27/12/2020

LEITURA ESPIRITUAL Dez 27

 

Evangelho

 

Mt XVI 1 – 20

 

Pedido de um sinal do céu

 

1 Foram ter com Ele os fariseus e os saduceus e, para O tenta­rem, pediram-Lhe que lhes mostrasse algum prodígio do céu. 2 Ele, porém, respondeu-lhes: «Vós, quando vai chegando a noite, di­zeis: “Haverá tempo sereno, porque o céu está vermelho”. 3 E de ma­nhã: “Hoje haverá tempestade, porque o céu mostra um avermelhado sombrio”. 4 Sabeis, pois, distinguir o aspecto do céu e não podeis co­nhecer os sinais dos tempos? Esta geração perversa e adúltera pede um prodígio, mas não lhe será dado outro prodígio, senão o prodígio do profeta Jonas». E, deixando-os, retirou-Se.

 

O fermento dos fariseus e dos saduceus

 

5 Os Seus discípulos, tendo passado à outra margem do lago, tinham-se esquecido de levar pão. 6 Jesus disse-lhes: «Olhai e acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus». 7 Mas eles discorriam entre si, dizendo: «É que não trouxemos pão». 8 Conhecendo Jesus isto, disse: «Homens de pouca fé, porque estais a discorrer entre vós por não terdes trazido pão? 9 Ainda não compreendeis nem vos lembrais dos cinco pães para os cinco mil homens, e quantos cestos recolhestes? 10 Nem dos sete pães para qua­tro mil homens, e quantos cestos recolhestes? 11 Porque não compre­endeis que não foi a respeito do pão que eu vos disse: “Acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus”?». 12 Então compreenderam que não havia dito que se guardassem do fermento dos pães, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus.

 

Confissão e primado de Pedro

 

13 Tendo chegado à região de Cesareia de Filipe, Jesus interrogou os Seus discípulos, dizendo: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?». 14 Eles responde­ram: «Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». 15 Jesus disse-lhes: «E vós quem di­zeis que Eu sou?». 16 Respondendo Simão Pedro, disse: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo». 17 Respondendo Jesus, disse-lhe: «Bem-aventu­rado és, Simão filho de João, porque não foi a carne e o sangue que to revelaram, mas Meu Pai que está nos céus. 18 E Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. 19 Eu te darei as chaves do Reino dos Céus; e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus, e tudo o que desatares sobre a terra, será desatado também nos céus». 20 Depois ordenou aos Seus discípulos que não dissessem a nin­guém que Ele era o Cristo.

 

 


VIRTUDES

 

  E o que é a Virtude?

  A Virtude (latim: virtus; em grego: Αρετή), é uma qualidade moral particular.

  É uma disposição estável em ordem a praticar o bem; revela mais que uma simples característica ou uma aptidão para uma determinada acção boa; trata-se de uma verdadeira inclinação.

  Pode também dizer-sequeas virtudes são todos os hábitos constantes que levam o homem para o bem, quer  como indivíduo, quer como espécie, quer pessoalmente, quer colectivamente, a qualidade do que se conforma com o considerado correcto e desejável, seja do ponto de vista da moral, da religião, do comportamento social ou do dever.

Segundo a doutrina da Igreja Católica, a virtude é uma disposição habitual e firme para fazer o bem. Permite à pessoa não somente praticar actos bons, mas dar o melhor de si mesma. A pessoa virtuosa tende para o bem e opta por ele em actos concretos.[1]

  Existem numerosas virtudes que se relacionam entre si tornando virtuosa a própria vida.

  A Igreja Católica assinala duas categorias de virtudes: as virtudes teologais e as virtudes humanas.

 As virtudes teologais:

 

  Cuja origem, motivo e objecto imediato são o próprio Deus.

São infundidas no homem com a graça santificante, tornando os homens capazes de viver em relação com a Santíssima Trindade.

  Fundamentam e animam o agir moral cristão, vivificando as virtudes humanas.


  Fé:


  Acreditar em Deus, nas suas verdades reveladas em Jesus Cristo e nos ensinamentos da Igreja, visto que Deus é a própria Verdade.

  Esperança:

  Com a ajuda da graça do Espírito Santo esperar a vida eterna e o Reino de Deus, colocando uma confiança perseverante nas promessas de Cristo.

Sem dúvida que a esperança é um estado de alma, não um simples movimento interior de expectativa.

  A esperança é uma virtude e como tal tem de ser adquirida e, depois, alimentada.

  Qual é o alimento da esperança?

O principal é o mesmo das outras virtudes, a oração.

  Sem oração não há virtude que sobreviva que se mantenha actuante e eficaz.

  A oração conduz a virtude por um caminha correcto que leva a aproveitar todas as suas potencialidades para conseguir todos os efeitos.

Não possuímos virtudes por nós mesmos, quer dizer, por méritos que possamos ter adquirido já que as virtudes, estando intimamente associadas aos dons do Espírito Santo, são também dádivas divina e, muitas vezes os próprios frutos desses dons.

  Uma pessoa virtuosa, isto é, que possui virtudes e as pratica, é seguramente alguém que ora com intensidade e frequência.

  Se falamos de esperança temos de imediato de aduzir a virtude da confiança ou seja que alcançaremos de Deus os que Lhe pedimos.

Ele disse para pedirmos sem descanso exactamente porque sabe que, por nós, sem o Seu auxílio, não podemos nada.[2]

  Assim a esperança é uma virtude teologal exactamente porque nos vem directamente de Deus.

  E o que é um estado de alma?

  Trata-se de uma disposição permanente e duradoura que se vive independentemente dos acontecimentos exteriores. Por outras palavras, o que acontece é observado criticamente tal como é e não o que, eventualmente, possa parecer que é.

  Por isso a esperança não assenta nem na concretização de algo que se deseja ou espera, nem no alheamento dessa realidade.

A esperança leva a encarar os acontecimentos como fases num caminho para um fim desejado.

Também por isso, talvez, se costuma dizer que a “esperança é a última a morrer”.

  Esperar é viver com perspectiva de futuro com os olhos postos no presente não ignorando ou tentando escamotear o que possa pensar-se que vai contra essa disposição.

  Quem possui a virtude da esperança tem muito mais possibilidades de ser feliz que aquele que a não tenha.

  Porquê?

Porque o homem tende inevitavelmente para Deus que lhe incute uma ânsia de eternidade que é, como se compreende, a última felicidade.

Por isso a virtude da esperança é autêntico alimento já que se pode viver, perfeitamente, dela e, ao contrário, a sua ausência retira todo o sentido à vida.

 

 

 



[1] CIC, 1803

[2] Cfr. Jo 15, 5

Reflexão


Tentações "teológicas"

5

Demónio

  Quanto se refere ao demónio é um mistério porque não conseguimos entender como é que um ser celeste da mais elevada categoria pode rebelar-se contra o Criador.

E como outros o seguiram… quantos?

  No Evangelho que se refere ao acontecimento em Gerasa respondeu a Cristo dizendo que o seu nome era «legião porque somos muitos».

  E foi só de uma vez? Nunca mais um ser celeste se rebelou contra Deus?

  Percebe-se que para tal ter acontecido Lúcifer e os que o seguiram eram seres livres. Se não houve mais seguidores poderá ser porque Deus lhes coarctou a liberdade? Ou o demónio não pode tentá-los?

Sacramentos

 


Meditar com São Josemaria

A Igreja, unida a Cristo, nasce de um Coração ferido. É desse Coração, aberto de par em par, que a vida nos é transmitida. Como não recordar aqui, embora de passagem, os sacramentos através dos quais Deus opera em nós e nos faz participantes da força redentora de Cristo? Como não recordar com particular gratidão o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, o Santo Sacrifício do Calvário e a sua constante renovação incruenta na nossa Missa? É Jesus, que Se nos entrega como alimento; porque Jesus vem até nós, tudo muda e no nosso ser manifestam-se forças - a ajuda do Espírito Santo - que enchem a alma, que formam as nossas ações, o nosso modo de pensar e de sentir. O coração de Cristo é paz para o cristão. (Cristo que Passa, 169)

Falávamos antes de luta. Mas a luta exige treino, uma alimentação adequada, uma terapêutica urgente em caso de doença, de contusões, de feridas. Os Sacramentos, remédio principal da Igreja, não são supérfluos: quando se abandonam voluntariamente, não é possível dar um passo no caminho por onde se segue Cristo. Necessitamos deles como da respiração, como da circulação do sangue, como da luz, para poder apreciar em qualquer instante o que o Senhor quer de nós. A ascética do cristão exige fortaleza; e essa fortaleza encontramo-la no Criador. Nós somos a obscuridade e Ele é resplendor claríssimo; somos a doença e Ele a saudável robustez; somos a escassez e Ele a infinita riqueza; somos a debilidade e Ele sustenta-nos, quia tu es, Deus, fortitudo mea, porque és sempre, ó meu Deus, a nossa fortaleza. Nada há nesta terra capaz de se opor ao brotar impaciente do Sangue redentor de Cristo. Mas a pequenez humana pode velar os olhos de modo a que não descortinem a grandeza divina. Daí a responsabilidade de todos os fiéis e especialmente dos que têm o ofício de dirigir – de servir – espiritualmente o Povo de Deus, de não fecharem as fontes da graça, de não se envergonharem da Cruz de Cristo. (Cristo que Passa, 80)

 

Pequena agenda do cristão

 



DOMINGO

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



[i] Cfr. Lc 1, 38
[ii] AMA, orações pessoais
[iii] AMA, orações pessoais
[iv] AMA, orações pessoais
[v] Btº Álvaro del Portillo (oração pessoal)

26/12/2020

Fim do ano

A passos largos aproxima-se o final do Ano.

Será a ocasião ideal para um exame.

O cristão deve estar sempre disponível para se examinar, mas, nesta circunstância em particular, o exame de um ano que acaba.

Será difícil?

Não... se tivermos por hábito escrever um diário.

O diário pessoal é - afirmo sem receio - de uma utilidade extraordinária porque nos permite ir acompanhando a par e passo o nosso comportamento e reacções perante as diferentes circunstâncias do dia-a-dia.

Excesso de zelo?

Não! Medida sábia e prudente.

 

Dez 2020

São José


                CARTA APOSTÓLICA PATRIS CORDE 

DO PAPA FRANCISCO

POR OCASIÃO DO 150º ANIVERSÁRIO DA DECLARAÇÃO DE SÃO JOSÉ COMO PADROEIRO UNIVERSAL DA IGREJA




3. Pai na obediência

 

De forma análoga a quanto fez Deus com Maria, manifestando-Lhe o seu plano de salvação, também revelou a José os seus desígnios por meio de sonhos, que na Bíblia, como em todos os povos antigos, eram considerados um dos meios pelos quais Deus manifesta a sua vontade.[13]

 

José sente uma angústia imensa com a gravidez incompreensível de Maria: mas não quer «difamá-la»,[14] e decide «deixá-la secretamente» (Mt 1, 19). No primeiro sonho, o anjo ajuda-o a resolver o seu grave dilema: «Não temas receber Maria, tua esposa, pois o que Ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados» (Mt 1, 20-21). A sua resposta foi imediata: «Despertando do sono, José fez como lhe ordenou o anjo» (Mt 1, 24). Com a obediência, superou o seu drama e salvou Maria.

 

No segundo sonho, o anjo dá esta ordem a José: «Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito e fica lá até que eu te avise, pois Herodes procurará o menino para o matar» (Mt 2, 13). José não hesitou em obedecer, sem se questionar sobre as dificuldades que encontraria: «E ele levantou-se de noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito, permanecendo ali até à morte de Herodes» (Mt 2, 14-15).

 

No Egito, com confiança e paciência, José esperou do anjo o aviso prometido para voltar ao seu país. Logo que o mensageiro divino, num terceiro sonho – depois de o informar que tinham morrido aqueles que procuravam matar o menino –, lhe ordena que se levante, tome consigo o menino e sua mãe e regresse à terra de Israel (cf. Mt 2, 19-20), de novo obedece sem hesitar: «Levantando-se, ele tomou o menino e sua mãe e voltou para a terra de Israel» (Mt 2, 21).

 

Durante a viagem de regresso, porém, «tendo ouvido dizer que Arquelau reinava na Judeia, em lugar de Herodes, seu pai, teve medo de ir para lá. Então advertido em sonhos – e é a quarta vez que acontece – retirou-se para a região da Galileia e foi morar numa cidade chamada Nazaré» (Mt 2, 22-23).

 

Por sua vez, o evangelista Lucas refere que José enfrentou a longa e incómoda viagem de Nazaré a Belém, devido à lei do imperador César Augusto relativa ao recenseamento, que impunha a cada um registar-se na própria cidade de origem. E foi precisamente nesta circunstância que nasceu Jesus (cf. 2, 1-7), sendo inscrito no registo do Império, como todos os outros meninos.

 

São Lucas, de modo particular, tem o cuidado de assinalar que os pais de Jesus observavam todas as prescrições da Lei: os ritos da circuncisão de Jesus, da purificação de Maria depois do parto, da oferta do primogénito a Deus (cf. 2, 21-24).[15]

 

Em todas as circunstâncias da sua vida, José soube pronunciar o seu «fiat», como Maria na Anunciação e Jesus no Getsémani.

 

Na sua função de chefe de família, José ensinou Jesus a ser submisso aos pais (cf. Lc 2, 51), segundo o mandamento de Deus (cf. Ex 20, 12).

 

Ao longo da vida oculta em Nazaré, na escola de José, Ele aprendeu a fazer a vontade do Pai. Tal vontade torna-se o seu alimento diário (cf. Jo 4, 34). Mesmo no momento mais difícil da sua vida, vivido no Getsémani, preferiu que se cumprisse a vontade do Pai, e não a sua,[16] fazendo-Se «obediente até à morte (…) de cruz» (Flp 2, 8). Por isso, o autor da Carta aos Hebreus conclui que Jesus «aprendeu a obediência por aquilo que sofreu» (5, 8).

 

Vê-se, a partir de todas estas vicissitudes, que «José foi chamado por Deus para servir diretamente a Pessoa e a missão de Jesus, mediante o exercício da sua paternidade: desse modo, precisamente, ele coopera no grande mistério da Redenção, quando chega a plenitude dos tempos, e é verdadeiramente ministro da salvação».[17]

Francisco

 

© Copyright - Libreria Editrice Vaticana

 

[11] Cf. Deuteronómio4, 31; Salmo 69, 17; 78, 38; 86, 5; 111, 4; 116, 5; Jeremias 31, 20.

[12] Cf. Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium (24 de novembro de 2013), 88; 288: AAS 105 (2013) 1057; 1136-1137.

[13] Cf. Génesis 20, 3; 28, 12; 31, 11.24; 40, 8; 41, 1-32; Números 12, 6; I Samuel 3, 3-10; Daniel 2; 4; Job 33, 15.

[14] Também nestes casos, estava prevista a lapidação (cf. Deuteronómio 22, 20-21).

[15] Cf. Levítico 12, 1-8; Êxodo 13, 2.

[16] Cf. Mateus 26, 39; Marcos 14, 36; Lucas 22, 42.

[17] São João Paulo II, Exort. ap.Redemptoris custos (15 de agosto de 1989), 8: AAS 82 (1990), 14.

LEITURA ESPIRITUAL Dez 26

 

Evangelho

 

Mt XV 21 – 39

 

A cananeia

 

21 Jesus partiu dali e retirou-se para os lados de Tiro e de Sídon. 22 Então, uma cananeia, que viera daquela região, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem misericórdia de mim! Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio.» 23 Mas Ele não lhe respondeu nem uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-lhe com insistência: «Despacha-a, porque ela persegue-nos com os seus gritos.» 24 Jesus replicou: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.» 25 Mas a mulher veio prostrar-se diante dele, dizendo: «Socorre-me, Senhor.» 26 Ele respondeu-lhe: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorros.» 27 Retorquiu ela: «É verdade, Senhor, mas até os cachorros comem as migalhas que caem da mesa de seus donos.» 28 Então, Jesus respondeu-lhe: «Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se como desejas.» E, a partir desse instante, a filha dela achou-se curada.

 

Cura de muitos enfermos

 

29 Partindo dali, Jesus foi para junto do mar da Galileia. Subiu ao monte e sentou-se. 30 Vieram ter com Ele numerosas multidões, transportando coxos, cegos, aleijados, mudos e muitos outros, que lançavam a seus pés. Ele curou-os, 31 de modo que as multidões ficaram maravilhadas ao ver os mudos a falar, os aleijados escorreitos, os coxos a andar e os cegos com vista. E davam glória ao Deus de Israel.

 

Segunda multiplicação dos pães

 

32 Jesus, chamando os discípulos, disse-lhes: «Tenho compaixão desta gente, porque há já três dias que está comigo e não tem que comer. Não quero despedi-los em jejum, pois receio que desfaleçam pelo caminho.» 33 Os discípulos disseram-lhe: «Onde iremos buscar, num deserto, pães suficientes para saciar tão grande multidão?» 34 Jesus perguntou-lhes: «Quantos pães tendes?» Responderam: «Sete, e alguns peixinhos.» 35 Ordenou à multidão que se sentasse. 36 Tomou os sete pães e os peixes, deu graças, partiu-os e dava-os aos discípulos, e estes, à multidão. 37 Todos comeram e ficaram saciados; e, com os bocados que sobejaram, encheram sete cestos. 38 Ora, os que comeram eram quatro mil homens, sem contar mulheres e crianças. 39 Depois de ter despedido a multidão, Jesus subiu para o barco e veio para a região de Magadan.

 

 


Não se trata de dar muito ou dar pouco.

  Não interessa se o que se dá, nos sobra, ou nos faz falta.

No primeiro caso, de facto dá-se, no segundo, reparte-se.

        Aqui reside a grande diferença da solidariedade: Dar e repartir são duas coisas bastante diferentes.

  Ambas são, evidentemente, dádiva, só que uma é um pouco mais que isso, traduz uma preocupação real, efectiva, pelos outros e, sobretudo, um saudável conceito que, de facto, nada é propriamente nosso.

 No hospital, na cabana, no palácio, na paz e na guerra, todos nascemos nus e, aquilo que nos põem em cima, ou que nos vestem, não depende absolutamente da nossa vontade ou querer.

Durante muito tempo, alguns anos pelo menos, ninguém nos perguntará o que queremos fazer, o que desejaríamos tomar como alimento. Não temos qualquer capacidade de escolha ou eleição do quer que seja.

Somos, efectivamente, seres humanos, com direitos e garantias mas, esses direitos e garantias, que são efectivamente nossos, tal como a nossa identidade única e irrepetível, não depende de nós, não os podemos exigir.

Somos inteiramente dependentes dos outros, da sociedade em geral e de alguns em particular.

  Durante algum tempo – talvez muitos anos – teremos uma ilusão de independência porque podemos escolher, optar por fazer isto em vez daquilo, gostar desta pessoa e não daquela, pretendendo comandar a nossa própria vida diária.

  Isto é uma ilusão.

  Todo o conhecimento que adquirimos foi-nos proporcionado por alguém que no-lo transmitiu, ou partilhou connosco.

O que ficamos a saber não nos valerá de coisa nenhuma senão houver alguém que nos proporcione pô-lo em prática, desenvolvendo e aumentando a panóplia de serviços que se podem colocar à disposição da sociedade.

Nem mesmo quando atingimos o topo de uma carreira profissional deixamos de depender de outros que irão pondo em prática o que lhes vamos transmitindo.

  Há, portanto, uma igualdade e interdependência intrínseca real e consistente entre os seres humanos.

  Esta não é uma conclusão apressada ou de mera retórica, é uma constatação.

  A vida humana encerra em si mesma, muitos aspectos de contradição e, tal, custa-nos aceitar de bom grado.

 

(AMA, Migalhas para o caminho, ISBN 978-989-20.4856-7)

 

 

Reflexão

 


Tentações "teológicas".

4

Inspirações

 

  Temos de ter bem claro o que é uma inspiração.       Penso que se trata de algo que Deus ou o Anjo da nossa Guarda ou algum Santo no Céu - no Céu todos são Santos - instila no nosso espírito.

  Mas, quando  nos  atemos ás inspirações para fazer o que devemos fazer e quando deve ser feito devemos ter plena consciência de onde nos vem.

  Porquê?

Porque o demónio também se serve da inspiração que, neste caso é uma tentação, sendo a única forma de comunicar connosco.

A sua capacidade de enganar é "especializada" masca-rando como bom o que é intrinsecamente mau, aliás, ele não quer nem pode fazer ou sugerir algo bom.

Virtudes

 


A alegria cristã 4

O seu oposto

 

   A paixão oposta à alegria é a tristeza, causada por não se possuir o bem-amado. Se a origem da alegria é o amor – digamos que é o efeito e o ato da caridade -, a da tristeza será, portanto, o egoísmo. São Tomás salienta que a tristeza «tem a sua origem no amor desordenado de si mesmo, que não é um vício especial, mas sim a raiz comum de todos os vícios» São Tomás de Aquino, Suma Teológica, II-II, q. 28, a. 4.. Não são, pois, a dor ou as dificuldades que se opõem à alegria, mas a tristeza que pode nascer da falta de fé e esperança perante essas situações. Por isso, a tristeza é vista como uma doença da alma, que pode proceder de uma causa fisiológica (doença ou cansaço) ou de uma causa moral: o pecado cometido e a falta de correspondência à graça, que poderá conduzir à acédia ou tibieza espiritual.

   São Josemaria prevenia ante a presença da tristeza, à qual considerava uma “aliada do inimigo”: «Não há alegria? - Então pensa: há um obstáculo entre Deus e eu. - Quase sempre acertarás» (Caminho, n. 662). Por outro lado, o que se sabe filho de Deus não pode permitir que os pecados pessoais o conduzam à tristeza, pois encontra o amor misericordioso do Pai e a “força” de conhecer e reconhecer a sua debilidade: «Quando te afligirem as tuas misérias, não fiques triste. - Glorifica-te nas tuas fraquezas com São Paulo» (Caminho n. 879); «A tristeza é a escória do egoísmo. Se queremos viver para Nosso Senhor, não nos faltará a alegria, mesmo que descubramos os nossos erros e as nossas misérias» (Amigos de Deus, n. 92).

   O Papa Francisco adverte sobre um perigo que pode causar a falta de alegria: «O grande risco do mundo atual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem» Francisco, Evangelii gaudium, n. 2.

(Vicente Bosch)

Filosofia e Religião

 


Anjos

A acção dos anjos sobre os homens (IV)

  

         O anjo pode agir sobre os sentidos humanos?

    Parece que o anjo não pode agir sobre os sentidos humanos:

   1. Com efeito, a operação dos sentidos é vital, e tal operação não provém de um princípio extrínseco. Logo, não pode ser causada por um anjo.

   2. Além disso, a potência sensitiva é mais nobre que a nutritiva. Ora, parece que o anjo não pode agir sobre a potência nutritiva, nem sobre outras formas naturais. Logo, nem pode agir sobre a potência sensitiva.

   3. Ademais, os sentidos movem-se naturalmente pelas coisas sensíveis. Ora, o anjo não pode agir sobre a ordem da natureza, como acima foi dito (q. 110, a. 4). Logo, não pode agir sobre os sentidos, pois é o sensível que sempre age sobre os sentidos.

   EM SENTIDO CONTRÁRIO, os anjos que destruíram Sodoma “infligiram cegueira aos sodomitas (ou trevas) de modo que não pudessem achar a entrada da casa” (Gn 19, 11). Algo parecido se lê no livro dos Reis a respeito dos sírios conduzidos por Eliseu a Samaria (II Re 6, 18).

  


De duas maneiras se age sobre os sentidos: ou pelo exterior, como quando as coisas sensíveis agem sobre eles; ou pelo interior. Vemos de fato neste último caso que, espíritos e humores perturbados agem sobre os sentidos. Assim a língua do doente, cheia de bílis, tudo sente como amargo, e o mesmo acontece com os outros sentidos. O anjo pode agir sobre os sentidos do homem dessas duas maneiras, por sua potência natural. Com efeito, pode ele apresentar aos sentidos desde o exterior um objeto sensível já constituído pela natureza ou formando-o de novo, como quando assume um corpo, como acima foi dito (q. 51, a. 2). Pode também mover interiormente os espíritos e humores, como acima foi dito, provocando assim de diferentes maneiras alterações nos sentidos.

   Quanto às objecções iniciais, portanto, deve-se dizer que:

   1. O princípio da operação dos sentidos não pode ser sem o princípio interior que é a potência sensitiva. Contudo, esse princípio interior pode ser movido de diferentes maneiras pelo exterior, como se disse.

   2. Movendo interiormente os espíritos e humores, o anjo pode operar alguma coisa para agir sobre o ato da potência nutritiva e, igualmente, da potência apetitiva e sensitiva, e de qualquer outra potência corporal que se serve de um órgão.

   3. O anjo nada pode fazer fora da ordem total das criaturas, mas pode fazer fora da ordem de uma natureza particular, pois não está sujeito a essa ordem. E assim, pode ele, de maneira peculiar, agir sobre os sentidos fora do modo ordinário.

 

(São Tomás de Aquino, Summa Theologica, I, 111, 4)