30/03/2015

Evangelho, coment. Leitura esp. (Matrimónio)

Segunda-Feira Santa

Evangelho: Jo 12 1-11

1 Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde se encontrava Lázaro, que Jesus tinha ressuscitado. 2 Ofereceram-Lhe lá uma ceia. Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com Ele. 3 Então, Maria tomou uma libra de perfume feito de nardo puro de grande preço, ungiu os pés de Jesus e Os enxugou com os seus cabelos; e a casa encheu-se com o cheiro do perfume. 4 Judas Iscariotes, um dos Seus discípulos, aquele que O havia de entregar, disse: 5 «Porque não se vendeu este perfume por trezentos denários para se dar aos pobres?». 6 Disse isto, não porque se importasse com os pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, roubava o que nela se deitava. 7 Mas Jesus respondeu: «Deixa-a; ela reservou este perfume para o dia da Minha sepultura; 8 porque pobres sempre os tereis convosco, mas a Mim nem sempre Me tereis». 9 Uma grande multidão de judeus soube que Jesus estava ali e foi lá, não somente por causa de Jesus, mas também para ver Lázaro, a quem Ele tinha ressuscitado dos mortos. 10 Os príncipes dos sacerdotes deliberaram então matar também Lázaro, 11 porque muitos judeus, por causa dele, se afastavam e acreditavam em Jesus.


Comentário:

Não pode deixar-nos indiferentes a consideração da atitude de Maria, irmã de Lázaro. Ela que tinha bebido com atenta devoção as palavras de Jesus quis - talvez adivinhando que seria a última oportunidade – homenagear o Senhor de uma forma que transmitisse não só o seu amor e carinho mas também a afirmação pessoal da divindade de Cristo.
E, Jesus, deixa-a e pede aos circunstantes que a deixem levar a cabo essa demonstração de amor e carinho manifestando assim que esta não Lhe é indiferente, bem pelo contrário Lhe agrada e a aceita.

Não tenhamos nunca medo nem sejamos parcos em demonstrar a nossa ternura para com o Senhor a quem toda a a honra e louvor são devidos.

O carinho e a ternura são sentimentos que vêm directamente do coração e, como tal, usá-los para com o Senhor que deu a Sua vida por nós não é mais que retribuir um pouco do muito que nos deu.

(ama, Comentário sobre Jo 12, 1-11 2014.04.14)

Leitura espiritual



Matrimónio

O verdadeiro amor

Os primeiros três anos da vida matrimonial são geralmente os anos mais difíceis no desenvolvimento da vida mutua de um casal.
Há três áreas básicas onde tem que Haver uma adaptação se os cônjuges vão criar uma relação feliz e harmoniosa.
Estas 3 áreas são mentais, físicas, e espirituais.
As três são interrelacionadas e se há falta de harmonia conjugal numa, as três estarão afectadas. A esfera espiritual é sem dúvida a mais importante sendo que esta melhorará dramaticamente a adaptação nas outras.
Mas o fruto do Espírito é amor, gozo, paz, paciência, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança; contra tais coisas não há lei. Sim vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito[i].

Para ter algo há que oferecê-lo ao outro.
Se quer amor, não o procure, dê-o.
A Bíblia diz-nos que colheremos o que semearmos.
Se alguém mostra amor constante, voltará a receber amor.
Um casal que dá e recebe o fruto espiritual mencionado em Gálatas provavelmente terá um matrimónio contentíssimo e satisfaciente. Todos somos vulneráveis ao egoísmo porque somos por natureza pecadores.

Uma vida espiritual sã há-de melhorar as adaptações mentais que são essenciais para uma boa adaptação física.
Estas três trabalham juntas nos indivíduos que se juntaram numa só carne.
Reacções egoístas indicam a necessidade da graça de Deus na vida.
Se o meu cônjuge diz algo mordaz ou desconsiderado e respondo igual com palavras pouco amáveis, pequei.
O meu cônjuge também pecou pero eu não sou responsável perante Deus pelo seu pecado; sou apenas responsável pelo meu.
Como com qualquer pecado tenho que confessa-lo a Deus e depois à pessoa ofendida.

Não é minha responsabilidade mudar o meu cônjuge.
Não posso fazê-lo.
Só Deus pode mudar o corarão de uma pessoa.
Não se casou com uma pessoa perfeita; nem tampouco o seu cônjuge o fez.
Portanto os dois terão que perdoar-se o um ao outro pelos pecados, o egoísmo, falta de consideração e erros.
Porque se perdoais aos homens as suas ofensas, vos perdoará também a vós o vosso Pai celestial; mas se não pedonais aos homens as suas ofensas, tampouco o vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas[ii].
O manual de Deus acerca do comportamento humano, a Bíblia, dá-nos conselhos excelentes no que respeita à vida matrimonial.

A garantia que abarca tudo para a felicidade no matrimónio é a abnegação.
Todos nascemos completamente egoístas.
As criaturas e as crianças são por natureza egoístas e não se preocupam com o bem-estar dos demais.
Enquanto vão crescendo, com disciplina e instrução adequada, aprendem a considerar os desejos e as necessidades de outros.

Isto é uma parte da maturidade.
A falta de maturidade no matrimónio é um problema sério e destrutivo.
A etapa de adaptação no matrimónio, (geralmente uns três anos), naturalmente produz conflitos de interesses. As pessoas egoístas tomam decisões somente baseadas no que querem ou no que os beneficia.

Quanto mais imaturos os cônjuges, mais áreas de conflito se esperam.
Todavia, os desacordos no matrimónio são inevitáveis e o casal tem que procurar a forma de solucionar os problemas.
Se encaram as suas frustrações mútuas, conversam sobre elas e procuram resolve-las de uma forma positiva, podem terminar os desacordos.
Duas pessoas maduras, mostrando o fruto do Espírito, podem encarar as suas áreas de conflito com comunicação aberta e resolver o problema de uma forma amigável.
A pessoa que insiste na “sua própria maneira” está desenvolvendo um processo destrutivo que produzirá um matrimónio infeliz.
Se quer que o seu cônjuge o trate com cortesia, com consideração, e sem egoísmo, há que ter suficiente maturidade para o tratar da mesma forma.
Indivíduos maduros, mostrando amor bíblico verdadeiro, não entram no matrimónio com o fim de aproveitar algo para si, mas antes, para dar o que possam ao seu companheiro.

Não façais nada por contenda ou por vanglória; mas antes com humildade, estimando cada um os demais como superior a si próprio; não olhando cada um pelo próprio eu, mas cada cual também pelo dos outros[iii].
A chave que garante um matrimónio feliz é o amor bíblico.
A maioria das pessoas de hoje não entende o que é o amor.
Confunde a atracção física, luxúria, desejo pessoal, compaixão, ou pena com o amor.
A Palavra de Deus diz que o amor de um homem pela sua esposa deve igualar o seu amor por si próprio.
Diz também que o homem deve amar a sua esposa assim como Cristo amou a Igreja e se entregou a si próprio por ela.
Esse amor é um amor sobrenatural.
Não é natural amar os outros como nos amamos nem amar como Deus ama. Todavia, Deus nunca nos manda fazer algo sem nos dar o poder para o fazer.
Se lho pedimos, Ele nos dará esse amor sobrenatural.
Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus. Todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus[iv].


O amor é benigno.

Muitos casais, despois de um tempo de estarem casados, esquecem-se de mostrar benignidade. Tornam-se cáusticos, sarcásticos, e mordazes no seu falar ou praticam o pacto do silêncio. Depois de cada conversação, cada cônjuge deve perguntar-se, “Fui benigno/a?”
Se não, devem pedir perdão e buscar a ajuda de Deus para praticar a benignidade.
Todos necessitamos de aceitação, especialmente por parte daqueles a quem amamos.
Para ter um companheiro contente temos que mostrar o nosso amor em falar com ele com frequência e por lhe agradecer tanto publicamente como em privado.
A desaprovação é uma maneira de castigar uma pessoa e prejudica a relação.
O elogio do bom dá sempre melhores resultados que a condenação.

A comunicação aberta é essencial para uma relação feliz no matrimónio.
Enquanto o casal pode manter a comunicação aberta e expressar os seus sentimentos livremente um ao outro, as dificuldades podem resolver-se.
A maioria dos problemas no matrimónio nasce da incapacidade de comunicar-se acerca das tensões.
Há unidade no amor mas também tem que haver liberdade para que cada um mantenha a sua própria pessoalidade e identidade.
Cada cônjuge tem que respeitar os direitos e privilégios do outro.
Um bom exercício ao aconselhar a um matrimónio perturbado é pedir que cada um prepare uma lista das coisas que aprecia no outro e depois a leia ao seu cônjuge, a mesma fará com que recordem porque se casaram.
Depois cada um deve fazer uma lista das coisas que o irritam no outro e ler-lha outra vez. Geralmente as duas listas serão uma revelação para os dois cônjuges.

Comprovarão que entre si não houve comunicação destas verdades e por conseguinte encentram-se com problemas.
A maioria não pode ler a mente de outros e é preciso comunicar, ou por palavras ou por escrito. Muitos casais usam o silêncio como arma para expressar desaprovação ou para defender-se ao ser atacados.
O silêncio não traz uma resolução amigável ao conflito porque trava a comunicação e, assim, a capacidade de resolver o problema.
O caminho para a paz é falar com tranquilidade e assim chegar a uma solução razoável com maturidade.
A falta de harmonia na inter-relação matrimonial com toda afectará seguramente o aspecto físico e o prazer da satisfação no acto sexual.
Os seres humanos são muito mais complexos que os animais e a sua vida sexual é muito mais que o impulso aparecimento.
É uma experiencia emocional complexa.

Se as suas relações sexuais não estão baseadas no mútuo amor verdadeiro e não são o resultado de carinho e consideração, terminarão em frustração para um ou os dois cônjuges.

Profesor Donald R. Bond

(Trad por ama)




[i] Gál. 5:22,23, 25
[ii] Mt. 6:14,15
[iii] Fil.2:3,4
[iv] 1 Jn.4:7

Temas para meditar 408

Paixão de Cristo



A morte e ressurreição de Jesus mostram que não existe nada que Deus não possa transformar, não existe túmulo algum de onde não possa surgir vida, nenhuma escuridão que não possa ser iluminada, nenhuma miséria que não possa ser invertida, nenhum desespero que não se possa transformar em esperança. Devemos reconhecer, na morte e ressurreição de Jesus, que não existe nada que nos possa separar “do amor de Deus que está em Cristo Jesus, Senhor nosso” (Rm 8,39). Lucas convida-o, prezado leitor, a reencontrar o seu próprio destino no drama da vida de Jesus. Não lhe fornece qualquer explicação para o seu sofrimento, mas, ao observar a tragédia que o Evangelho lhe apresenta, pretende purificar as suas emoções, transformar a sua tristeza, expulsar o seu desespero e dar-lhe força e coragem para viver uma vida nova.

(anselm grunA incompreensível existência de Deus, Paulinas, p. 34)

Pequena agenda do cristão

SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça ‘boa cara’, que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

29/03/2015

2015.03.29








O que pode ver hoje em NUNC COEPI




Uma vez baptizados, somos todos iguais - São Josemaria – Textos


Evangelho, com., Leit.espiritual (Evangelli Gaudium) - AMA - Comentários ao Evangelho Mc 15 1-39, Leit. Espiritual - Exort. Apost. Evangelii gaudium (Papa Francisco)

Temas para meditar 407 - Ipse Christus, M.M. Philipon, Nuestra transformación en Cristu (M. M. Philipon)


Pequena agenda do cristão - Agenda Domingo

Uma vez baptizados, somos todos iguais

Afirmas que vais compreendendo pouco a pouco o que quer dizer "alma sacerdotal"... Não te zangues se te respondo que os factos demonstram que o compreendes apenas em teoria. Todos os dias te acontece o mesmo: ao anoitecer, no exame, tudo são desejos e propósitos; de manhã e à tarde, no trabalho, tudo são dificuldades e desculpas. Assim vives o "sacerdócio santo, para oferecer vítimas espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo"? (Sulco, 499)

Na Igreja há igualdade: uma vez baptizados, somos todos iguais, porque somos filhos do mesmo Deus, Nosso Pai. Como cristãos, não há qualquer diferença entre o Papa e a última pessoa a incorporar-se na Igreja. Mas esta igualdade radical não implica a possibilidade de mudar a constituição da Igreja, naquilo que foi estabelecido por Cristo. Por expressa vontade divina temos uma diversidade de funções, que comporta também uma capacidade diversa, um carácter indelével conferido pelo Sacramento da Ordem para os ministros sagrados. No vértice dessa ordenação está o sucessor de Pedro e, com ele, e sob ele, todos os bispos: com a sua tríplice missão de santificar, de governar e de ensinar.

Permitam-me que insista repetidamente: as verdades de fé e de moral não se determinam por maioria de votos, porque compõem o depósito – depositum fidei – entregue por Cristo a todos os fiéis e confiado, na sua exposição e ensino autorizado, ao Magistério da Igreja.


Seria um erro pensar que, pelo facto de os homens já terem talvez adquirido mais consciência dos laços de solidariedade que mutuamente os unem, se deva modificar a constituição da Igreja, para a pôr de acordo com os tempos. Os tempos não são dos homens, quer sejam ou não eclesiásticos; os tempos são de Deus, que é o Senhor da história. E a Igreja só poderá proporcionar a salvação às almas, se permanecer fiel a Cristo na sua constituição, nos seus dogmas, na sua moral. (Amar a Igreja n 30–31)

Temas para meditar 407

Ipse Christus



A Sua vida eucarística é uma vida de amor. Do Coração de Cristo sobe sem cessar o fervor de uma caridade infinita. Toda a vida íntima da alma sacerdotal do Verbo encarnado - adoração, petições, acção de graças, expiação – é inspirada por este amor sem limites.


(m. m philiponNuestra transformación en Cristo, pg. 116, trad ama)

Evangelho, com., Leit.espiritual (Evangelli Gaudium)

Tempo de Quaresma


Domingo de Ramos da Paixão do Senhor

Evangelho: Mc 15 1-39

1 Logo pela manhã, os príncipes dos sacerdotes tiveram conselho com os anciãos, os escribas e todo o Sinédrio. Manietando Jesus, O levaram e entregaram a Pilatos. 2 Pilatos perguntou-Lhe: «Tu és o Rei dos Judeus?». Ele respondeu: «Tu o dizes». 3 Os príncipes dos sacerdotes acusavam-n'O de muitas coisas. 4 Pilatos interrogou-O novamente: «Não respondes coisa alguma? Vê de quantas coisas Te acusam». 5 Mas Jesus não respondeu mais nada, de forma que Pilatos estava admirado. 6 Ora ele costumava, pela Páscoa, soltar-lhes um dos presos que eles pedissem. 7 Havia um, chamado Barrabás -  que estava preso com outros sediciosos - que, num motim, tinha cometido um homicídio. 8 Juntando-se o povo começou a pedir o indulto que sempre lhes concedia. 9 Pilatos respondeu-lhes: «Quereis que vos solte o Rei dos Judeus?». 10 Porque sabia que os príncipes dos sacerdotes O tinham entregue por inveja. 11 Porém, os príncipes dos sacerdotes incitaram o povo a que pedisse antes a liberdade de Barrabás.12 Pilatos falando outra vez, disse-lhes: «Que hei-de fazer, então, d'Aquele que vós chamais o Rei dos Judeus?». 13 Eles tornaram a gritar: «Crucifica-O!». 14 Pilatos, porém, dizia-lhes: «Que mal fez Ele?». Mas eles cada vez gritavam mais: «Crucifica-O!». 15 Então Pilatos, querendo satisfazer o povo, soltou-lhes Barrabás. Depois de fazer açoitar Jesus, entregou-O para ser crucificado.16 Os soldados conduziram-n'O ao interior do átrio, isto é, o Pretório, e ali juntaram toda a coorte.17 Revestiram-n'O de púrpura e cingiram-Lhe a cabeça com uma coroa entretecida de espinhos. 18 E começaram a saudá-l'O: «Salve, Rei dos Judeus!». 19 E davam-Lhe na cabeça com uma cana, cuspiam-Lhe no rosto, e, pondo-se de joelhos, faziam-Lhe reverências. 20 Depois de O terem escarnecido, despojaram-n'O da púrpura, vestiram-Lhe os Seus vestidos e levaram-n'O para O crucificar. 21 Obrigaram um certo homem que ia a passar, Simão de Cirene, que vinha do campo, pai de Alexandre e de Rufo, a levar a cruz. 22 Conduziram-n'O ao lugar do Gólgota, que quer dizer lugar do Crânio. 23 Davam-Lhe a beber vinho misturado com mirra, mas Ele não o tomou. 24 Tendo-O crucificado, dividiram os Seus vestidos, lançando sortes sobre eles, para ver que parte cada um levaria. 25 Era a hora tércia quando O crucificaram. 26 A causa da Sua condenação estava escrita nesta inscrição: «O Rei dos Judeus». 27 Com Ele crucificaram dois ladrões, um à direita, e outro à esquerda. 28 Omitido pela Neo-Vulgata. 29 Os que passavam blasfemavam, abanando a cabeça e dizendo: «Ah! Tu, que destróis o templo de Deus e o reedificas em três dias, 30 salva-Te a Ti mesmo descendo da cruz». 31 Do mesmo modo, escarnecendo-O os príncipes dos sacerdotes e os escribas, diziam entre si: «Salvou os outros, e não Se pode salvar a Si mesmo. 32 O Cristo, o Rei de Israel, desça agora da cruz para que vejamos e acreditemos». Também os que tinham sido crucificados com Ele O insultavam. 33 Chegando a hora sexta, toda a terra se cobriu de trevas até à hora nona. 34 E, à hora nona, exclamou Jesus em alta voz: «Eli, Eli, lemá sabachtani?». Que quer dizer: «Meu Deus, Meu Deus, porque me desamparaste?». 35 Ouvindo isto, alguns dos presentes diziam: «Eis que chama por Elias». 36 Correndo um e ensopando uma esponja em vinagre e atando-a a uma cana, dava-Lhe de beber, dizendo: «Deixai, vejamos se Elias vem tirá-l'O». 37 Mas Jesus, dando um grande brado, expirou. 38 O véu do templo rasgou-se em duas partes, de alto a baixo. 39 O centurião, que estava em frente d'Ele, vendo que Jesus expirara dando este brado, disse: «Verdadeiramente este homem era Filho de Deus».


Comentário:

A alma e o coração confrangem-se, tornam-se pequenos, muito pequenos, ficando quase sem capacidade de reacção.
Um profundo silêncio me invade e deixo-me ficar absorto na contemplação profunda de tão grande mistério.


Sim! Tudo é um mistério!
Deus, a Segunda Pessoa da Trindade Santíssima, sujeitou-se a este sofrimento inaudito!
Parece-me absurdo, confesso, não consigo entender, sinto-me revoltado!

Depois…

Absurdo?... Entendo que a Vontade soberana de Deus está acima de qualquer compreensão humana e, muito menos, tem de justificar-se.

Revolta?... Mas não fui eu, também, que O levei ali, àquela Cruz?

Ah!

Percebo agora que me convém muito mais deixar-me envolver num profundíssimo sentimento de gratidão; numa enorme pena e remorso pelas inúmeras faltas que tenho cometido; por uma extraordinária alegria por saber que sou Filho de um Deus que além de me criar me salvou para a Vida Eterna.
Fica, então, tudo claríssimo e transparente e, beijando essa Cruz de onde pendes morto, dizer-te com o meu pobre coração bem apertado nas mãos:

Obrigado… meu Senhor e meu Deus!

(ama, meditação sobre Mc 15, 1-39, 2012.03.09)

Leitura espiritual

EXORTAÇÃO APOSTÓLICA EVANGELII GAUDIUM
DO SANTO PADRE FRANCISCO
AO EPISCOPADO, AO CLERO ÀS PESSOAS CONSAGRADAS E AOS FIÉIS LEIGOS SOBRE O ANÚNCIO DO EVANGELHO NO MUNDO ACTUAL

282. Esta atitude transforma-se também num agradecimento a Deus pelos outros.

«Antes de mais, dou graças ao meu Deus por todos vós, por meio de Jesus Cristo»[i].

Trata-se de um agradecimento constante: «Dou incessantemente graças ao meu Deus por vós, pela graça de Deus que vos foi concedida em Cristo Jesus»[ii]; «todas as vezes que me lembro de vós, dou graças ao meu Deus»[iii].

Não é um olhar incrédulo, negativo e sem esperança, mas uma visão espiritual, de fé profunda, que reconhece aquilo que o próprio Deus faz neles.
E, simultaneamente é a gratidão que brota de um coração verdadeiramente solícito pelos outros.
Deste modo, quando um evangelizador sai da oração, o seu coração tornou-se mais generoso, libertou-se da consciência isolada e está ansioso por fazer o bem e partilhar a vida com os outros.

283. Os grandes homens e mulheres de Deus foram grandes intercessores.
A intercessão é como a «levedação» no seio da Santíssima Trindade. É penetrarmos no Pai e descobrirmos novas dimensões que iluminam as situações concretas e as mudam.
Poderíamos dizer que o coração de Deus se deixa comover pela intercessão, mas na realidade Ele sempre nos antecipa, pelo que, com a nossa intercessão, apenas possibilitamos que o seu poder, o seu amor e a sua lealdade se manifestem mais claramente no povo.

ii. maria, a mãe da evangelização

284. Juntamente com o Espírito Santo, sempre está Maria no meio do povo.
Ela reunia os discípulos para O invocarem[iv], e assim tornou possível a explosão missionária que se deu no Pentecostes.

Ela é a Mãe da Igreja evangelizadora e, sem Ela, não podemos compreender cabalmente o espírito da nova evangelização.

O dom de Jesus ao seu povo

285. Na cruz, quando Cristo suportava em sua carne o dramático encontro entre o pecado do mundo e a misericórdia divina, pôde ver a seus pés a presença consoladora da Mãe e do amigo.
Naquele momento crucial, antes de declarar consumada a obra que o Pai Lhe havia confiado, Jesus disse a Maria: «Mulher, eis o teu filho!» E, logo a seguir, disse ao amigo bem-amado: «Eis a tua mãe[v].
 Estas palavras de Jesus, no limiar da morte, não exprimem primariamente uma terna preocupação por sua Mãe; mas são, antes, uma fórmula de revelação que manifesta o mistério duma missão salvífica especial.

Jesus deixava-nos a sua Mãe como nossa Mãe.
E só depois de fazer isto é que Jesus pôde sentir que «tudo se consumara»[vi].

Ao pé da cruz, na hora suprema da nova criação, Cristo conduz-nos a Maria; conduz-nos a Ela, porque não quer que caminhemos sem uma mãe; e, nesta imagem materna, o povo lê todos os mistérios do Evangelho.

Não é do agrado do Senhor que falte à sua Igreja o ícone feminino. Ela, que O gerou com tanta fé, também acompanha «o resto da sua descendência, isto é, os que observam os mandamentos de Deus e guardam o testemunho de Jesus»[vii].

Esta ligação íntima entre Maria, a Igreja e cada fiel, enquanto de maneira diversa geram Cristo, foi maravilhosamente expressa pelo Beato Isaac da Estrela: «Nas Escrituras divinamente inspiradas, o que se atribui em geral à Igreja, Virgem e Mãe, aplica-se em especial à Virgem Maria (...). Além disso, cada alma fiel é igualmente, a seu modo, esposa do Verbo de Deus, mãe de Cristo, filha e irmã, virgem e mãe fecunda. (...) No tabernáculo do ventre de Maria, Cristo habitou durante nove meses; no tabernáculo da fé da Igreja, permanecerá até ao fim do mundo; no conhecimento e amor da alma fiel habitará pelos séculos dos séculos».[viii]

286. Maria é aquela que sabe transformar um curral de animais na casa de Jesus, com uns pobres paninhos e uma montanha de ternura. Ela é a serva humilde do Pai, que transborda de alegria no louvor.
É a amiga sempre solícita para que não falte o vinho na nossa vida. É aquela que tem o coração trespassado pela espada, que compreende todas as penas.
Como Mãe de todos, é sinal de esperança para os povos que sofrem as dores do parto até que germine a justiça. Ela é a missionária que Se aproxima de nós, para nos acompanhar ao longo da vida, abrindo os corações à fé com o seu afecto materno.
Como uma verdadeira mãe, caminha connosco, luta connosco e aproxima-nos incessantemente do amor de Deus.

Através dos diferentes títulos marianos, geralmente ligados aos santuários, compartilha as vicissitudes de cada povo que recebeu o Evangelho e entra a formar parte da sua identidade histórica.

Muitos pais cristãos pedem o Baptismo para seus filhos num santuário mariano, manifestando assim a fé na acção materna de Maria que gera novos filhos para Deus.
É lá, nos santuários, que se pode observar como Maria reúne ao seu redor os filhos que, com grandes sacrifícios, vêm peregrinos para A ver e deixar-se olhar por Ela.
Lá encontram a força de Deus para suportar os sofrimentos e as fadigas da vida.

Como a São João Diego, Maria oferece-lhes a carícia da sua consolação materna e diz-lhes: «Não se perturbe o teu coração. (...) Não estou aqui eu, que sou tua Mãe?»213

A Estrela da nova evangelização

287. À Mãe do Evangelho vivente, pedimos a sua intercessão a fim de que este convite para Nican Mopohua, uma nova etapa da evangelização seja acolhido por toda a comunidade eclesial.
Ela é a mulher de fé, que vive e caminha na fé,[ix] e «a sua excepcional peregrinação da fé representa um ponto de referência constante para a Igreja».[x]
Ela deixou-Se conduzir pelo Espírito, através dum itinerário de fé, rumo a uma destinação feita de serviço e fecundidade.
Hoje fixamos n’Ela o olhar, para que nos ajude a anunciar a todos a mensagem de salvação e para que os novos discípulos se tornem operosos evangelizadores.[xi]
Nesta peregrinação evangelizadora, não faltam as fases de aridez, de ocultação e até de um certo cansaço, como as que viveu Maria nos anos de Nazaré enquanto Jesus crescia: «Este é o início do Evangelho, isto é, da boa nova, da jubilosa nova.

Não é difícil, porém, perceber naquele início um particular aperto do coração, unido a uma espécie de “noite da fé” – para usar as palavras de São João da Cruz – como que um “véu” através do qual é forçoso aproximar-se do Invisível e viver na intimidade com o mistério.

Foi deste modo efectivamente que Maria, durante muitos anos, permaneceu na intimidade com o mistério do seu Filho, e avançou no seu itinerário de fé».[xii]

288. Há um estilo mariano na actividade evangelizadora da Igreja. Porque sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afecto.

N’Ela, vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentir importantes.
Fixando-a, descobrimos que aquela que louvava a Deus porque «derrubou os poderosos de seus tronos» e «aos ricos despediu de mãos vazias» [xiii] é mesma que assegura o aconchego dum lar à nossa busca de justiça.
E é a mesma também que conserva cuidadosamente «todas estas coisas ponderando-as no seu coração»[xiv].

Maria sabe reconhecer os vestígios do Espírito de Deus tanto nos grandes acontecimentos como naqueles que parecem imperceptíveis.
 É contemplativa do mistério de Deus no mundo, na história e na vida diária de cada um e de todos.

É a mulher orante e trabalhadora em Nazaré, mas é também nossa Senhora da prontidão, a que sai «à pressa» [xv] da sua povoação para ir ajudar os outros.

Esta dinâmica de justiça e ternura, de contemplação e de caminho para os outros faz d’Ela um modelo eclesial para a evangelização.
 Pedimos-Lhe que nos ajude, com a sua oração materna, para que a Igreja se torne uma casa para muitos, uma mãe para todos os povos, e torne possível o nascimento dum mundo novo.

É o Ressuscitado que nos diz, com uma força que nos enche de imensa confiança e firmíssima esperança: «Eu renovo todas as coisas»[xvi].
 Com Maria, avançamos confiantes para esta promessa, e dizemos-Lhe: Virgem e Mãe Maria, Vós que, movida pelo Espírito, acolhestes o Verbo da vida na profundidade da vossa fé humilde, totalmente entregue ao Eterno, ajudai-nos a dizer o nosso «sim» perante a urgência, mais imperiosa do que nunca, de fazer ressoar a Boa Nova de Jesus.
Vós, cheia da presença de Cristo, levastes a alegria a João o Baptista, fazendo-o exultar no seio de sua mãe.
Vós, estremecendo de alegria, cantastes as maravilhas do Senhor. Vós, que permanecestes firme diante da Cruz com uma fé inabalável, e recebestes a jubilosa consolação da ressurreição, reunistes os discípulos à espera do Espírito para que nascesse a Igreja evangelizadora. Alcançai-nos agora um novo ardor de ressuscitados para levar a todos o Evangelho da vida que vence a morte.
Dai-nos a santa ousadia de buscar novos caminhos para que chegue a todos o dom da beleza que não se apaga.
Vós, Virgem da escuta e da contemplação, Mãe do amor, esposa das núpcias eternas intercedei pela Igreja, da qual sois o ícone puríssimo, para que ela nunca se feche nem se detenha na sua paixão por instaurar o Reino.
Estrela da nova evangelização, ajudai-nos a refulgir com o testemunho da comunhão, do serviço, da fé ardente e generosa, da justiça e do amor aos pobres, para que a alegria do Evangelho chegue até aos confins da terra e nenhuma periferia fique privada da sua luz. Mãe do Evangelho vivente, manancial de alegria para os pequeninos, rogai por nós. 

Ámen. Aleluia!

Dado em Roma, junto de São Pedro, no encerramento do Ano da Fé, dia 24 de Novembro – Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo – do ano de 2013, primeiro do meu Pontificado.




[i] Rm 1, 8
[ii] 1 Cor 1, 4
[iii] Fl 1, 3
[iv] Act 1, 14
[v] Jo 19, 26-27
[vi] Jo 19, 28
[vii] Ap 12, 17
[viii] Sermão 51: PL 194, 1863 e 1865.
[ix] Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, cap. VIII, nn. 52-69.
[x]João Paulo II, Carta enc. Redemptoris Mater (25 de Março de 1987), 6: AAS 79 (1987), 366.
[xi] Cf. Propositio 58.
[xii]João Paulo II, Carta enc. Redemptoris Mater (25 de Março de 1987), 17: AAS 79 (1987), 381.
[xiii] Lc 1, 52.53
[xiv] Lc 2, 19
[xv] Lc 1, 39
[xvi] Ap 21, 219 5

Pequena agenda do cristão

DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé.

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?