Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
18/10/2020
SACRAMENTOS
A
liturgia e os sacramentos em geral
A liturgia cristã é
essencialmente actio Dei que nos une a Jesus através do Espírito (cf. Ex. ap. Sacramentum Caritatis, n. 37).
1.
O Mistério pascal: mistério vivo e vivificante
As palavras e as
acções de Jesus durante a Sua vida oculta em Nazaré e no Seu ministério público
eram salvíficas e antecipavam a força do Seu ministério pascal. «Uma vez
chegada a sua “Hora” (cf. Jo 13, 1;
17, 1.), Jesus
vive o único acontecimento da história que não passa jamais: morre, é
sepultado, ressuscita de entre os mortos e senta-Se à direita do Pai “uma vez
por todas” (Rm 6, 10; Heb 7,
27; 9, 12).
É um acontecimento real, ocorrido na nossa história, mas único; todos os outros
acontecimentos da história acontecem uma vez e passam, devorados pelo passado.
Pelo contrário, o mistério pascal de Cristo não pode ficar somente no passado,
já que pela Sua morte, Ele destruiu a morte; e tudo o que Cristo É, tudo o que
fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim
transcende todos os tempos e em todos se torna presente. O acontecimento da
cruz e da ressurreição permanece e atrai tudo para a vida» (Catecismo 1085).
Como sabemos, «no
início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o
encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte
e, desta forma, o rumo decisivo» (Bento
XVI, Enc. Deus Caritas Est, 25-XII-2005, 1) Daí que «a fonte da nossa fé e da liturgia
eucarística é o mesmo acontecimento: a doação que Cristo fez de Si próprio no
mistério pascal» (Bento XVI, Ex. ap.
Sacramentum Caritatis, 22-II-2007, 34. (Bento
XVI, Ex. ap. Sacramentum Caritatis, 22-II-2007, 34).
Juan
José Silvestre
Revisão
da versão portuguesa por AMA.
Bibliografia
básica
Catecismo
da Igreja Católica, 1066-1098; 1113-1143; 1200-1211 e 1667-1671.
Leituras
recomendadas
São
Josemaria, Homilia «A Eucaristia, mistério de fé e de amor», em Cristo que
Passa , 83-94; também os n. 70 e 80. Temas Actuais do Cristianismo, 115.
J. Ratzinger, Introdução ao Espírito da Liturgia, Edições Paulinas, 2002.
J.L. Gutiérrez-Martín, Belleza y misterio. La liturgia, vida de la Iglesia, EUNSA (Astrolabio), Pamplona 2006, pp. 53-84, 13-126.
União com Deus
União
com Deus
Procura
a união com Deus e enche-te de esperança - virtude segura! - porque Jesus te
iluminará, mesmo na noite mais escura, com a luz da Sua misericórdia. (Forja, 293)
Jesus
Christus, Deus Homo, Jesus Cristo,
Deus-Homem! Eis uma magnalia Dei (Act II, 11), uma das maravilhas de
Deus em que temos de meditar e que temos de agradecer a Este Senhor que veio
trazer a paz na terra aos homens de boa vontade (Lc 2, 14), a todos
os homens que querem unir a sua vontade à Vontade boa de Deus. Não só aos
ricos, nem só aos pobres! A todos os homens, a todos os irmãos! Pois irmãos
somos todos em Jesus; filhos de Deus, irmãos de Cristo. Sua Mãe é nossa Mãe.
É
preciso ver o Menino, nosso Amor, no seu berço. Olhar para Ele, sabendo que
estamos perante um mistério. Precisamos de aceitar o mistério pela fé,
aprofundar o seu conteúdo. Para isso necessitamos das disposições humildes da
alma cristã: não pretender reduzir a grandeza de Deus aos nossos pobres
conceitos, ás nossas explicações humanas, mas compreender que esse mistério, na
sua obscuridade, é uma luz que guia a vida dos homens. (Cristo que passa, 13)
Leitura espiritual Outubro 18

Cartas
de São Paulo
1.ª
Timóteo 4
Os falsos mestres –
1
O Espírito diz abertamente que, nos últimos tempos, alguns hão-de apostatar da
fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas diabólicas, 2 seduzidos
pela hipocrisia de mentirosos, cuja consciência foi marcada com ferro em brasa.
3 Proibirão o casamento e o uso de alimentos, que Deus criou para serem
consumidos em acção de graças, pelos que têm fé e conhecem a verdade. 4 Pois
tudo o que Deus criou é bom e nada deve ser rejeitado, quando tomado com acção
de graças. 5 Com efeito, tudo é santificado pela palavra de Deus e pela oração.
Modelo dos fiéis –
6
Expondo estas coisas aos irmãos, serás um bom servo de Cristo Jesus, alimentado
com as palavras da fé e da boa doutrina que tão diligentemente tens seguido. 7 Mas
rejeita as fábulas ímpias, coisa de comadres. Exercita-te na piedade. 8 O
exercício físico de pouco serve, mas a piedade é útil para tudo, pois tem a
promessa da vida presente e da futura. 9 É digna de fé e de toda a aceitação
esta palavra. 10 Pois se nós trabalhamos e lutamos, é porque pomos a nossa
esperança no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, sobretudo dos que
crêem. 11 Eis o que deves proclamar e ensinar. 12 Ninguém escarneça da tua
juventude; antes, sê modelo dos fiéis, na palavra, na conduta, no amor, na fé,
na castidade. 13 Enquanto aguardas a minha chegada, aplica-te à leitura, à
exortação, ao ensino. 14 Não descures o carisma que está em ti, e que te foi
dado através de uma profecia, com a imposição das mãos dos presbíteros. 15 Toma
a peito estas coisas e persevera nelas, a fim de que o teu progresso seja
manifesto a todos. 16 Cuida de ti mesmo e da doutrina, persevera nestas coisas,
porque, agindo assim, salvar-te-ás a ti mesmo e aos que te ouvirem.
Cristo que passa
56
José foi, no aspecto humano,
mestre de Jesus; conviveu com Ele diariamente, com carinho delicado, e cuidou
dele com abnegação alegre. Não será esta uma boa razão para considerarmos este
varão justo, este Santo Patriarca, no qual culmina a Fé da Antiga Aliança,
Mestre de vida interior?
A vida interior não é outra
coisa senão o convívio assíduo e intimo com Cristo, para nos identificarmos com
Ele.
E José saberá dizer-nos
muitas coisas sobre Jesus.
Por isso, não deixeis nunca
de conviver com ele; ite ad Joseph, como diz a tradição cristã com uma frase
tomada do Antigo Testamento.
Mestre da vida interior,
trabalhador empenhado no seu trabalho, servidor fiel de Deus em relação
contínua com Jesus: este é José.
Ite
ad Joseph.
Com São José o cristão
aprende o que é ser Deus e estar plenamente entre os homens, santificando o
mundo.
Ide a José e encontrareis
Jesus. Ide a José e encontrareis Maria, que encheu sempre de paz a amável
oficina de Nazaré.
57
Entramos no tempo da
Quaresma: tempo de penitência, de purificação, de conversão.
Não é fácil tarefa.
O cristianismo não é um
caminho cómodo; não basta estar na Igreja e deixar que os anos passem.
Na nossa vida, na vida dos
cristãos, a primeira conversão - esse momento único, que cada um de nós
recorda, em que advertimos claramente tudo o que o Senhor nos pede - é
importante; mas ainda mais importantes e mais difíceis são as conversões
sucessivas.
É preciso manter a alma
jovem, invocar o Senhor, saber ouvir, descobrir o que corre mal, pedir perdão,
para facilitarmos o trabalho da graça divina nessas sucessivas conversões.
Invocabit me et ego exaudiam
eum,
lemos na liturgia deste Domingo: Se me chamardes, Eu vos escutarei, diz o
Senhor.
Reparai nesta maravilha que
é o cuidado que Deus tem por nós, sempre disposto a ouvir-nos, atento em cada
momento à palavra do homem.
Em qualquer altura - mas
agora de modo especial, porque o nosso coração está bem disposto, decidido a
purificar-se - Ele nos ouve e não deixará de atender ao que Lhe pede um coração
contrito e humilhado.
O Senhor ouve-nos para
intervir, para Se meter na nossa vida, para nos livrar do mal e encher-nos de
bem: eripiam eum et glorificabo eum, Eu o livrarei e o glorificarei, diz do
homem.
Portanto: esperança do Céu.
E aqui temos, como doutras
vezes, o começo desse movimento interior que é a vida espiritual.
A esperança da glorificação
acentua a nossa fé e estimula a nossa caridade. E, deste modo, as três virtudes
teologais - virtudes divinas que nos assemelham ao nosso Pai, Deus - põem-se em
movimento.
Haverá melhor maneira de
começar a Quaresma?
Renovamos a Fé, a Esperança,
a Caridade. Esta é a fonte do espírito de penitência, do desejo de purificação.
A Quaresma não é apenas uma
ocasião de intensificar as nossas práticas externas de mortificação; se
pensássemos que era isso apenas, escapar-nos-ia o seu sentido profundo na vida
cristã, porque esses actos externos são, repito, fruto da Fé, da Esperança e do
Amor.
58
A arriscada segurança do
Cristão
Qui habitat in adiutorio
Altissimi in protectione Dei coelí commorabitur -
Habitar sob a protecção de Deus, viver com Deus: eis a arriscada segurança do
cristão.
É necessário convencermo-nos
de que Deus nos ouve, de que está sempre solícito por nós, e assim se encherá
de paz o nosso coração. Mas viver com Deus é indubitavelmente correr um risco,
porque o Senhor não Se contenta compartilhando; quer tudo.
E aproximar-se d'Ele um
pouco mais significa estar disposto a uma nova rectificação, a escutar mais
atentamente as suas inspirações, os santos desejos que faz brotar na nossa alma,
e a pô-los em prática.
Desde a nossa primeira
decisão consciente de viver integralmente a doutrina de Cristo, é certo que
avançámos muito pelo caminho da fidelidade à sua Palavra.
Mas não é verdade que restam
ainda tantas coisas por fazer?
Não é verdade que resta,
sobretudo, tanta soberba?
É precisa, sem dúvida, uma
outra mudança, uma lealdade maior, uma humildade mais profunda, de modo, que,
diminuindo o nosso egoísmo, cresça em nós Cristo, pois illum oportet crescere,
me autem minui, é preciso que Ele cresça e que eu diminua.
Não é possível deixar-se
ficar imóvel.
É necessário avançar para a
meta que S. Paulo apontava: não sou eu quem vive; é Cristo que vive em mim.
A ambição é alta e
nobilíssima: a identificação com Cristo, a santidade. Mas não há outro caminho,
se se deseja ser coerente com a vida divina que, pelo Baptismo, Deus fez nascer
nas nossas almas. O avanço é o progresso na santidade; o retrocesso é negar-se
ao desenvolvimento normal da vida cristã.
Porque o fogo do amor de
Deus precisa de ser alimentado, de aumentar todos os dias arreigando-se na
alma; e o fogo mantém-se vivo queimando novas coisas.
Por isso, se não aumenta,
está a caminho de se extinguir.
Recordai as palavras de
Santo Agostinho: Se disseres basta, estás perdido. Procura sempre mais, caminha
sempre, progride sempre. Não permaneças no mesmo sítio, não retrocedas, não te
desvies.
A Quaresma coloca-nos agora
perante estas perguntas fundamentais: Avanço na minha fidelidade a Cristo?
Em desejos de santidade?
Em generosidade apostólica
na minha vida diária, no meu trabalho quotidiano entre os meus companheiros de
profissão?
Cada um que responda a
estas. perguntas, sem ruído de palavras, e verá como é necessária uma nova
transformação para que Cristo viva em nós, para que a sua imagem se reflicta
limpidamente na nossa conduta.
«Se alguém quer vir atrás
de Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz de cada dia, e siga-Me».
Cristo repete-o a cada um de
nós, ao ouvido, intimamente: a Cruz de cada dia.
Não só - escreve São
Jerónimo - em tempo de perseguição, ou quando se apresenta a possibilidade do
martírio, mas em todas as situações, em todas as actividades, em todos os
pensamentos, em todas as palavras, neguemos aquilo que antes éramos e
confessemos o que agora somos, visto que renascemos em Cristo.
Estas considerações não são,
afinal, senão o eco das do Apóstolo: Outrora éreis trevas, mas agora sois luz
no Senhor. Comportai-vos como filhos da luz, porque o fruto da luz consiste na
bondade, na justiça e na verdade. Procurai o que é agradável ao Senhor.
A conversão é coisa de um
instante; a santificação é tarefa para toda a vida.
A semente divina da
caridade, que Deus pôs nas nossas almas, aspira a crescer, a manifestar-se em
obras, a dar frutos que correspondam em cada momento ao que é agradável ao
Senhor.
Por isso, é indispensável
estarmos dispostos a recomeçar, a reencontrar - nas novas situações da nossa
vida - a luz, o impulso da primeira conversão.
E essa é a razão pela qual
havemos de nos preparar com um exame profundo, pedindo ajuda ao Senhor para
podermos conhecê-Lo melhor e conhecer-nos melhor a nós mesmos.
Não há outro caminho para
nos convertermos de novo.
Pequena agenda do cristão
Outubro - Mês do Rosário
É uma cena comum, familiar e, ao mesmo tempo, de sociedade. E Cristo está presente como que a demonstrar que não Se alheia da vida comum dos Seus irmãos os homens por mais trivial ou simples que possa ser.
Sabemos por experiência própria que algumas vezes a vontade de Deus se apresenta como que difusa, pouco clara.
Outras vezes, trava-se uma luta no nosso íntimo entre aquilo que nos apetece fazer e o que sabemos nos convém que façamos.
E, o que nos convém, é sempre actuar com a meridiana certeza que fazemos o melhor que podemos em cada circunstância.
Os desejos, os propósitos têm sempre de estar estreitamente ligados à nossa consciência segura, bem formada que nunca deixará de nos alertar para o desvio, o desleixo, a comodidade.
17/10/2020
Filosofia, Religião, Vida Humana.
Virtudes
Fidelidade 3
Deus é fiel
O Antigo Testamento faz finca-pé na fidelidade de
Deus, salientando que é emet e hesed, verdadeiro e misericordioso: a sua
misericórdia é tão grande como o Céu, e a sua fidelidade como da terra às
nuvens (Cfr. Sal 53; Dt
7,9; 32,4; Is 49,7; Sal 144,13). A fidelidade vai unida à revelação de Deus. Ao dizer o seu nome, Deus
revela, ao mesmo tempo, a sua fidelidade, que é de sempre e para sempre. É-o a
respeito do passado, pois é o Deus dos nossos pais; é-o para o porvir, porque
estará sempre connosco (Cfr. Ex
3,6.12). “Deus, que revela
o seu nome como “Eu sou”, revela-se como o Deus que está sempre ali,
presente junto do seu povo para o salvar” (Catecismo da Igreja Católica, 207)
A FIDELIDADE É COMO
UMA FORÇA QUE CONQUISTA O TEMPO, NÃO POR RIGIDEZ OU INÉRCIA, MAS DE UM MODO
CRIATIVO, INTEGRANDO AS NOVAS CIRCUNSTÂNCIAS DE CADA DIA
Deus está sempre
presente e mantém sempre as Suas promessas(Cfr. Catecismo da Igreja Católica, 212). Daí a importância
de ter consciência da presença de Deus, uma das primeiras coisas que se
aprendem na vida interior: as orações jaculatórias, os olhares às imagens de
Nossa Senhora são modos concretos de actualizar, no trabalho, essa presença de Quem
nos escolheu, nos criou, nos mantém no ser, nos olha com amor de Pai. A
fidelidade de Deus é consequência desse amor, ou seja, do seu próprio ser: “Deus,
´Aquele que é´», revelou-se a Israel como aquele que é “rico em amor e
fidelidade” (Ex 34,6). Estes dois termos expressam de forma condensada as riquezas do Nome
divino” (Cfr.
Catecismo da Igreja Católica, 214). Quando somos fiéis, parecemo-nos mais a esse Deus que é amor e sempre
fiel. “Deus dá à vida santa dos que cumprem a sua vontade dimensões
insuspeitadas, o que a torna importante, o que dá valor a todas as coisas, o
que a torna divina. À vida humilde e santa de São José, Deus acrescentou - se
me é permitido falar assim - a vida da Virgem Maria e a de Jesus Nosso Senhor..
Deus nunca se deixa ganhar em generosidade” (Cristo que passa,
40).
O amor casto entre um homem e uma mulher
Admira
a bondade do nosso Pai Deus: não te enche de alegria a certeza de que o teu
lar, a tua família, o teu país, que amas com loucura, são matéria de santidade?
(Forja,
689)Leitura espiritual Outubro 17
Cartas de São Paulo
1.ª
Timóteo 2
I.
ORGANIZAÇÃO ECLESIAL
A oração pública –
1
Recomendo, pois, antes de tudo, que se façam preces, orações, súplicas e acções
de graças por todos os homens, 2 pelos reis e por todos os que estão
constituídos em autoridade, a fim de que levemos uma vida serena e tranquila,
com toda a piedade e dignidade. 3 Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso
Salvador, 4 que quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento
da verdade. 5 Pois, há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, um
homem: Cristo Jesus, 6 que se entregou a si mesmo como resgate por todos. Tal é
o testemunho dado para os tempos estabelecidos. 7 Foi para isto que fui
constituído arauto e apóstolo - digo a verdade, não minto - mestre das nações,
na fé e na verdade.
Recomendações às mulheres –
8
Quero, pois, que os homens orem em todo o lugar, erguendo as mãos puras, sem
ira nem altercação. 9 Do mesmo modo, as mulheres usem trajes decentes,
adornem-se com pudor e modéstia, sem tranças, nem ouro, nem pérolas, ou
vestidos sumptuosos, 10 mas, como convém a mulheres que fazem profissão de
piedade, por meio de boas obras. 11 A mulher receba a instrução em silêncio,
com toda a submissão. 12 Não permito à mulher que ensine, nem que exerça
domínio sobre o homem, mas que se mantenha em silêncio. 13 Porque primeiro foi
formado Adão, depois Eva. 14 E não foi Adão que foi seduzido mas a mulher que,
deixando-se seduzir, incorreu na transgressão. 15 Contudo, será salva pela sua
maternidade, desde que persevere na fé, no amor e na santidade, com recato.
Cristo que passa
51
Além disso, esse serviço
humano, essa capacidade a que poderíamos chamar técnica, saber realizar o nosso
ofício, deve ter uma característica que foi fundamental no trabalho de São José
e que devia ser fundamental em todo o cristão: o espírito de serviço, o desejo
de trabalhar para contribuir para o bem dos outros homens.
O trabalho de São José não
foi um trabalho que visasse a auto-afirmação, embora a dedicação de uma vida
laboriosa tenha forjado nele uma personalidade madura, bem delineada.
O Santo Patriarca trabalhava
com a consciência de cumprir a vontade de Deus, pensando no bem dos seus, Jesus
e Maria, e tendo presente o bem de todos os habitantes da pequena Nazaré.
Em Nazaré José era um dos
poucos artesãos da terra, se não era o único.
Possivelmente, carpinteiro.
E, como é costume nas
pequenas povoações, também era capaz de fazer outras coisas: pôr a funcionar um
moinho que não funcionava ou arranjar, antes do inverno, as fendas de um tecto.
José tirava muita gente de
apuros, certamente com um trabalho bem acabado.
O seu trabalho profissional
era uma ocupação orientada para o serviço, para tornar agradável a vida das
outras famílias da aldeia, acompanhada de um sorriso, de uma palavra amável, de
um comentário feito como que de passagem, mas que devolve a fé e a alegria a
quem está a ponto de perdê-las.
52
Às vezes, quando se tratava
de pessoas mais pobres do que ele, José trabalharia aceitando alguma coisa de
pouco valor, que deixava a outra pessoa com a satisfação de pensar que tinha
pago.
Normalmente José cobraria o
que fosse razoável; nem mais nem menos.
Saberia exigir o que em
justiça lhe era devido, já que a fidelidade a Deus não significa renúncia a
direitos que na realidade são deveres; São José tinha de exigir o que era
justo, porque tinha de sustentar a família que Deus lhe tinha confiado, com a
recompensa desse trabalho.
A exigência dos nossos
direitos não deve ser fruto de um egoísmo individualista.
Não se ama a justiça se não
se deseja vê-la também cumprida para com os outros.
Como também não é lícito
encerrar-se numa religiosidade cómoda, esquecendo as necessidades dos outros.
Quem deseja ser justo aos
olhos de Deus também se esforça para que a justiça se realize de facto entre os
homens.
E não apenas pelo bom motivo
de que o nome de Deus não seja injuriado, mas porque ser cristão significa
captar e corresponder a todos os anseios nobres do homem.
Parafraseando um texto
conhecido, do Apóstolo S. João, pode-se dizer que mente quem afirma que é justo
com Deus mas não é justo com os outros homens; e a verdade não habita nele.
Como todos os cristãos que
viveram aquele momento, recebi com emoção e alegria a decisão de festejar a
festa litúrgica de São José Operário.
Esta festa, que é uma
canonização do valor divino do trabalho, mostra como a Igreja, na sua vida
colectiva e pública, se fez eco das verdades centrais do Evangelho, que Deus
quer que sejam especialmente meditadas nesta nossa época.
53
Já falámos muito deste tema
noutras ocasiões, mas permiti-me insistir de novo na naturalidade e na
simplicidade da vida de São José, que não se distinguia da dos seus vizinhos
nem levantava barreiras desnecessárias.
Por isso, ainda que possa
ser conveniente nalguns momentos ou em algumas situações, habitualmente não
gosto de falar de operários católicos, de engenheiros católicos, de médicos
católicos, etc., como se se tratasse de uma espécie dentro dum género, como se
os católicos formassem um grupinho separado dos outros, dando assim a sensação
de que existe um fosso entre os cristãos e o resto da humanidade.
Respeito a opinião oposta,
mas penso que é muito mais correcto falar de operários que são católicos, ou de
católicos que são operários; de engenheiros que são católicos ou de católicos
que são engenheiros. Porque o homem que tem fé e exerce uma profissão
intelectual, técnica ou manual, está e sente-se unido aos outros, igual aos
outros, com os mesmos direitos e obrigações, com o mesmo desejo de melhorar,
com o mesmo empenho de se enfrentar com os problemas comuns e de lhes encontrar
a solução.
O católico, assumindo tudo
isto, saberá fazer da sua vida diária um testemunho de Fé, de Esperança e de
Caridade; testemunho simples, normal, sem necessidade de manifestações
aparatosas, pondo de manifesto - com a coerência da sua vida - a presença
constante da Igreja no mundo, visto que todos os católicos são, eles mesmos,
Igreja, pois são membros, com pleno direito, do único Povo de Deus.
54
As relações entre José e
Jesus
Há bastante tempo que gosto
de recitar uma comovedora invocação a São José, que a própria Igreja nos
oferece entre as orações preparatória da Missa: José, varão bem-aventurado e
feliz, ao qual foi concedido ver e ouvir a Deus, a Quem muitos reis quiseram
ver e ouvir e não viram nem ouviram; e não só vê-Lo e ouvi-Lo mas trazê-Lo nos
braços, beijá-Lo, vesti-Lo e guardá-Lo: rogai por nós.
Esta oração servir-nos-á
para entrar no último tema que hoje vou tocar: a convivência íntima e carinhosa
de José com Jesus.
Para São José, a vida de
Jesus foi uma contínua descoberta da sua vocação.
Recordámos acima aqueles
primeiros anos cheios de circunstâncias aparentemente contraditórias:
glorificação e fuga, majestade dos magos e pobreza da gruta, canto dos Anjos e
silêncio dos homens. Quando chega o momento de apresentar o Menino no Templo,
José, que leva a modesta oferenda de um par de rolas, vê como Simeão e Ana
proclamam que Jesus é o Messias.
Seu pai e sua mãe ouviram
com admiração, diz S. Lucas.
Mais tarde, quando o Menino
fica no templo sem que Maria e José o saibam, ao encontrá-Lo de novo depois de
O procurarem três dias, o mesmo evangelista narra que se maravilharam.
José surpreende-se, José
admira-se.
Deus vai-lhe revelando os
seus desígnios e ele esforça-se por compreendê-los.
Como toda a alma que quer
seguir de perto Jesus, descobre logo que não é possível andar com passo
ronceiro, que não pode viver da rotina.
Porque Deus não se conforma
com a estabilidade num nível conseguido, com o descanso no que já se tem. Deus
exige continuamente mais e os seus caminhos não são os nossos caminhos humanos.
São José, como nenhum outro
homem antes ou depois dele, aprendeu de Jesus a estar atento para conhecer as
maravilhas de Deus, a ter a alma e o coração abertos.
55
Mas, se José aprendeu de
Jesus a viver de um modo divino, atrever-me-ia a dizer que, no aspecto humano,
ensinou muitas coisas ao Filho de Deus.
Há qualquer coisa que não me
agrada no título de pai adoptivo com que às vezes se designa José, porque tem o
perigo de fazer pensar que as relações entre José e Jesus eram frias e
externas.
Certamente que a nossa fé
nos diz que não era pai segundo a carne, mas não é essa a única paternidade.
A José - lemos num sermão de
Santo Agostinho - não só se lhe deve o nome de pai, mas este é-lhe devido mais
do que a qualquer outro. E continua: Como era pai? Tanto mais profundamente
pai, quanto mais casta foi a sua paternidade. Alguns pensavam que era pai de
Nosso Senhor Jesus Cristo da mesma forma que são pai os outros, que geram
segundo a carne e não recebem os seus filhos só como fruto do seu afecto
espiritual. Por isso, diz S. Lucas: pensava-se que era pai de Jesus.
Porque diz apenas
pensava-se?
Porque o pensamento e o
juízo humanos referem-se àquilo que costuma acontecer entre os homens.
E o Senhor não nasceu do
germe de José. Mas à piedade e caridade de José nasceu um filho da Virgem
Maria, que era Filho de Deus.
José amou Jesus como um pai
ama o seu filho, tratou-o dando-lhe tudo que de melhor tinha. José, cuidando
daquele Menino como lhe tinha sido ordenado, fez de Jesus um artesão:
transmitiu-lhe o seu ofício.
Por isso, os vizinhos de
Nazaré falavam de Jesus chamando-lhe indistintamente faber e fabri filius”:
artesão e filho do artesão. Jesus trabalhou na oficina de José e junto de José.
Como seria José, como teria
actuado nele a graça, para ser capaz de levar a cabo a tarefa de desenvolver no
aspecto humano o Filho de Deus?
Por isso, Jesus devia
parecer-se com José no modo de trabalhar, nos traços do seu carácter, na
maneira de falar.
No realismo de Jesus, no seu
espírito de observação, no seu modo de se sentar à mesa e de partir o pão, no
seu gosto por falar dum modo concreto tomando como exemplo as coisas da vida
corrente, reflecte-se o que foi a infância e a juventude de Jesus e, portanto,
a sua convivência com José.
Não é possível desconhecer a
sublimidade do mistério.
Esse Jesus que é homem, que
fala com o sotaque de uma determinada região de Israel, que se parece com um
artesão chamado José, esse é o Filho de Deus.
E quem pode ensinar alguma
coisa a Deus?
Mas é realmente homem e vive
normalmente: primeiro como menino; depois, como rapaz que ajuda na oficina de
José; finalmente como homem maduro, na plenitude da idade.
Jesus crescia em sabedoria,
em idade e em graça diante de Deus e dos homens.








