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05/05/2023

Publicações em Maio 5

         


       Anunciação

A mais bela mulher, a mais gentil alma, o coração mais puro, ali, estremecendo com aquelas palavras inusitadas, ditas por aquele homem, que de homem só tem a aparência.

Todo ele é luz.

Uma luz que não se descreve e que a trespassa.

Nem por um momento se atemoriza a donzela.

«Não temas Maria, o Senhor enviou-me».

Tão jovem e tão humilde, tão singela e desinteressada:

Que quer este homem de mim?

Quem é?

Que me vai acontecer?

Que mal fiz eu?

Nada disto se pergunta a Virgem.

Perguntas legítimas e naturalíssimas. «Não temas. O Teu Deus, o Senhor, mandou-me»

Isto basta, chega perfeitamente.

Vem de Deus, vem do Senhor, só pode ser coisa boa, como tudo o que vem de Deus, mas, mesmo que não seja... isso não importa, vem de Deus, é com certeza para meu bem, mesmo que seja sofrimento, ainda que seja algo de tão estranho que pareça impossível.

Pois, para Deus, não há impossíveis, portanto, se Ele quer, pode fazer.

Mais tarde, dirá,

«Faça-se a Vontade do Senhor»

Toda a Vontade, de uma forma total e completa.

Eu, não sou mais que «A escrava do Senhor»!

A Escrava do Senhor!

Não um burro de carga, um pau mandado, uma coisa, não, uma escrava, um ser humano portanto, que pensa, que sente, que gosta, que tem sentimentos, mas que, tendo isso tudo, obedece e faz, sem hesitar, porque quem manda é o Senhor e o escravo deve obedecer prontamente.

Mais tarde dirá também, que as gerações futuras hão-de celebrá-la, louvá-la e engrandece-la.

Ela sabe, instantaneamente, isto tudo, mas nem por isso deixa de se considerar a escrava do Senhor.

Será Rainha dos Anjos e dos Santos, estará, no Céu, no degrau imediato a Deus que a ouvirá sempre complacentemente, nos seus rogos de intercessora dos homens e, sabendo isto, a Escrava do Senhor é como ela se considera.

Fundamentalmente, a Virgem sabe que é uma criatura de Deus, que Lhe pertence inteiramente, que Deus é senhor absoluto de todas as coisas, que dá e tira a vida quando, como e a quem quer, que efectivamente, todos os homens, são Seus escravos, embora não se considerem assim.

Deus também não nos considera assim.

Preferiu antes chamar-nos filhos e irmãos, porque não Lhe interessam escravos, interessam-lhe homens com vontade própria, que saibam lutar contra os defeitos e os vícios e vencer-se a si mesmo no caminho certo.

Mas, no fundo, o homem tem de se considerar escravo pois, o é efectivamente, no sentido de cumprir, sem hesitações ou desvios, a vontade do Senhor, sempre e em qualquer circunstância.

Ajuda-me, Senhor, a conhecer a Tua vontade e a ter a disposição que a nossa Santíssima Mãe nos ensinou.


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25/04/2020

Temas para meditar e reflectir

Coração de Jesus

O forno arde. Ao arder, queima todo o material, seja lenha ou outra matéria facilmente combustível.

O Coração de Jesus, o Coração humano de Jesus, queima com o amor que o enche. E este é o amor ao Pai Eterno e o amor aos homens: as filhas e os filhos adoptivos.

O forno, queimando, pouco a pouco apaga-se. O Coração de Jesus, ao contrário, é forno inextinguível. Nisto parece-se com a sarça-ardente do Êxodo, em que Deus Se revelou a Moisés. A sarça ardia com o fogo, mas... não se consumia (Ex 3,2).

Efectivamente, o amor que arde no Coração de Jesus é sobretudo o Espírito Santo, no qual Deus-Filho se une eternamente ao Pai. O Coração de Jesus, o Coração humano de Deus-Homem, está abrasado pela chama viva do Amor trinitário, que jamais se extingue.

Coração de Jesus, forno ardente de caridade. O forno, enquanto arde, ilumina as trevas da noite e aquece os corpos dos viajantes inteiriçados com o frio.

Hoje queremos pedir à Mãe do Verbo Eterno, para que no horizonte da vida de cada uma e cada um de nós não cesse nunca de arder o Coração de Jesus, forno ardente de caridade. Para que Ele nos revele o amor que não se extingue nem se deteriora jamais, o Amor que é eterno. Para que ilumine as trevas da noite terrena e aqueça os corações.

Dando-Lhe as graças pelo único amor capaz de transformar o mundo e a vida humana, dirigimo-nos com a Virgem Imaculada, no momento da Anunciação ao Coração Divino que não cessa de ser forno ardente de caridade. Ardente: como a sarça que Moisés viu ao pé do monte Horeb.



(SÃO JOÃO PAULO II, Angelus, 1985.06.23)





21/03/2018

Temas para meditar e reflectir

Coração de Jesus

O forno arde. Ao arder, queima todo o material, seja lenha ou outra matéria facilmente combustível.

O Coração de Jesus, o Coração humano de Jesus, queima com o amor que o enche. E este é o amor ao Pai Eterno e o amor aos homens: as filhas e os filhos adoptivos.

O forno, queimando, pouco a pouco apaga-se. O Coração de Jesus, ao contrário, é forno inextinguível. Nisto parece-se com a sarça-ardente do Êxodo, em que Deus Se revelou a Moisés. A sarça ardia com o fogo, mas... não se consumia (Ex 3,2).

Efectivamente, o amor que arde no Coração de Jesus é sobretudo o Espírito Santo, no qual Deus-Filho se une eternamente ao Pai. O Coração de Jesus, o Coração humano de Deus-Homem, está abrasado pela chama viva do Amor trinitário, que jamais se extingue.

Coração de Jesus, forno ardente de caridade. O forno, enquanto arde, ilumina as trevas da noite e aquece os corpos dos viajantes inteiriçados com o frio.

Hoje queremos pedir à Mãe do Verbo Eterno, para que no horizonte da vida de cada uma e cada um de nós não cesse nunca de arder o Coração de Jesus, forno ardente de caridade. Para que Ele nos revele o amor que não se extingue nem se deteriora jamais, o Amor que é eterno. Para que ilumine as trevas da noite terrena e aqueça os corações.

Dando-Lhe as graças pelo único amor capaz de transformar o mundo e a vida humana, dirigimo-nos com a Virgem Imaculada, no momento da Anunciação ao Coração Divino que não cessa de ser forno ardente de caridade. Ardente: como a sarça que Moisés viu ao pé do monte Horeb.



(SÃO JOÃO PAULO II, Angelus, 1985.06.23)





21/06/2016

Temas para meditar - 647

Santíssima Virgem

Avé, cheia de graça.

Avé, único auxílio dos que carecem dele.

O nosso olhar está posto em ti, a única pura, e põe em ti a esperança e te olha sempre.

Sê o auxílio constante para nós, tão pobres, e livra-nos de toda a justa ira e ameaça; guarda-nos sempre e defende o género humano das tentações, dos perigos e de todas as calamidades.


(S. joão damascenoHomília in Annuntiatione B. V. Mariae, II, 17; nr. 96, 659, trad por ama)

14/05/2014

Temas para meditar 105

Santíssima Virgem


O anjo retira-se. Jesus já está no seio de Sua Mãe.
Este momento é crucial na história da humanidade.
Santa Maria, dotada então de uma especialíssima graça do Espírito Santo, e ao mesmo tempo com total liberdade, concorda gozosa em ser a Mãe de Deus, com pleno conhecimento do que esse facto supõe, tanto de alegria como de sacrifício. Por isso o seu consentimento é meritório, e além disso realiza-o em nome próprio e no da humanidade.

(federico delcauxSanta Maria nos escritos do Beato JOSEMARIA Escrivá, Rei dos Livros 1996, pg 68)

05/05/2012

A Anunciação do Senhor

Textos de S. Josemaria

Como nos encanta o episódio da Anunciação! Maria (quantas vezes o meditámos!) está recolhida em oração...; põe os seus cinco sentidos e todas as suas potências em diálogo com Deus... Na oração conhece a Vontade divina; e com a oração torna-a vida da sua vida. Não te esqueças do exemplo da Virgem! (Sulco 481)

Não esqueças, meu amigo, que somos crianças. A Senhora do doce nome, Maria, está recolhida em oração.
Tu és, naquela casa, o que quiseres ser: um amigo, um criado, um curioso, um vizinho... – Eu, por agora, não me atrevo a ser nada. Escondo-me atrás de ti e, pasmado, contemplo a cena:
O Arcanjo comunica a sua mensagem... – Quomodo fiet istud, quoniam virum non cognosco? – Como se fará isso, se não conheço varão? (Lc 1, 34).

A voz da nossa Mãe traz à minha memória, por contraste, todas as impurezas dos homens..., as minhas também.
E como odeio, então, essas baixas misérias da terra!... Que propósitos!
Fiat mihi secundum verbum tuum.
– Faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc I, 38). Ao encanto destas palavras virginais, o Verbo se fez carne.
Vai terminar a primeira dezena... Ainda tenho tempo para dizer ao meu Deus, antes de qualquer mortal: Jesus, amo-Te (Santo Rosário. Iº mistério gozoso).

© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet

15/06/2011

Doutrina, Filosofia, Teologia: A Anunciação à Bem-aventurada Virgem devia ser feita por um anjo?

Parece que a anunciação à Bem-aventurada Virgem não deveria ser feita por um anjo:

1. Com efeito, segundo Dionísio, a revelação é feita aos anjos superiores por Deus. Ora, a Mãe de Deus foi exaltada acima de todos os anjos. Logo, parece que o mistério da encarnação deveria ser-lhe anunciado imediatamente por Deus e não por um anjo.
2. Além disso, se era conveniente observar nisto a ordem comum segundo a qual os mistérios de Deus são comunicados aos homens pelos anjos, convinha igualmente observar a ordem segundo a qual os mistérios divinos são propostos às mulheres pelos maridos, como afirma o Apóstolo na primeira Carta aos Coríntios: “As mulheres calem-se nas assembleias; e se elas desejam instruir-se sobre alguma coisa, interroguem ao marido em casa(14, 34-35). Logo, parece que o mistério da encarnação deveria ter sido anunciado à Bem-aventurada Virgem por algum homem; principalmente porque José, seu esposo, fora instruído a esse respeito por um anjo, como se lê no Evangelho de Mateus (1, 20-21).
3. Ademais, ninguém pode anunciar de maneira conveniente aquilo que ignora. Ora, os anjos superiores não tiveram conhecimento pleno do mistério da encarnação; por isso Dionísio afirma que a eles se refere a questão posta por Isaías: “Quem é pois este que vem de Edon?(63, 1). Logo, parece que nenhum anjo teria podido anunciar convenientemente a encarnação.
4. Ademais, as coisas mais importantes devem ser anunciadas por mensageiros mais importantes. Ora, o mistério da encarnação é o maior de todos aqueles que foram anunciados aos homens pelos anjos. Parece, pois, que se tivesse de ser anunciado por algum anjo, deveria ser por algum da ordem mais elevada. Ora, Gabriel não é da ordem mais elevada, mas da ordem dos arcanjos, que é a penúltima; por isso canta a Igreja: “Sabemos que o arcanjo Gabriel te falou da parte de Deus”. Logo, tal anunciação não podia ser feita convenientemente pelo arcanjo Gabriel.
EM SENTIDO CONTRÁRIO, está o que diz o Evangelho de Lucas: “O anjo Gabriel foi enviado por Deus etc.”.

Por três motivos era conveniente que o mistério da encarnação divina fosse anunciado à Mãe de Deus por um anjo:

Primeiro, para que neste caso fosse observada a ordem estabelecida por Deus segundo a qual os mistérios divinos chegam aos homens por mediação dos anjos. Por isso diz Dionísio: “Os anjos foram os primeiros a ser instruídos sobre o mistério divino do amor benigno de Jesus; depois, por meio deles chegou até nós a graça desse conhecimento. É assim que o divino Gabriel comunicou a Zacarias que um profeta teria nele a sua origem; e a Maria, como se realizaria nela o mistério ‘teárquico’ da inefável formação de Deus”.
Segundo, convinha também à reparação do género humano que haveria de acontecer por Cristo. Por isso afirma Beda: “Foi um bom começo da restauração da humanidade que Deus enviasse um anjo à Virgem que deveria ser consagrada por um parto divino. Pois a primeira causa da perdição humana foi o envio da serpente à mulher, feito pelo diabo, para enganá-la com espírito de soberba”.
Terceiro, porque era conveniente à virgindade da Mãe de Deus. Por isso Jerónimo afirma: “É bom que um anjo seja enviado à Virgem, porque a virgindade sempre esteve aparentada com os anjos. De fato, viver na carne sem estar a ela submetido não é uma vida terrena, mas celestial”.



Suma Teológica III, 30, 2


Quanto às objecções iniciais, portanto, deve-se dizer que:


1. A Mãe de Deus era superior aos anjos no que se refere à dignidade para a qual fora eleita por Deus; mas era inferior aos anjos do ponto de vista do estado da presente vida. Pois o próprio Cristo, por causa da sua vida sujeita ao sofrimento, “tornou-se um pouco inferior aos anjos”, diz a Carta aos Hebreus (2, 9). Ma pelo fato de Cristo ser, ao mesmo tempo, peregrino e possuidor da visão beatífica, não tinha necessidade de ser instruído pelos anjos a respeito do conhecimento dos mistérios divinos. A Mãe de Deus, porém, não tinha atingido ainda o estado dos que possuem a visão beatífica. Por isso necessitava ser instruída pelos anjos a respeito do pensamento de Deus.
2. Como diz Agostinho, é a justo título que a bem-aventurada Virgem Maria constitui uma excepção de algumas leis comuns, pois “aquela que recebeu Cristo, do Espírito Santo, nas suas entranhas virginais, nem multiplicou as suas concepções, nem esteve sob o poder de um varão”, isto é, de um marido. Por isso não devia ser instruída sobre o mistério da encarnação por um homem, mas por um anjo. É também por essa razão que foi instruída antes de José, pois foi instruída antes de conceber, enquanto José depois.
3. O texto citado de Dionísio deixa bem claro que os anjos conheceram o mistério da encarnação; mas, apesar disso, interrogam, desejosos de saber mais perfeitamente do próprio Cristo as razões deste mistério, que superam a compreensão de todo entendimento criado. Por isso afirma Máximo: “Não se pode duvidar que os anjos conheceram a futura encarnação; o que lhes restou velado foi o misterioso pensamento do Senhor, e o modo pelo qual, permanecendo totalmente no Pai que o gerou, podia permanecer integralmente em todas as coisas, como também no seio da Virgem”.
4. Afirmam alguns que Gabriel pertencia à ordem mais elevada dos anjos, sobretudo pelo que diz Gregório: “Era digno que fosse o maior dos anjos aquele que anunciasse o maior de todos os mistérios”. Mas desse texto não se pode concluir que fosse o maior com relação a todas as ordens, mas só com relação aos anjos, já que pertencia à ordem dos arcanjos. Por isso a Igreja o chama arcanjo, e o próprio Gregório afirma: “Denominam-se arcanjos os que anunciam os mais altos mistérios’. É, pois, suficiente pensar que seja o maior na ordem dos arcanjos. E, como diz Gregório, o nome corresponde à sua missão, já que “Gabriel significa ‘força de Deus’; pois era pela força de Deus que devia ser anunciado aquele que, sendo Senhor das potestades e poderoso no combate, vinha para subjugar os poderes espalhados no ar”.



25/03/2011

Anunciação do Senhor

O facto de a Anunciação do Senhor cair dentro do período quaresmal faz-nos compreender o significado redentor dela: a Encarnação está intimamente ligada com a Redenção, que Jesus realizou derramando o seu sangue por nós na Cruz. 


joão Paulo II, Passai um Ano Comigo, Meditações quotidianas, Editorial Verbo 1986, Tempo Pascal, pg. 120

Anunciação de Maria


Melozzo da Forli

Como nos encanta o episódio da Anunciação! Maria (quantas vezes o meditámos!) está recolhida em oração...; põe os seus cinco sentidos e todas as suas potências em diálogo com Deus... Na oração conhece a Vontade divina; e com a oração torna-a vida da sua vida. Não te esqueças do exemplo da Virgem! (S. josemaria escrivá, Sulco 481)

Não esqueças, meu amigo, que somos crianças. A Senhora do doce nome, Maria, está recolhida em oração.
Tu és, naquela casa, o que quiseres ser: um amigo, um criado, um curioso, um vizinho... – Eu, por agora, não me atrevo a ser nada. Escondo-me atrás de ti e, pasmado, contemplo a cena:
O Arcanjo comunica a sua mensagem... – Quomodo fiet istud, quoniam virum non cognosco? – Como se fará isso, se não conheço varão? (Lc 1, 34).
A voz da nossa Mãe traz à minha memória, por contraste, todas as impurezas dos homens..., as minhas também.
E como odeio, então, essas baixas misérias da terra!... Que propósitos! Fiat mihi secundum verbum tuum.
– Faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc I, 38). Ao encanto destas palavras virginais, o Verbo se fez carne.
Vai terminar a primeira dezena... Ainda tenho tempo para dizer ao meu Deus, antes de qualquer mortal: Jesus, amo-Te.
(S. josemaria escrivá, Santo Rosário. Iº mistério gozoso).