07/08/2021

NUNC COEPI: Publicações em Agosto 7

  

Sábado 

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me: Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.

Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?




 LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

 

Lc VI, 1-49

 

Os discípulos colhem espigas ao Sábado

1  Num Sábado passando pelas searas, os Seus discípulos colhiam espigas e, esfregando-as com as mãos, comiam-nas. 2  E alguns dos fariseus  disseram-lhes: Por que fazeis o que não é lícito fazer nos sábados? 3  E Jesus, respondendo-lhes, disse: Nunca lestes o que fez David quando teve fome, ele e os que com ele estavam? 4  Como entrou na casa de Deus, e tomou os pães da proposição, e os comeu, e deu também aos que estavam com ele, os quais não é lícito comer senão só aos sacerdotes? 5  E dizia-lhes: O Filho do homem é Senhor até do sábado.

 

A mão atrofiada

6  E aconteceu também noutro sábado, que entrou na sinagoga, e estava ensinando; e havia ali um homem que tinha a mão direita mirrada. 7  E os escribas e fariseus observavam-no, se curaria no sábado, para encontrarem de que o acusar. 8  Mas ele bem conhecia os seus pensamentos; e disse ao homem que tinha a mão atrofiada: Levanta-te, e fica em pé no meio. E, levantando-se ele, ficou em pé. 9  Então Jesus lhes disse: Uma coisa vos hei de perguntar: É lícito nos sábados fazer bem, ou fazer mal? Salvar a vida, ou matar? 10  E, olhando para todos em redor, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele assim o fez, e a mão ficou curada. 11  E ficaram cheios de furor, e uns com os outros conferenciavam sobre o que fariam a Jesus.

 

Escolha dos Apóstolos

12  E aconteceu que naqueles dias subiu ao monte a orar, e passou a noite em oração a Deus. 13  E, quando já era dia, chamou a si os seus discípulos, e escolheu doze deles, aos quais deu o nome de Apóstolos: 14  Simão, ao qual também chamou Pedro, e André, seu irmão; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu; 15  Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelote; 16  E Judas, irmão de Tiago, e Judas Iscariotes, que foi o traidor.

 

As multidões e Jesus

17  E, descendo com eles, parou num lugar plano, e também um grande número de seus discípulos, e grande multidão de povo de toda a Judeia, e de Jerusalém, e da costa marítima de Tiro e de Sidom; os quais tinham vindo para o ouvir, e serem curados das suas enfermidades, 18  Como também os atormentados dos espíritos imundos; e eram curados. 19  E toda a multidão procurava tocar-lhe, porque saía dele virtude, e curava a todos.

 

Sermão da montanha; as bem-aventuranças

20  E, levantando ele os olhos para os seus discípulos, dizia: Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus. 21  Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis fartos. Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir. 22  Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem e quando vos separarem, e vos injuriarem, e rejeitarem o vosso nome como mau, por causa do Filho do homem. 23  Folgai nesse dia, exultai; porque eis que é grande o vosso galardão no céu, pois assim faziam os seus pais aos profetas.

 

Admoestações

24  Mas ai de vós, ricos! porque já tendes a vossa consolação. 25  Ai de vós, os que estais fartos, porque tereis fome. Ai de vós, os que agora rides, porque vos lamentareis e chorareis. 26  Ai de vós quando todos os homens de vós disserem bem, porque assim faziam seus pais aos falsos profetas.

 

Amar os inimigos

27  Mas digo-vos a vós: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam; 28  Bendizei os que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam. 29  Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, nem a túnica recuses; 30  E dá a qualquer que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho tornes a pedir. 31  E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira lhes fazei vós, também. 32  E se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Também os pecadores amam aos que os amam. 33  E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que recompensa tereis? Também os pecadores fazem o mesmo. 34  E se emprestardes àqueles de quem esperais tornar a receber, que recompensa tereis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para tornarem a receber outro tanto. 35  Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus. 36  Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. 37  Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; soltai, e soltar-vos-ão. 38  Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo.

 

O guia cego

39  E dizia-lhes uma parábola: Pode porventura o cego guiar o cego? Não cairão ambos na cova? 40  O discípulo não é superior a seu mestre, mas todo o que for perfeito será como o seu mestre.

 

A palha e a trave

41  E por que atentas tu no argueiro que está no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho? 42  Ou como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho, não atentando tu mesmo na trave que está no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão. 43  Porque não há boa árvore que dê mau fruto, nem má árvore que dê bom fruto. 44  Porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto; pois não se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos abrolhos. 45  O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal, porque da abundáncia do seu coração fala a boca.

 

Jesus exorta a pôr em prática os Seus mandamentos

46  E por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo? 47  Qualquer que vem a mim e ouve as minhas palavras, e as observa, eu vos mostrarei a quem é semelhante: 48  É semelhante ao homem que edificou uma casa, e cavou, e abriu bem fundo, e pós os alicerces sobre a rocha; e, vindo a enchente, bateu com ímpeto a corrente naquela casa, e não a póde abalar, porque estava fundada sobre a rocha. 49  Mas o que ouve e não pratica é semelhante ao homem que edificou uma casa sobre terra, sem alicerces, na qual bateu com ímpeto a corrente, e logo caiu; e foi grande a ruína daquela casa.

 

Comentário

 

Para praticar o bem não interessam nem o dia nem o local ou circunstâncias. Jesus está sempre ao dispor dos homens para ajudar, assistir, curar. E, nós, também não devemos ter dias "especiais" para estar com Ele, visitá-lo, rezar com toda a nossa alma e capacidades. Coloco-me na pessoa do homem com a mão paralisada e interrogo-me: ‘Como é que o Senhor me manda estender a mão se bem sabe que não posso?’ Eu, de facto, não posso, mas Ele, Jesus Cristo pode tudo e se Ele me mandou estender a mão nada mais tenho a fazer: levanto-me e estendo-a! A confiança no Senhor faz tudo o que eu, por mim não posso fazer e pobre de mim se não fizer o que Ele me manda! Ficarei com a mão, todo eu, paralisado para sempre! Quando Ele me diz; insinua na minha alma: ‘vá… faz isto…’; eu faço ou fico-me a pensar que talvez não tenha percebido bem, que, talvez, o Senhor quisesse dizer-me outra coisa qualquer? Sim… porque eu… não posso nada…. Estou paralisado, de pés e mãos atados ao pouco – ao nada - que sou! Isto é o que penso na minha pretensão de humildade! Enormíssimo erro, falsa modéstia! O Senhor, que me conhece muito melhor que eu me conheço a mim próprio, se me manda fazer – seja o que for – é porque sabe que, eu, sou capaz e – mais – espera que eu o faça. E, assim, estendo a minha mão absolutamente confiante que, Ele, sabe mais.

Há sem dúvida alguma, um claríssimo acto de fé por parte deste homem. Sim... ele sabe que o que Jesus lhe manda que faça  -  estender a mão atrofiada - é algo impossível. Mas Jesus vai mais longe quer que o faça publicamente em face de quantos estão na Sinagoga! Assim, além da fé, o homem acredita que Cristo lhe está a dizer - claramente - que pretende que sirva de exemplo aos circunstantes. Acredita e colabora e colabora exactamente porque acredita.

A Doutrina da Igreja não é um conjunto de regras estáticas e rigorosas que se impõem aos fiéis de forma discricionária. A Igreja é Mãe e como tal não quer impor aos seus filhos nem pesos ou grilhões que condicionem a sua vida. Nem poderia porque segue o seu Chefe e Cabeça que deixou muito claro que não vinha impor sacrifícios, mas sim pedir misericórdia e amor. Mas acima de tudo deve prevalecer o bom senso e são critério.

As aparências! A crítica fácil! O julgamento impiedoso! Que terríveis comportamentos dos que se julgam superiores aos outros. Orgulho? Sim, claro, mas mais que isso. Estas pessoas estão tão "cheias de si mesmas" têm-se em tão elevada consideração que nada que os outros façam fica sem ser avaliado, aferido, criticado e, a muitas vezes, condenado.

O conflito entre os fariseus e Jesus Cristo a propósito do Sábado é permanente. Para aqueles o cumprimento escrupuloso da Lei chega ao ridículo inconcebível. As pessoas, as suas necessidades, os seus problemas pessoais, não interessam para nada nem, no seu tortuoso entender, interessam a Deus. Jesus Cristo há-de dizer-lhes que não quer ‘sacrifícios, mas misericórdia’ e, isto, é absolutamente incompreensível. Às vezes, parece, que o Mestre os provoca propositadamente, curando pessoas ao Sábado e, julgo, que tenho razão porque, o que Jesus pretende, não é julga-los a eles, mas que se convençam por si próprios o que realmente interessa a Deus: As pessoas e não as regras ou sacrifícios. Quer os Seus filhos felizes, já nesta terra, e não miseráveis acabrunhados e perdidos como «ovelhas sem pastor» como Jesus lhes chamará.

Porque é que os discípulos de Jesus comiam a espigas da seara por onde passavam? A resposta parece óbvia: porque tinham fome! Umas poucas espigas, parco alimento, tornam-se alimento irresistível! E... ficamos admirados? A quem nada tem o pouco parece muito e por aqui se vê as provações a que Jesus e os Seus seguidores se sujeitavam no seu constante deambular pelas terras de Israel para anunciar o Reino de Deus. No fim e ao cabo, - podemos concluir - o apostolado para ser verdadeiramente eficaz tem de apoiar-se no sacrifício pessoal, inclusive privação se tal for necessário. Qualquer apóstolo tem de entregar-se ao serviço que lhe compete sem olhar para trás, comodismo ou conforto, mas, bem ao contrário, estar disposto a tudo fazer para alcançar o objectivo que se propõe: conquistar almas para Deus!

O discurso de Jesus é uma catequese muito específica e completa aos Seus discípulos. E, quando lhe chamo “completa”, é porque realmente considero que nada fica por dizer, nenhum aviso ou recomendação fica por dar no que respeita ao comportamento que o Senhor espera daqueles mais próximos que serão os primeiros a espalhar por toda a parte o anúncio do Reino de Deus. Sempre, subjacente a todas as Suas palavras, está bem implícito o AMOR, amor a Deus e amor aos outros. E não restem dúvidas que será o Amor que há-de conduzir todos estes e os levará ao cumprimento cabal da sua missão evangelizadora.

Jesus discursa sobre as regras de conduta de qualquer pessoa. Resume-se – pode assim dizer-se – a fazer aos outros o que desejamos nos façam a nós. Deixemos de lado as “dificuldades” como, por exemplo amar o inimigo. É difícil? Custa resistir à tentação de retribuir na mesma “moeda”? É verdade, somos assim mesmo, pensamos primeiro em nós e, depois nos outros. Suponhamos que somos nós quem ofende outro: justificamos a sua conduta se também ele nos ofender? Não será muito mais conveniente e sadio pedir perdão, desculpa pela ofensa e tentar reparar? Somos, de verdade, impecáveis nas nossas relações com os outros - quer em obras quer em pensamentos – não emitimos juízos nem “medimos” com critério “curto” o que pedem que lhes façamos? Somos o “centro”, os “credores” das atenções e cuidados dos outros ou também nos interessamos por eles e pelo que possam legitimamente esperar de nós? No fim e ao cabo, o critério que o Senhor propõe é uma regra simples, como já se enunciou: “fazer aos outros o que desejamos nos façam a nós”.

Parece ser um conjunto de regras algo difícil de cumprir já que se trata de amar sem peso nem medida os outros. A recompensa é “fabulosa” «deitar-vos-ão no regaço uma boa medida, calcada, sacudida, a transbordar». O Senhor nunca Se fica por menos mas, de qualquer forma avisa: «A medida que usardes com os outros será usada também convosco». Atenção, pois, será bem avisado quem proceder com o próximo como indica o Segundo Mandamento, que a própria Lei refere tão importante como o Primeiro.

Ora aqui está uma sentença que deve merecer toda a nossa atenção: «A medida que usardes com os outros será usada convosco.» É uma referência muito específica à Justiça de Deus. Todos somos Seus filhos e a todos quer por igual. Assim, porque razão haveria de ser mais pródigo com uns que com outros? Na verdade, a medida que Deus usar connosco será escolhida por nós.

Suponhamos que estamos no tribunal e que o Juiz nos pergunta: Que pena hei-de considerar no seu caso, que lhe parece? Teríamos de responder honestamente: 'Algo similar ao que eu considerei em relação aos outros.' E o Juiz responderia: Acho justo! Volto a repetir o que já escrevi:  Tendo em consideração o que acabamos de ler, a sentença será elaborada por nós. O Senhor a aplicará conforme achar justo.

O Evangelista parece sublinhar que, neste momento, Jesus se dirige principalmente aos discípulos e não tem qualquer dúvida em considerá-los felizes por já pertencerem ao Reino dos Céus. Não obstante as contrariedades, privações, insultos, perseguições e desafios que irão encontrar na vida de todos os dias, principalmente motivados pelo facto de serem Seus discípulos, a sua recompensa está assegurada: «Alegrai-vos e exultai nesse dia, pois a vossa recompensa será grande no Céu». Vale a pena, pois, seguir Jesus com confiança e determinação, Ele nunca os que O seguirem.

À “primeira vista” pode parecer que Jesus está como que a fazer um vaticínio, a prever um futuro. Não! O Senhor não é um “mago” que lê a sina nem se põe a adivinhar o futuro. Bem ao contrário, quer que quem O escuta compreenda e tenha bem a noção das consequências do seu comportamento na vida corrente. Os actos que praticamos têm sempre uma consequência e, a vida que vivemos, um resultado. Nada do que fazemos fica por “contabilizar” nem sequer com a desculpa: “não sabia”, “foi sem querer”. O cristão não deve fazer nada – absolutamente – por acaso, sem pensar bem se o que faz – ou diz – trará benefícios ou, ao contrário, prejuízos para si próprio e para outros. Isto nunca acontecerá se tentarmos com verdadeiro empenho, fazer, em tudo a Vontade de Deus.

Pôr em prática as palavras de Cristo equivale a fazer a Vontade de Deus e, esta, só pode ser boa para nós. Porquê? Porque o Deus Nosso Senhor e Criador só pode querer o que é bom para os Seus filhos e dar-lhes-á quanto necessário para poderem pôr em prática o que convém. Todos nós temos bem claras as imagens que Jesus utiliza nestes trechos do Evangelho. Quando se trabalha mal, contra vontade e renitência o que fizermos ficará imperfeito, com deficiências que podem ser graves e, consequentemente, resultados catastróficos. E, se pensarmos bem, o trabalho mal feito cansa tanto como se o fizermos bem ou, por outras palavras, não ganhamos nada e podemos perder muito. As consequências de um trabalho feito apressadamente sem zelo nem critério podem causar enormes prejuízos não só a nós, mas também a outros.

Jesus profere umas palavras que devemos reter com muita atenção: «Não está o discípulo acima do mestre, mas o discípulo bem formado será como o mestre.» Ninguém pode fazer as vezes de Cristo, mas quando nos dedicamos ao apostolado – que deve ser dever de todo o cristão – só o deveremos fazer se possuirmos conhecimentos correctos e, sobretudo, uma doutrina sólida e bem estruturada. Afinal, o apostolado que fazemos é em nome de Cristo e não deverá ter absolutamente nada da nossa lavra.

De nada servem as palavras, as intenções, as promessas sem, de facto, não se traduzem em obras. Não seremos avaliados, ou teremos de responder pelo que dissemos, mas sim pelo que fizemos. As obras marcam o homem, conferem-lhe a dignidade que deve ter ou, ao contrário, podem colocar em sério risco a sua salvação. Res non verba, obras e não palavras é o que se nos pede. As pessoas que nos rodeiam podem não escutar o que dizemos ou, até, não compreender o que afirmamos mas, seguramente veem o que fazemos e avaliam-nos por isso mesmo.

 

(AMA, 1999)

 


 

SANTÍSSIMA VIRGEM

 

 

Reflexão

Mediante a graça recebida no Baptismo, o homem participa no eterno nascimento do Filho e a partir do Pai, porque é constituído filho adoptivo de Deus: filho no Filho.

 

(São João Paulo II, Homília, 23.03.1980)

 

 

 


SÃO JOSEMARIA – textos

 

 A messe é grande e poucos os operários

A messe é grande e poucos os operários. – "Rogate ergo!". – Rogai, pois, ao Senhor da messe que envie operários para o seu campo. A oração é o meio mais eficaz do proselitismo. (Caminho, 800)

Ainda ressoa no mundo aquele clamor divino: "Vim trazer fogo à Terra, e que quero senão que se ateie?". – E bem vês: quase tudo está apagado... Não te animas a propagar o incêndio? (Caminho, 801)

Querias atrair ao teu apostolado aquele homem sábio, aquele poderoso, e aquele cheio de prudência e virtudes. Pede por eles, oferece sacrifícios e prepara-os com o teu exemplo e com a tua palavra. – Não: vêm? – Não percas a paz; é que não são precisos. Julgas que não havia contemporâneos de Pedro sábios e poderosos, e prudentes, e virtuosos, fora do apostolado dos primeiros doze? (Caminho, 802)

 

 

06/08/2021

NUNC COEPI: Publicações em Agosto 6

 


Sexta-Feira 

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

 

PLANO DE VIDA:  (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Pequena mortificação

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 

 

TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR

 



LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

 

Lc V, 1-39

 

Pesca milagrosa

1  E aconteceu que, apertando-o a multidão, para ouvir a palavra de Deus, estava ele junto ao lago de Genesaré; 2  E viu dois barcos junto à praia do lago; e os pescadores, havendo descido deles, estavam lavando as redes. 3  E, entrando num dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra; e, sentando-se, ensinava do barco a multidão. 4  E, quando acabou de falar, disse a Simão: Faz-te ao mar alto, e lançai a rede para pescar. 5  E, respondendo Simão, disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, sob a tua palavra, lançarei a rede. 6  E, fazendo assim, colheram uma grande quantidade de peixes, e rompia-se-lhes a rede. 7  E fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco, para que os fossem ajudar. E foram, e encheram ambos os barcos, de maneira tal que quase iam a pique. 8  E vendo isto Simão Pedro, prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, ausenta-te de mim, que sou um homem pecador. 9  Pois que o espanto se apoderara dele, e de todos os que com ele estavam, por causa da pesca que haviam feito. 10  E, de igual modo, também de Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. E disse Jesus a Simão: Não temas; de agora em diante serás pescador de homens. 11  E, levando os barcos para terra, deixaram tudo, e seguiram-no.

 

Cura de um leproso

12  E aconteceu que, quando estava numa daquelas cidades, eis que um homem cheio de lepra, vendo Jesus, prostrou-se sobre o rosto, e rogou-lhe, dizendo: Senhor, se quiseres, podes limpar-me. 13  E ele, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero, sê limpo. E logo a lepra desapareceu dele. 14  E ordenou-lhe que a ninguém o dissesse. Mas disse vai e mostra-te ao sacerdote, e oferece, pela tua purificação, o que Moisés determinou, para que lhes sirva de testemunho. 15  A sua fama, porém, propagava-se ainda mais, e juntava-se muita gente para o ouvir e para ser curada das suas enfermidades. 16  Ele, porém, retirava-se para os desertos, e ali orava.

 

Cura de um paralítico

 

17  E aconteceu que, num daqueles dias, estava ensinando, e estavam ali sentados fariseus e doutores da lei, que tinham vindo de todas as aldeias da Galileia, e da Judeia, e de Jerusalém. E a virtude do Senhor estava com ele para curar. 18  E eis que uns homens transportaram numa cama um homem que estava paralítico, e procuravam fazê-lo entrar e colocá-lo diante dele. 19  E, não achando por onde o pudessem levar, por causa da multidão, subiram ao telhado, e por entre as telhas baixaram-no com a cama, até ao meio, diante de Jesus. 20  E, vendo ele a fé deles, disse-lhe: Homem, os teus pecados te são perdoados. 21  E os escribas e os fariseus começaram a arrazoar, dizendo: Quem é este que diz blasfémias? Quem pode perdoar pecados, senão só Deus? 22  Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, respondeu, e disse-lhes: Que arrazoais em vossos corações? 23  Qual é mais fácil? dizer: Os teus pecados te são perdoados; ou dizer: Levanta-te, e anda? 24  Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa. 25  E, levantando-se logo diante deles, e tomando a cama em que estava deitado, foi para sua casa, glorificando a Deus. 26  E todos ficaram maravilhados, e glorificaram a Deus; e ficaram cheios de temor, dizendo: Hoje vimos prodígios.

 

Vocação de Levi

27  E, depois disto, saiu, e viu um publicano, chamado Levi, sentado na recebedoria, e disse-lhe: Segue-me. 28  E ele, deixando tudo, levantou-se e seguiu-o. 29  E fez-lhe Levi um grande banquete em sua casa; e havia ali uma multidão de publicanos e outros que estavam com eles à mesa. 30  E os escribas e os fariseus, murmuravam contra os seus discípulos, dizendo: Por que comeis e bebeis com publicanos e pecadores? 31  E Jesus, respondendo, disse-lhes: Não necessitam de médico os que estão sãos, mas, sim, os que estão enfermos; 32  Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento.

 

Questão do jejum

33  Disseram-lhe, então, eles: Por que jejuam os discípulos de João muitas vezes, e fazem orações, como também os dos fariseus, mas os teus comem e bebem? 34  E ele lhes disse: Podeis vós fazer jejuar os amigos do esposo enquanto o esposo está com eles? 35  Dias virão, porém, em que o esposo lhes será tirado, e então, naqueles dias, jejuarão. 36  E disse-lhes também uma parábola: Ninguém deita um retalho de pano novo em vestido velho, de outro modo o novo rompe o velho e o retalho do novo não condiz com o velho. 37  E ninguém deita vinho novo em odres velhos; de outra sorte o vinho novo romperá os odres, e entornar-se-á o vinho, e perder-se-ão os odres; 38  Mas o vinho novo deve deitar-se em odres novos, e ambos juntamente se conservarão. 39  E ninguém tendo bebido o velho quer o novo, porque diz: O velho é melhor.

 

Comentário

 

 

Tal como na pesca – que o Evangelho relata – as redes não se romperam, também na Igreja fundada por Jesus Cristo cabem todos, absolutamente. O reconhecimento de Pedro – instantâneo – da sua indignidade perante a presença do Cristo, é também a nossa quando meditamos na grandeza de Deus perante o pouco que somos. Mas, é exactamente esse “pouco” que o Senhor quer e por isso nos escolhe, não pelas qualidades que possamos ter mas – atrevo-me – pelos defeitos pessoais que estamos dispostos a vencer.

O que nos faltar em coragem e perseverança nessa luta por melhoria Ele o porá desde que nos entreguemos confiadamente nas Suas Mãos Misericordiosas.

Como é que aqueles homens, simples pescadores da Galileia, deixam tudo para trás e seguem Jesus? Nem fazem qualquer pergunta porque, aliás, o Senhor já tinha esclarecido o “programa” que preparara para eles nas palavras dirigidas a Pedro: «Não tenhas receio; de futuro, serás pescador de homens.» Receio? Não! Não podem sentir qualquer receio mesmo que não se dêem conta da dimensão e grandeza da missão que os espera porque têm uma garantia: aquele Senhor que os chamava estaria com eles. Evidentemente que, como Pedro, todos deveriam sentir-se indignos de Jesus, consideravam-se fracos e pecadores mas, nem por isso, sentiam medo. Jesus tinha conquistado a sua inteira confiança e, se Ele os chamava que mais poderiam fazer a não ser segui-Lo?

Pescar requer, entre outras, qualidades de paciência e perseverança. Não são a mesma coisa. Enquanto a primeira se pode traduzir na aceitação de resultados adversos, a segunda implica um esforço contínuo na obtenção desses mesmos resultados. Assim no apostolado pessoal que rarissimamente produz frutos imediatos. Eles aparecerão quando o Senhor, em nome de Quem actuamos, assim achar oportuno.

A pesca exige qualidades e aptidões que nem todos têm. Lembramos, hoje, uma importantíssima: A confiança! Sem esta virtude é muito difícil resistir aos fracassos e maus resultados. Mas, o pescador sabe que, algures no mar onde navega, o peixe existe e que, mais tarde ou mais cedo não deixará de entrar na rede que uma e outra vez lança às águas. Compara-se muito o apostolado pessoal com a pesca e é, de facto, uma comparação muito real. Como dissemos, para se obterem resultados na pesca, há que insistir com confiança no trabalho mil vezes repetido e não desistir nunca pois não é de crer que, sem mais, o peixe salte das águas para dentro do barco. Pois também não devemos esperar que o objecto do nosso apostolado venha subitamente, ter connosco aceitando aquele convite que alguma vez fizemos e que não tornámos a repetir. Será a nossa insistência sem desfalecimento nem intervalos que produzirá os frutos que esperamos mas, atenção, tal como neste trecho do Evangelho de São Lucas é fundamental que sigamos fielmente as instruções – direcção espiritual – que nos vão sendo dadas por quem pode e tem autoridade para o fazer. Entregues a uma tarefa por nosso livre alvedrio, sem direcção e ajuda pouco ou nada conseguiremos.

São Lucas relata algo extraordinário: Jesus estendeu a mão e tocou o leproso! Naquele tempo a lepra obrigava à segregação radical dos que a tinham e (era uma doença bastante comum naquele tempo) esta segregação imposta pela Lei era observada com todo o rigor. Os circunstantes deverão ter ficados mudos de espanto ao ver o gesto do Senhor. Não obstante, Jesus Cristo deseja que tudo fique devidamente registado e por isso mesmo manda que o miraculado cumpra o que a Lei previa em casos de cura. Nós pensamos que seríamos capazes de fazer o mesmo? Ultrapassar a repulsa natural e tocar alguém na mesma situação? Bom… mas e o pecado… essa autêntica lepra da alma que a torna tão repulsiva como a da doença, convivemos com ele sem problema algum?

É interessante verificar que o Evangelista tem o cuidado de mencionar a presença de fariseus e doutores da lei na assembleia que rodeava Jesus. Talvez estivessem ali por mera curiosidade, mas, a sua presença confere, de certo modo, uma credibilidade maior ao milagre que Jesus irá praticar. De facto, foram eles próprios que “obrigaram” o Senhor a curar o paralítico para que ficassem com um testemunho iniludível do Seu poder como Deus Verdadeiro.

De forma iniludível Jesus confirma a Sua divindade e neste caso como que a pedido dos fariseus e doutores da lei. Podemos perguntar que mais seria necessário para que acreditassem! A verdade é que constatam o milagre com os seus próprios olhos, mas o seu coração não quer ver não quer aceitar a evidência. Pessoas assim não acreditam senão em si próprias e só os seus valores ou critérios é que contam. Não são dignas de pena? A resposta de Jesus não pode ser mais clara ou concludente. E, além disso, na “lógica” dos planos divinos para a salvação da humanidade, perfeitamente natural. Não parece possível que alguém não tivesse entendido as Suas palavras ou não entendesse o Seu propósito.

Já estamos como que habituados ao chamamento de Jesus Cristo mas, nem por isso deixa de nos impressionar a simplicidade do desafio: «Segue-me». Claro que não conhecemos a entoação ou enfâse com que o Senhor diria este «Segue-me» mas, a verdade, é que o que é convidado aceita sem mais o convite deixando umas redes de pesca, um posto de cobrança de impostos, o que for. Pensemos um pouco se, acaso, este «Segue-me» nos fosse dirigido a nós; o que faríamos?

Uma aparente contradição? Não me parece. Quem não quer beber o vinho novo porque o “velho é que é bom” não está disposto a mudar de vida, mantém-se fechado ás insinuações do Espírito, conforma-se com o que tem, acomoda-se com o que faz. É o aburguesamento, o estado terrível dos que se consideram muito bem naquilo que fazem e sabem e se recusam a tentar fazer outra coisa melhor e a saber mais detalhadamente as verdades da Fé. É o comodismo dos que não querem “incomodar-se” com novos desafios, ou outras hipóteses de vida: mudar o quê e para quê? Cumprem os “mínimos” vão á Missa ao Domingo, procurando uma que seja breve e pouco exigente, rezam “alguma coisa” só porque, enfim, não custa muito e sempre é melhor prevenir… São os que, nas aflições que a vida traz, pedem, ás vezes com fervor, mas, raramente se lembram de dar graças por tantos benefícios que o Senhor dá, nomeadamente, o dom da vida.

 

(AMA, 2010)

 


 

SÃO JOSÉ

A figura de São José no Evangelho

 

José amou Jesus como um pai ama o seu filho, tratou-o dando-lhe tudo que de melhor tinha. José, cuidando daquele Menino como lhe tinha sido ordenado, fez de Jesus um artesão: transmitiu-lhe o seu ofício. Por isso, os vizinhos de Nazaré falavam de Jesus chamando-lhe indistintamente «faber» e «fabri filius»: artesão e filho do artesão. Jesus trabalhou na oficina de José e junto de José. Como seria José, como teria actuado nele a graça, para ser capaz de levar a cabo a tarefa de desenvolver no aspecto humano o Filho de Deus?

(São Josemaria, Cristo que passa, 55)

  


    

 REFLEXÃO

 

Estamos nas mãos de Deus. Todos os acontecimentos  que Ele manda ou permite têm o seu significado e estão dirigidos para nosso proveito. (...) O que Eu faço não o entendes agora... Também a nós nos ocorre o mesmo que a Pedro: ás vezes não compreendemos os acontecimentos que o Senhor permite: a dor, a enfermidade, a ruína económica, a perda do posto de trabalho, a morte de um ser querido quando estava nos começos da vida. Ele tem uns planos mais altos, que abarcam esta vida e a felicidade eterna. Não nos vamos fiar do Senhor e da Sua providência amorosa? Somente vamos confiar n’Ele quando os acontecimentos nos pareçam humanamente aceitáveis? Estamos nas Suas mãos, e em nenhum outro sítio poderíamos estar melhor. Um dia, no final da vida, o Senhor nos explicará com pormenores o porquê de tantas coisas que aqui não entendemos, e veremos a mão providente de Deus em tudo, até no mais insignificante. (...) Senhor, Tu sabes mais. Em Ti me abandono. Já entenderei mais tarde.

 

(Francisco Fernández carvajal, Falar com Deus, Tempo Comum, 30ª Sem., 4ª F.)

 


 

SÃO JOSEMARIA – textos

 

Filiação divina

Então foi Jesus da Galileia ao Jordão ter com João, para ser baptizado por ele. E eis uma voz do Céu, que dizia: Este é o meu Filho, o amado, no qual pus as minhas complacências (Mt 3, 13.17). No Baptismo o Nosso Pai, Deus, tomou posse das nossas vidas, incorporou-nos na vida de Cristo e enviou-nos o Espírito Santo. A força e o poder de Deus iluminam a face da Terra. Faremos arder o mundo nas chamas do fogo que vieste trazer à terra!…E a luz da Tua verdade, ó nosso Jesus, iluminará as inteligências por dia sem fim! Ouço-Te clamar, ó meu Rei, com a forte voz, que vibra: ignem veni mittere in terram, et quid volo nisi ut accendatur? – E respondo, com todo o meu ser, comos meus sentidos e as minhas potências: ecce ego: quia vocasti me!Nosso Senhor pôs-te na alma um selo indelével, por meio do Baptismo: és filho de Deus. Criança, não ardes em desejos de fazer com que todos O amem? (Santo Rosário, Iº mistério luminoso)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

05/08/2021

NUNC COEPI Publicações em Agosto 5

 


Quinta-Feira 

 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

 

Propósito: Participar na Santa Missa.

Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.

O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.

Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.

Lembrar-me: Comunhões espirituais.

Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 


LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

Lc IV, 1-44

Genealogia de Jesus

23 Ao iniciar o seu ministério, Jesus tinha cerca de trinta anos. Supunha-se que era filho de José; e este de Eli, 24 e assim sucessivamente: de Matat, de Levi, de Melqui, de Janai, de José, 25 de Matatias, de Amós, de Naum, de Esli, de Nagaí, 26 de Maat, de Matatias, de Chimei, de Josec, de Jodá, 27 de Joanan, de Ressa, de Zorobabel, de Salatiel, de Neri, 28de Melqui, de Adi, de Cosam, de Elmadam, de Er, 29 de Jesua, de Eliézer, de Jorim, de Matat, de Levi, 30 de Simeão, de Judá, de José, de Jonam, de Eliaquim, 31 de Meleá, de Mená, de Matatá, de Natan, de David, 32 de Jessé, de Obed, de Booz, de Salá, de Nachon, 33 de Aminadab, de Admin, de Arni, de Hesron, de Peres, de Judá, 34 de Jacob, de Isaac, de Abraão, de Tera, de Naor, 35 de Serug, de Ragau, de Péleg, de Éber, de Chela, 36 de Quenan, de Arfaxad, de Sem, de Noé, de Lamec, 37 de Matusalém, de Henoc, de Jared, de Maleleel, de Quenan, 38de Enós, de Set, de Adão, de Deus.

 

Jesus na Galileia

14 Impelido pelo Espírito, Jesus voltou para a Galileia e a sua fama propagou-se por toda a região. 15 Ensinava nas sinagogas e todos o elogiavam.

 

Jesus prega na sinagoga de Nazaré

16 Veio a Nazaré, onde tinha sido criado. Segundo o seu costume, entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-se para ler. 17 Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías e, desenrolando-o, deparou com a passagem em que está escrito: 18 «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, 19 a proclamar um ano favorável da parte do Senhor.» 20 Depois, enrolou o livro, entregou-o ao responsável e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21 Começou, então, a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir.» 22 Todos davam testemunho em seu favor e se admiravam com as palavras repletas de graça que saíam da sua boca. Diziam: «Não é este o filho de José?» 23 Disse-lhes, então: «Certamente, ides citar-me o provérbio: ‘Médico, cura-te a ti mesmo.’ Tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaúm, fá-lo também aqui na tua terra.» 24 Acrescentou, depois: «Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua pátria. 25 Posso assegurar-vos, também, que havia muitas viúvas em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou durante três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a terra; 26 contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas, mas sim a uma viúva que vivia em Sarepta de Sídon. 27 Havia muitos leprosos em Israel, no tempo do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi purificado senão o sírio Naaman.»

 

Os habitantes de Nazaré querem matar Jesus

28 Ao ouvirem estas palavras, todos, na sinagoga, se encheram de furor. 29 E, erguendo-se, lançaram-no fora da cidade e levaram-no ao cimo do monte sobre o qual a cidade estava edificada, a fim de o precipitarem dali abaixo. 30 Mas, passando pelo meio deles, Jesus seguiu o seu caminho.

 

Jesus vai a Cafarnaúm

31 Desceu, depois, a Cafarnaúm, cidade da Galileia, e a todos ensinava ao sábado. 32 E estavam maravilhados com o seu ensino, porque falava com autoridade.

 

Jesus liberta um possesso do demónio

33 Encontrava-se na sinagoga um homem que tinha um espírito demoníaco, o qual se pôs a bradar em alta voz: 34 «Ah! Que tens que ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos arruinar? Sei quem Tu és: o Santo de Deus!» 35 Jesus ordenou-lhe: «Cala-te e sai desse homem!» O demónio, arremessando o homem para o meio da assistência, saiu dele sem lhe fazer mal algum. 36 Dominados pelo espanto, diziam uns aos outros: «Que palavra é esta? Ordena com autoridade e poder aos espíritos malignos, e eles saem!» 37 A sua fama espalhou-se por todos os lugares daquela região.

 

Jesus cura a sogra de Pedro e outros doentes

38 Deixando a sinagoga, Jesus entrou em casa de Simão. A sogra de Simão estava com muita febre, e intercederam junto dele em seu favor. 39 Inclinando-se sobre ela, ordenou à febre e esta deixou-a; ela erguendo-se, começou imediatamente a servi-los. 40 Ao pôr do sol, todos quantos tinham doentes, com diversas enfermidades, levavam-lhos; e Ele, impondo as mãos a cada um deles, curava-os. 41 Também de muitos saíam demónios, que gritavam e diziam: «Tu és o Filho de Deus!» Mas Ele repreendia-os e não os deixava falar, porque sabiam que Ele era o Messias.

 

Jesus prega em várias cidades

42 Ao romper do dia, saiu e retirou-se para um lugar solitário. As multidões procuravam-no e, ao chegarem junto dele, tentavam retê-lo, para que não se afastasse delas. 43 Mas Ele disse-lhes: «Tenho de anunciar a Boa-Nova do Reino de Deus também às outras cidades, pois para isso é que fui enviado.» 44 E pregava nas sinagogas da Judeia.

 

Comentário

 

Talvez que este trecho de São Lucas nos dê indicações preciosas sobre a tentação que o demónio “prefere” e usa com mais frequência: o orgulho pessoal. Percebe-se porquê: O orgulho pessoal está na origem de quase todos os pecados que o homem comete porque desfoca a realidade e o critério. O mais grave, porém, é que o orgulho leva a pessoa a considerar-se capaz de tudo – inclusive resistir à tentação – levando-o a desprezar a cautela, a contenção, a prudência, o conselho.

Este episódio evangélico está rodeado de algum mistério. Porque é que o demónio tenta Jesus Cristo e porque é que o Senhor Se deixa tentar? Em primeiro lugar o demónio não tem a certeza de quem é Jesus. Ter-se-á dado conta durante a vida do Senhor das atitudes, palavras e obras que Lhe via tomar, dizer e fazer. Tudo lhe indicará que poderá tratar-se de ‘alguém’ especial. O demónio não tem porque conhecer os planos de Deus para a Redenção e, muito menos, o seu detalhe. Mas sabe, seguramente, que se espera a vinda do Messias. Será Este? De alguma forma obtém uma resposta; se a tentação vingar, então, não é de facto o Messias, caso contrário, isto é, se O for, Ele se manifestará como tal. O que realmente aconteceu. Jesus Cristo deixa que o demónio tente exercer o seu poder de forma a poder definir uma situação: a partir de agora, a luta entre as trevas e a Luz não passará pelo confronto directo que Cristo não consente mas pela exclusiva actuação demoníaca sobre os homens. Com a instalação do Reino de Deus na terra – que está prestes a acontecer - a humanidade ficará com os meios, as defesas necessárias e bastantes para lutar com êxito contra o poder do demónio que, não mais, será discricionário e quase absoluto porque, reatando as ‘relações’ com a humanidade, perdidas com o pecado original, O Criador vai mais longe e converte os homens – todos – em Seus filhos e estará disponível para os ajudar numa luta, até então, desigual. Isto se demonstra na última frase do texto: «o demónio retirou-se d'Ele até outra ocasião» que se verifica em Getsémani quando a humanidade do Senhor entra em conflito íntimo e doloroso com a missão que O trouxe ao mundo. Por duas vezes o Demónio diz «Se és filho de Deus» o que demonstra que, de facto não sabe ou, pelo menos, não tem a certeza de quem verdadeiramente é Jesus. Deve servir-nos de consolação este limite ao conhecimento dos homens imposto por Deus ao Demónio. De facto é-lhe vedado conhecer o nosso íntimo e apenas, como ser inteligente que é, pode presumir, pelas nossas atitudes e comportamento se estamos ou não em situação para sermos tentados. Dando um exemplo muito gráfico e simples, se nos dispomos a ligar um determinado canal de televisão é muito possível que o diabo nos tente em questões que têm a ver com a pureza. Caso contrário seria como que “um tiro no escuro”, o que também faz amiúde.

Quem está disposto a ouvir não se deve importar tanto com que diz, mas com o que é dito, pois ninguém sendo mau, pode falar de coisas boas. Ninguém poderá acusar Jesus de ter deliberadamente escondido a Sua identidade e ocultar a missão que vinha cumprir. Ele próprio o confessa dando como “garantia” das Suas palavras a própria Escritura. É interessante verificar que o Evangelista não menciona que alguém dos que estavam presentes tivesse colocado alguma questão. Ao mesmo tempo, quando dizem «Não é este o filho de José?», percebe-se que entenderam perfeitamente o que Jesus Cristo queria significar com a sentença que proferiu: «Hoje cumpriu-se este passo da Escritura que acabais de ouvir». De facto, não fazem nenhuma pergunta, não solicitam qualquer esclarecimento. Gostam do que ouvem e da forma como Jesus Cristo fala sobre as Escrituras mas… ficam-se por aí porque, a incredulidade começa a instalar-se nos seus espíritos e, o que se passará a seguir, será a prova concludente disto mesmo. Talvez com algum de nós aconteça o mesmo, interessam-se pelo que dizemos e como dizemos mas… não nos levam a sério, têm-nos numa conta que não confere autoridade ao que dizemos e, então, porquê espantar-nos? Quando se diz a verdade há que contar com as dúvidas dos que nos escutam. As pessoas não estão habituadas à verdade e muito menos a aceitam quando ela colide com os seus interesses, preconceitos ou convicções que ao longo da vida foram construindo. Preferem ignorá-la ou, então, que lhes mintam. Assim tudo se torna mais fácil e não haverá que reconhecer o erro e corrigir.

Pela primeira vez, na Sua terra, no meio dos Seus conhecidos e parentes, Jesus Cristo declara a Sua divindade dizendo claramente que, Ele, é o Messias. Talvez por alguma deferência por aqueles que O conheciam desde muito pequeno, a Sua Mãe e demais pessoas de família, não quis perder esta oportunidade, que não se repetirá, de fazer tal revelação mesmo sabendo que não iriam acolhê-la e, muito menos acreditar nele. É um ensinamento precioso que Cristo nos dá no que ao apostolado se refere. Os que nos estão mais próximos devem ser o nosso primeiro objectivo. Jesus Cristo diz com clareza:  “O Espírito do Senhor repousou sobre Mim; pelo que Me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres; Me enviou para anunciar a redenção aos cativos, e a recuperação da vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a pregar um ano de graça da parte do Senhor”.» Podemos perguntar: Mas Jesus Cristo não veio para salvar todos os homens? Então porque nomeia os pobres, os cativos, os cegos, os oprimidos? Penso que a razão reside no facto de estes que Ele nomeia são os que estão como que à margem da sociedade e, Ele, nomeando-os, quer significar exactamente que ninguém – absolutamente – é excluído do Reino de Deus, todos têm uma mesma dignidade de Filhos de Deus, todos são “candidatos” à vida eterna. Mas, considerando sob outro ponto de vista, facilmente concluímos que o Senhor Se refere às Obras de Misericórdia que devem ser uma preocupação de qualquer homem e, por excelência, de todo o cristão. Num outro versículo, afirma que também vem: «Pregar um ano de graça da parte do Senhor». Não sei se a Igreja Católica, os Papas, a declararem um “Ano Santo” – como este que vivemos agora, o Ano Santo da Misericórdia [i] – seguem, de alguma forma esse desejo de Missão que Jesus Cristo tão claramente específica.

As pessoas mudam de opinião e atitude com uma ligeireza impressionante. Quando o que ouvem lhes agrada tecem louvores a quem lhes fala e admiram-se com o que diz. Já se o que se diz não é do seu agrado, ou, pior, envolve uma crítica justa e absolutamente correcta sustentada em factos indesmentíveis a assembleia muda de atitude, desinteressa-se do assunto ou, toma atitudes de confronto aberto e violento. De facto, a missão do apóstolo é dizer a verdade custe o que custar e não procurar agradar a quem o escuta. Poder-se-á depreender das palavras de Cristo que nos tempos daqueles Profetas não haveria em Israel gente sã, correcta e cumpridora da lei de Deus? Claro que não! A ilação a tirar é justamente o oposto: Deus é Pai de todos os homens e todos independentemente da sua raça, origem, cor da pele ou outra coisa qualquer merecem o Seu carinho e interesse.

O Senhor não faz – nunca – acepção de pessoas como um Pai não tem mais amor a um filho que a outro.

Há uma afirmação de São Lucas neste trecho do Evangelho que nos dá que pensar: «Mas, passando pelo meio deles, Jesus seguiu o seu caminho.» Como se, de repente, O Senhor ficasse invisível aos olhos dos que O rodeavam – e eram muitos a comprimir-se à Sua volta – de tal forma que deixaram de O ver! Mas, é verdade: o Senhor só Se deixa ver por quem, quando e como quer. Chegada a hora derradeira do Calvário muitos hão-de vê-Lo suspenso da Cruz mas, desses, quantos saberão de facto e acreditam que estão contemplando o Salvador do mundo no Seu derradeiro e extraordinário sacrífico? De facto, os olhos podem ver mas só o coração, a alma simples e pura podem compreender de facto o que aqueles vêem. Muitas vezes, segundo os Evangelistas, as pessoas admiravam-se com a doutrina de Cristo e, sobretudo com a forma como a expunha: com autoridade. Mas não só autoridade, mas com exemplos ou parábolas que a tornavam acessível e simples. ‘Fazei assim como Eu faço’, parece Jesus dizer com veemência conclusiva. O exemplo é o melhor ensinamento, o mais credível e aceitável. Vê-se bem a diferença de acolhimento prestado a Jesus em Cafarnaum e em Nazaré. Será porque os de Cafarnaum têm mais fé? Será, talvez, porque não têm preconceitos nem reservas de intenção, mas, antes, genuína vontade de aprender. Jesus dá-nosu m exemplo muito concreto do que deve ser o nosso apostolado. Por vezes podemos ser tentados a permanecer no mesmo local com as mesmas pessoas com quem vimos desenvolvendo acção apostólica e descurar outros que também precisam de nós. Não quer dizer que abandonemos os primeiros, mas, uma vez 'conquistados' e encaminhados por um director espiritual, continuando a rezar por eles, devemos procurar outros. Quem? Se não o vemos claramente, pedindo ao Espírito Santo que nos ilumine e ao nosso Director Espiritual que nos aconselhe, consegui-lo-emos. O apostolado não pode parar e, muito menos, 'contentar-se' com algum sucesso obtido. Não o esqueçamos, como afirmava S. Josemaria: de cem almas interessam-nos cem! Jesus cura todos os doentes que eram trazidos pelos familiares e amigos. Não um, três ou mais… não, cura todos. Não faz um milagre “geral” mas diversos milagres já que, diz o evangelista «impunha as mãos a cada um deles». Cada homem é objecto da Sua atenção, do Seu cuidado, do Seu amor. Esta lição que o Senhor dá a todos quantos pretendem que a administração dos Sacramentos se pode fazer de forma impessoal e multitudinária. Como um raio de luz incandescente assim é a acção de Jesus sobre os que procuram alívio para os seus males deixando as multidões atónitas e maravilhadas. Este Médico que cura a febre da sogra de Pedro tem remédio para todo e qualquer sofrimento ou debilidade humanas. Pode tudo e tudo se Lhe submete. Como nos deve encher de confiança ter tão extraordinário médico sempre disponível para nos atender.

Devemos guardar como exemplo a seguir este trecho do Evangelho: «falava com autoridade». Temos, portanto, estrita obrigação de conhecer a Doutrina da nossa Santa Religião completamente segura e sem titubeios para que o que transmitimos seja credível e aceite. As pessoas que ouviam Jesus admiravam-se da «Sua doutrina, porque falava com autoridade». No apostolado – missão de todo o cristão – não se pode falar sem a certeza absoluta que o que se diz é correcto. A Doutrina bem estruturada é fundamental para que os outros possam acreditar em nós e, como pretendemos, ser convencidos a acreditar em Jesus Cristo Nosso Senhor. Até ao fim da nossa vida não deve passar um dia sem que aprofundemos a Doutrina que enforma a nossa Fé. Os «espíritos imundos» que o Evangelho menciona mais não são que manifestações diabólicas. Antes da Redenção que Cristo veio realizar na Cruz, o demónio tinha um enorme poder porque faltava essa “barreira” de defesa contra o pecado original. O seu domínio pode, por vezes, apresentar-se como algo agradável, bom e trazendo felicidade. Mas trata-se, sempre, de embuste já que, pela sua própria natureza, só pode querer e fazer o mal. Já se sabe, muitos autores o disseram, Jesus impedia que os demónios falassem porque não queria que a Sua Pessoa Divina, Filho de Deus Pai, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, fosse revelada pelo maligno. A mim parece-me lógico: quem poderia dar crédito ao pai da mentira? Além do mais, o facto de expulsar demónios não fazia de Jesus o Filho de Deus, muitos outros os expulsavam também. Não. Jesus Cristo queria que acreditassem nele pelas Suas obras e, sobretudo, pelas Suas palavras que eram, como disse São Pedro, palavras de vida Eterna. Na verdade devia ser impressionante assistir a estas acções de Jesus. O demónio era, então, o dono do mundo que mantinha sujeito com duríssimas consequências para as pessoas. Jesus vem libertar o mundo dessa escravidão e, estas expulsões de demónios são um sinal e como que uma antecipação do que levará a cabo com a Sua Morte na Cruz e a Sua Ressurreição. Mas os que rodeiam Jesus não sabem nada disto e por isso precisam destes sinais que, entre outros, confirmam que, Ele, é o Messias.

Estas palavras de Jesus que para sempre ficaram gravadas «dificilmente alguém é profeta na sua terra», sirvam de desculpa para fugir às obrigações apostólicas que todo o cristão tem? Bem ao contrário: devem constituir um fortíssimo aviso para o comportamento, o exemplo que tem de se dar. Sobretudo aqueles que nos conhecem melhor, os da “nossa terra” mais que pelas palavras têm de ser “seduzidos” pelo exemplo do que fazemos mais que pelo possamos dizer. Que importa se somos “fáceis de palavra”, interessantes na exposição, atraentes pelo conteúdo se, o que praticamos diz o oposto, se nos conhecem por relapsos, frios, egoístas, desinteressados, soberbos, se não mostramos preocupação pelos outros, as suas vidas, dificuldades ou doenças, se não somos solidários ou participamos nas acções destinadas ao bem comum, se o “copo de água”, o “pedaço de pão”, ficam por partilhar. Ah... sim! Nestes casos bem podemos estafar-nos em “pregações” que ninguém nos dará ouvidos.

Ver Jesus! Deveria ser a vontade de toda a criatura e a sua certeza. Vultum tuum, Domine, requiram! Quero ver a Tua Face, Senhor! E hei-de vê-la, mais tarde, quando Tu assim o determinares e ficar para sempre na Sua contemplação eterna. Parece que quem lê o Evangelho diariamente – o que deveriam fazer todos os cristãos – ao deter-se no que acabou de ler e ao comentá-lo para si ou para outros, se encontra numa posição um pouco desconfortável: repito-me, já meditei, já escrevi sobre este texto! Desconfortável porquê? Cada vez que nos debruçamos sobre o texto sagrado encontramos coisas novas e, hoje, parece-me ter “descoberto” algo que ainda não tinha reparado: na contradição que surge entre os circunstantes conforme os versículos 22 e 33. Porque mudam tão subitamente de opinião? Porque motivo passam da admiração e louvor à ira e à revolta? A resposta está no próprio trecho.

Pode acontecer com qualquer um que se dedique ao apostolado – tarefa de todo o cristão – que estranhem ouvir-nos falar das coisas de Deus. Tal pode acontecer – «o discípulo não é mais que o seu Mestre» - principalmente se não formos conhecidos como cristãos autênticos, com uma unidade de vida comprovada. Defeitos? Teremos sempre, como qualquer ser humano, mas não serão eles que nos hão-de impedir levar a cabo a tarefa.

Tal como os conterrâneos de Jesus, também nós - tantas vezes - queremos um Deus à nossa medida, que seja o que nós esperamos que seja, que actue como julgamos que nos convém, em suma, um Deus ao nosso serviço. E, de facto, Ele veio «para servir, e não para ser servido», o que é bastante diferente de satisfazer os nossos caprichos e desejos. Satisfazer as nossas necessidades? Sim, mas as reais e não aquelas que julgamos ter o que, quase sempre, são coisa muito diferente.

Como é difícil ouvir a verdade! E, mais que ouvir, aceitá-la! Queremos sempre alguma prova que garanta que o que ouvimos é certo e, quando temos essa prova, não nos basta, não é suficiente. Fazemos, quase sempre, no nosso íntimo, uma construção da verdade muito própria, adequada às nossas conveniências e, então, não ouvimos – não queremos ouvir – o que vai contra essa ‘verdade’ que construímos para nós. Cegos que não querem ver, surdos que não querem ouvir, preconceituosos que não querem aceitar! E, eu? Incluo-me nalgum destes? Entrego-me de todo o coração àquele que é e própria Verdade? Ponho entraves, levanto questões, duvido? Dá-me, Senhor, um coração puro e simples para te poder ouvir e, ouvindo, acreditar em Ti. Nos “trabalhos” de apostolado deparamo-nos muitas vezes com o sentimento de vergonha ou, antes, hesitação perante um falso dilema que se nos coloca: Conhecem-me, sabem quem sou… levar-me-ão a sério? Não estranharão que fale e me apresente como uma espécie de “pregador”, eu…  que sou uma pessoa normal e corrente? Como dizia é um falso dilema por duas razões principais: A primeira reside no facto de que o que dizemos não é da nossa “lavra” mas sim sobre a Doutrina da Igreja; a segunda porque, se de facto nos conhecem, sabem muito bem o que fazemos e a forma como tentamos proceder e estranharão – isso sim – que não lhes falemos do que para nós é principal e importante. Mas, evidentemente, o que importa é que o que dissermos esteja de acordo com o que fazemos e praticamos. Só assim mereceremos credibilidade.

Um “milagre menor” poderíamos pensar! Curar uma febre não será assim “tão grande coisa”; qualquer médico, nós próprios com os remédios adequados, fazemos o mesmo quando temos acesso a um ou a outros. É verdade! Mas também é verdade - e esta é que nos interessa considerar – Jesus Cristo é, Ele próprio, o Médico e o Remédio e está sempre disponível e pronto a curar os nossos males. Não há, pois, “milagres menores”, mas intervenções da Vontade Soberana de Deus qua não deseja outra coisa que o nosso bem.

O Evangelista não refere que a sogra de Pedro tenha rompido, como muitos outros, em louvores e acções de graças pela cura alcançada. Diz que ela «levantando-se logo, servia-os». O serviço, mesmo simples e sem notoriedade é verdadeira Acção de Graças porque nada é mais agradável ao Senhor – o Servo por excelência – que imitá-Lo servindo.


 

SACRAMENTOS

 

Sacramentos em geral

1. O Mistério pascal: mistério vivo e vivificante

 

As palavras e as acções de Jesus durante a sua vida oculta em Nazaré e no seu ministério público eram salvíficas e antecipavam a força do seu ministério pascal. «Uma vez chegada a sua “Hora” (cf. Jo 13, 1; 17, 1.), Jesus vive o único acontecimento da história que não passa jamais: morre, é sepultado, ressuscita de entre os mortos e senta-Se à direita do Pai “uma vez por todas” (Rm 6, 10; Heb 7, 27; 9, 12). É um acontecimento real, ocorrido na nossa história, mas único; todos os outros acontecimentos da história acontecem uma vez e passam, devorados pelo passado. Pelo contrário, o mistério pascal de Cristo não pode ficar somente no passado, já que pela Sua morte, Ele destruiu a morte; e tudo o que Cristo é, tudo o que fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente. O acontecimento da cruz e da ressurreição permanece e atrai tudo para a vida» (Catecismo, 1085).

Como sabemos, «no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo». Daí que «a fonte da nossa fé e da liturgia eucarística é o mesmo acontecimento: a doação que Cristo fez de Si próprio no mistério pascal».

 


 

REFLEXÃO

 

Quando alguém se vê particularmente dominado por um defeito, deve armar-se só contra esse inimigo, e tratar de o combater antes que a outros (...), pois enquanto não o tenhamos superado deitaremos a perder os frutos da vitória conseguida sobre os demais.

 

(São João Clímaco, Escala del Paraíso, 15)

 

SÃO JOSEMARIA – textos

 

 

 

És filho de Deus

O baptismo faz-nos "fideles", fiéis, palavra que, como aquela outra "sancti", santos, empregavam os primeiros seguidores de Jesus para se designarem entre si, e que ainda hoje se usa: fala-se dos "fiéis" da Igreja. – Pensa nisto! (Forja, 622)

 



[i] Ano Santo Da Misericórdia –  de 08 Dez 2015 a 20 Nov 2016