Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
08/07/2014
«E VÓS, QUEM DIZEIS QUE EU SOU?»
.
.
A
esta pergunta de Jesus, respondemos nós também: «Tu és o Messias, o Filho de
Deus vivo.» Mt 16,16 ?
E,
se respondemos assim, porque o fazemos nós?
Porque
tal nos foi ensinado pelos nossos pais, na catequese, na Bíblia, nos livros que
lemos, no conhecimento que procurámos, na inteligência que nos foi dada, na
emoção do coração?
Se
assim for, ainda bem, mas é pouco, muito pouco, pois precisaríamos de fazer tal
afirmação «porque não foi a carne nem o sangue que no-lo revelou, mas o Pai que
está no Céu.» Mt 16,17
Ou
seja, essa resposta à pergunta, essa afirmação sobre Jesus Cristo, precisa de
vir em primeiro lugar da fé, do acreditar, porque se assim for parte de uma
relação pessoal com Deus, de um encontro pessoal com Cristo, de uma entrega ao
Espírito Santo que nos revela essa Verdade.
Se
assim for, então tudo aquilo que nos foi ensinado pelos nossos pais, na
catequese, na Bíblia, nos livros que lemos, no conhecimento que procurámos, na
inteligência que nos foi dada, na emoção do coração, se transforma numa
vivência diária e coerente da fé, num viver por Cristo, com Cristo e em Cristo.
Então
também Jesus Cristo responderá ao coração de cada um: «És feliz, Joaquim,
Maria, João, Rita ... filhos de Deus!» Mt
16,17
Marinha
Grande, 30 de Junho de 2014
Joaquim Mexia Alves
.
.
«Mãe, ensina-me a ser nada, para que Cristo seja tudo em mim».
Oração que um dia o Espírito Santo quis colocar no meu coração e me esforço para que seja verdade na minha vida.
Ensina-me a relacionar-me com o teu Filho!
Se
não procuras a intimidade com Cristo na oração e no Pão, como podes dá-Lo a
conhecer? (Caminho, 105)
Procura
Deus no fundo do teu coração limpo, puro; no fundo da tua alma, quando lhe és
fiel, e não percas nunca essa intimidade!
E
se, alguma vez, não souberes como falar-lhe nem que dizer-lhe, ou não te
atreveres a procurar Jesus dentro de ti, recorre a Maria, "tota
pulchra", toda pura, maravilhosa, para lhe confiares: - Senhora, nossa
Mãe, Nosso Senhor quis que fosses Tu, com as tuas mãos, quem cuidasse de Deus;
ensina-me - ensina-nos a todos - a relacionar-nos com o teu Filho!! (Forja,
84)
Pequena agenda do cristão
TeRÇa-Feira
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Aplicação no trabalho.
Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.
Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.
Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
Diálogos apostólicos 24 08 Jul
‘Parece-me que ficaste “sentido” com o que te disse na
última conversa; talvez deva explicar-me melhor:
A luta interior é sempre desgastante quando o empenho é
sério e perseverante.
Já me disseste que te apercebeste que não podes
“abrandar” e, uma vez que começaste é para ti “ponto de honra” não desistir.
Muito bem! Mas atenção ao “ponto de honra”!’
‘Mas’ – perguntas – ‘faço mal?’
‘De modo nenhum! Não é disso que se trata mas de ter
claro que ainda que lutes por ti – por assim dizer – convém que o faças,
sobretudo e principalmente, para agradar a Deus que não deixará – se Lho
pedires com confiança – de te ajudar. Olha: E coloca-te nas mãos da Santíssima
Virgem para que te indique um caminho seguro.’
Temas para meditar - 169
Quando seguir Cristo é uma realidade, chega a necessidade de expandir-se, de fazer, de dar, de falar, de transmitir aos outros o tesouro que se tem, o fogo pessoal (...). O apostolado converte-se numa expansão contínua da alma, em exuberância de uma personalidade possuída por Cristo e animada pelo Seu Espírito; e sente-se a urgência de correr, de trabalhar, de tentar todo o possível para a difusão do Reino de Deus, para a salvação dos outros, de todos.
(PAULO VI, Homília, 1968.10.14)
Bento VXI – Pensamentos espirituais 6
(Cristo) está junto de
cada um de nós, para sempre. Cada um de nós pode tratá-lo por tu; qualquer um
pode chamá-lo. O Senhor está sempre ao alcance da nossa voz. Ainda que nos
afastemos dele interiormente, que vivamos de costas voltadas para Ele, Ele está
sempre à nossa espera e conserva-se perto de nós.
(BENTO XVI, Homilia em São
João de Latrão, 2005.05.07)
Tratado da lei 47
Art.
3 — Se todos os preceitos morais da lei antiga se reduzem aos dez preceitos do
decálogo.
(Infra.
A. 2; IIª-IIae, q. 122, a. 6, ad. 2; III Sent., dist. XXXVII, a. 3; De Malo, q.
14, a. 2, ad 14; Quodl. VII, q. 7, a. 1, ad 8).
O terceiro discute-se assim. — Parece
que nem todos os preceitos morais da lei antiga se reduzem aos dez preceitos do
decálogo.
1. — Pois, os primeiros e principais
preceitos da lei são: Amarás o Senhor teu Deus e amarás o teu próximo, como
está na Escritura (Mt 22, 37-39). Ora, estes dois preceitos não fazem parte dos
do decálogo. Logo, nem todos os preceitos morais estão contidos nos do decálogo.
2. Demais. — Os preceitos morais não
se reduzem aos cerimoniais, mas antes, inversamente. Ora, entre os preceitos do
decálogo, um é cerimonial, a saber: Lembra-te de santificar o dia de sábado.
Logo, os preceitos morais não se reduzem a todos os do decálogo.
3. Demais. — Os preceitos morais
regulam todos os actos da virtude. Ora, os do decálogo abrangem só os actos de
justiça, como claramente verá quem examinar cada um deles. Logo, os preceitos
do decálogo não contêm todos os preceitos morais.
Mas, em contrário, diz a Escritura. —
Bem-aventurados sois quando vos injuriarem — diz a Glosa, que Moisés, depois de
ter proposto os dez preceitos, explicou-os por partes. Logo, todos os preceitos
da lei fazem parte dos preceitos do decálogo.
Os preceitos do decálogo
diferem dos outros preceitos da lei, por, como está dito, terem sido propostos
pelo próprio Deus ao povo; ao passo que os outros Ele os propôs por meio de
Moisés. Donde, pertencem aos preceitos do decálogo aqueles cujo conhecimento o
homem tem, por si mesmo, de Deus. Ora, estes são os que, com pouca reflexão,
podem ser logo conhecidos, como o auxílio dos primeiros princípios comuns; e os
que também se tornam logo conhecidos pela fé divinamente infusa. Logo, entre os
preceitos do decálogo não se contam dois géneros de preceitos. Os primeiros e
comuns, como — a ninguém se deve fazer mal, e outros semelhantes — que não
precisam de nenhuma transmissão, mas, quase evidentes, estão escritos na razão
natural. Nem os que a perquirição diligente dos prudentes considera como pertencentes
à razão; pois esses, Deus, os transmitiu ao povo, mediante o ensinamento dos
prudentes. Ora, ambos estes géneros de preceitos estão contidos nos do
decálogo, mas diversamente. Os primeiros e comuns estão contidos neles como os
princípios, nas conclusões próximas; e os conhecidos por meio dos prudentes,
inversamente, como as conclusões, nos princípios.
DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO.
— Os dois preceitos referidos são preceitos primeiros e comuns da lei da
natureza, quase evidentes à razão humana, pela natureza ou pela fé. Donde,
todos os preceitos do decálogo se referem a esses dois, como conclusões, aos
princípios comuns.
RESPOSTA À SEGUNDA. — O preceito sobre
a observância do Sábado é, de certo modo, moral; pois preceitua que o homem, em
algum tempo, se entregue às coisas de Deus, conforme a Escritura (Sl 45, 11):
Cessai e vede que eu sou o Deus. E assim se contam entre os preceitos do
decálogo. Não porém quanto à determinação do tempo; porque, por aí, é
cerimonial.
RESPOSTA À TERCEIRA. — A noção de
dívida é, nas outras virtudes, mais lata que na justiça. E assim, os preceitos
referentes aos actos das outras virtudes não são conhecidos do povo como os
preceitos sobre os actos de justiça. E por isso os actos de justiça caem especialmente
sob a alçada dos preceitos do decálogo, que são os primeiros elementos da lei.
Nota:
Revisão da versão portuguesa por ama.
Evangelho, comentário e Leit. Espirit. (Decl. Dominus Iesus)
Evangelho:
Mt 9, 32-38
32 Logo que estes se retiraram, apresentaram-Lhe um mudo possesso do demónio. 33 Expulso o demónio, falou o mudo, e admiraram-se as multidões, dizendo: «Nunca se viu coisa assim em Israel». 34 Os fariseus, porém, diziam: «É pelo príncipe dos demónios que Ele expulsa os demónios». 35 Jesus ia percorrendo todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do reino, e curando toda a doença e toda a enfermidade. 36 Vendo aquelas multidões, compadeceu-Se delas, porque estavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. 37 Então disse a Seus discípulos: «A messe é verdadeiramente grande, mas os operários são poucos. 38 Rogai pois ao Senhor da messe, que mande operários para a Sua messe».
Comentário:
A possessão diabólica era, naqueles tempos,
frequente e assumia muitas vezes manifestações bem visíveis e condicionantes
das pessoas.
Era o ‘poder das trevas’ que só vai acabar com a
Morte do Senhor na Cruz.
Neste momento, o demónio é derrotado
definitivamente e perde o seu poder discricionário que, até então, exercia
sobre o mundo.
Ao homem, pela Graça da Ressurreição, Deus oferece
novos meios, ‘armas’, para esta luta que tem de travar e que é constante porque
o maligno não se ‘conforma’ com os foros perdidos e tenta por todos os meios
arrastar o homem para o seu lado.
É a sua forma de combater Aquele que mais odeia: o
Deus Criador e Senhor de todas as coisas.
(ama, comentário sobre Mt 9, 36-38, 2013.07.09)
Leitura espiritual
Documentos do Magistério
CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ
DECLARAÇÃO
"DOMINUS IESUS"
SOBRE A UNICIDADE E A UNIVERSALIDADE
SALVÍFICA DE JESUS CRISTO E DA IGREJA
…/4
V.
A IGREJA, REINO DE DEUS E REINO DE CRISTO
18. A missão da Igreja é a
«de anunciar o Reino de Cristo e de Deus e de instaurá-lo entre todos os povos;
desse Reino ela é na terra o germe e o início».68 Por um lado, a
Igreja é «sacramento, isto é, sinal e instrumento da íntima união com Deus e da
unidade do género humano»;69 ela é, portanto, sinal e instrumento do
Reino: chamada a anunciá-lo e a instaurá-lo. Por outro, a Igreja é o «povo
reunido pela unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo»;70 ela é
portanto «o Reino de Cristo já presente em mistério»,71 constituindo
assim o seu germe e início. O Reino de Deus tem, de facto, uma dimensão escatológica:
é uma realidade presente no tempo, mas a sua plena realização dar-se-á apenas
quando a história terminar ou se consumar.72
Dos textos bíblicos e dos
testemunhos patrísticos, bem como dos documentos do Magistério da Igreja, não
se tiram significados unívocos para as expressões Reino dos Céus, Reino de Deus
e Reino de Cristo, nem para a relação das mesmas com a Igreja, sendo esta um
mistério que não se pode encerrar totalmente num conceito humano. Podem
existir, portanto, diversas explicações teológicas dessas expressões, mas
nenhuma dessas possíveis explicações pode negar ou esvaziar de maneira nenhuma
a conexão íntima entre Cristo, o Reino e a Igreja. Pois, «o Reino de Deus, que
conhecemos pela Revelação não pode ser separado de Cristo nem da Igreja... Se
separarmos o Reino, de Jesus, ficaremos sem o Reino de Deus, por Ele pregado,
acabando por se distorcer quer o sentido do Reino, que corre o risco de se
transformar numa meta puramente humana ou ideológica, quer a identidade de
Cristo, que deixa de aparecer como o Senhor, a quem tudo se deve submeter (cf.
1 Cor 15,27). De igual modo, não podemos separar o Reino, da Igreja. Com
certeza que esta não é fim em si própria, uma vez que se ordena ao Reino de
Deus, do qual é princípio, sinal e instrumento. Mesmo sendo distinta de Cristo
e do Reino, a Igreja todavia está unida indissoluvelmente a ambos».73
19. Afirmar a relação
inseparável entre Igreja e Reino não significa porém esquecer que o Reino de
Deus — mesmo considerado na sua fase histórica — não se identifica com a Igreja
na sua realidade visível e social. Não se deve, de facto, excluir «a obra de
Cristo e do Espírito fora dos confins visíveis da Igreja».74 Daí que
se deva também considerar que « o Reino diz respeito a todos: às pessoas, à sociedade,
ao mundo inteiro. Trabalhar pelo Reino significa reconhecer e favorecer o
dinamismo divino, que está presente na história humana e a transforma.
Construir o Reino quer dizer trabalhar para a libertação do mal, sob todas as
suas formas. Em resumo, o Reino de Deus é a manifestação e a actuação do seu
desígnio de salvação, em toda a sua plenitude».75
Ao considerar as relações
entre Reino de Deus, Reino de Cristo e Igreja hão-de evitar-se sempre as
acentuações unilaterais, como são as «concepções que propositadamente colocam o
acento no Reino, auto-denominando-se de “reino-cêntricas”, pretendendo com isso
fazer ressaltar a imagem de uma Igreja que não pensa em si, mas dedica-se
totalmente a testemunhar e servir o Reino. É uma “Igreja para os outros” — dizem
— como Cristo é o “homem para os outros” [...]. Ao lado de aspectos positivos,
essas concepções revelam frequentemente outros negativos. Antes demais,
silenciam o que se refere a Cristo: o Reino, de que falam, baseia-se num
“teo-centrismo”, porque — como dizem — Cristo não pode ser entendido por quem
não possui a fé n'Ele, enquanto povos, culturas e religiões se podem encontrar
na mesma e única realidade divina, qualquer que seja o seu nome. Pela mesma
razão, privilegiam o mistério da criação, que se reflecte na variedade de
culturas e crenças, mas omitem o mistério da redenção. Mais ainda, o Reino, tal
como o entendem eles, acaba por marginalizar ou desvalorizar a Igreja, como
reacção a um suposto «eclesiocentrismo» do passado, por considerarem a Igreja
apenas um sinal, aliás passível de ambiguidade».76 Tais teses são
contrárias à fé católica, por negarem a unicidade da relação de Cristo e da
Igreja com o Reino de Deus.
VI.
A IGREJA E AS RELIGIÕES NO QUE CONCERNE A SALVAÇÃO
20. De quanto acima se recordou,
resultam ainda alguns pontos necessários para o percurso que a reflexão
teológica deve seguir no aprofundamento da relação da Igreja e das religiões
com a salvação.
Antes de mais, deve
crer-se firmemente que a « Igreja, peregrina na terra, é necessária para a
salvação. Só Cristo é mediador e caminho de salvação; ora, Ele torna-se-nos
presente no seu Corpo que é a Igreja; e, ao inculcar por palavras explícitas a
necessidade da fé e do Baptismo (cf. Mc 16,16; Jo 3,5), corroborou ao mesmo
tempo a necessidade da Igreja, na qual os homens entram pelo Baptismo tal como
por uma porta».77 Esta doutrina não se contrapõe à vontade salvífica
universal de Deus (cf. 1 Tim 2,4); daí «a necessidade de manter unidas estas
duas verdades: a real possibilidade de salvação em Cristo para todos os homens,
e a necessidade da Igreja para essa salvação».78
A Igreja é «sacramento
universal de salvação»,79 porque, sempre unida de modo misterioso e
subordinada a Jesus Cristo Salvador, sua Cabeça, tem no plano de Deus uma relação
imprescindível com a salvação de cada homem.80 Para aqueles que não
são formal e visivelmente membros da Igreja, «a salvação de Cristo torna-se
acessível em virtude de uma graça que, embora dotada de uma misteriosa relação
com a Igreja, todavia não os introduz formalmente nela, mas ilumina
convenientemente a sua situação interior e ambiental. Esta graça provém de
Cristo, é fruto do seu sacrifício e é comunicada pelo Espírito Santo».81
Tem uma relação com a Igreja, que por sua vez «tem a sua origem na missão do
Filho e na missão do Espírito Santo, segundo o desígnio de Deus Pai».82
21. Quanto ao modo como a
graça salvífica de Deus, dada sempre através de Cristo no Espírito e em relação
misteriosa com a Igreja, atinge os não cristãos, o Concílio Vaticano II
limitou-se a afirmar que Deus a dá «por caminhos só por Ele conhecidos».83
A teologia esforça-se por aprofundar a questão. Há que encorajar esse esforço
teológico, que sem dúvida serve para aumentar a compreensão dos desígnios
salvíficos de Deus e dos caminhos que os realizam. Todavia, de quanto acima foi
dito sobre a mediação de Jesus Cristo e sobre a «relação única e singular» 84
que a Igreja tem com o Reino de Deus entre os homens — que é substancialmente o
Reino de Cristo Salvador universal —, seria obviamente contrário à fé católica
considerar a Igreja como um caminho de salvação ao lado dos constituídos pelas
outras religiões, como se estes fossem complementares à Igreja, ou até
substancialmente equivalentes à mesma, embora convergindo com ela para o Reino
escatológico de Deus.
Não há dúvida que as
diversas tradições religiosas contêm e oferecem elementos de religiosidade, que
procedem de Deus,85 e que fazem parte de «quanto o Espírito opera no
coração dos homens e na história dos povos, nas culturas e religiões».86
Com efeito, algumas orações e ritos das outras religiões podem assumir um papel
de preparação ao Evangelho, enquanto ocasiões ou pedagogias que estimulam os
corações dos homens a se abrirem à acção de Deus.87 Não se lhes pode
porém atribuir a origem divina nem a eficácia salvífica ex opere operato,
própria dos sacramentos cristãos.88 Por outro lado, não se pode
ignorar que certos ritos, enquanto dependentes da superstição ou de outros
erros (cf. 1 Cor 10,20-21), são mais propriamente um obstáculo à salvação.89
22. Com a vinda de Jesus
Cristo Salvador, Deus quis que a Igreja por Ele fundada fosse o instrumento de
salvação para toda a humanidade (cf. Act 17,30-31).90 Esta verdade de fé nada
tira ao facto de a Igreja nutrir pelas religiões do mundo um sincero respeito,
mas, ao mesmo tempo, exclui de forma radical a mentalidade indiferentista
«imbuída de um relativismo religioso que leva a pensar que “tanto vale uma
religião como outra”».91 Se é verdade que os adeptos das outras
religiões podem receber a graça divina, também é verdade que objectivamente se
encontram numa situação gravemente deficitária, se comparada com a daqueles que
na Igreja têm a plenitude dos meios de salvação.92 Há que lembrar,
todavia, «a todos os filhos da Igreja que a grandeza da sua condição não é para
atribuir aos próprios méritos, mas a uma graça especial de Cristo; se não corresponderem
a essa graça, por pensamentos, palavras e obras, em vez de se salvarem,
incorrerão num juízo mais severo».93 Compreende-se, portanto, que,
em obediência ao mandato do Senhor (cf. Mt 28,19-20) e como exigência do amor
para com todos os homens, a Igreja «anuncia e tem o dever de anunciar
constantemente a Cristo, que é “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6), no
qual os homens encontram a plenitude da vida religiosa e no qual Deus
reconciliou todas as coisas consigo».94
A missão ad gentes, também
no diálogo inter-religioso, «mantém hoje, como sempre, a sua validade e
necessidade».95 Com efeito, «Deus “quer que todos os homens se
salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tim 2,4): quer a salvação de
todos através do conhecimento da verdade. A salvação encontra-se na verdade. Os
que obedecem à moção do Espírito de verdade já se encontram no caminho da
salvação; mas a Igreja, a quem foi confiada essa verdade, deve ir ao encontro
do seu desejo e oferecer-lha. Precisamente porque acredita no plano universal
de salvação, a Igreja deve ser missionária».96 O diálogo, portanto,
embora faça parte da missão evangelizadora, é apenas uma das acções da Igreja
na sua missão ad gentes.97 A paridade, que é um pressuposto do
diálogo, refere-se à igual dignidade pessoal das partes, não aos conteúdos
doutrinais e muito menos a Jesus Cristo — que é o próprio Deus feito Homem — em
relação com os fundadores das outras religiões. A Igreja, com efeito, movida
pela caridade e pelo respeito da liberdade,98 deve empenhar-se,
antes de mais, em anunciar a todos os homens a verdade, definitivamente
revelada pelo Senhor, e em proclamar a necessidade da conversão a Jesus Cristo
e da adesão à Igreja através do Baptismo e dos outros sacramentos, para
participar de modo pleno na comunhão com Deus Pai, Filho e Espírito Santo.
Aliás, a certeza da vontade salvífica universal de Deus não diminui, antes
aumenta, o dever e a urgência do anúncio da salvação e da conversão ao Senhor
Jesus Cristo.
CONCLUSÃO
23. A presente Declaração,
ao relembrar e esclarecer algumas verdades de fé, quis seguir o exemplo do
Apóstolo Paulo aos fiéis de Corinto: «Pois eu transmiti-vos em primeiro lugar o
mesmo que havia recebido» (1 Cor 15,3). Perante certas propostas problemáticas
ou mesmo erróneas, a reflexão teológica é chamada a reconfirmar a fé da Igreja
e a dar razão da sua esperança de forma convincente e eficaz.
Os Padres do Concílio
Vaticano II, debruçando-se sobre o tema da verdadeira religião, afirmaram:
«Acreditamos que esta única verdadeira religião se verifica na Igreja Católica
e Apostólica, à qual o Senhor Jesus confiou a missão de a difundir a todos os
homens, dizendo aos Apóstolos: “Ide, pois, fazer discípulos de todas as nações,
baptizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinai-lhes a
cumprir tudo quanto vos mandei” (Mt 28,19-20). Por sua vez, todos os homens
estão obrigados a procurar a verdade, sobretudo no que se refere a Deus e à sua
Igreja, e a abraçá-la e pô-la em prática, uma vez conhecida».99
A revelação de Cristo
continuará a ser na história «a verdadeira estrela de orientação» 100
para toda a humanidade: «A Verdade, que é Cristo, impõe-se como autoridade
universal». 101 O mistério cristão, com efeito, supera qualquer
barreira de tempo e de espaço e realiza a unidade da família humana: «Dos mais
diversos lugares e tradições, todos são chamados, em Cristo, a participar na
unidade da família dos filhos de Deus [...]. Jesus abate os muros de divisão e
realiza a unificação, de um modo original e supremo, por meio da participação
no seu mistério. Esta unidade é tão profunda que a Igreja pode dizer com São
Paulo: “Já não sois estrangeiros nem hóspedes, mas sois concidadãos dos santos
e membros da família de Deus” (Ef 2,19)». 102
O
Sumo Pontífice João Paulo II, na Audiência concedida, a 16 de Junho de 2000, ao
abaixo-assinado Cardeal Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, com ciência
certa e com a sua autoridade apostólica ratificou e confirmou esta Declaração,
decidida em Sessão Plenária, e mandou que fosse publicada.
Dado
em Roma, sede da Congregação para a Doutrina da Fé, 6 de Agosto 2000, Festa da
Transfiguração do Senhor.
Joseph
Card. Ratzinger
Prefeito
Tarcisio
Bertone, S.D.B.
Arcebispo
emérito de Vercelli
Secretário
________________________________________
Notas:
(68)
Conc. Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 5.
(69)
Ibid., n. 1.
(70)
Ibid., n. 4. Cf. S. Cipriano, De Dominica oratione 23: CCL 3A, 105.
(71)
Conc. Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 3.
(72)
Cf. ibid., n. 9. Cf ainda a oração dirigida a Deus, que se lê na Didaché 9, 4:
SC 248, 176: «A tua Igreja se reúna, dos confins da terra, no teu Reino», e
ibid., 10, 5: SC 248, 180: «Lembra-te, Senhor, da tua Igreja...e, santificada,
congrega-a dos quatro ventos no teu Reino, que para ela preparaste».
(73)
João Paulo II, Carta Enc. Redemptoris missio, n. 18; cf. Exort. apost. Ecclesia
in Asia, n. 17: in « L'Osservatore Romano », 7-11-1999. O Reino é de tal modo
inseparável de Cristo que, em certo sentido, identifica-se com Ele (cf.
Orígenes, In Mt. Hom., 14,7: PG 13, 1197; Tertuliano, Adversus Marcionem, IV,
33,8: CCL 1, 634).
(74)
João Paulo II, Carta Enc. Redemptoris missio, n. 18.
(75)
Ibid., n. 15.
(76)
Ibid., n. 17.
(77)
Conc. Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 14. Cf. Decr. Ad gentes, n.
7; Decr. Unitatis redintegratio, n. 3.
(78)
João Paulo II, Carta Enc. Redemptoris missio, n. 9. Cf. Catecismo da Igreja
Católica, nn. 846-847.
(79)
Conc. Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 48.
(80)
Cf. S. Cipriano, De catholicae ecclesiae unitate, 6: CCL 3, 253-254; S. Ireneu,
Adversus Haereses, III, 24, 1: SC 211, 472-474.
(81)
João Paulo II, Carta Enc. Redemptoris missio, n. 10.
(82)
Conc. Vaticano II, Decr. Ad gentes, n. 2. É no sentido aqui explicado que se
deve interpretar a conhecida fórmula extra Ecclesiam nullus omnino salvatur
(cf. Conc. Lateranense IV, Cap. 1. De fide catholica: DS 802). Cf. ainda Carta
do Santo Ofício ao Arcebispo de Boston: Denz., n. 3866-3872.
(83)
Conc. Vaticano II, Decr. Ad gentes, n. 7.
(84)
João Paulo II, Carta Enc. Redemptoris missio, n. 18.
(85)
São as sementes do Verbo divino (semina Verbi), que a Igreja reconhece com
alegria e respeito (cf. Conc. Vaticano II, Decr. Ad gentes, n. 11; Decl. Nostra
aetate, n. 2).
(86)
João Paulo II, Carta Enc. Redemptoris missio, n. 29.
(87)
Cf. ibid.; Catecismo da Igreja Católica, n. 843.
(88)
Cf. Conc. de Trento, Decr. De sacramentis, can. 8, de sacramentis in genere:
Denz., n. 1608.
(89)
Cf. João Paulo II, Carta Enc. Redemptoris missio, n. 55.
(90)
Cf. Conc. Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 17; João Paulo II, Carta
Enc. Redemptoris missio, n. 11.
(91)
João Paulo II, Carta Enc. Redemptoris missio, n. 36.
(92)
Cf. Pio XII, Carta Enc. Mystici corporis, Denz., n. 3821.
(93)
Conc. Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 14.
(94)
Conc. Vaticano II, Decl. Nostra aetate, n. 2.
(95)
Conc. Vaticano II, Decr. Ad gentes, n. 7.
(96)
Catecismo da Igreja Católica, n. 851; cf. ainda nn. 849-856.
(97)
Cf. João Paulo II, Carta Enc. Redemptoris missio, n. 55; Exort. apost. Ecclesia
in Asia, n. 31.
(98)
Cf. Conc. Vaticano II, Decl. Dignitatis humanae, n. 1.
(99)
Ibid.
(100)
Cf. João Paulo II, Carta Enc. Fides et ratio, n. 15.
(101)
Ibid., n. 92.
(102)
Ibid., n. 70.
07/07/2014
Participaremos na sua maternidade espiritual
Recorre
constantemente à Virgem Santíssima, Mãe de Deus e Mãe da humanidade: e Ela
atrairá, com suavidade de Mãe, ao amor de Deus as almas com quem fazes
apostolado, para que se decidam a ser – no seu trabalho corrente, na sua
profissão – testemunhas de Jesus Cristo. (Forja, 911)
Se
nos identificarmos com Maria, se imitarmos as suas virtudes, poderemos
conseguir que Cristo nasça, pela graça, na alma de muitos que se identificarão
com Ele pela acção do Espírito Santo. Se imitarmos Maria, participaremos de
algum modo na sua maternidade espiritual: em silêncio, como Nossa Senhora, sem
que se note, quase sem palavras, com o testemunho íntegro e coerente de uma
conduta cristã, com a generosidade de repetir sem cessar um fiat que se renova
como algo íntimo entre Deus e nós. (Amigos de Deus, 281)
Pequena agenda do cristão
SeGUNDa-Feira
(Coisas
muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.
Senhor
que eu faça ‘boa cara’, que seja alegre e transmita aos outros, principalmente
em minha casa, boa disposição.
Senhor que eu sirva sem reserva de
intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou
grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que
devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em
serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser
útil.
Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.
Que o Senhor assista e vivifique o
Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus
inimigos.
Que os Bispos se mantenham firmes na
Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.
Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua
vocação e guias seguros do Povo de Deus.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me
propus ontem?
Temas para meditar - 168
Recorda-te que as abelhas no tempo em que fazem o mel comem e sustentam-se de um mantimento muito amargo; e assim nós não podemos praticar actos de maior mansidão e paciência, nem compor o mel das melhores virtudes, senão quando comemos o pão da amargura e vivemos no meio das aflições.
(são francisco de sales, Introducción a la vida devota, III, 3, trad. ama)
Tratado da lei 46
Art.
2 — Se os preceitos morais da lei abrangem todos os actos virtuosos.
(IIª-IIae,
q. CXL., a. 2).
O segundo discute-se assim. — Parece
que os preceitos morais da lei não abrangem todos os actos virtuosos.
1. — Pois, à observância dos preceitos
da lei antiga se chama justificação, conforme a Escritura (Sl 118, 8):
observarei as tuas justificações. Ora, a justificação é a execução da justiça.
Logo, os preceitos morais não abrangem senão os actos de justiça.
2. Demais. — O que cai sob a alçada de
um preceito tem natureza de obrigação. Ora, a noção de obrigação não inclui as
demais virtudes, senão só a justiça, cujo acto próprio é dar a cada um o que
lhe é devido. Logo, os preceitos da lei moral não abrangem os actos das outras
virtudes, mas só os da justiça.
3. Demais. — Toda lei é estabelecida
para o bem comum, como diz Isidoro. Ora, dentre as virtudes, só a justiça visa
o bem comum, conforme diz o Filósofo. Logo, os preceitos morais abrangem só os
actos de justiça.
Mas, em contrário, diz Ambrósio: o
pecado é a transgressão da lei divina e a desobediência aos mandamentos
celestes. Ora, os pecados contrariam todos os actos virtuosos. Logo, a lei
divina deve ordenar sobre os actos de todas as virtudes.
Ordenando-se os preceitos
da lei para o bem comum, como já se disse (q. 90, a. 2), eles hão-de
forçosamente diversificar-se conforme as diversas maneiras de ser da
comunidade. Por isso, o Filósofo ensina, que umas serão as leis estabelecidas
para a cidade governada por um rei, e outras as estabelecidas para a que é governada
pelo povo ou pelos mais poderosos, dos habitantes dela. Ora, um é o feitio da
comunidade, para que se ordena a lei humana, e outro, para que se ordena a lei
divina. — Pois, a lei humana ordena-se à comunidade civil, a constituída pelos
homens entre si; e estes se ordenam uns para os outros pelos seus actos
exteriores, com que se entre comunicam. E essa comunicação pertence
essencialmente à justiça, que é propriamente directiva da comunidade humana. Donde,
a lei humana só propõe preceitos referentes aos actos de justiça; e se ordenar
outros actos de virtude, não será senão enquanto se revestem da essência da
justiça, como está claro no Filósofo.
A comunidade porém, a que se ordena a
lei divina, é a dos homens enquanto tendem para Deus, na vida presente ou na
futura. Por isso, essa lei propõe preceitos sobre todos os actos pelos quais os
homens bem se ordenam à comunicação com Deus. Ora, o homem se une a Deus pela
razão, ou espírito, que reproduz a imagem d’Ele. Donde, a lei divina propõe
preceitos sobre todos os actos pelos quais a razão do homem fica bem ordenada.
Ora, isto dá-se pelos actos de todas as virtudes. Assim, as virtudes
intelectuais ordenam com acerto os actos da razão em si mesmos; as morais, por
seu lado, impõem ordem aos actos da razão relativamente às paixões internas e
as obras externas. Donde é manifesto, que a lei divina propõe convenientemente
preceitos sobre os actos de todas as virtudes. De modo porém que alguns actos,
sem os quais a ordem da virtude, que é a da razão, não pode ser observada, são
impostos pela obrigação de preceitos; e outros, relativos à existência completa
da virtude perfeita, pertencem à advertência do conselho.
DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO.
— O cumprir os mandamentos da lei, mesmo os que pertencem aos actos das outras
virtudes, implica a ideia de justificação. Enquanto é justo o homem obedecer a
Deus; ou ainda enquanto é justo que todo o humano esteja sujeito à razão.
DONDE A RESPOSTA À SEGUNDA. — A
justiça propriamente dita implica a dívida de um homem para com outro; ao passo
que todas as outras virtudes implicam o débito das faculdades inferiores para
com as superiores. E, conforme a natureza desse débito, o Filósofo distingue
uma certa justiça metafórica.
RESPOSTA À TERCEIRA. — A resposta deduz-se
clara do que dissemos sobre as diversas comunidades.
Nota:
Revisão da versão portuguesa por ama.
Evangelho, comentário e Leit. Espirit. (Decl. Dominus Iesus)
Evangelho:
Mt 9, 18-26
18 Enquanto lhes dizia estas coisas, eis que um chefe da sinagoga se
aproxima e se prostra diante d'Ele, dizendo: «Senhor, morreu agora minha filha;
mas vem, põe a Tua mão sobre ela, e viverá». 19 Jesus,
levantando-Se, seguiu-o com os Seus discípulos. 20 E eis que uma
mulher que padecia de um fluxo de sangue havia doze anos, se chegou por detrás
d'Ele, e tocou na orla do Seu vestido. 21 Dizia para si mesma:
«Ainda que eu toque somente o Seu vestido, serei curada». 22
Voltando-Se Jesus e, olhando-a, disse: «Tem confiança, filha, a tua fé te
salvou». E ficou sã a mulher desde aquele momento. 23 Tendo Jesus
chegado a casa do chefe da sinagoga viu os tocadores de flauta e uma multidão
de gente que fazia muito barulho. 24 «Retirai-vos, disse, porque a
menina não está morta, mas dorme». Mas riam-se d'Ele. 25 Tendo-se
feito sair a gente, Ele entrou, tomou a menina pela mão, e ela se levantou. 26
E divulgou-se a fama deste milagre por toda aquela terra.
Comentário:
Aquela mulher acredita que Jesus a
pode curar e tudo faz para o conseguir.
Está
impedida de contactar, ou dirigir-se, directa e frontalmente a Jesus para
solicitar a sua cura. Aquele tipo de doenças era rigorosamente descriminado na
sociedade judaica. As pessoas naquelas condições eram consideradas impuras e
todo o contacto com os outros era estritamente proibido. Assim como por
exemplo, os portadores de lepra. (…)
A
Fé da mulher é porém tão grande que a move a arrostar com todas as dificuldades,
- a vergonha, o poder ser descoberta, etc. - e, aproveitando os apertos da
multidão, dissimuladamente, mas com confiança, toca o manto de Jesus. No seu coração, ela estava convencida que
tanto bastaria para alcançar a graça que pretendia.
Sem
dúvida que a sua Fé é grande, total, a isso fora levada por anos, - 12 anos -
de procura incessante de cura para os seus males.
Temos
sempre de pôr todos os meios na procura do que necessitamos. O Senhor não
espera de nós nada que vá além das nossas forças e das nossas capacidades. Mas
espera que as utilizemos, todas, com critério e sem desfalecimentos. (…)
(ama, Palestra, Meadela, Fevereiro de 1981)
Leitura espiritual
Documentos do Magistério
CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ
DECLARAÇÃO
"DOMINUS IESUS"
SOBRE A UNICIDADE E A UNIVERSALIDADE
SALVÍFICA DE JESUS CRISTO E DA IGREJA
…/3
III.
UNICIDADE E UNIVERSALIDADE DO MISTÉRIO
SALVÍFICO DE JESUS CRISTO
13. É igualmente frequente
a tese que nega a unicidade e a universalidade salvífica do mistério de Jesus
Cristo. Tal posição não tem nenhum fundamento bíblico. Deve, invés, crer-se
firmemente, como dado perene da fé da Igreja, a verdade de Jesus Cristo, Filho
de Deus, Senhor e único salvador, que no seu evento de encarnação, morte e
ressurreição realizou a história da salvação, a qual tem n'Ele a sua plenitude
e o seu centro.
Os testemunhos
neo-testamentários afirmam-no claramente: «O Pai enviou o seu Filho como
salvador do mundo» (1 Jo 4,14); «Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do
mundo» (Jo 1,29). No seu discurso perante o sinédrio, Pedro, para justificar a
cura do homem que era aleijado desde o nascimento, cura realizada no nome de
Jesus (cf. Actos 3,1-8), proclama: «E não há salvação em nenhum outro, pois não
existe debaixo do Céu outro nome dado aos homens, pelo qual tenhamos de ser
salvos» (Actos 4,12). O mesmo Apóstolo acrescenta ainda que Jesus Cristo «é o
Senhor de todos»; «foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos»; pelo
que «todo o que acredita n'Ele recebe, pelo seu nome, a remissão dos pecados»
(cf. Actos 10,36.42.43).
Paulo, dirigindo-se à
comunidade de Corinto, escreve: «Porque, embora digam haver deuses no céu e na
terra, — na verdade são muitos esses deuses e esses senhores — para nós há um
só Deus: o Pai, de quem tudo procede e para o qual fomos criados; e há um só
Senhor, Jesus Cristo, pelo qual tudo existe e pelo qual também nós existimos»
(1 Cor 8,5-6). Também o Apóstolo João afirma: «Deus amou de tal maneira o mundo
que entregou o seu Filho único, para que todo o homem que acredita n'Ele não se
perca, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo para
condenar o mundo, mas para este ser salvo por seu intermédio» (Jo 3,16-17). No
Novo Testamento, a vontade salvífica universal de Deus está estritamente ligada
à única mediação de Cristo: «[Deus] quer que todos os homens se salvem e
cheguem ao conhecimento da verdade. Pois Deus é um só, e um só também o
Mediador entre Deus e os homens: esse homem, que é Cristo Jesus, que Se
entregou à morte para resgatar a todos» (1 Tim 2,4-6).
É sobre esta consciência
do dom de salvação único e universal dado pelo Pai por meio de Jesus Cristo no
Espírito (cf. Ef 1,3-14), que os primeiros cristãos se dirigiram a Israel,
mostrando que a salvação se alcançava para além da Lei, e enfrentaram o mundo
pagão de então, que aspirava à salvação através de uma pluralidade de deuses
salvadores. Este património de fé voltou a ser proposto pelo recente Magistério
da Igreja: «A Igreja crê que Cristo, morto e ressuscitado por todos (cf. 2 Cor
5,15), oferece à humanidade, pelo seu Espírito, luz e forças que lhe permitem
corresponder à sua altíssima vocação. Ela crê que não há debaixo do céu outro
nome dado aos homens pelo qual eles devam ser salvos (cf. Actos 4,12). Ela crê
também que a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontram no
seu Senhor e Mestre».42
14. Deve, portanto, crer-se firmemente como
verdade de fé católica que a vontade salvífica universal de Deus Uno e Trino é
oferecida e realizada de uma vez para sempre no mistério da encarnação, morte e
ressurreição do Filho de Deus.
Tendo presente este dado
de fé, a teologia hoje, meditando na presença de outras experiências religiosas
e no seu significado no plano salvífico de Deus, é convidada a explorar se e
como também figuras e elementos positivos de outras religiões reentram no plano
divino de salvação. Neste empenho de reflexão abre-se à investigação teológica
um vasto campo de trabalho sob a guia do Magistério da Igreja. O Concílio
Vaticano II, de facto, afirmou que «a única mediação do Redentor não exclui, antes
suscita nas criaturas uma cooperação múltipla, que é participação na fonte
única».43 Há que aprofundar o conteúdo desta mediação participada,
que deve ser todavia regulada pelo princípio da única mediação de Cristo: «Se
não se excluem mediações participadas de diverso tipo e ordem, todavia elas recebem
significado e valor unicamente da de Cristo, e não podem ser entendidas como
paralelas ou complementares desta».44 Seriam, invés, contrárias à fé
cristã e católica as propostas de solução que apresentam uma acção salvífica de
Deus fora da única mediação de Cristo.
15. Não é raro que se
proponha evitar na teologia termos como «unicidade», «universalidade»,
«absoluto», cujo uso daria a impressão de se dar uma ênfase excessiva ao
significado e valor do evento salvífico de Jesus Cristo em relação às demais
religiões. Ora, essa linguagem não faz mais que exprimir a fidelidade ao dado
revelado, uma vez que constitui uma evolução das próprias fontes da fé. Desde o
início, efectivamente, a comunidade dos crentes atribuiu a Jesus um valor
salvífico de tal ordem, que apenas Ele, como Filho de Deus feito homem,
crucificado e ressuscitado, por missão recebida do Pai e no poder do Espírito
Santo, tem por finalidade dar a revelação (cf. Mt 11,27) e a vida divina (cf. Jo
1,12; 5,25-26; 17,2) à humanidade inteira e a cada homem.
Neste sentido, pode e deve
dizer-se que Jesus Cristo tem para o género humano e para a sua história um
significado e um valor singulares e únicos, só a Ele próprios, exclusivos,
universais, absolutos. Jesus é, de facto, o Verbo de Deus feito homem para a
salvação de todos. Recebendo esta consciência de fé, o Concílio Vaticano II ensina:
«O Verbo de Deus, por quem todas as coisas foram feitas, encarnou, a fim de,
como homem perfeito, salvar a todos e recapitular todas as coisas. O Senhor é o
fim da história humana, “o ponto para o qual tendem os desejos da história e da
civilização”, o centro da humanidade, a alegria de todos os corações e a
plenitude das suas aspirações. É aquele a quem o Pai ressuscitou dos mortos,
exaltou e colocou à sua direita, constituindo-O juiz dos vivos e dos mortos».45
«Precisamente esta singularidade única de Cristo é que Lhe confere um
significado absoluto e universal, pelo qual, enquanto está na História, é o
centro e o fim desta mesma História: “Eu sou o Alfa e o Ómega, o Primeiro e o
Último, o Princípio e o Fim” (Ap 22,13)».46
IV.
UNICIDADE E UNIDADE DA IGREJA
16. O Senhor Jesus, único
Salvador, não formou uma simples comunidade de discípulos, mas constituiu a
Igreja como mistério salvífico: Ele mesmo está na Igreja e a Igreja n'Ele (cf.
Jo 15,1ss.; Gal 3,28; Ef 4,15-16; Actos 9,5); por isso, a plenitude do mistério
salvífico de Cristo pertence também à Igreja, unida de modo inseparável ao seu
Senhor. Jesus Cristo, com efeito, continua a estar presente e a operar a
salvação na Igreja e através da Igreja (cf. Col 1,24-27),47 que é o
seu Corpo (cf. 1 Cor 12,12-13.27; Col 1,18).48 E, assim como a cabeça
e os membros de um corpo vivo, embora não se identifiquem, são inseparáveis,
Cristo e a Igreja não podem confundir-se nem mesmo separar-se, constituindo
invés um único «Cristo total».49 Uma tal inseparabilidade é expressa
no Novo Testamento também com a analogia da Igreja Esposa de Cristo (cf. 2 Cor
11,2; Ef 5,25-29; Ap 21,2.9).50
Assim, e em relação com a
unicidade e universalidade da mediação salvífica de Jesus Cristo, deve crer-se
firmemente como verdade de fé católica a unicidade da Igreja por Ele fundada.
Como existe um só Cristo, também existe um só seu Corpo e uma só sua Esposa:
«uma só Igreja católica e apostólica».51 Por outro lado, as
promessas do Senhor de nunca abandonar a sua Igreja (cf. Mt 16,18; 28,20) e de
guiá-la com o seu Espírito (cf. Jo 16,13) comportam que, segundo a fé católica,
a unicidade e unidade, bem como tudo o que concerne a integridade da Igreja,
jamais virão a faltar.52
Os fiéis são obrigados a
professar que existe uma continuidade histórica — radicada na sucessão
apostólica 53 — entre a Igreja fundada por Cristo e a Igreja
Católica: «Esta é a única Igreja de Cristo [...] que o nosso Salvador, depois
da sua ressurreição, confiou a Pedro para apascentar (cf. Jo 21,17),
encarregando-o a Ele e aos demais Apóstolos de a difundirem e de a governarem
(cf. Mt 28,18ss.); levantando-a para sempre como coluna e esteio da verdade
(cf. 1 Tim 3,15). Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste
mundo, subsiste [subsistit in] na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de
Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele».54 Com a expressão
«subsistit in», o Concílio Vaticano II quis harmonizar duas afirmações
doutrinais: por um lado, a de que a Igreja de Cristo, não obstante as divisões
dos cristãos, continua a existir plenamente só na Igreja Católica e, por outro,
a de que «existem numerosos elementos de santificação e de verdade fora da sua
composição»,55 isto é, nas Igrejas e Comunidades eclesiais que ainda
não vivem em plena comunhão com a Igreja Católica.56 Acerca destas,
porém, deve afirmar-se que «o seu valor deriva da mesma plenitude da graça e da
verdade que foi confiada à Igreja Católica».57
17. Existe portanto uma
única Igreja de Cristo, que subsiste na Igreja Católica, governada pelo
Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele.58 As Igrejas
que, embora não estando em perfeita comunhão com a Igreja Católica, se mantêm
unidas a esta por vínculos estreitíssimos, como são a sucessão apostólica e uma
válida Eucaristia, são verdadeiras Igrejas particulares.59 Por isso,
também nestas Igrejas está presente e actua a Igreja de Cristo, embora lhes
falte a plena comunhão com a Igreja católica, enquanto não aceitam a doutrina
católica do Primado que, por vontade de Deus, o Bispo de Roma objectivamente
tem e exerce sobre toda a Igreja.60
As Comunidades eclesiais,
invés, que não conservaram um válido episcopado e a genuína e íntegra
substância do mistério eucarístico,61 não são Igrejas em sentido
próprio. Os que, porém, foram baptizados nestas Comunidades estão pelo Baptismo
incorporados em Cristo e, portanto, vivem numa certa comunhão, se bem que
imperfeita, com a Igreja.62 O Baptismo, efectivamente, tende por si
ao completo desenvolvimento da vida em Cristo, através da íntegra profissão de
fé, da Eucaristia e da plena comunhão na Igreja.63
«Os fiéis não podem, por
conseguinte, imaginar a Igreja de Cristo como se fosse a soma — diferenciada e,
de certo modo, também unitária — das Igrejas e Comunidades eclesiais; nem lhes
é permitido pensar que a Igreja de Cristo hoje já não exista em parte alguma,
tornando-se, assim, um mero objecto de procura por parte de todas as Igrejas e
Comunidades».64 «Os elementos desta Igreja já realizada existem,
reunidos na sua plenitude, na Igreja Católica e, sem essa plenitude, nas demais
Comunidades».65 «Por isso, as próprias Igrejas e Comunidades
separadas, embora pensemos que têm faltas, não se pode dizer que não tenham
peso no mistério da salvação ou sejam vazias de significado, já que o Espírito
Se não recusa a servir-Se delas como de instrumentos de salvação, cujo valor
deriva da mesma plenitude da graça e da verdade que foi confiada à Igreja
Católica».66
A falta de unidade entre
os cristãos é certamente uma ferida para a Igreja; não no sentido de estar
privada da sua unidade, mas «porque a divisão é um obstáculo à plena realização
da sua universalidade na história».67
(cont.)
________________________________________
Notas:
(42)
Conc. Vaticano II, Const. past. Gaudium et spes, n. 10. Cf. S. Agostinho, que
afirma que fora de Cristo, « caminho universal de salvação, que nunca faltou ao
género humano, nunca ninguém foi libertado, ninguém é libertado, ninguém será
libertado »: De Civitate Dei 10, 32, 2: CCL 47, 312.
(43)
Conc. Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 62.
(44)
João Paulo II, Carta Enc. Redemptoris missio, n. 5.
(45)
Conc. Vaticano II, Const. past. Gaudium et spes, n. 45. A necessária e absoluta
singularidade e universalidade de Cristo na história humana é bem expressa por
S. Ireneu quando contempla a proeminência de Jesus como Primogénito: « Nos
céus, como primogénito do pensamento do Pai, o Verbo perfeito conduz
pessoalmente todas as coisas e legisla; sobre a terra, como primogénito da
Virgem, homem justo e santo, servo de Deus, bom e agradável a Deus, perfeito em
tudo; enfim, salvando dos infernos todos os que o seguem, como primogénito dos
mortos, é cabeça e fonte da vida de Deus » (Demonstratio, 39: SC 406, 138).
(46)
João Paulo II, Carta Enc. Redemptoris missio, n. 6.
(47)
Cf. Conc. Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 14.
(48)
Cf. ibid., n. 7.
(49)
Cf. S. Agostinho, Enarrat. in Psalmos, Ps. 90, Sermo 2,1: CCL 39, 1266; S.
Gregório Magno, Moralia in Iob, Praefatio, 6, 14: PL 75, 525; S. Tomás de
Aquino, Summa Theologiae, III, q. 48, a. 2 ad 1.
(50)
Cf. Conc. Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 6.
(51)
Símbolo da fé: Denz., n. 48. Cf. Bonifácio VIII, Bula Unam Sanctam: Denz., n.
870-872; Conc. Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 8.
(52)
Cf. Conc. Vaticano II, Decr. Unitatis redintegratio, n. 4; João Paulo II, Carta
Enc. Ut unum sint, n. 11: AAS 87 (1995) 921-982.
(53)
Cf. Conc. Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 20; cf. ainda S. Ireneu,
Adversus Haereses, III, 3, 1-3: SC 211, 20-44; S. Cipriano, Epist. 33, 1: CCL
3B, 164-165; S. Agostinho, Contra advers. legis et prophet., 1, 20, 39: CCL 49,
70.
(54)
Conc. Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 8.
(55)
Ibid., cf. João Paulo II, Carta Enc. Ut unum sint, n. 13. Conc. Vaticano II,
Const. Dogm. Lumen gentium, n. 15 e Decr. Unitatis redintegratio, n. 3.
(56)
É, portanto, contrária ao significado autêntico do texto do Concílio a
interpretação que leva a deduzir da fórmula subsistit in a tese, segundo a
qual, a única Igreja de Cristo poderia também subsistir em Igrejas e
Comunidades eclesiais não católicas. « O Concílio, invés, adoptou a palavra
“subsistit” precisamente para esclarecer que existe uma só “subsistência” da
verdadeira Igreja, ao passo que fora da sua composição visível existem apenas
“elementa Ecclesiae”, que — por serem elementos da própria Igreja — tendem e conduzem
para a Igreja Católica » [Congr. para a Doutrina da Fé, Notificação sobre o
volume “Igreja: carisma e poder” do P. Leonardo Boff: AAS 77 (1985) 756-762].
(57)
Conc. Vaticano II, Decr. Unitatis redintegratio, n. 3.
(58)
Cf. Congr. Para a Doutrina da Fé, Decl. Mysterium ecclesiae, n. 1: AAS 65
(1973) 396-408.
(59)
Cf. Conc. Vaticano II, Decr. Unitatis redintegratio, nn. 14 e 15; Congr. para a
Doutrina da Fé, Carta Communionis notio, n. 17: AAS 85 (1993) 838-850.
(60)
Cf. Conc. Vaticano I, Const. dogm. Pastor aeternus: Denz., n. 3053-3064; Conc.
Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 22.
(61)
Cf. Conc. Vaticano II, Decr. Unitatis redintegratio, n. 22.
(62)
Cf. ibid., n. 3.
(63)
Cf. ibid., n. 22.
(64)
Congr. para a Doutrina da Fé, Decl. Mysterium ecclesiae, n. 1.
(65)
João Paulo II, Carta Enc. Ut unum sint, n. 14.
(66)
Conc. Vaticano II, Decr. Unitatis redintegratio, n. 3.
(67)
Congr. para a Doutrina da Fé, Carta Communionis notio, n. 17. Cf. Conc.
Vaticano II, Decr. Unitatis redintegratio, n. 4.
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