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10/04/2015

Temas para meditar - 414

Critério


Um camponês subiu à montanha e lá encontrou um ninho de águia no qual estava um ovo. Pegando-Lhe cuidadosamente, trouxe-o para casa e foi pô-lo no galinheiro debaixo de uma galinha que estava no choco.
Passado o tempo devido, nasceram os pintos e juntamente nasceu também a pequena águia. Seguindo e fazendo tudo o que faziam os seus “irmãos” pintos, a pequena águia, embora muito diferente – uma águia é uma águia, um pinto é um pinto – em tudo procedia como se pinto fosse.
Um dia notou uma grande sombra projectada no chão e, levantando os olhos para o céu viu uma águia, adulta, que voava majestosamente e perguntou a uma galinha velha e experiente: Que é aquilo? A outra respondeu que era uma águia – Mas tu – disse-Lhe – não olhes para ela pois nunca poderás voar como ela, a nós, galinhas, cabe-nos andar por aqui, às bicadas no chão.


(m. martinez, citando Francisco Fernández Carvajal recolecção no Porto Março de 2004)

20/05/2012

Cardeal Richelieu

Conta-se que quando morreu o Cardeal Richelieu, circulou por Paris o seguinte epitáfio:

Aqui jaz um Cardeal

Que fez muito mal e muito bem

Todo o bem fez muito mal

E todo o mal fez muito bem.






(Citado por P. J. martínez, Recolecção, Agosto 2008)

21/12/2011

NÃO TER MEDO DE DIZER QUE NÃO

«Gosto muito do meu filho — dizia um senhor numa reunião de pais na escola — e procuro que ele se dê conta disso. No entanto, reconheço que algumas vezes o meu filho se porta mal. É verdade que ele só tem cinco anos de idade. Mas também é verdade que eu tento não me esquecer desse “detalhe” quando converso com ele sobre o seu comportamento.

«No outro dia, um psicólogo disse à minha mulher que nessas idades ninguém se porta propriamente mal. Simplesmente, faz com inocência algo que ainda não aprendeu que está mal. Eu, que não sou psicólogo nem nada que se pareça, não estou nada de acordo com isso. Já vi o meu filho portar-se mal. São coisas pequenas, evidentemente, mas ele sabe o que faz e tem consciência disso.

«E para o seu bem, procuro actuar com firmeza — não é sinónimo de violência — e dizer-lhe claramente que “não”. Ser claro, para mim, não é o mesmo que gritar. Também procuro explicar-lhe o porquê do meu “não”, de modo que ele possa entender. Assim, é mais fácil para ele obedecer àquilo que eu lhe digo, mesmo que não lhe apeteça.

«Muitas vezes, apercebo-me de que ele obedece não tanto por entender o que lhe digo, mas por confiar em mim. Porque sou seu pai. E, além disso, seu amigo. A paternidade é um facto. A amizade é uma conquista diária. E essa amizade entre nós também cresce quando ele percebe que eu lhe digo que “não” porque gosto dele — quando seria muito mais fácil para mim não lhe dizer nada».

Que gosto dá ouvir estas palavras tão sensatas! Os pais, se amam de verdade os seus filhos, não terão receio de, algumas vezes, dizer-lhes que “não”. Que pena se, por temor a contristar o filho ou a passarem eles um mau bocado, se habituem a ceder naquilo que não devem ceder! Quantos remorsos depois com o passar dos anos — e eles passam rapidamente — de não ter sabido dizer que “não” a tempo! Tudo se complica. Como diz o povo, cheio de sabedoria, é de pequenino que se torce o pepino.

Não é nada lógico dar aos filhos tudo aquilo que eles pedem. Nem deixá-los fazer tudo aquilo que lhes apetece. É preciso manter-se firmes, com uma firmeza amável e delicada que procede do amor. E convém não esquecer que a primeira qualidade do amor é a força para fazer o bem.

E se, depois de ter dialogado com os filhos e ouvido os seus argumentos, eles não gostam ou não entendem uma indicação dos pais? Nesse caso, penso que os pais não devem ceder naquilo que verdadeiramente consideram que é importante. O contrário seria claudicar num ponto nevrálgico da educação. Mais tarde, serão os próprios filhos a ouvir esse “não” no seu interior diante daquilo que poderiam fazer mas sabem que não devem fazer. Mas não nos enganemos: é muito difícil que esse “não” seja interiorizado pelos filhos se antes não foi pronunciado pelos pais.

p. rodrigo lynce de faria

INFORMAÇÕES MUITO BREVES [De vez em quando] 2011.12.20


16/12/2011

HISTÓRIA DA “COMUNHÃO ESPIRITUAL”

S. Josemaria aprendeu uma oração – a “comunhão espiritual” – dos lábios de um religioso. Mas qual é a origem dessa oração? O autor deste artigo encontrou-a “casualmente” nas páginas de um catecismo antigo.
  
O fundador do Opus Dei aprendeu a “comunhão espiritual” dos lábios do Padre Manuel Laborda: “eu quisera, Senhor, receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que vos recebeu vossa Santíssima Mãe, com o espírito e o fervor dos santos.

Uma oração que deu a volta ao mundo

Sabia que o fundador do Opus Dei aprendeu a “comunhão espiritual” dos lábios do Pe. Manuel Laborda, natural de Borja, Saragoça, e professor em Barbastro. Mas, qual a origem desta jóia da piedade eucarística? Rezavam-na no colégio ou foi composta pelo religioso? Pois bem, ainda que não procurasse a origem desta oração, encontrei-a, e a descoberta foi verdadeiramente providencial.


Estava a realizar uma investigação para publicar um artigo sobre Nossa Senhora em Scripta de Maria, a revista do Instituto Mariológico de Torreciudad, quando me veio à lembrança o catecismo por onde estudei na paróquia da minha terra, para preparar a Primeira Comunhão: o famoso catecismo do Padre Ramo, como se dizia. Pensei que talvez seria o mesmo por onde estudou o Padre em pequeno no colégio de Barbastro.

Veio-me à ideia o catecismo por onde estudei na paróquia da minha terra, para preparar a Primeira Comunhão: o famoso Catecismo do Padre Ramo, como se dizia. Pensei que talvez seria o mesmo por onde estudou S. Josemaria em pequeno no colégio de Barbastro.

Perguntei na biblioteca da Universidade de Navarra. Tinham um exemplar que, passado tempo, me mandaram digitalizado. Pelo seu estado de conservação, lê-se com alguma dificuldade. Mas entretanto, efectuei também pesquisas no colégio dos Escolápios de Alcañiz, onde o autor tinha sido reitor. Sugeriram-me que fosse aos Escolápios de Saragoça, onde consegui cópia do chamado catecismo maior. Explicación de la Doctrina Cristiana. Según el método con que la enseñan los Padres de las Escuelas Pías. Dispuesta en forma de Diálogo entre Maestro y Discípulo. Por el P. Cayetano de S. Juan Bautista, Sacerdote de dichas Escuelas Pías. Foi editado em Pamplona em 1800 e tem 357 páginas. Fui lendo pouco a pouco, e qual seria a minha surpresa quando dei com o seguinte texto, na página 308, onde o autor convida a avivar o desejo de receber a Cristo, explicando também como fazê-lo:

yo quisiera Señor, y Dios mío, recibiros con aquella pureza, humildad, y amor con que os recibió vuestra Santísima Madre, y con el fervor, y espíritu de los Santos (eu quisera Senhor, e meu Deus, receber-vos com aquela pureza, humildade e amor com que vos recebeu a vossa Santíssima Mãe, e com o fervor, e espírito dos Santos).

Talvez que aquela resposta do catecismo, à força de ser ensinada e repetida, se tenha alterado, com ligeiras variantes, em oração; ou talvez fosse o mesmo Pe. Laborda quem lhe deu forma. Em qualquer caso, ali estava presente o património de piedade dos Escolápios, que aquele bom religioso transmitiu a S. Josemaria. Se a origem da fórmula é atribuída ao Padre Caetano de S. Juan Bautista, ou este a copiou de outro autor anterior, também é um tema que será interessante investigar…

Já que a fotocópia com que trabalhei não era de muita qualidade – as manchas escuras que em alguns pontos dificultam o trabalho do scanner o texto – , pensei que o melhor era copiá-lo para o computador. Foi o que fiz. O processo foi trabalhoso e bastante demorado, quase dois anos, até conseguir a reconstrução desse velho catecismo. Copiei, ordenei e fiz a maqueta do livrinho com o computador, e assim conservou quase a sua primitiva fisionomia.

Posteriormente, escrevi ao Prelado do Opus Dei, comunicando-lhe o achado. Também pensei que lhe daria gosto ter o texto completo do livro, e enviei-lho. Recordo que o fundador do Opus Dei, em momentos de confusão na vida da Igreja, nos recomendava recorrer às fontes seguras, aos velhos catecismos cheios de doutrina e de piedade.

"A Igreja de Deus e os sacerdotes de Deus, desde há vinte séculos, pregam o mesmo (…). Porque – gosto muito de dizê-lo – a religião não foi feita pelos homens de braço erguido, por votação… Pegai nos velhos catecismos! Filhas minhas, filhos meus: são tesouros maravilhosos! Não os deiteis fora!, lede-os (…) e lede-os com calma para conservar a fé dos vossos filhos."

Também agora existe um grande instrumento para aprofundar e dar a conhecer a fé: o Catecismo da Igreja Católica e o seu Compêndio, como expressão da fé perene da Igreja.

Sem pretender, sem saber como, a Providência encaminhou os meus passos até chegar a esta feliz descoberta, graças a Deus. De certeza, que S. Josemaria teve algo que ver com isto!

Don Jesus Sancho Bielsa é sacerdote da diocese de Teruel (Espanha) e doutor em Teologia. Foi catedrático de grego, de Teologia Dogmática no Seminário Maior de Teruel, e professor de Teologia dos Sacramentos na Universidade de Navarra.

Fonte: pt.josemariaescriva.info, 2011/11/19

INFORMAÇÕES MUITO BREVES [De vez em quando] 2011.12.16


LUGARES VAZIOS NA MESA DE NATAL

Dói muito uma cadeira vazia à volta da mesa da ceia de Natal. Nem sequer a velha tradição de deixar a mesa da doçura posta durante a noite para que os mortos provam a riqueza dos afectos torna mais suportável a ausência de quem, ao partir, nos deixou presos à saudade.

Há muitos lugares vazios nos bancos das nossas igrejas. Muitos partiram em bicos de pés; outros fugiram das igrejas como o diabo da cruz, descontentes com alguém ou alguma coisa que os afastaram amargurados; outros andaram por lá mas os sentimentos religiosos não lhes passaram da epiderme, sem lhes tocar a convicção e a adesão confiante.

A Conferência Episcopal da Inglaterra e País de Gales teve a feliz ideia de convidar católicos que deixaram de praticar a fé ou apenas o fazem ocasionalmente a voltar à Igreja.

Os bispos lançaram a campanha “Come Home for Christmas” (Volte a casa para o Natal), através de uma página na Internet que inclui mensagens de boas-vindas de vários bispos, bem como a secção “As suas histórias”, onde constam testemunhos de aproximação à prática religiosa. O site apresenta também o espaço “What next?” (E a seguir?), reservado às pessoas que querem saber os passos a dar para regressarem à Igreja.

A campanha foi lançada alguns dias após a apresentação do ciclo de encontros “Ultrapassar os umbrais”, que pretende apoiar as paróquias inglesas e galesas no trabalho com os católicos não praticantes. A iniciativa, que faz parte de um projecto a três anos do Episcopado inglês e galês, previsto para terminar em 2013, integra também o itinerário para o próximo Sínodo dos Bispos, dedicado à nova evangelização, marcado para Outubro de 2012, em Roma. O documento preparatório da assembleia sinodal sublinha que, no Ocidente, “muitos” baptizados “vivem completa mente fora da vida cristã, e cada vez mais pessoas, mesmo conservando alguma ligação com a fé, conhecem pouco os seus fundamentos”.

Imaginem só uma campanha idêntica em Portugal. Muitos católicos, sobretudo aqueles que ainda assim se confessam sociologicamente, vivem com indiferença a sua vinculação à Igreja Católica. A indiferença é, como se sabe, a casca mais dura para deixar penetrar as sementes do Evangelho. Outros foram baptizados mas pouco ou nada evangelizados. E há os que bateram com a porta e saíram em bicos de pés.

Talvez alguns voltariam, se devidamente convidados e bem acolhidos nas comunidades cristãs, que deveriam ser samaritanas para que não lhes falte a atenção aos “vencidos do catolicismo”. Há caminhos por andar na missão da Igreja Católica em Portugal, para lá de caminhos mal andados.

Oxalá alguns filhos pródigos voltem a casa para a consoada, o que seria um “milagre” do Menino Deus!. Bom Natal para todos os leitores.

conegoruiosorio@diocese-porto.pt

INFORMAÇÕES MUITO BREVES [De vez em quando] 2011.12.15


13/12/2011

MONUMENTO AO MENINO NÃO NASCIDO

A 28 de Outubro de 2011, foi inaugurado na Eslováquia, o monumento ao menino não nascido, obra de um jovem escultor daquele país.

O monumento expressa não só o pesar e arrependimento das mães que abortaram, mas também o perdão e o amor do menino por nascer para com a sua mãe.

A cerimónia de inauguração contou com a presença do ministro da Saúde do País.

A ideia de construir um monumento aos bebés por nascer veio de grupo de mulheres jovens mães muito conscientes do valor de toda a vida humana e do mal que se inflige também à saúde da mulher.


INFORMAÇÕES MUITO BREVES [De vez em quando] 2011.12.06


28/11/2011

Amália Rodrigues e São Josemaria escrivá

O que têm em comum Amália Rodrigues e Josemaria Escrivá? À partida nada, mas… quis o destino que o dia 6 de Outubro fosse comum aos dois.

Nesse dia de 1999 falecia em Lisboa, Amália Rodrigues, a grande fadista, admirada e seguida por portugueses e amantes do fado dispersos por todo o mundo, durante muitos anos e até aos dias de hoje.

Nessa mesma data, mas em 2002 era canonizado na Praça de S. Pedro em Roma o sacerdote espanhol São Josemaria Escrivá, fundador da Opus Dei, instituição da Igreja que defende a santificação da vida quotidiana. Pois a São Josemaria Escrivá muito agradavam os fados de Amália e com certeza por ela terá intercedido na dimensão celestial.

Os dois manifestavam reciprocamente um respeito e uma admiração mútua, embora nunca se tivessem encontrado pessoalmente, e assim através de um artigo do "Jornal de Notícias" de Hugo de Azevedo, sacerdote e biógrafo do santo, conhecemos a seguinte história.

Em 1992, quando Amália soube, por um artigo de D. Alberto Cosme do Amaral, então bispo de Leiria-Fátima, que o Fundador da Opus Dei, recentemente beatificado, apreciava a sua voz e falara dela com afecto, comoveu-se e não resistiu a confirmar pessoalmente o que lera em “O Independente”.

Para isso Amália, assiste oportunamente, a uma missa em honra do então beato Josemaria Escrivá, que teve lugar em Fátima a 4 de Julho de 1992, e finda a cerimónia, dirige-se a D. Alberto do Amaral para lhe perguntar pormenores da conversa a que se referira no artigo do "Independente".

D. Alberto então confessa-lhe que um dia em Roma, durante uma visita em que os dois se encontraram, o então Monsenhor Josemaria Escrivá pedira a um colaborador que "pusesse" um disco de Amália, para que ele, D. Alberto, pudesse "matar saudades" e, depois de ouvir o fado com plena satisfação disse: " Que linda voz tem esta mulher! Temos que rezar por ela."

Nesse seu interesse pelo fado não se sabe se São Josemaria valorizava mais o gosto pela música ou o carinho por Portugal e pelos portugueses, que havia manifestado em anteriores ocasiões. Apaixonavam-no os cantos litúrgicos nas cerimónias religiosas, mas também a música popular e as canções de amor humano, que às vezes lhe serviam de tema de oração. Por isso é também lógico que expressasse emoção pelos fados de Amália. Sentimento que se reflectiu em espelho transcendente frente a Amália, que se comoveu ao aperceber-se nessa conversa que havia no céu um admirador que intercedia por ela.

Nessa conversa com o bispo D. Alberto, Amália e outras pessoas, sob o tecto de Fátima, desvaneceram uma dúvida apresentada pela fadista, pois esta tinha ouvido alguém dizer que a crueldade estava na natureza do homem. D. Alberto respondeu-lhe que de forma alguma, pois havia escutado do próprio Sã Josemaria que se Deus se fez Homem, foi para o amarmos humanamente, pois "só podemos ser divinos, se formos muito humanos", reafirmou citando uma frase que o santo havia dito muitas vezes em vida.

"Esta é uma “petite histoire”, mas revela bem a fina sensibilidade da grande fadista, a sua límpida simplicidade e a sua profunda humanidade", assim terminava o artigo de Hugo de Azevedo no Jornal de Noticias.

E com esta frase celebramos a recordação desta dupla efeméride, de Amália e São Josemaria Escrivá.


 INFORMAÇÕES MUITO BREVES [De vez em quando] 

25/11/2011

NOVENA DA IMACULADA CONCEIÇÃO


IGREJA DA TRINDADE – PORTO


De 30 de Novembro a 8 de Dezembro de 2011

SANTA MISSA E SALVE RAINHA

TODOS OS DIAS às 19 horas

EXCEPTO: Nos dias 1, 4 e 8 (Domingos e feriados) às 12 horas

HAVERÁ CONFISSÕES ANTES DA SANTA MISSA
_____________________________

Em Lisboa,

http://oratoriosjosemaria.com.sapo.pt/actividades/novena.htm

Braga, Coimbra, Viseu, etc.:

Informar-se do lugar e hora


INFORMAÇÕES MUITO BREVES   [De vez em quando] 25.11.2011


09/11/2011

Ser cristão e cientista em perfeita unidade







Quando se discute o equilíbrio entre Fé e Ciência são poucos os testemunhos de vida que o assumem tão inteiramente como Ricardo Mendes Ribeiro. Físico e actualmente director da Licenciatura em Física da Universidade de Minho, Ricardo Ribeiro é investigador em nanotecnologia, com especial relevância para o estudo do grafeno. Lecciona cadeiras de Física Contemporânea e, para melhor servir este propósito, publicou no ano passado um livro que vem colmatar um vazio na bibliografia dessa área.

Este é o perfil pelo qual muitos o conhecem. Ricardo Ribeiro é também director do Centro Universitário do Minho, um local onde se promove uma formação integral para estudantes universitários, incluindo a vertente espiritual seguindo os ensinamentos de S. Josemaria.

Neste sentido, a Ciência e a Fé são complementares, juntamente com outras formas de conhecimento que existem e não são nem ciência nem Fé.

Serão Fé e Ciência duas ruas compridas sem acessos, sem passeios comuns? Pode ser a Física uma ponte?

Não existe qualquer contraposição entre a Ciência e a Fé (refiro-me à Fé Católica). A realidade é extraordinariamente rica e para a captarmos (nunca o faremos completamente) temos de a ver de diversas perspectivas, nas suas diversas dimensões. Neste sentido, a Ciência e a Fé são complementares, juntamente com outras formas de conhecimento que existem e não são nem ciência nem Fé. Por outro lado, ambas as formas de conhecimento são profundamente racionais e buscam a Verdade. Por isso não podem contradizer-se mutuamente. Além disso, têm objectos e métodos de estudo diferentes, o que torna impossível haver uma contradição entre os dois.

Pode o grafeno falar de Deus? De que forma se pode ver Deus na investigação de materiais bi-dimensionais, no Centro de Física?

A Física leva a Deus de uma forma muito especial, porque estudamos a Criação que Ele fez, onde depositou um carinho enorme, que encheu de belezas extraordinárias a todos os níveis... É de facto um modo de conhecer a Deus; Ele manifesta-se na Criação, da mesma maneira que o pensamento e a habilidade do escultor se manifestam na obra de arte. Um Físico conhece essas leis que são um lampejo da Inteligência divina, vê belezas que os outros não conseguem captar, e maravilha-se! Ele fez estas coisas para nós explorarmos, deliciar-nos, maravilhar-nos. É uma beleza puramente intelectual, racional.
Que influência teve Josemaria Escrivá – Fundador do Opus Dei - na vida do físico e como continua hoje a influir no quotidiano do Director do Departamento de Física?

Há muitos aspectos em que os ensinamentos de S. Josemaria me influenciam. Talvez salientasse um: o amor à Liberdade. Amor que implica um respeito profundo pelos pensamentos e modos de ser dos outros. Uma verdadeira tolerância com as pessoas, acompanhada por um amor à verdade que não me permite dizer que está certo aquilo que está errado. Nisto há um grande paralelismo com o modo de funcionar dos Físicos. Buscamos a verdade, e fazemo-la passar pelo crivo da crítica construtiva, até ao extremo. Admitimos sempre alguém que pense de maneira diferente, mas tem de o fazer de uma forma congruente, sempre na busca do que é a verdade e não do ter ou não ter razão. Podia dar tantos exemplos!

Que proposta apresenta o Opus Dei para contrariar a evanescência espiritual das comunidades académicas - os pequenos centros de investigação, os grandes laboratórios? Pode um investigador ser santo?

Eu não falo em nome do Opus Dei, não tenho autoridade para isso. Mas o Opus Dei não apresenta mais soluções para os problemas da humanidade que a própria Igreja. Para responder a essa pergunta, é melhor ver o que o Papa disse na Alemanha há uns dias atrás:

    "Queridos amigos, o apóstolo São Paulo, em muitas das suas cartas, não tem receio de designar por «santos» os seus contemporâneos, os membros das comunidade locais. Aqui torna-se evidente que cada baptizado – ainda antes de poder realizar boas obras ou particulares acções – é santificado por Deus. No Baptismo, o Senhor acende, por assim dizer, uma luz na nossa vida, uma luz que o Catecismo chama a graça santificante. Quem conservar essa luz, quem viver na graça, é efectivamente santo. Queridos amigos, a imagem dos santos foi repetidamente objecto de caricatura e apresentada de modo distorcido, como se o ser santo significasse estar fora da realidade, ser ingénuo e viver sem alegria. Não é raro pensar-se que um santo seja apenas aquele que realiza acções ascéticas e morais de nível altíssimo, pelo que se pode certamente venerar mas nunca imitar na própria vida. Como é errada e desalentadora esta visão! Não há nenhum santo, à excepção da bem-aventurada Virgem Maria, que não tenha conhecido também o pecado e que não tenha caído alguma vez. Queridos amigos, Cristo não se interessa tanto de quantas vezes vacilastes e caístes na vida, como sobretudo de quantas vezes vos erguestes. Não exige acções extraordinárias, mas quer que a sua luz brilhe em vós. Não vos chama porque sois bons e perfeitos, mas porque Ele é bom e quer tornar-vos seus amigos. Sim, vós sois a luz do mundo, porque Jesus é a vossa luz. Sois cristãos, não porque realizais coisas singulares e extraordinárias, mas porque Ele, Cristo, é a vossa vida. Sois santos porque a Sua graça actua em vós." Isto aplica-se a qualquer cristão, e aos cientistas também.

Voltando às duas ruas - Fé e Ciência - tenham elas os nomes Opus Dei e Física do Estado Sólido, como determina cada uma o sentido da vida do Ricardo?

Eu não tenho uma vida esquizofrénica. Eu sou uma só pessoa que é cristã e cientista (e muitas coisas mais), em unidade de vida. Não deixo de ser Físico quando rezo nem deixo de ser cristão quando estou a investigar. Não há duas ruas. Há o meu caminho, a minha vocação, querida e amada por Deus, que inclui ser cristão e ser cientista, em perfeita unidade. Procuro que o meu trabalho seja oração, diálogo íntimo com Deus, imagem do que será no Céu, onde continuarei a ser Físico (e a maravilhar-me com as belezas da criação, nessa altura muito melhor compreendidas) e cristão (ou seja, apaixonado por Cristo).




Entrevista a Ricardo Ribeiro, físico e director da licenciatura em física da Universidade do Minho.






















M. Martinez, INFORMAÇÕES MUITO BREVES   [De vez em quando] 2011.11.08

05/11/2011

Procuras encontrar a fé perdida?

«Sucede não poucas vezes que os cristãos sintam maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora um tal pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado.
Enquanto, no passado, era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes sectores da sociedade devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas.»
(bento xvi, Carta Apostólica Porta Fidei, 11-X-2011, n. 2)

A seguir recolhemos um conjunto de Testemunhos que podem ajudar a pensar sobre as palavras do Papa, para o Ano da Fé.

A fé católica pode esconder-se atrás de perguntas difíceis, como a que um dia Clara Costa disparou à catequista: «Se Deus está em todo o lado, para que serve a confissão? Não posso simplesmente voltar-me para uma parede e dizer o que tenho a dizer?» Pode também surpreender os mais incrédulos, em momentos difíceis de desorientação e dor. Ou pode revelar-se simplesmente, quando alguém olha para dentro de si e percebe ter «a felicidade» - assim o dizem - de acreditar. Não é um caminho linear. Há quem se zangue, quem se afaste, quem resista, quem a deixe adormecer ou viva muitos anos sem dar por ela. Mas, se existe, um dia a fé revela-se.

Paulo Nunes, 44 anos, é católico. Nem sempre viveu próximo da prática religiosa, apesar de, em casa, a mãe e a irmã darem o exemplo.

Fez a primeira comunhão, como «uma coisa natural entre os miúdos» da sua idade, mas a adolescência desviou-o das missas. Não é fácil ser-se rapaz e destoar do grupo, preferir ir tomar a hóstia a sair com a 'malta', ou pensar em Cristo quando há tempo disponível para seduzir raparigas. «É a maturidade que nos coloca outras questões, mais existenciais», diz Paulo, apesar de considerar que, «lá no fundo», sempre foi crente. «Vejo o meu caso como o de um carro sem bateria, que para andar só precisou de um empurrãozinho.»

Na sua vida, essa 'ajuda' e a viragem deu-se na altura em que planeou casar: «Frequentava as reuniões do CPM - curso de preparação para o matrimónio - e algo me tocou. Nem sei se posso falar em chamamento... Então disse à minha namorada - católica e um membro activo na Igreja -, que ia começar a acompanhá-la.» Como tocava guitarra, foi desafiado pelo padre a ingressar no coro da paróquia, onde se mantém há 16 anos. Acabou por fazer também o crisma, integrou a equipa dos CPM e foi catequista durante uma década, tudo na igreja de Benavente, localidade onde reside.

Como católico, Paulo sente que «não chega dizer que se acredita, é preciso fazer alguma coisa pelos outros.» Porque, em sua opinião, é aí que reside a essência da sua religião. «Deus já não é castigo, nem uma entidade a quem temos de obedecer para merecer o bem. Deus é amor e quer que nós o pratiquemos também», conclui.

Este novo olhar tem reaproximado muitos católicos. O padre Filipe Martins chama-lhe «ver Deus desde dentro». Algo de que pode falar por experiência própria, recuando ao tempo em que, «por causa do trânsito», acabou por descobrir a vocação. Não é brincadeira. Engenheiro Eletrotécnico formado pelo Instituto Superior Técnico, Filipe Martins tinha de ir muito cedo para as aulas, para evitar o tráfego, já que morava fora de Lisboa e aproveitava a boleia do pai. Ficava então num café, a conversar com um colega, até ser hora de entrarem. «Entre carros e raparigas, também falávamos de Deus, que eu me interessei por conhecer melhor», recorda.

Dar catequese nos casamentos

Actualmente a concluir a sua formação, em Barcelona, este padre jesuíta de 41 anos faz o possível para quebrar «a imagem cristalizada» da Igreja, muitas vezes assente no «mau testemunho que dela é dado.» Pode não ser falsa, afirma, «mas é certamente uma imagem parcial.» «É preciso ter curiosidade e conhecer o outro lado», continua, sendo essa uma das razões porque cada vez mais tenta dar catequese nos casamentos e funerais, «aproveitando as presenças que só nestas cerimónias se conseguem.»

Dizer mal do que não se conhece é fácil, concorda Mónica Costa, 33 anos, professora de educação física numa escola em Santo António dos Cavaleiros. Ela própria era uma voz crítica em relação à religião católica: «A ignorância é atrevida e eu falava mal por desconhecimento, assim como continuo a ter amigos que me olham com estranheza e condenam a Igreja sem se darem ao trabalho de saberem do que falam. Mas eu compreendo e aceito. Não sou boa a debater, e não lhes respondo muito. Estou numa fase em que procuro ainda aprender, terei depois mais argumentos.»

O «reencontro com Cristo», como o define, aconteceu-lhe numa fase de «insatisfação pessoal que coincidiu com a crise dos 30.» Mónica aproximou-se da associação Leigos para o Desenvolvimento, numa tentativa de se reestruturar, e acabou por partir um ano em missão para São Tomé e Príncipe. A experiência mudou-lhe a vida. Ao regressar, em Agosto de 2010, fez os chamados exercícios espirituais na vida corrente, «onde é proposto» que se reze «uma hora por dia». Pareceu-lhe inatingível, mas é certo que a rotina diária de oração comunitária a que vinha habituada já deixara marcas. «Hoje entro facilmente em oração e trato Deus por tu, num discurso informal. Muitas vezes são pensamentos. Faço fases diferentes. Neste momento agradeço muito: as pessoas com quem me cruzo, certos momentos, o facto de este ano as coisas na escola estarem a correr melhor...».

A família, residente na Guarda, estranha o seu percurso. Para quem aos 15 anos deliberou não voltar a acompanhar a mãe à missa, nada fazia prever a reviravolta. «Mas não falamos muito nisso, se calhar por existir um certo medo de vir à baila a questão da vocação», admite Mónica.

A verdade é que na sua vida «tudo está em aberto.» Quer ler muito, descobrir mais sobre «o Deus justo» que lhe trouxe sentido ao dia a dia, mas, para já, vai desfrutando do melhor que a fé lhe trouxe: «Sentir-me acolhida e verdadeiramente amada; olhar para as pessoas imbuídas em Cristo e perceber a sua felicidade e ter descoberto este Deus que gosta de mim como eu sou.»

No dia em que o Cristo Rei batesse palmas

Sentado na sala contígua à capela do hospital da CUF Descobertas, em Lisboa, num grupo que reúne outros católicos «reconciliados», Rodrigo Cerqueira vai mais longe: «A fé atirou-me ao chão. Vivi coisas tão intensas que as julgo feitas à medida da minha teimosia.» Sim, porque este director de arte era alguém muito racional, a quem a dimensão religiosa nada dizia. «Costumava dizer aos meus irmãos que só me casaria no dia em que o Cristo Rei batesse palmas.» As coisas começaram a mudar em 1999 quando fez pela primeira vez o Caminho de Santiago, «por curiosidade turística, arredado das missas e sem entrar na catedral.» Ainda assim, a experiência transformou-o. Acabou por se mudar para Barcelona, onde ficou três anos, até perceber que era no seu país que a vida «fazia sentido».

No regresso voltou o apelo. Fez de novo o Caminho, já mais próximo da dimensão católica, também por influência daquela que viria a ser sua mulher. «Uma peregrinação é como uma pequena vida. Começamos inexperientes, as bolhas são a juventude e, a cada passo, vamos atingindo a maturidade. Nunca voltamos iguais», garante, antes de confirmar a velha máxima de que não há duas sem três. Mas antes da terceira ida a Santiago de Compostela confessou-se, «pela primeira vez em décadas», e, à chegada ao destino, ajoelhou-se frente à catedral e pediu a namorada em casamento.

Perdeu-se o homem racional e frio. «Percebi que nem tudo se encaixa em métodos ou explicações lógicas. E, sobretudo, depois dessas viagens percebi que tinha chegado a hora de começar a dar de volta o muito que tinha recebido«, conta. Então Rodrigo fundou a Associação de Amigos dos Caminhos de Fátima, passando a organizar peregrinações, abertas a toda a gente e de todas as idades.

Católica praticante "por obrigação"

Há mais histórias para partilhar. Actualmente com 17 anos, Clara Costa sempre acreditou em Deus «como alguém perfeito, que nos ajuda», mas tinha dificuldade em aceitar o ideal católico. «Para mim a Igreja era apenas uma coisa desactualizada, o que afasta os jovens e só chega para manter os mais velhos porque eles não têm mais nada para fazer.» Clara foi educada na fé cristã, frequentou a catequese e os escuteiros, andou numa escola onde ir à missa era obrigatório, mas fez tudo um bocado «por obrigação».

Curiosamente, tendo Deus à sua «disposição» desde sempre, só o encontrou verdadeiramente quando a sua vida dele parecia afastar-se. «Os meus pais separaram-se e eu deixei Évora para vir para Lisboa com a minha mãe. Foi uma fase difícil, sentia-me sozinha, mas acho que a minha salvação foi ter passado a estudar numa escola pública.» Da redoma protegida, de uma escola onde «tudo eram valores e moral», aos 12 ou 13 anos caiu «na vida real», diz a estudante, onde até droga passava à sua frente. O choque foi violento, mas fê-la perceber que algo lhe faltava. No último ano, um colega desafiou-a a fazer o crisma. Pensou: «Ok, vou fazê-lo. Nem pela minha mãe, nem por ninguém. Vou fazê-lo por Deus, e depois logo se vê...»

A surpresa foi que «a sensação de vazio foi-se preenchendo.» Mesmo a tal pergunta difícil sobre a confissão encontrou resposta. Confessamo-nos a um padre, explicaram-lhe, para reconhecer a nossa humildade. O princípio fez-lhe sentido. Compreendeu o valor da fé em comunidade, questão a que se referiu o Papa, em Agosto, no encerramento das Jornadas Mundiais da Juventude, em Madrid. Ceder à tentação de «viver a fé segundo a mentalidade individualista que predomina na sociedade» acarreta o «risco de não encontrar Jesus Cristo ou de acabar seguindo uma imagem falsa dele», disse Bento XVI. O mesmo expressa Clara: «Não posso achar que Deus é meu ou está no meu quarto, nos meus livros, e pronto. Participar na vida da Igreja faz-me sentir mais completa.»

Para este caminho, reconhece Clara Costa, muito contribuiu também o padre José Cruz, o capelão do hospital CUF Descobertas, também presente na sala, o mesmo que devolveu a fé a Margarida Franca Ribeiro num dos piores momentos da sua vida.

«Tinha o meu marido internado, num doloroso processo oncológico, e um dia ele veio ter comigo. A chorar perguntei-lhe: 'Como é que o senhor me apareceu?' O padre José respondeu-me que 'Jesus está sempre presente', e esse foi o início de um caminho que ainda estou a aprofundar», partilha a professora do primeiro ciclo.

«Conheci-a na revolta», confirma o padre José Cruz, para quem o sentimento é familiar: «Em criança, por influência da minha avó paterna, todos os dias ia à missa. A minha mãe até ralhava por ir ao terço à chuva. Mas zanguei-me com Deus de tal forma, quando a minha avó morreu, que deixei de entrar na igreja.» José Cruz fala do «feliz tempo da rebelião», também necessário, e que no seu caso durou até ao dia em que se cruzou com o padre Veríssimo Teles. «Quando visitou a minha paróquia fui-me confessar. Tinha 14 anos e ele foi o primeiro padre que me acolheu e ouviu tudo o que eu era, sem me criticar. Foi decisivo para o caminho que tomei», conta.

A revolta de Margarida também foi apaziguada. «Aos poucos, veio a capacidade para dar mais valor ao que tenho e para perceber a importância de me agarrar ao que de bom tinha vivido com o meu marido», diz. Se antes ia às missas por hábito, passou a frequentá-las pela «força» que isso lhe dá. A fé é hoje «uma coisa completamente diferente», que lhe trouxe paz. O padre José Cruz tornou-se um amigo, que fez o funeral do marido, mas, depois disso, também o baptizado do neto. A vida continua. Ainda chora, muitas vezes, mas agora reza todas as noites. E isso ajuda.

Não é uma questão de tudo aceitar, sem dúvidas. Miguel Gama, professor do ensino superior, assume que continua a questionar-se e a questionar a própria Igreja. «Faz parte da minha ideia do que é ser católico», afirma, para explicar que a sua aproximação à fé foi um tanto intermitente. As idas à missa em criança não o marcaram. «O meu foi um caminho pessoal», diz.

Em adulto um período de doença da mãe fê-lo ficar mais próximo, para depois se afastar e regressar apenas, «há cerca de quatro anos», na sequência de uma altura pessoal mais complicada. Mas «o apelo à oração vem desde sempre», quando nem orar sabia, porque nunca o tinham ensinado. «A fé contribuiu para me fazer crescer», disso não duvida. Hoje canta num coro, tornou-se ministro da comunhão e é voluntário no Hospital dos Capuchos, em Lisboa. «É preciso ler a Igreja sob o prisma do amor. Tudo ganhou um sentido mais profundo», garante.

Sentada a seu lado, Ana Pinto - que se afastou da fé católica não por revolta contra Deus, mas por a certa altura «sentir que havia um desajuste entre o que acreditava e o que fazia», fazendo-a gostar menos de si e duvidar que Deus a pudesse aceitar - concorda: «Descobrir que Deus nos ama muda tudo.»

M. Martinez, INFORMAÇÕES MUITO BREVES (De vez em quando) 2011.11.04

23/10/2011

«SANTO SÚBITO!»

Memória do beato João Paulo II, dia 22 de Outubro


Num grande encontro de S. Josemaria em S. Paulo, em 1974, alguém lhe perguntou: - «Padre, como é que o Brasil, que é a nação mais católica do mundo (quantitativamente, entendia-se), ainda não tem um santo?» De facto, só em 2007 foi canonizado Frei Galvão. E o Fundador do Opus Dei respondeu imediatamente: - «Não te preocupes, meu filho! Há muitos santos em S. Paulo!»

A sua mensagem do chamamento universal à santidade – radicada desde sempre no Evangelho e confirmada solenemente no Vaticano II, mas esquecida da maior parte dos cristãos e até dos sábios em espiritualidade – não consiste apenas em afirmar que a vida comum dos fiéis pode e deve ser caminho de santificação; vem recordar também que o Espírito Santo não esperou pelo Opus Dei nem pelo Vaticano II para conduzir à plena união com Cristo e à plenitude da caridade milhares e milhares de almas ao longo dos séculos, dentro e fora do matrimónio, sãos e doentes, de quaisquer profissões. Simplesmente, nem reparamos neles, nem eles se crêem santos… Mesmo quando dizemos «a minha mãe é uma santa», ou «aquele homem é um santo», não pensamos que realmente o sejam no sentido teológico da palavra. E, no entanto, é muito possível que aquela alma tenha atingido um grau de amor a Deus e ao próximo igual ao dos que subiram aos altares.

Há muitos santos no mundo; há muitos santos em Portugal. Que o digamos nós, sacerdotes, de tantos que se ajoelham aos nossos pés – contritos, humilíssimos – e nos dão vontade de ajoelhar aos pés deles!

Volto a recordar S. Josemaria, comovido com os peregrinos que via caminhar para Fátima: - «Quanta fé! Quanta fé! Deus vos abençoe pelo amor que tendes a sua Mãe!» Quanta fé, quanta caridade, quanto esquecimento próprio, quanto espírito de sacrifício, quanta piedade, quanta confiança em Deus! Há muitos santos, e ai de nós se não os houvesse! Com defeitos? Certamente, mas empenhados sinceramente em rectificar, em lutar por ser melhores… Ora isso é que é santidade, com já dizia, por exemplo, S. Bernardo: «Jugis conatus perfectionis perfectio reputatur» - a perfeição consiste no empenho constante da perfeição; ou S. Francisco de Sales: «Há uma perfeição impossível aos mais perfeitos, a perfeição na conduta; e uma perfeição acessível aos mais imperfeitos, a perfeição do coração».

«Santo súbito!» Santo já! Pedia a multidão no funeral de João Paulo II. Queriam dizer que fosse canonizado imediatamente, por aclamação; e muito bem fez a Santa Sé em documentar devidamente as virtudes heróicas do grande Papa. Mas pode dizer-se que há uma santidade instantânea, «súbita», e que Nosso Senhor a revelou no Evangelho, na parábola do fariseu e o publicano. O fariseu era perfeito e mais-que-perfeito, pois cumpria ainda mais do que exigia a Lei; o publicano, não, coitado, mas não se comparava com ninguém; apenas com o que devia a Deus: - «Tem piedade de mim, pecador!» E «voltou justificado». Naquele momento era santo. Talvez daí a pouco fraquejasse... Mas, se voltasse à contrição, ao sincero desejo de conversão, de amor, voltaria a sê-lo. E, afinal, a verdadeira santidade é essa: a vontade actual de evitar o pecado e cumprir a vontade de Deus. Porque as heroicidades passadas, passadas são; e as faltas passadas também; o decisivo é o agora, cada momento, recomeçando constantemente a amar e servir a Deus e ao próximo por amor de Deus.

hugo de azevedo

INFORMAÇÕES MUITO BREVES   [De vez em quando] 2011.119.11 

22/10/2011

BIOÉTICA: BISPOS CATÓLICOS DA UE SAÚDAM PROIBIÇÃO DE PATENTES DE INVESTIGAÇÕES COM CÉLULAS ESTAMINAIS EMBRIONÁRIAS

T E J

Decisão do Tribunal Europeu de Justiça pode abrir caminho a maior investimento em «fontes alternativas» consideradas mais aceitáveis do ponto de vista ético


A Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia (COMECE) saudou a decisão do Tribunal Europeu de Justiça, que impede que sejam patenteados processos que envolvam a destruição de células estaminais de embriões humanos, em caso de investigações científicas.

Células estaminais embrionárias
A deliberação, conhecida esta terça-feira, resulta da análise ao trabalho feito por um investigador da Universidade de Bona (Alemanha), com o objectivo de converter células estaminais embrionárias em células nervosas.

Para a COMECE, trata-se de uma “clara definição científica do embrião humano”, numa decisão que é acolhida como “pedra milenar na protecção da vida humana na legislação europeia”.

Para os bispos católicos da UE, “a fecundação marca o início da existência biológica do ser humano”, pelo que qualquer embrião “deve ser considerado um ser humano com um potencial e não apenas um potencial ser humano”.

A COMECE apela à investigação científica em “fontes alternativas” de células estaminais, como as que derivam “do sangue ou do cordão umbilical”, por considerar que as mesmas “gozam de ampla aceitação a nível científico e ético”.

Nesse sentido, considera-se que o pronunciamento do Tribunal Europeu de Justiça pode “favorecer os campos já existentes e promissores de uma pesquisa que seja capaz de conjugar o respeito pela vida humana com tratamentos eficazes e inovadores”.

Em Portugal, o médico Daniel Serrão, vencedor do Prémio Nacional de Saúde 2010,aplaudiu a “sentença clara”, esperando que a mesma venha a ser respeitada.

“Pela primeira vez, os juízes tiveram a coragem de afrontar os lóbis da investigação em embriões humanos que já se manifestaram muitas vezes e foi infelizmente necessário que aparecesse agora uma utilização comercial para que se percebesse que os embriões humanos são seres vivos da espécie humana, que têm direito à vida e ao desenvolvimento”, referiu o especialista, à RR.
Serrão rejeita críticas dos que consideram que o Tribunal adoptou uma “posição ultraconservadora”, “alinhada com o Vaticano”, e considera que a decisão dos juízes é independente e deve ser saudada por todos.

A Santa Sé vai promover em Novembro um congresso sobre o tema, intitulado«Células estaminais adultas: a ciência e o futuro do homem e da cultura», visando “estudar o impacto cultural da investigação com células estaminais adultas e da medicina regenerativa, a médio e longo prazo”.


INFORMAÇÕES MUITO BREVES  [De vez em quando] 2011.10.22