08/08/2021

NUNC COEPI publicações em Agosto 8



PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

DOMINGO

 

PLANO DE VIDA;  (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 


LEITURA ESPIRITUAL

Evangelho

 

Lc VI, 1-50

 

Cura do servo do Centurião

1 Quando acabou de dizer todas as suas palavras ao povo, Jesus entrou em Cafarnaúm. 2 Ora um centurião tinha um servo a quem dedicava muita afeição e que estava doente, quase a morrer. 3 Ouvindo falar de Jesus, enviou-lhe alguns judeus de relevo para lhe pedir que viesse salvar-lhe o servo. 4 Chegados junto de Jesus, suplicaram-lhe insistentemente: «Ele merece que lhe faças isso, 5 pois ama o nosso povo e foi ele quem nos construiu a sinagoga.» 6 Jesus acompanhou-os. Não estavam já longe da casa, quando o centurião lhe mandou dizer por uns amigos: «Não te incomodes, Senhor, pois não sou digno de que entres debaixo do meu tecto, pelo que 7 nem me julguei digno de ir ter contigo. Mas diz uma só palavra e o meu servo será curado. 8 Porque também eu tenho os meus superiores a quem devo obediência e soldados sob as minhas ordens, e digo a um: ‘Vai’, e ele vai; e a outro: ‘Vem’, e ele vem; e ao meu servo: ‘Faz isto’, e ele faz.» 9 Ouvindo estas palavras, Jesus sentiu admiração por ele e disse à multidão que o seguia: «Digo-vos: nem em Israel encontrei tão grande fé.» 10 E, de regresso a casa, os enviados encontraram o servo de perfeita saúde.

 

Jesus ressuscita o filho da viúva de Naim

11 Em seguida, dirigiu-se a uma cidade chama da Naim, indo com Ele os seus discípulos e uma grande multidão. 12 Quando estavam perto da porta da cidade, viram que levavam um defunto a sepultar, filho único de sua mãe, que era viúva; e, a acompanhá-la, vinha muita gente da cidade. 13 Vendo-a, o Senhor compadeceu-se dela e disse-lhe: «Não chores.» 14 Aproximando-se, tocou no caixão, e os que o transportavam pararam. Disse então: «Jovem, Eu te ordeno: Levanta-te!» 15 O morto sentou-se e começou a falar. E Jesus entregou-o à sua mãe. 16 O temor apoderou-se de todos, e davam glória a Deus, dizendo: «Surgiu entre nós um grande profeta e Deus visitou o seu povo!» 17 E a fama deste milagre espalhou-se pela Judeia e por toda a região.

 

João Baptista envia a Jesus dois dos seus discípulos

18 Os discípulos de João informaram-no de todos estes factos. Chamando dois deles, 19 João mandou-os ao Senhor com esta mensagem: «És Tu o que está para vir, ou devemos esperar outro?» 20 Ao chegarem junto dele, os homens disseram: «João Baptista mandou-nos ter contigo para te perguntar: ‘És Tu o que está para vir, ou devemos esperar outro?’» 21 Nessa altura, Jesus curava a muitos das suas doenças, padecimentos e espíritos malignos e concedia vista a muitos cegos. 22 Tomando a palavra, disse aos enviados: «Ide contar a João o que vistes e ouvistes: Os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, a Boa-Nova é anunciada aos pobres; 23 e feliz de quem não tiver em mim ocasião de queda.»

 

Elogio do Precursor

24 Depois de os mensageiros de João se terem retirado, Jesus começou a dizer à multidão acerca dele: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? 25 Que fostes ver, então? Um homem vestido com roupas finas? Os que usam trajes sumptuosos vivem regaladamente e estão nos palácios dos reis. 26 Que fostes ver, então? Um profeta? Sim, Eu vo-lo digo, e mais do que um profeta. 27 É aquele de quem está escrito: ‘Vou mandar à tua frente o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de ti.’ 28 Digo-vos: Entre os nascidos de mulher não há profeta maior do que João; mas, o mais pequeno do Reino de Deus é maior do que ele.» 29 E todo o povo que o escutou, bem como os cobradores de impostos, reconheceram a justiça de Deus, recebendo o baptismo de João. 30 Mas, não se deixando baptizar por ele, os fariseus e os doutores da Lei anularam os desígnios de Deus a seu respeito.

 

Jesus censura a incredulidade dos judeus

31 «A quem, pois, compararei os homens desta geração? A quem são semelhantes?  32 Assemelham-se a crianças que, sentadas na praça, se interpelam umas às outras, dizendo: ‘Tocámos flauta para vós, e não dançastes! Entoámos lamentações, e não chorastes!’ 33 Veio João Baptista, que não come pão nem bebe vinho, e dizeis: ‘Está possesso do demónio!’ 34 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: ‘Aí está um glutão e bebedor de vinho, amigo de cobradores de impostos e de pecadores!’ 35 Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos.»

 

A pecadora aos pés de Jesus

36 Um fariseu convidou-o para comer consigo. Entrou em casa do fariseu, e pôs-se à mesa. 37 Ora certa mulher, conhecida naquela cidade como pecadora, ao saber que Ele estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um frasco de alabastro com perfume. 38 Colocando-se por detrás dele e chorando, começou a banhar-lhe os pés com lágrimas; enxugava-os com os cabelos e beijava-os, ungindo-os com perfume. 39 Vendo isto, o fariseu que o convidara disse para consigo: «Se este homem fosse profeta, saberia quem é e de que espécie é a mulher que lhe está a tocar, porque é uma pecadora!» 40 Então, Jesus disse-lhe: «Simão, tenho uma coisa para te dizer.» «Fala, Mestre» - respondeu ele. 41 «Um prestamista tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos denários e o outro cinquenta. 42 Não tendo eles com que pagar, perdoou aos dois. Qual deles o amará mais?» 43 Simão respondeu: «Aquele a quem perdoou mais, creio eu.» Jesus disse-lhe: «Julgaste bem.» 44 E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para os pés; ela, porém, banhou-me os pés com as suas lágrimas e enxugou-os com os seus cabelos. 45 Não me deste um ósculo; mas ela, desde que entrou, não deixou de beijar-me os pés. 46 Não me ungiste a cabeça com óleo, e ela ungiu-me os pés com perfume. 47 Por isso, digo-te que lhe são perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas àquele a quem pouco se perdoa pouco ama.» 48 Depois, disse à mulher: «Os teus pecados estão perdoados.» 49 Começaram, então, os convivas a dizer entre si: «Quem é este que até perdoa os pecados?» 50 E Jesus disse à mulher: «A tua fé te salvou. Vai em paz.»

Comentário

 

Antes de recebermos a Comunhão Eucarística repetimos estas mesmas palavras o Centurião e com os mesmos sentimentos de humildade e fé: «Mas diz uma só palavra e o meu servo será curado.» De facto, não somos dignos e sentimo-nos, talvez até, um pouco atemorizados ao dar-nos verdadeiramente conta do que está para acontecer: Receber o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo! Com que disposições o faremos! Com que amor e ternura O vamos receber! Com que respeito e compunção O comungamos! Ah! Mas fazemo-lo porque Ele o quer e deseja: vir à nossa alma, ser nosso alimento. Mas… mais ainda: «Quem comer este Corpo e beber este Sangue terá a VIDA ETERNA!» Recebamo-lo, pois, com a mesma ternura, compaixão e entusiasmo com que O recebemos pela primeira vez.

Não pode deixar de nos impressionar este episódio relatado por São Lucas. E por várias razões; a primeira das quais será a da fé do centurião, que, aliás, o Senhor não deixa de referir. Não há maior amor que o amor pela vida do nosso semelhante só que, aqui, trata-se de alguém de elevada categoria social sente esse amor e preocupação por um servo seu. Não há, no amor verdadeiro, distinção nem de pessoas nem de classes, e, este centurião, dá-nos um exemplo extraordinário do que deve ser esse amor. Que interessa que seja um servo, um chefe, um superior? As pessoas merecem amor pelo que são e não pelo cargo ou posição social que ocupam. Para termos isto bem claro, basta pensarmos o que seria de nós se só fossemos amados pelos nossos iguais. Talvez, quem sabe, nos faltasse amor…

Este episódio da ressurreição do filho da pobre viúva de Naim enche-nos o coração de ternura. Ver um Senhor, que é Deus Todo Poderoso, compadecer-se de uma pobre mulher e acudir-lhe é, de facto. Extraordinário. «Não chores» diz-lhe – gostaríamos tanto de ouvir a entoação da voz de Jesus! – e poderia ter acrescentado: ‘Não quero que chores, que sucumbas à tua dor. Eu estou aqui. Sou a Ressurreição e a Vida e, junto de Mim, só podes estar contente e feliz.’ E toca o caixão… sim… Jesus Cristo toca no caixão num gesto de intimidade natural e absolutamente humano. Atrevo-me a dizer que, este Evangelho, é, sem dúvida, um Evangelho da Misericórdia divina, mas é, também, o Evangelho do amor que Jesus Cristo sente pelos homens Seus irmãos.

Este milagre que São Lucas nos conta com tanta simplicidade deve, de facto, ter sido algo de extraordinário, de espantoso. Os circunstantes ficaram atemorizados o que se compreende, como poderia acontecer tal coisa! O Evangelista não dos dá conta da reacção da pobre mãe, mas podemos bem imaginar a alegria, a extraordinária alegria de ver o seu filho vivo, são e escorreito. Podemos comparar – sem exageros – a alegria da nossa Mãe do Céu quando, mortos pelo pecado, regressamos à vida com absolvição dos nossos pecados. Não! Nunca estamos irremediavelmente mortos porque, o Senhor não espera outra coisa que uma oportunidade de nos restituir à vida e, como sempre, isto depende unicamente de nós. Arrependamo-nos e peçamos perdão, sincero, contrito e, a vida, a verdadeira Vida, regressará.

Hoje assistimos à comoção pessoal, profundamente humana do Senhor. De tal forma que não necessita que alguém Lhe peça que actue, Ele próprio, movido pelo Seu Coração Amantíssimo não pode deixar de consolar a pobre mãe pedindo-lhe que não chore e exercer o Seu poder divino ressuscitando o jovem. Que Senhor! Que Misericórdia! Que carinho com que trata os Seus irmãos os homens!

Jesus Cristo critica, algo muito importante para todos os homens em geral e para os cristãos em particular: a recta intenção! Mais que uma questão de carácter ou de honestidade intelectual, a recta intenção tem de existir sempre no que fazemos, pensamos ou, até, julgamos a propósito de outros. Se o que se faz não tem como objectivo principal – diria único – fazer a Vontade de Deus, não passará de algo sem valor intrínseco que nem sequer é subjectivo. É muito fácil aduzir razões, atitudes, pensamentos baseados apenas no superficial, no passageiro. Fácil e… inútil, sem qualquer valor, repito. Ver, ouvir com o coração e com a alma e, depois, agir de acordo.

Os avisos que Jesus Cristo faz às pessoas da Sua geração aplicam-se a todas as gerações. Não são as intenções que contam, mas as obras, os actos que se praticam. Por outras palavras, unidade de vida e recta intenção. Sem estes pressupostos tudo não passará de palavras ocas e sem outras consequências que não sejam ilusões e fantasias. Querer, desejar, prometer… só têm valor ou interesse se o que se quer é legítimo, o que se deseja é conveniente, o que se prometes se cumpre.

Fica bem clara a sensibilidade de Jesus, como Lhe agradam os gestos e manifestações de carinho que Lhe dirigimos. De tal forma que nunca deixa sem recompensa - e as "recompensas” do Senhor excedem sempre em muito o que recebe - qualquer bem que, do íntimo do nosso coração, Lhe façamos.

Todo o bem, honra e glória que possamos dar ao Senhor ficarão sempre muito aquém do que Ele merece.
Louvar o Senhor com palavras, mas, sobretudo, com actos concretos, publicamente ou em privado, deve ser uma prática comum a todo o cristão autêntico que sabe que terá sempre uma dívida de amor que não conseguirá saldar durante toda a sua vida por mais longa que esta seja.

 

(AMA, 1998)


 

FAMÍLIA

 

2. Significado e extensão do quarto mandamento

b) Família e sociedade.

A família é a célula originária da vida social. Ela é a sociedade natural em que o homem e a mulher são chamados ao dom de si no amor e no dom da vida. A autoridade, a estabilidade e a vida de relações no seio da família constituem os fundamentos da liberdade, da segurança, da fraternidade no seio da sociedade. (…) A vida da família é iniciação à vida em sociedade» (Catecismo, 2207). A família deve viver de modo que os seus membros aprendam a preocupar-se e a encarregar-se dos jovens e dos velhos, das pessoas doentes ou incapacitadas e dos pobres (Catecismo, 2208). O quarto mandamento esclarece as outras relações na sociedade (Catecismo, 2212).

 

A sociedade tem o grave dever de apoiar e fortalecer o matrimónio e a família, reconhecendo a sua autêntica natureza, favorecendo a sua prosperidade e assegurando a moralidade pública (cf. Catecismo, 2210). No ambiente familiar, a Sagrada Família é modelo para qualquer família: modelo de amor e de serviço, de obediência e de autoridade


 

REFLEXÃO

 

Mediante a unidade de vida, o cristão evidencia como Jesus Cristo é o foco de luz que ilumina todo o seu dia: a família, o trabalho, os negócios, os amigos, a doença, quando se deve viver a doutrina social da Igreja nos diferentes âmbitos da sua actividade, no cuidado com a natureza, que faz parte da Criação divina.

 

(Francisco Fernández carvajal & Pedro Betteta López, Filhos de Deus, DIEL, ISBN 972-8040-08-03, nr.125)


 

SÃO JOSEMARIA – textos

 

Um grande Amor te espera no Céu

Cada vez estou mais persuadido: a felicidade do Céu é para os que sabem ser felizes na terra. (Forja, 1005)

Escrevias: "'simile est regnum caelorum', o Reino dos Céus é semelhante a um tesouro... Esta passagem do Santo Evangelho caiu na minha alma lançando raízes. Tinha-a lido tantas vezes, sem captar o seu âmago, o seu sabor divino". Tudo..., tudo há-de vender o homem prudente, para conseguir o tesouro, a pérola preciosa da Glória! (Forja, 993)

Pensa quão grato é a Deus Nosso Senhor o incenso que se queima em sua honra; pensa também no pouco que valem as coisas da terra, que mal começam logo acabam... Pelo contrário, um grande Amor te espera no Céu: sem traições, sem enganos: todo o amor, toda a beleza, toda a grandeza, toda a ciência...! E sem enfastiar: saciar-te-á sem saciar. (Forja, 995)

Não há melhor senhorio que saber-se ao serviço: ao serviço voluntário de todas as almas! É assim que se ganham as grandes honras: as da terra e as do Céu. (Forja, 1045)

 

 

 

07/08/2021

NUNC COEPI: Publicações em Agosto 7

  

Sábado 

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me: Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.

Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?




 LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

 

Lc VI, 1-49

 

Os discípulos colhem espigas ao Sábado

1  Num Sábado passando pelas searas, os Seus discípulos colhiam espigas e, esfregando-as com as mãos, comiam-nas. 2  E alguns dos fariseus  disseram-lhes: Por que fazeis o que não é lícito fazer nos sábados? 3  E Jesus, respondendo-lhes, disse: Nunca lestes o que fez David quando teve fome, ele e os que com ele estavam? 4  Como entrou na casa de Deus, e tomou os pães da proposição, e os comeu, e deu também aos que estavam com ele, os quais não é lícito comer senão só aos sacerdotes? 5  E dizia-lhes: O Filho do homem é Senhor até do sábado.

 

A mão atrofiada

6  E aconteceu também noutro sábado, que entrou na sinagoga, e estava ensinando; e havia ali um homem que tinha a mão direita mirrada. 7  E os escribas e fariseus observavam-no, se curaria no sábado, para encontrarem de que o acusar. 8  Mas ele bem conhecia os seus pensamentos; e disse ao homem que tinha a mão atrofiada: Levanta-te, e fica em pé no meio. E, levantando-se ele, ficou em pé. 9  Então Jesus lhes disse: Uma coisa vos hei de perguntar: É lícito nos sábados fazer bem, ou fazer mal? Salvar a vida, ou matar? 10  E, olhando para todos em redor, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele assim o fez, e a mão ficou curada. 11  E ficaram cheios de furor, e uns com os outros conferenciavam sobre o que fariam a Jesus.

 

Escolha dos Apóstolos

12  E aconteceu que naqueles dias subiu ao monte a orar, e passou a noite em oração a Deus. 13  E, quando já era dia, chamou a si os seus discípulos, e escolheu doze deles, aos quais deu o nome de Apóstolos: 14  Simão, ao qual também chamou Pedro, e André, seu irmão; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu; 15  Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelote; 16  E Judas, irmão de Tiago, e Judas Iscariotes, que foi o traidor.

 

As multidões e Jesus

17  E, descendo com eles, parou num lugar plano, e também um grande número de seus discípulos, e grande multidão de povo de toda a Judeia, e de Jerusalém, e da costa marítima de Tiro e de Sidom; os quais tinham vindo para o ouvir, e serem curados das suas enfermidades, 18  Como também os atormentados dos espíritos imundos; e eram curados. 19  E toda a multidão procurava tocar-lhe, porque saía dele virtude, e curava a todos.

 

Sermão da montanha; as bem-aventuranças

20  E, levantando ele os olhos para os seus discípulos, dizia: Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus. 21  Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis fartos. Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir. 22  Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem e quando vos separarem, e vos injuriarem, e rejeitarem o vosso nome como mau, por causa do Filho do homem. 23  Folgai nesse dia, exultai; porque eis que é grande o vosso galardão no céu, pois assim faziam os seus pais aos profetas.

 

Admoestações

24  Mas ai de vós, ricos! porque já tendes a vossa consolação. 25  Ai de vós, os que estais fartos, porque tereis fome. Ai de vós, os que agora rides, porque vos lamentareis e chorareis. 26  Ai de vós quando todos os homens de vós disserem bem, porque assim faziam seus pais aos falsos profetas.

 

Amar os inimigos

27  Mas digo-vos a vós: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam; 28  Bendizei os que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam. 29  Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, nem a túnica recuses; 30  E dá a qualquer que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho tornes a pedir. 31  E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira lhes fazei vós, também. 32  E se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Também os pecadores amam aos que os amam. 33  E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que recompensa tereis? Também os pecadores fazem o mesmo. 34  E se emprestardes àqueles de quem esperais tornar a receber, que recompensa tereis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para tornarem a receber outro tanto. 35  Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus. 36  Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. 37  Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; soltai, e soltar-vos-ão. 38  Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo.

 

O guia cego

39  E dizia-lhes uma parábola: Pode porventura o cego guiar o cego? Não cairão ambos na cova? 40  O discípulo não é superior a seu mestre, mas todo o que for perfeito será como o seu mestre.

 

A palha e a trave

41  E por que atentas tu no argueiro que está no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho? 42  Ou como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho, não atentando tu mesmo na trave que está no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão. 43  Porque não há boa árvore que dê mau fruto, nem má árvore que dê bom fruto. 44  Porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto; pois não se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos abrolhos. 45  O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal, porque da abundáncia do seu coração fala a boca.

 

Jesus exorta a pôr em prática os Seus mandamentos

46  E por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo? 47  Qualquer que vem a mim e ouve as minhas palavras, e as observa, eu vos mostrarei a quem é semelhante: 48  É semelhante ao homem que edificou uma casa, e cavou, e abriu bem fundo, e pós os alicerces sobre a rocha; e, vindo a enchente, bateu com ímpeto a corrente naquela casa, e não a póde abalar, porque estava fundada sobre a rocha. 49  Mas o que ouve e não pratica é semelhante ao homem que edificou uma casa sobre terra, sem alicerces, na qual bateu com ímpeto a corrente, e logo caiu; e foi grande a ruína daquela casa.

 

Comentário

 

Para praticar o bem não interessam nem o dia nem o local ou circunstâncias. Jesus está sempre ao dispor dos homens para ajudar, assistir, curar. E, nós, também não devemos ter dias "especiais" para estar com Ele, visitá-lo, rezar com toda a nossa alma e capacidades. Coloco-me na pessoa do homem com a mão paralisada e interrogo-me: ‘Como é que o Senhor me manda estender a mão se bem sabe que não posso?’ Eu, de facto, não posso, mas Ele, Jesus Cristo pode tudo e se Ele me mandou estender a mão nada mais tenho a fazer: levanto-me e estendo-a! A confiança no Senhor faz tudo o que eu, por mim não posso fazer e pobre de mim se não fizer o que Ele me manda! Ficarei com a mão, todo eu, paralisado para sempre! Quando Ele me diz; insinua na minha alma: ‘vá… faz isto…’; eu faço ou fico-me a pensar que talvez não tenha percebido bem, que, talvez, o Senhor quisesse dizer-me outra coisa qualquer? Sim… porque eu… não posso nada…. Estou paralisado, de pés e mãos atados ao pouco – ao nada - que sou! Isto é o que penso na minha pretensão de humildade! Enormíssimo erro, falsa modéstia! O Senhor, que me conhece muito melhor que eu me conheço a mim próprio, se me manda fazer – seja o que for – é porque sabe que, eu, sou capaz e – mais – espera que eu o faça. E, assim, estendo a minha mão absolutamente confiante que, Ele, sabe mais.

Há sem dúvida alguma, um claríssimo acto de fé por parte deste homem. Sim... ele sabe que o que Jesus lhe manda que faça  -  estender a mão atrofiada - é algo impossível. Mas Jesus vai mais longe quer que o faça publicamente em face de quantos estão na Sinagoga! Assim, além da fé, o homem acredita que Cristo lhe está a dizer - claramente - que pretende que sirva de exemplo aos circunstantes. Acredita e colabora e colabora exactamente porque acredita.

A Doutrina da Igreja não é um conjunto de regras estáticas e rigorosas que se impõem aos fiéis de forma discricionária. A Igreja é Mãe e como tal não quer impor aos seus filhos nem pesos ou grilhões que condicionem a sua vida. Nem poderia porque segue o seu Chefe e Cabeça que deixou muito claro que não vinha impor sacrifícios, mas sim pedir misericórdia e amor. Mas acima de tudo deve prevalecer o bom senso e são critério.

As aparências! A crítica fácil! O julgamento impiedoso! Que terríveis comportamentos dos que se julgam superiores aos outros. Orgulho? Sim, claro, mas mais que isso. Estas pessoas estão tão "cheias de si mesmas" têm-se em tão elevada consideração que nada que os outros façam fica sem ser avaliado, aferido, criticado e, a muitas vezes, condenado.

O conflito entre os fariseus e Jesus Cristo a propósito do Sábado é permanente. Para aqueles o cumprimento escrupuloso da Lei chega ao ridículo inconcebível. As pessoas, as suas necessidades, os seus problemas pessoais, não interessam para nada nem, no seu tortuoso entender, interessam a Deus. Jesus Cristo há-de dizer-lhes que não quer ‘sacrifícios, mas misericórdia’ e, isto, é absolutamente incompreensível. Às vezes, parece, que o Mestre os provoca propositadamente, curando pessoas ao Sábado e, julgo, que tenho razão porque, o que Jesus pretende, não é julga-los a eles, mas que se convençam por si próprios o que realmente interessa a Deus: As pessoas e não as regras ou sacrifícios. Quer os Seus filhos felizes, já nesta terra, e não miseráveis acabrunhados e perdidos como «ovelhas sem pastor» como Jesus lhes chamará.

Porque é que os discípulos de Jesus comiam a espigas da seara por onde passavam? A resposta parece óbvia: porque tinham fome! Umas poucas espigas, parco alimento, tornam-se alimento irresistível! E... ficamos admirados? A quem nada tem o pouco parece muito e por aqui se vê as provações a que Jesus e os Seus seguidores se sujeitavam no seu constante deambular pelas terras de Israel para anunciar o Reino de Deus. No fim e ao cabo, - podemos concluir - o apostolado para ser verdadeiramente eficaz tem de apoiar-se no sacrifício pessoal, inclusive privação se tal for necessário. Qualquer apóstolo tem de entregar-se ao serviço que lhe compete sem olhar para trás, comodismo ou conforto, mas, bem ao contrário, estar disposto a tudo fazer para alcançar o objectivo que se propõe: conquistar almas para Deus!

O discurso de Jesus é uma catequese muito específica e completa aos Seus discípulos. E, quando lhe chamo “completa”, é porque realmente considero que nada fica por dizer, nenhum aviso ou recomendação fica por dar no que respeita ao comportamento que o Senhor espera daqueles mais próximos que serão os primeiros a espalhar por toda a parte o anúncio do Reino de Deus. Sempre, subjacente a todas as Suas palavras, está bem implícito o AMOR, amor a Deus e amor aos outros. E não restem dúvidas que será o Amor que há-de conduzir todos estes e os levará ao cumprimento cabal da sua missão evangelizadora.

Jesus discursa sobre as regras de conduta de qualquer pessoa. Resume-se – pode assim dizer-se – a fazer aos outros o que desejamos nos façam a nós. Deixemos de lado as “dificuldades” como, por exemplo amar o inimigo. É difícil? Custa resistir à tentação de retribuir na mesma “moeda”? É verdade, somos assim mesmo, pensamos primeiro em nós e, depois nos outros. Suponhamos que somos nós quem ofende outro: justificamos a sua conduta se também ele nos ofender? Não será muito mais conveniente e sadio pedir perdão, desculpa pela ofensa e tentar reparar? Somos, de verdade, impecáveis nas nossas relações com os outros - quer em obras quer em pensamentos – não emitimos juízos nem “medimos” com critério “curto” o que pedem que lhes façamos? Somos o “centro”, os “credores” das atenções e cuidados dos outros ou também nos interessamos por eles e pelo que possam legitimamente esperar de nós? No fim e ao cabo, o critério que o Senhor propõe é uma regra simples, como já se enunciou: “fazer aos outros o que desejamos nos façam a nós”.

Parece ser um conjunto de regras algo difícil de cumprir já que se trata de amar sem peso nem medida os outros. A recompensa é “fabulosa” «deitar-vos-ão no regaço uma boa medida, calcada, sacudida, a transbordar». O Senhor nunca Se fica por menos mas, de qualquer forma avisa: «A medida que usardes com os outros será usada também convosco». Atenção, pois, será bem avisado quem proceder com o próximo como indica o Segundo Mandamento, que a própria Lei refere tão importante como o Primeiro.

Ora aqui está uma sentença que deve merecer toda a nossa atenção: «A medida que usardes com os outros será usada convosco.» É uma referência muito específica à Justiça de Deus. Todos somos Seus filhos e a todos quer por igual. Assim, porque razão haveria de ser mais pródigo com uns que com outros? Na verdade, a medida que Deus usar connosco será escolhida por nós.

Suponhamos que estamos no tribunal e que o Juiz nos pergunta: Que pena hei-de considerar no seu caso, que lhe parece? Teríamos de responder honestamente: 'Algo similar ao que eu considerei em relação aos outros.' E o Juiz responderia: Acho justo! Volto a repetir o que já escrevi:  Tendo em consideração o que acabamos de ler, a sentença será elaborada por nós. O Senhor a aplicará conforme achar justo.

O Evangelista parece sublinhar que, neste momento, Jesus se dirige principalmente aos discípulos e não tem qualquer dúvida em considerá-los felizes por já pertencerem ao Reino dos Céus. Não obstante as contrariedades, privações, insultos, perseguições e desafios que irão encontrar na vida de todos os dias, principalmente motivados pelo facto de serem Seus discípulos, a sua recompensa está assegurada: «Alegrai-vos e exultai nesse dia, pois a vossa recompensa será grande no Céu». Vale a pena, pois, seguir Jesus com confiança e determinação, Ele nunca os que O seguirem.

À “primeira vista” pode parecer que Jesus está como que a fazer um vaticínio, a prever um futuro. Não! O Senhor não é um “mago” que lê a sina nem se põe a adivinhar o futuro. Bem ao contrário, quer que quem O escuta compreenda e tenha bem a noção das consequências do seu comportamento na vida corrente. Os actos que praticamos têm sempre uma consequência e, a vida que vivemos, um resultado. Nada do que fazemos fica por “contabilizar” nem sequer com a desculpa: “não sabia”, “foi sem querer”. O cristão não deve fazer nada – absolutamente – por acaso, sem pensar bem se o que faz – ou diz – trará benefícios ou, ao contrário, prejuízos para si próprio e para outros. Isto nunca acontecerá se tentarmos com verdadeiro empenho, fazer, em tudo a Vontade de Deus.

Pôr em prática as palavras de Cristo equivale a fazer a Vontade de Deus e, esta, só pode ser boa para nós. Porquê? Porque o Deus Nosso Senhor e Criador só pode querer o que é bom para os Seus filhos e dar-lhes-á quanto necessário para poderem pôr em prática o que convém. Todos nós temos bem claras as imagens que Jesus utiliza nestes trechos do Evangelho. Quando se trabalha mal, contra vontade e renitência o que fizermos ficará imperfeito, com deficiências que podem ser graves e, consequentemente, resultados catastróficos. E, se pensarmos bem, o trabalho mal feito cansa tanto como se o fizermos bem ou, por outras palavras, não ganhamos nada e podemos perder muito. As consequências de um trabalho feito apressadamente sem zelo nem critério podem causar enormes prejuízos não só a nós, mas também a outros.

Jesus profere umas palavras que devemos reter com muita atenção: «Não está o discípulo acima do mestre, mas o discípulo bem formado será como o mestre.» Ninguém pode fazer as vezes de Cristo, mas quando nos dedicamos ao apostolado – que deve ser dever de todo o cristão – só o deveremos fazer se possuirmos conhecimentos correctos e, sobretudo, uma doutrina sólida e bem estruturada. Afinal, o apostolado que fazemos é em nome de Cristo e não deverá ter absolutamente nada da nossa lavra.

De nada servem as palavras, as intenções, as promessas sem, de facto, não se traduzem em obras. Não seremos avaliados, ou teremos de responder pelo que dissemos, mas sim pelo que fizemos. As obras marcam o homem, conferem-lhe a dignidade que deve ter ou, ao contrário, podem colocar em sério risco a sua salvação. Res non verba, obras e não palavras é o que se nos pede. As pessoas que nos rodeiam podem não escutar o que dizemos ou, até, não compreender o que afirmamos mas, seguramente veem o que fazemos e avaliam-nos por isso mesmo.

 

(AMA, 1999)

 


 

SANTÍSSIMA VIRGEM

 

 

Reflexão

Mediante a graça recebida no Baptismo, o homem participa no eterno nascimento do Filho e a partir do Pai, porque é constituído filho adoptivo de Deus: filho no Filho.

 

(São João Paulo II, Homília, 23.03.1980)

 

 

 


SÃO JOSEMARIA – textos

 

 A messe é grande e poucos os operários

A messe é grande e poucos os operários. – "Rogate ergo!". – Rogai, pois, ao Senhor da messe que envie operários para o seu campo. A oração é o meio mais eficaz do proselitismo. (Caminho, 800)

Ainda ressoa no mundo aquele clamor divino: "Vim trazer fogo à Terra, e que quero senão que se ateie?". – E bem vês: quase tudo está apagado... Não te animas a propagar o incêndio? (Caminho, 801)

Querias atrair ao teu apostolado aquele homem sábio, aquele poderoso, e aquele cheio de prudência e virtudes. Pede por eles, oferece sacrifícios e prepara-os com o teu exemplo e com a tua palavra. – Não: vêm? – Não percas a paz; é que não são precisos. Julgas que não havia contemporâneos de Pedro sábios e poderosos, e prudentes, e virtuosos, fora do apostolado dos primeiros doze? (Caminho, 802)

 

 

06/08/2021

NUNC COEPI: Publicações em Agosto 6

 


Sexta-Feira 

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

 

PLANO DE VIDA:  (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Pequena mortificação

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 

 

TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR

 



LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

 

Lc V, 1-39

 

Pesca milagrosa

1  E aconteceu que, apertando-o a multidão, para ouvir a palavra de Deus, estava ele junto ao lago de Genesaré; 2  E viu dois barcos junto à praia do lago; e os pescadores, havendo descido deles, estavam lavando as redes. 3  E, entrando num dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra; e, sentando-se, ensinava do barco a multidão. 4  E, quando acabou de falar, disse a Simão: Faz-te ao mar alto, e lançai a rede para pescar. 5  E, respondendo Simão, disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, sob a tua palavra, lançarei a rede. 6  E, fazendo assim, colheram uma grande quantidade de peixes, e rompia-se-lhes a rede. 7  E fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco, para que os fossem ajudar. E foram, e encheram ambos os barcos, de maneira tal que quase iam a pique. 8  E vendo isto Simão Pedro, prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, ausenta-te de mim, que sou um homem pecador. 9  Pois que o espanto se apoderara dele, e de todos os que com ele estavam, por causa da pesca que haviam feito. 10  E, de igual modo, também de Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. E disse Jesus a Simão: Não temas; de agora em diante serás pescador de homens. 11  E, levando os barcos para terra, deixaram tudo, e seguiram-no.

 

Cura de um leproso

12  E aconteceu que, quando estava numa daquelas cidades, eis que um homem cheio de lepra, vendo Jesus, prostrou-se sobre o rosto, e rogou-lhe, dizendo: Senhor, se quiseres, podes limpar-me. 13  E ele, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero, sê limpo. E logo a lepra desapareceu dele. 14  E ordenou-lhe que a ninguém o dissesse. Mas disse vai e mostra-te ao sacerdote, e oferece, pela tua purificação, o que Moisés determinou, para que lhes sirva de testemunho. 15  A sua fama, porém, propagava-se ainda mais, e juntava-se muita gente para o ouvir e para ser curada das suas enfermidades. 16  Ele, porém, retirava-se para os desertos, e ali orava.

 

Cura de um paralítico

 

17  E aconteceu que, num daqueles dias, estava ensinando, e estavam ali sentados fariseus e doutores da lei, que tinham vindo de todas as aldeias da Galileia, e da Judeia, e de Jerusalém. E a virtude do Senhor estava com ele para curar. 18  E eis que uns homens transportaram numa cama um homem que estava paralítico, e procuravam fazê-lo entrar e colocá-lo diante dele. 19  E, não achando por onde o pudessem levar, por causa da multidão, subiram ao telhado, e por entre as telhas baixaram-no com a cama, até ao meio, diante de Jesus. 20  E, vendo ele a fé deles, disse-lhe: Homem, os teus pecados te são perdoados. 21  E os escribas e os fariseus começaram a arrazoar, dizendo: Quem é este que diz blasfémias? Quem pode perdoar pecados, senão só Deus? 22  Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, respondeu, e disse-lhes: Que arrazoais em vossos corações? 23  Qual é mais fácil? dizer: Os teus pecados te são perdoados; ou dizer: Levanta-te, e anda? 24  Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa. 25  E, levantando-se logo diante deles, e tomando a cama em que estava deitado, foi para sua casa, glorificando a Deus. 26  E todos ficaram maravilhados, e glorificaram a Deus; e ficaram cheios de temor, dizendo: Hoje vimos prodígios.

 

Vocação de Levi

27  E, depois disto, saiu, e viu um publicano, chamado Levi, sentado na recebedoria, e disse-lhe: Segue-me. 28  E ele, deixando tudo, levantou-se e seguiu-o. 29  E fez-lhe Levi um grande banquete em sua casa; e havia ali uma multidão de publicanos e outros que estavam com eles à mesa. 30  E os escribas e os fariseus, murmuravam contra os seus discípulos, dizendo: Por que comeis e bebeis com publicanos e pecadores? 31  E Jesus, respondendo, disse-lhes: Não necessitam de médico os que estão sãos, mas, sim, os que estão enfermos; 32  Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento.

 

Questão do jejum

33  Disseram-lhe, então, eles: Por que jejuam os discípulos de João muitas vezes, e fazem orações, como também os dos fariseus, mas os teus comem e bebem? 34  E ele lhes disse: Podeis vós fazer jejuar os amigos do esposo enquanto o esposo está com eles? 35  Dias virão, porém, em que o esposo lhes será tirado, e então, naqueles dias, jejuarão. 36  E disse-lhes também uma parábola: Ninguém deita um retalho de pano novo em vestido velho, de outro modo o novo rompe o velho e o retalho do novo não condiz com o velho. 37  E ninguém deita vinho novo em odres velhos; de outra sorte o vinho novo romperá os odres, e entornar-se-á o vinho, e perder-se-ão os odres; 38  Mas o vinho novo deve deitar-se em odres novos, e ambos juntamente se conservarão. 39  E ninguém tendo bebido o velho quer o novo, porque diz: O velho é melhor.

 

Comentário

 

 

Tal como na pesca – que o Evangelho relata – as redes não se romperam, também na Igreja fundada por Jesus Cristo cabem todos, absolutamente. O reconhecimento de Pedro – instantâneo – da sua indignidade perante a presença do Cristo, é também a nossa quando meditamos na grandeza de Deus perante o pouco que somos. Mas, é exactamente esse “pouco” que o Senhor quer e por isso nos escolhe, não pelas qualidades que possamos ter mas – atrevo-me – pelos defeitos pessoais que estamos dispostos a vencer.

O que nos faltar em coragem e perseverança nessa luta por melhoria Ele o porá desde que nos entreguemos confiadamente nas Suas Mãos Misericordiosas.

Como é que aqueles homens, simples pescadores da Galileia, deixam tudo para trás e seguem Jesus? Nem fazem qualquer pergunta porque, aliás, o Senhor já tinha esclarecido o “programa” que preparara para eles nas palavras dirigidas a Pedro: «Não tenhas receio; de futuro, serás pescador de homens.» Receio? Não! Não podem sentir qualquer receio mesmo que não se dêem conta da dimensão e grandeza da missão que os espera porque têm uma garantia: aquele Senhor que os chamava estaria com eles. Evidentemente que, como Pedro, todos deveriam sentir-se indignos de Jesus, consideravam-se fracos e pecadores mas, nem por isso, sentiam medo. Jesus tinha conquistado a sua inteira confiança e, se Ele os chamava que mais poderiam fazer a não ser segui-Lo?

Pescar requer, entre outras, qualidades de paciência e perseverança. Não são a mesma coisa. Enquanto a primeira se pode traduzir na aceitação de resultados adversos, a segunda implica um esforço contínuo na obtenção desses mesmos resultados. Assim no apostolado pessoal que rarissimamente produz frutos imediatos. Eles aparecerão quando o Senhor, em nome de Quem actuamos, assim achar oportuno.

A pesca exige qualidades e aptidões que nem todos têm. Lembramos, hoje, uma importantíssima: A confiança! Sem esta virtude é muito difícil resistir aos fracassos e maus resultados. Mas, o pescador sabe que, algures no mar onde navega, o peixe existe e que, mais tarde ou mais cedo não deixará de entrar na rede que uma e outra vez lança às águas. Compara-se muito o apostolado pessoal com a pesca e é, de facto, uma comparação muito real. Como dissemos, para se obterem resultados na pesca, há que insistir com confiança no trabalho mil vezes repetido e não desistir nunca pois não é de crer que, sem mais, o peixe salte das águas para dentro do barco. Pois também não devemos esperar que o objecto do nosso apostolado venha subitamente, ter connosco aceitando aquele convite que alguma vez fizemos e que não tornámos a repetir. Será a nossa insistência sem desfalecimento nem intervalos que produzirá os frutos que esperamos mas, atenção, tal como neste trecho do Evangelho de São Lucas é fundamental que sigamos fielmente as instruções – direcção espiritual – que nos vão sendo dadas por quem pode e tem autoridade para o fazer. Entregues a uma tarefa por nosso livre alvedrio, sem direcção e ajuda pouco ou nada conseguiremos.

São Lucas relata algo extraordinário: Jesus estendeu a mão e tocou o leproso! Naquele tempo a lepra obrigava à segregação radical dos que a tinham e (era uma doença bastante comum naquele tempo) esta segregação imposta pela Lei era observada com todo o rigor. Os circunstantes deverão ter ficados mudos de espanto ao ver o gesto do Senhor. Não obstante, Jesus Cristo deseja que tudo fique devidamente registado e por isso mesmo manda que o miraculado cumpra o que a Lei previa em casos de cura. Nós pensamos que seríamos capazes de fazer o mesmo? Ultrapassar a repulsa natural e tocar alguém na mesma situação? Bom… mas e o pecado… essa autêntica lepra da alma que a torna tão repulsiva como a da doença, convivemos com ele sem problema algum?

É interessante verificar que o Evangelista tem o cuidado de mencionar a presença de fariseus e doutores da lei na assembleia que rodeava Jesus. Talvez estivessem ali por mera curiosidade, mas, a sua presença confere, de certo modo, uma credibilidade maior ao milagre que Jesus irá praticar. De facto, foram eles próprios que “obrigaram” o Senhor a curar o paralítico para que ficassem com um testemunho iniludível do Seu poder como Deus Verdadeiro.

De forma iniludível Jesus confirma a Sua divindade e neste caso como que a pedido dos fariseus e doutores da lei. Podemos perguntar que mais seria necessário para que acreditassem! A verdade é que constatam o milagre com os seus próprios olhos, mas o seu coração não quer ver não quer aceitar a evidência. Pessoas assim não acreditam senão em si próprias e só os seus valores ou critérios é que contam. Não são dignas de pena? A resposta de Jesus não pode ser mais clara ou concludente. E, além disso, na “lógica” dos planos divinos para a salvação da humanidade, perfeitamente natural. Não parece possível que alguém não tivesse entendido as Suas palavras ou não entendesse o Seu propósito.

Já estamos como que habituados ao chamamento de Jesus Cristo mas, nem por isso deixa de nos impressionar a simplicidade do desafio: «Segue-me». Claro que não conhecemos a entoação ou enfâse com que o Senhor diria este «Segue-me» mas, a verdade, é que o que é convidado aceita sem mais o convite deixando umas redes de pesca, um posto de cobrança de impostos, o que for. Pensemos um pouco se, acaso, este «Segue-me» nos fosse dirigido a nós; o que faríamos?

Uma aparente contradição? Não me parece. Quem não quer beber o vinho novo porque o “velho é que é bom” não está disposto a mudar de vida, mantém-se fechado ás insinuações do Espírito, conforma-se com o que tem, acomoda-se com o que faz. É o aburguesamento, o estado terrível dos que se consideram muito bem naquilo que fazem e sabem e se recusam a tentar fazer outra coisa melhor e a saber mais detalhadamente as verdades da Fé. É o comodismo dos que não querem “incomodar-se” com novos desafios, ou outras hipóteses de vida: mudar o quê e para quê? Cumprem os “mínimos” vão á Missa ao Domingo, procurando uma que seja breve e pouco exigente, rezam “alguma coisa” só porque, enfim, não custa muito e sempre é melhor prevenir… São os que, nas aflições que a vida traz, pedem, ás vezes com fervor, mas, raramente se lembram de dar graças por tantos benefícios que o Senhor dá, nomeadamente, o dom da vida.

 

(AMA, 2010)

 


 

SÃO JOSÉ

A figura de São José no Evangelho

 

José amou Jesus como um pai ama o seu filho, tratou-o dando-lhe tudo que de melhor tinha. José, cuidando daquele Menino como lhe tinha sido ordenado, fez de Jesus um artesão: transmitiu-lhe o seu ofício. Por isso, os vizinhos de Nazaré falavam de Jesus chamando-lhe indistintamente «faber» e «fabri filius»: artesão e filho do artesão. Jesus trabalhou na oficina de José e junto de José. Como seria José, como teria actuado nele a graça, para ser capaz de levar a cabo a tarefa de desenvolver no aspecto humano o Filho de Deus?

(São Josemaria, Cristo que passa, 55)

  


    

 REFLEXÃO

 

Estamos nas mãos de Deus. Todos os acontecimentos  que Ele manda ou permite têm o seu significado e estão dirigidos para nosso proveito. (...) O que Eu faço não o entendes agora... Também a nós nos ocorre o mesmo que a Pedro: ás vezes não compreendemos os acontecimentos que o Senhor permite: a dor, a enfermidade, a ruína económica, a perda do posto de trabalho, a morte de um ser querido quando estava nos começos da vida. Ele tem uns planos mais altos, que abarcam esta vida e a felicidade eterna. Não nos vamos fiar do Senhor e da Sua providência amorosa? Somente vamos confiar n’Ele quando os acontecimentos nos pareçam humanamente aceitáveis? Estamos nas Suas mãos, e em nenhum outro sítio poderíamos estar melhor. Um dia, no final da vida, o Senhor nos explicará com pormenores o porquê de tantas coisas que aqui não entendemos, e veremos a mão providente de Deus em tudo, até no mais insignificante. (...) Senhor, Tu sabes mais. Em Ti me abandono. Já entenderei mais tarde.

 

(Francisco Fernández carvajal, Falar com Deus, Tempo Comum, 30ª Sem., 4ª F.)

 


 

SÃO JOSEMARIA – textos

 

Filiação divina

Então foi Jesus da Galileia ao Jordão ter com João, para ser baptizado por ele. E eis uma voz do Céu, que dizia: Este é o meu Filho, o amado, no qual pus as minhas complacências (Mt 3, 13.17). No Baptismo o Nosso Pai, Deus, tomou posse das nossas vidas, incorporou-nos na vida de Cristo e enviou-nos o Espírito Santo. A força e o poder de Deus iluminam a face da Terra. Faremos arder o mundo nas chamas do fogo que vieste trazer à terra!…E a luz da Tua verdade, ó nosso Jesus, iluminará as inteligências por dia sem fim! Ouço-Te clamar, ó meu Rei, com a forte voz, que vibra: ignem veni mittere in terram, et quid volo nisi ut accendatur? – E respondo, com todo o meu ser, comos meus sentidos e as minhas potências: ecce ego: quia vocasti me!Nosso Senhor pôs-te na alma um selo indelével, por meio do Baptismo: és filho de Deus. Criança, não ardes em desejos de fazer com que todos O amem? (Santo Rosário, Iº mistério luminoso)