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03/08/2011

TEXTOS DE SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ

“O mundo, lugar de encontro com Deus”

Necessitas de formação, porque tens de ter um profundo sentido de responsabilidade, que promova e anime a actuação dos católicos na vida pública, com o respeito devido à liberdade de cada um, e recordando a todos que têm de ser coerentes com a sua fé. (Forja, 712)

Um homem sabedor de que o mundo – e não só o templo – é o lugar do seu encontro com Cristo, ama esse mundo, procura adquirir uma boa preparação intelectual e profissional, vai formando – com plena liberdade – os seus próprios critérios sobre os problemas do meio em que vive; e toma, como consequência, as suas próprias decisões que, por serem decisões de um cristão, procedem também de uma reflexão pessoal que tenta humildemente captar a vontade de Deus nesses aspectos, pequenos e grandes, da vida.
Mas esse cristão não se lembra nunca de pensar ou de dizer que desce do templo ao mundo para representar a Igreja, e que as suas soluções são as soluções católicas daqueles problemas. Isso não pode ser, meus filhos! Isso seria clericalismo, catolicismo oficial, ou como quiserdes chamar-lhe. De qualquer modo, seria violentar a natureza das coisas. Tendes de difundir por toda a parte uma verdadeira mentalidade laical, que há-de levar os cristãos a três consequências: a serem suficientemente honrados para arcarem com a sua responsabilidade pessoal; a serem suficientemente cristãos para respeitarem os seus irmãos na fé que proponham – em matérias discutíveis – soluções diversas das suas; e a serem suficientemente católicos para não se servirem da Igreja, nossa Mãe, misturando-a com partidarismos humanos. (...).
Interpretai, portanto, as minhas palavras como o que são: um chamamento a exercerdes – diariamente!, não apenas em situações de emergência – os vossos direitos; e a cumprirdes nobremente as vossas obrigações como cidadãos – na vida política, na vida económica, na vida universitária, na vida profissional –, assumindo com coragem todas as consequências das vossas decisões, arcando com a independência pessoal que vos corresponde. E essa mentalidade laical cristã permitir-vos-á fugir de toda a intolerância, de todo o fanatismo. Di-lo-ei de um modo positivo: far-vos-á conviver em paz com todos os vossos concidadãos e fomentar também a convivência nos diversos sectores da vida social. (Temas Actuais do Cristianismo, 117–118).

© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet

11/07/2011

Centenário da morte de Francisco José de Sousa Gomes (1860-1911)

Observando
Nascido em Braga, a 18 de Dezembro de 1860, Francisco Sousa Gomes chegou a Coimbra, em 1877, onde se matricula nas Faculdades de Matemática e de Filosofia. Depois de feito o doutoramento em Filosofia (1882) é eleito sócio da Academia Real de Ciências (1886) e presidente da Confraria da Rainha Santa (1893). A sua fama ultrapassa fronteiras e, em 1895, é eleito sócio da Sociedade Química de Paris.

«O catolicismo sabe bem que o homem não vive só de pão, mas sabe igualmente que lhe é indispensável o pão. Para ele o problema social não é um simples problema moral, como alguns espiritualistas utópicos pensam; nem uma questão meramente económica, como julgam os socialistas. Ele sabe que a igualdade absoluta é irrealizável neste mundo; mas sabe também que se pode alcançar uma igualdade relativa, que se podem atenuar as desigualdades actuais e nisso trabalha com todas as forças».[i]

«É preciso ser-se católico, mas é preciso sê-lo a valer. Ser católico só para ir à igreja sem consulta prévia quando nos levam ao baptismo e aos responsos da sepultura; para ir à igreja por um mero ato de condescendência social quando nos vamos casar, por cumprimento de deveres de civilidade quando se canta um «Te Deum» oficial ou se enterra algum amigo nosso; por curiosidade de bom-tom quando vamos à missa da moda ou a alguma festa que meta boa música e sermão com muitas flores de retórica – não basta! Esse é catolicismo à flor da pele que não serve para nada, e que até me é menos simpático do que a irreligiosidade declarada mas cortês».[ii]

Ecclesia


[i] (Conferência no Círculo Católico Operário de Viseu sobre «A Questão Social»)
[ii] (Conferência no Círculo Católico Operário do Porto, em Julho de 1907)

02/04/2011

Católicos complexados 4

Observando

continuação

Se voltarmos às considerações iniciais, compreenderemos que não faz sentido viver um catolicismo complexado; em todo caso, temos de moderar o bom complexo de superioridade nascido do que realmente somos, mas não por nos sentirmos mais que ninguém, mas por experimentar com simplicidade a força de saber-se e ser filho do Pai nosso que está nos céus, pela identificação com Cristo operada por o Espírito Santo, coisa que não sucede de nenhum modo mágico: adquire-se por o baptismo, reforça-se na confirmação, se refaz-se na confissão sacramental, alimenta-se com a Eucaristia, vive-se com as luzes e o impulso da oração, e requer luta, empenho constante para vivê-lo em todo o momento. "Há que ser conscientes dessa raiz divina, que está enxertada na nossa vida, e actuar em consequência" (Cristo que passa, n. 60).

pablo cabellos llorente, in Consome.com, trad ama

01/04/2011

Católicos complexados 3

Observando

continuação

Voltemos à pergunta: o que é ser cristão? E a primeira coisa que permanece clara é que não somos seguidores duma palavra morta, mas sim discípulos do Deus vivo, que por obra do Espírito Santo são identificados com esse Verbo encarnado, com Cristo, para ser e actuar como filhos de Deus. Escreve São Paulo aos romanos: "os que são guiados pelo Espírito de Deus, estes são filhos de Deus". E um pouco mais à frente acrescenta que a criação espera ansiosa a manifestação dos filhos de Deus. Tal pode não se entender ou não se acreditar por carecer do dom da fé, mas um cristão é outro Cristo - um filho de Deus em Cristo pela força do Espírito - que toda a criação espera com dores de parto - diz graficamente o Apóstolo - até ver Cristo formado e actuando em cada um, para que, sem complexos, viva com a maior honradez possível o que em verdade é, algo não realizável sem a graça de Deus e sem a liberdade humana. Com esta forte razão teológica, afirmou o fundador do Opus Dei: "o que não se sabe filho de Deus, desconhece a sua verdade más íntima". Aí radica a identidade cristã e daí deriva o nosso comportamento apropriado. O mesmo São Josemaria indicava numa entrevista - recolhida em "Conversaciones con Monseñor Escrivá de Balaguer" - que essa verdade de ser filho de Deus em Cristo há-de de penetrar a vida inteira, há-de dar sentido ao trabalho, ao descanso, à amizade, à diversão, a tudo. "Não podemos ser filhos de Deus só por momentos, ainda que haja uns momentos dedicados a considerá-lo, a penetrar-nos desse sentido da nossa filiação divina, que é a medula da piedade". Conhecer a verdade não tira a liberdade, dá-a. A liberdade perde-se na ignorância.
Cont/
pablo cabellos llorente, in ConoZe.com, trad ama

31/03/2011

Católicos complexados 2

Observando

continuação

É impossível abarcar o que nos complexa; o escrito anteriormente são umas pinceladas do que poderíamos chamar o sequestro de Deus inclusive nas mentes e vidas cristãs. Somos prisioneiros de uns tópicos bem manejados e com algum fundamento em comportamentos inadequados para um seguidor de Cristo, mas que em modo algum invalidam a sua doutrina nem modo de ser. Poderíamos perguntar-nos o que é ser católico e como se deve mostrar; ir à procura da nossa quinta-essência e não lhe tirar nem um cabelo por más débeis que sejamos. Frágeis, sim, mas sabendo o que somos e o que temos de viver, ainda que tenhamos de rectificar em muitas ocasiões.
Como é sabido, as fontes do revelado por Deus ao homem - aí se contém o que somos - são a Sagrada Escritura e a Tradição custodiadas pelo Magistério da Igreja. O que Deus manifestou de Si mesmo, do homem e do seu destino está nesses dois mananciais, com o natural cuidado da Providência para evitar interpretações em parte ou simplesmente erradas. Isso é o Magistério da Igreja: a custódia e interpretação do depósito da fé, como o chama muito adequadamente São Paulo. O cristianismo não é uma "religião do livro", mas a religião da Palavra de Deus, "não de um verbo escrito e mudo, mas do Verbo encarnado e vivo", como afirmou São Bernardo.
Cont/
pablo cabellos llorente, in ConoZe.com, trad ama

30/03/2011

Católicos complexados

Observando

Peço desculpa em epigrafar de forma negativa. É apenas um intento de chamar a atenção do leitor. É negativo, mas existe hoje em dia um catolicismo envergonhado, pouco valente, eivado de relativismo, deslumbrado pela ciência experimental que por vezes apenas a base de uma teoria não demonstrada; duvidoso de se trata de viver algo bom mas aborrecidíssimo; e acantonado por um laicismo ambicioso e velho, ainda que exposto como dogma imprescindível para a convivência democrática. Alguns conseguiram que em bastantes ambientes não se mencione a Deus nem para se despedir, nem se fale das perguntas fundamentais acerca do homem - donde vim, para onde vou, o mais além, a morte, o sentido da vida -; muitos convenceram-se com o pensamento de que o cristão não deve impor as suas ideias - coisa acertada -, mas aceitam como obrigatórias as anticristãs, que acabamos vendo como o moderno. Desejam ser razoáveis, mas escondem a Deus ou pretendem-no como um lugar nas suas mentes e actuando como eles decidam. Citam-nos Galileu e calam-nos.

Cont/
pablo cabellos llorente, in ConoZe.com, trad ama