abandonados – felizes, embora – uma vez alcançado o que nos prometeu como prémio. O Amor que se viverá na vida eterna será de tal forma absorvente, total, esmagador… que não deixará espaço para nada mais, a nenhum sentimento, a nenhum desejo, a nenhuma vontade. O Gozo do Amor de Deus completará totalmente a nossa vida na eternidade.

Comove-nos a simplicidade dos apóstolos: quando não entendem perguntam e não se importam que tal conste nos Evangelhos. Quão diferente seria a nossa fé, a nossa relação com Deus sem estes exemplos extraordinários! Deveríamos estar constantemente a perguntar porque, de facto, o que sabemos é muito pouco, quase nada comparado com a grandeza de Deus a Quem temos de conhecer cada vez melhor e mais intimamente. Filipe é o discípulo que faz as perguntas cruciais… quando não entende pergunta. E os outros? Entenderiam tudo? Não teriam dúvidas? Seguramente que sim embora não confessem a sua necessidade de esclarecimento. Filipe demonstra, além disso, que de facto ouve quanto o Mestre diz com extrema atenção não perdendo, por assim dizer, nada dos discursos - por vezes longos - de Jesus. Tem a intuição que quanto ouve lhe será necessário, sobretudo no futuro, quando tiver de transmitir a outros ã palavras de Cristo. É no fim e ao cabo, aprender a Doutrina de modo consciente e seguro. Faz perguntas repetidamente sem qualquer receio de "desiludir" o Mestre com a sua ignorância ou dúvidas. Dá-nos duas grandes lições: perguntar quando não se sabe; ser humilde para repetir as perguntas até saber. Nós, cristãos de hoje, bem podemos agradecer a Filipe, não só o exemplo mas as perguntas que fez que nos permitem, pelas respostas de Jesus, saber e compreender o que então, para ele, não era nem claro nem compreensível. O Espírito Santo, com o Seu Dom de Ciência, infunde em nós esses conhecimentos básicos para a nossa fé porque, na verdade, esta fortalece-se quando compreende e assim, também, o nosso Amor a Deus. Bem-aventurados Apóstolos que nos deixaram um legado tão precioso.

Quem, de “vistas curtas” considera que Jesus Cristo deveria ter uma linguagem menos “enigmática”, clara e objectiva, não conhece, seguramente, este trecho do Evangelho escrito por São João. Pode ser-se mais claro e objectivo? Jesus Cristo, uma vez mais, revela tudo sobre Si mesmo e sobre a Sua missão. Não deixa que fique a pairar qualquer dúvida ou incompreensão. Temos, nós, homens de hoje, a felicidade de conhecer pelo testemunho dos Apóstolos, Quem de facto é o Senhor. Aprofundemos o nosso conhecimento, peçamos ao Espírito Santo que nos ilumine de forma a não existir em nós a menor dúvida. Aconselhemo-nos na direcção espiritual que livros ler, que informação nos falta. Então, sim! Poderemos dizer que seguimos Cristo porque O conhecemos e sabemos que Ele é, de facto O Caminho que nos interessa andar, A Verdade que nos convém conhecer, A Vida a que devemos aspirar.

Não tenho qualquer dúvida em considerar o Evangelho escrito por São João como o Evangelho do amor! Ele próprio, que foi amado por Jesus tão intensamente que lhe confiou a Sua própria Mãe, sabe que o amor “move montanhas”, transforma os homens, se na raiz da sociedade humana, trará a paz, a concórdia o bem comum. Sabe muito bem que ao retribuir o amor que Deus nos tem, estamos a fazer, não só um acto de justiça, “amor com amor se paga”, mas a assegurar a nossa vida em Deus e para Deus.

A parábola – conhecida como a dos “talentos”, tem merecido comentários e meditações por grandes vultos da Igreja, Teólogos e Santos. É de tal forma “complicada) – à primeira leitura, claro – que podemos ter a visão como que toldada para nos apercebermos da simplicidade e lógica de todo o texto. Eu penso que a “chave” está aqui:  Distribuiu os talentos «a cada qual conforme a sua capacidade». O Senhor, sabemo-lo muito bem – não faz acepção de pessoas e, para Ele, todos os homens – absolutamente – têm o mesmo valor, a mesma dignidade, independentemente das suas capacidades pessoais. Mas nunca pedirá contas por igual, exigindo uniformemente e sem critério o mesmo retorno. Não! Pedirá contas – muito certas – conforme o que cada um fez, como fez, ou, o que não fez e deveria ter feito.

Esta afirmação de Jesus: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida», é o lema, o motivo, a essência da nossa vida de cristãos. De facto, não há outro caminho porque, só este é o verdadeiro já que é a Verdade - que é Cristo – que o indica; Bem como a vida verdadeira é a que Ele próprio nos outorgou com a Sua Morte e Paixão na Cruz, redimindo-nos para sempre, e com a Sua Ressurreição gloriosa convertendo-nos em filhos de Deus. Que outra vida terá tal grandeza?

Talvez que nos ocorra, também a nós, fazer a mesma pergunta que Judas. Parece que o Senhor não dá uma resposta concreta, mas, de facto fá-lo iniludivelmente. A Sua Missão é muito clara e definida: Trazer a salvação, resgatar a humanidade, instaurar o Reino de Deus no mundo. Explicar a Fé e difundi-la competirá aos Seus seguidores que, devidamente assistidos pelo Espírito Santo, levarão a toda a parte a Palavra de Deus. Portanto, este tempo que vivemos depois da Ascensão ao Céu pelo Senhor, é o “Tempo do Espírito Santo” cujos Sete Dons devemos pedir com insistência perseverante para sermos capazes de levar por diante a tarefa que nos cabe levar a cabo.

A vida cristã que é seguir Cristo, pode resumir-se numa palavra: AMOR! É o amor incomensurável de Deus pelos homens que os salva; É o amor sem limites de Cristo que O leva a dar a Sua vida em resgate da humanidade inteira; É o amor que leva o homem a conseguir a paz para si e para os outros; Só o amor, autêntico – como é o Amor de Deus - torna a pessoa humana digna de participar na vida eterna. Amar a Deus e amar os outros como a si mesmo, eis, como bem sabemos, o primeiro Mandamento. Sem cumprir este, os outros nove, não poderão cumprir-se.

Uma vez mais o Evangelista insiste no tema do amor. O amor de Deus, o amor a Deus, o amor entre os homens.
E tem muita razão porque nunca será demais considerar que o amor conduz e guia o homem para Deus e assegura uma sã convivência. Como viver sem amor? Felizmente a maior parte de nós não imaginamos sequer o que possa ser mas, na verdade, há épocas, circunstâncias e sociedades onde parece não existir. O resultado, as consequências são bem evidentes: as guerras e lutas sem tréguas ou limites, os genocídios e violências de toda a ordem que grassam num crescendo imparável.

O mundo não pode conhecer nem receber o Espírito Santo, segundo as próprias palavras do Senhor, porque não O vê! Nós também não O vimos mas não precisamos para acreditar porque temos Fé. O Dom mais precioso que Deus outorga aos homens e o grande triunfo do Reino de Deus, a Fé concede-nos, permite-nos o que por nós próprios nunca conseguiríamos: Amar Deus, conhecer o Seu Amor por nós e gozarmos já nesta vida terrena dos Frutos e dos Dons que o Espírito Santo nos concede.

Continua o discurso da despedida. As palavras de Jesus devem ter pesado de maneira particular no espírito dos que O seguiam. Não entendiam nem o verdadeiro alcance das mesmas, mas sentiram no seu íntimo que a situação era delicada… senão grave.

O que quer o Senhor dizer com “dominador deste mundo”'? Refere-se ao momento em que o demónio alcança uma vitória, para ele, inesperada: a morte de Cristo na Cruz. Inesperada porque, de facto, só nos derradeiros momentos saberá que Quem pende do madeiro é o Filho de Deus, até então nunca o Senhor permitiu que tivesse absoluta certeza de Quem era e nem sequer permitia que falasse. Por várias vezes tinha sido expulso e relegado para fora do domínio dos homens e, naturalmente que teria - falando humanamente - suspeitas, que aliás terão começado nas tentações no deserto quando Cristo o despede: «está escrito não tentarás o Senhor teu Deus», mas nunca Jesus lhe disse Eu Sou Cristo. No mistério da salvação dá-se esta luta por um domínio, ou melhor, pela conservação de um domínio, que até então exercia, aliás não há propriamente luta porque Jesus Cristo não combate o demónio, mas antes salva a humanidade do seu domínio, ao instaurar o Reino de Deus, dá aos homens os meios necessários e suficientes para negarem o demónio e as suas obras e optarem definitivamente pela Salvação Eterna.

 

(AMA, 199)

 

 


 

SANTÍSSIMA VIRGEM

 

CARTA ENCÍCLICA

REDEMPTORIS MATER

DO SUMO PONTÍFICE

JOÃO PAULO II

SOBRE A BEM-AVENTURADA

VIRGEM MARIA

NA VIDA DA IGREJA

QUE ESTÁ A CAMINHO

 

 

Veneráveis Irmãos, caríssimos Filhos e Filhas: saúde e Bênção Apostólica!

 

INTRODUÇÃO

 

 

PRIMEIRA PARTE

MARIA NO MISTÉRIO DE CRISTO

 

8. Maria é introduzida no mistério de Cristo definitivamente mediante aquele acontecimento que foi a Anunciação do Anjo. Esta deu-se em Nazaré, em circunstâncias bem precisas da história de Israel, o povo que foi o primeiro destinatário das promessas de Deus. O mensageiro divino diz à Virgem: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor é contigo» (Lc 1, 28). Maria «perturbou-se e interrogava-se a si própria sobre o que significaria aquela saudação» (Lc 1, 29): que sentido teriam todas aquelas palavras extraordinárias, em particular, a expressão «cheia de graça» (kecharitoméne).

Se quisermos meditar juntamente com Maria em tais palavras e, especialmente, na expressão «cheia de graça», podemos encontrar uma significativa correspondência precisamente na passagem acima citada da Carta aos Efésios. E se, depois do anúncio do mensageiro celeste, a Virgem de Nazaré é chamada também a «bendita entre as mulheres» (cf. Lc 1, 42), isso explica-se por causa daquela bênção com que “Deus Pai” nos cumulou “«no alto dos céus, em Cristo”. É uma bênção espiritual, que se refere a todos os homens e traz em si mesma a plenitude e a universalidade (“toda a sorte de bênçãos”), tal como brota do amor que, no Espírito Santo, une ao Pai o Filho consubstancial. Ao mesmo tempo, trata-se de uma bênção derramada por obra de Jesus Cristo na história humana até ao fim: sobre todos os homens. Mas esta bênção refere-se a Maria em medida especial e excepcional: ela, de facto, foi saudada por Isabel como «a bendita entre as mulheres.

O motivo desta dupla saudação, portanto, está no facto de se ter manifestado na alma desta “filha de Sião”, em certo sentido, toda a “magnificência da graça”, daquela graça com que “o Pai ... nos tornou agradáveis em seu amado Filho”. O mensageiro, efectivamente, saúda Maria como «cheia de graça»; e chama-lhe assim, como se este fosse o seu verdadeiro nome. Não chama a sua interlocutora com o nome que lhe é próprio segundo o registo terreno: «Miryam» ( = Maria); mas sim com este nome novo: «cheia de graça». E o que significa este nome? Por que é que o Arcanjo chama desse modo à Virgem de Nazaré?

Na linguagem da Bíblia «graça» significa um dom especial, que, segundo o Novo Testamento, tem a sua fonte na vida trinitária do próprio Deus, de Deus que é amor (cf. 1 Jo 4, 8). É fruto deste amor a “eleição” ― aquela eleição de que fala a Carta aos Efésios. Da parte de Deus esta “escolha” é a eterna vontade de salvar o homem, mediante a participação na sua própria vida divina (cf. 2 Pdr 1, 4) em Cristo: é a salvação pela participação na vida sobrenatural. O efeito deste dom eterno, desta graça de eleição do homem por parte de Deus, é como que um gérmen de santidade, ou como que uma nascente a jorrar na alma do homem, qual dom do próprio Deus que, mediante a graça, vivifica e santifica os eleitos. Desta forma se verifica, isto é, se torna realidade aquela “bênção” do homem “com toda a sorte de bênçãos espirituais”, aquele «ser seus filhos adoptivos ... em Cristo”, ou seja, n'Aquele que é desde toda a eternidade o «Filho muito amado» do Pai.

Quando lemos que o mensageiro diz a Maria «cheia de graça», o contexto evangélico, no qual confluem revelações e promessas antigas, permite-nos entender que aqui se trata de uma “bênção” singular entre todas as “bênçãos espirituais em Cristo”. No mistério de Cristo, Maria está presente já «antes da criação do mundo», como aquela a quem o Pai “escolheu” para Mãe do seu Filho na Incarnação ― e, conjuntamente ao Pai, escolheu-a também o Filho, confiando-a eternamente ao Espírito de santidade. Maria está unida a Cristo, de um modo absolutamente especial e excepcional; e é amada neste «Filho muito amado» desde toda a eternidade, neste Filho consubstancial ao Pai, no qual se concentra toda “a magnificência da graça”. Ao mesmo tempo, porém, ela é e permanece perfeitamente aberta para este “dom do Alto” (cf. Tg 1, 17) Como ensina o Concílio, Maria “é a primeira entre os humildes e os pobres do Senhor, que confiadamente esperam e recebem d'Ele a salvação”.

 

 

S. MATEUS, Apóstolo e Evangelista

 



FILOSOFIA

 

Doutrina sobre o mal

 

RESPONDO.

Deve dizer-se que, como o branco, também o mal se diz de dois modos. Pois, de um modo, quando se diz branco, pode entender-se o que é sujeito da brancura; por outro modo, branco diz-se do que é branco enquanto branco, ou seja, do acidente mesmo. E, semelhantemente, o mal pode entender-se, de um modo, como o que é sujeito do mal, e neste sentido é algo; de outro modo, pode-se entender como o próprio mal, e neste sentido não é algo, mas sim a privação mesma de algum bem particular.

Para maior compreensão disto, é preciso saber que propriamente o bem é algo enquanto é apetecível, pois, segundo o Filósofo no livro I da Ética, definiram correctamente o bem os que disseram ser o bem o que todas as coisas apetecem; mas o mal diz-se do que se opõe ao bem, donde ser conveniente que o mal seja o que se opõe ao apetecível enquanto tal. É impossível, todavia, que este seja algo, o que se manifesta por três razões.

Em primeiro lugar, certamente, porque o apetecível tem razão de fim; mas a ordem dos fins é, por assim dizer, também a ordem dos agentes. Com efeito, na medida em que algum agente é mais elevado e mais universal, nesta mesma medida também o fim por que atua é um bem mais universal, pois todo e qualquer agente atua por um fim e por algum bem; e isto se mostra, patentemente, nas coisas humanas. Sim, porque o governante de uma cidade tende a um bem particular, que é o bem da cidade. Mas o rei, que é superior a ele, tende a um bem universal, a saber: a paz do reino todo. Logo, não sendo próprio das causas agentes proceder ao infinito, sendo porém necessário chegar a uma primeira coisa que seja causa universal do ser, é necessário, além disso, que seja um bem universal a que se reduzam todos os bens; e este não pode ser outro senão aquele mesmo que é agente primeiro e universal; porque todas as vezes que o apetecível move o apetite, sendo necessário, por outro lado, que o primeiro motor não seja movido, é necessário que o apetecível primeiro e universal seja o bem primeiro e universal, que se ocupa de todas as coisas por causa do seu próprio apetite. Logo, assim como é necessário que tudo quanto há nas coisas proceda de uma causa primeira e universal de ser, assim também é necessário que tudo quanto há nas coisas proceda de um bem primeiro e universal. Ora, o que procede do bem primeiro e universal não pode ser senão, unicamente, um bem particular, assim como o que procede da causa primeira e universal de ser é algum ente particular. Logo, é necessário que tudo quanto é algo nas coisas seja algum bem particular, donde não poder, pelo fato mesmo de ser, opor-se ao bem. Razão por que não cabe afirmar senão que o mal enquanto mal não é algo nas coisas, mas é privação de algum bem particular, que inere a algum bem particular.

Em segundo lugar, também isto é evidente, porque tudo quanto há nas coisas possui alguma tendência para aquilo que lhe convém e o desejo natural dele. Ora, o que tem razão de apetecível tem razão de bem. Logo, tudo quanto há nas coisas convém com algum bem. O mal enquanto tal, todavia, não convém com o bem, mas opõe-se a ele. Logo, o mal não é algo nas coisas. Além do mais, se o mal fosse algo, não apeteceria nem seria apetecido por nada mais, e, por conseguinte, não teria nenhuma ação nem movimento, dado que nada actua nem se move senão por causa do apetite do fim.

Em terceiro lugar, patenteia-se a mesma coisa pelo facto de que o próprio ser tem, sobretudo, razão de apetecível; donde constatarmos que a cada coisa apetece naturalmente conservar o seu ser: por um lado, afasta-se das coisas destrutivas do seu ser, e, por outro, resiste a elas na medida das suas possibilidades. Assim, o próprio ser, enquanto apetecível, é bom. Logo, é necessário que o mal, que se opõe universalmente ao bem, se oponha, ademais, ao que é ser. O que porém é oposto ao que é ser não pode ser algo

Digo, por conseguinte, que o mal não é algo, embora aquilo a que suceda ser mau seja algo, uma vez que o mal não priva senão de um bem particular; assim como o ser cego não é algo, ao passo que aquele a que sucede o ser cego á algo.

 

(São Tomás de Aquino, De Malo, Q 1, Art 1)

 


REFLEXÃO

 

Espírito Santo

Há quem chame ao Divino Espírito Santo "O Grande Desconhecido", penso que tal se deve à falta de, por exemplo, homilias sobre a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, pessoalmente não me recordo de alguma vez ter ouvido alguma. Quantos verdadeiros cristãos conhecem os Dons e as Virtudes que o Espírito Santo quer insinuar na nossa alma? E quantos Lhe pedem para receber essas insinuações? Dos Dons... quantos sabem o significado do TEMOR DE DEUS? Urge fazer apostolado sobre o tema, esclarecendo quanto possível o que de facto representa a acção do Divino Espírito Santo nas nossas almas.

(AMA, 2021)



SÃO JOSEMARIA textos

 

Um querer sem querer é o teu

Um querer sem querer é o teu, enquanto não afastares decididamente a ocasião. – Não te queiras iludir dizendo-me que és fraco. És... cobarde, o que não é o mesmo. (Caminho, 714)

O mundo, o Demónio e a carne são uns aventureiros que, aproveitando-se da fraqueza do selvagem que trazes dentro de ti, querem que, em troca do fictício brilho dum prazer – que nada vale – lhes entregues o ouro fino e as pérolas e os brilhantes e os rubis embebidos no Sangue vivo e redentor do teu Deus, que são o preço e o tesouro da tua eternidade. (Caminho, 708)

Outra queda..., e que queda!... Desesperar-te? Não; humilhar-te e recorrer, por Maria, tua Mãe, ao Amor Misericordioso de Jesus. – Um "miserere" e, coração ao alto! – A começar de novo. (Caminho, 711)

Bem fundo caíste. – Começa os alicerces a partir daí. – Sê humilde. – "Cor contritum et humiliatum, Deus, non despicies". – Não desprezará Deus um coração contrito e humilhado. (Caminho, 712)

Tu não vais contra Deus. – As tuas quedas são de fragilidade. – Concordo. Mas são tão frequentes essas fragilidades (não sabes evitá-las), que, se não queres que te tenha por mau, hei-de ter-te por mau e tolo. (Caminho, 713)

 

 

 

20/09/2021

NUNC COEPI Publicações em Setembro 20

                                                           


                                                           Segunda-Feira

 Pequena agenda do cristão  

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me: 

Sorrir, ser amável.

Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?



 

LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

 

Jo XIII, 1-38

 

Jesus lava os pés aos discípulos

1 Antes da festa da Páscoa, Jesus, sabendo bem que tinha chegado a sua hora da passagem deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, levou o seu amor por eles até ao extremo. 2 O diabo já tinha metido no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, a decisão de o entregar. 3 Enquanto celebravam a ceia, Jesus, sabendo perfeitamente que o Pai tudo lhe pusera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava, 4 levantou-se da mesa, tirou o manto, tomou uma toalha e atou-a à cintura. 5 Depois deitou água na bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que atara à cintura.6 Chegou, pois, a Simão Pedro. Este disse-lhe: «Senhor, Tu é que me lavas os pés?» 7 Jesus respondeu-lhe: «O que Eu estou a fazer tu não o entendes por agora, mas hás-de compreendê-lo depois.» 8 Disse-lhe Pedro: «Não! Tu nunca me hás-de lavar os pés!» Replicou-lhe Jesus: «Se Eu não te lavar, nada terás a haver comigo.» 9Disse-lhe, então, Simão Pedro: «Ó Senhor! Não só os pés, mas também as mãos e a cabeça!» 10 Respondeu-lhe Jesus: «Quem tomou banho não precisa de lavar senão os pés, pois está todo limpo. E vós estais limpos, mas não todos.» 11 Ele bem sabia quem o ia entregar; por isso é que lhe disse: 'Nem todos estais limpos'. 12 Depois de lhes ter lavado os pés e de ter posto o manto, voltou a sentar-se à mesa e disse-lhes: 13 «Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-me 'o Mestre' e 'o Senhor', e dizeis bem, porque o sou. 14 Ora, se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. 15 Na verdade, dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também. 16 Em verdade, em verdade vos digo, não é o servo mais do que o seu Senhor, nem o enviado mais do que aquele que o envia. 17 Uma vez que sabeis isto, sereis felizes se o puserdes em prática. 18 Não me refiro a todos vós. Eu bem sei quem escolhi, e há-de cumprir-se a Escritura: Aquele que come do meu pão levantou contra mim o calcanhar. 19 Desde já vo-lo digo, antes que isso aconteça, para que, quando acontecer, acrediteis que Eu sou. 20 Em verdade, em verdade vos digo: quem receber aquele que Eu enviar é a mim que recebe, e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou.»

 

Anúncio da traição de Judas

21 Tendo dito isto, Jesus perturbou-se interiormente e declarou: «Em verdade, em verdade vos digo que um de vós me há-de entregar!» 22 Os discípulos olhavam uns para os outros, sem saberem a quem se referia. 23 Um dos discípulos, aquele que Jesus amava, estava à mesa reclinado no seu peito. 24 Simão Pedro fez-lhe sinal para que lhe perguntasse a quem se referia. 25 Então ele, apoiando-se naturalmente sobre o peito de Jesus, perguntou: «Senhor, quem é?» 26 Jesus respondeu: «É aquele a quem Eu der o bocado de pão ensopado.» E molhando o bocado de pão, deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. 27 E, logo após o bocado, entrou nele Satanás. Jesus disse-lhe, então: «O que tens a fazer fá-lo depressa.» 28 Nenhum dos que estavam com Ele à mesa entendeu, porém, com que fim lho dissera. 29 Alguns pensavam que, como Judas tinha a bolsa, Jesus lhe tinha dito: 'Compra o que precisamos para a Festa', ou que desse alguma coisa aos pobres. 30 Tendo tomado o bocado de pão, saiu logo. Fazia-se noite. 31 Depois de Judas ter saído, Jesus disse: «Agora é que se revela a glória do Filho do Homem e assim se revela nele a glória de Deus. 32 E, se Deus revela nele a sua glória, também o próprio Deus revelará a glória do Filho do Homem, e há-de revelá-la muito em breve.»

 

O mandamento novo

33 «Filhinhos, já pouco tempo vou estar convosco. Haveis de me procurar, e, assim como Eu disse aos judeus: 'Para onde Eu for vós não podereis ir', também agora o digo a vós. 34 Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros; que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei. 35 Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.»

 

Anúncio da negação de Pedro

36 Disse-lhe Simão Pedro: «Senhor, para onde vais?» Jesus respondeu-lhe: «Para onde Eu vou, tu não me podes seguir por agora; hás-de seguir-me mais tarde.» 37 Disse-lhe Pedro: «Senhor, porque não posso seguir-te agora? Eu daria a vida por ti!» 38 Replicou Jesus: «Darias a vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: não cantará o galo, antes de me teres negado três vezes!»

 

Comentário

 

Diria que a “lição”, a “chave” deste trecho de São João que foi testemunha de quanto se passou nessa Ceia memorável, está exactamente no último versículo: «Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também». Nada do que Jesus Cristo fez ou disse foi “por acaso” ou levado por algum sentimento súbito e irreprimível. Não! O Senhor quer deixar bem gravado na mente e coração daqueles que O seguem de mais perto e serão os futuros pilares da Sua Igreja, que o “exemplo vem de cima” e que ninguém poderá mandar, ensinar, ou mesmo sugerir a outrem, que faça algo que ele próprio não fez. Não há apostolado como o exemplo! As palavras por mais belas, convincentes e estruturadas que sejam, não criam as raízes que o exemplo deixa bem “enterrado” no âmago dos que nos veem. Primeiro… fazer, depois… pedir que façam!

Não podemos fazer uma pálida ideia do que seria o ambiente naquela que – só Jesus, por enquanto o sabe – seria última Ceia em que estaria reunido com os Doze. Os futuros Apóstolos deverão ter-se apercebido do semblante grave e tenso do Mestre, começando por aquela cena algo insólita de lhes lavar os pés. Virá, depois, a revelação a respeito de Judas e, depois, o longo discurso que é como que uma declaração testamentária de quem está prestes a partir. Não alcançam – porque ainda não podem – toda a extensão e “peso” das palavras e das atitudes do seu Senhor e Mestre, mas jamais esquecerão essa última refeição comum nem os detalhes de cada palavra, de cada gesto. De tal forma assim é que a mesma se repetirá diariamente, indefinidamente, ao longo dos tempos usando as mesmas palavras e acções que o Senhor usou e lhes ordenou que repetissem em Sua memória. Atrevo-me a pensar se, de facto, o maior acto de amor de Jesus pelos homens terá sido a entrega da Sua Vida na Cruz ou a doação do Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade sempre que O comungamos.

Jesus Cristo indica uma forma segura de alcançar a felicidade: saber exactamente quem se é e que lugar se ocupa. Ou seja, ser igual a si próprio e actuar de acordo. Infelizmente, Judas – o traidor – não compreendeu isto e, por isso mesmo, por achar que sabia ou, de qualquer forma, se achava mais capaz ou instruído que o seu Mestre e Senhor, caiu na desgraça da traição. Judas é o paradigma dos que se acham superiores ou os detentores da única razão e não ouvem, não escutam nem sequer aproveitam os ensejos e oportunidades que, durante a vida, lhes vão sendo sugeridas como o caminho a seguir, a atitude a tomar. No fim e ao cabo… estamos a falar do orgulho próprio, da teimosia intelectual, das “ideias feitas”, de preconceitos e individualismo exacerbado. Estas atitudes pagam-se caro, tanto para o próprio como para outros.

Mais frequentemente do que talvez imaginemos esta atitude de querer suplantar o mestre acontece um pouco por todo o lado. Há pessoas que confundem o respeito devido a quem sabe com o auto-convencimento da ciência que julgam ter. Não têm, de facto, nenhum direito a serem ensinados ou beneficiarem de quem os pode instruir porque, na verdade, não querem nem aprender nem adquirir outros conhecimentos. Naturalmente que isto se deve a um defeito terrível que é o orgulho ou amor-próprio pessoais que distorcem a realidade e conduzem estas pessoas a um progressivo isolamento do resto da sociedade. O resultado é sempre muito mau, não só porque perdem oportunidade de melhoria, mas, sobretudo, porque actuam com desonestidade intelectual fingindo e pretendendo passar por fiéis “alunos” ou instruendos quando, o que na verdade pretendem, é esperar uma oportunidade para ultrapassar o Mestre ou desprestigiar o que ensina. Este caso – triste – de Judas é o paradigma dessas pessoas que referi, dignas de dó e lástima porque, quem finge e mascara as suas intenções, nunca poderá ter credibilidade e, assim, nunca será feliz. Andará pela vida enganando uns e outros que, na sua boa-fé, acreditam nele e o tratam como igual quando, na verdade, não o são nem o merecem.

São João narra com expressivo dramatismo estes momentos da Última Ceia. Sim, deve ter sido algo tão intenso e triste ao mesmo tempo, que terá ficado gravado para todo o sempre no seu espírito. Mais que a própria traição de Judas, enfatiza a insegurança dos outros dez que duvidam de si próprios e da sua fidelidade ao Mestre. Impressiona constatar a humildade com que desejam que constem estas suas fraquezas e debilidades para que, os que ao longo dos tempos lerem estas linhas, tenham a percepção de que eram homens simples, talvez rudes e pouco esclare­cidos, mas que, acima de tudo, amavam Jesus com entranhado amor que resistirá a tudo, à incredulidade de Tomé, às negações de Pedro, às dúvidas de Filipe. Não temos, portanto, que procurar "desculpas" nas nossas fraquezas para não seguir o Senhor.

O Evangelista conta-nos a tragédia da traição com uma economia de palavras que surpreende. O que aconteceu deve ter sido tão chocante e surpreendente que, quando mais tarde, vier a conhecer o que realmente aconteceu prefere dar o assunto como que encerrado. A traição choca e cai como um estigma sobre quantos a testemunham. Não esqueçamos que Judas era um dos Doze, que durante quase três anos conviveram intimamente percorrendo a Palestina acompanhando Jesus. Como compreender? Como aceitar? Na verdade, parece que o exemplo vem do Senhor que não mais terá referido o que aconteceu. Quase somos levados a considerar que o papel de Judas foi absolutamente necessário para que se cumprisse, como Jesus desejava, toda a história da Salvação.

A delicadeza do Senhor para com Judas espanta-nos? Não, Jesus poderia ter dito claramente e de viva voz quem seria o traidor, mas, porque o não fez? Em primeiro lugar – talvez – para evitar uma reacção natural dos outros discípulos presentes que, decerto, impediriam aquele de cometer o acto tão reprovável. Mas, depois, porque as Escrituras tinham de cumprir-se plenamente até ao pormenor. A perturbação de Jesus – de que o Evangelista fala – deve-se naturalmente à Sua profunda mágoa por ver um dos Seus escolhidos trair a Sua confiança e o Seu Amor. Não… o Senhor não Se enganou na escolha dos Doze porque até ao último momento – tal como connosco – espera uma reconvenção que nos afaste do caminho da traição. O que é o pecado senão uma traição ao Amor Infinito que Deus tem pelos Seus filhos?

Aquele que seria o Princípe dos Apóstolos revela, inequívoca mente a consideração em que tinha O Mestre e, de forma genuína e verdadeira, não quer que Ele lhe lave os pés! Não se acha digno de tal serviço, normalmente reservado aos escravos, que Aquele por quem tinha tanta admiração e seguia como que “arrastado” pelas Suas palavras, pelo Seu exemplo, pela Sua Doutrina, queria prestar-lhe. Na verdade, não compreende a atitude do Senhor mas, quando Este lhe explica porque o deseja fazer, aceita imediatamente – impulsivamente como é próprio do seu carácter – quanto o Senhor deseja. Dá-nos, assim, um exemplo precioso: quanto O Senhor deseja fazer por nós – ou a nós – tem sempre um sentido, um significado que, talvez não entendamos mas, que devemos aceitar porque só pode ser para nosso bem.  Não nos preocupemos pela consciência do pouco que somos porque, temos a certeza: Ele conhece-nos muito – muitissímo melhor – que nós próprios nos conhecemos!

 

 


SACRAMENTOS

 

Os sacramentos são sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, pelos quais nos é dispensada a vida divina. Os ritos visíveis, com os quais são celebrados os sacramentos, significam e realizam as graças próprias de cada sacramento(Catecismo, 1131).

 


 

REFLEXÃO

 

Uma lição de esperança

 

Na minha ida ao Centro de Saúde para receber a segunda dose da vacina (re. COVID), deparei-me com inúmeras pessoas de idade em cadeiras de rodas, com muletas, em macas levadas por familiares, com limitações profundas... enfim.

Recebi, posso dizê-lo uma lição de esperança, vontade de viver mau grado circunstâncias e problemas.

E, eu... só sei queixar-me???

 

(AMA, 2021)


 

SÃO JOSEMARIA - textos

 

Leva-me pela tua mão, Senhor

Há uma quantidade muito considerável de cristãos que seriam apóstolos... se não tivessem medo. São os mesmos que depois se queixam, porque o Senhor (dizem eles!) os abandona... Que fazem eles com Deus? (Sulco, 103)

Também a nós nos chama e nos pergunta como a Tiago e João: Potestis bibere calicem quem ego bibiturus sum?; estais dispostos a beber o cálice (este cálice da completa entrega ao cumprimento da vontade do Pai) que eu vou beber? "Possumus"!. Sim, estamos dispostos! – é a resposta de João e Tiago... Vós e eu, estamos dispostos seriamente a cumprir, em tudo, a vontade do nosso Pai, Deus? Demos ao Senhor o nosso coração inteiro ou continuamos apegados a nós mesmos, aos nossos interesses, à nossa comodidade, ao nosso amor-próprio? Há em nós alguma coisa que não corresponda à nossa condição de cristãos e que nos impeça de nos purificarmos? Hoje apresenta-se-nos a ocasião de rectificar. É necessário que nos convençamos de que Jesus nos dirige pessoalmente estas perguntas. É Ele que as faz, não eu. Eu não me atreveria a fazê-las a mim próprio. Eu vou continuando a minha oração em voz alta e vós, cada um de vós, por dentro, está confessando ao Senhor: Senhor, que pouco valho! Que cobarde tenho sido tantas vezes! Quantos erros! Nesta ocasião e naquela... nisto e naquilo... E podemos exclamar também: ainda bem, Senhor, que me tens sustentado com a tua mão, porque eu sinto-me capaz de todas as infâmias... Não me largues, não me deixes; trata-me sempre como um menino. Que eu seja forte, valente, íntegro. Mas ajuda-me, como a uma criatura inexperiente. Leva-me pela tua mão, Senhor, e faz com que tua Mãe esteja também a meu lado e me proteja. E assim, possumus!, poderemos, seremos capazes de ter-Te por modelo! (Cristo que passa, 15)

 

19/09/2021

Publicação modelo para Domingo

                                                        


                             NUNC COEPI

 

PLANO DE VIDA

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

1

Oração

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

2

Leitura espiritual

Novo Testamento

 

 

REFLEXÃO

 

 

SÃO JOSÉ MARIA textos

 

NUNC COEPI Publicações em Setembro 19

 


PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

DOMINGO


PLANO DE VIDA;  (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?



 

LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

Jo XII, 1-50

Maria de Betânia unge o Senhor

1 Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde vivia Lázaro, que Ele tinha ressuscitado dos mortos. 2 Ofereceram-lhe lá um jantar. Marta servia e Lázaro era um dos que estavam com Ele à mesa. 3 Então, Maria ungiu os pés de Jesus com uma libra de perfume de nardo puro, de alto preço, e enxugou-lhos com os seus cabelos. A casa encheu-se com a fragrância do perfume. 4 Nessa altura disse um dos discípulos, Judas Iscariotes, aquele que havia de o entregar: 5 «Porque é que não se vendeu este perfume por trezentos denários, para os dar aos pobres?» 6 Ele, porém, disse isto, não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão e, como tinha a bolsa do dinheiro, tirava o que nela se deitava. 7 Então, Jesus disse: «Deixa que ela o tenha guardado para o dia da minha sepultura! 8 De facto, os pobres sempre os tendes convosco, mas a mim não me tendes sempre.» 9 Um grande número de judeus, ao saber que Ele estava ali, vieram, não só por causa de Jesus, mas também para verem Lázaro, que Ele tinha ressuscitado dos mortos. 10 Os sumos sacerdotes decidiram dar a morte também a Lázaro, 11 porque muitos judeus, por causa dele, os abandonavam e passavam a crer em Jesus.

 

Entrada messiânica em Jerusalém

12 No dia seguinte, as multidões que tinham chegado para a Festa, ao ouvirem que Jesus vinha a Jerusalém, 13 pegaram em ramos de palmeiras e saíram-lhe ao encontro, clamando: «Hossana! Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel!» 14 E Jesus encontrou um jumentinho e montou nele, conforme está escrito: 15 Não temas, Filha de Sião, olha o teu Rei que chega sentado na cria de uma jumenta. 16 Ao princípio, os seus discípulos não compreenderam isto; quando se manifestou a glória de Jesus, é que se lembraram que estas coisas estavam escritas acerca dele; e foi isso precisamente o que lhe fizeram. 17 Entretanto, as pessoas que tinham estado com Ele quando chamou Lázaro do túmulo e o ressuscitou dos mortos testemunhavam o que viram. 18 E a gente, ao ouvir dizer que tinha realizado aquele sinal milagroso, veio ao seu encontro. 19 Então, os fariseus disseram uns para os outros: «Não vedes que não estais a conseguir nada? Olhai como toda a gente se foi com Ele!»

 

Jesus anuncia a sua «hora» e a glória da cruz

20 Entre os que tinham subido a Jerusalém à Festa para a adoração, havia alguns gregos. 21 Estes foram ter com Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e pediam-lhe: «Senhor, nós queremos ver Jesus!» 22 Filipe foi dizer isto a André; André e Filipe foram dizê-lo a Jesus. 23 Jesus respondeu-lhes: «Chegou a hora de se revelar a glória do Filho do Homem. 24 Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto. 25 Quem se ama a si mesmo, perde-se; quem se despreza a si mesmo, neste mundo, assegura para si a vida eterna. 26 Se alguém me serve, que me siga, e onde Eu estiver, aí estará também o meu servo. Se alguém me servir, o Pai há-de honrá-lo. 27 Agora a minha alma está perturbada. E que hei-de Eu dizer? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente para esta hora é que Eu vim! 28 Pai, manifesta a tua glória!» Veio, então, uma voz do Céu: «Já a manifestei e voltarei a manifestá-la!»29 Entre as pessoas presentes, que escutaram, uns diziam que tinha sido um trovão; outros diziam: «Foi um Anjo que lhe falou!» 30 Jesus respondeu: «Esta voz não veio por causa de mim, mas por amor de vós. 31 Agora é o julgamento deste mundo; agora é que o dominador deste mundo vai ser lançado fora. 32 E Eu, quando for erguido da terra, atrairei todos a mim.» 33 Dizia isto dando a entender de que espécie de morte havia de morrer. 34 Aquela gente replicou-lhe: «Nós aprendemos na nossa Lei que o Messias permanece vivo para sempre. Como afirmas Tu que o Filho do Homem tem de ser erguido? Mas quem é, afinal, esse tal Filho do Homem?» 35 Jesus respondeu-lhes: «Por um pouco de tempo ainda, a Luz está no meio de vós. Caminhai enquanto tendes a Luz, de modo que as trevas não vos apanhem, pois quem caminha nas trevas não sabe para onde vai. 36 Enquanto tendes a Luz, crede na Luz, para vos tornardes filhos da Luz.» Jesus disse estas coisas, foi-se embora e ocultou-se deles.

 

Epílogo: drama da incredulidade e valor da fé

37 Embora Jesus tivesse realizado diante deles tantos sinais portentosos, não criam nele, 38 de modo a cumprirem-se as palavras do profeta Isaías, que dissera: Senhor, quem acreditou no que ouviu de nós? E a quem foi revelado o poder do Senhor? 39 Realmente não eram capazes de crer; por isso Isaías também dissera: 40 Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, para não verem com os olhos e não entenderem com o coração e não se converterem e Eu ter de os curar. 41 Isto disse Isaías falando dele, porque tinha visto a sua glória. 42 Apesar disso, até entre os chefes, muitos creram nele, mas não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da Sinagoga, 43 pois amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus. 44 Jesus levantou a voz e disse: «Quem crê em mim não é em mim que crê, mas sim naquele que me enviou; 45 e quem me vê a mim vê aquele que me enviou. 46 Eu vim ao mundo como luz, para que todo o que crê em mim não fique nas trevas. 47 Se alguém ouve as minhas palavras e não as cumpre, não sou Eu que o julgo, pois não vim para condenar o mundo, mas sim para o salvar. 48 Quem me rejeita e não aceita as minhas palavras tem quem o julgue: a palavra que Eu anunciei, essa é que o há-de julgar no último dia; 49 porque Eu não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, é que me encarregou do que devo dizer e anunciar. 50 E Eu bem sei que este seu mandato traz consigo a vida eterna; por isso, as coisas que Eu anuncio, anuncio-as tal como o Pai as disse a mim.»

 

Comentário

 

O grão de trigo lançado à terra tem de morrer para se converter em haste e esta em espiga.

Assim connnosco; temos de ”morrer” para o mundo, para quanto nos prende e sujeita para podermos crescer na Graça e dar frutos com a nossas boas obras.

Foi para tal que Deus nos criou e não para vivermos simplesmente, comendo e bebendo, perseguindo muitos objectivos.

Dar um espiga carregada de grãos que uma vez lançados à terra onde desenvolvemos o nosso apostolado se convertam em alimento.

O que não fizermos não será feito por outros porque, embora a missão dos cristãos seja uma só, a cada um cabe uma parte, grande ou pequena mas, sempre, importante que não pode ser descartada.

 

(AMA, 2021)

 


FAMÍLIA

 

2. Significado e extensão do quarto mandamento

 

4. Deveres dos pais

c) Para levar a bom termo a tarefa da educação dos filhos, à frente dos meios humanos – por importantes e imprescindíveis que sejam – hão-de empregar os meios sobrenaturais .

 

“Como primeiros responsáveis pela educação dos seus filhos, os pais têm o direito de escolher para eles uma escola que corresponda às suas próprias convicções. É um direito fundamental. Tanto quanto possível, os pais têm o dever de escolher as escolas que melhor os apoiem na sua tarefa de educadores cristãos (cf. Concílio Vaticano II, Decl. Gravissimum Educationis, 6). Os poderes públicos têm o dever de garantir este direito dos pais e de assegurar as condições reais do seu exercício” (Catecismo, 2229).

 


REFLEXÃO

 

 Esse quam videre… Ser em vez de parecer.

Talvez que uma das facetas do nosso carácter  deva ser:  Sou verdadeiro sem pensar no que devo parecer.

"Um homem deve ser igual a si mesmo", dizia o meu Pai de forma lapidar.

O seja... ser o que realmente se é sem tentar parecer o que for.

 

(AMA, 2020)



SÃO JOSEMARIA – textos

Adormeceu a Mãe de Deus

Esta é a chave para abrir a porta e entrar no Reino dos Céus: "qui facit voluntatem Patris mei qui in coelis est, ipse intrabit in regnum coelorum" – quem faz a vontade de meu Pai..., esse entrará! (Caminho, 754)

Assumpta est Maria in coelum gaudent angeli! – Maria foi levada por Deus, em corpo e alma, para o Céu. E os Anjos rejubilam! Assim canta a Igreja. – E é assim, com este clamor de regozijo, que começamos a contemplação, desta dezena do Santo Rosário. Adormeceu a Mãe de Deus. – Em volta do seu leito encontram-se os doze Apóstolos. – Matias substituiu Judas. E nós, por graça que todos respeitam, estamos também a seu lado. Mas Jesus quer ter Sua Mãe, em corpo e alma, na Glória. – E a Corte celestial ostenta todo o seu esplendor, para receber a Senhora. – Tu e eu – crianças, afinal – pegamos na cauda do esplêndido manto azul da Virgem e assim podemos contemplar aquela maravilha. A Trindade Santíssima recebe e cumula de honras a Filha, Mãe e Esposa de Deus... – E é tamanha a majestade da Senhora, que os Anjos perguntam Quem é esta? (Santo Rosário, 4º mistério Glorioso).