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09/04/2020

Reflexões na Semana Santa – 5ª Feira

Reflexões na Semana Santa – 5ª Feira

Ei-los à mesa da Ceia que será a última; a grande, a inesquecível Ceia de Páscoa.

Jesus - tal como fizera já com o pão - acaba de passar o cálice com o vinho, agora transubstanciado no Seu Sangue Preciosíssimo.

Os Apóstolos reconhecem a gravidade do momento e a solenidade que o peso das palavras de Jesus deixa entrever. Não compreendem bem, ou melhor, não alcançam toda a dimensão do que o Mestre acabara de fazer, mas instintivamente, o coração que cada um há muito entregou, sem reservas, a Cristo, diz que é algo grande e transcendente.

A conversa esbate-se em murmúrios, sente-se a tristeza de Jesus. De súbito aquela frase inopinada: «Um de vós há-de trair-Me».

Olham-se uns aos outros, tão pouco seguros estão de si, do seu amor, da sua entrega: serei eu?

Também eu me interrogo: serei eu?… Serei eu, meu Deus, quem Te entrega aos Teus algozes, com as minhas negações, esquecimentos e faltas de toda a ordem? Serei eu? Eu, que como contigo à mesma mesa que preparasTe para mim, que recebo o Teu Corpo e o Teu Sangue, diariamente, por uma graça infinita, serei eu?
Decerto que fui, e sou e serei ainda muitas vezes…. Como me dói pensar nisto, vejo os Teus olhos tristes fixarem-se em mim num mudo desgosto e espanto. Desgosto pelas faltas de que sou capaz, espanto porque não esperarias que, depois de Ter recebido tanto seja tão mal agradecido.
Tudo isto é uma conversa humana, porque eu sei que Tu sabes muito bem quem eu sou, desde o princípio de todas as coisas. E eu, pobre de mim, atrevo-me a pensar: Então se Ele sabe quem sou e como sou e, mesmo assim, me quer, então é porque de facto me ama e me quer junto dele.
E esta alegria profunda que me causa esta revelação, afasta para longe a tristeza solene desta Ultima Ceia e eu levanto-me pronto para cantar o hino da alegria e da confiança, da esperança e da fé no meu Senhor e no Meu Deus que me salva, me quer e me redime para sempre.

(AMA, reflexões, 2002)


15/04/2019

Considerações para a Semana Santa


Tenho ainda a propor-vos uma outra consideração: devemos lutar sem descanso por fazer o bem, precisamente por sabermos que nos é difícil, a nós, homens, decidirmo-nos a sério a exercer a justiça, e é muito o que falta para que a convivência terrena esteja inspirada pelo amor e não pelo ódio ou pela indiferença. Não esqueçamos também que, mesmo que consigamos atingir um estado razoável de distribuição dos bens e uma harmoniosa organização da sociedade, não há-de desaparecer a dor da doença, da incompreensão ou da solidão, a dor da experiência das nossas próprias limitações.

Em face dessas penas, o cristão só tem uma resposta autêntica, uma resposta definitiva: Cristo na Cruz, Deus que sofre e que morre, Deus que nos entrega o seu Coração, aberto por uma lança, por amor a todos. Nosso Senhor abomina as injustiças e condena quem as comete. Mas, como respeita a liberdade das pessoas, permite que existam. Deus Nosso Senhor não causa a dor das criaturas, mas tolera-a como parte que é - depois do pecado original - da condição humana. E, no entanto, o seu Coração, cheio de amor pelos homens, levou-O a tomar sobre os seus ombros, juntamente com a Cruz, todas essas torturas: o nosso sofrimento, a nossa tristeza, a nossa angústia, a nossa fome e sede de justiça.

A doutrina cristã sobre a dor não é um programa de fáceis consolações. Começa logo por ser uma doutrina de aceitação do sofrimento, inseparável de toda a vida humana. Não vos posso esconder - e com alegria pois sempre preguei e procurei viver a verdade de que, onde está a Cruz está Cristo, o Amor - que a dor apareceu muitas vezes na minha vida; e mais de uma vez tive vontade de chorar. Noutras ocasiões, senti crescer em mim o desgosto pela injustiça e pelo mal. E soube o que era a mágoa de ver que nada podia fazer, que, apesar dos meus desejos e dos meus esforços, não conseguia melhorar aquelas situações iníquas.

Quando vos falo de dor, não vos falo apenas de teorias. Nem me limito a recolher uma experiência de outros, quando vos confirmo que, se sentis, diante da realidade do sofrimento, que a vossa alma vacila algumas vezes, o remédio que tendes é olhar para Cristo. A cena do Calvário proclama a todos que as aflições hão-de ser santificadas, se vivermos unidos à Cruz.

Porque as nossas tribulações, cristãmente vividas, se convertem em reparação, em desagravo, em participação no destino e na vida de Jesus, que voluntariamente experimentou, por amor aos homens, toda a espécie de dores, todo o género de tormentos. Nasceu, viveu e morreu pobre; foi atacado, insultado, difamado, caluniado e condenado injustamente; conheceu a traição e o abandono dos discípulos; experimentou a solidão e as amarguras do suplício e da morte. Ainda agora, Cristo continua a sofrer nos seus membros, na Humanidade inteira que povoa a Terra e da qual Ele é Cabeça e Primogénito e Redentor.

A dor entra nos planos de Deus. Ainda que nos é difícil entendê-la, é esta a realidade. Também Jesus, como homem, teve dificuldade em admiti-la: Pai, se é possível, afasta de Mim este cálice! Não se faça, porém, a minha vontade, mas a tua! Nesta tensão entre o sofrimento e a aceitação da vontade do Pai, Jesus vai serenamente para a morte, perdoando aos que O crucificaram.

Ora, esta aceitação sobrenatural da dor pressupõe, por outro lado, a maior conquista. Jesus, morrendo na Cruz, venceu a morte. Deus tira da morte a vida. A atitude de um filho de Deus não é a de quem se resigna à sua trágica desventura; é, sim, a satisfação de quem já antegoza a vitória. Em nome desse amor vitorioso de Cristo, nós, os cristãos, devemos lançar-nos por todos os caminhos da Terra, para sermos semeadores de paz e de alegria, com a nossa palavra e nossas obras. Temos de lutar - é uma luta de paz - contra o mal, contra a injustiça, contra o pecado, para proclamarmos assim que a actual condição humana não é a definitiva; o amor de Deus, manifestado no Coração de Cristo, conseguirá o glorioso triunfo espiritual dos homens.

São JOSEMARIA, (Cristo que passa, 168)

05/01/2019

Temas para reflectir e meditar

Arrependimento


Oxalá meu Jesus, fosse verdade que nunca Vos tivesse ofendido! 


Mas já que o mal está feito, rogo-vos que vos esqueceis dos desgostos que Vos causei e, pela morte amarga que por mim padeceste, levai-me ao Vosso reino depois da morte; e enquanto a vida me dure fazei que o Vosso amor reine sempre na minha alma.

(Santo afonso maria de ligórioMeditações sobre a Paixão, Meditação XII, para 4 F. Santa, 1)


31/03/2015

Evangelho, coment. Leitura esp. (Matrimónio)


Terça-Feira Santa


Evangelho: Jo 13 21-33 36-38

21 Tendo Jesus dito estas coisas, perturbou-Se em Seu espírito e declarou abertamente: «Em verdade, em verdade vos digo que um de vós Me há-de entregar». 22 Olhavam, pois, os discípulos uns para os outros, não sabendo de quem falava. 23 Ora um dos Seus discípulos, aquele que Jesus amava, estava recostado sobre o peito de Jesus. 24 A este, Simão Pedro fez sinal, para lhe dizer: «De quem fala Ele?». 25 Aquele discípulo, pois, tendo-se reclinado sobre o peito de Jesus, disse-Lhe: «Quem é, Senhor?». 26 Jesus respondeu: «É aquele a quem Eu der o bocado que vou molhar». Molhando, pois, o bocado, deu-o a Judas Iscariotes, filho de Simão. 27 Atrás do bocado, Satanás entrou nele. Jesus disse-lhe então: «O que tens a fazer, fá-lo depressa». 28 Nenhum, porém, dos que estavam à mesa percebeu por que lhe dizia isto. 29 Alguns, como Judas era o que tinha a bolsa, julgavam que Jesus lhe dissera: «Compra as coisas que nos são precisas para o dia da festa», ou: «Dá alguma coisa aos pobres». 30 Ele, pois, tendo recebido o bocado, saiu imediatamente; era noite. 31 Depois que ele saiu, Jesus disse: «Agora é glorificado o Filho do Homem, e Deus é glorificado n'Ele. 32 Se Deus foi glorificado n'Ele, também Deus O glorificará em Si mesmo; e glorificá-l'O-á sem demora. 33 Filhinhos, já pouco tempo estou convosco. Buscar-Me-eis, mas, assim como disse aos judeus: Para onde Eu vou, vós não podeis vir, também vos digo agora.».
36 Simão Pedro disse-Lhe: «Senhor, para onde vais?». Jesus respondeu-lhe: «Para onde Eu vou, não podes tu agora seguir-Me, mas seguir-Me-ás mais tarde». 37 Pedro disse-lhe: «Porque não posso eu seguir-Te agora? Darei a minha vida por Ti». 38 Jesus respondeu-lhe: «Darás a tua vida por Mim? Em verdade, em verdade te digo: Não cantará o galo sem que Me tenhas negado três vezes.

Comentário:

É fácil, relativamente, dizer que queremos seguir Jesus. Movidos pelo amor à figura inconfundível do Mestre, somos levados a ter desejos, sinceros, de o fazer.
Mas, muitas vezes, para não dizer quase sempre, ficamos por aí, pelos desejos, ou, então, temos algumas condições: quando for mais velho, se fosse mais novo, quando a minha vida se estabilizar, quando…
Considerando o pouco que somos chegaremos à conclusão óbvia que esses nossos desejos só se transformarão em realidade concreta se o nosso amor for sincero, sem condições. Um amor assim é capaz de tudo porque, embora por nós não possamos nada, o Senhor, movido por esse amor, Ele próprio que é O AMOR, não deixará de nos dar o que nos falta para O seguirmos.

(ama, Comentário sobre Jo 13, 21-33; 36-38, 2013.03.23)

Leitura espiritual


O que é o pecado?

O que é o pecado? 1

Pecado original, pessoal, venial, mortal, capital... O que é que tudo isso quer dizer?

O conceito de pecado é bastante simples: basicamente, o pecado é um ato de egoísmo exagerado.
É preferir-se a si mesmo e antepor-se a Deus e aos outros, cedendo às paixões desordenadas que nos colocam no centro da nossa própria existência e negando a nossa natureza, que só se completa quando se abre ao próximo e a Deus.
O pecado é a recusa a instaurar com Deus e com os outros uma relação de amor.
O pecado é um "converter-se às criaturas" e "rejeitar o Criador".
Em geral, o pecador só deseja os prazeres proporcionados pelas criaturas, e não necessariamente quer rejeitar o Criador.
No entanto, ao se deixar seduzir por satisfações fugazes proporcionadas pelas criaturas, o pecador sabe, implicitamente, que está agindo contra o amor do Criador, pois sente que o prazer terreno não o preenche e, mesmo assim, não resiste a ele.

É por isso que o pecado fere o próprio pecador, afastando-o da plenitude oferecida por Deus.
E é por isso que o pecado ofende a Deus: não porque Deus, como Deus, seja diminuído, mas porque nós próprios, ao pecar, nos diminuímos diante da grandeza que Deus nos oferece.

Para Jesus, o pecado nasce no interior do homem[i].
É por isso que é necessária a transformação interior, do coração. Para Jesus, o pecado é uma escravidão: o homem se deixa ficar em poder do maligno, valorizando falsamente as coisas deste mundo, deixando-se arrastar pelo imediato, por satisfações sensíveis que não saciam a nossa sede de amor e de plenitude.

(cont)

Fonte: ALETEIA

(Revisão da versão portuguesa por ama)


O que é o pecado? 2
Pecado original, pessoal, venial, mortal, capital... O que é que tudo isso quer dizer?


Quais são os tipos de pecado?

1 - O pecado original é a herança que todos recebemos dos nossos primeiros pais, Adão e Eva: eles desconfiaram do amor de Deus Pai e cederam à tentação de deixá-lo de fora das suas escolhas pessoais.

Como filhos de uma humanidade que perdeu a inocência, todos nós nascemos com a natureza caída de pecadores e precisamos da graça de Deus, mediante o sacramento do batismo, para purificar a nossa alma.

2 - O pecado actual ou pessoal é aquele que cometemos como indivíduos, voluntária e conscientemente.
Pode ser cometido de quatro maneiras: com o pensamento, com as palavras, com as obras ou com as omissões.
E pode ser contra Deus, contra o próximo ou contra nós mesmos.
O pecado pessoal pode ser mortal ou venial:

2.1. O pecado venial ou leve é aquele que cometemos sem plena consciência ou sem pleno consentimento, ou então com plena consciência e consentimento, mas em matéria leve.
 
2.2. O pecado mortal ou grave é aquele que envolve três factores simultâneos: plena consciência, pleno consentimento e matéria grave.

O que é matéria grave e matéria leve?

A "matéria" é o "facto" pecaminoso em si.
É grave quando fere seriamente qualquer um dos dez mandamentos.

Alguns exemplos: negar a existência de Deus, ofender a Deus, ofender os pais, matar ou ferir gravemente qualquer pessoa, colocar a si próprio em grave risco de morte sem justa razão, cometer actos impuros, roubar objectos de valor, caluniar, cometer graves omissões no cumprimento do dever, causar escândalo ao próximo.

Já a matéria leve é aquela que não fere seriamente nenhum dos dez mandamentos, ainda que consista num acto contrário a algum deles.

Por exemplo: roubar é pecado, mas a gravidade desse pecado tem graus diversos.
Furtar dez centavos não costuma prejudicar consideravelmente a vítima do furto; já o furto ou roubo de uma quantia cuja perda prejudica a vítima de modo considerável passa a ser matéria grave.


(cont)

Fonte: ALETEIA

(Revisão da versão portuguesa por ama)




O que é o pecado? 3
Pecado original, pessoal, venial, mortal, capital... O que é que tudo isso quer dizer?


Quais são os efeitos do pecado?

O pecado mortal mata a vida da graça na alma, rompendo a relação vital com Deus; separa Deus da alma; faz com que percamos todos os méritos das coisas boas que fazemos; impede que a alma participe da eternidade com Deus.

Como é perdoado o pecado mortal?
Com uma boa confissão ou com um acto de contrição perfeito, unido ao propósito de confessar-se assim que for possível.

Quanto ao pecado venial, ele enfraquece o amor a Deus, vai esfriando a relação com Ele, priva a alma de muitas graças que ela receberia de Deus se não pecasse, facilita o pecado grave.

Como se apaga o pecado venial?
Com o arrependimento e boas obras, como orações, missas, comunhão e obras de misericórdia.


(cont)

Fonte: ALETEIA

(Revisão da versão portuguesa por ama)


O que é o pecado? 4
Pecado original, pessoal, venial, mortal, capital... O que é que tudo isso quer dizer?

E os pecados capitais, onde é que entram?

Os pecados capitais requerem especial atenção porque são causa de outros pecados.
Podem ser veniais ou mortais, dependendo das condições explicadas acima. Sempre, porém, são "cabeças" de novos pecados e é daí que vem o termo "capital". São sete:

- Soberba: a estima exagerada de si mesmo e o desprezo pelos outros.
- Avareza: o desejo desmesurado de dinheiro e de posses.
- Luxúria: o apetite e uso desordenado do prazer sexual.
- Ira: o impulso desordenado a reagir com raiva contra alguém ou algo.
- Preguiça: a falta de vontade no cumprimento do dever e no uso do ócio.
- Inveja: a tristeza pelo bem do próximo, considerado como mal próprio.
- Gula: a busca excessiva do prazer pelos alimentos e pela bebida.


(cont)

Fonte: ALETEIA

(Revisão da versão portuguesa por ama)



O que é o pecado? 5
Pecado original, pessoal, venial, mortal, capital... O que é que tudo isso quer dizer?


Há algum pecado que não pode ser perdoado?

Sim: o pecado contra o Espírito Santo[ii].

Em que consiste?
Na atitude permanente de desafiar a graça divina; em fechar-se a Deus, em recusar a sua mensagem.
Essa atitude impossibilita o arrependimento.
E, como Deus respeita a nossa liberdade e o nosso livre arbítrio, Ele próprio se deixa obrigar por nós a não dar-nos o seu perdão, que depende da nossa aceitação voluntária.
O pecado contra o Espírito Santo pode se manifestar, por exemplo, no desespero da salvação, na presunção de se salvar sem mérito, na luta contra a verdade conhecida, na obstinação em permanecer no pecado, na impenitência final na hora da morte.


(cont)

Fonte: ALETEIA

(Revisão da versão portuguesa por ama)



O que é o pecado? 6
Pecado original, pessoal, venial, mortal, capital... O que é que tudo isso quer dizer?


Então qualquer outro pecado, bastando querermos sinceramente, pode ser perdoado?

É claro!

Deus quer tanto a nossa plena realização junto dele que não hesitou em morrer na cruz para nos redimir!

Deus nos espera sempre de braços abertos como um Pai que se esquece de todas as nossas ingratidões, como Ele mesmo deixa claro na belíssima parábola do filho pródigo[iii].

Basta querermos de verdade o Seu abraço!

Fonte: ALETEIA

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] cf. Mt 15, 10-20
[ii] cf. Mt 12, 30-32
[iii] cf. Lc 15,11ss

30/03/2015

Evangelho, coment. Leitura esp. (Matrimónio)

Segunda-Feira Santa

Evangelho: Jo 12 1-11

1 Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde se encontrava Lázaro, que Jesus tinha ressuscitado. 2 Ofereceram-Lhe lá uma ceia. Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com Ele. 3 Então, Maria tomou uma libra de perfume feito de nardo puro de grande preço, ungiu os pés de Jesus e Os enxugou com os seus cabelos; e a casa encheu-se com o cheiro do perfume. 4 Judas Iscariotes, um dos Seus discípulos, aquele que O havia de entregar, disse: 5 «Porque não se vendeu este perfume por trezentos denários para se dar aos pobres?». 6 Disse isto, não porque se importasse com os pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, roubava o que nela se deitava. 7 Mas Jesus respondeu: «Deixa-a; ela reservou este perfume para o dia da Minha sepultura; 8 porque pobres sempre os tereis convosco, mas a Mim nem sempre Me tereis». 9 Uma grande multidão de judeus soube que Jesus estava ali e foi lá, não somente por causa de Jesus, mas também para ver Lázaro, a quem Ele tinha ressuscitado dos mortos. 10 Os príncipes dos sacerdotes deliberaram então matar também Lázaro, 11 porque muitos judeus, por causa dele, se afastavam e acreditavam em Jesus.


Comentário:

Não pode deixar-nos indiferentes a consideração da atitude de Maria, irmã de Lázaro. Ela que tinha bebido com atenta devoção as palavras de Jesus quis - talvez adivinhando que seria a última oportunidade – homenagear o Senhor de uma forma que transmitisse não só o seu amor e carinho mas também a afirmação pessoal da divindade de Cristo.
E, Jesus, deixa-a e pede aos circunstantes que a deixem levar a cabo essa demonstração de amor e carinho manifestando assim que esta não Lhe é indiferente, bem pelo contrário Lhe agrada e a aceita.

Não tenhamos nunca medo nem sejamos parcos em demonstrar a nossa ternura para com o Senhor a quem toda a a honra e louvor são devidos.

O carinho e a ternura são sentimentos que vêm directamente do coração e, como tal, usá-los para com o Senhor que deu a Sua vida por nós não é mais que retribuir um pouco do muito que nos deu.

(ama, Comentário sobre Jo 12, 1-11 2014.04.14)

Leitura espiritual



Matrimónio

O verdadeiro amor

Os primeiros três anos da vida matrimonial são geralmente os anos mais difíceis no desenvolvimento da vida mutua de um casal.
Há três áreas básicas onde tem que Haver uma adaptação se os cônjuges vão criar uma relação feliz e harmoniosa.
Estas 3 áreas são mentais, físicas, e espirituais.
As três são interrelacionadas e se há falta de harmonia conjugal numa, as três estarão afectadas. A esfera espiritual é sem dúvida a mais importante sendo que esta melhorará dramaticamente a adaptação nas outras.
Mas o fruto do Espírito é amor, gozo, paz, paciência, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança; contra tais coisas não há lei. Sim vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito[i].

Para ter algo há que oferecê-lo ao outro.
Se quer amor, não o procure, dê-o.
A Bíblia diz-nos que colheremos o que semearmos.
Se alguém mostra amor constante, voltará a receber amor.
Um casal que dá e recebe o fruto espiritual mencionado em Gálatas provavelmente terá um matrimónio contentíssimo e satisfaciente. Todos somos vulneráveis ao egoísmo porque somos por natureza pecadores.

Uma vida espiritual sã há-de melhorar as adaptações mentais que são essenciais para uma boa adaptação física.
Estas três trabalham juntas nos indivíduos que se juntaram numa só carne.
Reacções egoístas indicam a necessidade da graça de Deus na vida.
Se o meu cônjuge diz algo mordaz ou desconsiderado e respondo igual com palavras pouco amáveis, pequei.
O meu cônjuge também pecou pero eu não sou responsável perante Deus pelo seu pecado; sou apenas responsável pelo meu.
Como com qualquer pecado tenho que confessa-lo a Deus e depois à pessoa ofendida.

Não é minha responsabilidade mudar o meu cônjuge.
Não posso fazê-lo.
Só Deus pode mudar o corarão de uma pessoa.
Não se casou com uma pessoa perfeita; nem tampouco o seu cônjuge o fez.
Portanto os dois terão que perdoar-se o um ao outro pelos pecados, o egoísmo, falta de consideração e erros.
Porque se perdoais aos homens as suas ofensas, vos perdoará também a vós o vosso Pai celestial; mas se não pedonais aos homens as suas ofensas, tampouco o vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas[ii].
O manual de Deus acerca do comportamento humano, a Bíblia, dá-nos conselhos excelentes no que respeita à vida matrimonial.

A garantia que abarca tudo para a felicidade no matrimónio é a abnegação.
Todos nascemos completamente egoístas.
As criaturas e as crianças são por natureza egoístas e não se preocupam com o bem-estar dos demais.
Enquanto vão crescendo, com disciplina e instrução adequada, aprendem a considerar os desejos e as necessidades de outros.

Isto é uma parte da maturidade.
A falta de maturidade no matrimónio é um problema sério e destrutivo.
A etapa de adaptação no matrimónio, (geralmente uns três anos), naturalmente produz conflitos de interesses. As pessoas egoístas tomam decisões somente baseadas no que querem ou no que os beneficia.

Quanto mais imaturos os cônjuges, mais áreas de conflito se esperam.
Todavia, os desacordos no matrimónio são inevitáveis e o casal tem que procurar a forma de solucionar os problemas.
Se encaram as suas frustrações mútuas, conversam sobre elas e procuram resolve-las de uma forma positiva, podem terminar os desacordos.
Duas pessoas maduras, mostrando o fruto do Espírito, podem encarar as suas áreas de conflito com comunicação aberta e resolver o problema de uma forma amigável.
A pessoa que insiste na “sua própria maneira” está desenvolvendo um processo destrutivo que produzirá um matrimónio infeliz.
Se quer que o seu cônjuge o trate com cortesia, com consideração, e sem egoísmo, há que ter suficiente maturidade para o tratar da mesma forma.
Indivíduos maduros, mostrando amor bíblico verdadeiro, não entram no matrimónio com o fim de aproveitar algo para si, mas antes, para dar o que possam ao seu companheiro.

Não façais nada por contenda ou por vanglória; mas antes com humildade, estimando cada um os demais como superior a si próprio; não olhando cada um pelo próprio eu, mas cada cual também pelo dos outros[iii].
A chave que garante um matrimónio feliz é o amor bíblico.
A maioria das pessoas de hoje não entende o que é o amor.
Confunde a atracção física, luxúria, desejo pessoal, compaixão, ou pena com o amor.
A Palavra de Deus diz que o amor de um homem pela sua esposa deve igualar o seu amor por si próprio.
Diz também que o homem deve amar a sua esposa assim como Cristo amou a Igreja e se entregou a si próprio por ela.
Esse amor é um amor sobrenatural.
Não é natural amar os outros como nos amamos nem amar como Deus ama. Todavia, Deus nunca nos manda fazer algo sem nos dar o poder para o fazer.
Se lho pedimos, Ele nos dará esse amor sobrenatural.
Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus. Todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus[iv].


O amor é benigno.

Muitos casais, despois de um tempo de estarem casados, esquecem-se de mostrar benignidade. Tornam-se cáusticos, sarcásticos, e mordazes no seu falar ou praticam o pacto do silêncio. Depois de cada conversação, cada cônjuge deve perguntar-se, “Fui benigno/a?”
Se não, devem pedir perdão e buscar a ajuda de Deus para praticar a benignidade.
Todos necessitamos de aceitação, especialmente por parte daqueles a quem amamos.
Para ter um companheiro contente temos que mostrar o nosso amor em falar com ele com frequência e por lhe agradecer tanto publicamente como em privado.
A desaprovação é uma maneira de castigar uma pessoa e prejudica a relação.
O elogio do bom dá sempre melhores resultados que a condenação.

A comunicação aberta é essencial para uma relação feliz no matrimónio.
Enquanto o casal pode manter a comunicação aberta e expressar os seus sentimentos livremente um ao outro, as dificuldades podem resolver-se.
A maioria dos problemas no matrimónio nasce da incapacidade de comunicar-se acerca das tensões.
Há unidade no amor mas também tem que haver liberdade para que cada um mantenha a sua própria pessoalidade e identidade.
Cada cônjuge tem que respeitar os direitos e privilégios do outro.
Um bom exercício ao aconselhar a um matrimónio perturbado é pedir que cada um prepare uma lista das coisas que aprecia no outro e depois a leia ao seu cônjuge, a mesma fará com que recordem porque se casaram.
Depois cada um deve fazer uma lista das coisas que o irritam no outro e ler-lha outra vez. Geralmente as duas listas serão uma revelação para os dois cônjuges.

Comprovarão que entre si não houve comunicação destas verdades e por conseguinte encentram-se com problemas.
A maioria não pode ler a mente de outros e é preciso comunicar, ou por palavras ou por escrito. Muitos casais usam o silêncio como arma para expressar desaprovação ou para defender-se ao ser atacados.
O silêncio não traz uma resolução amigável ao conflito porque trava a comunicação e, assim, a capacidade de resolver o problema.
O caminho para a paz é falar com tranquilidade e assim chegar a uma solução razoável com maturidade.
A falta de harmonia na inter-relação matrimonial com toda afectará seguramente o aspecto físico e o prazer da satisfação no acto sexual.
Os seres humanos são muito mais complexos que os animais e a sua vida sexual é muito mais que o impulso aparecimento.
É uma experiencia emocional complexa.

Se as suas relações sexuais não estão baseadas no mútuo amor verdadeiro e não são o resultado de carinho e consideração, terminarão em frustração para um ou os dois cônjuges.

Profesor Donald R. Bond

(Trad por ama)




[i] Gál. 5:22,23, 25
[ii] Mt. 6:14,15
[iii] Fil.2:3,4
[iv] 1 Jn.4:7