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28/03/2015

Temas para meditar 406

Cruz



Carregar com a Cruz é algo grande, grande… Quer dizer enfrentar a vida com coragem, sem branduras nem vilezas; quer dizer, transformar em energia moral as dificuldades que nunca faltarão na nossa existência; quer dizer compreender a dor humana, e, por último, saber amar verdadeiramente.

(paulo vi, Aloc., 1967.03.24)

09/11/2014

Temas para meditar - 266



Cruz

A Cruz não faz vítimas… faz santos! Não provoca caras tristes, mas rostos alegres.





(Salvatore CanalsAscética Meditada, Éfeso, nr. 50) 

19/12/2012

Nunca amarás bastante


Os verdadeiros obstáculos que te separam de Cristo – a soberba, a sensualidade... – superam-se com oração e penitência. E rezar e mortificar-se é também ocupar-se dos outros e esquecer-se de si próprio. Se viveres assim, verás como a maior parte dos contratempos que tens, desaparecem. (Via Sacra, Estação X. n. 4).
Falas e não te escutam. E, se te escutam, não te entendem. És um incompreendido!... De acordo. De qualquer forma para que a tua cruz tenha todo o relevo da Cruz de Cristo, é preciso que trabalhes agora assim, sem te ligarem importância. Outros te entenderão. (Via Sacra, Estação III. n. 4).

Quantos, com a soberba e a imaginação, se metem nuns calvários que não são de Cristo!

A Cruz que deves levar é divina. Não queiras levar nenhuma cruz humana. Se alguma vez caíres nessa armadilha, rectifica imediatamente: bastar-se-á pensar que Ele sofreu infinitamente mais por nosso amor. (Via Sacra, Estação III. n. 5).

Por muito que ames, nunca amarás bastante.

O coração humano tem um coeficiente de dilatação enorme. Quando ama, dilata-se num crescendo de carinho que supera todas as barreiras.

Se amas o Senhor, não haverá criatura que não encontre lugar no teu coração. (Via Sacra, Estação VIII. n. 5)

28/09/2012

Senhor, tantas almas longe de Ti!

                                                             
Textos de S. Josemaria Escrivá

 http://www.opusdei.pt/art.php?p=13979     © Gabinete de Inform. do Opus Dei na Internet

Vejo a tua Cruz, meu Jesus, e alegro-me com a tua graça, porque o prémio do teu Calvário foi para nós o Espírito Santo... E dás-te a mim, cada dia, amoroso – louco! – na Hóstia Santíssima... E fizeste-me filho de Deus e deste-me a tua Mãe! Não me basta a acção de graças; vai-se-me o pensamento: – Senhor, Senhor, tantas almas longe de Ti! Fomenta na tua vida as ânsias de apostolado, para que o conheçam..., e o amem..., e se sintam amados! (Forja, 27)

Que respeito, que veneração, que carinho temos de sentir por uma só alma, ante a realidade de que Deus a ama como algo seu! (Forja, 34)
Ante a aparente esterilidade do apostolado, assaltam-te as cristas de uma onda de desalento, que a tua fé repele com firmeza... Mas reparas que necessitas de mais fé, humilde, viva e operativa.

– Tu, que desejas a salvação das almas, grita como o pai daquele rapaz doente, possesso: "Domine, adiuva incredulitatem meam!" – Senhor, ajuda a minha incredulidade!

Não duvides: o milagre repetir-se-á. (Forja, 257)

09/07/2012

O trono de Maria é a Cruz

Textos de S. Josemaria

Pede humildemente ao Senhor que te aumente a Fé. – E depois, com novas luzes apreciarás bem as diferenças entre as sendas do mundo e o teu caminho de apóstolo. (Caminho, 508)

O trono de Maria, como o de seu Filho, é a Cruz. E durante o resto da sua existência, até que subiu ao Céu em corpo e alma, a sua silenciosa presença é o que nos impressiona mais. S. Lucas, que a conhecia bem, anota que Ela está junto dos primeiros discípulos, em oração. Assim termina os seus dias terrenos Aquela que havia de ser louvada pelas criaturas até à eternidade.

Como contrasta a esperança de Nossa Senhora com a nossa impaciência! Com frequência exigimos que Deus nos pague imediatamente o pouco bem que fizemos. Mal aflora a primeira dificuldade, queixamo-nos. Muitas vezes somos incapazes de aguentar o esforço, de manter a esperança, porque nos falta fé: bem-aventurada és tu, porque acreditaste que se cumpririam as coisas que te foram ditas da parte do Senhor. (Amigos de Deus, 286)

© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet



26/05/2012

Senhor, socorre-me.

Textos de S. Josemaria


Sinais inequívocos da verdadeira Cruz de Cristo: a serenidade, um profundo sentimento de paz, um amor disposto a qualquer sacrifício, uma eficácia grande, que dimana do próprio Lado de Jesus, e sempre – de modo evidente – a alegria: uma alegria que procede de saber que, quem se entrega de verdade, está junto da Cruz e, por conseguinte, junto de Nosso Senhor. (Forja, 772)

Aconselharei a quem quiser aprender com a experiência de um pobre sacerdote que não pretende falar senão de Deus, que, quando a carne tentar recobrar os seus foros perdidos, ou a soberba – que é pior – se revoltar e se encabritar, correr a abrigar-se nessas divinas fendas abertas no Corpo de Cristo pelos cravos que O seguraram à Cruz e pela lança que atravessou o Seu peito. Vamos como nos comover mais; derramemos nas Chagas de Nosso Senhor todo esse amor humano... e esse amor divino. Que isto é desejar a união, sentir-se irmão de Cristo, ser seu consanguíneo, filho da mesma Mãe, porque foi Ela que nos levou até Jesus.
Afã de adoração, ânsias de desagravo com sossegada suavidade e com sofrimento. Far-se-á vida na nossa vida a afirmação de Jesus: aquele que não toma a sua cruz para me seguir, não é digno de mim. E Nosso Senhor manifesta-se-nos cada vez mais exigente, pede-nos reparação e penitência, até nos fazer experimentar o fervoroso desejo de querer viver para Deus, pregado na cruz juntamente com Cristo. Mas guardamos este tesouro em vasos de barro frágil e quebradiço, para que se reconheça que a grandeza do poder que se vê em nós é de Deus e não nossa.
Vemo-nos acossados por toda a espécie de atribulações e nem por isso perdemos o ânimo; encontramo-nos em grandes apuros, mas não desesperados, ou sem recursos; somos perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não inteiramente perdidos: trazemos sempre no nosso corpo por toda a parte a mortificação de Jesus.
Parece-nos, além disso, que Nosso Senhor não nos escuta, que andamos enganados, que só se ouve o monólogo da nossa voz. Encontramo-nos como se não tivéssemos apoio na terra e fossemos abandonados pelo Céu. No entanto, é verdadeiro e prático o nosso horror ao pecado, mesmo ao pecado venial. Com a obstinação da Cananeia, prostramo-nos rendidamente como ela, que O adorou, implorando: Senhor, socorre-me. E desaparece a obscuridade, superada pela luz do Amor. (Amigos de Deus, nn. 303–304).

© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet

10/03/2012

Cruz: seu peso

Reflectindo





Pondera frequentemente o peso da Cruz e ele tornar-se-á insuportável. [i]


[i] Rafael Llano cifuentes, Fortaleza, temas Cristãos Quadrante S. Paulo 1991 nr. 41

24/09/2011

Textos de São Josemaria Escrivá

“Maria, Mestra do sacrifício escondido e silencioso!”

Maria, Mestra do sacrifício escondido e silencioso! – Vede-a, quase sempre oculta, colaborando com o Filho: sabe e cala. (Caminho, 509)

A Virgem Dolorosa... Quando a contemplares, repara no seu Coração. É uma mãe com dois filhos, frente a frente; Ele... e tu. (Caminho, 506)

Que humildade, a de minha Mãe Santa Maria! – Não a vereis entre as palmas de Jerusalém, nem – afora as primícias de Caná – na altura dos grandes milagres. – Mas não foge do desprezo do Gólgota; lá está, "iuxta crucem Iesu" – junto da cruz de Jesus, sua Mãe. (Caminho, 507)

Na hora do desprezo da Cruz, a Virgem lá está, perto do seu Filho, decidida a partilhar a sua mesma sorte. Percamos o medo de nos comportarmos como cristãos responsáveis quando isso não é cómodo no ambiente em que nos movemos. Ela nos ajudará. (Sulco, 977). 

© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet

23/09/2011

Textos de São Josemaria Escrivá

“A cruz, a Santa Cruz!, pesa”

Ao celebrar a festa da Exaltação da Santa Cruz, suplicaste a Nosso Senhor, com todas as veras da tua alma, que te concedesse a sua graça para "exaltar" a Cruz Santa nas tuas potências e nos teus sentidos... Uma vida nova! Um novo selo: para dar firmeza à autenticidade da tua embaixada..., todo o teu ser na Cruz! – Veremos, veremos. (Forja, 517)


A Cruz, a Santa Cruz!, pesa.

– Por um lado, os meus pecados. Por outro, a triste realidade dos sofrimentos da nossa Mãe a Igreja; a apatia de tantos católicos que têm um "querer sem querer"; a separação – por diversos motivos – de seres amados; as doenças e tribulações, alheias e próprias...
A cruz, a Santa Cruz!, pesa: "Fiat, adimpleatur...!". Faça-se, cumpra-se, seja louvada e eternamente glorificada a justíssima e amabilíssima Vontade de Deus sobre todas as coisas! Ámen. Ámen. (Forja, 769)

A Cruz não é a pena, nem o desgosto, nem a amargura... É o madeiro santo onde triunfa Jesus Cristo... e onde triunfamos nós, quando recebemos com alegria e generosamente o que Ele nos envia. (Forja, 788)
Sacrifício, sacrifício!... É verdade que seguir Jesus Cristo (disse-o Ele) é levar a Cruz. Mas não gosto de ouvir as almas, que amam o Senhor, falar tanto de cruzes e de renúncias; porque, quando há Amor, o sacrifício é gostoso – ainda que custe – e a cruz é a Santa Cruz.
A alma que sabe amar e entregar-se assim, enche-se de alegria e de paz. Então, porquê insistir em "sacrifício", como buscando consolações, se a Cruz de Cristo – que é a tua vida – te torna feliz? (Forja, 249)

© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet

01/07/2011

Doutrina, Filosofia, Teologia: Cristo deveria sofrer na cruz?

Crucificação de São PedroCaravaggio,
1600-1601
Parece que Cristo não deveria sofrer na cruz:

1. Com efeito, a realidade deve corresponder à prefiguração. Ora, no passado, todos os sacrifícios do Antigo Testamento ocorreram como figura de Cristo e neles os animais eram mortos pela espada, sendo depois cremados. Logo, parece que Cristo não deveria morrer na cruz, mas, de preferência, pela espada ou pelo fogo.
2. Além disso, Damasceno diz que Cristo não tinha de assumir “sofrimentos ignominiosos”. Ora, a morte de cruz parece absolutamente repugnante e ignominiosa; tanto assim que diz o livro da Sabedoria: “Condenemo-lo a uma morte infame(2, 20). Logo, parece que Cristo não deveria sofrer a morte de cruz.
3. Ademais, falando de Cristo, diz o Evangelho de Mateus: “Bendito seja, em nome do Senhor, aquele que vem!(21, 9). Ora, a morte de cruz era uma morte maldita, segundo o livro do Deuteronómio: “O que pende do madeiro é uma maldição de Deus(21, 23). Logo, parece que não era conveniente Cristo ter sido crucificado.
Em sentido contrário, diz a Carta aos Filipenses: “Ele se rebaixou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz”.

Foi muitíssimo conveniente ter Cristo sofrido a morte numa cruz.
Primeiro, como um exemplo de virtude. É o que diz Agostinho: “A sabedoria de Deus tornou-se homem para nos dar exemplo de honestidade de vida. É próprio, porém, da vida honesta não temer o que não deve ser temido. Há, contudo, homens que, embora não tenham medo da morte em si, tem horror a um determinado tipo de morte. Assim, para que o homem de vida honesta não temesse nenhum tipo de morte, teve de lhe ser mostrado na cruz qual a morte daquele homem, pois entre todos os géneros de morte nenhum foi mais execrável e temível que esse”.
Segundo, porque esse tipo de morte era de máxima conveniência para satisfazer o pecado de nosso primeiro pai, pecado que consistiu em ter ele comido o fruto da árvore proibida, contrariando a ordem de Deus. Assim, foi conveniente que Cristo, a fim de dar satisfação por esse pecado, suportasse ser ele próprio afligido no madeiro, como quem restitui o que Adão roubara, segundo o que diz o Salmo 68: “Então pagarei o que não roubei(v. 5). Por isso, diz Agostinho: “Adão desprezou uma ordem ao colher o fruto da árvore, mas o que Adão perdeu, Cristo o adquiriu na cruz”.
Terceiro, porque, como diz Crisóstomo: “Sofreu no alto do madeiro e não dentro de casa a fim de purificar até mesmo a natureza do ar. Mas também a terra sentia os efeitos desse benefício, limpa que era pelo gotejar do sangue a escorrer de seu lado”. E a respeito do que diz o Evangelho de João: “É preciso que o Filho do Homem seja levantado(3, 14) observa Teofilato: “ao ouvires ‘que seja levantado’, deves entender que foi elevado para o alto, a fim de que santificasse o ar aquele que santificara a terra, ao caminhar sobre ela”.
Quarto, porque, por ter morrido no alto da cruz, prepara-nos a subida ao céu, como diz Crisóstomo. Daí ter dito o próprio Cristo conforme o Evangelho de João: “Se for elevado da terra, atrairei a mim todos os homens(12, 32-33).
Quinto, porque essa morte é adequada à completa salvação do mundo inteiro. Por isso, diz Gregório de Nissa: “A representação da cruz, que se estende por quatro extremidades a partir de um ponto de união central, significa o universal poder e providência daquele que nela está pendente”. – E também Crisóstomo afirma de Cristo na cruz: “Morre de braços abertos, a fim de atrair com uma das mãos o povo antigo e com a outra os que ainda são pagãos”.
Sexto, porque, por esse tipo de morte, designam-se várias virtudes. Assim, afirma Agostinho: “Não foi em vão que escolheu esse tipo de morte a fim de se mostrar mestre da largura e da altura, do comprimento e da profundidade”, das quais fala o Apóstolo. “A largura está representada no madeiro que se apoia transversalmente na parte de cima; refere-se às boas obras porque nele é que se estendem os braços. O comprimento, no tronco que desce da travessa até o chão; nele de certo modo está apoiado, ou seja, mantém-se estável e firme, o que é próprio da longanimidade. A altura está naquela parte do madeiro que se eleva acima da parte transversal, ou seja, onde está a cabeça do crucificado; é a suprema expectativa dos que têm justa esperança. Já a parte do madeiro oculta e fincada na terra e de onde se levanta toda a estrutura significa a profundidade da graça gratuita”. E como diz Agostinho no comentário ao Evangelho de João, “o madeiro no qual estavam pregados os membros do padecente foi igualmente a cátedra do mestre a ensinar”.
Sétimo, porque esse género de morte corresponde a muitas figuras. Como diz Agostinho: “Uma arca de madeira salvou o género humano do dilúvio das águas; ao se afastar o povo de Deus do Egipto, Moisés dividiu o mar com o bastão, vencendo o Faraó e redimindo o povo de Deus; o mesmo bastão Moisés lançou às águas, e de salgadas as tornou doces; com esse bastão faz jorrar da rocha espiritual uma água salutar; e, para vencer Amalec, Moisés mantém os braços abertos ao longo do bastão; e a lei de Deus é posta na arca de madeira do Testamento; de modo que, por tudo isso, como que por degraus, se chegasse ao madeiro da cruz”.

Suma Teológica III, 46, 4

Quanto às objecções iniciais, portanto, deve-se dizer que:

1. O altar dos holocaustos em que se ofereciam os sacrifícios dos animais era de madeira, como consta no livro do Êxodo. Nisso a realidade corresponde à figura. E, como diz Damasceno, “essa correspondência não precisa se dar sob todos os aspectos, pois já não seria semelhança, mas realidade”. – E especialmente, como afirma Crisóstomo, “não lhe decepam a cabeça, como a João; nem é cortado ao meio, como Isaías; a fim de que fosse entregue à morte um corpo íntegro e indiviso, não se dando assim motivo aos que querem dividir a Igreja”. – Em vez do fogo material, porém, esteve presente no holocausto de Cristo o fogo da caridade.
2. Cristo recusou assumir sofrimentos ignominiosos que contivessem falta de ciência ou de graça ou mesmo de virtude. Mas não os que se referem a injúria causada por outros; antes, como diz a Carta aos Hebreus: “Suportou a cruz, desprezando a vergonha(12, 2).
3. Como diz Agostinho, o pecado é amaldiçoado e, consequentemente, assim é a morte e a mortalidade que dele provém. “A carne de Cristo, porém, era mortal, ‘por ser semelhante à carne do pecado’”. Por isso, Moisés a chama de “maldição”, como o Apóstolo a chama de “pecado”, quando diz: “Aquele que não conhecera o pecado fez-se pecado por nossa causa(2 Cor 5, 21), ou seja, pela pena do pecado. “Nem há nisso maior ignomínia porque o chama de ‘maldito por Deus’. Pois se Deus não odiasse o pecado, não teria enviado seu Filho para assumir nossa morte e a destruir. Confessa, portanto, ter aceito a maldição por nós aquele mesmo que confessa ter morrido por nós”. Daí o que diz a Carta aos Gálatas: “Cristo nos libertou da maldição da lei, tornando-se ele mesmo maldição por nós(3, 13).


22/04/2011

Confidências de alguém - 9

Confidências de Alguém

Nota de AMA: 
Estas “confidências” têm, obviamente, um autor, que não se revela; foram feitas em tempo indeterminado, por isso não se lhes atribui a data. O estilo discursivo revela, obviamente, que se tratam de meditações escritas ao correr da pena. A sua publicação deve-se a ter considerado que, nelas se encontram muitas situações e ocorrências que fazem parte do quotidiano que, qualquer um, pode viver.



SEXTA FEIRA SANTA


São 13H30 desta tarde e estou aqui com o meu pensamento e o meu coração voltados para Vós, meu Deus.
Acompanho, ou tento acompanhar os Passos Dolorosos da Tua Paixão há cerca de dois mil anos atrás.
Por esta altura, naquela distante data, deveria estar a ocorrer o Teu julgamento por Pilatos.
Julgamento… como se esta palavra pudesse de algum modo representar aquilo que ocorreu.
Um julgamento é um acto sério de avaliação e confronto entre os actos praticados por alguém e as normas correntes da sociedade. Aquilo que comummente se designa por comportamento cívico. Este, o julgamento humano porque, o julgamento verdadeiro, o julgamento de Deus ou feito por Deus sobre os actos dos homens, esse tem a ver com a justiça infinita.
O julgamento dos homens é só isso mesmo, uma interpretação dos actos de um homem feita por outros homens.
Mas nem disto se tratou, evidentemente, no Teu caso, meu Jesus. Tu não foste julgado. Não foi apresentada nenhuma prova, nenhuma evidência de qualquer maldade ou acto menos digno praticado por Ti.
Não passou tudo de uma farsa, uma cabala montada pelos Teus inimigos que, não podendo vencer-te nem pela razão nem pelas palavras, encontraram a única forma que, no seu entender, poderia acabar de uma vez com tudo e derrotar-te.
Aconteceu precisamente o contrário. Quando foste condenado, ou melhor, quando Pilatos Te entregou aos teus inimigos, uma nova era começou efectivamente para a humanidade. Nada continuaria igual ao que fora até então.
Os homens passariam a ter novas relações porque referenciadas a Ti mesmo, à Tua Vida, aos Teus ensinamentos.
Estas referências, que qualquer homem tem, são determinantes do seu comportamento e, quer queiram quer não, estão sempre presentes. Mesmo aqueles que Te negam, que dizem que não existes, que nunca exististe, estão referenciados a Ti.

Não podiam os Teus inimigos saber nada disto. O seu coração só albergava o ódio e o medo.
O ódio, - porque bem no fundo dos corações, sabiam da verdade e reconheciam-na nas Tuas palavras - e, sobretudo, nas Tuas demonstrações da sua falsidade e aproveitamento da religiosidade quase fanática de um povo.
O medo, porque se reconhecessem publicamente a Tua doutrina de amor, acabariam para sempre os seus privilégios e a sua preponderância e domínio sobre o mesmo povo.
O Sumo-sacerdote tinha dito muito claramente que era preferível morrer um só homem que perecer uma nação inteira.

Porquê?

Porque ele sabia, ou pelo menos pressentia, que a nova doutrina, os novos princípios de amor entre os homens, iriam revolucionar todo o mundo e a sociedade de então que era regida pela força bruta, pelas armas, pelo interesse e pelo desrespeito dos homens pelo seu semelhante.
Isto seria o bastante, como efectivamente foi, para alterar todo o comportamento da sociedade e subverter os princípios e as regras porque se regia. E isto não convinha aos Príncipes dos Sacerdotes. Quando tal acontecesse, a importância do seu papel como condutores do povo, o seu poder de intervenção ficariam reduzidos a nada ou, quando muito, apenas a uma mera influência espiritual e religiosa.
Toda a sua postura assentava numa política de domínio do povo, numa estrutura de classes em que os direitos não eram iguais para todos, onde, por exemplo, só uma classe deveria ter acesso à cultura que pudesse interpretar as escrituras e textos sagrados, que tivesse o privilégio de instituir as leis e regras de conduta de todo um povo.
Assim personalizavam em si todo o poder ou representação político-religiosa do povo de Israel. Não poderiam admitir nunca que este papel fosse subvertido ou pura e simplesmente reduzido.
Foi então assim desta forma hipócrita e pouco séria que Te propuseram a julgamento.
Mas, além do mais, apenas uma sentença lhes interessava: A Tua condenação à morte na Cruz.
A Tua morte, que era ponto assente, tinha de ser de tal forma exemplar, publicitada pela sua infâmia e pelo desprezo e repulsa que provocasse, que atingisse os efeitos que pretendiam de Te desacreditar definitivamente e originar um tal repúdio por parte dos Teus fiéis e simpatizantes que se tornasse impossível a continuidade da Tua doutrina através de um qualquer seguidor mais fiel.
Todas aquelas farsas, as chacotas, os insultos e, até mesmo, os golpes da flagelação ou as dores excruciantes da coroa de espinhos, nada disto Te deve ter doído mais que aquela atitude dos Teus inimigos. Tu próprio dirás mais tarde no Gólgota «Pai perdoa-lhes porque não sabem o que fazem» e referias-te aos Teus algozes, àqueles que Te martirizaram e crucificaram.
Mas aqueles outros sabiam muito bem o que faziam. Tinham calculado e previsto e disposto as coisas de forma a conseguirem exactamente o que sucedeu.
Não tinham querido reconhecer o que sabiam e tinham percebido pelas evidências. Não eram casmurros, ou falhos de inteligência, pelo contrário, seriam até dos mais letrados e inteligentes homens daquela época em Israel. Basta ver a forma como manipularam um orgulhoso Pôncio Pilatos.
A sua dureza de coração para contigo, manso e humilde de coração, a sua mão pesada na administração dos preceitos religiosos, para contigo, cujo jugo é leve e a carga suave, a Ti meu Senhor, isto doeu-te mais que tudo o resto.

Porque Tu tinhas vindo a este mundo, cerca de trinta anos antes, exactamente por causa deste povo, um povo escolhido desde o princípio dos tempos e, também, por causa daqueles homens que deveriam ter sido exactamente os que deveriam ter aberto as portas e apregoado aos quatro cantos de Israel a Nova Era, a chegada do Messias prometido, arrastando assim todo o povo para o caminho da salvação eterna, esses, tinham sido precisamente os que tinham querido fechar hermeticamente as portas da salvação ao povo escolhido.
Não há dúvida nenhuma sobre isto, eles próprios o afirmaram a Pilatos dizendo que não tinham poderes para Te condenar à morte. Quer dizer, a condenação à morte e à morte de cruz, gritando: «Crucifige eum!» [i] Foi feita por eles. Pilatos não fez mais que fazer-lhes a vontade.
Tudo isto, Senhor, porque Tu quiseste, porque tinhas resolvido desde o princípio dos tempos entregares-te aos Teus inimigos para sofrer o que houvesse que sofrer, inclusive, essa morte ignominiosa, para restaurar as relações entre Deus Pai e a humanidade. No fundo, cumpria-se a Tua vontade também, como Deus.

Mistérios dos mistérios, pela união hipostática, a Tua humanidade unida à Tua Divindade, Tu és uma vítima consciente do Teu sacrifício.
Enquanto a Tua Humanidade se sujeita à Vontade de Deus, sabendo Este como tudo vai acontecer e o que depois se seguirá, enquanto Deus esperas e anseias por alguma modificação de última hora, um arrependimento, uma mudança de atitude, sabe-se lá, uma conversão ou, até, talvez uma alteração do plano divino de salvação: «Pai, se puderes afasta de mim este cálice». [ii]

O que mais Te dói, meu Senhor, é saberes que isso não vai acontecer e, talvez pior ainda, muitas coisas iguais irão acontecer pelos tempos fora. Muitos homens voltarão a ofender-te, a cuspir-te e também a crucificar-te. E Tu, sendo Deus, nada podes fazer para impedir que este conhecimento doloroso Te ocorra nestes momentos pavorosos de dor e martírio. Porque, justo como és, desejaste sempre para o homem criado por Ti, uma liberdade total mesmo em relação a Ti.
E dói-te ainda muito mais saberes que ao julgá-los, no julgamento definitivo, terás que condenar muitos privando-os da venturosa eternidade que preparaste para os homens, todos, desde sempre.

Nada dói mais que a dor provocada pelo espírito, aquilo que nos amarga o coração e que nos esmaga por dentro.

Sim, sem dúvida as dores físicas que tens suportado, estão muito aquém das dores morais que Te amarguram e que já Te fizeram suar sangue no Monte das Oliveiras.
Como sabes tão bem como somos todos os homens, como nos conheces até ao mais ínfimo detalhe, sabes que não podemos deter-nos por mais que breves instantes na consideração do nosso amor por Deus. A nossa inconstância, filha das nossas debilidades e fraquezas, traz-nos amarrados a uma espécie de torvelinho de desejos, prazeres, necessidades, ambições, critérios, opiniões, dúvidas que constantemente nos afastam do que deveria ser o nosso objectivo: A salvação da nossa alma.
Por isso, num acto de amor sem paralelo e que só se justifica por seres Deus, também quiseste deixar-nos ontem, Quinta-feira Santa, esse Sacramento extraordinário pelo qual podemos receber-te todos os dias da nossa vida terrena.
Alguns dizem que não é bem assim que apenas deixas-te um acto ou uma fórmula para Te recordar, ou que não passaria de um simples sortilégio ou acto de perpetuação. Porque vêm com olhos humanos uma coisa que foi feita por Deus e só pode ser vista com olhos divinos.
Tu, enquanto Homem, não podias instituir este Sacramento. Era-te vedado transubstanciar o pão e o vinho no Teu Corpo e Sangue mas, enquanto Deus, e foi como Deus que o fizeste, esse maravilhoso acto de bondade era-te perfeitamente possível.
Por isso, tal como os Príncipes dos Sacerdotes também esses se recusam a ver o que os olhos não podem ver e que só a alma pode efectivamente reconhecer.

Sexta-feira Santa!

Santa porque santificada por Ti, com o Teu sangue, a Tua angústia, o Teu sofrimento, o Teu amor.

Possa eu, meu Senhor, viver esta Sexta Feira como um verdadeiro filho Teu. Afastar-me de vez desses Príncipes dos sacerdotes que constantemente me segredam ao ouvido as suas razões sem razão.

Possa eu, meu Senhor, passar este dia sem chorar por Ti, tal como mandaste: «Não choreis por Mim, chorai antes por vós e vossos filhos» [iii], mas chorar, contritamente por mim, pelas minhas faltas, chorar também pelas faltas de todos os homens.

Possa eu, meu Senhor, arrimar o meu ombro, como o Cireneu, à Tua Cruz aliviando por pouco que seja o seu peso esmagador.

Possa eu, meu Senhor, levar a minha própria cruz sem me queixar, sem lutar com ela, num esforço para me libertar mas, olhando para Ti, levá-la, embora esforçado e custosamente, bem erguida ao alto.

Possa eu, meu Senhor, ter bem presente, todos os dias, esta Sexta-feira Santa.



[i] cfr. Jo. 19, 15
[ii] cfr. Lc. 22, 42
[iii] cfr. Lc. 23, 28

20/04/2011

Confidências de alguém - 5


Nota de AMA: 
Estas “confidências” têm, obviamente, um autor, que não se revela; foram feitas em tempo indeterminado, por isso não se lhes atribui a data. O estilo discursivo revela, obviamente, que se tratam de meditações escritas ao correr da pena. A sua publicação deve-se a ter considerado que, nelas se encontram muitas situações e ocorrências que fazem parte do quotidiano que, qualquer um, pode viver.



Quarta Feira Santa

Simão de Cirene é compelido pelos soldados a levar o madeiro, a Cruz que Jesus não pode, manifestamente, carregar.

Uma noite sem dormir, tensa e estranha, semeada de contradições e sofrimentos indizíveis, de troças e insultos, de humilhações e desenganos, que terminara pelo abandono mais completo, total, dos Seus discípulos queridos. Jesus olha em volta e não vê nenhum rosto conhecido, nem o meu rosto Ele consegue ver, de tal forma estou escondido no meio da multidão.
Também eu O abandono, não sei quem é, não O conheço. Estive com Pedro, há poucas horas, chorando amargamente tê-lo negado, ter jurado que não O conhecia, que não sabia quem era. Depois de O Senhor ter deixado que o Seu olhar triste repousasse em mim por breves instantes, tudo dentro de mim se desmoronou e vi, sim….vi o pouco que sou, o fraco e incrívelmente pusilânime comportamento de que sou capaz. Esmagado ainda pela minha dor, pelo meu arrependimento, mantenho-me todavia à margem, vou vendo as coisas de longe, tenho pena de Jesus, sofro com os Seus sofrimentos, mas tenho ainda receio de me aproximar dele, de O ajudar, de aliviar um pouco que seja o Seu sofrimento.

Nem sequer faço um pequeno movimento de ajuda, quando compelem o Cireneu, não digo: Não… eu…. Eu é que levarei a Cruz de Cristo. 

E, mais uma vez, perdida uma oportunidade de mudar a minha vida, o meu comportamento, fico-me na inveja do lugar que é do Cireneu e poderia ter sido o meu.
Secretamente pergunto-me como é possível este meu comportamento, sim, eu que tantas vezes tenho dito ao Senhor: Amo-te! Que todos os dias O recebo na Hóstia puríssima, eu que me digo e me tenho entre os Seus amigos mais íntimos, não passo de um cobarde e um fraco.

Triste amigo tens, Senhor, que mal servido Te encontras. Se todos os Teus amigos fossem como eu não precisarias de inimigos, nem de Príncipes de Sacerdotes, nem de Fariseus, nem de ninguém mais, para cumprir a Tua sublime tarefa de Redenção do mundo: eu bastaria!

Leva-me Senhor, contigo, bem junto de Ti, até ao cimo desse Monte Calvário para onde caminhas. Arrasta-me juntamente sem me deixar um instante sequer – basta um pequeno instante para eu ser capaz das piores torpezas, como abandonar-te, por exemplo – leva-me como criança pequena que quero ser.

Senhor, eu nem sei o que quero verdadeiramente, tenho estes (…) anos de vida e sinto-me como uma criança que regressa a cada instante ao colo amigo e seguro do Seu Pai, do Seu irmão mais velho. Aqui me sinto bem, protegido de mim mesmo ao abrigo das minhas próprias loucuras, sem necessidade de tomar decisões, que são sempre as piores e mais inadequadas, as mais cobardes e manhosas, aqui me sinto tranquilo porque nada acontece que tenha de interferir directamente, limito-me a seguir-te, fielmente como o mais humilde cachorrinho, contente e feliz por me deixares ir contigo.
Nada sou, nada valho, nada sei. Senhor…. Senhor, deixa-me que desfrute destes momentos de indizível ternura que sinto invadir-me a alma e sentir o Teu abraço a moroso e amigo, confiante e terno; ouvir a Tua voz serena e amorosa:

Tu…. Vem comigo!


As contrariedades, os sofrimentos físicos e morais, as angústias, as incertezas no futuro, enfim, tudo nisto que sinto e me pesa na alma está agora a atapetar o duro caminho para o Gólgota, tornado mais fácil o Teu doloroso caminhar, suavizando um pouco a agressividade do caminho da salvação que queres, por mim, levar a cabo. Com as minhas lágrimas vou empapando os Teus vestidos, suavizando um pouco a dor e incómodo das feridas secas, mal cicatrizadas e “não suavizadas com azeite e vinho”. [1]

Chega de traições e troças, abandonos e falsas promessas, chega de ser mau filho. Faço o propósito firme de Te merecer, de tudo fazer para não me afastar um milímetro de Ti, de me manter agarrado à orla do Teu manto par assim não me desviar no caminho.
Não mais Senhor chamarás por mim sem que Te responda com prontidão, porque eu estarei ao Teu lado, disponível e solícito para o que de mim necessitares.


[1] S. josemaría, Via-sacra

18/04/2011

Confidências de alguém - 6

Confidências de Alguém
Nota de AMA: 
Estas “confidências” têm, obviamente, um autor, que não se revela; foram feitas em tempo indeterminado, por isso não se lhes atribui a data. O estilo discursivo revela, obviamente, que se tratam de meditações escritas ao correr da pena. A sua publicação deve-se a ter considerado que, nelas se encontram muitas situações e ocorrências que fazem parte do quotidiano que, qualquer um, pode viver.


Segunda Feira Santa 

Começou hoje, a Semana Maior, os dias que preparam de uma forma mais intensa e única, a Paixão e Morte de Jesus.
Desejaria que esta semana fosse de facto a Semana Maior, da minha vida de este ano de (…); marcada pela renúncia, pelo desprendimento, pela mortificação, pela “actualização” da minha fé.
Digo “actualização” porque na verdade, não posso dar como adquirida a fé que Deus me deu; pelo simples facto de que, sendo uma dádiva, não me pertence, ou melhor, pertencer-me-á na medida em que a souber merecer e cultivar. Actos de piedade bem-feitos, Eucaristia vivida com seriedade e concentração, sorriso, disponibilidade, mortificações. Tenho estas passivas, neste momento, o joelho que não me dá descanso e esta outra, interior, da apreensão e preocupação com o futuro imediato, o meu emprego, a forma como vou assegurar a subsistência, a solução do assunto com o (…), enfim, estas preocupações que me trazem de alguma forma apreensivo, preocupado, centrado em mim quase em exclusivo: aproveitar para oferecer tudo ao Senhor que sabe muito melhor que eu o que me convém e, tenho a certeza, de todo este aparente mal há-de tirar um bem verdadeiro.

Não há, na Páscoa, outra razão nem outro horizonte que não seja Cristo. A Cruz, elevada ao alto no monte Calvário, é o meu sinal orientador no meu caminhar para Ele, meu modelo, meu fim. A cruz, ali erguida como um desafio definitivo:
Sou ou não capaz de seguir a Cruz?
Sou ou não capaz de seguir Cristo?
Custe o que custar! Haja o que houver! Por mais pequeno que me considere, por mais impaciente que sinta o meu coração por ver Jesus, finalmente, no Domingo da Ressurreição, radioso e triunfante, hei-de viver estes dias desta semana como um soldado cumprindo o seu dever de estar alerta, atento a todos os pormenores que lhe possibilitem um encontro final com a glória do dever cumprido.
Quero participar na Tua Glória, Senhor, no próximo Domingo; leva-me pela Tua mão chagada para que eu não me perca.

Minha Mãe, Maria Santíssima, Mãe de Dores e tormentos, ajuda-me a estar centrado no Teu Filho, a não me desviar do caminho.

São José, meu Pai e Senhor, ensina-me a ser humilde, calado, discreto e pronto. Ajuda-me a agir com naturalidade mesmo quando os desafios e preocupações são tão grandes como agora. Em tudo confiar, em tudo esperar, em tudo ter a certeza que é para bem.

Anjo da minha Guarda, não me deixes um só instante entregue a mim mesmo, com o vigor e a autoridade que te imploro utilizes sempre que necessário para me manter no caminho certo.