Mostrar mensagens com a etiqueta Apostolado. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Apostolado. Mostrar todas as mensagens

02/04/2023

Publicações em Abril 2

 


1 Naquele dia, Jesus saiu de casa e sentou-se à beira-mar. 2 Reuniu-se a Ele uma tão grande multidão, que teve de subir para um barco, onde se sentou, enquanto toda a multidão se conservava na praia. 3 Jesus falou-lhes de muitas coisas em parábolas: «O semeador saiu para semear.  4 Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho: e vieram as aves e comeram-nas. 5 Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra: e logo brotaram, porque a terra era pouco profunda; 6 mas, logo que o sol se ergueu, foram queimadas e, como não tinham raízes, secaram. 7 Outras caíram entre espinhos: e os espinhos cresceram e sufocaram-nas. 8 Outras caíram em terra boa e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; e outras, trinta. 9 Aquele que tiver ouvidos, oiça!» 10 Aproximando-se de Jesus, os discípulos disseram-lhe: «Porque lhes falas em parábolas?» 11 Respondendo, disse-lhes: «A vós é dado conhecer os mistérios do Reino do Céu, mas a eles não lhes é dado. 12 Pois, àquele que tem, ser-lhe-á dado e terá em abundância; mas àquele que não tem, mesmo o que tem lhe será tirado. 13 É por isso que lhes falo em parábolas: pois vêem, sem ver, e ouvem, sem ouvir nem compreender. 14 Cumpre-se neles a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis; e, vendo, vereis, mas não percebereis. 15 Porque o coração deste povo tornou-se duro, e duros também os seus ouvidos; fecharam os olhos, não fossem ver com os olhos, ouvir com os ouvidos, compreender com o coração, e converter-se, para Eu os curar. 16 Quanto a vós, ditosos os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem. 17 Em verdade vos digo: Muitos profetas e justos desejaram ver o que estais a ver, e não viram, e ouvir o que estais a ouvir, e não ouviram.» 18 «Escutai, pois, a parábola do semeador. 19 Quando um homem ouve a palavra do Reino e não compreende, chega o maligno e apodera-se do que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente à beira do caminho. 20 Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe, de momento, com alegria; 21 mas não tem raiz em si mesmo, é inconstante: se vier a tribulação ou a perseguição, por causa da palavra, sucumbe logo. 22 Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra que, por isso, não produz fruto. 23 E aquele que recebeu a semente em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende: esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta.» 24 Jesus propôs-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é comparável a um homem que semeou boa semente no seu campo. 25 Ora, enquanto os seus homens dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e afastou-se. 26 Quando a haste cresceu e deu fruto, apareceu também o joio. 27 Os servos do dono da casa foram ter com ele e disseram-lhe: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio?’ 28 ‘Foi algum inimigo meu que fez isto’ - respondeu ele. Disseram-lhe os servos: ‘Queres que vamos arrancá-lo?’ 29 Ele respondeu: ‘Não, para que não suceda que, ao apanhardes o joio, arranqueis o trigo ao mesmo tempo. 30 Deixai um e outro crescer juntos, até à ceifa; e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em feixes para ser queimado; e recolhei o trigo no meu celeiro.’» 31 Jesus propôs-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. 32 É a mais pequena de todas as sementes; mas, depois de crescer, torna-se a maior planta do horto e transforma-se numa árvore, a ponto de virem as aves do céu abrigar-se nos seus ramos.» 33 Jesus disse-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até que tudo fique fermentado.» 34 Tudo isto disse Jesus, em parábolas, à multidão, e nada lhes dizia sem ser em parábolas. 35 Deste modo cumpria-se o que fora anunciado pelo profeta: Abrirei a minha boca em parábolas e proclamarei coisas ocultas desde a criação do mundo. 36 Afastando-se, então, das multidões, Jesus foi para casa. E os seus discípulos, aproximando-se dele, disseram-lhe: «Explica-nos a parábola do joio no campo.» 37 Ele, respondendo, disse-lhes: «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem; 38 o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do Reino; o joio são os filhos do maligno; 39 o inimigo que a semeou é o diabo; a ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros são os anjos. 40 Assim, pois, como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será no fim do mundo: 41 o Filho do Homem enviará os seus anjos, que hão-de tirar do seu Reino todos os escandalosos e todos quantos praticam a iniquidade, 42 e lançá-los na fornalha ardente; ali haverá choro e ranger de dentes. 43 Então os justos resplandecerão como o Sol, no Reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos, oiça!» 44 «O Reino do Céu é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem encontra. Volta a escondê-lo e, cheio de alegria, vai, vende tudo o que possui e compra o campo. 45 O Reino do Céu é também semelhante a um negociante que busca boas pérolas. 46 Tendo encontrado uma pérola de grande valor, vende tudo quanto possui e compra a pérola.» 47 «O Reino do Céu é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. 48 Logo que ela se enche, os pescadores puxam-na para a praia, sentam-se e escolhem os bons para as canastras, e os ruins, deitam-nos fora. 49 Assim será no fim do mundo: sairão os anjos e separarão os maus do meio dos justos, 50 para os lançarem na fornalha ardente: ali haverá choro e ranger de dentes.» 51 «Compreendestes tudo isto?» «Sim» - responderam eles. 52 Jesus disse-lhes, então: «Por isso, todo o doutor da Lei instruído acerca do Reino do Céu é semelhante a um pai de família, que tira coisas novas e velhas do seu tesouro.» 53 Depois de terminar estas parábolas, Jesus partiu dali. 54 Tendo chegado à sua terra, ensinava os habitantes na sinagoga deles, de modo que todos se enchiam de assombro e diziam: «De onde lhe vem esta sabedoria e o poder de fazer milagres? 55 Não é Ele o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? 56 Suas irmãs não estão todas entre nós? De onde lhe vem, pois, tudo isto?» 57 E estavam escandalizados por causa dele. Mas Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua pátria e em sua casa.» 58 E não fez ali muitos milagres, por causa da falta de fé daquela gente.

 

Comentários:

 

O que Jesus nos quer dizer nesta parábola é que as oportunidades de salvação são iguais para todos, Deus não faz qualquer acepção de pessoas e em todos sem distinção semeia a Sua palavra. Dar fruto ou não depende exclusivamente daqueles que receberam a semente e do acolhimento que lhe dão. Protegida, cuidada, vingará e os frutos serão abundantes, desprezada ou deixada entregue a si mesma não haverá produção capaz. Queremos, de facto, ser bons agricultores que saibam cuidar com esmero e cuidado a semente que nos foi entregue? Então… peçamos ajuda ao Dono e Senhor de todas as coisas que nos converta em seara fértil abundante.

Este longo trecho do Evangelho escrito por São Mateus encerra ensinamentos que necessariamente temos de meditar com pausa e atenção. O que nos ocorre em primeiro lugar será que a prática da Fé ou é constante e, então, fortalecer-se-á, ou caso contrário irá perdendo “força” até desaparecer de todo. Em segundo temos de ser honestos intelectualmente porque não basta o conhecer a doutrina é fundamental praticá-la. E, depois, está muito claro o que o Senhor espera de nós: que demos fruto! Ou seja: ou temos uma fé passiva, como algo adquirido, ou queremos ter uma fé activa que se manifesta nas obras que praticamos. E, só esta interessa verdadeiramente!

Muitas vezes penso qual seria a minha atitude se tivesse vivido naquele tempo e escutado directamente o Senhor! Chego sempre à conclusão que sou, seguramente, muito mais afortunado, principalmente por duas razões: A primeira é que graças as Evangelistas posso conhecer com detalhe quanto Jesus Cristo disse e fez; A segunda, é que O posso receber em Corpo, Alma e Divindade na Sagrada Eucaristia.

Algo controverso – pode parecer – este discurso de Jesus, mas, atentando bem percebemos o que nos quer dizer. A conversão é algo pessoal e determinado pela vontade de aderir à Cristo. Não pode ser com o fito de obter um benefício qualquer – como uma cura, por exemplo – porque seria uma falsa conversão. É preciso ouvir e entender e, entendendo, decidir de acordo. É preciso ver e perceber o que se vê, e, então, converter-se à evidência. Só esta fé concreta, justa, simples, categórica tem valor aos olhos do Senhor e só esta Fé será aceite por Ele.

Hoje percebemos perfeitamente que Jesus Cristo se referia a nós. Lemos as Suas palavras, mas não as escutamos directamente vindas da Sua boca. Contudo, tal não nos impede de acreditar nele e, pelo menos, tentar pôr em prática os Seus ensinamentos. Arrisco afirmar que somos mais afortunados que aqueles a quem foram dirigidas, porque o exemplo de multidões de crentes que ao longo de dois mil anos nos foi deixado, constitui prova suficiente e bastante para acreditarmos. Que poderia interessar-nos ouvir se, mesmo ouvindo, não acreditássemos?

Ao longo dos séculos a Santa Igreja de que Jesus Cristo é a cabeça, foi-nos repetindo as Suas palavras, que, graças aos quatro Evangelistas, podemos consultar sempre que o desejarmos. E, pelas descrições – por vezes tão vivas e pormenorizadas – dos Seus actos mais simples e mais grandiosos, podemos ter um conhecimento bastante profundo das verdades da nossa Fé. O Evangelho é, portanto, a fonte onde devemos beber o que necessitarmos para manter viva e actuante essa mesma fé e, com a sua prática, dar glória a Deus e ir por um caminho seguro para a Vida Eterna.

Parece muito claro que a fé não se obtém só por a desejar porque pode ser conveniente. A fé, é dada por Deus Nosso Senhor aqueles que a desejam e lha pedem com o único objectivo de acreditar n’Ele. Ouvindo as Suas palavras, lendo os Evangelhos, desejando fazer – em tudo – a Sua Vontade. De facto, compreende-se que a Fé seja muito mais que “uma crença”, mas uma atitude de vida, de comportamento. Esta é a Fé que nos converte – definitivamente – em Filhos de Deus e candidatos à Vida Eterna.

Temos, os cristãos, esta felicidade de ser-mos a terra onde o Senhor semeia. Esforcemo-nos por ser uma boa terra, bem tratada e cuidada para que seja fértil e produza os frutos que Ele legitimamente espera vir a colher.

Esta parábola do semeador, na realidade não necessita de qualquer comentário pois o próprio Senhor SE encarrega de o fazer com a explicação que dá aos Seus discípulos. Assim, não nos fica qualquer dúvida nem se nos levanta qualquer questão, tão só concluímos que, de facto, o que Jesus quer é que demos fruto e fruto abundante.

A Liturgia repete no mesmo ano este trecho de São Mateus. Sem dúvida que tudo o contido nos Evangelhos é importante e deve ser como que a “cartilha” do cristão, onde vai beber e saciar a sua necessidade de conhecimento sobre a vida de Jesus ou, seja, sobre Aquele que quer seguir. Mas esta “parábola do semeador” talvez tenha um significado especial para todos os que pensam que há diferenças – ou melhor dizendo – acepção de pessoas no Reino de Deus. Uns são mais dotados que outros, os talentos não são igualmente distribuídos, as capacidades diferem. Isto é evidente e, é assim, porque os homens não somos produto de uma “fabricação em série”, mas a escolha pessoal e única feita pelo Criador que cria uma alma individual para cada novo ser humano. Mas – e que fique claro – a todos dá igualdade de oportunidades porque a semente que lança vai cair adrede, sobre “bons” e “maus”, “justos” e “injustos”, porque O Senhor não escolhe o campo onde semeia.

Ninguém pode queixar-se do Semeador que não Se deteve para lançar a semente. Este Semeador Divino vai constantemente pelos caminhos da vida lançando a semente às mãos cheias sem determinar onde a mesma vai cair. É tão pródigo que muita vai cair em locais estéreis que não têm um mínimo de condições para que cresça e se multiplique, mas, Ele, não se importa, pode acontecer que o vento ou uma ave a leve para outro local onde medrará. Penso, portanto, que o melhor local para aguardamos o Semeador seja exactamente esse caminho que Ele segue.

Acontece na vida espiritual o que sucede na vida corrente, o trigo e o joio, o bem e o mal, andam muitas vezes der tal forma juntos que quase não se distinguem. Isso tem a ver sobretudo com as disposições da alma e com a vida que se vive. No primeiro caso, quando se abranda a vigilância facilmente se cai na tibieza e o valor real das coisas transforma-se e acaba confundindo-se. No segundo, as companhias, o ambiente, arrastam para onde não queremos ir e acabamos misturados numa mesma massa cujos valores, preocupações e objectivos não nos convém. Trigo e, ao mesmo tempo joio! Cientes desta realidade, peçamos ao Senhor que nos envie ceifeiros competentes para que não aconteça ir-mos parar à fogueira do demónio em lugar de recolhidos no celeiro divino.

Jesus Cristo é sempre muito claro no que diz. Não pode haver duas interpretações nem, sequer, ceder à tentação de acrescentar alguma coisa que, podemos julgar, faz falta. (Nunca, em caso nenhum, podemos atrever-nos a tal!) Mas, para que fique ainda mais claro, explica com detalhe a parábola de modo que, ninguém possa dizer que não entendeu. Ele é o Semeador por excelência que lança a sua semente com abundância e a toda a volta. Não escolhe nem o local nem o terreno, mas, a todos dá por igual as mesmas oportunidades de receber a semente e de a fazer frutificar. Atentemos bem como nos preparamos para receber a sementeira, daí dependerá haver seara abundante – pela qual receberemos uma paga extraordinária – ou apenas ervas secas e sem qualquer préstimo que ninguém – nem mesmo o Senhor – quererá.

No ambiente ou meio mais insuspeito, o inimigo semeia o joio. Dentro da própria Igreja, por exemplo, coloca esse “joio” que em tudo semelhante ao verdadeiro trigo não passa de erva daninha destinada a corromper toda a seara. Os “falsos cristãos”, os “lobos disfarçados de ovelhas” que o Senhor tantas vezes refere são esse joio maléfico destinado a confundir, a inventar, a “desnortear” os mais débeis ou incautos. O verdadeiro cristão tem por dever de estar atento e precavido porque eles existem, de facto, e onde menos se pode esperar tentam enganar, dissuadir, espalhar a confusão ou a dúvida de tal forma que muitos caem nessas armadilhas e se deixam levar por onde não devem ir.

Se nos detivermos um pouco pensando como as nossas iniciativas apostólicas se propagam muitas vezes por lugares e pessoas que nem sequer conhecemos compreenderemos que O Senhor Se serve de nós como instrumentos de propagação do Reino de Deus. Daí que a docilidade e pronta resposta às inspirações que insinua na nossa alma sejam fundamentais para que aconteça como Ele espera.

Impressiona verificar que a magnitude do Reino de Deus é feito, construído, com pequenas coisas. Dia a dia sem descanso ou paragens milhões de cristãos dedicam o melhor do seu tempo e capacidades a esse serviço que é, podemos afirmar, serviço divino. Este só terminará no final dos tempos quando o Senhor vier "converter a Si todas as coisas e reinar sobre todos os homens"

Na continuação do Seu discurso sobre o Reino do Céu o Senhor como que completa a Sua doutrina dando a entender claramente que o Reino se estenderá a todos os lugares e a todos os homens. Na imensidão de Deus e do Seu Reino cabem o Céu e a Terra e a humanidade inteira. Todos podem fazer parte dele como é a Sua Vontade Amorosa. Depende de cada um a escolha tendo em conta a magnitude e magnificência do prémio a alcançar.

Os discípulos fazem uma pergunta e Jesus responde com toda a clareza. Quem são os bons semeadores – que usam de boa semente que produzirá fruto abundante – e quem são os propagam a má semente que só traz desgraça e fome. As restantes palavras de Cristo são a confirmação da Justiça divina que será aplicada inexoravelmente todos. Portanto, convém que todos, oiçam bem para não terem surpresas.

No mundo coexistem bons e maus, aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a seguem semeando-a na sua alma e à sua volta e os que, ao contrário, seguem as instruções do demónio e propagam o joio do erro e da mentira.

Sim, é verdade, podem coexistir mas, os encarregados da ceifa final, não se deixarão enganar e depositarão nos celeiros do Dono da seara os frutos bons e destruirão inexoravelmente o joio inútil fruto do ódio e da mentira.

Nós, cristãos somos a boa semente, é o Senhor quem o afirma.
E o que faz uma boa semente? Está claro, dá muito fruto. Torna-se assim evidente o que o dono da messe, o Semeador Divino, espera de nós: que demos fruto, abundante, duradoiro, que sacie com eficácia quem precisa de alimentar-se da Palavra.

O Reino do Céu tem um valor que não é comparável com nenhum tesouro por mais valioso que possa ser. Por isso mesmo, o cristão o procura com afã, sem descanso e, sendo necessário, desprende-se de tudo para o conseguir. Aliás, não lhe convém proceder de outra forma já que, o Reino de Deus preenche todas as suas necessidades e anseios.

Com exemplos muito concretos, Jesus Cristo fala do Reino do Céu ficando claro que, para o homem, nada há de mais valioso que possa alcançar. Já se sabe, os meios materiais são apelativos e não há quem não tenha dificuldade em desprender-se deles, mas… há que considerar que, se facto não se desprende por um motivo qualquer mas sim para alcançar um bem maior. Parece ser “um bom negócio”. Quem gosta de “deitar contas à vida”, verá aqui um bom motivo de reflexão. A busca incessante de bens materiais não estará a “desviar” a procura do que mais interessa?

O Senhor descreve, explica o que é o Reino dos Céus para que não restem nem dúvidas nem falsos conceitos. É, no fim e a cabo, um tesouro, uma pérola de altíssimo valor, tão grande que se sobrepõe a tudo quanto possamos almejar. Por este Reino, vale a pena desprender-se de tudo quanto julgamos nos faz falta porque o bem a alcançar ultrapassa tudo. E depende da vontade de cada um escolher o que melhor lhe convém e, sendo assim, tudo parece lógico e simples. Ou não?

Nestas parábolas sobre o Reino dos Céus, Jesus não se poupa a comparações claras e compreensíveis para que todos entendam "o que está em jogo". Ninguém poderá dizer que não entendeu e se não toma as devidas atitudes será por sua única exclusiva decisão.

Ficamos com uma imagem muito completa do Reino dos Céus.

Graças às revelações de Cristo é simples e acessível como o grão de mostarda ou um pouco de fermento, ou de grande valor e importante como um tesouro ou uma pérola de alto preço. Requerem o nosso trabalho pessoal, seja semear ou colocar na massa previamente preparada, quer escavando o campo ou negociar a pérola. Nos primeiros casos, os resultados são espectaculares, uma pequena semente que se converte em árvore grandiosa, um pedacinho de fermento que leveda uma grande quantidade de massa. São resultados directos do apostolado. Nos outros dois é a nossa vida pessoal que se altera radicalmente com a posse de bens de enorme valor. Mas parece lógico que os segundos dependam dos primeiros, isto é, primeiro semear e levedar e, depois aproveitar a todo o custo os tesouros que encontramos.

O que o Senhor deseja que fique bem claro é que o Reino do Céu é para todos, sem excluir ninguém. A escolha, isto é, a avaliação do mérito de cada um para pertencer ou não ao Reino, não é feita agora mas só quando terminada a pesca, recolhida a rede. Nesse momento nada há a fazer mas tão só confiar na Justiça divina. Cuidado portanto antes de entrar na rede… enquanto é tempo… que é agora.

Jesus Cristo fala do Reino dos Céus repetidamente ilustrando as Suas palavras com exemplos de modo que todos entendem, como aliás confirmam. Não deixa de dizer que, de facto, há bons e maus e que, a Justiça divina avaliará a conduta de cada um e respeitará as consequências dessa mesma conduta. Não exclui ninguém, todos são chamados “à rede divina” só que, a “pesca”, como sempre sucede na vida de todos os dias, tem resultados diferentes.

Parece normal que se tenha algum pudor ou até vergonha de falar das coisas de Deus, fazer apostolado, com pessoas que nos são próximas, familiares ou amigos íntimos. Afinal conhecem-nos bem e poderão estranhar ou não levar muito a sério a nossa atitude.
É normal, repito, mas nem por isso deixa de ser uma manifestação de respeito humano. Pensemos que se de facto são nossos amigos e nos conhecem poderão estranhar que não lhes falemos do que nos move na nossa vida de cristãos. Que nos pode importar que quem nos ouve não nos reconheça autoridade para expor o que dizemos? Dizemos a verdade, contamos o que é certo, baseamo-nos na Palavra de Deus Nosso Senhor que é o Evangelho. Não falamos por nós ou para nós, falamos em nome de Jesus Cristo e por Jesus Cristo. E, isto, basta!

São Mateus refere algo que merece um comentário: «E não fez ali muitos milagres, por causa da falta de fé daquela gente». Concretamente esta referência significa duas coisas: A primeira é que, não obstante o ambiente de suspeição e preconceituoso, Jesus fez alguns milagres. A segunda é que os milagres que Jesus faz são sempre movidos pela fé das pessoas não porque lhe apetece mas porque a Fé comove o Seu Coração amantíssimo e entranhas de misericórdia.

08/03/2023

Publicações em Março 8

  


(Re Mc 7, 1-15)

 

No texto em referência, considero, principalmente, o cuidado de Jesus na primeira “experiência apostólica” dos Seus discípulos. Envia-os dois a dois para que sustentem um ao outro, se ajudem e tornem, assim, mais eficaz a missão que lhes encarregou.

Assim deve ser o meu modo de agir nas tarefas de apostolado, procurar sempre a ajuda e acompanhamento para o que me proponho fazer.

O conselho e a opinião de outro é fundamental para que tenha suporte e ajuda sem ficar unicamente dependente de mim, da minha suposta capacidade, do que penso saber.

Aliás, se considerar, como devo, que a tarefa do apostolado que me compete é um encargo divino, quanto cuidado, prudência e conselho não devo usar… e abusar, para que seja o que mais convém em cada momento e circunstância.

Comportar-me como servo obediente e fiel e não como mestre presumido e cheio de empáfia.

Concluo que não será, de todo, profícuo, o apostolado que faço, devo fazer, se não for, em primeiríssimo lugar, humilde e contido, moderado e prudente.

O conselho do Director Espiritual mostra-se absolutamente necessário e útil para que vá onde devo ir, fale com quem devo falar, diga o que devo dizer.

 

Reflectindo na Quaresma

 

Os propósitos!

Ai... os propósitos!

Sou "tão bom" a fazê-los e tão pouco diligente em cumpri--los!

Hoje falhei em todos?

Não, na verdade não, mas falhei em alguns.

E isso deve admirar-me?

Não... claro que não, o que devo è dar graças pelos auxilios que recebi para cumprir alguns.

Amanhã terá de ser melhor.

E com a Tua ajuda, Senhor, sê-lo-à seguramente.

 

Links sugeridos:

 

Opus Dei

Evangelho/Biblia

Santa Sé

Religión en Libertad

 

 

 

26/12/2022

Publicações em Dezembro 26

 


Jesus Cristo, o Príncipe da Paz, insiste na paz interior de quem tem por missão difundir a Sua Palavra.

Ninguém pode conseguir o que for se não estiver em paz consigo próprio e, esta, só se alcança quando se está absolutamente seguro de que o que se faz é bem feito, com o empenho total e a disponibilidade absoluta que Cristo pede aos Seus pastores.

Homens santos, autênticos, de altar, que ponham no seu trabalho de pastores de almas estritamente o que a Igreja manda, sem acrescentar da sua lavra o que for.

A Santa Igreja é de Cristo, sua Cabeça, a Doutrina é a Doutrina de Cristo e, o modo de a aplicar é seguindo com obediência e fidelidade estritas o que manda o Magistério.

Senhor, eu julgo precisar dessas coisas todas: o oiro, a prata, o vestido, o alforge o calçado… Agarrado a tudo isto e, a tudo o mais que a minha pobre humanidade me ata, mal me sobra “cabeça” para me entregar ao que de mim esperas; e, porque esperas de mim tais coisas como se, eu, fosse alguém em que merecesse a pena confiar? Tu não me conheces, Senhor! Não sabes das minhas fraquezas, do pouco que sou! Ah!... Mas, Tu, sabes mais, esta é a verdade, e se me escolhes é porque eu terei capacidade de para corresponder. Ajuda-me, Senhor, a não defraudar a Tua confiança em mim.

Serviam! (servirei). Despido de coisas supérfluas, nu de roupagens excessivas e atavios desnecessários, lanço-me à tarefa que me ordenas, meto ombros aos encargos que me entregas sem me deter a considerar as minhas misérias, o pouco que sou, o nada que valho; se o fizesse, ficaria parado, aturdido pela grandeza da tarefa para os meus fraquíssimos recursos. Não! Se me escolhes é porque me encontras préstimo; se me chamas é porque desejas que corresponda.

Por isso e sem mais Te digo: Ecce ego quia vocasti me! (heis-me aqui porque me chamaste)

Não obstante ser um costume daqueles tempos - desejar a paz - e, ainda hoje ser comum sobretudo no Oriente, perdeu-se o sentido profundo do seu verdadeiro significado.

Desejar a paz é a melhor coisa que podemos querer para alguém, querer a paz deveria ser o desejo de qualquer ser humano.   Não esqueçamos, porém, que a paz pessoal, a paz de espírito é o bem mais precioso que podemos ambicionar porque não é possível propagar a paz à nossa volta - como é dever de todo o cristão - se nós próprios não a tivermos em nós.

Fala-se constantemente de paz, justamente por ela não estar, como deveria, instalada no mundo. A paz verdadeira, a única que nos deve interessar, é a paz de Cristo. A paz que os homens almejam não é a conseguida com a imposição, à força quer seja à mesa de negociações quer alcançada no campo de batalha. Para ter paz é preciso, antes de mais, estar pronto, disponível para ceder sem hesitação naquilo que, em nós, não passa de capricho ou teimosia. Enquanto o não fizermos é inútil perseguir a paz porque, não a tendo em nós mesmos, jamais a alcançaremos.

 

Não vamos fazer apostolado carregados - por assim dizer – com inúmeras virtudes, bens, poderes. Vamos como simples cristãos confiados que o Senhor porá o que nos faltar, que, talvez seja muito, para nós, mas, para Ele, nada representa. Não esqueçamos nunca que o apostolado é um trabalho pessoal que devemos fazer, sempre em nome de Jesus Cristo e nunca nos preocupemos com a possibilidade de “não estarmos à altura da tarefa”. Ele, conhece-nos intimamente – melhor que nós próprios nos conhecemos – e, se nos incita a ser apóstolos é porque, na Sua Infinita Sabedoria, quer que o façamos.

Mal fora se o apostolado estivesse reservado só aos sábios e dotados de inúmeras virtudes, não teríamos, a maior parte de nós, lugar nessa tarefa. Não esqueçamos que tudo começou com uns simples doze homens, de escassa cultura e com inúmeros defeitos e debilidades e, no entanto, o que fizeram ficou para sempre, ficará para sempre!

Em síntese o que o Senhor nos recomenda é critério na ordem do nosso amor, das nossas prioridades. Sempre e em qualquer circunstância, o que interessa é termos Deus em primeiro lugar e observar as condições para O seguir.

Jesus Cristo não poupa os avisos sobre as dificuldades que, os que O seguirem, hão-de encontrar. Dificuldades e obstáculos de toda a ordem muitas vezes parecendo impossíveis de superar, e, de facto, são-no para nós que nada podemos, mas, Ele não nos faltará nunca para que possamos. Este Senhor, Todo-Poderoso, promete uma recompensa por um simples copo de água dado em Seu Nome! Vale apena, pois, perseverar e lutar sem descanso com confiança absoluta naquele que tudo pode.

São Mateus deixa claro o tema que é por demais importante para que os cristãos tenham bem claro o que Ele pede aos que O seguem ou, desejam segui-Lo. Não esconde nem “emoldura” a verdade, bem ao contrário, mostra as dificuldades e obstáculos que os que optarem por esse caminho, hão-de encontrar, mas, a verdade, é que nunca faltaram – nem faltarão jamais - homens e mulheres de todas as raças e condições sociais, que optarão por esse caminho e – atenção – não necessariamente retirados do mundo, nos claustros de um convento. Na vida corrente, podemos encontrar a cada passo pessoas que vivem no mundo, mas “não são do mundo” porque tudo quanto fazem é para honrar e dar glória Deus. São estes “alicerces” em que se apoia a santidade da Igreja de Jesus Cristo, em que nos apoiamos todos os cristãos, que nos servem de exemplo a seguir, nos animam e são, de certo modo, a garantia de que é possível viver como Deus quer que vivamos.

A vida de um cristão é uma vida de luta. Em primeiro lugar consigo próprio no esforço contínuo de fazer a vontade de Deus. Para alguns esta luta reveste-se de particular dificuldade e, até, violência sobretudo para os que vivem em ambientes adversos onde a prática da fé requer heroicidade denodada.

Temos todos a obrigação de ajudar estes muitos irmãos nossos rezando por eles e com a oferta de algum sacrifício ou privação.

Temer o demónio? Parece que é esta a recomendação de Jesus, tal como Evangelista escreve, mas o que na verdade quer dizer é que devemos ter cuidado com as tentações que quando menos esperamos ele insinua no nosso espírito. Já o dissemos e repetimos com absoluta segurança: o demónio não tem qualquer poder sobre nós a menos que nós próprios lho outorguemos. Nem devemos ter medo das tentações porque o Senhor prometeu que jamais consentiria que fossemos tentados além das nossas forças.   Uma coisa é ter medo, outra, completamente diferente, é ter cuidado e cautela redobrados sobretudo naquelas situações ou circunstâncias em que podemos estar mais frágeis ou pouco vigilantes. No Pai-Nosso, Jesus Cristo ensinou-nos que não devemos pedir não ser tentados, mas sim força, ânimo e ajuda para não cairmos na tentação. Ah! E sabemos muito bem que quanto mais progredimos na nossa união com Cristo mais o demónio se encarniçará contra nós, por isso, tenhamos especial cuidado na vigilância e unidade de vida e, assim, estaremos a salvo.

Sem dúvida que a forma mais eficaz de não cair em tentação é evitar decididamente e sem delongas as ocasiões e circunstâncias que, bem sabemos, são propícias para que ocorram.

Mais vale prevenir…

 

Links sugeridos:

 

Opus Dei

Evangelho/Biblia

Santa Sé

Religión en Libertad

 

 

 

30/07/2022

Publicações em Julho 30

 


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mt XI…)

 

Tinham-se aproximado de Jesus alguns discípulos de João Baptista que este encarregara de perguntar a Jesus: «És Tu O que há-de vir, ou devemos esperar outro?».

Estranhei este “encargo” do Baptista, então ele não sabia muito bem Quem Era Jesus?

Depois, pela resposta do Mestre, compreendi que o Baptista não desejava ver esclarecida uma dúvida que não tinha mas, sim, que os seus discípulos constatassem com os seus próprios olhos e ouvidos a verdade acerca de Jesus Cristo.

A partir de então, estes discípulos teriam razões pessoais para anunciar a Pessoa de Cristo; viram confirmados os ensinamentos do Baptista e fortalecidos com a própria experiência haveriam de ser mais activos no apostolado pessoal.

Não devo ficar-me pelo que penso saber mas, sim, em contínua procura, esclarecer e aprofundar o que me interessa sobremaneira: Quem É Jesus Cristo! Deste modo as minhas convicções, a minha Fé, ficam também alicerçadas no conhecimento próprio reforçando a minha capacidade de fazer o que devo fazer: Apostolado com todos quantos se cruzem comigo nos caminhos da vida.

 

Links sugeridos:

 

Opus Dei

Evangelho/Biblia

Santa Sé

Religión en Libertad