26/05/2010

VIRTUDES

PACIÊNCIA

O que é a paciência? Quem pode responder melhor a esta pergunta que o impaciente?
Sim, há várias coisas que sabe.
Por exemplo:

  • ·         A sua falta traz-lhe sofrimento porque, habitualmente faz sofrer outros;
  • ·         Quer, agora, o que só estará disponível mais tarde;
  • ·         Esgota num ápice o que deveria durar algum tempo;
  • ·         Responde mesmo antes da pergunta estar completamente elaborada;
  • ·         Adianta-se quando deveria esperar;
  • ·         Começa sem ter acabado o que começou;
  • ·         Agita o que estava tranquilo;
  • ·         Desconfia do evidente;
  • ·         Pretende o que não lhe compete;
  • ·         Julga sem analisar;
  • ·         Precipita a conclusão;
  • ·         Não espera pelo resultado.

·        E, sofre ainda mais porque se dá conta que:

·         É desagradável no trato;
·         Cai com frequência no destempero de atitudes e linguagem;
·         Dá-se conta do afastamento dos outros.

Continua a sofrer porque:

  • ·         Perde oportunidades;
  • ·         Não presta a atenção que os outros merecem;
  • ·         Não tem uma trajectória recta;
  • ·         Zizagueia de emoções em emoções;
  • ·         Troca coisas importantes por ninharias;
  • ·         Muda de verdades essenciais para hipóteses efémeras.


Na verdade, o impaciente, sofre muitíssimo porque não dando felicidade aos outros não a consegue para si próprio.

Assim temos, exactamente, o que a paciência não é.

(ama, dissertação 2010.05.22)

MEDITAÇÕES DE MAIO

26

SALVE RAINHA

Ó PIEDOSA,

Ensina-nos a verdadeira piedade de filhos de Deus, tu que privas com Ele numa contínua e amorosa relação.

(ama, 14ª meditação sobre a Salve Rainha)

25/05/2010

VIRTUDES

FIDELIDADE

A virtude da Fidelidade é, segundo o meu conceito, uma das mais belas. Bem entendido, todas as virtudes têm beleza e um fulgor característico que as distingue, mas, a Fidelidade tem um brilho tão intenso e envolvente que acaba por transmitir, ao que a possui, como que uma aura pessoal que o torna em alguém notável.
Ser fiel é também uma disposição interior porque não depende nem das circunstâncias nem das pessoas mas sim de uma estabilidade própria nos sentimentos e emoções.
Não pode ser fiel quem não tenha vida interior, segura, esclarecida, exactamente porque, a Fidelidade, nasce no mais profundo de nós. Não é, de modo nenhum, algo externo, influenciável, mutável.
A pessoa fiel torna-se, automaticamente em alguém digno de confiança em quem se pode depositar e entregar tudo o que se queira com a certeza que é guardado e mantido tal como o entregamos.

(ama, dissertação sobre Fidelidade)

MEDITAÇÕES DE MAIO

25

SALVE RAINHA

Ó CLEMENTE,

Sempre pronta a desculpar-nos, abriga-nos sob o teu manto protector, para encontrarmos a paz e a salvação.

(ama, 13ª meditação sobre a Salve Rainha)

24/05/2010

RIQUEZAS

1.    Que as riquezas, a abundância, exigem um esforço de desprendimento, por vezes, muito grande, parece-me uma realidade. 
Mas, a pobreza, a escassez de meios, não pedem, igualmente, um empenhamento sério para o conseguir? 
No primeiro caso é o desprendimento do que se tem; no segundo, trata-se de não estar prendido ao que se gostaria de ter.
Neste caso, o oferecimento do sacrifício das privações, facilita à alma o desprender-se; já no primeiro este esforço pode ser ajudado pelas acções de bem-fazer que a situação permite. Em ambos os casos, porém, a maior ''ajuda'' virá das acções que o primeiro leve a cabo com a abundância que lhe permite fazer o bem e, o segundo, pela escassez que o ajuda a alcançar merecimentos. 

(ama, meditação sobre Mc 10,17-27, 2010.05.24)

ESPERANÇA


Sem dúvida que a esperança é um estado de alma, não um simples movimento interior de expectativa.
E o que é - aquilo que eu chamo - um estado de alma?
Trata-se de uma disposição permanente e duradoura que se vive independentemente dos acontecimentos exteriores.
Por outras palavras, o que acontece é observado criticamente tal como é e não o que, eventualmente possa parecer que é.
Por isso a esperança não assenta nem na concretização de algo que se deseja ou espera, nem no alheamento dessa realidade. A esperança leva a encarar os acontecimentos como fases num caminho para um fim desejado.

Também por isso, talvez, se costuma dizer que a esperança é a última coisa a morrer.

Esperar é viver com perspectiva de futuro com os olhos postos no presente não ignorando ou tentando escamotear o que possa pensar-se que vai contra essa disposição.
Quem possui a virtude da esperança tem muito mais possibilidades de ser feliz que aquele que a não tenha.

Porquê? 
Porque o homem tende inevitavelmente para Deus que lhe incutiu uma ânsia de eternidade que é, como se compreende, a última felicidade.

Por isso a virtude da esperança é autêntico alimento já que se pode viver, perfeitamente, dela e, ao contrário, a sua ausência retira todo o sentido à vida.

(ama, dissertação, 2010.05.19)

MEDITAÇÕES DE MAIO

24

SALVE RAINHA

BENDITO FRUTO DO VOSSO VENTRE,

Não houve, nem haverá fruto mais abundante, saboroso e rico que o do teu ventre virginal, ó Mãe de Deus e nossa Mãe.

(ama, 12ª meditação sobre a Salve Rainha)

23/05/2010

MEDITAÇÕES DE MAIO

23

SALVE RAINHA

E DEPOIS DESTE DESTERRO MOSTRAI-NOS JESUS

Cumprido o nosso degredo mostra-nos o nosso Irmão, Jesus que nos espera de braços abertos para nos acolher definitivamente.

(ama, 11ª meditação sobre a Salve Rainha)

PENTECOSTES

MEDITAÇÃO NO PENTECOSTES

Ó Divino Espírito Santo, ilumina o meu entendimento para que eu possa conhecer melhor as verdadeiras razões que movem a minha vida:

  • ·         A minha íntima ligação a Cristo, à Sua Igreja, à Sua Obra.
  • ·         A minha filiação ao Pai.
  • ·         A minha vinculação a Ti.


Com esta claridade no meu espírito, não poderei fazer outra coisa que aprofundar a minha oração, a minha união à Trindade Santíssima e, assim, ser mais correcto, mais justo, mais casto, mais mortificado, mais santo.
Divino Espírito Santo, fica comigo todos os instantes da minha vida, guiando os meus passos, iluminando a minha inteligência, dando-me força para fazer, sem demora, o que deve ser feito no momento devido:

  • ·         A resposta mais adequada;
  • ·         A pergunta que for necessária;
  • ·         O comentário a propósito;
  • ·         A atenção merecida;
  • ·         A acção indispensável;
  • ·         A correcção que se impuser;
  • ·         A intervenção atempada;


Todas estas qualidades eu Te peço para poder cumprir os três principais objectivos da minha vida:

  • ·         Santificação Pessoal;
  • ·         Santificação dos outros;
  • ·         A Glória do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

·          
Ámen.

(ama, meditação no Pentecostes, Diário, 1987)

22/05/2010

Decenário do Espírito Santo

10º Dia

Dons do Espírito Santo

O Espírito Santo não é um artista que desenha em nós a substância divina, como se Ele fosse alheio a ela, não é dessa forma que nos conduz à semelhança divina. Ele mesmo, que é Deus e de Deus procede, Se imprime nos corações que O recebem como um selo na cera e, dessa forma, pela Sua comunicação e semelhança, restabelece a natureza segundo a beleza do modelo divino e restitui ao homem a imagem de Deus. 

(S. Cirilo de Alexandria, Thesaurus de Santa et Consubstantiali Trinittae, 34: nr. 75, 609) (citado por ama)

MEDITAÇÕES DE MAIO

22

SALVE RAINHA

ESSES VOSSOS OLHOS MISERICORDIOSOS A NÓS VOLVEI,

Esses mesmos olhos que contemplaram pela primeira vez o Cristo vivo na terra, são os faróis do rumo que temos de seguir para o vermos no Céu. 

(ama, 10ª meditação sobre a Salve Rainha)

21/05/2010

MEDITAÇÕES DE MAIO

21

SALVE RAINHA

EIA, POIS, ADVOGADA NOSSA,

Diz ao Teu Divino Filho coisas boas de nós, intercede pelas nossas faltas e releva as nossas boas obras. 

(ama, 9ª meditação sobre a Salve Rainha)

CRUZ

Senhor:
Aceito a minha Cruz de ser como sou com a determinação de me tornar naquilo que queres que eu seja.

(ama, meditação 2002.06.22)

Decenário do Espírito Santo

9º Dia

Dons do Espírito Santo

Temor de Deus

O Dom de Temor de Deus leva-nos a aborrecer o pecado venial deliberado, a reagir com energia contra os primeiros sintomas de tibieza, o desleixo ou o aburguesamento.

(Francisco Fernández carvajal, Hablar con Dios, Páscoa, 7ª Sem, 5ª F.) (citado e trad. por ama)

20/05/2010

Filiação Divina


Teu filho, Senhor meu Deus!
Que admiração me causa esta realidade.
Que espanto me invade a ponto de só a minha Fé a manter viva em mim.
Sendo eu que sou = Nada!
Tendo eu o que tenho = Nada!
Sabendo eu o que sei = Nada!
Valendo eu o que valho = Nada!

Para que me queres Tu, Senhor?!
Que Te pode importar a minha pessoa?

Oh Senhor Deus, Rei dos Reis, Criador e Senhor de todas as coisas!
Como é grande o Teu Coração de Pai visto que nele caibo eu também.
Dou-vos graças meu Senhor e meu Deus por tão grande favor e peço-te me ajudes a merecê-lo.

(ama, meditação, Diário, 1990)

Decenário do Espírito Santo

8º Dia

Dons do Espírito Santo

Piedade

O Dom de Piedade é um dom cuja característica principal é a de nos dar uma familiaridade sobrenatural com Deus. Dirigimo-nos a Ele como filhos e Ele trata-nos como um bom Pai.

(Francisco Fernández carvajal & Pedro Betteta López, Hijos de Dios, nr. 76) (citado e trad. por ama)

MEDITAÇÕES DE MAIO

20

SALVE RAINHA

NESTE VALE DE LÁGRIMAS

Aqui onde estamos de passagem esperamos ansiosamente nos conduzas à alegria da visão beatífica.

(ama, 8ª meditação sobre a Salve Rainha)

19/05/2010

Decenário do Espírito Santo

7º Dia

Dons do Espírito Santo

Fortaleza

O Dom de Fortaleza encontra nas dificuldades umas condições excepcionais para crescer e afirmar-se, se nessas situações sabemos estar junto do Senhor.

(Francisco Fernández carvajal, Hablar com Dios, Decenário do Espírito Santo, 7ª Sem., 4ª F.) (citado e trad. por ama)

MEDITAÇÕES DE MAIO

19
SALVE RAINHA
A VÓS SUSPIRAMOS, GEMENDO E CHORANDO
Nas misérias das nossas vidas suspiramos por ti, para nos consolares e curares os nosso males.

(ama, 7ª meditação sobre a Salve Rainha)

18/05/2010

O Outro que passa

O outro que passa

É frequente na vida de cada um, surgirem pessoas que nos influenciam de forma determinante.
Este acontecimento não tem muito a ver com a idade, embora se posa presumir que suceda com maior incidência durante a nossa juventude, quando o nosso carácter ou o nosso próprio modo de viver ou encarar a vida, estão em evolução.
Não podemos definir o tipo, ou o extracto social, nem sequer a idade da pessoa que pode provocar em nós essa influência.
Trata-se de estar pronto e nas condições de ser influenciado e, sendo assim, tanto pode ser uma criança, como um familiar, um empregado nosso, ou uma pessoa com quem acabámos de travar conhecimento.
O que é determinante é o nosso estado de espírito e a nossa disposição interior de aceitar o que nos é proposto de muitas formas, como: - uma conversa; uma atitude; um simples reparo; a simples crítica, - ou, pelo menos, dedicar-lhe atenção.
A inquietação do espírito de quem busca algo mais alto, mais completo, que preencha de forma mais intensa a sua vida e as lacunas das suas exigências, é naturalmente, uma predisposição para isso.
Uma pessoa acomodada, satisfeita consigo mesma, com o horizonte próximo, sem ambições de fazer mais e, sobretudo, fazer melhor, não reparará, não se dará conta desse outro que passa a seu lado, ou se cruza consigo e que lhe diz algo importante, ou mostra um caminho ou uma forma de satisfazer ou completar os seus desejos. E, desta forma, se perde uma oportunidade que pode não se repetir.
Esta pessoa, homem ou mulher, jovem ou adulto, tem o horizonte muito próximo, não quer ser incomodado, recusa-se a si mesmo satisfações espirituais.
Digo-o por experiência própria.
Envolvido no trabalho, nos problemas do dia-a-dia, nos avanços e recuos dos negócios e das relações humanas, dei-me conta, a partir de certa altura, aos quarenta e sete anos de idade, que me faltava algo que funcionasse simultaneamente como cimento e catalisador, ou moderador, de todas essas emoções, desejos e objectivos.
Tinha-me bastado a mim mesmo, estava dentro de mim a chave de todas as soluções, ninguém me poderia trazer nada de novo, de verdadeiramente importante.
No fim e ao cabo, estava só e bastante insatisfeito. Sentia que tinha de dar um sentido mais profundo, ou mais alto se quiser, a toda a minha vida.
Concluíra que trabalhar, fazer negócios, montar empresas, arquitectar “coisas”, só para ter, fazer ou obter era pouco. Esta é apenas uma condição natural a qualquer homem, é até uma obrigação: progredir, melhorar, aumentar. Mas, fazê-lo com o simples objectivo do êxito, do sucesso económico, a obtenção de mais bens e, depois… descansar uns últimos anos ao abrigo da estabilidade e conforto adquiridos, parecia-me, repito, muito pouco elevado este sentido para toda uma vida. Buscava, pois, uma forma de pensar, de encarar a realidade da vida, a minha própria realidade como ser humano, tendo concluído, com a humildade que me era possível, que tinha chegado ao limite das minhas possibilidades, para buscar com que preencher esse vazio à minha frente.
Foi quando, em viagem de negócios com um amigo recente, de nacionalidade espanhola, me foi posta, à frente dos olhos, a solução.
Tratava-se de um homem alegre, bem-disposto, respirando confiança em si mesmo e movendo-se com segurança na vida. No fim, alguém que se admira e de muito agradável convivência.
Apercebeu-se bem e rapidamente do meu estado de espírito e, calmamente, com um à vontade seguro e insinuante, foi-me dizendo o que deveria ser óbvio mas que eu não conseguia ver por ter os olhos fixos noutras coisas, o pensamento assoberbado com mil problemas, o coração pesado de angústias e desejos: “ O homem tem de trabalhar, é uma condição humana. Tem, além disso, o dever de trabalhar sempre o melhor que possa e saiba. Deve também documentar-se, instruir-se, progredir em suma. No entanto, se fizer só isto, só pela vontade própria ou discernimento se distingue dos animais, trabalhadores incansáveis, eles também.
O sentido que falta para completar e dar uma realidade humana ao trabalho, à vida do homem, é o sentido divino.
Tendo a certeza que o que se faz agrada a Deus e, desta forma, se pode oferecer-lhe este mesmo trabalho, a satisfação pessoal que acompanha esta atitude põe o homem numa situação de felicidade calma e tranquila.
Os desaires ou recuos na vida de todos os dias, são encarados com serenidade, a confiança em si próprio e sobretudo a confiança no futuro, torna-se uma constante.
A vida ganha uma dimensão diferente, se quisermos, sobrenatural. Não se sente, o homem, um mero habitante do Planeta, um simples elemento da sociedade, trabalhando e consumindo-se para se destacar nessa mesma sociedade apenas para conquistar um lugar, mas concretiza uma missão que lhe foi dada pelo próprio Criador de todas as coisas.
Tenta fazê-lo o melhor e o mais dedicadamente que é capaz. Nisto baseia a sua felicidade, a sua vida, fazer o possível para, em cada momento, cumprir de forma perfeita a sua condição de Filho de Deus.
Esta obrigação que nos foi especificamente indicada “sede perfeitos como Meu Pai é perfeito” não deixa lugar a duvidas ou interpretações e a felicidade, neste mundo, reside em cumprir, tentar esforçadamente cumprir este mandato.
Nada distingue este homem dos outros homens a não ser a sua segurança perante a vida, a sua disponibilidade para os que o rodeiam, a sua satisfação interior e a sua realização verdadeira como homem autêntico”.
Tive eu a ventura de estar com “os olhos abertos” e o “coração desperto” para ouvir este meu amigo.
Agradeço todos os dias, (já lá vai ano e meio) esta oportunidade que me foi dado aproveitar.
Desejo ao meu leitor a mesma possibilidade que decerto terá, se tiver a disposição para ver, ouvir e entender com interesse e humildade, O OUTRO QUE PASSA.
(AMA, in “O Comércio do Porto” 1999)