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29/11/2020

Reflexão

 



Caridade

 

Não é a dificuldade que há em amar o inimigo o que conta para o merecimento, se não for na medida em que se manifesta nela a perfeição do amor, que triunfa da dita dificuldade.

 

Assim, pois, se a caridade fosse tão completa que suprimisse em absoluto a dificuldade, seria então mais meritória.

 

(São Tomás de Aquino, Questões discutidas sobre a caridade, q. 8, ad 17.)

25/11/2020

Virtudes

 


Caridade 2

Com a força da caridade

A fé no amor de Jesus Cristo conduz-nos a um descanso cheio de amor na Trindade Beatíssima. Nada move tanto a amar como o saber-se amado por esse Deus que nos quer fazer entrar na corrente trinitária do Seu Amor. Com a medida do nosso amor a Deus, com a fé no Seu amor por todos e cada um, amamos os outros vendo neles pessoas amadas por Deus. É a caridade que dá vida e força às obras; sem caridade, as obras em favor dos outros reduzem-se a um altruísmo ou um egoísmo encoberto: ainda que repartisse todos os meus bens e entregasse o meu corpo para me deixar queimar, se não tenho caridade, de nada me aproveitaria. A caridade é paciente, a caridade é amável; não és invejosa, não age com soberba, não se vangloria, não é ambiciosa, não procura o seu, não se irrita, não leva em conta o mal, não se alegra com a injustiça, compraz-se na verdade; tudo aguenta, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (1 Cor 13,4-7).

Como chegar a essa caridade? Não é possível amar a humanidade inteira – nós amamos todas as almas, e não rejeitamos ninguém – se não for a partir da Cruz (São Josemaria, En diálogo con el Señor, p. 146 (AGP, Biblioteca, P 09). Só a partir da Cruz é possível amar a humanidade inteira. A cruz leva a esquecer-se de si mesmo, o que por sua vez não é possível senão por amor a Deus, sabendo-nos amados por Ele. «Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se vos tendes amor uns aos outros» (Jo 13, 34-35).

Nos momentos em que desaparecem os motivos humanos de segurança e alegria, é decisiva a fé no amor de Deus, um amor que só se vê com os olhos da fé: a consciência da grandeza da dignidade humana - de um modo eminente e inefável, pois fomos, pela ação da graça, constituídos filhos de Deus - é no cristão uma só coisa com a humildade, visto que não são as nossas forças que nos salvam e nos dão a vida, mas o favor divino. É uma verdade que não se pode esquecer, porque senão pervertia-se o nosso endeusamento, convertendo-se em presunção, em soberba e, mais cedo ou mais tarde, em ruína espiritual perante a experiência da nossa fraqueza e miséria (Cristo que passa, 133).

18/11/2020

Virtudes

 


Caridade 1

Crer no amor de Deus

Temos fé por dom de Deus e por ela sabemos que Deus é amor e que esse amor se manifestou ao máximo no amor de Jesus, que morreu por cada um de nós, entrega-Se-nos na Eucaristia e acompanha-nos, em todo momento, como amigo e irmão. Por isso, verdadeiramente, podemos dizer com São Josemaria essas três palavras que condensam um pensamento de São Paulo: omnia in bonum! (cf. Rm 8,28), pois queremos amar a Deus e para os que O amam todas as coisas cooperam de algum modo para o bem, ainda que nem sempre o entendamos. Crer no amor de Deus é tão fundamental que São João resume assim a experiência dos Apóstolos no trato com Jesus Cristo: «nós conhecemos e acreditamos no amor que Deus nos tem» (1 Jo 4, 16). A fé cristã é, portanto, fé no Amor pleno, no seu poder eficaz, na sua capacidade de transformar o mundo e iluminar o tempo(Francisco, Lumen Fidei, 15). O rosto desse Amor manifesta-se-nos em Jesus Cristo, na Sua entrega por nós, para a nossa salvação. O Papa Francisco, falando de São Pedro, comenta que, talvez, a maior tentação do demónio era insinuar nele a ideia de não se considerar digno de ser amigo de Jesus Cristo, porque o tinha traído. Mas o Senhor é fiel. A amizade possui essa graça: um amigo que é mais fiel pode, com a sua fidelidade, fazer fiel o outro, que talvez não o seja tanto. E se se trata de Jesus, Ele tem, mais do que ninguém, o poder de fazer fiéis os seus amigos(Francisco, Discurso, 2-III-2017).

Nada move tanto a amar como o saber-se amado por esse Deus que nos quer fazer entrar na corrente trinitária do seu Amor.

São Josemaria unia essa segurança do amor divino com o profundo sentido da filiação divina: que confiança, que descanso e que otimismo vos dará, no meio das dificuldades, sentir-vos filhos de um Pai, que tudo sabe e que tudo pode (São Josemaria, Carta 9-I-1959, 60). No entanto, acreditando nisto, tantas vezes ficamos nervosos, inquietamo-nos diante das dificuldades, diante das nossas falhas e limitações, diante das contrariedades, diante das incompreensões. Isto é humanamente lógico, mas é sinal de que ainda não acreditamos plenamente que, em todo momento, Deus nos acompanha com um amor infinito, que sabe tudo e que tudo pode: Ele é interior intimo meo (Santo Agostinho, Confissões, III, 6), mais íntimo a mim do que eu próprio. Viver da fé: essas palavras que foram depois tantas vezes tema de meditação para o apóstolo Paulo, vêm-se realizadas amplamente em São José. O seu cumprimento da vontade de Deus não é rotineiro nem formalista, mas espontâneo e profundo. A lei que todo o judeu praticante vivia não foi para ele um simples código nem uma recompilação fria de preceitos, mas expressão da vontade de Deus vivo. Por isso soube reconhecer a voz do Senhor quando se lhe manifestou inesperada, surpreendente (Cristo que passa, 41). Se nos inquietamos demasiado, significa que, no fundo, a segurança e a paz – que todos naturalmente desejamos – a pomos de facto, em certa medida, ainda em nós próprios: em que as coisas nos corram bem, em que a saúde seja boa, no trabalho que nos convém, no apreço dos outros... mesmo no apostolado. E Jesus Cristo? Ainda temos esse pecado de que só o Espírito Santo nos pode, primeiro, ‘convencer’ (arguir), e depois curar mediante a perfeição da caridade: assim acreditaremos plenamente no amor do Senhor.

Santo Agostinho comenta as palavras do Senhor no evangelho de São João afirmando que Deus porá em nós o amor de que necessitamos: [Jesus] disse: Ele [o Espírito Santo] arguirá o mundo”, como se dissesse: Ele derramará a caridade em vossos corações (Santo Agostínho, In Ioannis Evangelium tractatus, 95, 1). A plenitude da caridade é a santidade, a que apenas chegaremos no Céu. Com a graça do Espírito Santo e a nossa generosa correspondência, já nesta vida podemos crescer cada vez mais na fé que age mediante a caridade. Para este crescimento, é preciso ancorar toda a nossa segurança no amor de Deus.

14/11/2020

Virtudes

         


    Caridade 2

 

Felicidade

 

O nosso amor apoia-se na fé no amor divino. A liberdade está integrada na fidelidade, posto que não há perseverança autêntica sem amor. Só por esse amor se mantém a fidelidade: “enamora-te e não O deixarás(Caminho, 999). E com a fidelidade, a alegria, também quando surge o sofrimento físico ou espiritual: com a fé no amor divino, um filho de Deus, um cristão que viva vida de fé, pode sofrer e chorar: pode ter motivos para se doer; mas, para estar triste, não (São Josemaria, “Las riquezas de la fe”, publicado em ABC, 2-XI-1969).

O nosso amor apoia-se na fé no amor divino. A liberdade está integrada na fidelidade, posto que não há perseverança autêntica sem amor.

A “primeira canonização” foi a do bom ladrão. Umas poucas palavras do Senhor na cruz, a partir de onde amava o mundo inteiro, dando a Sua vida para a salvação de todos aqueles que aceitariam a graça, ensina-nos que fidelidade rima com felicidade. A felicidade é fidelidade ao caminho cristão (Cfr. São Josemaria, Amigos de Deus, 189). Com efeito, a fidelidade é um estar sempre com Jesus e nunca o deixar. No Céu, viveremos esse grande mistério da nossa divinização, seremos mais plenamente filhos no Filho. Dirigindo-se ao bom ladrão, profetiza nosso Senhor: «hodie mecum eris in paradiso» (Lc 23,43): estará nesse mesmo dia com Jesus no paraíso.

Paraíso é uma palavra de origem persa que significa jardim ou parque: está carregada de um sentido de felicidade. Daqui que o Génesis fale do jardim do Éden (Cfr. Gn 2,8). Na boca de Jesus, anunciar o paraíso ao bom ladrão é também um modo de lhe dizer que o espera, a Seu lado e de modo imediato, a felicidade. “Com São José, o cristão aprende o que é ser de Deus e estar plenamente entre os homens, santificando o mundo. Tratai José e encontrareis Jesus. Tratai José e encontrareis Maria, que encheu sempre de paz a amável oficina de Nazaré (Cristo que passa, 56).

 

Guillaume Derville

10/10/2019

Temas para reflectir e meditar

Caridade


Para que o exercício da caridade seja verdadeiramente irrepreensível, é necessário (...) cumprir antes de mais as exigências da justiça, para não dar como ajuda de caridade o que já se deve dar por razão de justiça.




(Concílio Vaticano iiDec. Apostolicam actuositatem, 8) 

27/12/2018

Temas para reflectir e meditar

Caridade diligente



A caridade diligente no assistir aos enfermos, é um meio rápido para adquirir a virtude perfeita.


(são filipe de néri, The Maxim’s of St Philip NeriF. W. Faber, Cromwell Press SN12 8PH, nr. 8-22, trad ama


25/05/2017

Temas para meditar - 712


Virtudes mães

Humildade e caridade são as virtudes mães, as outras seguem-nas como os pintainhos a sua chocadeira.



SÃO FRANCISCO DE SALES, Epistolário fragm. 17 em obras selectas. BAC Madrid 1953 nr. 651 trad AMA)

20/04/2017

Temas para meditar - 702

Piedade


A piedade – tal como o amor – não se cansa de repetir com frequência as mesmas palavras, porque o fogo da caridade que as inflama faz com que sempre contenham algo de novo.


PIO I, Enc. Igravescentibus malis 1937.09.29)



07/06/2014

Temas para meditar 138

Próximo


O nosso próximo, diremos de passagem, inclui todas as criaturas de Deus: os anjos e santos do Céu (coisa fácil), as almas do purgatório (coisa fácil), e todos os seres humanos vivos, inclusive os nossos inimigos (...) podemos ter um sincero amor sobrenatural ao próximo, e no plano natural sentirmos uma marcada repulsa por ele. Eu perdoo-lhe , por amor a Deus, o mal que me fez? Rezo por ele e confio em que alcance as graças necessárias para se salvar?

Estou disposto a ajudá-lo se estiver em necessidade, apesar da minha natural resistência?

Se é assim, amo-o sobrenaturalmente. A virtude divina da caridade opera no meu interior, e posso fazer actos de amor (que deveriam ser frequentes cada dia) sem hipocrisia nem ficção.


(leo j. treseA fé explicada, Quadrante, S. Paulo 4ª ed. nr. 101-103)

03/04/2014

Temas para meditar 62

Apostolado


Uma das manifestações mais claras da caridade é a actividade apostólica.




(Bíblia Sagrada, anot. pela Fac. Teol. de Navarra, Comentário sobre Mt 5, 13-15)

11/02/2014

Temas para meditar 11

Perfeição


A caridade é a única das virtudes que fazem o homem perfeito.


(santo afonso maria de ligórioPrática do amor a Jesus Cristo, I)

02/08/2012

Pratica a caridade sem limites

© Gabinete de Informação 
do Opus Dei na Internet
Textos de S. Josemaria Escrivá

Ama e pratica a caridade, sem limites e sem discriminações, porque é a virtude que caracteriza os discípulos do Mestre. Contudo essa caridade não pode levar-te – deixaria de ser virtude – a amortecer a fé, a tirar as arestas que a definem, a dulcificá-la até convertê-la, como alguns pretendem, em algo amorfo, que não tem a força e o poder de Deus. (Forja, 456)

O Senhor tomou a iniciativa, vindo ao nosso encontro. Deu-nos o exemplo para nos pormos com Ele ao serviço dos outros, para – gosto de repetir – pormos generosamente o nosso coração a servir de alcatifa, de modo que os outros caminhem suavemente e a sua luta resulte para eles mais amável. Devemos comportar-nos assim, porque somos filhos do mesmo Pai, que não hesitou em entregar-nos o seu Filho muito amado.

Não somos nós que construímos a caridade; é ela que nos invade com a graça de Deus: porque Ele nos amou primeiro. Convém que nos empapemos bem desta verdade formosíssima: se podemos amar a Deus é porque fomos amados por Deus. Tu e eu estamos em condições de derramar carinho sobre os que nos rodeiam, porque nascemos para a fé pelo amor do Pai. Pedi com ousadia ao Senhor este tesouro, esta virtude sobrenatural da caridade, para a exercitardes até ao último pormenor.

Nós, os cristãos, não temos sabido muitas vezes corresponder a esse dom; algumas vezes temo-lo rebaixado como se se limitasse a uma esmola dada sem alma, friamente; outras vezes temo-lo reduzido a uma atitude de beneficência mais ou menos convencional. Exprimia bem esta aberração a queixa resignada de uma doente: Aqui, tratam-me com caridade, mas a minha mãe cuidava de mim com carinho. O amor que nasce do Coração de Cristo não pode dar lugar a este tipo de distinções. (Amigos de Deus, nn. 228–229)

01/08/2012

Aprendei a fazer o bem

© Gabinete de Informação 
do Opus Dei na Internet
Textos de S. Josemaria Escrivá

Quando estiveres com uma pessoa, tens de ver nela uma alma: uma alma que é preciso ajudar, que é preciso compreender, com quem é preciso conviver e que é preciso salvar. (Forja, 573)

Agrada-me citar umas palavras que o Espírito Santo nos comunica pela boca do profeta Isaías: discite benefacere, aprendei a fazer o bem. (...)

A caridade para com o próximo é uma manifestação do amor a Deus. Por isso, ao esforçarmo-nos por melhorar nesta virtude, não podemos fixar nenhum limite. Com o Senhor, a única medida é amar sem medida, pois, por um lado jamais chegaremos a agradecer suficientemente o que Ele tem feito por nós e, por outro, assim se revela o mesmo amor de Deus às suas criaturas: com excesso, sem cálculo, sem fronteiras.

A misericórdia não se limita a uma simples atitude de compaixão; a misericórdia identifica-se com a superabundância da caridade que, ao mesmo tempo, traz consigo a superabundância da justiça. Misericórdia significa manter o coração em carne viva, humana e divinamente repassado por um amor rijo, sacrificado e generoso. (Amigos de Deus, 232)

22/07/2012

Levai a carga uns dos outros.

© Gabinete de Informação 
do Opus Dei na Internet
Textos de S. Josemaria Escrivá

Diz o Senhor: "Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Nisto se conhecerá que sois meus discípulos". – E São Paulo: "Levai a carga uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo". – Eu não te digo nada. (Caminho, 385)

Olhando à nossa volta, talvez descobríssemos razões para pensar que a caridade é realmente uma virtude ilusória. Mas considerando as coisas com sentido sobrenatural, descobrirás também a raiz dessa esterilidade, que se cifra numa ausência de convívio intenso e contínuo, de tu a tu, com Nosso Senhor Jesus Cristo, e no desconhecimento da acção do Espírito Santo na alma, cujo primeiro fruto é precisamente a caridade.

Recolhendo um conselho do Apóstolo – levai uns as cargas dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo – acrescenta um Padre da Igreja: amando a Cristo, suportaremos facilmente a fraqueza dos outros, mesmo a daquele a quem ainda não amamos, porque não tem boas obras .

Por aí se eleva o caminho que nos faz crescer na caridade. Enganar-nos-íamos se imaginássemos que primeiro temos de nos exercitar em actividades humanitárias, em trabalhos de assistência, excluindo o amor do Senhor. Não descuidemos Cristo por causa do próximo que está enfermo, uma vez que devemos amar o enfermo por causa de Cristo.

Olhai constantemente para Jesus, que, sem deixar de ser Deus, se humilhou tomando a forma de servo para nos poder servir, porque só nessa mesma direcção se abrem os afãs por que vale a pena lutar. O amor procura a união, a identificação com a pessoa amada; e, ao unirmo-nos com Cristo, atrair-nos-á a ânsia de secundar a sua vida de entrega, de amor sem medida, de sacrifício até à morte. Cristo coloca-nos perante o dilema definitivo: ou consumirmos a existência de uma forma egoísta e solitária ou dedicarmo-nos com todas as forças a uma tarefa de serviço. (Amigos de Deus, 236)

16/04/2012

Encherás o mundo de caridade

Textos de S. Josemaria

Não podes destruir, com a tua negligência ou com o teu mau exemplo, as almas dos teus irmãos os homens. – Tens – apesar das tuas paixões! – a responsabilidade da vida cristã dos que te são próximos, da eficácia espiritual de todos, da sua santidade! (Forja, 955)

Longe fisicamente e, contudo, muito perto de todos: muito perto de todos!... – repetias feliz.
Estavas contente, graças a essa comunhão de caridade, de que te falei, que tens de avivar sem cansaço. (Forja, 956)

Perguntas-me o que é que poderias fazer por aquele teu amigo, para que não se encontre sozinho.
Dir-te-ei o que sempre digo, porque temos à nossa disposição uma arma maravilhosa, que resolve tudo: rezar. Primeiro, rezar. E, depois, fazer por ele o que gostarias que fizessem por ti, em circunstâncias semelhantes.
Sem o humilhar, é preciso ajudá-lo de tal maneira que se lhe torne fácil o que lhe é difícil. (Forja, 957)

Põe-te sempre nas circunstâncias do próximo: assim verás os problemas ou as questões serenamente, não terás desgostos, compreenderás, desculparás, corrigirás quando e como for necessário, e encherás o mundo de caridade. (Forja, 958)

© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet

16/03/2012

Caridade - Justiça - Virtudes

Reflectindo



Para que o exercício da caridade seja verdadeiramente irrepreensível, é necessário (...) cumprir antes de mais as exigências da justiça, para não dar como ajuda de caridade o que já se deve dar por razão de justiça. [i]


[i] concílio vaticano II, Decreto Apostolicam actuositatem, 8

24/12/2011

Caridade

      Reflectindo
Pois esta caridade não há que procurá-la unicamente nos acontecimentos importantes, mas, antes de mais, na vida ordinária.

(cv ii, Constituição Dogmática Gaudium et Spes, nr. 38) 

01/11/2011

Que nunca deixe de praticar a caridade.

Textos de São Josemaria Escrivá

Não é compatível amar a Deus com perfeição e deixar-se dominar pelo egoísmo – ou pela apatia – na relação com o próximo. (Sulco, 745)

A verdadeira amizade implica também um esforço cordial por compreender as convicções dos nossos amigos, mesmo que não cheguemos a partilhá-las nem a aceitá-las. (Sulco, 746)

Nunca permitas que a erva ruim cresça no caminho da amizade: sê leal. (Sulco, 747)

Um propósito firme na amizade: que no meu pensamento, nas minhas palavras, nas minhas obras para com o próximo – seja ele quem for –, não me comporte como até agora, quer dizer, nunca deixe de praticar a caridade, nunca dê entrada na minha alma à indiferença. (Sulco, 748)

A tua caridade deve ser adequada, ajustada, às necessidades dos outros...; não às tuas. (Sulco, 749)

Filhos de Deus! Uma condição que nos transforma em algo mais transcendente do que em simples pessoas que se suportam mutuamente... Escuta o Senhor: "Vos autem dixi amicos!" – somos seus amigos, que, como Ele, dão gostosamente a vida pelos outros, tanto nas horas heróicas como na convivência corrente. (Sulco, 750)

© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet
http://www.opusdei.pt/art.php?p=13979

07/10/2011

Textos de São Josemaria Escrivá

“Ajuda-os sem que o notem”

O pensamento da morte ajudar-te-á a cultivar a virtude da caridade, porque talvez esse instante concreto de convivência seja o último em que estás com este ou com aquele... Eles, ou tu, ou eu, podemos faltar em qualquer momento. (Sulco, 895)

Dir-me-ás talvez: e porque havia eu de me esforçar? Não sou eu quem te responde, mas S. Paulo: o amor de Cristo urge-nos. Todo o espaço de uma existência é pouco para alargar as fronteiras da tua caridade. Desde os primeiríssimos começos do Opus Dei, manifestei o meu grande empenho em repetir sem cessar, para as almas generosas que se decidam a traduzi-lo em obras, aquele grito de Cristo: nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros. Conhecer-nos-ão precisamente por isso, porque a caridade é o ponto de arranque de qualquer actividade de um cristão. (…)

Queria fazer-vos notar que, após vinte séculos, ainda aparece com toda a pujança de novidade o Mandato do Mestre, que é uma espécie de carta de apresentação do verdadeiro filho de Deus. Ao longo da minha vida sacerdotal, tenho pregado com muitíssima frequência que, desgraçadamente para muitos, continua a ser novo, porque nunca ou quase nunca se esforçaram por praticá-lo. É triste, mas é assim. E não há dúvida nenhuma de que a afirmação do Messias ressalta de modo terminante: nisto vos conhecerão, que vos amais uns aos outros! Por isso, sinto a necessidade de recordar constantemente essas palavras do Senhor. S. Paulo acrescenta: levai os fardos uns dos outros e, desta maneira, cumprireis a lei de Cristo. Momentos perdidos, talvez com a falsa desculpa de que te sobra tempo... Se há tantos irmãos, amigos teus, sobrecarregados de trabalho! Com delicadeza, com cortesia, com um sorriso nos lábios, ajuda-os, de tal maneira que se torne quase impossível que o notem; e que nem se possam mostrar agradecidos, porque a discreta finura da tua caridade fez com que ela passasse inadvertida.
(Amigos de Deus, 43–44).

09/07/2011

TEXTOS DE SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ

“Pratica a caridade sem limites”

Ama e pratica a caridade, sem limites e sem discriminações, porque é a virtude que caracteriza os discípulos do Mestre. Contudo essa caridade não pode levar-te – deixaria de ser virtude – a amortecer a fé, a tirar as arestas que a definem, a dulcificá-la até convertê-la, como alguns pretendem, em algo amorfo, que não tem a força e o poder de Deus. (Forja, 456)


O Senhor tomou a iniciativa, vindo ao nosso encontro. Deu-nos o exemplo para nos pormos com Ele ao serviço dos outros, para – gosto de repetir – pormos generosamente o nosso coração a servir de alcatifa, de modo que os outros caminhem suavemente e a sua luta resulte para eles mais amável. Devemos comportar-nos assim, porque somos filhos do mesmo Pai, que não hesitou em entregar-nos o seu Filho muito amado.
Não somos nós que construímos a caridade; é ela que nos invade com a graça de Deus:porque Ele nos amou primeiro. Convém que nos empapemos bem desta verdade formosíssima: se podemos amar a Deus é porque fomos amados por Deus. Tu e eu estamos em condições de derramar carinho sobre os que nos rodeiam, porque nascemos para a fé pelo amor do Pai. Pedi com ousadia ao Senhor este tesouro, esta virtude sobrenatural da caridade, para a exercitardes até ao último pormenor.
Nós, os cristãos, não temos sabido muitas vezes corresponder a esse dom; algumas vezes temo-lo rebaixado como se se limitasse a uma esmola dada sem alma, friamente; outras vezes temo-lo reduzido a uma atitude de beneficência mais ou menos convencional. Exprimia bem esta aberração a queixa resignada de uma doente: Aqui, tratam-me com caridade, mas a minha mãe cuidava de mim com carinho. O amor que nasce do Coração de Cristo não pode dar lugar a este tipo de distinções. (Amigos de Deus, nn. 228–229)

© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet