Mostrar mensagens com a etiqueta Juan do Carmelo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Juan do Carmelo. Mostrar todas as mensagens

04/11/2012

Seremos como anjos? 4



A fé é tão apreciada por Deus, que basta abrir os Evangelhos para se dar conta que até o próprio Deus às vezes se admira da fé das suas criaturas. Remeto-me para a passajem do Evangelho de São Mateus: “E eis que uma mulher cananeia, que viera daqueles arredores, gritou: «Senhor, Filho de David, tem piedade de mim! Minha filha está cruelmente atormentada pelo demónio». 23 Ele, porém, não lhe respondeu palavra. Aproximando-se Seus discípulos, pediram-Lhe: «Despede-a, porque vem gritando atrás de nós».24 Ele respondeu: «Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel». 25 Ela, porém, veio e prostrou-se diante d'Ele, dizendo: «Senhor, valei-me». 26 Ele respondeu: «Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cães».27 Ela replicou: «Assim é, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos». 28 Então Jesus disse-lhe: «Ó mulher, grande é a tua fé! Seja-te feito como queres». E, desde aquela hora, a sua filha ficou curada. (Mt 15,22-27).

A fé é um dom maravilhoso, que está ao alcance de todo o mundo. Aida não se acredite, basta somente pedir ao Senhor este dom, e pelo simples facto de a pedir, sem se dar conta começa-se a tê-la, é uma fé pequenita, um simples rebento, mas se se persevera nela, pode chegar a converter-se numa Sequóia gigantesca de dezenas de metros de altura.

(juan do carmelo, [i] trad. ama)


[i] Juan do Carmelo não é quien dice ser. O mejor dicho, é quien é, mas prefiere presentarse en su alter ego Juan do Carmelo que não é más que um seglar que, a finales de los años 80, experimentó a llamada de Deus e se vinculó al Carmelo Teresiano. Ha publicado libros de espiritualidad como «Mosaico espiritual», «Santidad no Pontificado», o «En as manos de Deus» Como o cortés não quita o valiente é, además, um empresario de éxito. E nos acompaña, com sencillez e hondura, desde «O blog de Juan do Carmelo».

03/11/2012

Seremos como anjos? 3


Nós nascemos com o legado da concupiscência, que e Adão e Eva, nos legaram como consequência do pecado original, pois perderam a sua pureza e como ninguém dá o que não tem, não puderam legar-nos um estado de pureza e legaram-nos a concupiscência que nos obriga a lutar para poder amar a Deus. Nós somos um espírito ou alma directamente criada por Deus mas encerrada num corpo material concupiscente, que nos impede ver directamente a Deus. Nós estamos submetidos segundo o teólogo dominicano Royo Marín, às três fontes donde procedem as tentações malignas que são: “A nossa própria natureza ferida pelo pecado original e viciada com taras pessoais; os maus exemplos e a influência do mundo que nos rodeia; e sobretudo, a malícia do maligno, nosso mortal inimigo”.

Nós temos uma alma directamente criada e amada por Deus, pois Ele ama tudo aquilo que criou e aceita o seu amor não o ofendendo. Esta alma a temo-la unida a um corpo material, criado por Deus só indirectamente e directamente pelos nossos pais, o qual permite ao homem a sua auto reprodução, faculdade esta de que os anjos não dispõem, pois eles não se auto reproduzem. Mas precisamente o facto de ter corpo material e Adão e Eva terem perdido a pureza prístina, impede-nos ver o Senhor por meio dos olhos do nosso corpo, e isto solo nos é possível por meio da fé que utiliza os olhos da nossa alma, através dos sentidos sensoriais desta pode chegar-se a ver Deus, em função do desenvolvimento espiritual da nossa alma.

A fé, é um extraordinário dom que o Senhor nos fez, ainda que muitos pensem que prefeririam ver directamente a Deus. No dia de amanhã se formos dignos de alcançar o céu, dar-nos-emos conta do tremendo mérito que a fé tem. Os anjos, por exemplo nunca tiveram fé porque sempre tiveram e têm é evidência, tanto os glorificados como os caídos no poço de ódio e trevas, que é o inferno.

(juan do carmelo, [i] trad. ama)


[i] Juan do Carmelo não é quien dice ser. O mejor dicho, é quien é, mas prefiere presentarse en su alter ego Juan do Carmelo que não é más que um seglar que, a finales de los años 80, experimentó a llamada de Deus e se vinculó al Carmelo Teresiano. Ha publicado libros de espiritualidad como «Mosaico espiritual», «Santidad no Pontificado», o «En as manos de Deus» Como o cortés não quita o valiente é, además, um empresario de éxito. E nos acompaña, com sencillez e hondura, desde «O blog de Juan do Carmelo».

02/11/2012

Seremos como anjos? 2



Existe uma grande diferença entre os anjos e nós quanto á atitude do Senhor, no que respeita às ofensas que lhe fazemos. A diferença consiste em que o Senhor exerce a misericórdia connosco, mas não é, ou não foi, misericordioso com os anjos. E isto por quê? Simplesmente, porque os anjos que caíram pecaram com malícia, e nós quando pecamos, pecamos por estultícia. Blosio escreveu na sua época: “Porque a tua malícia não pode ser tão grande, nem tão grave a tua doença, que se sobreponha à misericórdia de Deus, que não conhece nem termo nem medida”. A nossa malícia é, digamo-lo assim, certamente limitada, não é malícia, é simplesmente estupidez humana, fruto do tentador e do nosso desconhecimento do que é Deus, a sua grandeza e o que representa. «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem». (Lc 23,34)

Os anjos são criaturas directamente criadas por Deus e espíritos puros, que desde o momento da sua criação, vêm o rosto e a luz de Deus e têm um conhecimento muito maior que nós de quem é Deus, da sua grandeza, e da sua própria pequenez com respeito a Deus. Adão     e Eva, antes de ofender o Senhor, eram espíritos puros mas com corpo e como tal podiam ver a Deus, tal como constantemente o estão contemplando os anjos triunfantes, já que eles estavam num estado de pureza pristino. O converso irlandês C. S. Lewis, escreve sobre este tema dizendo-nos: “O homem no paraíso não se sentia tentado, no sentido actual do termo tentação, nem tinha paixões ou inclinações que o levassem nessa direcção. Até esse momento o espírito humano tinha controlado completamente o organismo e esperava totalmente, reter o controlo uma vez que tivesse deixado de obedecer a Deus. Mas como a sua autoridade sobre o organismo era delegada, perdeu-a quando ele próprio deixou de ser delegado de Deus. Ao separar-se até onde pôde da fonte do seu ser, afastou-se também da fonte do poder”.

(juan do carmelo, [i] trad. ama)


[i] Juan do Carmelo não é quien dice ser. O mejor dicho, é quien é, mas prefiere presentarse en su alter ego Juan do Carmelo que não é más que um seglar que, a finales de los años 80, experimentó a llamada de Deus e se vinculó al Carmelo Teresiano. Ha publicado libros de espiritualidad como «Mosaico espiritual», «Santidad no Pontificado», o «En as manos de Deus» Como o cortés não quita o valiente é, además, um empresario de éxito. E nos acompaña, com sencillez e hondura, desde «O blog de Juan do Carmelo».

01/11/2012

Seremos como anjos? 1


Desde logo sim…, como anjos serão aqueles que no fim da prova de amor a que estamos submetidos, aceitando o amor que o Senhor nos oferece constantemente. Ele próprio assim no-lo disse, quando um grupo de saduceus quis estender-lhe uma de suas acostumadas armadilhas. Os saduceus não acreditavam na ressurreição e perguntaram-lhe, que de quem seria a mulher de sete irmãos que tinham estado casados com ela, o Senhor respondeu-lhes: “Quando os mortos ressuscitarem de quem será esposa, já que os sete a tiveram por mulher? Não será que andais equivocados por não compreender as Escrituras nem o poder de Deus? Quando mortos ressuscitarem, nem os homens nem as mulheres se casarão, mas serão como anjos no céu”.

Esta passajem evangélica, levou-me a reflectir sobre uma série de temas, acerca das nossas semelhanças e diferenças com os anjos. Os anjos como sabemos tal como nós, são criaturas criadas por Deus e tão amadas por Deus como nós o somos, mas com uma diferença enquanto ao amor de Deus que é que eles como já passaram a sua prova de amor, não há nenhum que viva ou exista à margem do amor de Deus, porque os que se levantaram ao grito de ‘non serviam’, não serviremos, foram esmagados pelo arcanjo São Miguel e enviados pela eternidade no inferno, ainda que alguns deles tenha uma espécie de suspensão de pena, pois o Senhor serve-se deles para que nós podamos demonstrar nosso amor a Ele. Em troca nós, vivemos em pleno período de prova, como uma lógica da qualidade de reciprocidade que o amor tem, o Senhor, ama más ao que mais O ama, ama com a esperança, de que voltem para Ele os que não vivem na sua graça.

Dito isto noutros termos, e com respeito aos anjos, exactamente não sabemos que é se passou e como se passou pois enquanto ao factor tempo, este não se aplica a eles, só a nós enquanto estivermos neste mundo. Deus criou a os anjos por razão de amor, tal como também todos nós fomos criados por razão de amor. Mas quando esse amor divino é repudiado, coisa que os anjos caídos fizeram ou demónios, Deus retira seu amor, porque a essência de Deus é o amor e esse vazio que se produz, imediatamente é repleto pela antítese do amor que é o ódio e também como Deus é Luz de amor, também se produz outro vazio por falta de luz, que é repleto imediatamente pelas trevas. Daqui que o inferno seja o reino do ódio e das trevas.

Isto é exactamente o que também se passará, com as criaturas humanas, que no decisivo momento final, não aceitem o amor que o Senhor esteve constantemente oferecendo-nos ao longo das nossas vidas.

(juan do carmelo, [i] trad. ama)


[i] Juan do Carmelo não é quien dice ser. O mejor dicho, é quien é, mas prefiere presentarse en su alter ego Juan do Carmelo que não é más que um seglar que, a finales de los años 80, experimentó a llamada de Deus e se vinculó al Carmelo Teresiano. Ha publicado libros de espiritualidad como «Mosaico espiritual», «Santidad no Pontificado», o «En as manos de Deus» Como o cortés não quita o valiente é, además, um empresario de éxito. E nos acompaña, com sencillez e hondura, desde «O blog de Juan do Carmelo».

18/10/2012

Luta ascética e mística 7


Lorenzo de Scupoli, foi um frade teatino, quer dizer da ordem de São Caetano, nascido em Nápoles em 1530, quando aquilo era terra espanhola e escreveu um livro intitulado “Combate espiritual”. Resumindo este magnífico livro sobre a luta ascética, diremos que Scupolie nos menciona quatro classes de armas necessárias para vencer o nosso inimigo:
- A primeira, uma absoluta desconfiança nas nossas próprias forças, pois a nossa soberba sempre está à espreita e nos leva-nos a pensar o que o maligno quer que pensemos, o que sozinhos podemos vencer.
- A confiança em Deus, que sempre será maior em nós, quanto mais tenhamos progredido na nossa entrega ao seu amor, porque seremos mais conscientes do nada que somos, em relação à sua grandeza e da realidade do que nos deixou dito: "Eu sou a vide. Vós os sarmentos. O que permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem mim não podeis fazer nada”. (Jo 15,5).
- O exercício, sobretudo o da nossa vontade rejeitando a execução de actos negativos e potenciando os positivos para assim erradicar hábitos negativos, o seja vícios, e adquirir hábitos positivos, o seja virtudes.
Para Scupoli o exercício há-de ser:
      - Contra os defeitos da inteligência.
      - Contra os defeitos da vontade.
      - Contra as paixões.
      - Contra os defeitos dos sentidos.
      - Contra os enganos do demónio
      - Para alcançar a virtude.
E sobretudo a oração. O principio básico é o que ora ama e se salva, o que não ora não pode amar e não pode salvar-se.

(JUAN DO CARMELO, trad AMA)

17/10/2012

Luta ascética e mística 6


A luta ascética da alma humana se desenvolve-se sempre no plano natural, sem prejuízo que o lutador asceta, utilize na sua luta as graças divinas que o Senhor sempre lhe proporciona e sem as quais a sua luta seria estéril. Pelo contrário a mística pertence ao plano sobrenatural, o homem não há-de fazer nada senão aceitar o dom que Deus lhe outorga. Da luta ascética é própria a oração e a meditação, ao místico é-lhe própria a contemplação. A ascética depende de nós próprios, a mística não depende de nós, podemos desejá-la, se é que nos julgamos dignos dela, ainda não julgue que haja místico que se julgue digno dela, mas é um dom uma oferta do Senhor e face a Ele nenhum de nós merece nada. Essa frase tão de moda em publicidade: “Você merece-o”, ou “nós merecemo-lo”, aqui não colhe. Na vida espiritual ninguém merece nada. Aqui a única coisa que merecemos é uma “carga de pancada”, que o Senhor deveria dar-nos, se não fosse porque nos quer tanto. A mística dá-se, a ascética trabalha-se. Não há mística sem ascética prévia, mas há ascética sem mística; A ascética é luta, a mística é a consequência.

(JUAN DO CARMELO, trad AMA)

16/10/2012

Luta ascética e mística 5


Todo o homem se deseja amar a Deus e salvar-se, há-de travar uma luta ascética. Assim o parágrafo 2.516, do Catecismo diz-nos que: "No homem, porque é um ser composto de espírito e corpo, existe uma certa tensão, e se desenvolve uma luta de tendências entre o "espírito" e a "carne". Mas, na realidade, esta luta pertence à herança do pecado. É uma consequência dele, e, ao mesmo tempo, confirma a sua existência. Forma parte da experiencia quotidiana do combate espiritual”. Sobre este parágrafo 2.516, comenta João Paulo II na A Carta encíclica Dominun et vivificantem. “Para o apóstolo não se trata de discriminar ou condenar o corpo, que com a alma espiritual constitui a natureza do homem e a sua subjectividade pessoal, mas que trata das obras - melhor dito, das disposições estáveis -, virtudes e vícios, moralmente boas ou más, que são fruto de submissão (no primeiro caso) ou antes de resistência (no segundo caso) à acção salvífica do Espírito Santo. Por isso o apóstolo escreve: se vivemos segundo o Espírito, obremos também segundo o Espírito" (Ga 5,25).”

(JUAN DO CARMELO, trad AMA)

15/10/2012

Luta ascética e mística 4


O Senhor, tem sempre um verdadeiro empenho em que no desenvolvimento da sua vida espiritual, ninguém saiba donde se encontra, entre outras varias razões, dizendo vulgarmente, para que a ninguém se lhe suba à cabeça. E assim podemos estar seguros de que nenhum santo canonizado, suspeitou nem por assomo que depois da sua morte ia subir aos altares e se o demónio lhe sugeriu esta ideia para o ensoberbecer, seguro que Ele a desejou só como um mau pensamento, sabendo perfeitamente onde estava a origem da ideia. E quanto aos que em vida conheceram um santo canonizado, muitas vezes ficaram surpreendidos, pois aos seus olhos, desde logo que era uma boa pessoa, mas talvez não para tanto. E é que à vida espiritual, se chama também vida interior, é a nossa intimidade com o Senhor e se a rompemos perdemos o seu encanto. Na obra de Pemán, O divino impaciente, Ignacio de Loyola ao despedir em Lisboa Francisco Javier que parte para as Índias orientais, dá-lhe uns últimos conselhos e lhe -lhe: “A grandes desafios, vais Javier e não há perigo mais certo, do que este, de que arrebatado pelo afã de sucesso, se te derrame por fora o que deves de levar dentro”. A nossa vida interior é um tesouro que o Senhor, no grande amor que nos tem, compartilha-a intimamente connosco. E se nas intimidades de amores humanos somos reservados e não nos damos conta a ninguém de nada atraiçoando o nosso amor humano, com quanto mais razão, estamos obrigados a não atraiçoar o nosso Amado celestial.

(JUAN DO CARMELO, trad AMA)

14/10/2012

Luta ascética e mística 3


No parágrafo seguinte, o 2015, com respeito à ascética diz-nos que: “O caminho da perfeição passa pela cruz. No há santidade sem renúncia e sem combate espiritual (cf. 2Tm 4). O progresso espiritual implica a ascese e a mortificação que conduzem gradualmente a viver na paz e no gozo das bem-aventuranças: O que ascende não cessa nunca de ir de começo em começo mediante começos que no têm fim. Jamais o que ascende deixa de desejar o que já conhece (S. Gregório de Nisa, hom. in Cant 8).”

Bom, dito tudo isto, em termos mais vulgares diremos que, a luta ascética e o misticismo são dois estados da alma humana, e jamais é abandonada pelo que tem a categoria de místico. Enquanto se está neste mundo, não há místico que não continue lutando ascética mente. Ocorre algo parecido ao que sucede com a oração: A contemplação é um grau oracional muito superior à simples oração vocal, mas no há contemplativo que deixe de rezar vocal e meditativamente por já ter alcançado a contemplação.

(JUAN DO CARMELO, trad AMA)

13/10/2012

Luta ascética e mística 2


A mística é um produto muito raro e escasso. Mais, uma grande maioria de santos devidamente canonizados, nunca alcançaram a categoria de místicos. Para melhor compreender o que é uma coisa e outra, podemos acudir ao Catecismo da Igreja católica, mas muito temo que neste, tampouco nos vá tirar totalmente as dúvidas. Assim temos que o parágrafo 2.014, com respeito à mística nos diz que: “O progresso espiritual tende à união cada vez mais íntima com Cristo. Esta união se chama “Mística”, porque participa do mistério de Cristo mediante os sacramentos - ”Os santos mistérios"- e, não, do mistério da Santíssima Trindade. Deus chama-nos a todos a esta união íntima com Ele, ainda que as graças especiais o os sinais extraordinários desta vida mística sejam concedidos somente a alguns para manifestar assim o dom gratuito feito a todos”. Dito com outras palavras, há místicos aos que sim, se lhes nota e a outros que não se lhes nota. Porque os factos extraordinários, que podemos observar noutras pessoas, nunca são méritos próprios, senão dons, já que na vida sobrenatural  tudo são dons, o ordinário e o extraordinário e pode ser que mais de uma vez o ordinário que não vemos, seja mais importante que o extraordinário que os nossos olhos vêm.

(JUAN DO CARMELO, trad AMA)

12/10/2012

Luta ascética e mística 1


Ambas situações pertencem ao desenvolvimento da vida espiritual de uma alma. Mas acontece, que muitas pessoas não sabem distinguir correctamente entre a situação ascética e a mística. E no momento que vêm que alguém é um pouco piedoso, põem-lhe imediatamente a etiqueta de místico. Eu mesmo muitas vezes sorri interiormente, quando por mais de uma vez me escreveram e me adjectivaram como místico. Ainda que não seja difícil chegar a essa situação.

Para que quem isto leia e não tenha as ideias muito claras, pensará que os místicos se dão como as hortaliças numa horta, que basta apenas plantá-las, regá-las e produzem com tal abundância e todas ao mesmo tempo, que se alguém tem a desgraça de ter horta, passa o ano inteiro, a empanturrar-se de pepinos, couves, beringelas ou hortaliça que haja segundo a época, e como nem Ele nem a família, as podem comer todas, acabam oferecendo às suas amizades da cidade, o que não são capazes de comer, antes que apodreçam.

(JUAN DO CARMELO, trad AMA)

20/12/2011

Estamos predestinados? 7

Se queremos saber, quais são as nossas possibilidades de salvação, nunca o saberemos com absoluta certeza se nos vamos a salvar ou condenar, mas há uma série de indícios, que muitos santos e exegetas sempre manifestaram. O amor à Virgem e uma constante invocação a este amor, é uma causa segura de que jamais Ela abandonará um dos seus filhos predilectos. Há mais de quinhentos anos Luis de Blois, “Blosio” escrevia: “As tribulações desta vida são excelentíssimos dons de Deus. Não há sinal mais certo de que alguém está predestinado, que padecer adversidades com humildade e resignação por amor de Deus. (…). Jamais permitiria que um vento muito frouxo ou forte, causasse pena aos seus eleitos se não soubesse que era conveniente para a sua salvação”.

(JUAN DO CARMELO, trad AMA)


(juan do carmelo, trad ama)


19/12/2011

Estamos predestinados? 6

O P. Gabriele Amorth, especialista em temas de demonologia, diz-nos que: “Quando oiço que me dizem (confundindo presciência divina com predestinação) que Deus já sabe quem se salvará e quem se condenará, pelo que tudo é inútil, costumo responder recordando quatro verdades seguras contidas na Bíblia, até ao ponto de terem sido definidas dogmaticamente: 1º. Deus quer que todos se salvem; 2º. Ninguém está predestinado ao inferno; 3º. Jesus morreu por todos; 4º. A todos são concedidas as graças necessárias para a salvação”.


Pessoalmente, penso que realmente não existe uma eleição divina das almas, nem uma predilecção ou predestinação, porque todos absolutamente todos fomos criados por Ele, e portanto todos fomos eleitos. O que acontece é que uns respondem e outros não a essa eleição de amor que Deus nos oferece.   E dentro dos que respon-dem, uns dão a resposta com mais entusiasmo que outros. E como for a resposta é sempre uma resposta de amor, ao amor que Deus nos dá, é de ter presente que a reciprocidade é própria da natureza do amor. Assim o que mais ama a Deus, será sempre, mais amado por Ele. Deus está ansioso do desejo de que todos lhe respondamos mas nem todos atendem à chamada, inclusive entre os que a aten-dem, há diferenças, como acabamos de indicar, porque uns atendem com mais paixão e amor que outros. Somos nós mesmos que determinamos ser eleitos ou não. Ele não pode fazer nada, porque nos fez livres e jamais quebrará essa liberdade, O só pode esperar, pois se interviesse, quebraria o seu compromisso de dar-nos a liberdade. E a sua intervenção, ao privar o intervencionado de liberdade, determinaria que este intervencionado, também carecesse de mérito. Ele faz o possível e o impossível, sem quebrar a nossa liberdade, para que vamos a Ele.

(JUAN DO CARMELO, trad AMA)


18/12/2011

Estamos predestinados? 5


A reforma protestante, deu origem a uma heresia, que ainda se move, mas que está chamada a seguir os caminhos, que varias outras seguiram já há uns largos mais de 2000 anos da historia da Igreja católica, como pode ser o caso de os pelagianos, maniqueus, adopcionistas,… e muitas outras. Calvino foi condenado por herege em razão deste ensinamento.  Calvino não só acreditou na predestinação mas também Lutero, Zwinglio, Huss,  Wycliff  e todos os principais hierarcas protestantes da primeira época da Reforma. Ironicamente, hoje a vasta maioria das igrejas protestantes ou evangélicas não crêem nesta doutrina, pelo menos não da maneira que foi e possivelmente todavia seja acreditada por algum protestante histórico agarrado aos princípios da reforma protestante. Na maioria das igrejas protestantes já não se fala de predestinação, porque parece que esta doutrina, não os torna populares entre a clientela e então é melhor esquecer o tema. Evidentemente que esta doutrina herética foi devidamente condenada no Concilio de Trento onde se fez a Contra-reforma.

(JUAN DO CARMELO, trad AMA)

17/12/2011

Estamos predestinados? 4



Realmente não se pode afirmar que Calvino fosse o iniciador da heresia que admite a predestinação, seja esta predestinação para o mal ou para o bem. Face à doutrina dos reformadores, segundo a qual cada um tem de acreditar na sua predestinação o Magistério da Igreja condenou a dupla predestinação à salvação e à perdição, já anteriormente ao Concilio de Trento que condenou Calvino e as teses protestantes dos auto-chamados reformadores, estas teses, já tinham sido condenadas nos concílios de Arles e no de Orange, no século IX. No concilio de Quiercy no ano 853, afirma-se contra Godescalco de Orbais, que os que se salvam são salvos por um dom de Deus, enquanto os que se perdem, perdem-se por sua própria culpa. No concilio de Trento afirma-se contra Huss, Wycliff e sobre tudo contra Calvino que não há uma predestinação para o mal e estabelece que não há nenhuma certeza infalível de facto, a não ser por uma revelação particular de Deus. O motivo desta incerteza reside na possibilidade que temos de rejeitar o amor que Deus oferece a todos os homens.

(JUAN DO CARMELO, trad AMA)


16/12/2011

Estamos predestinados? 3


A refutação é simples: Se temos em conta que Deus é um Ser omnisciente, quer dizer conhecedor de tudo e além disso não vive no tempo, mas na eternidade, o que implica que, para Ele, como também o será para os que forem capazes de salvar-se aceitando o amor que Deus nos oferece a todos, o facto de que ao viver na eternidade tudo é presente, não existe nem o passado nem o futuro, tudo se contempla ao mesmo tempo. Portanto Deus vê e sabe o que vai acontecer, mas isto não condiciona a salvação, a condenação de ninguém. A predestinação implica que Deus determinou de antemão o que será o destino das criaturas, não que esteja simplesmente inteirado, que é o que na realidade sucede. O erro está em confundir o conhecimento que Deus tem de todas as coisas com a realização das mesmas. As coisas não sucedem porque Deus as conheça, senão as conhece porque sucedem o vão a suceder.

(JUAN DO CARMELO, trad AMA)

15/12/2011

Estamos predestinados? 2



E nesta armadilha demoníaca, ao faltar-lhe a oração e a graça divina, caiu um tal Calvino, que dizia: Que na predestinação, quer dizer, desde o principio da Criação Deus já tinha predeterminado, quem se salvaria e quem se condenaria. Fizesse o que fizesse, o que está predestinado ao inferno para ali irá, e o que está predestinado para o céu, para ali há-de ir, independentemente do que faça, Deus já predeterminado quem salvará ou não, e quem se condenará. Isto explicava-o Calvino dizendo que: Aqueles que obram e vivem no temor de Deus interpretam isto como um sintoma de que se é um dos poucos eleitos, os outros se vão para o fogo eterno. Como se pode supor, na prática esta teoria marginalizava a possibilidade de arrependimento e a acção da graça divina

Esta doutrina protestante, trata de encontrar a sua justificação bíblica na carta de São Paulo a os Efésios, quando esta diz: “Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos bendisse em Cristo com toda classe de bens espirituais no céu, e nos elegeu nele, antes da criação do mundo, para que fossemos santos e impecáveis na sua presença, pelo amor. Ele predestino-nos a ser seus filhos adoptivos por meio de Jesus Cristo, conforme o beneplácito da sua vontade, para louvor da glória da sua graça, que nos deu no seu Filho muito querido”. (Ef 1,3-6). Fomos sublinhando a frase que, colhida intencionalmente e retorcida na sua interpretação, dá origem à doutrina protestante.

(JUAN DO CARMELO, trad AMA)

14/12/2011

Estamos predestinados? 1

Bom, isto é o que dizem e defendem os protestantes. Mas o que julgo é mais preocupante, é que haja pessoas que se digam católicas e manifestando-o sê-lo, aceitem a predestinação das almas. E, uma de duas: ou se trata de pessoas de boa fé e com deficiente formação, que ouvem sinos e não sabem donde, ou pelo contrário são pessoas que sabem muito bem o que se dizem e, neste segundo caso, ou querem jogar com dois baralhos, ou levadas por um mal entendido afã ecumenista, querem juntar a agua com o azeite a qualquer preço, atirando pela borda fora o que haja que atirar, sejam dogmas ou magistérios doutrinais católicos, revestidos da patina da tradição.

E o que é a doutrina da predestinação? De facto é uma doutrina muito tentadora, porque no final, consiste em ouvir as insinuações demoníacas das que ninguém se livra, e que nos dizem estas?: Mas não faças de tonto, não te esforces…, mas é que não vês que o teu destino já está já determinado. Esta é uma tese,   que como outras, forma  parte da teologia do demónio, pois o nosso inimigo tem a sua própria teologia, através de a qual trata de nos demonstrar a presumível maldade de Deus e como se esforça por nos prevenir, ainda que a realidade seja que Ele, desfruta vendo-nos sofrer, vendo que caímos no poço do ódio em que Ele se encontra submergido.

(JUAN DO CARMELO, trad AMA)
(juan do carmelo, trad ama)


06/12/2011

Fortaleza do amor 5

A força do amor é superior e ele só é capaz de curar o desamor, e o ódio, por muito forte que este seja. Com o tempo tudo se termina rendendo-se à força do amor. O homem que ama de coração, tanto não plano natural como não sobrenatural, encontra-se fortalecido, mas sobre tudo sente-se feliz. O exercício do amor e o sentir-se recipiendário do amor dos outros e desde logo do amor divino, produz segurança, felicidade e fortaleza. É como se o próprio amor nos transferisse a sua própria fortaleza. Fortaleza que provém directamente da essência de Deus, pois Deus é amor e somente amor, como reiteradamente nos diz São João:  “E nós conhecemos e acreditamos não amor que Deus nos tem. Deus é amor, e o que vive não amor permanece em Deus, e Deus nele”. (1Jo 4,16)

Pensemos também, que da mesma forma que a essência de Deus é o amor, a essência do demónio, que é a antítese do amor, neste caso é o ódio. O amor é incriado, pertence ao Incriado, o ódio foi sempre criado pelas criaturas que o Incriado, criou. E esta é a razão mais transcendente da fortaleza do amor sobre a sua antítese que é o ódio. O ódio não foi criado por Deus, foi criado como consequência dos incumprimentos e ofensas das suas criaturas, os que criaram.

Por outro lado o exercício do amor, sobretudo o do amor sobrenatural, fortalece a alma e eleva o seu nível de vida espiritual, que em definitiva se mede em razão da intensidade com que se ama o Senhor. Nós somos mais perfeitos, quanto mais amamos. E pelo contrário o ódio, antítese do amor debilita e chega a anular a existência da vida espiritual de uma alma. Em definitiva temos de pensar que viemos a este mundo, para passar uma prova de amor, e o que mais ama será o que obtiver maior pontuação na prova.

(juan do carmelo, trad ama)

05/12/2011

Fortaleza do amor 4

Quando o amor sobrenatural, que Deus está sempre disposto a doar-nos, tanto ao que lho pede como ao desalmado que se arrepende, se retira da criatura humana, por não ter aceite esta não final dos seus dias, a possibilidade de adquirir amor, então, nasce então nela, na pessoa que rejeitou o amor, que Deus lhe esteve oferecendo e se tenha condenado, um vazio de amor, que será imediatamente cheio pelo ódio. Por isso, o demónio é a quinta-essência do ódio e com maior o menor força de ódio se desenrolará a vida do condenado não inferno, segundo o seu grau de condenação.

A sensu contrario no céu reina o amor a todos e entre todos. No inferno reina o ódio, a tudo e a todos, inclusive o condenado odeia-se a se mesmo. Desde logo que a fortaleza do ódio é tremenda na pessoa, sobretudo quando alguma delas, está dominada por esta desgraça, porque odiar é uma desgraça e um sofrimento, maior para que o que odeia, que para o que é odiado, que muitas vezes nem se inteira de que o odeiam. Uma pessoa que odeia é capaz de tudo, mas o amor é mais forte que o ódio, o ódio pode ser vencido com a força do amor. É São João da Cruz quem escreve: “Onde não há amor, põe amor e encontrarás amor”.

(juan do carmelo, trad ama)