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18/10/2012

Luta ascética e mística 7


Lorenzo de Scupoli, foi um frade teatino, quer dizer da ordem de São Caetano, nascido em Nápoles em 1530, quando aquilo era terra espanhola e escreveu um livro intitulado “Combate espiritual”. Resumindo este magnífico livro sobre a luta ascética, diremos que Scupolie nos menciona quatro classes de armas necessárias para vencer o nosso inimigo:
- A primeira, uma absoluta desconfiança nas nossas próprias forças, pois a nossa soberba sempre está à espreita e nos leva-nos a pensar o que o maligno quer que pensemos, o que sozinhos podemos vencer.
- A confiança em Deus, que sempre será maior em nós, quanto mais tenhamos progredido na nossa entrega ao seu amor, porque seremos mais conscientes do nada que somos, em relação à sua grandeza e da realidade do que nos deixou dito: "Eu sou a vide. Vós os sarmentos. O que permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem mim não podeis fazer nada”. (Jo 15,5).
- O exercício, sobretudo o da nossa vontade rejeitando a execução de actos negativos e potenciando os positivos para assim erradicar hábitos negativos, o seja vícios, e adquirir hábitos positivos, o seja virtudes.
Para Scupoli o exercício há-de ser:
      - Contra os defeitos da inteligência.
      - Contra os defeitos da vontade.
      - Contra as paixões.
      - Contra os defeitos dos sentidos.
      - Contra os enganos do demónio
      - Para alcançar a virtude.
E sobretudo a oração. O principio básico é o que ora ama e se salva, o que não ora não pode amar e não pode salvar-se.

(JUAN DO CARMELO, trad AMA)

17/10/2012

Luta ascética e mística 6


A luta ascética da alma humana se desenvolve-se sempre no plano natural, sem prejuízo que o lutador asceta, utilize na sua luta as graças divinas que o Senhor sempre lhe proporciona e sem as quais a sua luta seria estéril. Pelo contrário a mística pertence ao plano sobrenatural, o homem não há-de fazer nada senão aceitar o dom que Deus lhe outorga. Da luta ascética é própria a oração e a meditação, ao místico é-lhe própria a contemplação. A ascética depende de nós próprios, a mística não depende de nós, podemos desejá-la, se é que nos julgamos dignos dela, ainda não julgue que haja místico que se julgue digno dela, mas é um dom uma oferta do Senhor e face a Ele nenhum de nós merece nada. Essa frase tão de moda em publicidade: “Você merece-o”, ou “nós merecemo-lo”, aqui não colhe. Na vida espiritual ninguém merece nada. Aqui a única coisa que merecemos é uma “carga de pancada”, que o Senhor deveria dar-nos, se não fosse porque nos quer tanto. A mística dá-se, a ascética trabalha-se. Não há mística sem ascética prévia, mas há ascética sem mística; A ascética é luta, a mística é a consequência.

(JUAN DO CARMELO, trad AMA)

16/10/2012

Luta ascética e mística 5


Todo o homem se deseja amar a Deus e salvar-se, há-de travar uma luta ascética. Assim o parágrafo 2.516, do Catecismo diz-nos que: "No homem, porque é um ser composto de espírito e corpo, existe uma certa tensão, e se desenvolve uma luta de tendências entre o "espírito" e a "carne". Mas, na realidade, esta luta pertence à herança do pecado. É uma consequência dele, e, ao mesmo tempo, confirma a sua existência. Forma parte da experiencia quotidiana do combate espiritual”. Sobre este parágrafo 2.516, comenta João Paulo II na A Carta encíclica Dominun et vivificantem. “Para o apóstolo não se trata de discriminar ou condenar o corpo, que com a alma espiritual constitui a natureza do homem e a sua subjectividade pessoal, mas que trata das obras - melhor dito, das disposições estáveis -, virtudes e vícios, moralmente boas ou más, que são fruto de submissão (no primeiro caso) ou antes de resistência (no segundo caso) à acção salvífica do Espírito Santo. Por isso o apóstolo escreve: se vivemos segundo o Espírito, obremos também segundo o Espírito" (Ga 5,25).”

(JUAN DO CARMELO, trad AMA)

15/10/2012

Luta ascética e mística 4


O Senhor, tem sempre um verdadeiro empenho em que no desenvolvimento da sua vida espiritual, ninguém saiba donde se encontra, entre outras varias razões, dizendo vulgarmente, para que a ninguém se lhe suba à cabeça. E assim podemos estar seguros de que nenhum santo canonizado, suspeitou nem por assomo que depois da sua morte ia subir aos altares e se o demónio lhe sugeriu esta ideia para o ensoberbecer, seguro que Ele a desejou só como um mau pensamento, sabendo perfeitamente onde estava a origem da ideia. E quanto aos que em vida conheceram um santo canonizado, muitas vezes ficaram surpreendidos, pois aos seus olhos, desde logo que era uma boa pessoa, mas talvez não para tanto. E é que à vida espiritual, se chama também vida interior, é a nossa intimidade com o Senhor e se a rompemos perdemos o seu encanto. Na obra de Pemán, O divino impaciente, Ignacio de Loyola ao despedir em Lisboa Francisco Javier que parte para as Índias orientais, dá-lhe uns últimos conselhos e lhe -lhe: “A grandes desafios, vais Javier e não há perigo mais certo, do que este, de que arrebatado pelo afã de sucesso, se te derrame por fora o que deves de levar dentro”. A nossa vida interior é um tesouro que o Senhor, no grande amor que nos tem, compartilha-a intimamente connosco. E se nas intimidades de amores humanos somos reservados e não nos damos conta a ninguém de nada atraiçoando o nosso amor humano, com quanto mais razão, estamos obrigados a não atraiçoar o nosso Amado celestial.

(JUAN DO CARMELO, trad AMA)

14/10/2012

Luta ascética e mística 3


No parágrafo seguinte, o 2015, com respeito à ascética diz-nos que: “O caminho da perfeição passa pela cruz. No há santidade sem renúncia e sem combate espiritual (cf. 2Tm 4). O progresso espiritual implica a ascese e a mortificação que conduzem gradualmente a viver na paz e no gozo das bem-aventuranças: O que ascende não cessa nunca de ir de começo em começo mediante começos que no têm fim. Jamais o que ascende deixa de desejar o que já conhece (S. Gregório de Nisa, hom. in Cant 8).”

Bom, dito tudo isto, em termos mais vulgares diremos que, a luta ascética e o misticismo são dois estados da alma humana, e jamais é abandonada pelo que tem a categoria de místico. Enquanto se está neste mundo, não há místico que não continue lutando ascética mente. Ocorre algo parecido ao que sucede com a oração: A contemplação é um grau oracional muito superior à simples oração vocal, mas no há contemplativo que deixe de rezar vocal e meditativamente por já ter alcançado a contemplação.

(JUAN DO CARMELO, trad AMA)

13/10/2012

Luta ascética e mística 2


A mística é um produto muito raro e escasso. Mais, uma grande maioria de santos devidamente canonizados, nunca alcançaram a categoria de místicos. Para melhor compreender o que é uma coisa e outra, podemos acudir ao Catecismo da Igreja católica, mas muito temo que neste, tampouco nos vá tirar totalmente as dúvidas. Assim temos que o parágrafo 2.014, com respeito à mística nos diz que: “O progresso espiritual tende à união cada vez mais íntima com Cristo. Esta união se chama “Mística”, porque participa do mistério de Cristo mediante os sacramentos - ”Os santos mistérios"- e, não, do mistério da Santíssima Trindade. Deus chama-nos a todos a esta união íntima com Ele, ainda que as graças especiais o os sinais extraordinários desta vida mística sejam concedidos somente a alguns para manifestar assim o dom gratuito feito a todos”. Dito com outras palavras, há místicos aos que sim, se lhes nota e a outros que não se lhes nota. Porque os factos extraordinários, que podemos observar noutras pessoas, nunca são méritos próprios, senão dons, já que na vida sobrenatural  tudo são dons, o ordinário e o extraordinário e pode ser que mais de uma vez o ordinário que não vemos, seja mais importante que o extraordinário que os nossos olhos vêm.

(JUAN DO CARMELO, trad AMA)

12/10/2012

Luta ascética e mística 1


Ambas situações pertencem ao desenvolvimento da vida espiritual de uma alma. Mas acontece, que muitas pessoas não sabem distinguir correctamente entre a situação ascética e a mística. E no momento que vêm que alguém é um pouco piedoso, põem-lhe imediatamente a etiqueta de místico. Eu mesmo muitas vezes sorri interiormente, quando por mais de uma vez me escreveram e me adjectivaram como místico. Ainda que não seja difícil chegar a essa situação.

Para que quem isto leia e não tenha as ideias muito claras, pensará que os místicos se dão como as hortaliças numa horta, que basta apenas plantá-las, regá-las e produzem com tal abundância e todas ao mesmo tempo, que se alguém tem a desgraça de ter horta, passa o ano inteiro, a empanturrar-se de pepinos, couves, beringelas ou hortaliça que haja segundo a época, e como nem Ele nem a família, as podem comer todas, acabam oferecendo às suas amizades da cidade, o que não são capazes de comer, antes que apodreçam.

(JUAN DO CARMELO, trad AMA)