Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
30/06/2020
Leitura espiritual
Cristo que passa 46 a 50
46
A fé e a vocação de
cristãos afectam toda a nossa existência e não só uma parte dela.
As relações com Deus são
necessariamente relações de entrega e assumem um sentido de totalidade.
A atitude de um homem de
fé é olhar para a vida, em todas as suas dimensões, com uma perspectiva nova: a
que nos é dada por Deus.
Vós, que hoje celebrais
comigo esta festa de S. José, sois todos homens dedicados ao trabalho em
diversas profissões humanas, formais diversos lares, pertenceis a diferentes
nações, raças e línguas. Adquiristes formação em centros de ensino, em oficinas
ou escritórios, tendes exercido durante anos a vossa profissão, estabelecestes
relações profissionais e pessoais com os vossos companheiros, participastes na
solução dos problemas colectivos das vossas empresas e da sociedade.
Pois bem: recordo-vos,
mais uma vez, que nada disso é alheio aos planos divinos.
A vossa vocação humana é
uma parte, e parte importante, da vossa vocação divina.
Esta é a razão pela qual
vos haveis de santificar, contribuindo ao mesmo tempo para a santificação dos
outros, vossos iguais, precisamente santificando o vosso trabalho e o vosso
ambiente: a profissão ou ofício que enche os vossos dias, que dá fisionomia
peculiar à vossa personalidade humana, que é a vossa maneira de estar no mundo:
o vosso lar, a vossa família; e a nação em que nascestes e que amais.
47
O trabalho acompanha
necessariamente a vida do homem sobre a terra.
Com ele nascem o esforço,
a fadiga, o cansaço, as manifestações de dor e de luta que fazem parte da nossa
existência humana actual e que são sinais da realidade do pecado e da
necessidade da redenção. Mas o trabalho, em si mesmo, não é uma pena nem uma
maldição ou castigo: os que assim falam não leram bem a Sagrada Escritura.
É a hora de nós, os
cristãos, dizermos bem alto que o trabalho é um dom de Deus e que não tem
nenhum sentido dividir os homens em diversas categorias segundo os tipos de
trabalho, considerando umas tarefas mais nobres do que outras.
O trabalho, todo o
trabalho, é testemunho da dignidade do homem, do seu domínio sobre a criação.
É um meio de
desenvolvimento da personalidade.
É um vínculo de união com
os outros seres; fonte de recursos para sustentar a família; meio de contribuir
para o melhoramento da sociedade em que se vive e para o progresso de toda a
Humanidade.
Para um cristão, essas
perspectivas alargam-se e ampliam-se, porque o trabalho aparece como
participação na obra criadora de Deus que, ao criar o homem, o abençoou
dizendo-lhe: Procriai e multiplicai-vos e enchei a terra e subjugai-a, e
dominai sobre todo o animal que se mova à superfície da terra.
Além disso, ao ser
assumido por Cristo, o trabalho apresenta-se-nos como uma realidade redimida e
redentora: é, não só o âmbito em que o homem vive, mas também meio e caminho de
santidade, realidade santificável e santificadora.
48
Convém não esquecer,
portanto, que esta dignidade do trabalho está fundamentada no Amor.
O grande privilégio do
homem é poder amar, transcendendo assim o efémero e o transitório.
O homem pode amar as
outras criaturas, dizer um tu e um eu cheios de sentido.
E pode amar a Deus, que
nos abre as portas do Céu, que nos constitui membros da sua família, que nos
autoriza a falar também de tu a Tu, face a face.
Por isso, o homem não pode
limitar-se a fazer coisas, a construir objectos.
O trabalho nasce do amor,
manifesta o amor, ordena-se ao amor. Reconhecemos Deus não só no espectáculo da
Natureza, mas também na experiência do nosso próprio trabalho, do nosso
esforço.
O trabalho é, assim, acção
de graças, porque nos sabemos colocados por Deus na terra, amados por Ele,
herdeiros das suas promessas.
É justo que se nos diga:
quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a
glória de Deus.
49
O trabalho é também
apostolado, ocasião de entrega aos outros homens, para lhes revelar Cristo e
levá-los até Deus Pai, consequência da caridade que o Espírito Santo derrama
nas almas.
Entre as indicações que S.
Paulo dá aos de Éfeso sobre como deve se manifestar a mudança que representou
para eles a sua conversão, a sua vocação ao Cristianismo, encontramos esta: o
que furtava, não furte mais, mas trabalhe, ocupando-se com as suas mãos nalguma
tarefa honesta, para ter com que ajudar a quem tenha necessidade.
Os homens têm necessidade
do pão da terra que sustente as suas vidas e também do pão do Céu que ilumine e
dê calor aos seus corações.
Com o vosso próprio
trabalho, com as iniciativas que se promovam a partir dessa ocupação, nas
vossas conversas, no convívio com os outros, podeis e deveis concretizar esse
preceito apostólico.
Se trabalhamos com este
espírito, a nossa vida, no meio das limitações próprias da condição terrena,
será uma antecipação da glória do Céu, dessa comunidade com Deus e com os
santos, na qual só reinará o amor, a entrega, a fidelidade, a amizade, a
alegria.
Na vossa ocupação
profissional, corrente e ordinária, encontrareis a matéria - real, consciente,
valiosa - para realizar toda a vida cristã, para corresponder à graça que nos
vem de Cristo.
Nas vossa ocupações
profissionais, realizadas face a Deus, pôr-se-ão em jogo a Fé, a Esperança e a
Caridade. Os incidentes, as relações e os problemas que o vosso trabalho traz
consigo alimentarão a vossa oração.
O esforço por cumprirdes
os vossos deveres correntes será o modo de viverdes a Cruz, que é essencial
para o Cristão.
A experiência da vossa
debilidade e os fracassos que existem sempre em todo o esforço humano
dar-vos-ão mais realismo, mais humildade, mais compreensão com os outros.
Os êxitos e as alegrias
convidar-vos-ão a dar graças e a pensar que não viveis para vós mesmos, mas
para o serviço dos outros e de Deus.
50
Para servir, servir
Para viver assim, para santificar
a profissão, é necessário, primeiro que tudo, trabalhar bem, com seriedade
humana e sobrenatural. Quero recordar-vos agora, por contraste, o que conta um
dos antigos relatos dos evangelhos apócrifos: O Pai de Jesus, que era
carpinteiro, fazia arados e jugos.
Uma vez - continua a
narração - foi-lhe encomendada uma cama, por certa pessoa de boa posição. Mas
aconteceu que um dos varais era mais curto que o outro, pelo que José não sabia
o que fazer.
Então o Menino Jesus disse
ao seu Pai: põe os dois paus no chão e acerta-os por uma extremidade.
Assim fez José. Jesus
põe-se do outro lado, pegou no varal mais curto e esticou-o, deixando-o tão
comprido como o outro.
José, seu Pai, ficou cheio
de admiração ao ver o prodígio e encheu o Menino de abraços e beijos dizendo:
ditoso de mim, porque Deus me deu este Menino
José, não daria graças a
Deus por estes motivos; o seu trabalho não podia ser assim. S. José não é o
homem das soluções fáceis e milagreiras, mas o homem da perseverança, do
esforço e, quando é necessário, do engenho.
O cristão sabe que Deus
faz milagres; que os realizou há séculos, que continuou a fazê-los depois e que
continua a fazê-los agora, porque non est abbreviata manus Domini, não diminuiu
o poder de Deus.
Mas os milagres são uma
manifestação da omnipotência salvadora de Deus, e não um expediente para
resolver as consequências da inépcia ou para facilitar o nosso comodismo.
O milagre que o Senhor vos
pede é a perseverança na nossa vocação cristã e divina, a santificação do
trabalho de cada dia: o milagre de converter a prosa diária em decassílabos, em
verso heróico, pelo amor com que realizais a vossa ocupação habitual.
Aí vos espera Deus para
que sejais almas com sentido de responsabilidade, com zelo apostólico, com
competência profissional.
Assim, como lema para o
vosso trabalho, posso indicar-vos este: para servir, servir.
Porque para fazer as
coisas, é necessário, em primeiro lugar, saber concluí-las.
Não acredito na rectidão
da intenção de quem não se esforça por conseguir a competência necessária para
cumprir bem os trabalhos de que está encarregado.
Não basta querer fazer o
bem; é preciso saber fazê-lo.
E, se queremos realmente,
esse desejo traduzir-se-á no empenho por utilizar os meios adequados para fazer
as coisas bem acabadas, com perfeição humana.
(Continua)
Pequena agenda do cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Aplicação no trabalho.
Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.
Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.
Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
salmo ii
Quare fremerunt gentes et populi meditati sunt inania?
Astiterum reges terrae et principes convenerunt in unum adversus Dominum et adversus christum eius.
Dirumpamus vincula eorum et proiciamos a nobis iugum ipsorum.
Qui habitabit in caelis, irridebit eos, Dominus subsanabit eos.
Ego autem constitui regem meum super sion montem sanctum meum.
Praedicabo decretum eius Dominus dixit ad me: filius meus es tu; ego hodie genui te.
Postula a me, et dabo tibi gentes hereditatem tuam et possessionem tuam terminos terrae.
Reges eos in virga ferrea et tamquam vas figuli confringes eos.
Et nunc, reges, intelegite, erudimini, qui indicatis terram.
Servite Domino in timore et exultate ei cum tremore.
Apprehendite disciplinam ne quando irascatur et pereatis via, cum exarcerit in brevi ira eius.
Beati omnes qui confident in eo.
Gloria Patri...
Regnum eius regnum sempiternum est et omnes reges servient et obedient.
Oremus:
Omnipotens et sempiterne Deus qui in dilecto Filio Tuo universorum rege omnia instaurare voluisti concede propitius ut cunctae familiae gentium pecati vulnere disgregatae eius suavissimo subdantur imperio: Qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum.
Exame Pessoal
Sabes Senhor, qual é, talvez a minha maior fraqueza? É pensar em demasiado mim, nos meus problemas, nas minhas tristezas, naquilo que me acontece e no que gostaria me acontecesse. Nas voltas e reviravoltas que dou sobre mim mesmo, sobre a minha vida.
E os outros? Sim, os outros que rezam por mim, que se interessam por mim, que têm paciência para comigo, que me desculpam as minhas faltas e as minhas fraquezas, que estão sempre prontos a ouvir-me a atender-me, que não se importam de esperar que eu os compense pelo bem que me fazem, que não me pressionam para que pague o que me emprestam, que não me criticam nem julgam com a severidade que mereço.
Ajuda-me Senhor, a ser, pelo menos reconhecido e a devolver o bem que recebo e, além disso a não julgar, a não emitir opinião, critica ou conceito, vendo nos outros, a maior parte das vezes, os defeitos e fraquezas que eu próprio possuo.[i]
Senhor, ajuda-me a pensar nos outros em vez de estar aqui, mergulhado nos meus problemas, girando à volta de mim mesmo, concentrado apenas no que me diz respeito. Os outros! Todos os outros. Os que conheço, de quem sou amigo ou familiar e aqueles que me são desconhecidos. São Teus filhos como eu, logo, todos são meus irmãos. Se somos irmãos somos também herdeiros, convém, portanto que me preocupe com aqueles que vão partilhar a herança comigo.[ii]
Noverim me
Oh Deus que me conheces perfeitamente tal como sou, ajuda-me a conhecer-me a mim mesmo, para que possa combater com eficácia os enormes defeitos do meu carácter, em particular...
Chamaste-me, Senhor, pelo meu nome e eu aqui estou: com as minhas misérias, as minhas debilidades, com palavras maiores que os actos, intenções mais vastas que as obras e desejos que ultrapassam a vontade.
Porque não sou nada, não valho nada, não sei nada e não posso nada, entrego-me totalmente nas Tuas mãos para que, por intercessão de minha Mãe, Maria Santíssima, de São José, meu Pai e Senhor, do Anjo da Minha Guarda e de São Josemaria, possa adquirir um espírito de luta perseverante.[iii]
Meu Senhor e meu Deus, tira-me tudo o que me afaste de Ti.
Meu Senhor e meu Deus, dá-me tudo o que me aproxime de Ti
Meu Senhor e meu Deus, desapega-me de mim mesmo, para que eu me dê todo a ti.
Nada te perturbe / nada te atemorize Tudo passa / Deus não muda A paciência tudo alcança / Quem a Deus tem Nada falta / só Deus basta.[vi]
[i] AMA orações pessoais
[ii] AMA orações pessoais
[iii] AMA orações pessoais
[iv] AMA orações pessoais
[v] AMA orações pessoais
[vi] Santa Teresa de Jesus
29/06/2020
Leitura espiritual
Cristo que passa 41 a 45
41
A fé, o amor e a esperança
de José
A justiça não consiste na
mera submissão a uma regra; a rectidão deve nascer de dentro, deve ser
profunda, vital, porque o justo vive da fé.
Viver da fé: estas
palavras que foram, mais tarde, tema frequente de meditação para o apóstolo S.
Paulo, vêem-se realizadas superabundantemente em S. José.
O seu cumprimento da
vontade de Deus não é rotineiro nem formalista, mas espontâneo e profundo.
A lei que todo o judeu
praticante vivia não foi para ele um simples código nem uma fria recompilação
de preceitos, mas expressão da vontade de Deus vivo.
Por isso, soube reconhecer
a voz do Senhor quando esta se lhe manifestou inesperada e surpreendente.
A história do Santo
Patriarca foi uma vida simples, mas não uma vida fácil.
Depois de momentos
angustiosos, sabe que o Filho de Maria foi concebido por obra do Espírito
Santo.
E esse Menino, Filho de
Deus, descendente de David segundo a carne, nasce numa gruta.
Os anjos celebram o seu
nascimento e personalidades de terras longínquas vêm adorá-Lo, mas o rei da
Judeia deseja a sua morte e é necessário fugir.
O Filho de Deus é um
menino aparentemente indefeso que terá de viver no Egipto.
42
S. Mateus, ao narrar estas
cenas no seu Evangelho, põe constantemente em destaque a fidelidade de José,
que cumpre sem vacilações os mandatos de Deus, embora por vezes o sentido
desses mandatos lhe possa parecer obscuro ou se lhe oculte a sua conexão com o
resto dos planos divinos.
Em muitas ocasiões os
Padres da Igreja e os autores espirituais fazem ressaltar a firmeza da fé de
José.
Referindo-se às palavras
do Anjo que lhe ordena que fuja de Herodes e se refugie no Egipto, Crisóstomo
comenta: Ao ouvir isto, S. José não se escandalizou nem disse: isto parece um
enigma.
Ainda há pouco Tu me davas
a conhecer que Ele salvaria o seu povo e agora não é sequer capaz de salvar-se
a si próprio e somos nós que temos necessidade de fugir, de empreender uma
viagem e fazer uma grande deslocação; isto é contrário à tua promessa.
José não discorre deste
modo, porque é um varão fiel.
Também não pergunta pela
data de regresso, apesar do Anjo a ter deixado indeterminada, posto que lhe
tinha dito: fica lá - no Egipto - até que eu te avise.
Nem por isso levanta
dificuldades, mas obedece e crê e suporta todas as provas alegremente.
A fé de José não vacila, a
sua obediência é sempre estrita e rápida. Para compreender melhor esta lição
que aqui nos dá o Santo Patriarca, é bom que consideremos que a sua fé é activa
e que a sua obediência não se parece com a obediência de quem se deixa arrastar
pelos acontecimentos.
Porque a fé cristã é o que
há de mais oposto ao conformismo ou à falta de actividade e de energia
interiores.
José abandonou-se sem
reservas nas mãos de Deus, mas nunca deixou de reflectir sobre os
acontecimentos, e assim recebeu do Senhor a inteligência das obras de Deus, que
é a verdadeira sabedoria.
Deste modo, aprendeu a
pouco e pouco que os planos sobrenaturais têm uma coerência divina, que às
vezes está em contradição com os planos humanos.
Nas diversas
circunstâncias da sua vida, o Patriarca não renuncia a pensar, nem se alheia da
sua responsabilidade.
Pelo contrário: põe toda a
sua experiência humana ao serviço da fé. Quando volta do Egipto, ouvindo que
Arquelau reinava na Judeia em vez de seu pai Herodes, temeu ir para lá.
Aprendeu a mover-se dentro
dos planos divinos e, como confirmação de que Deus quer o que ele pressentia,
recebe a indicação de se retirar para a Galileia.
Assim foi a fé de S. José:
plena, confiante, íntegra, manifestando-se numa entrega real à vontade de Deus,
numa obediência inteligente. E, com a Fé, a Caridade, o Amor.
A sua fé funde-se com o
amor: com o amor de Deus, que estava a cumprir as promessas feitas a Abraão, a
Jacob, a Moisés; com o carinho de esposo para com Maria e com o carinho de pai
para com Jesus. Fé e amor da esperança da grande missão que Deus, servindo-se
também dele - um carpinteiro da Galileia - estava a começar no mundo: a
redenção dos homens.
43
Fé, amor, esperança: estes
são os eixos em torno dos quais gira a vida de S. José e toda a vida cristã.
A entrega de S. José
aparece-nos tecida pelo entrecruzamento de um Amor fiel, de uma Fé amorosa e de
uma Esperança confiante.
A sua festa é, por isso,
uma boa altura para renovarmos a entrega à vocação de cristãos, concedida pelo
Senhor a cada um de nós.
Quando se deseja
sinceramente viver da Fé, do Amor e da Esperança, a renovação da entrega não
consiste em retomar uma coisa que tinha entrado em desuso.
Quando há Fé, Amor e
Esperança, renovar-se - apesar dos nossos erros pessoais, das quedas, das
debilidades - é manter-se nas mãos de Deus: confirmar um caminho de fidelidade.
Renovar a entrega é
renovar, repito, a fidelidade àquilo que o Senhor quer de nós: amar com obras.
0 amor tem necessariamente
as suas manifestações características. Às vezes fala-se do amor como se fosse
uma procura de satisfação pessoal ou um mero recurso para completarmos
egoisticamente a nossa personalidade.
E não é assim; amor
verdadeiro é sair de si mesmo, entregar-se.
O amor traz consigo a
alegria, mas é uma alegria que tem as suas raízes em forma de cruz.
Enquanto estivermos na
terra e não tivermos chegado à plenitude da vida futura, não pode haver amor
verdadeiro sem a experiência do sacrifício, da dor.
Uma dor de que se gosta,
amável, fonte de íntimo gozo, mas dor real, porque significa vencer o nosso
egoísmo e tomar o amor como regra de todas e cada uma das nossas acções.
44
As obras do Amor são
sempre grandes, ainda que se trate, aparentemente, de coisas pequenas.
Deus aproximou-se dos
homens, pobres criaturas, e disse-nos que nos ama: Deliciae mea esse cum filiis
hominum, a minha delícia é estar entre os filhos dos homens.
O Senhor mostra-nos que
tudo tem importância: as acções que, com olhos humanos, consideramos grandes;
aquelas outras que, pelo contrário, qualificamos de pouca categoria...
Nada se perde.
Nenhum homem é desprezado
por Deus.
Todos, seguindo cada um a
sua vocação - no seu lar, na sua profissão ou no seu ofício, no cumprimento das
obrigações que correspondem ao seu estado, nos seus deveres de cidadão, no
exercício dos seus direitos - todos estão chamados a participar no Reino dos
Céus.
É isto o que nos ensina a
vida de José, simples, normal e vulgar, feita de anos de trabalho sempre igual,
de dias humanamente monótonos, que se sucedem uns aos outros.
Muitas vezes o tenho
pensado ao meditar sobre a figura de S. José, e esta é uma das razões que faz
com que sinta por ele uma devoção especial.
Quando no seu discurso de
encerramento da primeira sessão do Concílio Vaticano II, no passado dia 8 de
Dezembro, o Santo Padre João XXIII anunciou que no cânon da Missa se
mencionaria o nome de S. José, uma altíssima personalidade eclesiástica
telefonou-me imediatamente para me dizer: Rallegramenti! Felicidades!
Ao ouvir a notícia pensei
logo em si, na alegria que lhe tinha dado. E assim era, porque na assembleia
conciliar, que representa a Igreja inteira reunida no Espírito Santo, se
proclamava o valor divino da vida de S. José, o valor de uma vida simples de
trabalho face a Deus e em total cumprimento da vontade divina.
45
Santificar o trabalho,
santificar-se no trabalho, santificar com o trabalho
Descrevendo o espírito da
associação a que dediquei a minha vida, o Opus Dei, tenho dito que se apoia,
como em seu gonzo, no trabalho ordinário, no trabalho profissional exercido no
meio do mundo.
A vocação divina dá-nos
uma missão, convida-nos a participar na tarefa única da Igreja, para sermos
assim testemunho de Cristo perante os nossos iguais, os homens, e para levarmos
todas as coisas a Deus.
A vocação acende uma luz
que nos faz reconhecer o sentido da nossa existência.
É convencermo-nos, com o
resplendor da fé, do porquê da nossa realidade terrena.
Toda a nossa vida, a
presente, a passada e a que há-de vir, cobra um novo relevo, uma profundidade
de que antes não suspeitávamos. Todos os factos e acontecimentos passam a
ocupar o seu posto: entendemos aonde nos quer levar o Senhor e sentimo-nos
entusiasmados e envolvidos por esse encargo que se nos confia.
Deus tira-nos das trevas
da nossa ignorância, do nosso caminho incerto entre os acontecimentos da
história e chama-nos com voz forte, como um dia o fez com Pedro e André: Venite
post me, et faciam vos fieri piscatores hominum. - Segui-me e eu vos farei
pescadores de homens - qualquer que seja o lugar que ocupemos no mundo.
Quem vive da fé pode
encontrar a dificuldade e a luta, a dor e até a amargura, mas nunca o desânimo
nem a angústia, porque sabe que a sua vida serve, sabe para que veio a esta
terra.
Ego sum lux mundi -
exclamou Cristo - qui sequitur me non ambulate in tenebris, sed habebit lumen
vitae.
Eu sou a luz do mundo;
aquele que me segue não caminha às escuras, mas possuirá a luz da vida.
Para merecer essa luz de
Deus é preciso amar, ter a humildade de reconhecer a necessidade de sermos
salvos e dizer com Pedro: Senhor a quem iremos? Tu tens palavras de vida
eterna. E nós acreditamos e sabemos, que Tu és Cristo, Filho de Deus.
Se realmente procedermos
assim, se deixarmos entrar no nosso coração o chamamento de Deus, também
poderemos repetir com verdade que não caminhamos nas trevas, pois, por cima das
nossas misérias e dos nossos defeitos pessoais, brilha a luz de Deus, como o
Sol brilha por cima da tempestade.
(continua)
Vivei uma particular Comunhão dos Santos
Comunhão dos Santos. - Como to hei-de dizer? - Sabes
o que são as transfusões de sangue para o corpo? Pois assim vem a ser a
Comunhão dos Santos para a alma. (Caminho,
544)
Vivei uma particular Comunhão dos Santos: e cada um
sentirá, à hora da luta interior, e à hora do trabalho profissional, a alegria
e a força de não estar só. (Caminho, 545)
Aqui estamos, consummati in unum, em unidade
de petição e de intenções, dispostos a começar este tempo de conversa com o
Senhor com renovado desejo de sermos instrumentos eficazes nas suas mãos.
Diante de Jesus Sacramentado - como gosto de fazer um acto de fé explícita na
presença real do Senhor na Eucaristia! - fomentai nos vossos corações o desejo
de transmitir, pela vossa oração, um impulso fortíssimo que chegue a todos os
lugares da terra, até ao último recanto do planeta, onde houver alguém gastando
a sua existência ao serviço de Deus e das almas. Com efeito, graças à inefável
realidade da Comunhão dos Santos, somos solidários - cooperadores, diz São João
- na tarefa de difundir a verdade e a paz do Senhor. (Amigos de Deus, 154)
Temas para reflectir e meditar
A
Santa Igreja – que somos todos os cristãos – tem como Cabeça Jesus Cristo seu
Fundador.
Só
Ele pode alterar seja o que for na sua essência.
Nenhum
homem seja qual for o cargo que ocupe ou o ministério que desempenhe tem esse poder.
Confiemos,
pois, com a certeza que quanto maior a provação maior será o Seu cuidado.
Fujamos
da tentação de fazer juízos – mesmo íntimos – porque tal não os compete.
Rezemos
com perseverança pedindo Luz, Sabedoria e Justiça para todos, principalmente os que mais responsabilidades
possam ter na condução do Povo de Deus.
(AMA,
reflexão, 2019)
As
“crises” na Igreja Católica têm – sempre – originado o aparecimento de grandes
Santos.
Por
exemplo, no pontificado de Lúcio III, 01 Set
1181 a 25 Nov 1185, as dissensões que dariam origem – entre outros
acontecimentos como a saída de Roma para Verona e o posterior surgimento da inquisição – surgiram São
Francisco de Assis.
Pequena agenda do cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.
Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.
Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.
Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.
Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.
Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.
Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
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