08/02/2021

Tens de conviver, tens de compreender

 

Tens de conviver, tens de compreender, tens de ser irmão dos homens teus irmãos, tens de pôr amor – como diz o místico castelhano – onde não há amor, para colher amor. (Forja, 457)

O principal apostolado que nós, os cristãos, temos de realizar no mundo, o melhor testemunho de fé é contribuir para que dentro da Igreja se respire o clima de autêntica caridade. Quando não nos amamos verdadeiramente, quando há ataques, calúnias e inimizades, quem se sentirá atraído pelos que afirmam que pregam a Boa Nova do Evangelho? (Amigos de Deus, 225–226)

Leitura espiritual Fev 08

 


Novo Testamento [i]


Evangelho


Mc IX, 9-29



Sobre a vinda de Elias

9 Ao descerem do monte, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto, senão depois de o Filho do Homem ter ressuscitado dos mortos. 10 Eles guardaram a recomendação, discutindo uns com os outros o que seria ressuscitar de entre os mortos. 11 E fizeram-lhe esta pergunta: «Porque afirmam os doutores da Lei que primeiro há-de vir Elias?» 12 Jesus respondeu-lhes: «Sim; Elias, vindo primeiro, restabelecerá todas as coisas; porém, não dizem as Escrituras que o Filho do Homem tem de padecer muito e ser desprezado? 13 Pois bem, digo-vos que Elias já veio e fizeram dele tudo o que quiseram, conforme está escrito.»

 

O menino possesso

14 Ia ter com os seus discípulos, quando viu em torno deles uma grande multidão e uns doutores da Lei a discutirem com eles. 15 Assim que viu Jesus, toda a multidão ficou surpreendida e acorreu a saudá-lo. 16 Ele perguntou: «Que estais a discutir uns com os outros?» 17 Alguém de entre a multidão disse-lhe: «Mestre, trouxe-te o meu filho que tem um espírito mudo. 18 Quando se apodera dele, atira-o ao chão, e ele põe-se a espumar, a ranger os dentes e fica rígido. Pedi aos teus discípulos que o expulsassem, mas eles não conseguiram.» 19 Disse Jesus: «Ó geração incrédula, até quando estarei convosco? Até quando vos hei-de suportar? Trazei-mo cá.» 20 E levaram-lho. Ao ver Jesus, logo o espírito sacudiu violentamente o jovem, e este, caindo por terra, começou a estrebuchar, deitando espuma pela boca. 21 Jesus perguntou ao pai: «Há quanto tempo lhe sucede isto?» Respondeu: «Desde a infância; 22 e muitas vezes o tem lançado ao fogo e à água, para o matar. Mas, se podes alguma coisa, socorre-nos, tem compaixão de nós.» 23 «Se podes...! Tudo é possível a quem crê», disse-lhe Jesus. 24 Imediatamente o pai do jovem disse em altos brados: «Eu creio! Ajuda a minha pouca fé!» 25 Vendo, Jesus, que acorria muita gente, ameaçou o espírito maligno, dizendo: «Espírito mudo e surdo, ordeno-te: sai do jovem e não voltes a entrar nele.» 26 Dando um grande grito e sacudindo-o violentamente, saiu. O jovem ficou como morto, a ponto de a maioria dizer que tinha morrido. 27 Mas, tomando-o pela mão, Jesus levantou-o, e ele pôs-se de pé. 28 Quando Jesus entrou em casa, os discípulos perguntaram-lhe em particular: «Porque é que nós não pudemos expulsá-lo?» 29 Respondeu: «Esta casta de espíritos só pode ser expulsa à força de oração.»


Texto:



Castidade

  Desde sempre, o tema da sexualidade provocou controvérsia e discussões.

Dependendo da formação moral de cada um e dos ambientes que se verificam, muitas vezes se exacerbam posições e conceitos, princípios e normas que tendem, quase sempre, para confundir bastante e esclarecer muito pouco.

Na verdade as coisas são simples porque se trata de uma característica marcante do ser humano e, em princípio, tanto faz que seja apreciado por um cristão ou por alguém sem qualquer fé ou religião porque o essencial é o mesmo.

  A diferença reside no enfoque que se lhe dá, no caso das duas pessoas citadas, por exemplo, a primeira tentará enquadrá-la sob uma óptica moral, em que a razão domina a paixão, o apetite ou o impulso, ao passo que a segunda não terá essas preocupações mas apenas retirar dela o maior beneficio ou gozo sem ter muito em conta os possíveis excessos e as consequências daí resultantes.

  Durante décadas, enquadrou-se a formação espiritual da juventude, principalmente masculina, no âmbito pouco claro e esclarecedor da sexualidade.

  Não discutindo o assunto ou fazendo-o sob intensas reservas e tabus, criou-se uma imagem de algo proibido, inaceitável e pouco digno.

  Por norma, não existiam conversas sobre o assunto entre pais e filhos e os mestres ou formadores atinham-se a generalidades tratadas muito pela rama.

Naturalmente que a dificuldade do jovem em ter uma orientação séria e segura levou a que alguns pensem, ainda hoje em dia, que a educação sobre a sexualidade humana é algo de primeiríssima importância a que tem de se dar urgente atenção.

  Já se viu este assunto e não regressaremos a ele a não ser para, uma vez mais, referir que o bom senso tem de imperar antes de qualquer outra coisa.

  Nem os antigos eram incompetentes na educação da juventude, nem a competência que se outorgam os actuais pretensos educadores, são motivos de alarme.

Os primeiros porque as gerações foram conseguindo sobreviver, os segundos porque a precariedade destas políticas tende a demorar o tempo que medeia entre a sua implementação e a revolta da própria juventude.

  Que não se enganem as luminárias de agora, a juventude acaba sempre por exigir e conseguir o que quer e que é, quase sempre, o contrário daquilo que se lhe pretende impor.

  Algo que tem muito a ver com o assunto anteriormente abordado: é a falta de ideal de vida.

 

 

 

 



[i] Sequencial todos os dias do ano

Reflexão

 

Pode julgar-se uma civilização segundo a sua forma de se conduzir com os débeis, as crianças, com os doentes, com as pessoas de terceira idade.

 

(São Paulo VI, Alocução, 24.05.1974)

Pequena agenda do cristão - Segunda-Feira

   

 

SeGUNDa-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

07/02/2021

Cinco Chagas

 


Em que Chaga refugiar-me, Senhor?

Na do Teu peito?

Sim, é a minha preferida. Ficar ali, em descanso, junto ao Teu Coração.

Mas não ouso! Parece-me demais!

Nas das Tuas Mãos?

Na Chaga da Mão Direita… essa mão com que abençoas e tocas os doentes?

Mas não ouso! Parece-me demais!

Na Chaga da Mão Esquerda… a mão que segura o caminhante que titubeia na senda da salvação?

Mas não ouso! Parece-me demais!

Nas dos Teus Pés?

Na Chaga do Pé Direito… em que apoias todo o Teu peso quando Te levantas no Caminho do Gólgota?

Mas não ouso! Parece-me demais!

Na Chaga do Pé Esquerdo… com que sacodes o pó contra os que Te rejeitam?

Sim… ouso refugiar-me aqui.

Assim tomarei parte na defesa do Teu Santo Nome tão ofendido!

E… aqui fico, feliz e contente por ter encontrado refúgio e protecção. Faço Desta Chaga o meu berço onde quero adormecer e acordar todos os dias que me concederes viver.

(AMA, comentário sobre Jo 19, 28-37, 2013.02.07)

Meu Pai do Céu, ajuda-me

 

A ti, que desmoralizas, repetir-te-ei uma coisa muito consoladora: a quem faz o que pode, Deus não lhe nega a Sua graça. Nosso Senhor é Pai, e se um filho lhe diz na quietude do seu coração: Meu Pai do Céu, aqui estou, ajuda-me... Se recorre à Mãe de Deus, que é Mãe nossa, vai para a frente. Mas Deus é exigente. Pede amor de verdade; não quer traidores. É preciso ser fiel a essa luta sobrenatural, que é ser feliz na terra à força de sacrifício. (Via Sacra, 10ª Estação, n. 3)

Recorrei semanalmente – e sempre que o necessiteis, sem dar lugar aos escrúpulos – ao santo Sacramento da Penitência, ao sacramento do perdão divino. Revestidos da graça, caminharemos por entre os montes e subiremos a encosta do cumprimento do dever cristão, sem nos determos. Utilizando estes recursos com boa vontade e rogando ao Senhor que nos conceda uma esperança cada dia maior, possuiremos a alegria contagiosa dos que se sabem filhos de Deus: Se Deus está connosco, quem nos poderá derrotar? Optimismo, portanto. Incitados pela força da esperança, lutaremos para apagar a mancha viscosa que espalham os semeadores do ódio e redescobriremos o mundo com uma perspectiva jubilosa, porque saiu formoso e limpo das mãos de Deus, e restituir-lho-emos assim belo, se aprendermos a arrepender-nos. (Amigos de Deus, 219–220)

Leitura espiritual Fev 07



Novo Testamento [i]


Evangelho


Mc VIII, 27-36; Mc IX, 1-8

 

A confissão de Pedro

27 Jesus partiu com os discípulos para as aldeias de Cesareia de Filipe. No caminho, fez aos discípulos esta pergunta: «Quem dizem os homens que Eu sou?» 28 Disseram-lhe: «João Baptista; outros, Elias; e outros, que és um dos profetas.» 29 «E vós, quem dizeis que Eu sou?» - perguntou-lhes. Pedro tomou a palavra, e disse: «Tu és o Messias.» 30 Ordenou-lhes, então, que não dissessem isto a ninguém.

 

Jesus prediz a Sua Paixão

31 Começou, depois, a ensinar-lhes que o Filho do Homem tinha de sofrer muito e ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos doutores da Lei, e ser morto e ressuscitar depois de três dias. 32 E dizia claramente estas coisas. Pedro, desviando-se com Ele um pouco, começou a repreendê-lo. 33 Mas Jesus, voltando-se e olhando para os discípulos, repreendeu Pedro, dizendo-lhe: «Vai-te da minha frente, Satanás, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens.»

 

Necessidade da abnegação

34 Chamando a si a multidão, juntamente com os discípulos, disse-lhes: «Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. 35 Na verdade, quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, há-de salvá-la. 36 Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? 37 Ou que pode o homem dar em troca da sua vida? 38 Pois quem se envergonhar de mim e das minhas palavras entre esta geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, com os santos anjos.»

XIX 1 Disse-lhes também: «Em verdade vos digo que alguns dos aqui presentes não experimentarão a morte sem terem visto o Reino de Deus chegar em todo o seu poder.»

 

Transfiguração

2 Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e levou-os, só a eles, a um monte elevado. E transfigurou-se diante deles. 3 As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que lavadeira alguma da terra as poderia branquear assim. 4 Apareceu-lhes Elias, juntamente com Moisés, e ambos falavam com Ele. 5 Tomando a palavra, Pedro disse a Jesus: «Mestre, bom é estarmos aqui; façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés e uma para Elias.» 6 Não sabia que dizer, pois estavam assombrados. 7 Formou-se, então, uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado. Escutai-o.» 8 De repente, olhando em redor, já não viram ninguém, a não ser só Jesus, com eles.


Texto:

 


  Castidade

  Voltemos um pouco atrás para falar de pureza.

  O que tem a ver com a castidade? E com a sexualidade?

  Pois bem, a pureza é uma virtude que define o são critério e juízo da pessoa humana. Daqui que seja uma ajuda preciosa quando considera a sexualidade, a inclinação amorosa, o convívio com os outros e - sumamente importante - o comportamento próprio em qualquer ocasião ou circunstância da vida.

  ‘A mais bela das virtudes’ como foi apelidada tem como que um cortejo de muitas outras que a acompanham porque são atinentes, fruto e consequência.

  Não iremos muito além neste tema já que parece estar fora do âmbito destes escritos. De facto a contenção e moderação da sexualidade, dando-lhe os fins apropriados para que existe, não supõe nem conceitos nem teorias sobre o assunto.

Quem converte este tema em eixo em torno do qual gira a sua vida, submetendo-se às prisões e cadeias que prendem um ser humano aos instintos e impulsos sem nenhuma tentativa de moderação ou, sequer, comando das acções, não está, com certeza, interessado em considerar temas ligados à “Melhoria Pessoal e à Vida Interior”.

  Esta melhoria Pessoal de que vimos falando não é algo intemporal ou mirífico, alguma coisa que se tenha como um ideal mas que se vai deixando relegado para segundas oportunidades já que haverá coisas mais importantes a fazer entretanto.

  Não senhor!

  A melhoria pessoal é o que de mais íntimo o homem poderá ter como desejo de evolução que é, deve ser, inato a todo o ser humano.

Sabemos muito bem, cada um dos seres humanos, aquilo em que podemos melhorar e conseguir melhores resultados.

  Como já dissemos, a alteração das regras iniciais, as estabelecidas pelo Criador, como seja a criação de seres humanos diferentes, homem e mulher, não pode nem deve ser admitida.

  Sendo assim, como indiscutivelmente é, tem forçosamente de ser encarada com muita seriedade e num plano igualmente superior das ideias.

  Olhar a sexualidade humana como algo de extraordinária relevância que, só por si, justifica estudos e investigações de profundíssimo pormenor, não é, de todo, nem necessário nem justificável, mas antes uma característica ou propriedade humana a ser encarada com a mesma naturalidade como outra qualquer, por exemplo, a comoção ou a afectividade.

  Não se retira importância à sexualidade mas atribui-se-lhe aquela que tem e não mais. 

Ora ao legislar sobre este assunto, o poder civil está a intrometer-se em algo que lhe está vedado justamente porque não pode querer elaborar leis que vão contra a ordem natural.

  Hoje, cada vez mais este tema parece alcançar uma relevância que só encontra explicação na falta - ou completa ausência - de moderação e moralização dos costumes e comportamentos humanos, numa declarada ambição de abolir quaisquer barreiras ou regras, numa licenciosidade absoluta em que tudo é permitido porque tudo se justifica como sendo natural.

  O problema é que não o é.

  Ninguém com um mínimo de senso comum pode admitir como natural que o homem tenha como preocupação - e, muitas vezes ocupação - o sexo.

  Temos visto a que conduz esta desviante forma de encarar a sexualidade humana e as situações de abuso, por vezes tão aberrantes que os próprios Tribunais têm enormes dificuldades em apreciá-las.

Se defendemos, com energia, tratar a sexualidade como algo natural e simples, por isso mesmo, devemos reprovar o abuso e uso indiscriminado para promover, em nome ou sob pretexto de proporcionar uma educação completa.

  Como se as raparigas e os rapazes de hoje fossem mais carentes, nesse aspecto, que os de gerações anteriores, ou se estas, por falta dos preciosos ensinamentos actuais, estivessem reduzidos a campos meramente experimentais dos quais nós, seus descendentes, somos simples consequência.

  Isto tudo é um disparate tão grande que resulta difícil aceitar que exista.

  Mas, infelizmente, é uma gritante realidade!

  Os nossos jovens estão a ser sujeitos a pressões inauditas e precisam, como nunca, do apoio sensato e equilibrado dos progenitores e educadores responsáveis.

Sem estes, estarão perdidos e assistiremos à derrocada e progressivo abandono da instituição familiar porque a base da sua constituição, que é o sentimento sublime do amor, está a ser substituída pelo desenfreado impulso sexual.

  A seriedade dos comportamentos de homens e mulheres mede-se pelo respeito que cada um tem por si próprio e pelo outro, enquanto seres diferenciados com capacidades, características e, até, finalidades diferentes.

Mas têm de convir que desempenham papeis complementares uma vez que há acções que só podem ser concretizadas com o concurso de ambos.

Não parece valer muito a pena consumir mais tempo sobre estes assuntos.

  As pessoas bem formadas não têm questões a levantar neste domínio e, às outras, pouco lhes importará o que possamos dizer.

  Ao falarmos da sexualidade humana temos de ter sempre presente o amor já que, só o amor verdadeiro, consciente, puro e simples a consegue regular e conformar com o serviço a que é chamada, com a dignidade que deve ter.

  E dizíamos bem ao afirmar que, sem amor, qualquer sentimento humano por mais virtuoso que possa ser, apresenta-se, sempre, carente do elemento aglutinador que lhe dá consistência e o justifica.

  Mais, o amor carrega consigo uma infinidade de virtudes características e potências fundamentais para que esses mesmos sentimentos se apresentem completos, na sua máxima capacidade.

  A propósito da força e capacidades do amor, vem esta pequena história.

  Há muitíssimos anos, um poderoso senhor da China resolveu dar um grande banquete para o qual foram convidadas muitas jovens da mais alta nobreza para serem objecto da escolha por parte do príncipe seu filho que completava vinte e cinco anos de idade e ainda não tinha noiva.

No meio das numerosas jovens tinha-se insinuado a filha de uma simples empregada do palácio cujo enorme amor pelo príncipe a levara a correr o risco de ser descoberta.

O príncipe entregou a cada jovem um pote de belíssima porcelana e uma semente dizendo que, aquela que dentro de seis meses apresentasse a mais bela flor, seria a sua eleita.

À filha da empregada as coisas correram muito mal porque, não obstante os seus esforços e os de sua mãe, a pequena semente não produziu absolutamente nada.

Passados seis meses todas as jovens voltaram ao palácio e a filha da empregada, também, porque, embora não tivesse flor nenhuma para mostrar, não quis perder a oportunidade - talvez a última - de estar perto do seu amado.

O Príncipe percorreu as filas de jovens, cada qual ostentando no seu pote de porcelana a mais bela e formosa flor e foi deter-se, precisamente, em frente da pobre rapariga que nem ousava levantar os olhos do seu pote que continha a semente encarquilhada de tantas regas e esforços.

Levantando a voz, chamou-a para o centro do grande salão e disse: Tu és a minha escolhida! Tu serás a minha noiva!

  Perante a admiração que a sua escolha provocara, explicou: ‘As sementes que, há seis meses, dei a cada uma, eram absolutamente estéreis, incapazes de produzir o quer que fosse.’

  O amor levou a jovem a arrostar com o perigo de poder ser descoberta a sua intromissão na sala do banquete e, também foi o amor, que a impediu de tentar enganar o seu amado.

  As outras jovens, obviamente, fizeram-no na tentativa de conquistar o almejado lugar de noiva de tão importante príncipe, porque o que sentiam era só desejo e ambição.

 

 


 



[i] Sequencial todos os dias do ano



Reflexão

 

Não há ninguém, que por pouco que reflicta, não encontre em si mesmo poderosos motivos que o obriguem a mostrar-se agradecido a Deus. E especialmente nós, porque nos escolheu para Si e nos guardou para O servir só a Ele.

 

(São Bernardo, Sermão 2, para o VI Domingo depois de Pentecostes, 1)

Sacramentos

 


O Matrimónio

 

Se depois do divórcio se contrai uma nova união, mesmo reconhecida pela lei civil, «o cônjuge casado outra vez encontra-se numa situação de adultério público e permanente» (Catecismo, 2384). Os divorciados novamente casados, embora continuem a pertencer à Igreja, não podem ser admitidos à Comunhão eucarística, porque o seu estado e condição de vida contradizem objectivamente essa união de amor indissolúvel entre Cristo e a Igreja significada e actualizada na Eucaristia. “A reconciliação pelo sacramento da penitência – que abriria o caminho ao sacramento eucarístico – pode ser concedida só àqueles que, arrependidos de ter violado o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo, estão sinceramente dispostos a uma forma de vida não mais em contradição com a indissolubilidade do matrimónio. Isto tem como consequência, concretamente, que quando o homem e a mulher, por motivos sérios – como, por exemplo, a educação dos filhos – não se podem separar, assumem a obrigação de viver em plena continência, isto é, de abster-se dos actos próprios dos cônjuges”.

(São João Paulo II, Ex. ap. Familiaris Consortio , 84. Cf. Bento XVI, Ex. ap. Sacramentum Caritatis, 22-II-2007, 29; Congregação para a Doutrina da Fé, Carta sobre a recepção da Comunhão Eucarística por parte dos fiéis divorciados que voltaram a casar, 14-09-1994; Catecismo , 1650).

Pequena agenda do cristão

  


DOMINGO

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



[i] Cfr. Lc 1, 38
[ii] AMA, orações pessoais
[iii] AMA, orações pessoais
[iv] AMA, orações pessoais
[v] Btº Álvaro del Portillo (oração pessoal)





























06/02/2021

Santidade




 O preço da santidade

Leitura espiritual Fev 06

 


Novo Testamento [i]


Evangelho


Mc VIII, 10-26

 

Os fariseus pedem um prodígio

10 Subindo logo para o barco com os discípulos, foi para os lados de Dalmanuta. 11 Apareceram os fariseus e começaram a discutir com Ele, pedindo-lhe um sinal do céu para o pôr à prova. 12 Jesus, suspirando profundamente, disse: «Porque pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo: sinal algum será concedido a esta geração.» 13 E, deixando-os, embarcou de novo e foi para a outra margem.

 

O fermento dos fariseus

14 Os discípulos tinham-se esquecido de levar pães e só traziam um pão no barco. 15 Jesus começou a avisá-los, dizendo: «Olhai: tomai cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes.» 16 E eles discorriam entre si: «Não temos pão.» 17 Mas Ele, percebendo-o, disse: «Porque estais a discorrer que não tendes pão? Ainda não entendestes nem compreendestes? Tendes o vosso coração endurecido? 18 Tendes olhos e não vedes, tendes ouvidos e não ouvis? E não vos lembrais 19 de quantos cestos cheios de pedaços recolhestes, quando parti os cinco pães para aqueles cinco mil?» Responderam: «Doze.» 20 «E quando parti os sete pães para os quatro mil, quantos cestos cheios de bocados recolhestes?» Responderam: «Sete.» 21 Disse-lhes então: «Ainda não compreendeis?»

 

O cego de Betsaida

22 Chegaram a Betsaida e trouxeram-lhe um cego, pedindo-lhe que o tocasse. 23 Jesus tomou-o pela mão e conduziu-o para fora da aldeia. Deitou-lhe saliva nos olhos, impôs-lhe as mãos e perguntou: «Vês alguma coisa?» 24 Ele ergueu os olhos e respondeu: «Vejo os homens; vejo-os como árvores a andar.» 25 Em seguida, Jesus impôs-lhe outra vez as mãos sobre os olhos e ele viu perfeitamente; ficou restabelecido e distinguia tudo com nitidez. 26 Jesus mandou-o para casa, dizendo: «Nem sequer entres na aldeia.»


Texto:

 


  Castidade

  Como já se disse o prazer é sempre efémero por isso a busca de novas sensações e momentos de satisfação torna-se uma verdadeira necessidade e não poucas vezes uma obsessão.

A imaginação joga um papel decisivo e deixá-la “à solta” acaba quase sempre por forçar a atitude.

  Muitas vezes a pessoa dominada por este vício ultrapassa os limites da normalidade - por assim dizer - de uma actuação própria que não existiria se o não tivesse. Chega a cometer autênticos crimes contra si próprio ou contra terceiros. Configura um desprezo ou pelo menos falta de consideração pelo próprio corpo e pelo dos outros.

O respeito pelo corpo é sem dúvida alguma uma característica do carácter bem formado.

A pessoa sabe que o corpo é como que o invólucro da alma e portanto deve ser respeitado na sua integridade e nunca usado como um meio objecto de prazer ou deleite.

A modéstia e o decoro pessoais caracterizam a pessoa consciente desta realidade.

  Ter a noção correcta do que é permitido e que não o é, dos limites onde se deve actuar, faz parte integrante desse carácter bem formado e bem informado.

  Não se deve encarar este tema pela negativa com uma posição redutora do seu âmbito ou da sua importância; pelo contrário, é conveniente ter bem claro que a castidade é uma das mais belas e gratificantes virtudes como, no fim e ao cabo são todas a virtudes que exigem luta, perseverança, vigilância e vontade expressas da sua defesa.

  Quanto maior a luta e mais árduo o esforço maior o prémio e a satisfação pessoal quando se vence.

  Ora bem, como pode estranhar-se que uma virtude exija luta e coragem para se manter e conservar quando o vício também os exige para a sua satisfação?

  Ao discorrer sobre a castidade é fundamental ter uma atitude positiva porque não se trata nem de algo estranho, raro e muito menos impossível.

Ser casto nas palavras, atitudes, comportamentos não é de modo nenhum algo reservado a pessoas com alguma vocação especial.

  Algumas têm a castidade pessoal como uma exigência atinente a essa mesma vocação havendo até nalguns casos compromisso solene de a observar.

O comum das pessoas não têm esse compromisso mas sim esse dever, muito particularmente como dever de estado. Isto é, a pessoa consciente sabe que a castidade pessoal joga forte na sua vida.

Longe de ser um “problema” observar a castidade é uma vitória pessoal sobre as inclinações naturais, um triunfo da vontade, uma escolha gratificante.

  A cedência causa sempre amargura e insatisfação, não ceder, bem ao contrário, traz consigo o doce sabor da vitória.

  Durante muito tempo a direcção espiritual dos jovens centrava-se muito na castidade e não poucas vezes esta forma de proceder causava no jovem um autêntico obstáculo à sua vida interior tornando-se, com o  desenvolvimento pessoal, numa quase obsessão limitando muito o critério, a tranquilidade e a visão correcta e desapaixonada da consideração da sexualidade.

  Algo natural e comum tornava-se assim num problema de proporções por vezes desmedidas num misto de sentimentos de fraqueza, cedências, descontrolo e, evidentemente, de vergonha.

Por causa disso muitos jovens se afastaram da direcção espiritual e da prática dos sacramentos  nomeadamente da confissão sacramental.

Bem se sabe que meses tempos o tema era de difícil abordagem nomeadamente entre filhos e pais. Era como que um tema “tabu” que por costume não se abordava.

A juventude educada na escola oficial era a que mais sofria com esta situação já que  normalmente os  estabelecimentos de ensino não proporcionavam direcção espiritual aos seus alunos deixando assim os jovens como que entregues a si mesmos procurando adrede respostas para as questões que inevitavelmente vão surgindo com o avançar dos anos.

E não poucas vezes não encontrando o  esclarecimento que procuram ou, o que é pior, as respostas vêm daqueles que não têm nem seriedade, nem critério, nem  conhecimentos que lhes permitam responder de uma forma séria e conclusiva, o jovem vai mergulhando num poço ao qual não encontra fundo e ou se deixa ir nesse mergulho sem objectivo, ou se desinteressa completamente por interrogar-se, esclarecer as suas dúvidas e se comporta como se não houvesse nem limites a observar nem regras a ter em conta.

Nestes casos e situações encontram terreno fértil as solicitações próprias da sexualidade juvenil.

  Seria, pois, na minha opinião, muito mais eficaz falar-se de pureza e amor.

  O problema da sexualidade está intimamente ligado a estes dois parâmetros já que a sexualidade tem um âmbito muitíssimo mais abrangente que a mera acção sexual que, se não envolve ou considera o amor como motor e causa, não passa de um acto de mera satisfação pessoal.

  De facto é recorrente chamar-se à acção do acto “fazer amor” o que quer dizer exactamente que se aceita aquele como a expressão física e emocional daquela.

E porque segundo as leis da própria natureza o acto sexual está  intrinsecamente orientado para um fim que é a procriação e a propagação da espécie, não se deve admitir sob outro pretexto  qualquer.

  Posto isto é bem de ver que os dois envolvidos no acto sexual têm  forçosamente de ser de géneros diferentes, ou seja, macho e fêmea.

  Estes, pelas mesmas leis da natureza, elegem-se mutuamente para levarem a cabo essa acção procriadora, quer levados pelos seus instintos apelativos, no caso dos irracionais, quer pelos  sentimentos que os atraírem mutuamente no que se refere ao ser humano e, neste caso, é o amor.

  Claro... também existe a atracção que suscita o desejo mas esta é a acção primária que deve levar àquele. E, a verdade é que, mesmo desvanecidas a atracção e mitigado o desejo com o passar dos anos e o "amortecimento" do libido, o amor permanece cada vez mais forte e seguro, construído passo a passo no dia-a-dia da vida em comum e pode afirmar-se que já não necessita de exercitar o sexo para continuar a existir. 

Se assim não fosse, as pessoas de idade mais avançada não encontrariam o amor mútuo nas suas vidas.

 

 



[i] Sequencial todos os dias do ano