08/10/2011

Princípios filosóficos do cristianismo

Introdução

Filósofo
Rembrandt
O cristianismo não é uma filosofia. Não se apresenta como uma filosofia mais no mercado do pensamento. O cristianismo é, antes de mais, a intervenção histórica de Deus Pai no seu Filho Cristo, por meio do Espírito Santo, para salvar ao homem da escravidão do pecado e da morte e elevá-lo à condição de filho de Deus. Mais que uma doutrina, é um facto salvador que se perpetua em o seio da Igreja.
Todavia, por múltiplas razões,  implica uma filosofia, e não só a implica, como que a depura e lhe abre horizontes insuspeitados, de tal modo que isso que se chama filosofia cristã, ou melhor, filosofia de inspiração cristã, deve mais ao calor e à luz da fé que a qualquer outra fonte de inspiração.
Quando o cristianismo apareceu no teatro da vida humana, encontrou-se com uma filosofia helénica, já decaída, a qual purificou e elevou salvando-a de uma decadência inevitável. Outro tanto fez a mente de São Tomás quando, a partir da fé, descobriu as virtualidades que a filosofia de Aristóteles encerrava e as sobe aproveitar purificando-as e elevando-as a um horizonte novo.

(jose ramón ayllón, trad. ama)

Que comprida a Missa!"

Duc in altum
"A Missa é comprida, dizes, e eu acrescento:
porque o teu amor é curto" (S. Josemaria Escrivá, Caminho, 529).

Quantas vezes haverá que repeti-o e pregá-lo! 
É que há sempre tanta pressa para tudo e depois desperdiçamos o tempo conversando! 
Haverá que pacificar o coração e centrá-lo em Deus. 
Teremos mais tempo, mais nos renderá o tempo de que dispomos, se o serenamos e multiplicamos adorando o Senhor na Eucaristia.

Sim, é só um recordatório. Não te alarmes.

Mas canso-me de gente com tão pouquito amor que a Missa sempre lhes parece comprida e jamais entram no seu espírito e adoração.

Precisões e voltas sobre o mesmo:

1)   Especifiquei de sobra em que sentido se interpretava esta máxima: Missas de 15-18 minutos, a toda a pressa; fora disso, a Missa a alguns parece-lhes muito comprida, com a desculpa das suas ocupações, ainda que logo se fiquem conversando um bom bocado à porta ou vão para um bar. Onde estava a pressa pelas suas obrigações?

2)   Caso diferente é a homilia, que depende muito da habilidade oratória do pregador, da sua profundidade e da sua oração pessoal. Aí uma má homilia, cansativa, superficial ou pouco preparada, torna-se compridíssima e aborrecidíssima.

3)   Mas aqui refiro-me à Missa enquanto tal que, aos que lhes falta amor, sempre lhes parece comprida se ultrapassa os 15 minutos.

4)   O que todos devemos chegar a entender é que a Missa é o centro da jornada, o mais importante e querido de cada dia, e vivê-la e celebrá-la o melhor que se possa. Dela deriva a santificação do trabalho quotidiano, o discernimento, o apostolado, a evangelização... ¡de à Missa diariamente!

javier sánchez martínez, trad ama

Textos de São Josemaria Escrivá

“No Evangelho, como um personagem mais”

Oxalá fossem tais as tuas atitudes e as tuas palavras, que todos pudessem dizer quando te vissem ou ouvissem falar: "Este lê a vida de Jesus Cristo". (Caminho, 2).

Ao abrires o Santo Evangelho pensa que não só tens de saber o que ali se narra – obras e ditos de Cristo – mas também tens de vivê-lo. Tudo, cada ponto relatado, se recolheu, pormenor a pormenor, para que o encarnes nas circunstâncias concretas da tua existência. Nosso Senhor chamou os católicos para o seguirem de perto e, nesse Texto Santo, encontras a Vida de Jesus; mas, além disso, deves encontrar a tua própria vida. Aprenderás a perguntar tu também, como o Apóstolo, cheio de amor: "Senhor, que queres que eu faça?"... – A Vontade de Deus! – ouvirás na tua alma de modo terminante. Então, pega no Evangelho diariamente, e lê-o e vive-o como norma concreta. Assim procederam os santos. (Forja, 754)

Para vos aproximardes do Senhor através das páginas do Santo Evangelho, recomendo sempre que vos esforceis por participar em cada cena como um personagem mais. Assim – conheço tantas almas normais e correntes que o fazem! – recolher-vos-eis como Maria, suspensa das palavras de Jesus, ou, como Marta, atrever-vos-eis a manifestar-lhe sinceramente as vossas inquietações, mesmo as mais pequenas. (Amigos de Deus, 222) 

Evangelho do dia e comentário









T. Comum– XXVII Semana

Evangelho: Lc 11, 27-28

27 Aconteceu que, enquanto Ele dizia estas palavras, uma mulher, levantando a voz do meio da multidão, disse-Lhe: «Bem-aventurado o ventre que Te trouxe e os peitos a que foste amamentado». 28 Porém, Ele disse: «Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática».

Comentário:

Vê-se bem! Não basta ouvir a Palavra é necessário pô-la em prática.

E como se faz tal coisa?

Com obras, não há outro caminho.

Na verdade ao ouvirmos – ou lermos – a Palavra de Deus como se expressa no Evangelho deparamos com inúmeros exemplos do que devemos fazer em qualquer ocasião ou circunstâncias da nossa vida.

Jesus Cristo não falou para “pessoas especiais”, especialmente dotadas ou com uma vocação específica, falou para todos os homens porque todos, absolutamente, têm uma vocação: a vocação dos Filhos de Deus.

E o que fazem os filhos?
O que o seu pai lhes ensina e recomenda.

(ama, comentário sobre Lc 11, 27-28, 2011.09.02)

07/10/2011

A nossa coroação 7

Para lá do Túnel

.- Deus não nega a sua ajuda ao homem que faz quanto pode, na medida das suas forças. Porque o desejo ardente de salvar-se engendra sempre a salvação eterna.


.- É suicida confiar a salvação eterna à misericórdia divina, a qual nunca se gera, se previamente não há um arrependimento. Bento XVI, quando era cardeal Ratzinger, escrevia: “Para o verdadeiro crente resulta claro, que não é possível empregar a segurança do perdão divino como um salvo-conduto para o inferno”.


.- Assegura Royo Marín, que:  “A devoção entranhável à Virgem foi sempre considerada como um grande sinal de predestinação, e na sua voluntaria e sistemática omissão viu-se sempre um dos mais pavorosos sinais de condenação eterna”.  E se alguém quiser reforçar a sua salvação e ter segurança plena nela há-de acudir à Virgem, porque: A devoção entranhável à Virgem foi sempre considerada como um grande sinal de predestinação, e na sua voluntaria e sistemática omissão viu-se sempre um dos mais pavorosos sinais de condenação eterna.
E sobretudo o amor, o amor e o amor ao Senhor. É impossível que aquele que tenha amado de verdade não seja coroado no final. Ele ama-nos muito mais de o nalguém seja capaz de imaginar, e se encontra uma alma enamorada dele, protege-a de tal forma e com tal cúmulo de graças, que ao demónio é impossível abater esta alma com as suas tentações.

Juan del Carmelo, trad ama

Princípios filosóficos do cristianismo

A Fé e a Razão

Filósofo
Rembrandt
Pois bem, esta harmonia entre a fé e a razão foi historicamente rompida pelo protestantismo. Foi a experiência pessoal de Lutero que procurava ansiosamente libertar-se da angústia pela certeza da sua salvação, que o conduziu à confissão de que o homem está totalmente corrompido pelo pecado original. Sendo isto assim, o que está também na razão humana e por isso arremete contar a mesma, não aceitando praticamente outro meio de conhecer a verdade da Sagrada Escritura. Diz assim: «a razão é a grande meretriz do diabo. Pela sua essência e o seu modo de revelar-se é uma rameira nociva. Uma prostituta. A poltrona oficial do diabo, uma meretriz corrida pela sarna e pela lepra que há-de ser espezinhada e morta. Cobri-a de esterco para a tornar mais repugnante. Está e deveria estar relegada para a parte mais suja da casa, a latrina».
Da teologia natural (Theologia Gloriae) diz Lutero que não serviu para nada; só a Theologia Crucis, a teologia fundada na fé em Cristo crucificado no conduziu à verdade.
Exposta, pois, a relação entre fé e razão, passamos a expor aqueles princípios filosóficos que nos parecem constituir o conteúdo do chamamos filosofia de inspiração cristã.

(jose ramón ayllón, trad. ama)

Pensamentos inspirados à procura de Deus


À procura de Deus



Obedecer-te, Senhor, è viver no teu amor.


jma, 2011.10.07

Existe guerra justa ou guerrear é sempre um pecado?

Parece que guerrear é sempre um pecado, pois:

1. Não se aplica uma pena a não ser para um pecado. Ora, no Evangelho de Mateus (26, 52) o Senhor notifica com uma pena os que fazem a guerra: “Todos os que tomam a espada, pela espada perecerão”. Logo, a guerra é sempre ilícita.
2. Tudo o que é contrário a um preceito divino é pecado. Ora, guerrear é contrário a um preceito divino, pois no Evangelho de Mateus (5, 39) se diz: “Eu vos digo: não resistais ao homem mau”, e na Carta aos Romanos (12, 19): “Não vos defendais, meus amados; mas daí lugar à ira”. Logo, é sempre um pecado fazer a guerra.
3. Somente o pecado se opõe a um ato de virtude. Ora, a guerra se opõe à paz. Logo, é sempre pecado.
No entanto, Agostinho escreve: “Se a moral cristã julgasse que a guerra é sempre culpável, quando no Evangelho soldados pedem um conselho para a sua salvação, dever-se-ia responder-lhes que jogassem fora as armas e abandonassem completamente o exército. Ora, se lhes diz: ‘Não molesteis a ninguém, contentai-vos com vosso soldo’. Prescrever-lhes que se contentem com seu soldo não os proíbe combater”.

Para que uma guerra seja justa, são requeridas três condições:
1ª. A autoridade do príncipe (aqui se deve entender a autoridade legitimamente constituída), sob cuja ordem deve-se fazer a guerra. Não compete a uma pessoa privada declarar uma guerra, pois pode fazer valer seu direito no tribunal de seu superior; também porque convocar a multidão necessária para a guerra (novamente aqui se deve entender as forças armadas do país) não compete a uma pessoa privada. Já que o cuidado dos negócios públicos foi confiado aos príncipes, a eles compete velar pelo bem público da cidade, do reino ou da província submetidos à sua autoridade. Assim como o defendem licitamente pela espada contra os perturbadores internos quando punem os malfeitores, segundo esta palavra do Apóstolo: “Não é em vão que carrega a espada; é ministro de Deus para fazer justiça e castigar aquele que faz o mal(Rm 13, 4), assim também compete-lhes defender o bem público pela espada da guerra contra os inimigos do exterior.
2ª. Uma causa justa: requer-se que o inimigo seja atacado em razão de alguma culpa. Por isso Agostinho escreve: “Costumamos definir como guerras justas aquelas que punem as injustiças, por exemplo, castigar um povo ou uma cidade que foi negligente na punição de um mal cometido pelos seus, ou restituir o que foi tirado por violência”.
3ª. Uma recta intenção naqueles que fazem a guerra: que se pretenda promover o bem ou evitar o mal. Por isso Agostinho escreve: “Entre os verdadeiros adoradores de Deus até mesmo as guerras são pacíficas, pois não são feitas por cobiça ou crueldade, mas numa preocupação de paz, para reprimir os maus e socorrer os bons”. Com efeito, mesmo se for legítima a autoridade daquele que declara a guerra e justa a sua causa, pode acontecer, contudo, que a guerra se torne ilícita por causa de uma intenção má. Escreve Agostinho a propósito: “O desejo de prejudicar, a crueldade na vingança, a violência e a inflexibilidade do espírito, a selvajaria no combate, a paixão de dominar e outras coisas semelhantes, são estas coisas que nas guerras são julgadas culpáveis pelo direito”.
Suma Teológica II-II, q. 40, a. 1

Quanto às objecções iniciais, portanto, deve-se dizer que:
1. Diz Agostinho: “Empunha a espada aquele que, sem autoridade superior ou legítima que o comande ou permita, se arma para derramar o sangue de alguém”. Aquele, porém, que pela autoridade do príncipe ou do juiz, se for uma pessoa privada, ou por zelo de da justiça, como pela autoridade de Deus, se for uma pessoa pública, empunha a espada, não toma da espada por si mesmo, mas empunha a espada que um outro lhe confiou. Não incorre, pois, em pena. – Contudo, aqueles que se servem pecaminosamente da espada nem sempre caem sob a espada, mas sempre perecem pela própria espada, pois são eternamente punidos por terem pecado pela espada, excepto se se arrependerem.
2. Tais preceitos, segundo Agostinho, devem sempre ser observados com o ânimo preparado a não resistir ou a não se defender, mesmo sendo preciso. Por vezes, porém, é preciso agir de outra forma para o bem comum, e mesmo para o bem daqueles que estão sendo combatidos. É por isso que Agostinho escreve: “É preciso agir fortemente, mesmo com aqueles que resistem, a fim de dobrá-los por uma certa dureza benevolente. Aquele que é privado do poder de fazer o mal sofre uma proveitosa derrota. De fato, nada é mais infeliz do que o feliz sucesso dos pecadores, pois a impunidade é alimentada, e sua má vontade, como um inimigo interior, é fortificada”.
3. Os que fazem guerras justas procuram a paz. Consequentemente não se opõem à paz, a não ser à paz má que o Senhor “não veio trazer à terra”, segundo o Evangelho de Mateus (10, 34). Por isso escreve Agostinho: “Não se procura a paz para fazer a guerra, mas faz-se a guerra para se obter a paz. Sê, pois, pacífico ao combater para que com a vitória leves o benefício da paz àqueles que combates”.