Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
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06/03/2020
01/10/2019
17/07/2019
14/07/2019
09/05/2019
Leitura espiritual
1.
O que é a eutanásia?
Chamamos eutanásia ao acto de provocar a morte a um
doente, porque está em fase terminal ou tem uma doença difícil de suportar.
2.
É correcto matar quem o pede ou está numa situação clínica grave?
Sabemos bem que não se deve matar ninguém, mas em
casos complexos pode surgir a dúvida e convém estudar o tema.
3.
Porque está mal o homicídio?
(Falamos agora do homicídio normal, não da eutanásia).
Há vários motivos para não matar um ser humano, como
também não queremos que nos matem a nós:
A dignidade humana reclama um respeito especial aos
homens.
No nosso interior sabemos que não devemos fazê-lo: a
natureza humana pede-o e a nossa consciência capta esta exigência (lei
natural).
O Criador do homem proibiu-o expressamente: "não
matarás" (mandamentos).
4.
Porque está mal suicidar-se?
(Falamos do suicídio normal, não de eutanásia).
Também aqui há várias razões, que coincidem com os
motivos anteriores.
5.
Porque está mal a eutanásia?
A eutanásia está mal por estes mesmos motivos: pela
dignidade humana, a lei natural e o mandato do Criador.
Não se deve matar ninguém.
5. Alguém deseja a eutanásia?
Normalmente ninguém deseja a eutanásia.
Só se propõe em casos excepcionais, como uma doença
incómoda e incurável. Por exemplo, algumas paralisias, danos neuronais, Alzheimer
avançado, estados de coma, fortes depressões...
Neste casos, a eutanásia tão pouco é correcta, mas
surgem dúvidas.
6.
Nestes casos pode-se aplicar a eutanásia?
Não, não.
Para entendê-lo pode ser suficiente pensar na questão
temporal: se em vez de ser incurável, fosse uma enfermidade que durasse uma
semana ou um mês, seria correcta a eutanásia?...
E se em vez de um mês durasse um ano ou três a
curar-se?...
E se fossem oito ou quinze?
E se a saúde voltasse ao fim de 30 ou 40 anos?...
E se fosse ao fim de cinquenta anos que se
restabelecesse, seria correcto matá-lo agora?...
E se ao cabo de uns anos os médicos descobrissem uma
antídoto ou uma prótese, ou uma técnica por computador nova?...
Definitivamente, uma circunstância de tempo não
legitima um assassinato.
7.
Mas o tempo da doença costuma ser importante.
A duração de uma enfermidade exige resistência,
paciência e capacidade de sacrifício que aumenta se a situação se prolonga.
Por isto, o tempo torna mais gravosa uma doença.
Mas o que seja difícil de aguentar não permite a
supressão da própria vida ou a dos outros.
8.
E se é incurável?
A palavra incurável soa mais dolorosa que se fossem
cinquenta anos, ainda que muitas vezes a morte chegue de modo natural antes
desse tempo de doença.
A palavra incurável suprime a esperança e então o
sofrimento perde sentido e se pensa inclusivamente na eutanásia.
9.
Que sentido tem o sofrimento?
É difícil entender o sentido do padecimento sem
referências espirituais.
Sobre isto pode ver-se o tema dor.
Para muitas pessoas esses sacrifícios e paciência
abrem-lhes as portas do céu e retiram tempo ao purgatório.
10. Faço o que quero com a minha vida?
Sem dúvida que uma pessoa faz com a sua vida coisas
que quer, mas isto não significa que actue correctamente.
Pode embebedar se, drogar-se ou suicidar-se, mas são
acções erradas.
11. Outros temas.
A morte digna, os cuidados paliativos e a dureza
terapêutica são temas amplos que podemos resumir assim:
É necessário pôr os meios ordinários para os cuidados
do doente, mas não se é obrigado a pôr meios extraordinários.
Isto não significa Eutanásia, mas sim aceitação de uma
morte que não se pode evitar.
É bom abrandar a dor de modo proporcional à situação.
Não se deve privar ninguém da consciência sem o seu
consentimento.
Antes de o fazer, convém que tenha recebido cuidado
espiritual e tenha já estipulado os seus últimos desejos, testamento, etc.
ID,
revisão versão portuguesa por AMA
19/07/2018
19/01/2018
Perguntas e respostas
11. Outros temas.
A morte digna, os cuidados
paliativos e a dureza terapêutica são temas amplos que podemos resumir assim:
É necessário pôr os meios
ordinários para os cuidados do doente, mas não se é obrigado a pôr meios
extraordinários.
Isto não significa Eutanásia, mas sim aceitação de uma morte
que não se pode evitar.
É bom abrandar a dor de modo
proporcional à situação.
Antes de o fazer, convém que tenha recebido cuidado espiritual e tenha já estipulado os seus últimos desejos, testamento, etc.
17/01/2018
Perguntas e respostas
10. Faço o que quero com a
minha vida?
Sem dúvida que uma pessoa
faz com a sua vida coisas que quer, mas isto não significa que actue
correctamente.
Pode embebedar se, drogar-se
ou suicidar-se, mas são acções erradas.
12/01/2018
Perguntas e respostas
9. Que sentido tem o
sofrimento?
É difícil entender o sentido
do padecimento sem referências espirituais.
Sobre isto pode ver-se o
tema dor.
Para muitas pessoas esses
sacrifícios e paciência abrem-lhes as portas do céu e retiram tempo ao
purgatório.
10/01/2018
Perguntas e respostas
8. E se é incurável?
A palavra incurável soa mais
dolorosa que se fossem cinquenta anos, ainda que muitas vezes a morte chegue de
modo natural antes desse tempo de doença.
05/01/2018
Perguntas e respostas
7. Mas o tempo da doença
costuma ser importante.
A duração de uma enfermidade
exige resistência, paciência e capacidade de sacrifício que aumenta se a
situação se prolonga.
Por isto, o tempo torna
mais gravosa uma doença. Mas o que seja difícil de aguentar não permite a
supressão da própria vida ou a dos outros.
03/01/2018
Perguntas e respostas
6. Nestes casos pode-se
aplicar a eutanásia?
Não, não.
Para entendê-lo pode ser
suficiente pensar na questão temporal: se em vez de ser incurável, fosse uma
enfermidade que durasse uma semana ou um mês, seria correcta a eutanásia?...
E se em vez de um mês
durasse um ano ou três a curar-se?...
E se fossem oito ou quinze?
E se a saúde voltasse ao fim
de 30 ou 40 anos?...
E se fosse ao fim de
cinquenta anos que se restabelecesse, seria correcto matá-lo agora?...
E se ao cabo de uns anos os
médicos descobrissem um antídoto ou uma prótese, ou uma técnica por computador
nova?...
Definitivamente, uma
circunstância de tempo não legitima um assassinato.
21/03/2017
Médicos Católicos defendem que «eutanásia não é um ato médico
Associação
alerta que com a morte se «elimina a pessoa que sofre»
A
Associação dos Médicos Católicos Portugueses (AMCP) afirmou em Conselho
Nacional a sua “absoluta oposição à prática da Eutanásia”, num contributo para
o debate sobre o tema, defendendo o valor da vida humana e o papel do médico.
“Reafirmamos,
pois, com convicção e fortaleza, que toda a vida merece acolhimento, respeito e
proteção. Que toda a vida tem dignidade. Que nenhuma circunstância a tornará
indigna. Muito menos a doença ou o sofrimento”, lê-se num comunicado enviado
hoje à Agência ECCLESIA.
Os
médicos católicos explicam que querem estar ao serviço da vida e dos doentes e
referem que conhecem a “importância da confiança” na relação médico-doente e no
sistema de saúde.
“A
possibilidade da Eutanásia fere de morte esta confiança”, alerta a associação
que manifesta a “veemente oposição” à legalização da Eutanásia e “à violação ou
alteração do Código Deontológico”.
A
AMCP apresenta 10 razões que justificam o reafirmar da sua “absoluta oposição à
prática da Eutanásia” que “não é um ato médico”.
“Os
princípios da medicina excluem a prática da eutanásia, da distanásia e do
suicídio assistido. Não se pode instrumentalizar a medicina com objetivos que
são alheios à sua atividade, à sua prática, à sua Ética e à Lei Fundamental”,
pode ler-se.
A
Associação dos Médicos Católicos Portugueses assinala que “não é possível” ser
médico sem passar pelo confronto “com o sofrimento e com a morte”, mas os
médicos não são “donos da vida dos doentes”, como não são donos da sua morte.
“É
possível aliviar a dor física intensa e a angústia. Os medicamentos hoje
disponíveis tornam possível o bem-estar, sem dor”, observam.
O
documento foi aprovado por “unanimidade” no último Conselho Nacional da AMCP, a
18 de março, em Fátima, tendo como pano de fundo a próxima apresentação na
Assembleia da República de dois projetos de lei que pretendem legalizar a
prática da Eutanásia.
Segundo
a AMCP, o debate público tem introduzido ideias como “as da autodeterminação,
da liberdade, da dignidade e da compaixão”, considerando que é preciso ser
claro com termos que pretendem “confundir e manipular a opinião pública”.
“A
vida é um direito inviolável e irrenunciável. Ninguém deverá ter, seja em que
circunstâncias for, o direito a ser morto. A pretensão de querer eliminar o
sofrimento é compreensível. Mas não se elimina o sofrimento com a morte: com a
morte elimina-se a pessoa que sofre”, desenvolve.
Neste
âmbito, defende o “alargamento” das redes de cuidados continuados e de cuidados
paliativos, que “é o esforço” que uma sociedade mais humana deve promover.
Na
informação enviada à Agência ECCLESIA, o Patriarcado de Lisboa acrescenta que
Margarida Neto é a nova presidente do Núcleo de Lisboa da Associação dos
Médicos Católicos Portugueses.
CB/OC
01/02/2017
La eutanasia causa inquietud en Canadá
La
amplitud de la norma canadiense ya está produciendo los primeros abusos:
personas a quienes se condiciona para que consientan en su muerte.
La
ley canadiense que promueve la eutanasia es aún más permisiva que las leyes
belga u holandesa, hasta el punto de que el inicio de su aplicación se ha
traducido en un número elevadísimo de muertes. Así lo analiza Leone Grotti en
Tempi:
La
eutanasia en Canadá fue legalizada en junio de 2016 y por lo menos 744 personas
ya han muerto con la inyección letal. Los datos, difundidos por CTV News, son
altísimos, pero según la doctora de Vancouver Ellen Wiebe, que ha declarado que
este año ha matado por lo menos a 40 pacientes, «los números aumentarán, estoy
segura de ello. Creo que alcanzaremos a Holanda y Bélgica porque tenemos leyes
similares. Esto significa que la eutanasia representará el 5% de las muertes
del país».
Ellen
Wiebe ha aplicado la ley a cuarenta personas en medio año. Basta con que ella
haya creído que sus pacientes cumplían los criterios legales.
La
ley
La
doctora se equivoca, porque la ley canadiense es mucho menos restrictiva que
las de Bélgica y Holanda. De hecho, según la ley C-14, para que te maten hay
que tener una enfermedad incurable para la cual "la muerte natural es
razonablemente previsible". El problema es que la enfermedad incurable y
su razonable previsibilidad no son establecidos por datos médicos objetivos;
basta que "el personal médico o de enfermería crea que la persona cumple
todos los criterios". No es necesario, por lo tanto, que la ley sea
respetada; basta que el médico piense que lo es.
Inmunidad
total
La
diferencia es importante, sobre todo porque la ley especifica que un médico no
puede ser acusado de homicidio ni siquiera cuando su opinión sobre el respeto
de los criterios de la ley se revele "equivocada". Por último, el
texto de la ley garantiza una inédita inmunidad a "todo" el que
"haga algo" para proporcionar la muerte de un tercero que la haya
pedido.
Matar
a los deprimidos
¿Cómo
se pueden impedir abusos de cualquier tipo? No se puede. De hecho, tras apenas
seis meses ya hay testimonios dramáticos. Will Johnston es un médico de familia
de Vancouver y desde hace meses relata casos en los que la ley ha sido violada,
sin que el gobierno o el sistema judicial de Canadá se sientan en la obligación
de intervenir de algún modo.
El
doctor Will Johnston, contrario a la legalización de la eutanasia, relata la
existencia de distintos casos de abusos amparados por la amplitud de la norma.
Uno
de estos casos atañe a un hombre, cuyo nombre ha sido omitido por cuestión de
privacidad, con una enfermedad neurológica que le dejó parcialmente inválido.
El hombre "al que yo visité y que estaba muy lejos de morir, tenía una
fuerte depresión. Ya no salía de casa, había perdido la esperanza y sentía que
su vida no tenía sentido. Por esto quería morir".
"Es
tan fácil..."
Ahora
bien, escribe Johnston, "a cualquier otra persona no inválida se le habría
ofrecido ayuda psicológica parar salir de esta difícil situación". En
cambio, este hombre fue muerto por eutanasia a manos de una doctora de
Vancouver, que por teléfono le dijo a la esposa que "se le puede dar la
vuelta a la ley declarando que en cualquier momento puede morir a causa de una
infección por lo que su muerte, en consecuencia, es 'razonablemente
previsible'". Johnston volvió a ver a la esposa de este hombre después de
que fuera matado con la inyección letal y ésta le dijo: "No pensaba que
fuera tan fácil" matar "con la nueva ley".
"Estamos
un poco preocupados"
Ante
estos casos las palabras de un docente de la Universidad de Toronto, Trudo
Lemmens, recogidas por CTV News, parecen casi un eufemismo: "Estamos un
poco preocupados porque personas vulnerables o que se encuentran en situación
de vulnerabilidad -o por motivos económicos o porque la ayuda médica solicitada
no está disponible- podrían ser presionadas consciente o inconscientemente para
elegir la asistencia médica de la muerte".
El
profesor Lemmens señala el riesgo de que los pacientes sean presionados para
pedir que los maten.
La
verdadera "opresión"
Según
el texto de la ley, el gobierno tendrá que redactar un informe oficial sobre el
desarrollo de la ley sólo cinco años después de su aprobación, es decir, en el
año 2021.
Mientras
tanto, se podrá llevar a cabo todo tipo de abuso en la ilegalidad más total,
desde el momento que los casos de eutanasia deben ser denunciados por los
propios médicos, pero en el caso de que no quieran hacerlo por cualquier motivo
ningún órgano ha sido predispuesto para el control. Mientras tanto, médicos
como Ellen Wiebe están muy preocupados por todos los hospitales y clínicas
religiosas que no quieren permitir la eutanasia en las propias estructuras por
razones de conciencia: "Tenemos muchos centros que ni siquiera permiten
discutir los temas del final de la vida. Creo que ésta es una verdadera forma
de opresión".
ReL9 enero 2017
Traducción de Helena Faccia Serrano (diócesis de Alcalá
de Henares).
01/10/2016
01/05/2016
Temas para meditar - 625
BioéticaUma humanização do morrer é incompatível com a eliminação do sujeito que morre, pois não tem em conta a globalidade das suas necessidades. As súplicas de quem sofre, muitas vezes desejando terminar com a situação de dor, mais do que um desejo de morrer, são sobretudo o apelo a uma presença marcada pelo amor, a formas concretas de solidariedade e expressões da necessidade de perspectivas de esperança. Para isto, é necessário criar condições que humanizem a fase terminal, para que a pessoa possa ter um morrer humano: disponibilizar os meios que retirem ou reduzam o mais possível a dor, dar ao doente acesso aos meios médicos de que necessita, assegurar um acompanhamento humano personalizado, garantir ao paciente que não será abandonado à solidão em nenhum momento da sua fase final, permitir-lhe a presença das pessoas que lhe são mais queridas, facilitar-lhe a vivência das suas convicções religiosas e a satisfação das suas necessidades espirituais, possibilitar um acompanhamento psicológico, respeitar os seus valores e legítimos desejos, criar condições de confiança.
(Nota pastoral da CEP, Cuidar da vida até à morte: Contributo para a reflexão ética sobre o morrer, 5, b)
09/03/2016
Temas para meditar - 595
A eutanásia é concretização de um desejo que o homem contemporâneo tem de se apoderar da morte, antecipando-a para a situar no momento que ele próprio determina, resultado de um medo angustiante e desesperado perante o sofrimento.
A eutanásia é frequentemente apresentada como um gesto de humanidade ou de compaixão que pretende respeitar a dignidade com que cada ser humano quer viver.
Na realidade, porém, e numa linha de princípio, qualquer forma de eutanásia constitui uma renúncia a acompanhar a pessoa doente, traduz a falta de empenho de uma sociedade em procurar meios que permitam viver dignamente todas as fases da existência humana.
É, por isso, uma violação, ainda que consentida, da dignidade fundamental que se deve reconhecer a cada ser humano.
A eutanásia ou a ajuda ao suicídio são formas desumanas de lidar com a pessoa que vive o seu processo de morrer, constituem “uma ofensa à dignidade da pessoa humana, um crime contra a vida e um atentado contra a humanidade”.
(Nota pastoral da CEP, Cuidar da vida até à morte: Contributo para a reflexão ética sobre o morrer, 4, 2 b)
06/03/2016
Temas para meditar - 593
Bioética
A obrigação moral de garantir à vida humana uma especial protecção
está testemunhada em preceitos
primordiais da humanidade,
com expressões diversas em todas as culturas, e codificada no mandamento
bíblico do Decálogo: “Não matarás” [i].
A consciência moral das gerações que nos precederam e o próprio
magistério da Igreja procuraram, ao longo dos tempos, com os recursos culturais
de cada época, encontrar expressões e concretizações actualizadas deste mandamento,
no sentido de elevar e purificar as exigências morais nele contidas.
Consequentemente, é eticamente inaceitável qualquer forma de eutanásia, isto é, qualquer
“acção ou omissão que, por sua natureza e nas intenções, provoca a morte”. Nem
sequer o objectivo de eliminar o sofrimento ou livrar a pessoa de um estado
penoso pode legitimar a eutanásia, tanto mais que a medicina e a sociedade dispõem
de outros meios para socorrer os pacientes em fase terminal. Equivalente à
eutanásia, do ponto de vista ético, é qualquer forma de ajuda ao suicídio,
também designado suicídio assistido.
(Nota pastoral da CEP, Cuidar
da vida até à morte: Contributo para a reflexão ética sobre o morrer, 4,
1-2 d)
31/01/2016
Temas para meditar - 573
Eutanásia
Para além da discussão
sobre a legitimidade moral de optar por alguma forma de auto‑determinar o final
da vida, parece-nos fundamental reavivar uma leitura da vida humana, suportada
pela fé cristã mas também pelas tradições humanistas da nossa cultura, em que a
morte seja integrada como momento significativo da vida de uma pessoa e ao
sofrimento seja reconhecida a possibilidade de se integrar no horizonte de
sentido da existência humana.
A este propósito pode
ser iluminadora a afirmação de São Paulo: “Nenhum
de nós vive para si mesmo, e nenhum de nós morre para si mesmo. Se vivemos,
para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer vivamos, quer
morramos, pertencemos ao Senhor” (Rm
14,7-8).
Como explica João Paulo
II, “morrer para o Senhor significa viver a própria morte como acto supremo de
obediência ao Pai … ; viver para o Senhor significa também reconhecer que o
sofrimento, embora permaneça em si mesmo um mal e uma prova, sempre se pode tornar
fonte de bem”.
O cristão encontra o
sentido redentor do sofrimento humano, unindo‑se a Cristo, no mistério da sua
paixão, morte e ressurreição.
(Nota pastoral da CEP, Cuidar
da vida até à morte: Contributo para a reflexão ética sobre o morrer, 6 c)
25/11/2015
Evangelho, comentário, L. espiritual
Tempo comum XXXIV Semana
Evangelho:
Lc 21, 12-19
12 Mas antes de tudo
isto, lançar-vos-ão as mãos e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e às
prisões e vos levarão à presença dos reis e dos governadores por causa do Meu
nome. 13 Isto vos será ocasião de dardes testemunho. 14
Gravai, pois, nos vossos corações o não premeditar como vos haveis de defender,
15 porque Eu vos darei uma linguagem e uma sabedoria à qual não
poderão resistir, nem contradizer, todos os vossos inimigos. 16 Sereis
entregues por vossos pais, irmãos, parentes e amigos, e farão morrer muitos de
vós; 17 e sereis odiados de todos por causa do Meu nome; 18
mas não se perderá um só cabelo da vossa cabeça. 19 Pela vossa
perseverança salvareis as vossas almas.
Comentário:
Forçosamente
os comentários são algo repetitivos porque os temas evangélicos propostos à
nossa consideração fazem parte de um mesmo discurso de Jesus Cristo intencional
e muito sério de chamada de atenção para as verdades de Fé da Escatologia.
Não
podemos iludir-nos pensando em algo distante ou pelo menos futuro mas sim na
brevidade com que pode surgir a “chamada” divina para prestarmos contas.
Por
isso mesmo a perseverança na luta por melhorar e corrigir é, acompanhada da
oração, o único meio garantido que temos ao nosso alcance para não sermos
apanhados desprevenidos.
(ama, comentário sobre Lc 21, 12-19, 2014.11.26)
Leitura espiritual
Resumos da Fé cristã
TEMA 34. O quinto mandamento do
Decálogo
3.3.
A eutanásia
«Por
eutanásia, em sentido verdadeiro e próprio, deve-se entender uma acção ou uma
omissão que, por sua natureza e nas intenções, provoca a morte com o objectivo
de eliminar o sofrimento (…).
A
eutanásia é uma violação grave da Lei de Deus, enquanto morte deliberada
moralmente inaceitável de uma pessoa humana (…).
A
eutanásia comporta, segundo as circunstâncias, a malícia própria do suicídio ou
do homicídio» [i].
Trata-se
de uma das consequências, gravemente contrárias à dignidade humana, a que pode
conduzir o hedonismo e a perda do sentido cristão da dor.
«A
cessação de tratamentos médicos onerosos, perigosos, extraordinários ou
desproporcionados aos resultados esperados, pode ser legítima. É a rejeição do
“encarniçamento terapêutico”.
Não
que assim se pretenda dar a morte; simplesmente se aceita o facto de a não
poder impedir» [ii],
[iii].
Pelo
contrário, «mesmo que a morte seja considerada iminente, os cuidados
habitualmente devidos a uma pessoa doente não podem ser legitimamente
interrompidos» [iv],
[v].
A
alimentação e a hidratação artificiais são, em princípio, cuidados ordinários
devidos a qualquer doente [vi].
3.4.
O suicídio
«Nós
somos administradores e não proprietários da vida que Deus nos confiou; não
podemos dispor dela» [vii].
«O
suicídio contraria a inclinação natural do ser humano para conservar e
perpetuar a sua vida. É gravemente contrário ao justo amor de si mesmo. Ofende
igualmente o amor do próximo, porque quebra injustamente os laços de
solidariedade com as sociedades familiar, nacional e humana, em relação às
quais temos obrigações a cumprir. O suicídio é contrário ao amor do Deus vivo» [viii], [ix].
Preferir
a própria morte para salvar a vida de outro não é suicídio, antes pelo
contrário, pode constituir um acto de extrema caridade.
3.5.
A legítima defesa
A
proibição de causar a morte não suprime o direito de impedir que um injusto
agressor provoque dano [x].
A
legítima defesa pode ser mesmo um dever grave para quem é responsável pela vida
de outro ou do bem comum [xi].
3.6.
A pena de morte
Defender
o bem comum da sociedade exige que se coloque o agressor em situação de não
poder provocar danos.
Por
isso, a autoridade legítima pode infligir penas proporcionais à gravidade dos
delitos.
As
penas têm como fim compensar a desordem introduzida pela falta, preservar a
ordem pública, a segurança das pessoas e a emenda do culpado [xii].
«Para
bem conseguir todos estes fins, a medida e a qualidade da pena hão-de ser
atentamente ponderadas e decididas, não se devendo chegar à medida extrema da
execução do réu senão em casos de absoluta necessidade, ou seja, quando a
defesa da sociedade não fosse possível de outro modo. Mas, hoje, graças à
organização cada vez mais adequada da instituição penal, esses casos são já
muito raros, senão mesmo praticamente inexistentes» [xiii].
4.
O respeito pela dignidade das pessoas
4.1.
O respeito pela alma do próximo: o escândalo
Os
cristãos estão obrigados a procurar a vida e a saúde sobrenatural da alma do
próximo, além da do corpo.
O
escândalo é o contrário: «é a atitude ou comportamento que leva outrem a fazer
o mal.
O
escandaloso transforma-se em tentador do seu próximo (…).
O
escândalo constitui uma falta grave se, por acção ou omissão, levar
deliberadamente outra pessoa a cometer uma falta grave» [xiv].
Pode-se causar escândalo por comentários injustos, pela promoção de
espectáculos, livros e revistas imorais, por seguir modas contrárias ao pudor,
etc.
«O
escândalo reveste-se duma gravidade particular conforme a autoridade dos que o
causam ou a fraqueza dos que dele são vítimas» [xv]: «se
alguém escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, seria preferível que
lhe suspendessem do pescoço a mó de um moinho e o lançassem nas profundezas do
mar» [xvi], [xvii].
4.2.
O respeito pela saúde do corpo
O
respeito pelo próprio corpo é uma exigência da caridade, pois o corpo é templo
do Espírito Santo [xviii], e
somos responsáveis – no que de nós depende – por procurar a saúde corporal, que
é um meio para servir a Deus e os homens.
Mas
a vida corporal não é um valor absoluto: a moral cristã opõe-se à concepção
neopagã que promove o culto do corpo, e que pode conduzir à perversão das
relações humanas [xix].
«A
virtude da temperança leva a evitar toda a espécie de excessos, o abuso da
comida, da bebida, do tabaco e dos medicamentos.
Aqueles
que, em estado de embriaguez ou por gosto imoderado da velocidade, põem em
risco a segurança dos outros e a sua própria, nas estradas, no mar ou no ar, tornam-se
gravemente culpados» [xx].
O
uso de estupefacientes é uma falta grave pelos danos que causa à saúde e pela
fuga à responsabilidade pelos actos praticados sob a sua influência. A produção
clandestina e o tráfico de drogas são práticas imorais [xxi].
A
investigação científica não pode legitimar actos que em si mesmos são
contrários à dignidade das pessoas e à lei moral.
Nenhum
ser humano pode ser tratado como meio para o progresso da ciência [xxii].
Atentam
contra este princípio as práticas como a procriação artificial substitutiva ou
o uso de embriões com fins experimentais.
4.3.
O transplante de órgãos
A
doação de órgãos para transplante é legítima e pode ser um acto de caridade, se
a doação é plenamente livre e gratuita [xxiii], e
se respeita a ordem da justiça e da caridade.
«Uma
pessoa só pode doar alguma coisa de que se possa privar sem perigo sério ou
dano para a sua própria vida ou identidade pessoal, e por uma razão justa e
proporcionada. É óbvio que os órgãos vitais só podem ser doados depois da
morte» [xxiv].
É
preciso que o doador ou os seus representantes tenham dado de forma consciente
o seu consentimento [xxv].
Esta
doação, «embora seja legítima em si mesma, pode chegar a ser ilícita, se viola
os direitos e sentimentos de terceiros aos quais compete a tutela do cadáver:
os parentes próximos em primeiro lugar, mas poderia mesmo tratar-se de outras
pessoas em virtude de direitos públicos ou privados [xxvi].
4.4.
O respeito pela liberdade física e a integridade corporal
Os
sequestros e a posse de reféns são moralmente ilícitos: é tratar as pessoas
apenas como meios para obter diversos fins, privando-os injustamente da liberdade.
Também
gravemente contrários à justiça e à caridade, o terrorismo e a tortura.
«A
não ser por indicações médicas de ordem estritamente terapêutica, as
amputações, mutilações ou esterilizações directamente voluntárias de pessoas
inocentes, são contrárias à lei moral» [xxvii].
Portanto,
não são contrárias à lei moral aquelas que derivam da acção terapêutica
necessária para o bem do corpo considerado na sua totalidade, e que não se
querem nem como fim nem como meio, mas que se sofrem e toleram.
4.5.
O respeito pelos mortos
«Os
corpos dos defuntos devem ser tratados com respeito e caridade, na fé e
esperança da ressurreição.
Enterrar
os mortos é uma obra de misericórdia corporal [xxviii] que
honra os filhos de Deus, templos do Espírito Santo» [xxix].
«A
Igreja recomenda vivamente que se conserve o piedoso costume de sepultar os
corpos dos defuntos; mas não proíbe a cremação, a não ser que tenha sido
preferida por razões contrárias à doutrina cristã» [xxx].
(cont)
[i] Ibidem, 65
[ii] Catecismo, 2278
[iii] «As decisões devem
ser tomadas pelo paciente, se para isso tiver competência e capacidade; de
contrário, por quem para tal tenha direitos legais, respeitando sempre a
vontade razoável e os interesses legítimos do paciente» (Catecismo, 2278).
[iv] Catecismo, 2279
[v] «O uso dos
analgésicos para aliviar os sofrimentos do moribundo, mesmo correndo-se o risco
de abreviar os seus dias, pode ser moralmente conforme com a dignidade humana,
se a morte não for querida, nem como fim nem como meio, mas somente prevista e
tolerada como inevitável. Os cuidados paliativos constituem uma forma
excepcional da caridade desinteressada; a esse título, devem ser encorajados»
(Catecismo, 2279).
[vi] Cf. João Paulo II,
Discurso aos participantes no Congresso Internacional sobre “o tratamento de sostegno vitale e o estado vegetativo.
Progressos científicos e dilemas éticos”, 20-III-2004, n. 4; cf. Também
Conselho Pontifício da Pastoral para os Doentes Sanitários, Carta dos Agentes
da Saúde, n. 120; Congregação para a Doutrina da Fé, Respostas a algumas perguntas
da Conferência Episcopal dos Estados Unidos da América sobre a alimentação e
hidratação artificiais, 1-VIII-2007.
[vii] Catecismo, 2280
[viii] Catecismo, 2281
[ix] No entanto «não se
deve desesperar da salvação eterna das pessoas que se suicidaram. Deus pode,
por caminhos que só Ele conhece, oferecer-lhes a ocasião de um arrependimento
salutar. A Igreja ora pelas pessoas que atentaram contra a própria vida» (
Catecismo , 2283).
[x] «O amor para consigo
mesmo permanece um princípio fundamental de moralidade. E, portanto, legítimo
fazer respeitar o seu próprio direito à vida. Quem defende a sua vida não é réu
de homicídio, mesmo que se veja constrangido a desferir sobre o agressor um
golpe mortal» (Catecismo, 2264; cf. João Paulo II, Enc. Evangelium Vitae, 55):
neste caso, o homicídio do agressor não constitui objecto directo da vontade do
que se defende, mas que o objecto moral consiste em remover uma ameaça iminente
contra a própria vida.
[xi] cf. Catecismo, 2265
[xii] cf. Catecismo, 2266
[xiii] João Paulo II, Enc.
Evangelium Vitae, 56; cf. Catecismo, 2267.
[xiv] Catecismo, 2284
[xv] Catecismo, 2285
[xvii] «Tornam-se culpados
de escândalo os que estabelecem leis ou estruturas sociais conducentes à degradação
dos costumes e à corrupção da vida religiosa, ou a “condições sociais que,
voluntária ou involuntariamente, tornam difícil e praticamente impossível uma
conduta cristã conforme aos mandamentos” (Pio XII. Mensagem radiofónica, 1 de
Junho de 1941)» (Catecismo, 2286).
[xviii] cf. 1 Cor 6, 19; 3,
16 seg.; 2 Cor 6, 16
[xix] cf. Catecismo, 2289
[xx] Catecismo, 2290
[xxi] cf. Catecismo, 2291
[xxii] cf. Catecismo, 2295
[xxiii] Cf. João Paulo II,
Discurso, 22-VI-1991, 3; Catecismo, 2301.
[xxiv] Ibidem, 4.
[xxv] cfr. Catecismo, 2296
[xxvi] PIO XII, Discurso à
Associação Italiana de doadores de córnea, 14-V-1956.
[xxvii] Catecismo, 2297).
[xxviii] cf. Tb 1, 16-18
[xxix] Catecismo, 2300
[xxx] CDC, cân. 1176
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