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19/04/2021

NUNC COEPI: Publicações em Abril 19

PLANO DE VIDA;  (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

Propósito: Sorrir; ser amável; prestar serviço.

 

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Lembrar-me: Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

 

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 

Leitura espiritual 

 

Evangelho

Lc XXIV, 36-53

Aparição em Jerusalém

36 Enquanto isto diziam, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!» 37 Dominados pelo espanto e cheios de temor, julgavam ver um espírito. 38 Disse-lhes, então: «Porque estais perturbados e porque surgem tais dúvidas nos vossos corações? 39 Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo. Tocai-me e olhai que um espírito não tem carne nem ossos, como verificais que Eu tenho.» 40 Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. 41 E como, na sua alegria, não queriam acreditar de assombrados que estavam, Ele perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa que se coma?» 42 Deram-lhe um bocado de peixe assado; 43 e, tomando-o, comeu diante deles. 44 Depois, disse-lhes: «Estas foram as palavras que vos disse, quando ainda estava convosco: que era necessário que se cumprisse tudo quanto a meu respeito está escrito em Moisés, nos Profetas e nos Salmos.» 45 Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as Escrituras 46 e disse-lhes: «Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e ressuscitar dentre os mortos, ao terceiro dia; 47 que havia de ser anunciada, em seu nome, a conversão para o perdão dos pecados a todos os povos, começando por Jerusalém. 48 Vós sois as testemunhas destas coisas. 49 E Eu vou mandar sobre vós o que meu Pai prometeu. Entretanto, permanecei na cidade até serdes revestidos com a força do Alto.»

 

Ascensão

50 Depois, levou-os até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. 51 Enquanto os abençoava, separou-se deles e elevava-se ao Céu. 52 E eles, depois de se terem prostrado diante dele, voltaram para Jerusalém com grande alegria. 53 E estavam continuamente no templo a bendizer a Deus.

 

Considerações

 

Jesus Cristo Ressuscitado é um verdadeiro Homem em carne e osso, não é meramente um espírito como serão a grande maioria dos “habitantes do Céu”.

Ou seja, pode dizer-se que Jesus Cristo É, depois da Sua Ressurreição gloriosa, o que todos os que tivermos a ventura de alcançar o Céu seremos depois do “final dos tempos” em que os nossos corpos se unirão ás nossas almas para sempre.

Sabemos que não é o único, Elias foi directamente arrebatado ao Céu num carro de fogo, a Santíssima Virgem foi assumpta – verdade de Fé – em corpo e alma e muitos outros.

No Apocalipse São João menciona Pessoas completas – corpo e alma - e Espíritos – almas.

Tudo isto só o conseguimos entender com a insinuação do Espírito Santo na nossa alma, não nos seria possível, só com a nossa inteligência ou entendimento, alcançar esse conhecimento.

Daqui que, uma vez mais, se destaca a verdadeira e imprescindível acção do Divino Espírito Santo nas nossas almas para podermos apaziguar as dúvidas ou “sossegar” as apreensões quanto à Vida Eterna.

Evidentemente que muitas questões nos podem acorrer como, por exemplo, com que corpo nos uniremos ás nossas almas. De homem jovem na força da vida, adulto, no final da vida terrena… ou logo após o nascimento?

Mas… essas sendo interrogações “legítimas” não devem ser consentidas porque, parece evidente, são questões sugeridas pelo tentador para nos desviar do caminho correcto a que nos conduz a Fé nas Verdades que Jesus nos revelou e a Santa Igreja nos ensina.

 

VIRTUDES

Em geral, “a virtude é uma disposição habitual e firme para praticar o bem”. (Cf. Catecismo, 1803)

As virtudes teologais referem-se directamente a Deus e dispõem os cristãos para viverem em relação com a Santíssima Trindade. (Cf. Catecismo, 1812).

São infundidas por Deus na alma dos fiéis para os tornar capazes de proceder como filhos seus. (Catecismo, 1813)

As virtudes teologais são três: fé, esperança e caridade (cf. 1 Cor 13, 13).

A fé é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que Ele nos disse e revelou, e que a santa Igreja nos propõe para acreditarmos. (Cf. Catecismo, 1814) Pela fé o homem entrega-se completa e livremente a Deus, e esforça-se por conhecer e fazer a vontade de Deus (cf. Rm 1, 17).

O discípulo de Cristo, não somente deve guardar a fé e viver dela, como também professá-la, dar testemunho dela e propagá-la. (Cf. Catecismo, 1816; cf. Mt 10, 32-33)

A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos o Reino dos céus e a vida eterna como nossa felicidade, pondo toda a nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos, não nas nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo. (Cf. Catecismo 1817).

A caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas por Ele mesmo, e ao nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus. (Cf. Catecismo, 1822).

 

REFLEXÃO

A minha cruz de todos os dias

 

A minha cruz de todos os dias, aquela que tenho de carregar – quer queira quer não – sobre os meus ombros e que me pesa e causa dor!

Que cruz é esta?

Reflicto e chego à triste conclusão que a maior parte das vezes sou o primeiro e principal responsável pela sua existência.

Poderia aplicar-me com toda a propriedade aquela máxima de São Filipe de Néri: Sou carpinteiro das minhas próprias cruzes.

Não me orgulho, bem pelo contrário, desta minha “profissão” na qual me envolvo de forma tão contumaz que me espanta.

Vejo com clareza que não tenho outra “saída” que pedir ao Crucificado que me ajude a transportá-las de forma digna e meritória.

 

05/04/2021

NUNC COEPI Publicações em: 05/04/2021

Publicações em Abril 05

 Plano de vida: (Coisas muito simples, curtas, objectivas)

  

Propósito: Sorrir; ser amável; prestar serviço. 

 Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

 Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Pequeno exame: Cumpri o propósito que me propus ontem?

 

Leitura espiritual: 

Evangelho

Lc XIX, 1-27

Zaqueu, o publicano

1 Tendo entrado em Jericó, Jesus atravessava a cidade. 2 Vivia ali um homem rico, chamado Zaqueu, que era chefe de cobradores de impostos. 3 Procurava ver Jesus e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura. 4 Correndo à frente, subiu a um sicómoro para o ver, porque Ele devia passar por ali. 5 Quando chegou àquele local, Jesus levantou os olhos e disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa.» 6 Ele desceu imediatamente e acolheu Jesus, cheio de alegria. 7 Ao verem aquilo, murmuravam todos entre si, dizendo que tinha ido hospedar-se em casa de um pecador. 8 Zaqueu, de pé, disse ao Senhor: «Senhor, vou dar metade dos meus bens aos pobres e, se defraudei alguém em qualquer coisa, vou restituir-lhe quatro vezes mais.» 9 Jesus disse-lhe: «Hoje veio a salvação a esta casa, por este ser também filho de Abraão; 10 pois, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.»

Parábola das dez minas

11 Estando eles a ouvir estas coisas, Jesus acrescentou uma parábola, por estar perto de Jerusalém e por eles pensarem que o Reino de Deus ia manifestar-se imediatamente. 12 Disse, pois: «Um homem nobre partiu para uma região longínqua, a fim de tomar posse de um reino e em seguida voltar. 13 Chamando dez dos seus servos, entregou-lhes dez minas e disse-lhes: ‘Fazei render a mina até que eu volte.’ 14 Mas os seus concidadãos odiavam-no e enviaram uma embaixada atrás dele, para dizer: ‘Não queremos que ele seja nosso rei.’ 15 Quando voltou, depois de tomar posse do reino, mandou chamar os servos a quem entregara o dinheiro, para saber o que tinha ganho cada um deles. 16 O primeiro apresentou-se e disse: ‘Senhor, a tua mina rendeu dez minas.’ 17 Respondeu-lhe: ‘Muito bem, bom servo; já que foste fiel no pouco, receberás o governo de dez cidades.’ 18 O segundo veio e disse: ‘Senhor, a tua mina rendeu cinco minas.’ 19 Respondeu igualmente a este: ‘Recebe, também tu, o governo de cinco cidades.’ 20 Veio outro e disse: ‘Senhor, aqui tens a tua mina que eu tinha guardado num lenço, 21 pois tinha medo de ti, que és homem severo, levantas o que não depositaste e colhes o que não semeaste.’ 22 Disse-lhe ele: ‘Pela tua própria boca te condeno, mau servo! Sabias que sou um homem severo, que levanto o que não depositei e colho o que não semeei; 23 então, porque não entregaste o meu dinheiro ao banco? Ao regressar, tê-lo-ia recuperado com juros.’ 24 E disse aos presentes: ‘Tirai-lhe a mina e dai-a ao que tem dez minas.’ 25 Responderam-lhe: ‘Senhor, ele já tem dez minas!’ 26 Digo-vos Eu: A todo aquele que tem, há-de ser dado, mas àquele que não tem, mesmo aquilo que tem lhe será tirado. 27 Quanto a esses meus inimigos, que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os cá e degolai-os na minha presença.»

Texto

  

Cartas de São Paulo

 

 Rm 1, 1-32



PRÓLOGO

Saudação

1 Paulo, servo de Cristo Jesus, chamado a ser Apóstolo, escolhido para anunciar o Evangelho de Deus, 2 que Ele de antemão prometera por meio dos seus profetas, nas santas Escrituras, 3 acerca do seu Filho, nascido da descendência de David segundo a carne, 4 constituído Filho de Deus em poder, segundo o Espírito santificador pela ressurreição de entre os mortos, Jesus Cristo Senhor nosso; 5 por Ele recebemos a graça de sermos Apóstolos, a fim de, em honra do seu nome, levarmos à obediência da fé todos os gentios, 6entre os quais estais também vós, chamados a ser de Cristo Jesus; 7 a todos os amados de Deus que estão em Roma, chamados a ser santos: graça e paz a vós, da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo!

Acção de graças

8 Antes de mais, dou graças ao meu Deus por todos vós, por meio de Jesus Cristo, pois a vossa fé é proclamada em todo o mundo. 9 Pois Deus - a quem presto culto no meu espírito, anunciando o Evangelho do seu Filho - me é testemunha de como constantemente me lembro de vós, 10 pedindo sempre nas minhas orações que tenha, finalmente, ocasião de ir ter convosco; assim Deus o queira. 11 É que eu anseio por vos ver, para vos comunicar algum dom espiritual e assim vos fortalecer, 12 ou antes, para, estando convosco, ser reconfortado pela fé que nos é comum, a vós e a mim. 13 Não quero que ignoreis, irmãos, que muitas vezes me propus ir ter convosco - do que tenho sido impedido até agora - a fim de também entre vós obter algum fruto, do mesmo modo que entre os restantes gentios. 14 Tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes eu sou devedor. 15 Daí o propósito que tenho de também vos anunciar o Evangelho, a vós que estais em Roma.

 

PARTE DOGMÁTICA: JUSTIFICAÇÃO POR MEIO DE JESUS CRISTO

I A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ

 

Proposição do assunto

16 Eu não me envergonho do Evangelho, pois ele é poder de Deus para a salvação de todo o crente, primeiro o judeu e depois o grego. 17 Pois nele a justiça de Deus revela-se através da fé, para a fé, conforme está escrito: O justo viverá da fé.

 Ignorância palpável dos pagãos

18 De facto, a ira de Deus, vinda do céu, revela-se contra toda a impiedade e injustiça dos homens que, com a injustiça, reprimem a verdade. 19 Porquanto, o que de Deus se pode conhecer está à vista deles, já que Deus lho manifestou. 20 Com efeito, o que é invisível nele - o seu eterno poder e divindade - tornou-se visível à inteligência, desde a criação do mundo, nas suas obras. Por isso, não se podem desculpar. 21 Pois, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram nem lhe deram graças, como a Deus é devido. Pelo contrário: tornaram-se vazios nos seus pensamentos e obscureceu-se o seu coração insensato. 22 Afirmando-se como sábios, tornaram-se loucos 23 e trocaram a glória do Deus incorruptível por figuras representativas do homem corruptível, de aves, de quadrúpedes e de répteis.

Castigo de Deus

24 Por isso é que Deus, de acordo com os apetites dos seus corações, os entregou à impureza, de tal modo que os seus próprios corpos se degradaram. 25 Foram esses que trocaram a verdade de Deus pela mentira, e que veneraram as criaturas e lhes prestaram culto, em vez de o fazerem ao Criador, que é bendito pelos séculos! Ámen. 26 Foi por isso que Deus os entregou a paixões degradantes. Assim, as suas mulheres trocaram as relações naturais por outras que são contra a natureza. 27 E o mesmo acontece com os homens: deixando as relações naturais com a mulher, inflamaram-se em desejos de uns pelos outros, praticando, homens com homens, o que é vergonhoso, e recebendo em si mesmos a paga devida ao seu desregramento. 28 E como não julgaram por bem manter o conhecimento de Deus, entregou-os Deus a uma inteligência sem discernimento. E é assim que fazem o que não devem: 29 estão repletos de toda a espécie de injustiça, perversidade, ambição, maldade; cheios de inveja, homicídios, discórdia, falsidade, malícia; são difamadores, 30 maldizentes, inimigos de Deus, insolentes, orgulhosos, arrogantes, engenhosos para o mal, rebeldes para com os pais, 31 estúpidos, desleais, inclementes, impiedosos. 32 Esses, muito embora conheçam o veredicto de Deus - de que são dignos de morte os que tais coisas praticam - não só as fazem, como até aprovam os que as praticam.

Comentários:

O Apóstolo no versículo 7, refere: “Chamados a ser santos”. Realmente: “Os seguidores de Cristo, chamados por Deus e justificados no Senhor Jesus, não por merecimenyo próprio, mas pela vontade e graça de Deus, são feitos pelo Baptismo da Fé, verdadeiramente filhos e participantes danatureza divina e, por conseguite,realamente santos”. (Lumen gentium, 40).

 O primeiro comentário – ou consideração – que ocorre, é esta afirmação do Apóstolo: “Eu não me envergonho do Evangelho, pois ele é poder de Deus para a salvação de todo o crente, primeiro o udeu e depois o grego” (V, 16). Ou seja: o Evangelho – a Palavra de Deus – é o Seu poder e garantia de salvação!

Um segundo comentário para referir a dura clareza com que São Paulo fala da castidade e da pureza. Como então, hoje assistimos a um degradar proguessivo da permissividade e de novas “teorias” – como a iguladade de género, para referir apenas de uma – donde que, o que escreve nesta Epístola continua não só válido como actual. As consequências do desregramento são elancadas e claríssimas e, sabemos muito bem, aplicam-se inteiramente. O comportamento permissivo não provoca só a degradação das consciências mas, inclusive, a corrupção dos corpos e privação da liberdade pessoal. Sim… a impureza, que muitas vezes  chega a patamares aberrantes, é como que uma amarra que prende cada vez mais estreita e solidamente os que a ela se entregam e, o caminho, é, sempre, cada vez mais fundo. A pessoa fica como que inibida de pensar ou agir de outra forma que não seja satisfazer o seu vício, deixando tudo de lado, postergando sucessivamente a dignidade de vida, os deveres  sociais mais elementares e, claro está, comprometendo o amor. Deus Nosso Senhor não pode aceitar nem admitir pessoas assim – mesmo sendo Seus filhos = exactamente porque, Ele, É O AMOR.

Reflexão:

 

Jesus está connosco!

No Santo Sacrifício do altar, o sacerdote pega no Corpo do nosso Deus e no Cálice com o seu Sangue, e levanta-os sobre todas as coisas da terra, dizendo: "Per Ipsum, et cum Ipso, et in Ipso", pelo meu Amor!, com o meu Amor!, no meu Amor! Une-te a esse gesto. Mais ainda: incorpora essa realidade na tua vida. (Forja, 541)

Assim se entra no Canon, com a confiança filial que nos leva a chamar clementíssimo ao nosso Pai Deus. Pedimos-Lhe pela Igreja e por todos os que estão na Igreja, pelo Papa, pela nossa família, pelos nossos amigos e companheiros. E o católico, como tem coração universal, pede por todo o mundo, porque o seu zelo entusiasta nada pode excluir. E para que a petição seja acolhida, recordamos a nossa comunhão com a Santíssima Virgem e com um punhado de homens que foram os primeiros a seguir Cristo e por Ele morreram. Quam oblationem... Aproxima-se o momento da consagração. Agora, na Santa Missa, é outra vez Cristo que actua, através do sacerdote: Isto é o meu Corpo. Este é o cálice do meu Sangue. Jesus está connosco! Com a transubstanciação, renova-se a infinita loucura divina, ditada pelo Amor. Quando hoje se repete esse momento, que saiba cada um de nós dizer ao Senhor, mesmo sem pronunciar quaisquer palavras, que nada nos poderá afastar d'Ele e que a sua disponibilidade de se deixar ficar – totalmente indefeso – nas aparências, tão frágeis, do pão e do vinho, nos converteu voluntariamente em escravos: praesta meae menti de te vivere et te illi semper dulce sapere, faz com que eu viva de Ti e saboreie sempre a doçura do teu amor. (Cristo que passa, 90)

Virtudes:

 

Prudência

 

A prudência é a virtude mais necessária à vida humana, pois viver bem consiste em agir bem. Ora, para agir bem é preciso não só fazer alguma coisa, mas fazê-lo também do modo certo, ou seja, por uma escolha correcta e não por impulso ou paixão. Como a escolha visa aos meios para se conseguir um fim, para ser correcta exigem-se duas coisas: o fim devido (debitum finem) e os meios adequados a esse fim … Quanto aos meios adequados a esse fim, importa que o homem esteja directamente disposto pelo habitus da razão, porque aconselhar e escolherc, que são acções relacionadas com os meios, são atos da razão. É necessário, pois, haver na razão alguma virtude intelectual que a aperfeiçoe, para que proceda com acerto em relação aos meios. Essa virtude é a prudência, virtude portanto necessária para bem viver.

São Tomás de Aquino, Suma Teológica P I-II,q.57.



[1] Conteúdo: Evangelho (sequencial) - Texto 

 

 


31/03/2021

VIRTUDES

 


Prudência 2

A prudência está relacionada com a inteligência, mais ainda, segundo ensina a tradição filosófica, está na razão prática, isto é, na razão enquanto orientada e disposta para a praxis, para a acção. Mas pressupõe o desejo e o amor ao bem. É isto que distingue a prudência da astúcia, e também da ‘prudência da carne’ de que São Paulo fala (cf. Rm 8, 6): "a daqueles que têm inteligência, mas procuram não a usar para descobrir e amar Nosso Senhor. A verdadeira prudência é a que permanece atenta às insinuações de Deus e, nessa vigilante escuta, recebe na alma promessas e realidades de salvação"2.

Sagrada Escritura: "o sábio de coração será chamado prudente" (Pr 16, 21)

27/03/2021

Filosofia e Religião, Vida Humana

 


Virtudes

Prudência

 

A virtude moral pode existir sem certas virtudes intelectuais, como a sabedoria, a ciência e a arte. Não porém sem o intelecto e a prudência. Sem a prudência, não pode haver realmente virtude moral, já que esta é um habitus “electivo” (electivus), isto é, que faz escolhas certas. Ora, para uma boa escolha, duas coisas exigem-se: primeiro, que haja a devida intenção do fim, o que se faz pela virtude moral, que inclina a potência apetitiva para o bem conveniente com a razão, que é o fim devido. Segundo, que se usem correctamente os meios, e isso só se alcança por uma razão que saiba aconselhar, julgar e decidir bem, o que é próprio da prudência e de virtudes a ela conexas. Logo, a virtude moral não pode existir sem a prudência.

Por conseqüência, também não poderá haver virtude moral sem o intelecto, pois é por ele que são conhecidos os princípios naturalmente evidentes, seja na ordem especulativa, seja na prática. Assim, da mesma forma que a razão recta, na ordem especulativa, enquanto procede de princípios naturalmente conhecidos, pressupõe o intelecto deles, assim também a prudência, que é a razão recta do agir (recta ratio agibilium).

 

São Tomás de Aquino, Suma Teológica P I-II, q. 58, a. 4.

24/03/2021

Virtudes

 


Serenidade

 

Deixa que a serenidade do teu espírito brilhe através do teu rosto.

 

(São Pedro Damião)

04/03/2021

Virtudes

 


GRATIDÃO  1

A gratidão leva-nos a lutar

Quais são os verdadeiros motivos que dinamizam um cristão? Que procuramos quando dizemos que queremos ser melhores? A luta deve centrar-se em Deus, não em nós, sugere este texto.

«Será como um homem que, ao partir para fora, chamou os servos e confiou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada qual conforme a sua capacidade; e depois partiu» (Mt 25,14-15). A história de Jesus sobre os talentos é-nos muito familiar e, como toda a Escritura, nunca deixa de nos convidar a uma maior compreensão da nossa vida de relação com Deus. No fundo, a parábola fala de um homem que confia generosamente uma grande parte da sua riqueza a três servos. Ao fazê-lo, não os trata como a simples servos, antes os faz participar nos seus negócios. Visto desta maneira, parece que confiar é precisamente o verbo adequado: não lhes dá instruções detalhadas, dizendo-lhes exatamente o que fazer. Deixa-o nas suas mãos. A julgar pela sua reacção - o empenho com que se esforçam por multiplicar a riqueza do seu senhor - dois deles compreenderam imediatamente. Receberam o gesto do seu senhor como sinal de confiança. Podíamos até dizer que o viram como um gesto de amor, e por isso procuraram amorosamente agradar-lhe, embora não lhes tivessem sido postas exigências nem condições. «Aquele que recebeu cinco talentos negociou com eles e ganhou outros cinco» (Mt 25,16). Do mesmo modo, o que tinha dois talentos ganhou mais dois.

O outro servo, pelo contrário, percebe algo muito diferente. Sente que está a ser posto à prova e, portanto, não pode fracassar. Para ele, é de suma importância não tomar uma decisão errada. «Aquele que apenas recebeu um foi fazer um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor» (Mt 25,18). Teme desgostar o seu amo, bem como as consequências que imagina que podiam resultar desse desagrado. Por isso, diz-lhe: «Senhor, disse ele, sempre te conheci como homem duro, que ceifas onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste. Por isso, com medo, fui esconder o teu talento na terra. Aqui está o que te pertence» (Mt 25,24-25). Como pensa que o seu amo é duro e injusto, não pensa que se lhe confie nada. Vê-o como um teste difícil, e não como uma oportunidade. E, não querendo falhar nesse teste, resolve agir do modo mais seguro com os bens e interesses de outra pessoa. O resultado é uma atitude fria e desprendida: «Aqui está o que te pertence» (Mt 25,25).

Estas duas reacções, tão diferentes, podem ajudar-nos a refletir sobre como estamos a responder ao que Deus nosso Pai nos tem confiado: a nossa vida, a nossa vocação cristã. Ambas têm um valor imenso aos seus olhos. E Ele colocou-as nas nossas mãos. Como é a nossa resposta?

 

 

Justin Gillespie

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24/02/2021

VIRTUDES

 

Fortaleza 

Ser fortes de ânimo ajuda a suportar as dificuldades e superar nossos limites. Para os cristãos, Cristo é o exemplo para viver uma virtude que abre a porta a muitas outras.

1. “Per aspera ad astra!

“Através das dificuldades, chega-se às estrelas”. Esta conhecida frase de Séneca exprime de modo gráfico a experiência humana de que, para conseguir o melhor, há que esforçar-se, de que “o que vale, custa”, de que é preciso lutar para vencer os obstáculos e arestas que se vão apresentando ao longo da vida, para poder alcançar os bens mais altos.

Muitas obras literárias de diversas culturas exaltam a figura do herói, que encarna de algum modo as palavras da sabedoria latina, que qualquer pessoa desejaria também para si: nil difficile volenti, nada é difícil para aquele que quer.

Assim pois, a nível humano, a fortaleza é valorizada e admirada. Essa virtude, que anda de mãos dadas com a capacidade de sacrificar-se, tinha entre os antigos um contorno bem definido. O pensamento grego considerava a “andreia” como uma das virtudes cardeais 1, que modera os sentimentos de combate próprios do apetite irascível, e assim dá vigor ao homem para procurar o bem, mesmo que seja difícil e árduo, sem que o medo o detenha.

17/02/2021

VIRTUDES

Prudência 1

Definição

A prudência é a virtude que dispõe o espírito a discernir em todas as circunstâncias o nosso verdadeiro bem e a escolher os meios para o realizar [1]. Assim, são actos de prudência a avaliação para ver qual será a acção mais adequada para alcançar o bem, e o mandato para a realizar. A prudência baseia-se na memória do passado, no conhecimento do presente e, tanto quanto nos é possível, na previsão das consequências das nossas decisões. Indica a medida justa das outras virtudes, entre o excesso e o defeito, entre o exagero e a carência, ou a mediocridade.



[1] 1 Cf. Ángel Rodríguez Luño, Scelti in Cristo per esssere santi. III. Morale speciale, EDUSC, Roma 2008, pp. 284 e 289.

 

10/02/2021

Virtudes

 

A alegria cristã 9

Os paradoxos do Cristianismo

Agradecer

 

Caminho, [1] alimentado por raiz cristã, não poderia estar longe desta rica textura da alegria. No ponto 268 pode ler-se: “Dá-Lhe graças por tudo, porque tudo é bom” (Caminho, 268). Considero que o texto fundamental sobre a alegria é este. Deste dar graças por tudo nasce uma alegria grande, como o Evangelho gosta de dizer: os anjos anunciam, no Nascimento de Cristo, «uma grande alegria» (Lc 2, 10); «os discípulos, confortados pela bênção de Cristo, que voltou para o Pai, experimentam uma grande alegria» (Lc 24, 50-52).



[1] São Josemaria Escrivá

03/02/2021

Virtudes

 

A alegria cristã 8

Os paradoxos do Cristianismo

 

O gaudium

A palavra clássica para alegria é gaudium do Latim. Na Vulgata, gaudium traduz praticamente sempre o xáQtg grego, e este termo grego serve também para presente, prémio, esmola e graça. Graça é o que se consegue sem esforço por parte de quem a recebe. Por isso, agradecer é reconhecer essa gratuidade. O gozo, a alegria, é resultado de possuir um bem, e precisamente um bem grande, que só de graça se pode receber. De todos esses bens, existe um de qualidade superior, o amor. O arquétipo do bem gratuitamente recebido é o amor. Por isso, o apaixonado, quando ama e é amado, entrega-se e recebe o dom, está alegre, satisfeito, canta. Por isso a alegria das crianças tem uma natureza particular: porque a sua vida é receber sempre amor, um amor especial dos pais, mas também de quase todos, que olham com benevolência para as crianças (volendo bene, diz-se em italiano).

 

27/01/2021

Virtudes

A alegria cristã 7

Os paradoxos do Cristianismo

 

Quando aparecem esses ataques simultâneos e contraditórios, pode-se dizer que aqueles que acusam não entenderam o “escândalo” e a “loucura” cristãos. Chesterton escrevia em Tremendas Trivialidades: “o verdadeiro resultado de toda a experiência e o verdadeiro fundamento de toda a religião é isto: as quatro ou cinco coisas, cujo conhecimento é praticamente essencial ao homem, são aquilo a que se chama paradoxos”. A alegria do cristão também se expressa em paradoxos. Paradoxal é o conselho de Jesus para os momentos de jejum: estar alegre, perfumado, parecer longe de qualquer tristeza. Naturalmente, um jejuador alegre pode facilmente ser acusado de hipocrisia. Porém, o acusador é que não terá entendido o paradoxo.

Convém dar sempre uma chance à pessoa que ataca. Convém tentar entender sempre o motivo da acusação. Pode pensar-se, por isso, que o homem inteligente aprecia a complexidade, porque quase nada está escrito com uma só cor ou desenhado sem nuances. Apregoar com voz estrondosa que “tudo é simples” magoa os temperamentos que temem que o cristalino se converta em véu da superficialidade. Assim, diante da afirmação “o cristão é alegre”, aparecerão gestos de insatisfação: não pode ser tão simples. 

E não é! O facto de o Cristianismo ter sido atacado por vários lados diferentes e opostos demonstra que a realidade cristã é difícil de envolver com um único olhar. Simples não é equivalente a simplório. Falar de simplicidade não é o mesmo que simplificar: simples é o que não se oculta, porém aquilo que não se oculta pode ser uma realidade complexa. É precisamente isso que acontece no Cristianismo. E, de forma singular, na alegria do cristão.