Tchaikovski - Casse-noisette (Nutcracker)
selecção ALS
Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
30/08/2011
TEXTOS DE SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
Repara na tua conduta com vagar. Verás que estás cheio de erros, que te prejudicam a ti e talvez também aos que te rodeiam. – Lembra-te, filho, que não são menos importantes os micróbios do que as feras. E tu cultivas esses erros, esses enganos – como se cultivam os micróbios no laboratório –, com a tua falta de humildade, com a tua falta de oração, com a tua falta de cumprimento do dever, com a tua falta de conhecimento próprio... E, depois, esses focos infectam o ambiente. Precisas de um bom exame diário de consciência, que te conduza a propósitos concretos de melhora, por sentires verdadeira dor das tuas faltas, das tuas omissões e pecados. (Sulco, 481)
A conversão é coisa de um instante; a santificação é tarefa para toda a vida. A semente divina da caridade, que Deus pôs nas nossas almas, aspira a crescer, a manifestar-se em obras, a dar frutos que correspondam em cada momento ao que é agradável ao Senhor. Por isso, é indispensável estarmos dispostos a recomeçar, a reencontrar – nas novas situações da nossa vida – a luz, o impulso da primeira conversão. E essa é a razão pela qual havemos de nos preparar com um exame profundo, pedindo ajuda ao Senhor para podermos conhecê-lo melhor e conhecer-nos melhor a nós mesmos. Não há outro caminho para nos convertermos de novo. (Cristo que passa, 58)
© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet
Tema para breve reflexão
Apesar do panorama predominantemente negativo que hoje apresentam numerosas regiões de África e das tristes experiências que não poucos países atravessam, a Igreja tem o dever de afirmar com força que é possível superar estas dificuldades. Deve fortalecer-se em todos os africanos a esperança numa verdadeira libertação. A sua confiança fundamenta-se, em última instância, na consciência da promessa divina, que nos assegura que a nossa história não está fechada em si mesma, antes está aberta ao Reino de Deus. Por isso nem o desespero nem o pessimismo podem justificar-se quando se pensa no futuro tanto de África como das outras partes do mundo.
(joão paulo II, Exortação Apostólica Ecclesia in Africa, 14.09.1995, nr. 14 trad do cast ama)
29/08/2011
TEXTOS DE SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
Exame. – Tarefa diária. – Contabilidade que nunca descura quem dirige um negócio. E há negócio que valha mais do que o negócio da vida eterna? (Caminho, 235)
Examina-te: devagar, com valentia. – Não é certo que o teu mau humor e a tua tristeza sem motivo (sem motivo, aparentemente) procedem da tua falta de decisão em cortares os laços subtis, mas "concretos", que te armou – arteiramente, com paliativos – a tua concupiscência? (Caminho, 237)
Acaba sempre o teu exame com um acto de Amor – dor de Amor – : por ti, por todos os pecados dos homens... – E considera o cuidado paternal de Deus, que afastou de ti os obstáculos para que não tropeçasses. (Caminho, 246)
Há um inimigo da vida interior, pequeno, tolo, mas muito eficaz, desgraçadamente: o pouco empenho no exame de consciência. (Forja, 109)
Não esperes pela velhice para ser santo: seria um grande erro!
Começa agora, seriamente, gozosamente, alegremente, através das tuas obrigações, do teu trabalho, da vida quotidiana...
Não esperes pela velhice para ser santo, porque, além de ser um grande erro – insisto –, não sabes se chegará para ti. (Forja, 113)
© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet
Tema para breve reflexão
Ao longo da sua existência, S. Josemaria desenvolveu uma familiaridade crescente com Nossa Senhora; gestos e palavras, jaculatórias e galanteios calados, lágrimas contidas, orações de crianças e de homem maduro com espírito de infância ante Deus, dores convertidas em gozo pelo consolo de Santa Maria.
(federico delcaux, Santa Maria nos escritos do S. Josemaria , Rei dos livros, nr. 15
Evangelho do dia e comentário
Martírio de S. João Baptista
17 Porque Herodes tinha mandado prender João, e teve-o a ferros numa prisão por causa de Herodíades, mulher de Filipe, seu irmão, com a qual tinha casado. 18 Porque João dizia a Herodes: «Não te é lícito ter a mulher de teu irmão». 19 Herodíades odiava-o e queria fazê-lo morrer; porém, não podia, 20 porque Herodes, sabendo que João era varão justo e santo, olhava-o com respeito, protegia-o e quando o ouvia ficava muito perplexo, mas escutava-o com agrado. 21 Chegou, porém, um dia oportuno, quando Herodes, no seu aniversário natalício, deu um banquete aos grandes da corte, aos tribunos e aos principais da Galileia. 22 Tendo entrado na sala a filha da mesma Herodíades, dançou e agradou a Herodes e aos seus convidados. O rei disse à jovem: «Pede-me o que quiseres e eu to darei». 23 E jurou-lhe: «Tudo o que me pedires te darei, ainda que seja metade do meu reino». 24 Ela, tendo saído, perguntou à mãe: «Que hei-de pedir?». Ela respondeu-lhe: «A cabeça de João Baptista». 25 Tornando logo a entrar apressadamente junto do rei, fez este pedido: «Quero que me dês imediatamente num prato a cabeça de João Baptista». 26 O rei entristeceu-se, mas, por causa do juramento e dos convidados, não quis desgostá-la. 27 Imediatamente mandou um guarda com ordem de trazer a cabeça de João. Ele foi degolá-lo no cárcere, 28 levou a sua cabeça num prato, deu-a à jovem, e esta deu-a à mãe. 29 Tendo sabido isto os seus discípulos, foram, tomaram o corpo e o depuseram num sepulcro.
Comentário:
A promessa de Herodes e, mais, o cumprimento da mesma, está de acordo com que deveria pensar sobre a dignidade da pessoa humana.
Como Herodes, quem não se vê senão a si próprio, quem se entrega à auto-estima, ao culto da personalidade à defesa, a todo o custo, da própria pessoa e posição, não tem, pelos outros, a menor consideração. Os limites do seu critério são os próprios de uma mentalidade egoísta e de contornos definidos pelas paixões e prazeres.
De uma pessoa assim pode esperar-se tudo, menos misericórdia, compreensão, amor.
Mas também não podem esperar que se apiede deles, os compreenda, os ame.
(ama, comentário sobre Mc 6, 17-29, 2009)
28/08/2011
O tesouro
Navegando pela minha cidade
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Ali jazia juntamente com mais dois, o Cristo que eu tanto procurara. Era uma fria e húmida manhã de nevoeiro de um Sábado na feira de velharias da Alameda das Fontainhas.
Há muito que o procurava, mas nunca pensei encontrá-lo tão destroçado. Tão despojado.
Um dos Cristos que ladeava o meu estava inteiro e o outro só não tinha um braço. Os três não tinham cruz.
Mas a isso já eu estou habituado. As cruzes estão a ser retiradas de toda a parte e por isso é natural que as tirem em primeiro lugar a quem a transformou num remédio de salvação.
O resto do cenário daquele calvário era todo um mundo de canecas velhas, chaves ferrugentas, ferraduras antigas, relógios parados, isqueiros, cinzeiros art deco, garrafas de pirolitos, pratos de faiança das caldas, molhos de canetas, uma máquina de escrever Underhood portátil, armadilhas para raposas, espadas, espingardas de ar comprimido, postais, selos, moedas, cartões, garrafas, discos de vinil, vídeos pornográficos e mil outras coisas que alguém usou um dia e que talvez alguém lhe vá dar outro uso.
Ali estava no meio do mundo e das coisas do mundo. Eu já devia saber que tinha de ser no meio do mundo e das coisas do mundo – as mais prosaicas e quotidianas – que encontraria o Cristo que tanto procurava. É que, paradoxalmente, é no meio do mundo que melhor se encontra quem disse que não era deste mundo.
Esse é a vinte e cinco, não tem cabeça. Disse a vendedora como que a desculpar-se de um valor tão baixo.
Envergonhado, ouvia dentro de mim: o Reino dos Céus é semelhante a um tesouro que, quando um homem o acha, esconde-o e, cheio de alegria pelo achado, vai e vende tudo o que tem e compra aquele campo[1]. Eu tinha encontrado o meu tesouro e negociava-o, ou melhor regateava-o.
Leve-o. Disse-me secamente a vendedora.
Nem me atrevia a tocar-lhe. Porque será que temos tanto medo de nos aproximar de Cristo?
É que era um destroço. O que os homens lhe fizeram! O que eu lhe fiz!
É que este Cristo não tinha cabeça. Tinha sido arrancada rente ao tronco com pescoço e tudo. Também não tinha braços. Tinha a perna direita cortada abaixo do joelho e não tinha o pé esquerdo. Era um autêntico destroço.
Das cinco chagas só se via uma. Só se via a que lhe foi feita pela lança que lhe perfurou o lado até ao coração e de onde jorrou sangue e água.
Como não tem braços não se lhe pode beijar as mãos: embora elas continuem a curar e a abençoar.
Também não pode ser nos pés: embora eles continuem a andar pelos caminhos insondáveis da alma humana como andou pelos da Palestina.
O pé direito foi cortado juntamente com a perna abaixo do joelho. O outro foi arrancado ao madeiro da cruz e ainda se pode ver o rasgo que lhe foi feito pelo cravo que o prendeu.
A este Cristo nem o beijo de Judas se lhe pode dar: toda a cabeça foi brutalmente arrancada. O último beijo que recebeu foi o de um traidor.
Se tivesse cara, o sítio desse beijo ainda devia queimar. E em cima desse, quantos iguais não lhe temos sobreposto?
Como um ladrão, sepultei no bolso do sobretudo aquele Cristo amortalhado em notícias de um jornal velho.
Antes de regressar a casa com o meu tesouro, ainda dei mais umas voltas por aquela feira onde em bancas desmontáveis ou simples panos estendidos no chão tudo se vende e tudo se compra, agarrando dentro do bolso um Cristo que –
como há dois mil anos - por muito pouco foi comprado.
Afonso Cabral
Música e oração
CCB Hino Bendizei ao Altíssimo do Hinário edição
05 Tocado ao Orgão de Tubo
selecção ALS
TEXTOS DE SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
Não é espírito de penitência fazer uns dias grandes mortificações e abandoná-las noutros. Espírito de penitência significa saber vencer-se todos os dias, oferecendo coisas – grandes e pequenas – por amor e sem espectáculo. (Forja, 784)
Mas ronda à nossa volta um potente inimigo, que se opõe ao nosso desejo de encarnar dum modo acabado a doutrina de Cristo: o orgulho que cresce quando não procuramos descobrir, depois dos fracassos e das derrotas, a mão benfeitora e misericordiosa do Senhor. Então a alma enche-se de penumbra – de triste obscuridade – crendo-se perdida. E a imaginação inventa obstáculos que não são reais, que desapareceriam se os encarássemos com um pouco de humildade. Com o orgulho e a imaginação, a alma mete-se por vezes em tortuosos calvários; mas nesses calvários não está Cristo, porque onde está o Senhor goza-se de paz e de alegria, mesmo que a alma esteja em carne viva e rodeada de trevas.
Outro inimigo hipócrita da nossa santificação: pensar que esta batalha interior tem de dirigir-se contra obstáculos extraordinários, contra dragões que respiram fogo. É outra manifestação de orgulho. Queremos lutar, mas estrondosamente, com clamores de trombetas e tremular de estandartes.
Temos de nos convencer de que o maior inimigo da pedra não é o picão ou o machado, nem o golpe de qualquer outro instrumento, por mais contundente que seja: é essa água miúda, que se mete, gota a gota, entre as gretas da fraga, até arruinar a sua estrutura. (Cristo que passa, 77)
© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet
Tema para breve reflexão
Ao longo da pregação de Jesus, Maria recolheu as palavras com que seu Filho, situando o Reino para além das considerações da carne e do sangue, proclamou bem-aventurados os que escutavam e guardavam a Palavra de Deus, como ela própria o fazia com fidelidade (cfr. Lc 2, 19; 51).
(Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática Lumen gentium, 58)
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