08/11/2012

Leitura espiritual para 08 Nov 2012


Não abandones a tua leitura espiritual.
A leitura tem feito muitos santos.
(S. josemaria, Caminho 116)


Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.


Para ver, clicar SFF.

Viagem no oceano da fé 6


"O caminho de perfeição" de Teresa de Jesus: o poder de uma metáfora

O título da obra de S. Teresa de Jesus, conhecida como Caminho de perfeição, está cheio de aberturas sugestivas a uma imensa riqueza de conteúdos humanos, culturais e espirituais. Enquanto usa a metáfora do caminho, remete para a concepção da vida humana como uma viagem, que dá unidade à diversidade de episódios e de experiências e decorre entre progressos e retrocessos, sucessos e fracassos, perdas e ganhos, conquistas e derrotas, ditas e desditas. Vista como metáfora da existência humana vivida ou por viver, o caminho aparece como narrativa com sentido.

Está, por isso, muito representada nas literaturas clássicas. Na Odisseia de Homero, fazemos o caminho interior do ser humano que, através de motivos míticos, regressa às origens, às raízes, à identidade, à consciência das suas capacidades mas também da radical finitude. A Odisseia é um périplo através dos sentimentos humanos mais profundos: perigos e sofrimentos que espreitam a cada esquina da vida, fidelidade inabalável, refinada hospitalidade, visão da presença e intervenção do divino na história humana, o frequente diálogo com o divino através da invocação dos deuses, a procura dramática da liberdade e dos valores humanos.

Na Eneida, o caminho épico do herói Eneias é o fio condutor dos combates e da dor, dos encontros e desencontros, das contrariedades e da glória do ser humano na procura da realização pessoal.

A epopeia dos Lusíadas ou a descoberta do caminho marítimo para a Índia é a história de um povo, dos seus momentos mais dramáticos, das partidas e chegadas, das pelejas e memórias, dos medos e amores, da esperança…, narrada nas peripécias de uma viagem; é a aventura à procura de sentido para a vida.

 A Peregrinação de Fernão Mendes Pinto sugere o que o caminho supõe de busca do absoluto, de provas ou provações e de aquisição de conhecimentos.

O peregrino, expondo-se a perigos e sacrifícios e enfrentando medos e obstáculos, significava as dificuldades da vida e exorcizava-as. Caminhar ajudava a tornar-se «outro». Narrar a vida no interior de uma viagem era contemplar a vida como narrativa, desafiando a identificação entre o «decurso» ou «discurso» da vida e o da memória escrita.

armindo dos santos vaz, ocd, Semana de Espiritualidade 2012, Avessadas, © SNPC | 11.10.12
Card. gianfranco ravasi, Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, In L'Osservatore Romano (26.7.2012), © SNPC (trad.) | 11.10.12

Mártires de Espanha 72

Rainha dos Mártires



Mañana del 8 de noviembre, 


PENSAMENTOS INSPIRADOS À PROCURA DE DEUS 274

À procura de Deus

O pecado é condenado,
o pecador arrependido é perdoado.

Tratado sobre a conservação e o governo das coisas 47


Questão 113: Da guarda dos bons anjos.

Art. 6 — Se o anjo da guarda às vezes abandona o homem para cuja guarda foi deputado.


(II Sent., dist., XI, part. I, a. 4).

O sexto discute-se assim. — Parece que o anjo da guarda às vezes abandona o homem, à cuja guarda foi deputado.


1. — Pois, diz a Escritura, falando da pessoa dos anjos: Medicamos Babilónia, e ela não sarou, deixemo-la — e, noutro passo: Arrancar-lhe-ei a sebe, e ficará exposta ao roubo, e diz a Glossa, que isso se refere à guarda dos anjos.

2. Demais. — Deus guarda mais que o anjo. Ora, ele às vezes abandona o homem, conforme está na Escritura: Ó Deus, Deus meu, olha para mim, porque me desamparaste? Logo, com maior razão, o anjo da guarda abandona o homem.

3. Demais. — Como diz Damasceno, os anjos, estando connosco, neste mundo, não estão no céu. Ora, como às vezes estão no céu, às vezes nos abandonam.

Mas, em contrário. — Os demónios sempre nos atacam, conforme a Escritura: O demónio, vosso adversário, anda ao redor de vós como um leão que ruge, buscando a quem devorar. Logo, com maior razão, os bons anjos sempre nos guardam.

A guarda dos anjos, como do sobredito se colhe, é uma execução da divina Providência relativa aos homens. Ora, é manifesto que nem o homem, nem ser algum pode subtrair-se totalmente à divina Providência, pois, na medida em que um ente participa da existência, nessa mesma está sujeito à providência universal dos seres. Diz-se porém que Deus, conforme a ordem da sua Providência, abandona o homem, na medida em que permite que este padeça alguma deficiência, quanto à pena ou à culpa. E semelhantemente, deve dizer-se que o anjo da guarda nunca abandona totalmente o homem, mas às vezes, o abandona na medida em que não impede entre em alguma tribulação  ou mesmo caia em pecado, conforme a ordem dos juízos divinos. E neste sentido, se diz que a Babilónia e a casa de Israel foram abandonadas dos anjos, porque os seus anjos da guarda não as livraram de caírem em tribulações. E daqui se deduzem as RESPOSTAS A PRIMEIRA E A SEGUNDA OBJEÇÕES.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Embora o anjo abandone às vezes o homem, localmente, não o abandona contudo quanto ao efeito da guarda, porque, mesmo quando está no céu, sabe o que deve fazer em relacção ao homem, nem precisa de intervalo de tempo para locomover-se, mas pode estar presente imediatamente.

Nota: Revisão da tradução portuguesa por ama

Corpo e alma

agrad ALS

Deus não perde batalhas

                                                             
Textos de S. Josemaria Escrivá

 http://www.opusdei.pt/art.php?p=13979     © Gabinete de Inform. do Opus Dei na Internet

Se tiveres caído, levanta-te com mais esperança! Só o amor-próprio não entende que o erro, quando se rectifica, ajuda a conhecer-nos e a humilhar-nos. (Sulco, 724)

Para a frente, aconteça o que acontecer! Bem agarrado ao braço do Senhor, considera que Deus não perde batalhas. Se, por qualquer motivo, te afastas d'Ele, reage com a humildade de começar e de recomeçar; de fazer de filho pródigo todos os dias, inclusive repetidamente nas vinte e quatro horas do dia; de reconciliar o teu coração contrito na Confissão, verdadeiro milagre do Amor de Deus. Neste Sacramento maravilhoso, o Senhor limpa a tua alma e inunda-te de alegria e de força para não desanimares na tua luta e para voltares de novo sem cansaço a Deus, mesmo quando tudo te pareça obscuro. Além disso, a Mãe de Deus, que é também nossa Mãe, protege-te com a sua solicitude maternal e dá-te confiança no teu caminhar.

A sagrada Escritura adverte que até o justo cai sete vezes. Sempre que leio estas palavras, a minha alma estremece com um forte abalo de amor e de dor. Uma vez mais, vem o Senhor ao nosso encontro, com essa advertência divina, para nos falar da sua misericórdia, da sua ternura, da sua clemência, que nunca acabam. Estai seguros: Deus não quer as nossas misérias, mas não as desconhece e conta precisamente com essas debilidades para que nos façamos santos. (...)

Prostro-me diante de Deus e exponho-lhe claramente a minha situação. Logo tenho a segurança da sua assistência e oiço no fundo do meu coração o que ele me repete devagar: meus es tu!. Sabia – e sei – como és; para a frente! (Amigos de Deus, nn. 214–215)

Evangelho do dia e comentário






   T. Comum – XXXI Semana





Evangelho: Lc 15, 1-10

1 Aproximavam-se d'Ele os publicanos e os pecadores para O ouvir. 2 Os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: «Este recebe os pecadores e come com eles». 3 Então propôs-lhes esta parábola: 4 «Qual de vós, tendo cem ovelhas, se perde uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, para ir procurar a que se tinha perdido, até que a encontre?  5 E, tendo-a encontrado, a põe sobre os ombros todo contente 6 e, indo para casa, chama os seus amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha que se tinha perdido. 7 Digo-vos que, do mesmo modo, haverá maior alegria no céu por um pecador que fizer penitência que por noventa e nove justos que não têm necessidade de penitência». 8 «Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, e perdendo uma, não acende a candeia, não varre a casa, e não procura diligentemente até que a encontre? 9 E que, depois de a achar, não convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma que tinha perdido. 10 Assim vos digo Eu que haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que faça penitência».

Comentário:

A necessidade de um pastor para nos guiar pelos caminhos da vida está bem evidenciada nesta passagem do Evangelho.
Um pastor que guie, com sabedoria e segurança, sem dúvida mas, também, um pastor que nos ensine a proteger-nos, a resguardarmo-nos dos perigos e ‘barrancos’ que a cada passo se nos deparam e onde, por imprudência, ignorância ou ousadia podemos perder-nos do rebanho.

(ama, comentário sobre Lc 15, 1-10, 2011.11.03)

Qual o preço da vida?


07/11/2012

Leitura espiritual para 07 Nov 2012


Não abandones a tua leitura espiritual.
A leitura tem feito muitos santos.
(S. josemaria, Caminho 116)


Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.


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Mártires de Espanha 71

Rainha dos Mártires



8h del 7 de noviembre, 

Viagem no oceano da fé 5


É também nesta linha que se compreende o equilíbrio que deve entrecorrer noutro par, o da fé e religião. A primeira é adesão pessoal, a segunda pode ser entendida como prática externa, manifestação ritual e social. Certamente se pode compreender o valor paradoxal da oração formulada pelo maior teólogo protestante do século XX, Karl Barth: «Senhor, livra-me da religião e dá-me a fé!».
De facto a religiosidade pode reduzir-se a convenções, comportamentos exteriores, ritualismo, antropologia cultural, e a este propósito os profetas bíblicos foram inexoráveis a combater qualquer confusão entre religião e fé. Todavia é indiscutível que a fé implica e envolve a pessoa na sua integralidade e, portanto, compreende igualmente as escolhas sociais, atitudes visíveis, produz estruturas, exprime-se em ritos e tradições, torna-se religião porque espírito e corpo são intimamente ligados, operam e comunicam entre si. (...)

[Entre as várias representações artísticas da fé] escolhemos a tela “A Fé”, executada pelo grande pintor flamengo Jan Vermeer em 1675 e agora conservada no Metropolitan Museum de Nova Iorque.
Vestida de branco, segundo os cânones alegóricos codificados, mas com uma sobreveste azul, a Fé é uma mulher com a mão direita sobre o coração, o olhar levantado ao alto para uma luz irradiante do infinito, o pé sobre o globo terrestre, enquanto que no pavimento uma maçã e uma serpente esmagada por uma pedra incarnam o pecado e satanás derrotados pela fé em Deus.
O braço esquerdo pousa sobre uma mesa que é, no entanto, semelhante a um altar, sobre o qual se apoiam o cálice eucarístico, o livro das Escrituras e o crucifixo, o mesmo Cristo crucificado que domina também a parede que está atrás da Fé, expressão do próprio coração do Credo cristão.

Vermeer: Com os olhos nesta imagem, deixemos serpentear até ao fim uma pergunta inquietante de Cristo, pergunta que se transforma num apelo. No Evangelho de Lucas Jesus lança esta interrogação que talvez nos atinja mais do que aos interlocutores de então: «Quando o Filho do Homem voltar, encontrará a fé sobre a terra?» (18, 8). O fio interminável da fé, iniciado com os próprios primórdios da história humana, parece aos nossos dias tornar-se cada vez mais frágil. E então Cristo continua a repetir, como na última ceia da sua vida terrena, entre as paredes do Cenáculo, um convite que ressoa ainda hoje com o mesmo frémito: «Credes em Deus; crede também em mim» (João 14, 1).

armindo dos santos vaz, ocd, Semana de Espiritualidade 2012, Avessadas, © SNPC | 11.10.12
Card. gianfranco ravasi, Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, In L'Osservatore Romano (26.7.2012), © SNPC (trad.) | 11.10.12

Algo estúpido

agrad. ALS

Poemas da minha vida: Carregar a vida

P o e m a s  d a  m i n h a  v i d a


É tarde
e a noite
cai lá fora.

Penso em ti,
lembro-me de ti
e do que é teu
e sorrio
ao pensar
que é também meu.

Segundo dizes,
em cada momento,
tudo,
tudo inteiramente,
é dos dois.

Assim vivendo,
comummente,
crês que acertamos
e nos ajudamos
a carregar a vida
ainda melhor
que uma junta de bois
carrega um carro cheio.

(Este quadro dos bois
é pobre
e talvez mal empregado,
mas, quem nada tem
a mais não é obrigado)

 

Lisboa,   61

Deus conduz-nos sem pausas

                                                             
Textos de S. Josemaria Escrivá

 http://www.opusdei.pt/art.php?p=13979     © Gabinete de Inform. do Opus Dei na Internet

Enquanto houver luta, luta ascética, há vida interior. Isso é o que o Senhor nos pede: a vontade de querer amá-Lo com obras, nas coisas pequenas de cada dia. Se venceste no pequeno, vencerás no grande. (Via Sacra, 3ª Estação, n. 2)

Devo prevenir-vos contra uma artimanha de que Satanás – ele nunca tira férias! – não desdenha servir-se para nos arrancar a paz. Talvez em algum instante se insinue a dúvida, a tentação de pensar que se retrocede lamentavelmente ou de que mal se avança; até ganha força a convicção de que, apesar do empenho por melhorar, se piora. Garanto-vos que, em regra, esse juízo pessimista só reflecte uma falsa ilusão, um engano que convém repelir. (…) Lembrai-vos de que a Providência de Deus nos conduz sem pausas e não regateia o seu auxílio – com milagres portentosos e com milagres pequenos – para fazer progredir os seus filhos.

Militia est vita hominis super terram, et sicut dies mercenarii, dies eius, a vida do homem sobre a terra é milícia e os seus dias decorrem com o peso do trabalho. Ninguém escapa a este imperativo; nem os comodistas que põem resistência em aceitá-lo: desertam das fileiras de Cristo e afadigam-se noutras contendas para satisfazerem a sua preguiça, a sua vaidade, as suas ambições mesquinhas; são escravos dos seus caprichos. (...).

Renovai todas as manhãs com um serviam decidido – servir-te-ei, Senhor! – o propósito de não ceder, de não cair na preguiça ou na apatia, de enfrentar as tarefas com mais esperança, com mais optimismo, persuadidos de que, se sairmos vencidos em alguma escaramuça, poderemos superar esse desaire com um acto de amor sincero. (Amigos de Deus, 217)

Evangelho do dia e comentário






   T. Comum – XXXI Semana





Evangelho: Lc 14, 25-33

25 Ia com Ele grande multidão de povo. Jesus, voltando-Se, disse-lhes: 26 «Se alguém vem a Mim e não odeia seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos, suas irmãs, e até a sua vida, não pode ser Meu discípulo. 27 Quem não leva a sua cruz e não Me segue não pode ser Meu discípulo .28 Porque qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e ver se tem com que a acabar?29 Para que, se depois de ter feito as fundações não a puder terminar, não comecem todos os que a virem a troçar dele, dizendo: 30 Este homem começou a edificar e não pôde terminar.31 Ou qual é o rei que, estando para entrar em guerra contra outro rei, não se assenta primeiro a considerar se com dez mil homens pode ir enfrentar-se com aquele que traz contra ele vinte mil? 32 Doutra maneira, quando o outro ainda está longe, enviando embaixadores, pede-lhe paz. 33 «Assim pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo o que possui não pode ser Meu discípulo.
Comentário:

Largar, dispor, desprender-se de tudo para poder seguir Jesus!

Parece lógico:

Como seguir Quem nada tem, carregado de coisas?

Como seguir o Amor, arrastando consigo amores e afectos?

Como, finalmente, não seguir o próprio Senhor da vida e da morte, o único Caminho, a própria Verdade a verdadeira Vida?

(ama, comentário sobre Lc 14, 25-33, 2010.11.03)