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04/07/2011

Grandeza de ânimo

Para lá do Túnel
O meu terceiro exemplo era alguém agora desdenhado de modo impróprio por gregos e troianos. Não entro nas possíveis e até necessárias divergências mas, em questão de horas,   começaram a cavar a sua tumba, com graves impropérios, proferidos por muitos dos que esculpiram o seu monumento verbal. Cabe a desconformidade, mas não deveria confundir-se com o insulto expelido a partir da pequenez da alma. 

Além disso, muitas vezes denegrece-se de modo interessado.
Dizem que a inveja é um defeito nacional. Creio pouco nos defeitos colectivos. Inveja é alegrar-se com o mal alheio ou entristecer-se pelo seu bem, parente dessa acedia do coração pequenino. Li numa rede social que devemos perdoar a todos, excepto a homossexuais e hereges. 
Pelo menos, surpreendente. E, sobretudo, triste, muito triste.

pablo cabellos llorente, trad ama



[i] Doutor em Direito Canónico e Ciências da Educação

03/07/2011

Grandeza de ânimo

Para lá do Túnel
O assunto não acabou. 

Até para um não crente, Jesus pode ser um homem fascinante, mas falta misericórdia com quem a exercita do modo mais admirável: fazendo-a própria, absorvendo no seu coração a miséria alheia para limpá-la numa cruz. Pode argumentar-se que muitos cristãos não se comportam adequadamente, mas falta coração no que respeita ao próprio Cristo.
Existem outros homens possivelmente amados por milhões de pessoas, mas não faltam os que aproveitam qualquer oportunidade para os julgar com um coração seco. Confunde-se a possível discrepância com a desnecessária pequenez do coração, feita caricatura, troça ou desdém. 

Sobretudo quando goza do oportunismo da moda ou do politicamente correcto.

pablo cabellos llorente [i],trad ama


 

[i] Doutor em Direito Canónico e Ciências da Educação

02/07/2011

Grandeza de ânimo

Para lá do Túnel
Inicialmente, pensei não trazer aqui três nomes muito díspares, algo afastado do meu modo de pensar, ainda que actuais por motivos diversos. Logo, só deixei um, Cristo, para evitar possíveis más interpretações e porque é Semana Santa. Cristo é sempre actual para o que o crê Filho de Deus feito homem, morto e ressuscitado por nós. A epístola aos Hebreus afirma que é o mesmo ontem, hoje e sempre.

Nada que igualar nem comparar nos três homens – dos quais um também é Deus – e que julguei tão diferentes, salvo não serem pessoas e pela sua relação passiva com a virtude da magnanimidade no trato recebido, ou antes o seu contrario: a mesquinhez por juízos sem misericórdia e rancorosos. Os notáveis omitidos estavam tomados de dois mundos diferentes, mas tristemente unidos por essa realidade dos censurados desde a discrepância irritada. O leitor pode procurar nomes e comprovará que tal atitude respeita a muitos.
Cristo foi maltratado na vida, na morte ignominiosa que sofreu, e continua a sê-lo nos seus seguidores. Quando Paulo caminha para Damasco para prender os cristãos, e é derrubado por uma força estranha, escuta esta voz: Saulo, Saulo, por que me persegues? Ao perguntar quem fala, Jesus responde identificando-se com os seus:

Eu sou Jesus a quem tu persegues

pablo cabellos llorente [i], trad ama

2011.07.02


[i] Doutor em Direito Canónico e Ciências da Educação

01/07/2011

Grandeza de ânimo

Para lá do Túnel
Os clássicos definem a magnanimidade como tensão do ânimo para com as grandes coisas. É magnânimo o homem de coração amplo, enraizado nas possibilidades da natureza humana e, para o crente, na força de Deus. Indubitavelmente, essas coisas grandes não são tanto gigantes materiais como atitudes interiores que se traduzem, por exemplo, na compreensão, misericórdia, perdão, esperança, generosidade. Ao invés, a disposição contrária – a acedia – é como uma humildade pervertida que encolhe o coração; é a renúncia mal-humorada do que não se atreve com essas atitudes do bom coração pelas exigências que comporta.

pablo cabellos llorente [i], trad ama



[i] Doutor em Direito Canónico e Ciências da Educação

02/04/2011

Católicos complexados 4

Observando

continuação

Se voltarmos às considerações iniciais, compreenderemos que não faz sentido viver um catolicismo complexado; em todo caso, temos de moderar o bom complexo de superioridade nascido do que realmente somos, mas não por nos sentirmos mais que ninguém, mas por experimentar com simplicidade a força de saber-se e ser filho do Pai nosso que está nos céus, pela identificação com Cristo operada por o Espírito Santo, coisa que não sucede de nenhum modo mágico: adquire-se por o baptismo, reforça-se na confirmação, se refaz-se na confissão sacramental, alimenta-se com a Eucaristia, vive-se com as luzes e o impulso da oração, e requer luta, empenho constante para vivê-lo em todo o momento. "Há que ser conscientes dessa raiz divina, que está enxertada na nossa vida, e actuar em consequência" (Cristo que passa, n. 60).

pablo cabellos llorente, in Consome.com, trad ama

01/04/2011

Católicos complexados 3

Observando

continuação

Voltemos à pergunta: o que é ser cristão? E a primeira coisa que permanece clara é que não somos seguidores duma palavra morta, mas sim discípulos do Deus vivo, que por obra do Espírito Santo são identificados com esse Verbo encarnado, com Cristo, para ser e actuar como filhos de Deus. Escreve São Paulo aos romanos: "os que são guiados pelo Espírito de Deus, estes são filhos de Deus". E um pouco mais à frente acrescenta que a criação espera ansiosa a manifestação dos filhos de Deus. Tal pode não se entender ou não se acreditar por carecer do dom da fé, mas um cristão é outro Cristo - um filho de Deus em Cristo pela força do Espírito - que toda a criação espera com dores de parto - diz graficamente o Apóstolo - até ver Cristo formado e actuando em cada um, para que, sem complexos, viva com a maior honradez possível o que em verdade é, algo não realizável sem a graça de Deus e sem a liberdade humana. Com esta forte razão teológica, afirmou o fundador do Opus Dei: "o que não se sabe filho de Deus, desconhece a sua verdade más íntima". Aí radica a identidade cristã e daí deriva o nosso comportamento apropriado. O mesmo São Josemaria indicava numa entrevista - recolhida em "Conversaciones con Monseñor Escrivá de Balaguer" - que essa verdade de ser filho de Deus em Cristo há-de de penetrar a vida inteira, há-de dar sentido ao trabalho, ao descanso, à amizade, à diversão, a tudo. "Não podemos ser filhos de Deus só por momentos, ainda que haja uns momentos dedicados a considerá-lo, a penetrar-nos desse sentido da nossa filiação divina, que é a medula da piedade". Conhecer a verdade não tira a liberdade, dá-a. A liberdade perde-se na ignorância.
Cont/
pablo cabellos llorente, in ConoZe.com, trad ama

31/03/2011

Católicos complexados 2

Observando

continuação

É impossível abarcar o que nos complexa; o escrito anteriormente são umas pinceladas do que poderíamos chamar o sequestro de Deus inclusive nas mentes e vidas cristãs. Somos prisioneiros de uns tópicos bem manejados e com algum fundamento em comportamentos inadequados para um seguidor de Cristo, mas que em modo algum invalidam a sua doutrina nem modo de ser. Poderíamos perguntar-nos o que é ser católico e como se deve mostrar; ir à procura da nossa quinta-essência e não lhe tirar nem um cabelo por más débeis que sejamos. Frágeis, sim, mas sabendo o que somos e o que temos de viver, ainda que tenhamos de rectificar em muitas ocasiões.
Como é sabido, as fontes do revelado por Deus ao homem - aí se contém o que somos - são a Sagrada Escritura e a Tradição custodiadas pelo Magistério da Igreja. O que Deus manifestou de Si mesmo, do homem e do seu destino está nesses dois mananciais, com o natural cuidado da Providência para evitar interpretações em parte ou simplesmente erradas. Isso é o Magistério da Igreja: a custódia e interpretação do depósito da fé, como o chama muito adequadamente São Paulo. O cristianismo não é uma "religião do livro", mas a religião da Palavra de Deus, "não de um verbo escrito e mudo, mas do Verbo encarnado e vivo", como afirmou São Bernardo.
Cont/
pablo cabellos llorente, in ConoZe.com, trad ama

30/03/2011

Católicos complexados

Observando

Peço desculpa em epigrafar de forma negativa. É apenas um intento de chamar a atenção do leitor. É negativo, mas existe hoje em dia um catolicismo envergonhado, pouco valente, eivado de relativismo, deslumbrado pela ciência experimental que por vezes apenas a base de uma teoria não demonstrada; duvidoso de se trata de viver algo bom mas aborrecidíssimo; e acantonado por um laicismo ambicioso e velho, ainda que exposto como dogma imprescindível para a convivência democrática. Alguns conseguiram que em bastantes ambientes não se mencione a Deus nem para se despedir, nem se fale das perguntas fundamentais acerca do homem - donde vim, para onde vou, o mais além, a morte, o sentido da vida -; muitos convenceram-se com o pensamento de que o cristão não deve impor as suas ideias - coisa acertada -, mas aceitam como obrigatórias as anticristãs, que acabamos vendo como o moderno. Desejam ser razoáveis, mas escondem a Deus ou pretendem-no como um lugar nas suas mentes e actuando como eles decidam. Citam-nos Galileu e calam-nos.

Cont/
pablo cabellos llorente, in ConoZe.com, trad ama