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30/05/2011

Interpretar S. Josemaria Escrivá

Observando
Charlie Cox conta como interpretou São Josemaria Escrivá, no filme ENCONTRARÁS DRAGÕES

O actor britânico Charlie Cox, que interpreta o papel do fundador do Opus Dei, Josemaria Escrivá, no filme Encontrarás Dragões, fala da sua experiência ao representar um santo numa entrevista com Ana Sánchez de la Nieta para El Mundo (6-04-2011).

Quando a jornalista lhe pergunta o que é que o levou a aceitar este papel, esclarece que "não tinha nenhuma opinião sobre o Opus Dei nem sobre Josemaria. O guião apresentava Josemaria Escrivá de uma forma positiva e, no entanto, eu encontrei muitas pessoas que tinham reacções muito fortes contra o Opus Dei". Isto fez despertar a sua curiosidade: "¿Por que é que tanta gente tinha tantos preconceitos contra esta instituição?" E decidiu investigar por sua conta: "Li muito, conheci pessoas, fui a vários centros do Opus Dei... e descobri que muitas coisas que tinham ouvido eram falsas ou exageradas. A minha experiência até agora tem sido totalmente positiva".

O que mais lhe chamou a atenção na personagem que ia interpretar é que "Josemaria era uma pessoa com uma grande capacidade para amar toda a gente e, ao mesmo tempo, profundamente autêntico. Nos vídeos que vi, reparei que não tinha nenhum inconveniente em dizer o que pensava sobre o modo como um cristão deve viver". Confessa que "durante as filmagens sentia uma grande responsabilidade". Com frequência olhava para uma fotografia da cerimónia da Canonização de São Josemaria, via a praça de São Pedro repleta de uma multidão imensa, "e sentia o peso de estar a interpretar uma pessoa notável e que eu queria representar de forma correcta. Era um enorme desafio para mim".

Durante a rodagem do filme contaram com a assessoria de John Wauck, um sacerdote do Opus Dei, que também o surpreendeu. "Esperava encontrar um homem duro, rígido, uma pessoa que inclusivamente podia infundir um certo medo. O que agora sinto é uma grande amizade por um dos homens com a mente mais aberta que conheci na minha vida".

Sobre a sua experiência de trabalhar com Roland Joffé, afirma que "é o director de actores no sentido mais autêntico do termo" e que "protege tanto o processo criativo de cada actor" que é fantástico trabalhar com ele.

INFORMAÇÕES MUITO BREVES    [De vez em quando] 2011.05.30

20/05/2011

UM NOVO FILME DE ROLAND JOFFÉ: UMA LIÇÃO E UM DESAFIO

Observando
O título Encontrarás Dragões é um bom resumo de uma história 
palpitante de amor e desamor, de uma viagem onde há dragões - os demónios interiores - que assaltam homens e mulheres que procuram a esperança e o sentido da vida num mundo desconhecido, selvagem e inóspito.

Acabo de ver mais um grande filme realizado por Roland Joffé (também realizador dos “oscarizados” A Missão e Terra Sangrenta). Chama-se Encontrarás Dragões e narra a história deJosemaria e Manolo. Amigos de infância, a vida une-os e separa-os numa Espanha que se precipita paulatinamente para a Guerra Civil. Ambos partilham o sofrimento da sua revolta contra esta situação, mas vão assumi-la de modo diferente. "Nascemos e morremos sós", diz Manolo com um trágico estoicismo. "Não necessitei de aprender a perdoar, porque Deus me ensinou a amar" dirá anos mais tarde o sacerdote Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei.
Declaração de interesses: pertenço ao Opus Dei há mais de cinquenta anos, quarenta dos quais como sacerdote, e tive o privilégio de conviver quatro anos com S. Josemaria em Roma. Mas precisamente por isso, pertenço a um grupo de pessoas muito difícil de contentar neste tipo de reconstituições históricas, assim como de iconografia representativa de pessoas com quem convivemos e que tanto dos marcaram.
Ora Alain Joffé deu-me uma boa lição! Usou a ficção (especialmente na figura de Manolo e do seu filho) para poder universalizar as vivências por que foram passando e pôr-nos a todos nós a reflectir sobre o significado da vida e da morte, do ódio e do perdão, do ideal e da barbárie. Mas não manipulou a história em benefício de qualquer ideologia ou preconceito como tantas vezes assistimos por aí.
No entanto, a figura de Josemaria Escrivá, por já ter sido objecto de inúmeras investigações biográficas, diria quase exaustivas, não poderia ser facilmente ficcionável. Tinha por isso o problema de sintetizar ou condensar em imagens de um filme o original da sua vida, pensamento e acção. O que ele conseguiu de um modo genial foi usar, num enredo credível e apreensível, factos, atitudes e palavras realmente vividos.
E se a ficção era necessária para transcender o tema e as personagens, e alcançar-nos a todos, cada um com os nossos “dragões interiores” que nos desafiam, a figura de alguém que soube vencer esses “dragões” e apontar caminhos para nós vencermos, era importante que fosse real, de carne e osso para que fosse de facto lugar da esperança. É para isso mesmo que a Igreja eleva aos altares aqueles que pode por como exemplo e mestres para o nosso caminhar.
E por isso, ao dar o “Bem haja” a Roland Joffé pela lição que nos deu, gostaria de lhe lançar um desafio, a ele e à fantástica equipe que sobe formar: para quando um filme sobre João Paulo II e os dragões que ele nos animou a combater como o seu “Não tenhais medo”?

* jorge margarido correia  Engº Mecânico. Doutor em Teologia

Diário do Minho, 17.05.2011, última página