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25/12/2017

Bento XVI – Pensamentos espirituais 168

Jesus e a Igreja

Reconciliação

Para respondermos à chamada de Deus e nos metermos ao caminho, não precisamos de ter atingido a perfeição. Sabemos que a consciência do pecado permitiu ao filho pródigo empreender o caminho de regresso e experimentar, assim, a alegria da reconciliação com o Pai.

As fragilidades e as limitações humanas não constituem obstáculo, desde que contribuam para nos tornarmos cada vez mais conscientes da necessidade que temos da graça redentora de Cristo.

Mensagem para o 43.e Dia Mundial de Oração pelas Vocações, (30.Mar.06)

(in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

18/12/2017

Bento XVI – Pensamentos espirituais 167

Jesus e a Igreja

Koinonía

A comunhão é um dom que também tem consequências muito reais: faz-nos sair da solidão e de nós mesmos e torna-nos participantes no amor que nos une a Deus e uns aos outros. Se pensarmos nas divisões e nos conflitos que afligem as relações entre as pessoas, os grupos e os povos, facilmente compreenderemos a grandeza deste dom [...].

A «comunhão» é realmente a Boa Nova, o remédio que o Senhor nos dá contra a solidão que hoje a todos ameaça, o dom precioso que nos faz sentir acolhidos e amados em Deus, na unidade do seu povo reunido em nome da Trindade.

Catequese da audiência geral, (29.Mar.06)

 (in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

11/12/2017

Bento XVI – Pensamentos espirituais 166

Jesus e a Igreja

A Cruz

Em suma, a Cruz é o «sinal» por excelência que nos foi dado para compreendermos a realidade do Homem e a verdade de Deus: todos fomos criados e redimidos por um Deus que, por amor, sacrificou o seu único Filho.

Eis por que razão na Cruz [...] «se cumpre aquele virar-se de Deus contra si próprio, com o qual Ele Se entrega para levantar o ser humano e salvá-lo - o amor na sua forma mais radical» (Deus Caritas Est, n. a 12)

Homilia na Paróquia de Deus-Pai Misericordioso, em Roma (26.Mar.06)

 (in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

04/12/2017

Bento XVI – Pensamentos espirituais 165

Jesus e a Igreja

A Anunciação

No original grego, -cheia de graça - gratia plena- (...) diz-se kecharitôménç (...), «amada» por Deus (cfr. Lc l, 28).

K um título que se exprime de forma passiva, mas esta «passividade» de Maria, que é desde sempre e para sempre a «amada» do Senhor, implica o seu livre assentimento, a sua resposta pessoal e original: ao ser amada, ao receber o dom de Deus, Maria apresenta-se plenamente activa porque acolhe com a sua disponibilidade pessoal a onda de amor de Deus que se derrama sobre si.

Também nisto ela é a discípula perfeita do Filho que realiza a sua própria liberdade na obediência ao Pai e exerce a sua liberdade precisamente deste modo: obedecendo.

Homilia na concelebração eucarística com os novos cardeais, (25.Mar.06)

(in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

27/11/2017

Bento XVI – Pensamentos espirituais 165

Jesus e a Igreja

«Vinde e vereis»

Vinde pura poderdes ver (cfr. Jo l, 391).

A aventura dos Apóstolos começa assim, como um encontro de pessoas que se aproximam entre si.

Começa para os discípulos um conhecimento directo do Mestre.

Vêem onde mora e começam a conhecê-lo.

Efectivamente, eles não serão anunciadores de uma ideia, mas testemunhas de uma pessoa.

Antes de serem enviados a evangelizar, precisam de «estar» com Jesus (cfr. Mc 3, 14) e de estabelecer com ele um relacionamento pessoal.

Assim sendo, a evangelização não é mais do que um anúncio daquilo que se experimentou e um convite a entrar no mistério da comunhão com Cristo (cfr. Jo l, 3).

Catequese da audiência geral, (22.Mar.06)

 (in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

20/11/2017

Bento XVI – Pensamentos espirituais 165

Jesus e a Igreja

O mandamento do descanso

É indispensável que o Homem não se deixe escravizar pelo trabalho, que não o idolatre pretendendo encontrar nele o sentido último e definitivo da vida...

O sábado é dia santificado (cfr. Ex 20, 8-91), ou seja, consagrado a Deus, no qual o Homem compreende melhor o sentido da sua existência e também da sua actividade laborai.

Pode, portanto, afirmar-se que o ensinamento bíblico sobre o trabalho encontra o seu remate no mandamento do descanso.

Homilia da Missa dos Trabalhadores, (19.Mar.06)

 (in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

06/11/2017

Bento XVI – Pensamentos espirituais 163

Jesus e a Igreja

Não existe nenhuma contraposição entre Cristo e a Igreja.

Portanto, aquele slogan «Jesus sim, Igreja não», que estava na moda há alguns anos, é totalmente inconciliável com a intenção de Cristo.

Entre o Filho de Deus feito carne e a sua Igreja existe uma continuidade profunda, inquebrável e misteriosa por força da qual Cristo está hoje presente no seu povo e especialmente naqueles que são os sucessores dos Apóstolos.

Catequese da audiência geral, (15.Mar.06)

 (in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

30/10/2017

Bento XVI – Pensamentos espirituais 162

De olhos fechados


A existência humana é um caminho de fé e, como tal, tem mais zonas de penumbra do que de plena luz e também momentos de obscuridade e mesmo de escuridão cerrada.

Enquanto estivermos cá em baixo, a nossa relação com Deus será mais baseada na escuta do que na visão; e a própria contemplação faz-se, por assim dizer, de olhos fechados, graças à luz interior que a Palavra de Deus acende em nós.

Angelus, (12.Mar.06)

(in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

23/10/2017

Bento XVI – Pensamentos espirituais 161

Habitar na Palavra


[Maria] vive na Palavra de Deus, vive no interior da Palavra toda a sua existência.

Quase podemos dizer que ela está impregnada pela Palavra.

Assim, é a Palavra que inunda e forma todo o seu pensamento, toda a sua vontade e toda a sua acção.

Discurso por ocasião da conclusão dos Exercícios Espirituais, (11.Mar. 06)

(in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

16/10/2017

Bento XVI – Pensamentos espirituais 160

Sacramentum exercitii



Não podemos levar ao mundo a boa nova, que é o próprio Cristo em pessoa, se não estivermos em profunda união com Ele, se não O conhecermos profunda e pessoalmente, se não vivermos da sua palavra.


Discurso por ocasião da conclusão dos Exercícios Espirituais, (11.Mar. 06)

 (in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

09/10/2017

Bento XVI – Pensamentos espirituais 159

A tentação


Para realizar a vida em plena liberdade é preciso superar a prova que a própria liberdade comporta, ou seja, a tentação.

Somente liberta da escravidão da mentira e do pecado, e graças à obediência da fé que a abre à verdade, a pessoa humana consegue encontrar o pleno sentido da sua existência e atingir a paz, o amor e a alegria.

Angelus, (5.Mar.06)

(in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

02/10/2017

Bento XVI – Pensamentos espirituais 158

«Escolhe a vida»


«Seguir Cristo e tomar a sua Cruz» [cfr. Lc 9, 23] significa não procurar a própria vida, mas dar a vida e é uma interpretação do que quer dizer «escolhe a vida» (Dt 30, 19).


Encontro com o clero da diocese de Roma, (2.Mar.06)

(in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

25/09/2017

Bento XVI – Pensamentos espirituais 158

162. Ecumenismo

Isto é de grande importância: devemos suportar a separação que existe. São Paulo afirma que os cismas são necessários durante um certo tempo e o Senhor sabe bem porquê: para nos pôr à prova, para nos exercitar, para nos fazer amadurecer, para nos tornar mais humildes. 
Mas ao mesmo tempo somos obrigados a caminhar no sentido da unidade e caminhar rumo à unidade é já uma forma de unidade.

Encontro com o clero da diocese de Roma, (2.Mar.06)

(in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

18/09/2017

Bento XVI – Pensamentos espirituais 157

161. Imperfeição

Esta humildade de aceitar também as próprias limitações é muito importante.
Por outro lado, só assim podemos crescer, amadurecer e pedir ao Senhor que nos ajude a não esmorecer pelo caminho, mas antes a aceitar com humildade que nunca seremos perfeitos, aceitando também as imperfeições, principalmente as dos outros.
Aceitando a nossa própria imperfeição poderemos mais facilmente aceitar as do outro, deixando que o Senhor nos forme e reforme continuamente.

Encontro com o clero da diocese de Roma, (2.Mar.06)

(in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

11/09/2017

Bento XVI – Pensamentos espirituais 156

160. Mundos separados

A juventude sente-se exposta a novos horizontes nos quais a geração anterior não participa porque existe uma falta de continuidade da visão do mundo, preso numa sequência cada vez mais rápida de novas invenções. 
Em dez anos tiveram lugar mudanças maiores do que as verificadas nos cem anos anteriores. E assim se separam realmente os mundos... Vemos que o mundo muda cada vez mais rapidamente e que estas mudanças contribuem também para a sua divisão. 
Por isso, o que é permanente torna-se mais importante num tempo de renovação e de mudança.

Encontro com o clero da diocese de Roma,(2.Mar.06)

(in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

04/09/2017

Bento XVI – Pensamentos espirituais 155

159. Solidão e incompreensão

O grande problema do nosso tempo - em que cada um, querendo ter a vida para si, a perde porque se isola e afasta o outro de si - consiste em reencontrar a comunhão profunda que apenas pode advir de um fundo comum a todas as almas, da presença divina que a todos nos une. 
Parece-me que isso só pode acontecer na condição de superarmos a solidão e também a incompreensão, porque também esta resulta do facto de o pensamento se encontrar hoje dividido. 
Cada um procura o seu modo de pensar e de viver e não existe comunicação numa visão profunda da vida.

Encontro com o clero da diocese de Roma, (2.Mar.06)

 (in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

31/07/2017

Bento XVI – Pensamentos espirituais 154

158. A comunhão da fé

Ninguém crê apenas por si mesmo.

Acreditamos sempre na e com a Igreja.

O Credo é sempre um acto partilhado, um deixar-se inserir numa comunhão de caminho, de vida, de palavra, de pensamento.

Não somos nós que «fazemos» a fé, no sentido de que é Deus que no-la dá.

Mas também não a «fazemos» no sentido de que ela não deve ser inventada por nós. Devemos, por assim dizer, deixar-nos cair na comunhão da fé e da Igreja.

Encontro com o clero da diocese de Roma, (2.Mar.06)

(in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

24/07/2017

Bento XVI – Pensamentos espirituais 153

157. Abertura

Em última instância, a fé é um dom.

Portanto, a primeira condição consiste em deixarmos que nos dêem alguma coisa, em não nos julgarmos auto-suficientes nem fazermos tudo sozinhos, porque isso não é possível, abrindo-nos à consciência de que o Senhor dá realmente.

Encontro com o clero da diocese de Roma, (2.Mar.06)

(in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

17/07/2017

Bento XVI – Pensamentos espirituais 153

156. Às mães

É preciso agradecer às mães, sobretudo porque tiveram a coragem de dar a vida.

E temos de lhes pedir que completem este seu dom da vida dando a amizade com Jesus.

Encontro com o clero da diocese de Roma, (2.Mar.06)


 (in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

10/07/2017

Bento XVI – Pensamentos espirituais 152

155. Escolher Deus

A vida humana é uma relação.
Apenas em relação, e não fechados em nós mesmos, podemos ter a vida.
E a relação fundamental é a relação com o Criador, porque senão todas as outras relações são frágeis.
O essencial é, portanto, escolher Deus. 

Um mundo vazio de Deus, um mundo que esqueceu Deus perde a vida e cai numa cultura de morte.

Encontro com o clero da diocese de Roma, (2.Mar.06)

(in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)