28/03/2021

São Josemaria – Textos

 


Eu confio em Ti, sei que és meu Pai

Jesus ora no horto: Pater mi (Mt XXVI, 39), Abba, Pater (Mc XIV, 36)! Deus é meu Pai, ainda que me envie sofrimento. Ama-me com ternura, mesmo quando me bate. Jesus sofre, para cumprir a Vontade do Pai... E eu, que também quero cumprir a Santíssima Vontade de Deus, seguindo os passos do Mestre, poderei queixar-me, se encontro por companheiro de caminho o sofrimento? Constituirá um sinal certo da minha filiação, porque me trata como ao Seu Divino Filho. E, então, como Ele, poderei gemer e chorar sozinho no meu Getsemani; mas, prostrado por terra, reconhecendo O meu nada, subirá ao Senhor um grito saído do íntimo da minha alma: Pater mi, Abba, Pater, ... fiat! (Via Sacra, 1ª Estação, n. 1)

Por motivos que não vem a propósito referir – mas que são bem conhecidos de Jesus, que aqui temos a presidir no Sacrário – a vida tem-me levado a sentir-me de um modo muito especial filho de Deus. Tenho saboreado a alegria de me meter no coração de meu Pai, para rectificar, para me purificar, para o servir, para compreender e desculpar a todos, tendo como base o seu amor e a minha humilhação. Por isso, desejo agora insistir na necessidade de nos renovarmos, vós e eu, de despertarmos do sono da tibieza que tão facilmente nos amodorra e de voltarmos a entender, de maneira mais profunda e ao mesmo tempo mais imediata, a nossa condição de filhos de Deus. (Amigos de Deus, 143)

Leitura Espiritual Mar 28

 


Novo Testamento

 

Evangelho

 

Lc XIII, 31-35; Lc XIV, 1-14

 

Jesus e Herodes

31 Naquela altura aproximaram-se dele alguns fariseus, que lhe disseram: «Vai-te embora, sai daqui, porque Herodes quer matar-te.» 32 Respondeu-lhes: «Ide dizer a essa raposa: Agora estou a expulsar demónios e a realizar curas, hoje e amanhã; ao terceiro dia, atinjo o meu termo. 33 Mas hoje, amanhã e depois devo seguir o meu caminho, porque não se admite que um profeta morra fora de Jerusalém.»

 

Censuras a Jerusalém

34 «Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas aqueles que te são enviados! Quantas vezes Eu quis juntar os teus filhos, como a galinha junta a sua ninhada debaixo das asas, e não quiseste! 35 Agora, ficará deserta a vossa casa. Eu vo-lo digo: Não me vereis até chegar o dia em que digais: Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor!»

 

Cura de um hidrópico

XIV 1 Tendo entrado, a um sábado, em casa de um dos principais fariseus para comer uma refeição, todos o observavam. 2 Achava-se ali, diante dele, um hidrópico. 3 Jesus, dirigindo a palavra aos doutores da Lei e fariseus, disse-lhes: «É permitido ou não curar ao sábado?» 4 Mas eles ficaram calados. Tomando-o, então, pela mão, curou-o e mandou-o embora. 5 Depois, disse-lhes: «Qual de vós, se o seu filho ou o seu boi cair a um poço, 6 não o irá logo retirar em dia de sábado?» E a isto não puderam replicar.

 

O último lugar

7 Observando como os convidados escolhiam os primeiros lugares, disse-lhes esta parábola: 8 «Quando fores convidado para um banquete, não ocupes o primeiro lugar; não suceda que tenha sido convidado alguém mais digno do que tu, 9 venha o que vos convidou, a ti e ao outro, e te diga: ‘Cede o teu lugar a este.’ Ficarias envergonhado e passarias a ocupar o último lugar. 10 Mas, quando fores convidado, senta-te no último lugar; e assim, quando vier o que te convidou, há-de dizer-te: ‘Amigo, vem mais para cima.’ Então, isto será uma honra para ti, aos olhos de todos os que estiverem contigo à mesa. 11 Porque todo aquele que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado.»

 

Caridade

12 Disse, depois, a quem o tinha convidado: «Quando deres um almoço ou um jantar, não convides os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem os teus vizinhos ricos; não vão eles também convidar-te, por sua vez, e assim retribuir-te. 13 Quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos. 14 E serás feliz por eles não terem com que te retribuir; ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos.»

 

Texto


MENSAGEM DE SUA SANTIDADE

JOÃO PAULO II

PARA A QUARESMA DE 1994

 

Amados Irmãos e Irmãs em Cristo

 

1. A Quaresma é o tempo favorável, concedido pelo Senhor, para renovar a nossa caminhada de conversão e fortificar em nós a fé, a esperança e a caridade, para entrar na Aliança querida por Deus e para conhecer um tempo de graça e reconciliação.

 

«A família está ao serviço da caridade, a caridade está ao serviço da família». Com um tal tema, escolhido para este ano, quereria convidar todos os cristãos a transformarem a sua existência e a modificarem os seus comportamentos, para serem fermento que faz crescer no seio da família humana a caridade e a solidariedade, valores essenciais da vida social e da vida cristã.

 

2. Em primeiro lugar, que as famílias tomem consciência da sua missão na Igreja e no mundo! E na oração pessoal e comunitária que recebem o Espírito Santo que, nelas e por elas, vem fazer novas todas as coisas e que abre o coração dos fiéis â dimensão universal. Saciando-se na fonte do amor, cada um tornar-se-á capaz de transmitir este amor na sua vida e nas suas obras. A oração une-nos em Cristo, fazendo assim todos os homens irmãos.

 

A família é o lugar primeiro e privilegiado da educação e do exercício da vida fraterna, da caridade e da solidariedade, em suas múltiplas formas. No relacionamento familiar, aprende-se a atenção, o acolhimento e o respeito do outro, que sempre deve poder encontrar o lugar que lhe pertence. Depois, a vida em comum é um convite à partilha, que permite sair do próprio egoísmo. Aprendendo a partilhar e a dar, descobre-se a alegria imensa que nos traz a comunhão dos bens. Com delicadeza, os pais procurarão despertar nos filhos, pelo seu exemplo e o seu ensino, o sentido da solidariedade. Desde a infância, cada um é chamado também a fazer a experiência da abstinência e do jejum, a fim de forjar o seu carácter e dominar os seus instintos, em especial o da posse exclusiva para si mesmo. Aquilo que se aprende na vida familiar permanece ao longo de toda a existência.

 

3. Nestes tempos particularmente difíceis que o nosso mundo atravessa, oxalá as famílias, a exemplo de Maria que se apressou a ir visitar sua prima Isabel, se tornem próximas dos seus irmãos em necessidade e os tenham presentes na sua oração! Como o Senhor, que toma os homens ao seu cuidado, devemos poder dizer: «Voltei os Meus olhos para o meu povo, e o seu clamor chegou até Mim» (1 Sam 9,16); deste modo, não poderemos permanecer surdos aos seus apelos. Porque a pobreza de um número sempre crescente de irmãos nossos aniquila-lhes a sua dignidade de pessoas e desfigura a humanidade inteira; constitui uma injúria clamorosa ao dever de solidariedade e de justiça.

 

4. Hoje, a nossa atenção deve concentrar-se especialmente sobre os sofrimentos e as pobrezas familiares. Com efeito, um grande número de famílias atingiram o limiar da pobreza, não possuindo sequer o mínimo necessário para se alimentar e nutrir os seus filhos, para permitir a estes últimos terem um crescimento físico e psíquico normal e seguirem uma escolaridade regular e válida. Algumas não têm os meios para se alojarem decentemente. O desemprego alastra cada vez mais, aumentando em proporções consideráveis o empobrecimento de faixas inteiras da população. Mulheres há que se vêem obrigadas a prover sozinhas às necessidades dos seus filhos e a educá-los, o que leva muitas vezes os jovens a divagarem pelas ruas, refugiando-se na droga, no abuso do álcool ou na violência. Constata-se actualmente um crescimento dos casais e das famílias a braços com provações psicológicas e de relacionamento. As dificuldades sociais contribuem às vezes para a desintegração do núcleo familiar. Com muita frequência, o filho nascituro não é aceite. Em alguns países, os menores são submetidos a condições desumanas ou vergonhosamente explorados. As pessoas de idade e as diminuídas, porque economicamente não rentáveis, são deixadas numa extrema solidão e sentem-se inúteis. Por pertencerem a outras raças, culturas, religiões, famílias vêem-se rejeitadas na terra onde se tinham estabelecido.

 

5. Face a tais flagelos, que atingem o conjunto do planeta, não podemos calar nem permanecer inactivos, pois ferem a família, célula básica da sociedade e da Igreja. Somos chamados a domina-los. Os cristãos e os homens de boa vontade têm o dever de apoiar as famílias em dificuldade, dando-lhes os meios espirituais e materiais para sair das situações frequentemente trágicas que acabamos de evocar.

 

Neste tempo da Quaresma, portanto, convido antes de mais à partilha com as famílias mais pobres, para que possam desempenhar, particularmente com os filhos, as responsabilidades que lhes competem. Ninguém pode ser rejeitado em nome da sua diferença, da sua debilidade ou da sua pobreza. Pelo contrário, as diversidades são riquezas para a construção comum. É a Cristo, que nos damos sempre que nos dedicamos aos pobres, porque eles «revestiram o rosto do nosso Salvador» e «são os preferidos de Deus» (S. Gregório de Nissa, O amor dos pobres). A fé exige a partilha com os semelhantes. A solidariedade material é uma expressão essencial e primária da caridade fraterna: é ela que dá a cada um os meios para subsistir e organizar a sua vida.

 

A terra e as suas riquezas pertencem a todos. «A fecundidade de toda a terra deve tornar-se fertilidade para todos» (S. Ambrósio de Milão, De Nabuthe VII, 33). Nas horas dolorosas que vivemos, não basta, sem dúvida, tomar do supérfluo, mas sim transformar os comportamentos e os modos de consumo, a fim de cortar do próprio necessário e de olhar apenas ao essencial, para que todos possam viver com dignidade. Façamos jejuar os nossos desejos por vezes imoderados no possuir, a fim de oferecer ao nosso próximo o que radicalmente lhe falta. O jejum dos ricos deve tornar-se o alimento dos pobres (cf. S. Leão Magno, Homilia 20 sobre o jejum).

 

6. De modo particular, chamo a atenção das comunidades diocesanas e paroquiais para a necessidade de encontrar meios práticos para ir em socorro das famílias carenciadas. Sei que numerosos sínodos diocesanos tomaram já providências nesse sentido. Também a pastoral familiar deve poder jogar um papel de primeiro plano. Além disso, os cristãos, nos organismos civis em que participam, apelarão insistentemente a este cuidado e a este dever imperioso de ajudar as famílias mais débeis. Dirijo-me ainda aos governantes das nações para que encontrem, à escala do seu país e do conjunto planetário, os meios para fazer cessar a espiral de pobreza e endividamento das famílias. A Igreja deseja que, nas políticas económicas, os dirigentes e os chefes de empresa tomem consciência das mudanças a operar e das suas obrigações, para que as famílias não dependam unicamente das ajudas que lhes são concedidas, mas que o trabalho dos seus membros lhes possa fornecer os meios de subsistência.

 

7. A comunidade cristã acolhe com alegria a iniciativa das Nações Unidas de fazer de 1994 um Ano Internacional da Família, e por todo o lado onde lhe é possível, de bom grado ela dá o seu contributo especifico.

 

Hoje não fechemos o nosso coração, mas escutemos a voz do Senhor e a dos nossos irmãos, os homens!

 

Possam as acções de caridade realizadas no decurso desta Quaresma, pelas famílias e para as famílias, proporcionarem a cada um a alegria profunda e abrirem os corações a Cristo ressuscitado, «o Primogénito de muitos irmãos» (Rm 8,29)! A todos aqueles que responderão a este apelo do Senhor, concedo de bom grado a minha Bênção Apostólica.

 

Vaticano, 3 de Setembro de 1993.

 

IOANNES PAULUS PP. II

 

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Sacramentos

 


3. Sacramentos da fé e da salvação

 

Cristo enviou os Apóstolos para que, «em seu nome, pregassem a todas as nações a conversão para o perdão dos pecados» (Lc 24, 47). «Fazei discípulos de todas as nações, batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28, 19). A missão de batizar, portanto a missão sacramental, está implicada na missão de evangelizar; porque o sacramento é preparado pela Palavra de Deus e pela fé, que é assentimento a esta Palavra.

Os sacramentos estão ordenados à santificação dos homens, à edificação do corpo de Cristo e, por fim, a prestar culto a Deus; como sinais, têm também a função de instruir. Não só supõem a fé, mas também a alimentam, fortificam e exprimem por meio de palavras e coisas, razão pela qual se chamam “sacramentos da fé”.

A fé da Igreja é anterior à fé do fiel, que é chamado a aderir a ela. Quando a Igreja celebra os sacramentos, confessa a fé recebida dos Apóstolos. Celebrados dignamente na fé, os sacramentos conferem a graça que significam. Eles são eficazes, porque neles é o próprio Cristo que opera: é Ele que batiza, é Ele que age nos sacramentos para comunicar a graça que o sacramento significa.

Os sacramentos actuam ex opere operato (segundo o Concílio de Trento: “pelo próprio facto de a ação ser executada”), quer dizer, em virtude da obra salvífica de Cristo, realizada uma vez por todas. Segue-se daí que “o sacramento não é realizado pela justiça do homem que o dá ou que o recebe, mas pelo poder de Deus”.[1] Por conseguinte, desde que um sacramento seja celebrado conforme a intenção da Igreja, o poder de Cristo e do Seu Espírito age nele e por ele, independentemente da santidade pessoal do ministro. No entanto, os frutos dos sacramentos dependem também das disposições de quem os recebe.

A Igreja afirma que, para os crentes, os sacramentos da Nova Aliança são necessários para a salvação. A «graça sacramental» é a graça do Espírito Santo dada por Cristo e própria de cada sacramento. O Espírito cura e transforma aqueles que O recebem, conformando-os com o Filho de Deus. O fruto da vida sacramental é que o Espírito de adoção deifique os fiéis, unindo-os vitalmente ao Filho único, o Salvador.

O fruto da vida sacramental é, ao mesmo tempo, pessoal e eclesial. Por um lado, este fruto é, para todo o fiel, viver para Deus em Cristo Jesus; por outro, é para a Igreja crescimento na caridade e na sua missão de testemunho.[2]



[1] São Tomás de Aquino, S. Th., 3, q. 68, a. 8, c.

[2] Cfr. Catecismo da Igreja Católica nn. 1122-1134

Reflexão na Quaresma

 


Quinto Domingo da Quaresma

Domingo de Ramos


Impressiona pensar que, talvez, muitos desta multidão que aclama Jesus na Sua entrada em Jerusalém serão os mesmos que, horas depois, hão-de vociferar «Crucifica-o».

Como é volúvel o ser humano sobretudo, quando abdica da vontade própria para por medo, conveniência, o que seja, se deixar conduzir por outros não lhe importando perceber o que está na raíz, qual o verdadeiro objectivo do que lhe sugerem que faça.

Os que se servem destas pobres pessoas têm de facto um objectivo: quantas mais pessoas se juntarem numa "reclamação" do que for, melhor porque será uma forma de pressionar quem tem de decidir. Será como pretender que uma mentira for repetida exaustivamente passe a ser uma verdade.

Só morrendo é que a semente dá origem a uma vida nova, revelando assim a sua maravilhosa fecundidade.

Agora aclamam Jesus invadidos por um ímpeto interior genuíno concluindo d por querem a Sua glorificaçã, coroá-Lo Rei. 

Depois, a morte que pedem aos gritos é uma cedência à pressão dos chefes do povo. Não é genuíno mas cobarde.


Mas, o que ignoram é que para Jesus a morte é semente de uma vida maravilhosamente nova e fecunda. Graças à Sua morte redentora, os benefícios da salvação são, com efeito, comunicados a todos os homens, judeus ou pagãos. A Sua morte é a conclusão da Sua missão é, por isso, a hora da Sua glorificação.

Aceitando voluntariamente a morte, em filial e amorosa obediência ao Pai e aos Seus planos de salvação, Jesus «deu-nos a vida imortal».

Doutrina

 

A oração

 

2. Conteúdos da oração

 

Adoração e louvor.

 

É parte essencial da oração reconhecer e proclamar a grandeza de Deus, a plenitude do seu ser, a infinidade da sua bondade e do seu amor. Pode chegar-se ao louvor a partir da consideração da beleza e magnitude do universo, como acontece em múltiplos textos bíblicos (cf. por exemplo, Sl 19; Si 42, 15-25; Dn 3, 32-90) e em numerosas orações da tradição cristã [1]; ou a partir das obras grandes e maravilhosas que Deus faz na história da salvação, como sucede no Magnificat (Lc 1, 46-55), ou nos grandes hinos paulinos (ver, por exemplo, Ef 1, 3-14); ou de pequenos factos e inclusive de minudências em que se manifesta o amor de Deus.

Em todo o caso, o que caracteriza o louvor é que nele o olhar vai directamente para o próprio Deus, tal como é em si, na sua perfeição ilimitada e infinita. “O louvor é a forma de oração que mais imediatamente reconhece que Deus é Deus! Canta-O por Si próprio, glorifica-O, não tanto pelo que Ele faz, mas sobretudo porque ELE É” (Catecismo , 2639). Está por isso intimamente unida à adoração, ao reconhecimento, não só intelectual mas existencial, da pequenez de tudo o criado, em comparação com o Criador e, em consequência, à humildade, à aceitação da indignidade pessoal diante de quem nos transcende até ao infinito; à maravilha que causa o facto desse Deus a quem os anjos e o universo inteiro rende reverência, se tenha dignado não só a olhar para o homem, mas a habitar no homem, mais ainda, a encarnar.

Adoração, louvor, petição, acção de graças resumem as disposições de fundo que informam a totalidade do diálogo entre o homem e Deus. Seja qual for o conteúdo concreto da oração, quem reza fá-lo sempre, de uma forma ou de outra, explícita o implicitamente, adorando, louvando, suplicando, implorando ou dando graças a esse Deus que reverencia, que ama e em que confia. Importa reiterar, também, que os conteúdos concretos da oração poderão ser muito variados. Por vezes, socorremo-nos da oração para considerar passagens da Escritura, para aprofundar alguma verdade cristã, para reviver a vida Cristo, para sentir a proximidade de Santa Maria... Noutras, iniciar-se-á a partir da própria vida para tornar Deus participante das alegrias e afãs, ambições e problemas que a existência traz consigo, ou para encontrar apoio ou consolo, ou para examinar diante de Deus o próprio comportamento e fazer propósitos e tomar decisões, ou mais simplesmente para comentar, com quem sabemos que nos ama, os acontecimentos do dia.

Encontro entre o crente e Deus em quem se apoia e por quem se sabe amado, a oração pode incidir sobre a totalidade dos acontecimentos que conformam a existência e sobre a totalidade dos sentimentos que o coração pode experimentar. «Escreveste-me: “orar é falar com Deus. Mas, de quê?” — De quê?! D’Ele e de ti; alegrias, tristezas, êxitos e fracassos, ambições nobres, preocupações diárias..., fraquezas!; e acções de graças e pedidos; e Amor e desagravo. Em duas palavras: conhecê-Lo e conhecer-te – ganhar intimidade!”.[2] Seguindo uma e outra via, a oração será sempre um encontro íntimo e filial entre o homem e Deus, que fomenta o sentido da proximidade divina e leva a viver cada dia da existência cara a Deus.

 

José Luis Illanes

 

Bibliografía básica:

- Catecismo da Igreja Católica, 2558-2758.

Leituras recomendadas:

- S. Josemaria, Homilias «O triunfo de Cristo na humildade»; «A Eucaristia, mistério de fé e de amor»; «A Ascensão do Senhor aos céus»; «O Grande Desconhecido» e «Por Maria, a Jesus»,em Cristo que passa , 12-21, 83-94, 117-126, 127-138 y 139-149. Homilias «A intimidade com Deus»; «Vida de oração» e «Rumo à santidade» , em Amigos de Deus , 142-153, 238-257, 294-316.

- J. Echevarría, Itinerários de vida cristã, Diel, Lisboa 2006, pp. 105-120.

- J.L. Illanes, Tratado de teología espiritual, Eunsa, Pamplona 2007, pp. 427-483.

- M. Belda, Guiados por el Espíritu de Dios. Curso de Teología Espiritual, Palabra , Madrid 2006, pp. 301-338.



[1] Remissão para dois dos mais claros e conhecidos: os “Louvores ao Deus Altíssimo” e o “Cântico do irmão sol” de São Francisco de Assis.

[2] São Josemaria, Caminho, 91.

Pequena agenda do cristão - Domingo

     


DOMINGO

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



[i] Cfr. Lc 1, 38
[ii] AMA, orações pessoais
[iii] AMA, orações pessoais
[iv] AMA, orações pessoais
[v] Btº Álvaro del Portillo (oração pessoal)


























27/03/2021

Filosofia e Religião, Vida Humana

 


Virtudes

Prudência

 

A virtude moral pode existir sem certas virtudes intelectuais, como a sabedoria, a ciência e a arte. Não porém sem o intelecto e a prudência. Sem a prudência, não pode haver realmente virtude moral, já que esta é um habitus “electivo” (electivus), isto é, que faz escolhas certas. Ora, para uma boa escolha, duas coisas exigem-se: primeiro, que haja a devida intenção do fim, o que se faz pela virtude moral, que inclina a potência apetitiva para o bem conveniente com a razão, que é o fim devido. Segundo, que se usem correctamente os meios, e isso só se alcança por uma razão que saiba aconselhar, julgar e decidir bem, o que é próprio da prudência e de virtudes a ela conexas. Logo, a virtude moral não pode existir sem a prudência.

Por conseqüência, também não poderá haver virtude moral sem o intelecto, pois é por ele que são conhecidos os princípios naturalmente evidentes, seja na ordem especulativa, seja na prática. Assim, da mesma forma que a razão recta, na ordem especulativa, enquanto procede de princípios naturalmente conhecidos, pressupõe o intelecto deles, assim também a prudência, que é a razão recta do agir (recta ratio agibilium).

 

São Tomás de Aquino, Suma Teológica P I-II, q. 58, a. 4.

Reflexão na Quaresma

 


Esmola


Quem distribui esmolas faça-o com despreocupação e alegria, já que, quanto menos se reserve para si, maior será o ganho que obterá.

 

(São Leão Magno, Sermão 10º sobre a Quaresma)

Pequena agenda do cristão - Sábado

     



SÁBADO

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




Orações sugeridas:

26/03/2021

São Josemaria – Textos Março 26

 


Estou com Ele no tempo da adversidade

Ainda que tudo se vá abaixo e se acabe; ainda que os acontecimentos se sucedam ao contrário do previsto, com tremenda adversidade; nada se ganha perturbando-se. Além disso, recorda a oração confiante do profeta: "O Senhor é o nosso Juiz; o Senhor é o nosso Legislador; o Senhor é o nosso Rei; Ele é quem nos há-de salvar". Reza-a devotamente, todos os dias, para acomodar a tua conduta aos desígnios da Providência, que nos governa para nosso bem. (Forja, 855)

Quando a tentação do desânimo, dos contrastes, da luta, da tribulação, de uma nova noite da alma nos ataca – violenta –, o salmista põe-nos nos lábios e na inteligência aquelas palavras: estou com Ele no tempo da adversidade. Jesus, perante a Tua Cruz, que vale a minha; perante as Tuas feridas, os meus arranhões? Perante o Teu Amor imenso, puro e infinito, que vale o minúsculo fardo que Tu colocaste sobre os meus ombros? E os vossos corações e o meu enchem-se de uma santa avidez, confessando-Lhe – com obras – que morremos de Amor. Nasce uma sede de Deus, uma ânsia de compreender as Suas lágrimas; de ver o Seu sorriso, o Seu rosto... Julgo que o melhor modo de o exprimir é repetir novamente, com a Escritura: como o veado deseja a fonte das águas, assim a minha alma te anela, ó meu Deus! E a alma avança, metida em Deus, endeusada: o cristão tornou-se um viajante sedento, que abre a boca às águas da fonte. Com esta entrega, o zelo apostólico ateia-se, aumenta dia-a-dia – pegando esta ânsia aos outros – porque o bem é difusivo. Não é possível que a nossa pobre natureza, tão perto de Deus, não arda em desejos de semear no mundo inteiro a alegria e a paz, de regar tudo com as águas redentoras que brotam do lado aberto de Cristo, de começar e acabar todas as tarefas por Amor. Falava antes de dores, de sofrimentos, de lágrimas. E não me contradigo se afirmo que, para um discípulo que procura amorosamente o Mestre, é muito diferente o sabor das tristezas, das penas, das aflições: desaparecem imediatamente, quando aceitamos deveras a Vontade de Deus, quando cumprimos com gosto os Seus desígnios, como filhos fiéis, ainda que os nervos pareçam rebentar e o suplício pareça insuportável. (Amigos de Deus, 310–311)

Leitura Espiritual Mar 27

 


Novo Testamento

 

Evangelho

 

Lc XIII, 6-30

 

A figueira estéril

6 Disse-lhes, também, a seguinte parábola: «Um homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e foi lá procurar frutos, mas não os encontrou. 7 Disse ao encarregado da vinha: ‘Há três anos que venho procurar fruto nesta figueira e não o encontro. Corta-a; para que está ela a ocupar a terra?’ 8 Mas ele respondeu: ‘Senhor, deixa-a mais este ano, para que eu possa escavar a terra em volta e deitar-lhe estrume. 9 Se der frutos na próxima estação, ficará; senão, poderás cortá-la.’»

 

Cura da mulher encurvada

10 Um dia de sábado, ensinava Jesus numa sinagoga. 11 Estava lá certa mulher doente por causa de um espírito, há dezoito anos: andava curvada e não podia endireitar-se completamente. 12 Ao vê-la, Jesus chamou-a e disse-lhe: «Mulher, estás livre da tua enfermidade.» 13 E impôs-lhe as mãos. No mesmo instante, ela endireitou-se e começou a dar glória a Deus. 14 Mas o chefe da sinagoga, indignado por ver que Jesus fazia uma cura ao sábado, disse à multidão: «Seis dias há, durante os quais se deve trabalhar. Vinde, pois, nesses dias, para serdes curados e não em dia de sábado.» 15 Replicou-lhe o Senhor: «Hipócritas, não solta cada um de vós, ao sábado, o seu boi ou o seu jumento da manjedoura e o leva a beber? 16 E esta mulher, que é filha de Abraão, presa por Satanás há dezoito anos, não devia libertar-se desse laço, a um sábado?» 17 Dizendo isto, todos os seus adversários ficaram envergonhados, e a multidão alegrava-se com todas as maravilhas que Ele realizava.

 

O grão de mostarda e o fermento

18 Disse, então: «A que é semelhante o Reino de Deus e a que posso compará-lo? 19 É semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e deitou no seu quintal. Cresceu, tornou-se uma árvore e as aves do céu vieram abrigar-se nos seus ramos.» 20 Disse ainda: «A que posso comparar o Reino de Deus? 21 É semelhante ao fermento que certa mulher tomou e misturou com três medidas de farinha, até ficar levedada toda a massa.»

 

A porta estreita

22 Jesus percorria cidades e aldeias, ensinando e caminhando para Jerusalém. 23 Disse-lhe alguém: «Senhor, são poucos os que se salvam?» Ele respondeu-lhes: 24 «Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir. 25 Uma vez que o dono da casa se levante e feche a porta, ficareis fora e batereis, dizendo: ‘Abre-nos, Senhor!’ Mas ele há-de responder-vos: ‘Não sei de onde sois.’ 26 Começareis, então, a dizer: ‘Comemos e bebemos contigo e Tu ensinaste nas nossas praças.’ 27 Responder-vos-á: ‘Repito-vos que não sei de onde sois. Apartai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade.’ 28 Lá haverá pranto e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac, Jacob e todos os profetas no Reino de Deus, e vós a serdes postos fora. 29 Hão-de vir do Oriente, do Ocidente, do Norte e do Sul, sentar-se à mesa no Reino de Deus. 30 E há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos.»

 

Texto

 


MENSAGEM DE SUA SANTIDADE

JOÃO PAULO II

PARA A QUARESMA DE 1993

 

«Tenho sede» (Jo 19,28)

 

Amados irmãos e irmãs,

 

1. Durante o santo tempo da Quaresma, a Igreja retoma mais uma vez o caminho que conduz à Páscoa. Guiada por Jesus e seguindo os seus passos ela envolve-nos na travessia do deserto.

 

A história da Salvação deu ao deserto um significado religioso e profundo. Conduzido por Moisés e mais tarde iluminado por outros profetas, o Povo eleito pôde, através de privações e sofrimentos, experimentar a presença fiel de Deus e da sua misericórdia; alimentou-se com o pão descido do céu e extinguiu a sede com a água que brotava da rocha; o Povo de Deus cresceu na fé e na experiência do evento do Messias redentor.

 

Foi também no deserto que João Baptista pregou e as multidões acorreram a ele para receber, nas águas do Jordão, o baptismo de penitência: o deserto foi um lugar de conversão para acolher Aquele que vem para vencer a desolação e a morte ligadas ao pecado. Jesus, o Messias dos pobres que ele cumula de bens (cf. Lc 1, 53), deu início à sua missão assumindo a condição daquele que tem fome e sede no deserto.

 

Amados irmãos e irmãs, convido-vos, ao longo desta Quaresma, a meditar a Palavra de vida deixada por Cristo à sua Igreja a fim de que ilumine o itinerário de cada um dos seus membros. Reconhecei a voz de Jesus que vos fala, especialmente neste tempo de Quaresma, no Evangelho, nas celebrações litúrgicas, nas exortações dos vossos pastores. Escutai a voz de Jesus que, aflito pela fadiga e pela sede diz à Samaritana junto da fonte de Jacó: "dá-me de beber" (Jo 4, 7). Contemplai Jesus pregado na cruz, expirando, e escutai a sua voz apenas perceptível: "Tenho sede" (Jo 19, 28). Hoje Cristo repete o seu apelo e revive os tormentos da sua agonia nos nossos irmãos e nos pobres.

 

Convidando-nos, com a vivência da Quaresma, a percorrer os caminhos do amor e da esperança traçados por Cristo, a Igreja ajuda-nos a compreender que a vida cristã comporta o desapego dos bens supérfluos, a aceitação da pobreza que nos liberta e que nos dispõe a descobrir a presença de Deus e a acolher os nossos irmãos com solidariedade cada vez mais activa e em comunhão cada vez mais ampla.

 

Recordai, pois, a palavra do Senhor: "Quem der, nem que seja um copo de água fria a um destes pequeninos, por ser meu discípulo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa" (Mt 10, 42). Meditai com todo o coração e com esperança naquelas outras palavras: "Vinde, benditos de meu Pai,... pois tive sede e me destes de beber" (Mt 25, 34-35).

 

Durante a Quaresma de 1993, para concretizar a solidariedade e a caridade fraterna associadas à busca espiritual deste tempo forte do ano litúrgico, peço aos membros da Igreja que volvam particular atenção aos homens e mulheres, provados pela desertificação dramática das suas terras e àqueles que, em demasiadas regiões do mundo, têm falta deste bem elementar, mas indispensável à vida, que é a água.

 

Sentimo-nos inquietos por ver que hoje o deserto avança e abrange terras que ainda ontem eram prósperas e férteis. Não podemos esquecer que, em muitos casos, o próprio homem foi causa da esterilização de terras que se tornaram desertas e da poluição de águas que antes eram sãs. Quando não se respeitam os bens da terra, quando se abusa deles, age-se de maneira injusta e até mesmo criminosa, porque as consequências são miséria e morte para muitos nossos irmãos e irmãs.

 

Preocupa-nos também profundamente ver que inteiros povos, milhões de seres humanos, estão reduzidos à indigência, padecem a fome e são atingidos por doenças porque privados de água potável. De facto, a fome e numerosas doenças estão intimamente relacionadas com a seca e a poluição das águas. Lá onde as chuvas são raras e onde as nascentes de água secam, a vida torna-se mais frágil e diminui até desaparecer. Zonas imensas da Africa são atingidas por este flagelo; mas o mesmo verifica-se também nalgumas regiões da América Latina e da Austrália.

 

Além disso, está à vista de todos que o desenvolvimento industrial anárquico e o emprego de tecnologias que rompem o equilíbrio natural, causaram prejuízos graves ao ambiente, provocando sérias catástrofes. Corremos o risco de deixar em herança às gerações futuras, em muitas partes do mundo, o drama da sede e do deserto.

 

Convido-vos calorosamente a ajudar com generosidade as instituições, as organizações e as obras sociais que se ocupam das populações aflitas por carestias ou pela sede e submetidas às dificuldades da desertificação crescente. Exorto-vos igualmente a colaborar com todos aqueles que se esforçam por analisar cientificamente todos os factores da desertificação e por descobrir os meios para lhe pôr remédio.

 

Oxalá a generosidade activa dos filhos e das filhas da Igreja, bem como de todos os homens e mulheres de boa vontade, possa apressar a realização da profecia de Isaías: "Porque a água jorrará do deserto, e rios, da estepe. A terra seca se transformará em brejo, e a terra árida em mananciais de água" (35, 6-7)!

 

De todo o coração vos abençoo, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 

Vaticano, 18 de Setembro de 1992.

 

IOANNES PAULUS PP. II

 

 

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