14/07/2021

NUNC COEPI: Publicações em Julho 14

 



PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

Quarta-Feira 

 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Simplicidade e modéstia.

Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.

Lembrar-me: Do meu Anjo da Guarda.

Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de corres-pondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos. 

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 


LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

Mt IXI, 1-38

1 Depois disto, subiu para o barco, atravessou o mar e foi para a sua cidade. 2 Apresentaram-lhe um paralítico, deitado num catre. Vendo Jesus a fé deles, disse ao paralítico: «Filho, tem confiança, os teus pecados estão perdoados.» 3 Alguns doutores da Lei disseram consigo: «Este homem blasfema.» 4 Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes: «Porque alimentais esses maus pensamentos nos vossos corações? 5 Que é mais fácil dizer: ‘Os teus pecados te são perdoados’, ou: ‘Levanta-te e anda’? 6 Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem, na terra, poder para perdoar pecados - disse Ele ao paralítico: ‘Levanta-te, toma o teu catre e vai para tua casa.» 7 E ele, levantando-se, foi para sua casa. 8 Ao ver isto, a multidão ficou dominada pelo temor e glorificou a Deus, por ter dado tal poder aos homens. 9 Partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: «Segue-me!» E ele levantou-se e seguiu-o. 10 Encontrando-se Jesus à mesa em sua casa, numerosos cobradores de impostos e outros pecadores vieram e sentaram-se com Ele e seus discípulos. 11 Os fariseus, vendo isto, diziam aos discípulos: «Porque é que o vosso Mestre come com os cobradores de impostos e os pecadores?» 12 Jesus ouviu-os e respondeu-lhes: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. 13 Ide aprender o que significa: Prefiro a misericórdia ao sacrifício. Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.» 14 Depois, foram ter com Ele os discípulos de João, dizendo: «Porque é que nós e os fariseus jejuamos e os teus discípulos não jejuam?» 15 Jesus respondeu-lhes: «Porventura podem os convidados para as núpcias estar tristes, enquanto o esposo está com eles? Porém, hão-de vir dias em que lhes será tirado o esposo e, então, hão-de jejuar.» 16 «Ninguém põe um remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo puxa parte do tecido e o rasgão torna-se maior. 17 Nem se deita vinho novo em odres velhos; de contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho e estragam-se os odres. Mas deita-se o vinho novo em odres novos; e, desta maneira, ambas as coisas se conservam.» 18 Enquanto Jesus lhes dizia estas coisas, aproximou-se um chefe que se prostrou diante dele e disse: «Minha filha acaba de morrer, mas vem impor-lhe a tua mão e viverá.» 19 Jesus, levantando-se, seguiu-o com os discípulos. 20 Então, uma mulher, que padecia de uma hemorragia há doze anos, aproximou-se dele por trás e tocou-lhe na orla do manto, 21 pois pensava consigo: ‘Se eu, ao menos, tocar nas suas vestes, ficarei curada.’ 22 Jesus voltou-se e, ao vê-la, disse-lhe: «Filha, tem confiança, a tua fé te salvou.» E, naquele mesmo instante, a mulher ficou curada. 23 Quando chegou a casa do chefe, vendo os flautistas e a multidão em grande alarido, disse: 24 «Retirai-vos, porque a menina não está morta: dorme.» Mas riam-se dele. 25 Retirada a multidão, Jesus entrou, tomou a mão da menina e ela ergueu-se. 26 A notícia espalhou-se logo por toda aquela terra. 27 Ao sair dali, seguiram-no dois cegos, gritando: «Filho de David, tem misericórdia de nós!» 28 Ao chegar a casa, os cegos aproximaram-se dele, e Jesus disse-lhes: «Credes que tenho poder para fazer isso?» Responderam-lhe: «Cremos, Senhor!» 29Então, tocou-lhes nos olhos, dizendo: «Seja-vos feito segundo a vossa fé.» 30E os olhos abriram-se-lhes. Jesus advertiu-os em tom severo: «Vede lá, que ninguém o saiba.» 31 Mas eles, saindo, divulgaram a sua fama por toda aquela terra. 32 Mal eles se tinham retirado, apresentaram-lhe um mudo, possesso do demónio. 33 Depois que o demónio foi expulso, o mudo falou; e a multidão, admirada, dizia: «Nunca se viu tal coisa em Israel.» 34 Os fariseus, porém, diziam: «É pelo chefe dos demónios que Ele expulsa os demónios.» 35 Jesus percorria as cidades e as aldeias, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando todas as enfermidades e doenças. 36 Contemplando a multidão, encheu-se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. 37 Disse, então, aos seus discípulos: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38 Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe.»

 

Comentário

Impressiona este diálogo tão simples entre o pobre leproso e Jesus Cristo. Não são necessárias nem muitas palavras nem grandes gestos. Uma afirmação de fé: «Se quiseres»!

Não há pior lepra que o pecado. Se nos fosse dado ver o mal, o horror que constitui a ferida aberta no Coração de Jesus por um pecado nosso ficaríamos arrepiados e aturdidos. E, no entanto, como neste trecho do Evangelho, o Senhor estende a Sua mão e toca-nos. Mais, humilha-se num pouco de pão consagrado e oferece-se como alimento! Diria que, de facto, somos “curados” cada vez que recebemos a Comunhão Eucarística, não prostrados como o leproso do Evangelho, mas com toda a vénia, respeito e compunção que o nosso amor por Jesus nos obriga e sugere.

Com o Senhor tudo é simples e claro. A gente diz-Lhe o que deseja sem duvidar um segundo que Ele o pode fazer. E se o pedido é justo e a Fé verdadeira Ele nos dará o que pedimos.

Sem dúvida que este leproso fez o seu pedido da forma mais correcta e - atrevo-me – eficaz, para obter o que desejava.

Mostra a sua confiança no poder de Jesus e na Sua infinita misericórdia.

Reparemos bem: Pede o que deseja com simplicidade sem se alongar em palavras ou justificações desnecessárias, porque sabe, acredita, confia, que o Senhor conhece o que ele precisa e tem o poder e o desejo de lho conceder.

Não podemos deixar de reagir a este trecho de São Mateus! Reagir, naturalmente, com admiração enorme e, ao mesmo tempo, surpresa. Admiração por constatar – como de resto o próprio Jesus o afirma – uma fé tão profunda que traduz uma confiança total e absoluta no poder de Jesus Cristo por parte de um homem que nem sequer é considerado como “um crente”. Surpresa porque este homem – de posição destacada – se preocupa e sofre com a saúde de um subalterno seu, contrariando todos os sentimentos – comuns, sobretudo naquela época – em o que os “patrões”, ou “senhores” tratavam os subalternos com profundo desprezo. Mais uma vez, vem ao de cima a absoluta necessidade de sermos – os cristãos – pessoas de são critério e isentos de preconceitos ou reservas em relação aos outros.

Este acontecimento – que supomos ser o mesmo – é relatado de forma diferente por outro evangelista, mas, o que interessa não é o pormenor, mas sim a extraordinária lição de fé daquele homem que procura Jesus. Não é um judeu nem sequer se poderia considerar um “crente” no sentido que lhe davam os chefes do povo daquela época, e, por isso mesmo, constatamos que o Senhor não faz acepção de pessoas e que ter fé não é privilégio de alguns, mas um dom que Deus concede a quem muito bem entende. E a fé deste homem está alicerçada – profundamente – no seu coração misericordioso porque o que pede não é para si, porque não se considera digno, mas para um servo, um subalterno.

Jesus cura todos os que a Ele recorrem com Fé e Confiança.

Não precisa de grandes manifestações porque o Seu Coração Amantíssimo e Misericordioso vibra e comove-se com as necessidades e carências dos Seus irmãos os homens. Pois se Ele deu a Sua vida por nós como não fará o que lhe pedir-mos?

 Estamos habituados, por assim dizer, aos pormenorizados relatos que São Mateus faz da actividade diária de Jesus. Incansavelmente percorre lugar após lugar, povoação após povoação movido pelo desejo de encontrar quem precise da Sua assistência, conselho, auxílio. Na verdade, todos precisam de algo e sabem que, Jesus pode satisfazer e atender as suas necessidades.

Um milagre portentoso: A cura do servo do centurião; outro de escasso relevo: A cura da sogra de Pedro;  e, depois as curas incontáveis - todos os doentes o procuravam - e a expulsão dos demónios. Ou seja, o poder de Jesus não tem nem medida nem obedece a outro critério que não seja a Sua infinita misericórdia.

Jesus Cristo sendo Deus todo poderoso não tem nada de Seu nem sequer " onde reclinar a cabeça"! Que chefe é este que espera seguidores fiéis e entusiasmados? Não haverá algo que poderíamos chamar "visionário?" Seguramente que sim! O Senhor é um visionário, um entusiasta que acredita nos homens e deseja absolutamente os homens acreditem nele e O sigam. Porquê? Porque só se o fizerem poderão salvar-se.

Quando, na vida corrente, nos propõem algo, a nós cabe-nos ter uma de duas atitudes: aceitar ou recusar. Não obtemos nenhum resultado positivo por tentar emitir as nossas condições de acordo com as conveniências próprias. Quem o faz é quem faz a proposta, o convite, porque, naturalmente, é quem sabe o que pretende de nós, o que deseja que façamos. Assim com o chamamento que Cristo faz pessoalmente a cada um em particular. Ele sabe para que nos quer, para que nos chama.

Uma pessoa séria de bom critério quando é chamada só tem uma de duas respostas: Sim, aceito!  Ou: Não, recuso! Estamos a considerar o chamamento divino que num momento qualquer da nossa vida o Senhor não deixará de nos fazer. Em primeiro lugar, ser chamado é uma honra e um privilégio que, só por si, deveria ser mais que suficiente para o nosso acolhimento imediato; depois considerando Quem chama não nos deve preocupar para quê ou porquê porque só pode ser bom e conveniente para nós.

A resposta de Jesus aos discípulos aterrados com a procela tem toda a razão de ser. Talvez pudesse acrescentar: ‘Eu não estou aqui convosco? Como podeis temer?’ Mas, como se vê pelo texto eles ainda não tinham fé suficiente no Senhor. Por isso ficam admirados com o Seu. Nós, também, não temos nada a temer porque se o Senhor está connosco, na nossa alma em graça, nada – absolutamente – nos poderá fazer mal. Confiar na Sua Infinita Misericórdia SEMPRE, mesmo quando parece que está ausente, desinteressado ou a dormir.

Perante situações extremas - guerras, cataclismos da natureza, perseguições e violências de toda a ordem, somos, por vezes, levados a exclamar: Senhor, onde estás? Dormes? Não Te importas? Este “grito” explica-se, é natural; somos humanos e reconhecemos a nossa impotência. Mas, Ele, não, pode tudo, É O Senhor de tudo. Não Se enfadará com o nosso “grito”, bem ao contrário, actuará com a urgência que julgar conveniente.

Disseram em alta voz: «Que tens a ver connosco, Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?» Por aqui se vê que o demónio não só sabia quem era Jesus como conhecia o que a Sua vinda à terra significava: que o domínio, quase discricionário, que exercia sobre a humanidade, iria terminar com a instauração do Reino de Deus. O demónio não tem outro objectivo senão fazer o mal. Ao pedirem a Jesus que os enviasse para a vara dos porcos, precipitando-se no mar, como que quiseram demonstrar que os gadarenos não acreditavam em Jesus Cristo, dando maior importância aos bens materiais que à vida humana. E o Senhor não sabia o que iria acontecer? Evidentemente que sim, Ele sabe tudo, mas não podia permitir que acreditassem nele pela confissão do demónio que é o pai da mentira.

Muitos comentários se têm escrito sobre este trecho do Evangelho. Talvez sem querer, ficamos algo decepcionados com Jesus ter permitido que os demónios entrassem nos porcos com o resultado que se sabe. Talvez possamos tirar duas ou três ilacções: A primeira é a confirmação que o demónio existe o que, muitos, insistem em negar; A segunda, que Cristo não poderia consentir que acreditassem nele pelo testemunho do demónio, que é o pai da mentira; a terceira é a completa inversão de valores dos gadarenos que dão mais importância a perda dos porcos que à recuperação da saúde do seu conterrâneo; e, uma quarta, - talvez a mais inesperada – é a sua reacção pedindo a Jesus que Se afaste do seu território, sem procurar compreender, sem fazer uma pergunta, sem, sequer, considerar o extraordinário do acontecimento. Preferem, de facto, fechar os olhos e os  ouvidos e ignorar o que foi tão patente perante todos.

Já o dissemos: O Senhor não podia consentir que a Sua Pessoa: Jesus Cristo fosse revelada pelo demónio que é o Pai da mentira. O episódio com a vara de porcos revela claramente a maldade e desprezo do tentador. Fica bem claro que dele só se pode esperar o mal e o ódio.

 

(AMA, 2018)


 

ANJO DA GUARDA

Senhor: "Força-me" a lembrar-me do meu Anjo da Guarda que eu não despreze companhia tão excelente.

Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

 

Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador pois que a ti me confiou a Piedade Divina, para sempre me protege, guarda e ilumina.

 

Trium puerórum 

 

Cantémus hymnum, quem cantábant Sancti in camíno ignis,

benedicéntes Dóminum. (T. P. Allelúja.)

Canticum trium Puerorum Dan. 3, 57-88 et 56

 

Benedícite, ómnia ópera Dómini, Dómino: * laudáte et superexaltáte eum in sæcula.

Benedícite, Angeli Dómini, Dómino: * benedícite, cæli, Dómino.

Benedícite, aquæ omnes, quæ super cælos sunt, Dómino: * benedícite, omnes virtútes dómini, Dómino.

Benedícite, sol et luna, Dómino: * benedícite, stellæ cæli, Dómino. 

Benedícite, omnis imber et ros, Dómino: * benedícite, omnes spíritus Dei, Dómino.

Benedícite, ignis et æstus, Dómino: * benedícite, frigus et æstus, Dómino.

Benedícite, rores et pruína, Dómino: * benedícite, gelu et frigus, Dómino.

Benedícite, glácies et nives, Dómino: * benedícite, noctes et dies, Dómino.

Benedícite, lux et ténebræ, Dómino: * benedícite, fúlgura et nubes, Dómino.

Benedícat terra Dóminum: * laudet et superexáltet eum in sæcula.

Benedícite, montes et colles, Dómino: * benedícite, univérsa germinántia in terra, Dómino.

Benedícite, fontes, Dómino: * benedícite, mária et flúmina, Dómino.

Benedícite, cete, et ómnia quæ movéntur in aquis, Dómino: * benedícite, omnes vólucres cæli, Dómino.

Benedícite, omnes béstiæ et pécora, Dómino: * benedícite, fílii hóminum, Dómino.

Benedícat Israel Dóminum: * laudet et superexáltet eum in sæcula.

Benedícite, sacerdótes Dómini, Dómino: * benedícite, servi Dómini, Dómino.

Benedícite, spíritus et ánimæ justórum, Dómino: * benedícite, sancti et húmiles corde, Dómino.

Benedícite, Ananía, Azaría, Mísael, Dómino: * laudáte et superexaltáte eum in sæcula.

Benedicámus Patrem et Fílium cum Sancto Spíritu: * laudémus et superexaltémus eum in sæcula.

Benedíctus es, Dómine, in firmaménto cæli: * et laudábilis, et gloriósus, et superexaltátus in sæcula.

 

Psalmus 150

Laudáte Dóminum in sanctis ejus: * laudáte eum in firmaménto virtútis ejus.

Laudate eum in virtútibus ejus: * laudáte eum secúndum multitúdinem magnitúdinis ejus.

Laudate eum in in sono tubæ: * laudáte eum in psaltério et cíthara.

Laudate eum in týmpano, et choro: * laudáte eum in chordis, et órgano.

Laudate eum in cýmbalis benesonántibus: laudáte eum in cýmbalis jubilatiónis: * omnis spíritus laudet Dóminum.

Glória Patri, et Fílio, et Spirítui Sancto.

Sicut erat in princípio, et nunc et semper, et in sæcula sæculórum. Amen.

 

Ant. Trium puerórum * cantémus hymnum, quem cantábant Sancti in camíno ignis, benedicéntes Dóminum. (T. P. Allelúja.

Kýrie, eléison. Christe, eléison. Kýrie, eléison.

Pater noster secreto usque ad

V. Et ne nos indúcas in tentatiónem. R. Sed líbera nos a malo.

V. Confiteántur tibi, Dómine, ómnia ópera tua. R. Et Sancti tui benedícant tibi.

V. Exsultábunt Sancti in glória. R. Lætabúntur in cubílibus suis.

V. Non nobis, Dómine, non nobis. R. Sed nómini tuo da glóriam.

V. Dómine, exáudi oratiónem meam. R. Et clamor meus ad te véniat.

V. Dóminus vobíscum. R. Et cum spíritu tuo.

Orémus.

Deus, qui tribus púeris mitigásti flammas ígnium: concéde propítius; ut nos fámulos tuos non exúrat flamma vitiórum.

Actiónes nostras, quæsumus, Dómine, aspirándo præveni et adjuvándo proséquere: ut cuncta nostra orátio et operátio a te semper incípiat, et per te cœpta finiátur. 

Da nobis, quæsumus, Dómine, vitiórum nostrórum flammas exstínguere: qui beáto Lauréntio tribuísti tormentórum suórum incéndia superáre. Per Christum, Dóminum nostrum. R. Amen.


REFLEXÃO 


Filiação divina

Em qualquer momento do dia ou da noite deve manter-se esse empenho por sermos com a ajuda da graça, homens e mulheres de uma só peça, que não se comportam segundo o vento que corre ou que deixam a relação com o Senhor para quando estão na igreja ou recolhidos em oração. Por isso, convirá ter presente que na rua, no trabalho, no desporto, numa reunião social, temos de ser sempre os mesmos: filhos de Deus, que reflectem com a sua ama­bilidade e fortaleza o seguirem Cristo em situações bem diversas.

 

(Francisco Fernández carvajal & Pedro Betteta López, Filhos de Deus, DIEL, ISBN 972-8040-08-03, nr. 124)

 


SÃO JOSEMARIA – textos

Faz o que deves e está no que fazes

Fazei tudo por Amor. – Assim não há coisas pequenas: tudo é grande. – A perseverança nas pequenas coisas, por Amor, é heroísmo. (Caminho, 813)

Queres deveras ser santo? – Cumpre o pequeno dever de cada momento faz o que deves e está no que fazes. (Caminho, 815)

A santidade "grande" consiste em cumprir os "pequenos deveres" de cada instante. (Caminho, 817)

Dizes-me: quando se apresentar a ocasião de fazer algo de grande... então sim! – Então! Pretendes fazer-me crer, e crer tu seriamente, que poderás vencer na Olimpíada sobrenatural, sem a preparação diária, sem treino? (Caminho, 822)

Viste como ergueram aquele edifício de grandeza imponente? – Um tijolo, e outro. Milhares. Mas um a um. – E sacos de cimento, um a um. E blocos de pedra, que pouco representam na mole do conjunto. – E pedaços de ferro. – E operários que trabalham, dia a dia, as mesmas horas... Viste como levantaram aquele edifício de grandeza imponente?... À força de pequenas coisas! (Caminho, 823)

Não tens reparado em que "ninharias" está o amor humano? – Pois também em "ninharias" está o Amor divino. (Caminho, 824)

 

 

 

13/07/2021

NUNC COEPI: Publicações em Julho 13

 



PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

Terça-Feira 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

 

Propósito: Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me: Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?



LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

Mt VIII, 1-33

 

1            Ao descer do monte, seguia-o uma enorme multidão. 2 Foi, então, abordado por um leproso que se prostrou diante dele, dizendo-lhe: «Senhor, se quiseres, podes purificar-me.» 3 Jesus estendeu a mão e tocou-o, dizendo: «Quero, fica purificado!» No mesmo instante, ficou purificado da lepra. 4 Jesus, porém, disse-lhe: «Vê, não o digas a ninguém; mas vai mostrar-te ao sacerdote e apresenta a oferta que Moisés preceituou, para que lhes sirva de testemunho.» 5 Entrando em Cafarnaúm, aproximou-se dele um centurião, suplicando nestes termos: 6 «Senhor, o meu servo jaz em casa paralítico, sofrendo horrivelmente.» 7 Disse-lhe Jesus: «Eu irei curá-lo.» 8 Respondeu-lhe o centurião: «Senhor, eu não sou digno de que entres debaixo do meu tecto; mas diz uma só palavra e o meu servo será curado. 9  Porque eu, que não passo de um subordinado, tenho soldados às minhas ordens e digo a um: ‘Vai’, e ele vai; a outro: ‘Vem’, e ele vem; e ao meu servo: ‘Faz isto’, e ele faz.» 10 Jesus, ao ouvi-lo, admirou-se e disse aos que o seguiam: «Em verdade vos digo: Não encontrei ninguém em Israel com tão grande fé! 11 Digo-vos que, do Oriente e do Ocidente, muitos virão sentar-se à mesa do banquete com Abraão, Isaac e Jacob, no Reino do Céu, 12 ao passo que os filhos do Reino serão lançados nas trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes.» 13 Disse, então, Jesus ao centurião: «Vai, que tudo se faça conforme a tua fé.» Naquela mesma hora, o servo ficou curado. 14 Entrando em casa de Pedro, Jesus viu que a sogra dele jazia no leito com febre. 15 Tocou-lhe na mão, e a febre deixou-a. E ela, levantando-se, pôs-se a servi-lo. 16 Ao entardecer, apresentaram-lhe muitos possessos; e Ele, com a sua palavra, expulsou os espíritos e curou todos os que estavam doentes, 17 para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías: Ele tomou as nossas enfermidades e carregou as nossas dores. 18 Vendo Jesus em torno de si uma grande multidão, decidiu passar à outra margem. 19 Saiu-lhe ao encontro um doutor da Lei, que lhe disse: «Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores.» 20 Respondeu-lhe Jesus: «As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.» 21 Um dos discípulos disse-lhe: «Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar o meu pai.» 22 Jesus, porém, respondeu-lhe: «Segue-me e deixa os mortos sepultar os seus mortos.» 23 Depois subiu para o barco e os discípulos seguiram-no. 24 Levantou-se, então, no mar, uma tempestade tão violenta, que as ondas cobriam o barco; entretanto, Jesus dormia. 25 Aproximando-se dele, os discípulos despertaram-no, dizendo-lhe: «Senhor, salva-nos, que perecemos!» 26 Disse-lhes Ele: «Porque temeis, homens de pouca fé?» Então, levantando-se, falou imperiosamente aos ventos e ao mar, e sobreveio uma grande calma. 27 Os homens, admirados, diziam: «Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?» 28 Chegado à outra margem, à região dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois possessos, que habitavam nos sepulcros. Eram tão ferozes que ninguém podia passar por aquele caminho. 29 Vendo-o, disseram em alta voz: «Que tens a ver connosco, Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?» 30 Ora, andava a pouca distância dali, a pastar, uma grande vara de porcos. 31 E os demónios pediram-lhe: «Se nos expulsas, manda-nos para a vara de porcos.» 32 Disse-lhes Jesus: «Ide!» Então, eles, saindo, entraram nos porcos, que se despenharam por um precipício, no mar, e morreram nas águas. 33 Os guardas fugiram e, indo à cidade, contaram tudo o que se tinha passado com os possessos. 34 Toda a cidade saiu ao encontro de Jesus e, vendo-o, rogaram-lhe que se retirasse daquela região.

 

Comentário:

 

Impressiona este diálogo tão simples entre o pobre leproso e Jesus Cristo. Não são necessárias nem muitas palavras nem grandes gestos. Uma afirmação de fé: «Se quiseres»!

Não há pior lepra que o pecado. Se nos fosse dado ver o mal, o horror que constitui a ferida aberta no Coração de Jesus por um pecado nosso ficaríamos arrepiados e aturdidos.E, no entanto, como neste trecho do Evangelho, o Senhor estende a Sua mão e toca-nos. Mais, humilha-se num pouco de pão consagrado e oferece-se como alimento!Diria que, de facto, somos “curados” cada vez que recebemos a Comunhão Eucarística, não prostrados como o leproso do Evangelho, mas com toda a vénia, respeito e compunção que o nosso amor por Jesus nos obriga e sugere.

Com o Senhor tudo é simples e claro. A gente diz-lhe o que deseja sem duvidar um segundo que Ele o pode fazer. E se o pedido ê justo e a Fé verdadeira Ele nos dará o que pedimos.

Sem dúvida que este leproso fez o seu pedido da forma mais correcta e - atrevo-me – eficaz, para obter o que desejava.

Mostra a sua confiança no poder de Jesus e na Sua infinita misericórdia.

Reparemos bem: Pede o que deseja com simplicidade sem se alongar em palavras ou justificações desnecessárias, porque sabe, acredita, confia, que o Senhor conhece o que ele precisa e tem o poder e o desejo de lho conceder.

Não podemos deixar de reagir a este trecho de São Mateus! Reagir, naturalmente, com admiração enorme e, ao mesmo tempo, surpresa. Admiração por constatar – como de resto o próprio Jesus o afirma – uma fé tão profunda que traduz uma confiança total e absoluta no poder de Jesus Cristo por parte de um homem que nem sequer é considerado como “um crente”. Surpresa porque este homem – de posição destacada – se preocupa e sofre com a saúde de um subalterno seu, contrariando todos os sentimentos – comuns, sobretudo naquela época – em o que os “patrões”, ou “senhores” tratavam os subalternos com profundo desprezo. Mais uma vez, vem ao de cima a absoluta necessidade de sermos – os cristãos – pessoas se são critério e isentos de preconceitos ou reservas em relação aos outros.

Este acontecimento – que supomos ser o mesmo – é relatado de forma diferente por outro evangelista, mas, o que interessa não é o pormenor, mas sim a extraordinária lição de fé daquele homem que procura Jesus. Não é um judeu nem sequer se poderia considerar um “crente” no sentido que lhe davam os chefes do povo daquela época, e, por isso mesmo, constatamos que o Senhor não faz acepção de pessoas e que ter fé não é privilégio de alguns, mas um dom que Deus concede a quem muito bem entende. E a fé deste homem está alicerçada – profundamente – no seu coração misericordioso porque o que pede não é para si, porque não se considera digno, mas para um servo, um subalterno.

Jesus cura todos os que a Ele recorrem com Fé e Confiança.

Não precisa de grandes manifestações porque o Seu Coração Amantíssimo e Misericordioso vibra e comove-se com as necessidades e carências dos Seus irmãos os homens. Pois se Ele deu a Sua vida por nós como não fará o que lhe pedir-mos? Estamos habituados, por assim dizer, aos pormenorizados relatos que São Mateus faz da actividade diária de Jesus. Incansavelmente percorre lugar após lugar, povoação após povoação movido pelo desejo de encontrar quem precise da Sua assistência, conselho, auxílio. Na verdade, todos precisam de algo e sabem que, Jesus pode satisfazer e atender as suas necessidades.

Ao ler este trecho do Evangelho de São Mateus, ficamos praticamente sem palavras porque a Liturgia, seguramente com um objectivo muito concreto, quer dar-nos uma imagem do verdadeiro Jesus Cristo Nosso Senhor e das suas relações com os homens.

Um milagre portentoso: A cura do servo do centurião; outro de escasso relevo: A cura da sogra de Pedro;  e, depois as curas incontáveis - todos os doentes o procuravam - e a expulsão dos demónios. Ou seja, o poder de Jesus não tem nem medida nem obedece a outro critério que não seja a Sua infinita misericórdia.

Jesus Cristo sendo Deus todo poderoso não tem nada de Seu nem sequer " onde reclinar a cabeça"! Que chefe é este que espera seguidores fiéis e entusiasmados? Não haverá algo que poderíamos chamar "visionário?" Seguramente que sim! O Senhor é um visionário, um entusiasta que acredita nos homens e deseja absolutamente os homens acreditem nele e O sigam. Porquê? Porque só se o fizerem poderão salvar-se.

Quando, na vida corrente, nos propõem algo, a nós cabe-nos ter uma de duas atitudes: aceitar ou recusar. Não obtemos nenhum resultado positivo por tentar emitir as nossas condições de acordo com as conveniências próprias. Quem o faz é quem faz a proposta, o convite, porque, naturalmente, é quem sabe o que pretende de nós, o que deseja que façamos. Assim com o chamamento que Cristo faz pessoalmente a cada um em particular. Ele sabe para que nos quer, para que nos chama.

Uma pessoa séria de bom critério quando é chamada só tem uma de duas respostas: Sim, aceito!  Ou: Não, recuso! Estamos a considerar o chamamento divino que num momento qualquer da nossa vida o Senhor não deixará de nos fazer. Em primeiro lugar, ser chamado é uma honra e um privilégio que, só por si, deveria ser mais que suficiente para o nosso acolhimento imediato; depois considerando Quem chama não nos deve preocupar para quê ou porquê porque só pode ser bom e conveniente para nós.

A resposta de Jesus aos discípulos aterrados com a procela tem toda a razão de ser. Talvez pudesse acrescentar: ‘Eu não estou aqui convosco? Como podeis temer?’ Mas, como se vê pelo texto eles não tinham, ainda fé suficiente no Senhor.Por isso ficam admirados com o poder do Senhor. Nós, também, não temos nada a temer porque se o Senhor está connosco, na nossa alma em graça, nada – absolutamente – nos poderá fazer mal. Confiar na Sua Infinita Misericórdia SEMPRE, mesmo quando parece que está ausente, desinteressado ou a dormir.

Perante situações extremas - guerras, cataclismos da natureza, perseguições e violências de toda a ordem, somos, por vezes, levados a exclamar: Senhor, onde estás? Dormes? Não Te importas? Este “grito” explica-se, é natural. Somos humanos e reconhecemos a nossa impotência. Mas, Ele, não, pode tudo, é o Senhor de tudo. Não Se enfadará com o nosso “grito”, bem ao contrário, actuará com a urgência que julgar conveniente.

Disseram em alta voz: «Que tens a ver connosco, Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?» Por aqui se vê que o demónio não só sabia quem era Jesus como conhecia o que a Sua vinda à terra significava: que o domínio, quase discricionário, que exercia sobre a humanidade, iria terminar com a instauração do Reino de Deus.

O demónio não tem outro objectivo senão fazer o mal. Ao pedirem a Jesus que os enviasse para a vara dos porcos, precipitando-se no mar, como que quiseram demonstrar que os gadarenos não acreditavam em Jesus Cristo, dando maior importância aos bens materiais que à vida humana. E o Senhor não sabia o que iria acontecer? Evidentemente que sim, Ele sabe tudo, mas não podia permitir que acreditassem nele pela confissão do demónio que é o pai da mentira.

Muitos comentários se têm escrito sobre este trecho do Evangelho. Talvez sem querer, ficamos algo decepcionados com Jesus ter permitido que os demónios entrassem nos porcos com o resultado que se sabe. Talvez possamos tirar duas ou três ilacções: A primeira é a confirmação que o demónio existe o que, muitos, insistem em negar; A segunda será que Cristo não poderia consentir que acreditassem nele pelo testemunho do demónio, que é o pai da mentira; A terceira é a completa inversão de valores do gadarenos que dão mais importância a perda dos porcos que à recuperação da saúde do seu conterrâneo; E, uma quarta, - talvez a mais inesperada – é a sua reacção pedindo a Jesus que se afaste do seu território, sem procurar compreender, sem fazer uma pergunta, se, sequer, considerar o extraordinário do acontecimento. Preferem, de facto, fechar os olhos e os  ouvidos e ignorar o que foi tão patente perante todos.

Já o dissemos: O Senhor não podia consentir que a Sua Pessoa: Jesus Cristo fosse revelada pelo demónio que é o Pai da mentira. O episódio com a vara de porcos revela claramente a maldade e desprezo do tentador. Fica bem claro que dele só se pode esperar o mal e o ódio.

 

(AMA, 2018)

 


 

SÃO JOSÉ

 

REDEMPTORIS CUSTOS

 

VI. PATRONO DA IGREJA DO NOSSO TEMPO

 

32. Desejo vivamente que esta evocação da figura de São José renove também em nós o ritmo da oração que, há um século, o meu Predecessor estabeleceu que lhe fosse elevada. É fora de dúvida, efetivamente, que esta oração e a própria figura de São José se revestem de atualidade renovada para a Igreja do nosso tempo, em relação com o novo Milênio cristão.

O Concílio Vaticano II procurou sensibilizar-nos novamente a todos para “as grandes coisas de Deus” e para aquela “economia da salvação” de que São José foi particularmente ministro. Recomendando-nos, pois, à proteção daquele a quem o próprio Deus “confiou a guarda dos seus maiores e mais preciosos tesouros”, aprendamos com ele, ao mesmo tempo, a servir a “economia da salvação”. Que São José se torne para todos um mestre singular no serviço da missão salvífica de Cristo, que, na Igreja, compete a cada um e a todos: aos esposos e aos pais, àqueles que vivem do trabalho das próprias mãos e de todo e qualquer outro trabalho, às pessoas chamadas para a vida contemplativa e às que são chamadas ao apostolado.

O homem justo, que trazia em si o patrimônio da Antiga Aliança, foi também introduzido no “princípio” da nova e eterna Aliança em Jesus Cristo. Que ele nos indique os caminhos desta Aliança salvífica no limiar do próximo Milênio, durante o qual deve perdurar e desenvolver-se ulteriormente a “plenitude dos tempos” própria do mistério inefável da Encarnação do Verbo.

Que São José obtenha para a Igreja e para o mundo, assim como para cada um de nós, a bênção do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

 

Dado em Roma, junto de São Pedro, a 15 de Agosto de 1989, solenidade da Assunção de Nossa Senhora, décimo primeiro ano de Nosso Pontificado.

 

 João Paulo II

 


REFLEXÃO

O sofrimento destrói as imagens que nós tantas vezes nos impusemos - sejam elas a imagem do autor de sucesso ou do devoto tranquilo, da pessoa serena que está acima de todos, da pessoa espiritual que se sente uni­da a Deus. Não devemos procurar o sofrimento. No entanto, ele atravessará recorrentemente o nosso caminho, muitas vezes, com o sentido de destruir as ilusões que criamos relati­vamente à nossa vida e a nós mesmos. Só quando as imagens que nós próprios criámos estiverem destruídas, é que poderá surgir em nós a imagem original de Deus e poderemos entrar em contacto com o brilho da nossa alma, que Ele já nos ofere­cera aquando do nosso nascimento.

 

(Anselm Grun, A incompreensível existência de Deus, Paulinas, p. 42)

 


SÃO JOSEMARIA textos

A tristeza é a escória do egoísmo

Que ninguém leia tristeza nem dor na tua cara, quando difundes pelo ambiente do mundo o aroma do teu sacrifício. Os filhos de Deus têm de ser sempre semeadores de paz e de alegria. (Sulco, 59)

E se somos filhos de Deus, por que havemos de estar tristes? A tristeza é a escória do egoísmo. Se queremos viver para Nosso Senhor, não nos faltará a alegria, mesmo que descubramos os nossos erros e as nossas misérias. A alegria entra na vida de oração de tal maneira que, a certa altura, não poderemos deixar de cantar: porque amamos, e cantar é próprio de apaixonados. Se vivermos assim, realizaremos no mundo uma obra de paz; saberemos tornar amável aos outros o serviço a Nosso Senhor, porque Deus ama quem dá com alegria O cristão é uma pessoa igual às outras na sociedade; mas do seu coração transbordará a alegria de quem se propõe cumprir, com a ajuda constante da graça, a Vontade do Pai: e não se sente vítima, nem inferiorizado, nem coagido. Caminha de cabeça erguida, porque é homem e é filho de Deus. A nossa fé dá todo o seu relevo a estas virtudes, que pessoa alguma deveria deixar de cultivar. Ninguém pode vencer o cristão em humanidade. Por isso, quem segue Cristo é capaz – não por mérito próprio, mas pela graça de Nosso Senhor – de comunicar aos que o rodeiam o que às vezes eles pressentem, embora não consigam compreender: que a verdadeira felicidade, o verdadeiro serviço ao próximo passa pelo Coração do Nosso Redentor; perfectus Deus, perfectus, homo. (Amigos de Deus, 92–93)

 

 

 

12/07/2021

NUNC COEPI: Publicações em Julho 12

 



PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

Segunda-Feira

 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me: 

Sorrir, ser amável.

 


LEITURA ESPIRITUAL

 

Evangelho

 

Mt VII, 1-29

 

1«Não julgueis, para não serdes julgados; 2 pois, conforme o juízo com que julgardes, assim sereis julgados; e, com a medida com que medirdes, assim sereis medidos. 3 Porque reparas no argueiro que está na vista do teu irmão, e não vês a trave que está na tua vista? 4 Como ousas dizer ao teu irmão: ‘Deixa-me tirar o argueiro da tua vista’, tendo tu uma trave na tua? 5 Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e, então, verás melhor para tirar o argueiro da vista do teu irmão.» 6 «Não deis as coisas santas aos cães nem lanceis as vossas pérolas aos porcos, para não acontecer que as pisem aos pés e, acometendo-vos, vos despedacem.» 7 «Pedi, e ser-vos-á dado; procurai, e encontrareis; batei, e hão-de abrir-vos. 8 Pois, quem pede, recebe; e quem procura, encontra; e ao que bate, hão-de abrir. 9 Qual de vós, se o seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? 10 Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente? 11 Ora bem, se vós, sendo maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai que está no Céu dará coisas boas àqueles que lhas pedirem.» 12 «Portanto, o que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também a eles, porque isto é a Lei e os Profetas.» 13 «Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que seguem por ele. 14 Como é estreita a porta e quão apertado é o caminho que conduz à vida, e como são poucos os que o encontram!» 15 «Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes. 16 Pelos seus frutos, os conhecereis. Porventura podem colher-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? 17 Toda a árvore boa dá bons frutos e toda a árvore má dá maus frutos. 18 A árvore boa não pode dar maus frutos nem a árvore má, dar bons frutos. 19 Toda a árvore que não dá bons frutos é cortada e lançada ao fogo. 20 Pelos frutos, pois, os conhecereis.» 21  «Nem todo o que me diz: ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino do Céu, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está no Céu. 22 Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizámos, em teu nome que expulsámos os demónios e em teu nome que fizemos muitos milagres?’ 23 E, então, dir-lhes-ei: ‘Nunca vos conheci; afastai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.’» 24  «Todo aquele que escuta estas minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. 25 Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; mas não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. 26 Porém, todo aquele que escuta estas minhas palavras e não as põe em prática poderá comparar-se ao insensato que edificou a sua casa sobre a areia. 27 Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se, e grande foi a sua ruína.» 28 Quando Jesus acabou de falar, a multidão ficou vivamente impressionada com os seus ensinamentos, 29 porque Ele ensinava-os como quem possui autoridade e não como os doutores da Lei.

 

Comentário:

 

Faz parte da condição humana o exercer quase que de forma automática pensamentos, obras e opiniões sobre os outros que se cruzam na nossa vida.


Nem sempre, evidentemente, sob o aspecto da crítica e reprovação, também o fazemos para louvar e de alguma forma sublinhar algo que achamos bem e até invejamos.Pois seja qual for a intenção devemos abster-nos porque em caso algum fomos constituídos juízes.

Normalmente somos levados a julgar, ou pelo menos, avaliar, as atitudes e comportamentos outros.

Seria muito útil para nós pensar que esses outros terão a mesma atitude connosco e tal deveria levar-nos a uma conduta irrepreensível.

A hipocrisia merece de Jesus Cristo veemente repúdio e, os Evangelhos, relatam várias ocasiões em que esse repúdio constitui uma acusação claríssima.

De facto, o hipócrita age como um actor, fingindo o que não é, oferecendo o que não tem, aconselhando o que não pratica.

A hipocrisia pode espalhar-se como uma praga sobretudo quando se quer alguma coisa ou atingir um fim seja de que maneira for.

Ninguém pode dar o que não tem ou aconselhar o que não sabe.

Ser verdadeiro e honesto quer no procedimento quer nas intenções é o que deve caracterizar o cristão.

Este, além de merecer crédito no que diz, tem de convencer pelo exemplo do que faz.

O são critério deve estar sempre presente quando se trata de falar de Deus aos outros. É contraproducente falar Deus e de coisas santas - «as vossas pérolas» - a pessoas que ou não sabem ou não têm qualquer interesse em saber e, nalguns casos – bastantes infelizmente – as perguntas que possa fazer têm como intenção encontrar argumentos de discussão e desafio. Porque que, se de facto quer ouvir para entender e saber deve estar disposto desde logo a assumir as dificuldades, obstáculos e eventuais renúncias que o seguimento de Cristo implica.

Transportar a cruz de cada dia será sempre difícil pela «porta estreita» por isso mesmo muitos preferem usar o caminho largo e fácil onde não são necessários nem esforços ou sacrifícios.

A prudência é uma virtude que devemos pedir com insistência sobretudo quando se trata de responder a questões que, de algum modo, tenham a ver com a nossa Santa Religião Cristã.

Já referimos algumas vezes que nem todas as perguntas merecem resposta porque feitas com espírito malévolo e intencionalmente crítico não devem ter resposta.

Ser prudentes no que dizemos e também no que escrevemos e, em caso de dúvida, pedir conselho.

Sim, algumas vezes o que escrevemos pode ou não ser adequado ou pela forma poderá ser deficientemente interpretado.

Nós, cristãos, não somos mestres em coisa nenhuma, «um só é o Nosso Mestre» como muito bem frisou Jesus Cristo. (cfr. Mt 2 3-8)

Guardar a fé como um Tesouro, Pérolas preciosas, é um dever de qualquer cristão, como guardião fiel e Depósito seguro das verdades reveladas por Cristo Nosso Senhor.

A nossa Santa religião tem de ser preservada dos que a combatem usando por vezes as próprias fraquezas dos que deviam protegê-la e actuando, por isso mesmo, com eficácia.

Tenhamos a coragem e desassombro necessários para mantermos com firmeza as nossas convicções alicerçadas nas verdades da nossa Santa Fé.

Por vezes na nossa vida surgem momentos em que estas palavras de Jesus Cristo nos levantam algumas dúvidas.

Com efeito aquilo que vimos pedindo há tanto tempo parece não ser atendido como se o Senhor estivesse desinteressado.

Pensemos bem: será que na verdade não nos concede o que pedimos?

Talvez o faça de outra forma e não exactamente como pedimos como, por exemplo, a cura de uma doença persistente que nos aflige.

Podemos, é verdade, continuar na mesma situação e essa cura não surgir, mas, consideremos, se não recebemos graça para suportar a doença, se os méritos que possamos obter com o nosso sofrimento não serão “aplicados” onde ou em quem esteja mais necessitado, se, no fim e ao cabo, a nossa doença não é caminho da nossa salvação?

Pedir, pedir... parece ser esta a atitude da criatura em relação ao seu Criador.

E não é nem demais nem ousadia porque foi O próprio Jesus Cristo Quem nos instruiu para que o fizéssemos e, mais, pedíssemos perseverantemente, sem descanso.

De que precisamos?

De tudo, absolutamente porque por nós mesmos não podemos nada.

Não tenhamos medo de pedir ou receio de pedirmos demais.

O Senhor sabe muito bem o que realmente precisamos e, na Sua Infinita Sabedoria nos dará o que entender que realmente nos faz falta.

 

(AMA, 2017)

 


FILOSOFIA E RELIGIÃO, VIDA HUMANA

A existência de Deus é evidente por si mesma?”

 

Uma proposição é evidente por si se o predicado está incluído na razão do sujeito.

Exemplo: o homem é um animal, porque animal faz parte da razão do homem.

Algo pode ser evidente por si de duas maneiras:

Evidente em si mesmo e para nós, quando a definição do sujeito e a do predicado são conhecidas de todos.

Exemplo: com relação aos primeiros princípios de demonstração, cujos termos são tão gerais que ninguém os ignora, como ente e não-ente, todo e parte, etc.

Se alguém ignorar a definição do predicado e a do sujeito, a proposição será evidente por si em si mesma, mas não para quem ignora o sujeito e o predicado da proposição: existem conceitos comuns do espírito evidentes por si apenas para os que as conhecem (as definições), como esta: “as coisas imateriais não ocupam lugar“.

Evidente em si mesmo e não para nós: A proposição Deus existe é evidente por si, porque nela o predicado é idêntico ao sujeito (Deus é seu próprio ser).

Mas como não conhecemos a essência de Deus, esta proposição não é evidente para nós, mas precisa ser demonstrada por meio do que é mais conhecido para nós, isto é, pelos efeitos.


 

REFLEXÃO

Anjos

Os anjos não aparecem aos homens tal como são, mas manifestando-se nas formas que Deus dispõe para que possam ser vistos por aqueles a quem os envia.

 

(São João Damasceno, De Fide Orthodoxa, 2, 3)

 


SÃO JOSEMARIA - textos

O santo não nasce: forja-se

Tudo aquilo em que intervimos nós, os pobrezitos dos homens, mesmo a santidade, é um tecido de pequenas coisas que segundo a intenção com que se fazem podem formar uma tapeçaria esplêndida de heroísmo ou de baixeza, de virtudes ou de pecados. As gestas relatam sempre aventuras gigantescas, mas misturadas com pormenores caseiros do herói. Oxalá tenhas sempre em muito apreço é a linha recta as coisas pequenas. (Caminho, 826)

O principal requisito que nos é pedido bem conforme com a nossa natureza consiste em amar: a caridade é o vínculo da perfeição; caridade que devemos praticar de acordo com as orientações explícitas que o próprio Senhor estabelece: amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente, sem reservarmos nada para nós. A santidade consiste nisto.

É bem certo que se trata de um objectivo elevado e árduo. Mas não se esqueçam de que o santo não nasce: forja-se no jogo contínuo da graça divina e da correspondência humana. Um dos escritores cristãos dos primeiros séculos adverte, referindo-se à união com Deus: Tudo o que se desenvolve começa por ser pequeno. Ao alimentar-se gradualmente, com constantes progressos, é que chega a ser grande. Por isso te digo que, se quiseres portar-te como um cristão coerente sei que estás disposto a isso, embora te custe tantas vezes vencer-te ou puxar por esse pobre corpo deves ter muito cuidado com os mais pequenos pormenores, porque a santidade que Nosso Senhor te exige atinge-se realizando com amor de Deus o trabalho e as obrigações de cada dia, que se compõem quase sempre de pequenas realidades. (Amigos de Deus, nn 6–7)