17/06/2019

Evangelho e comentário


TEMPO COMUM


Evangelho: Mt 5, 38-42

38 «Ouvistes o que foi dito: Olho por olho e dente por dente. 39 Eu, porém, digo-vos: Não oponhais resistência ao mau. Mas, se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra. 40 Se alguém quiser litigar contigo para te tirar a túnica, dá-lhe também a capa. 41 E se alguém te obrigar a acompanhá-lo durante uma milha, caminha com ele duas. 42 Dá a quem te pede e não voltes as costas a quem te pedir emprestado.»

Comentário:

A chamada Lei de Talião que imperava naqueles tempos bárbaros era o oposto da nova ordem que Jesus Cristo vinha instalar:

A ordem do amor que, depois há-de instituir como o mandato novo para todos os homens.

Não é fácil pagar o mal com o bem, mas na sua busca incessante pela paz a humanidade não terá outro caminho.


(AMA, comentário sobre Mt 5, 38-42, 18.06.2018)

Comunicação social


O nosso dever de comunicadores sociais é sermos os melhores intermediários da verdade e fazermos honestamente uma síntese ponderada dos acontecimentos, uma avaliação reflectida dos factos, uma análise prévia das notícias que temos de transmitir com seriedade e aguda orientação crítica para dar o justo relevo a cada acontecimento.

(JAVIER ABAD GÓMEZ, Fidelidade, Quadrante 1989, pg. 77)



Deixa-o exigir-te!


Deus quer-nos infinitamente mais do que tu próprio te queres... Deixa-o, pois, exigir-te! (Forja, 813)

O Senhor conhece as nossas limitações, o nosso individualismo e a nossa ambição: a dificuldade em nos conhecermos a nós mesmos e de nos entregarmos aos outros. Sabe o que é não encontrar amor e verificar que mesmo aqueles que dizem segui-Lo o fazem só a meias. Recordai as cenas tremendas que os evangelistas nos descrevem e em que vemos os apóstolos ainda cheios de aspirações temporais e de projectos exclusivamente humanos. Mas Jesus escolheu-os, mantém-nos juntos de Si e confia-lhes a missão que recebeu do Pai.

Também a nós nos chama e nos pergunta como a Tiago e João: Potestis bibere calicem quem ego bibiturus sum?; estais dispostos a beber o cálice (este cálice da completa entrega ao cumprimento da vontade do Pai) que eu vou beber? "Possumus"!. Sim, estamos dispostos! – é a resposta de João e Tiago... Vós e eu, estamos dispostos seriamente a cumprir, em tudo, a vontade do nosso Pai, Deus? Demos ao Senhor o nosso coração inteiro ou continuamos apegados a nós mesmos, aos nossos interesses, à nossa comodidade, ao nosso amor-próprio? Há em nós alguma coisa que não corresponda à nossa condição de cristãos e que nos impeça de nos purificarmos? Hoje apresenta-se-nos a ocasião de rectificar. (Cristo que passa, 15)

Pequena agenda do cristão

SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?








Leitura espiritual


CARTA ENCÍCLICA

HAURIETIS AQUAS

DO SUMO PONTÍFICE PAPA PIO XII
AOS VENERÁVEIS IRMÃOS PATRIARCAS, PRIMAZES,
ARCEBISPOS E BISPOS E OUTROS ORDINÁRIOS DO LUGAR
EM PAZ E COMUNHÃO COM A SÉ APOSTÓLICA

SOBRE O CULTO DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS



V
EXORTAÇÃO À PRÁTICA
MAIS PURA E MAIS EXTENSA DO CULTO
AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS



2) Grande utilidade do culto ao sagrado coração de Jesus nas actuais necessidades da Igreja


67. Veneráveis irmãos, embora a devoção ao sagrado coração de Jesus tenha produzido em toda parte frutos salutares de vida cristã, contudo ninguém ignora que a Igreja militante na terra, e sobretudo a sociedade civil, ainda não alcançaram o grau de perfeição que corresponde aos desejos de Jesus Cristo, esposo místico da Igreja e Redentor do género humano. Não são poucos os filhos da Igreja que com numerosas manchas e rugas deturpam o rosto materno que em si mesmos reflectem; nem todos os cristãos brilham por santidade de costumes, à qual por vocação divina são chamados; nem todos os pecadores que em má hora abandonaram a casa paterna têm voltado para de novo vestir-se nela com "a veste preciosa"[1] e pôr no dedo o anel, símbolo de fidelidade para com o esposo de sua alma; nem todos os infiéis se incorporaram ainda ao corpo místico de Cristo. Há mais. Porque, se bem que nos encha de amarga dor o ver a fé definhar nos bons, e contemplar como, pelo falaz atractivo dos bens terrenos, lhes decresce nas almas e aos poucos se apaga o fogo da caridade divina, muito mais nos atormentam as maquinações dos ímpios, que, agora mais do que nunca, parecem incitados pelo inimigo infernal no seu ódio implacável e aberto contra Deus, contra a Igreja e, sobretudo, contra aquele que representa na terra a pessoa do divino Redentor e a sua caridade para com os homens, consoante a conhecidíssima frase do doutor de Milão, "(Pedro) é interrogado sobre aquilo de que há dúvida, mas não o duvida o Senhor; pergunta, não para saber, mas para ensinar àquele que, na sua ascensão ao céu, ele nos deixava como vigário do seu amor".[2]

68. Certamente, o ódio contra Deus e contra os que legitimamente lhe fazem as vezes é o maior crime que o homem pode cometer, criado como foi este à imagem e semelhança de Deus, destinado a gozar da sua amizade perfeita e eterna no céu; visto que pelo ódio a Deus o homem se afasta o mais possível do sumo Bem, sente-se impelido a repelir de si e do seu próximo tudo quanto vem de Deus, tudo quanto une com Deus, tudo quanto conduz a gozar de Deus, ou seja a verdade, a virtude, a paz e a justiça.[3]


69. Podendo, pois, observar que, por desgraça, cresce em algumas partes o número dos que se jactam de ser inimigos do Senhor eterno, e que os falsos princípios do "materialismo" se difundem teórica e praticamente; e ouvindo como continuamente se exalta a licença desenfreada das paixões, como estranharmos que em muitas almas se arrefeça a caridade, que é a suprema lei da religião cristã, o fundamento mais firme da verdadeira e perfeita justiça, o manancial mais abundante da paz e das castas delícias?

Já o advertiu o nosso Salvador:
"Pela inundação dos vícios, arrefecer-se-á a caridade de muitos"[4].


3) O culto ao sagrado coração de Jesus, lábaro de salvação também para o mundo moderno

70. À vista de tantos males que, hoje como nunca, transtornaram profundamente os indivíduos, as famílias, as nações e o orbe inteiro, onde acharmos, veneráveis irmãos, um remédio eficaz?
Poderemos encontrar alguma devoção que se avantaje ao culto augustíssimo do coração de Jesus, que corresponda melhor à índole própria da fé católica, que com mais eficácia satisfaça as necessidades actuais da Igreja e do género humano?
Que homenagem religiosa mais nobre, mais suave e mais salutar do que este culto que se dirige todo à própria caridade de Deus?[5]

Por último, que pode haver de mais eficaz do que a caridade de Cristo – que a devoção ao sagrado coração promove e fomenta cada dia mais – para estimular os cristãos a praticarem em sua vida a lei evangélica, sem a qual não é possível haver entre os homens paz verdadeira, como claramente ensinam aquelas palavras do Espírito Santo:

"Obra da justiça será a paz"[6]?

71. Pelo que, seguindo o exemplo do nosso imediato antecessor, queremos lembrar de novo a todos os nossos filhos em Cristo a exortação que, ao expirar o século passado, Leão XIII, de feliz memória, dirigiu a todos os cristãos e a quantos se sentiam sinceramente preocupados com a sua própria salvação e com a salvação da sociedade civil:

"Vede hoje ante vossos olhos um segundo lábaro consolador e divino: o sacratíssimo coração de Jesus..., que brilha com refulgente esplendor por entre as chamas. Nele devemos pôr toda a nossa confiança; a ele devemos suplicar e dele devemos esperar a nossa salvação".[7]


72. Também vivamente desejamos que todos os que se gloriam do nome de cristãos e lutam activamente por estabelecer o reino de Jesus Cristo no mundo, considerem a devoção ao Coração de Jesus como bandeira e manancial de unidade, de salvação e de paz.
Ninguém pense que esta devoção prejudique no que quer que seja as outras formas de piedade com que, sob a direção da Igreja, o povo cristão venera o divino Redentor.
Ao contrário, uma fervorosa devoção ao coração de Jesus fomentará e promoverá, sobretudo, o culto a santíssima cruz, não menos do que o amor ao augustíssimo sacramento do altar. E, em realidade – como o evidenciam as revelações de Jesus Cristo a Santa Gertrudes e a Santa. Margarida Maria – podemos afirmar que ninguém chegará a sentir devidamente a respeito de Jesus Cristo crucificado se não for penetrando nos arcanos do Seu coração:

Nem será fácil entender o ímpeto do amor com que Jesus Cristo se deu a nós por alimento espiritual se não é fomentando a devoção ao Coração Eucarístico de Jesus; a qual – para nos valermos das palavras do nosso predecessor Leão XIII, de feliz memória – nos recorda "aquele acto de amor supremo com que, entornando todas as riquezas do Seu Coração, afim de prolongar a sua estada connosco até à consumação dos séculos, o nosso Redentor instituiu o adorável sacramento da Eucaristia".[8]

Certamente, "não é pequena a parte que na Eucaristia teve o seu coração, sendo tão grande o amor do seu coração com que ele no-la deu".[9]


73. Finalmente, desejando ardentemente opor segura barreira as ímpias maquinações dos inimigos de Deus e da Igreja, como também fazer as famílias e as nações voltarem ao amor de Deus e do próximo, não duvidamos em propor a devoção ao sagrado coração de Jesus como escola eficacíssima de caridade divina; dessa caridade divina sobre a qual se há de construir o reino de Deus nas almas dos indivíduos, na sociedade doméstica e nas nações, como sabiamente advertiu o nosso mesmo predecessor, de piedosa memória: "Da caridade divina recebe o reino de Jesus Cristo a sua força e a sua beleza; o seu fundamento e a sua síntese é amar santa e ordenadamente. Donde necessariamente se segue o cumprir integralmente os próprios deveres, o não violar os direitos alheios, o considerar os bens naturais como inferiores aos sobrenaturais, e o antepor o amor de Deus a todas as coisas".[10]


74. A fim de que a devoção ao coração augustíssimo de Jesus produza frutos mais copiosos na família cristã e mesmo em toda a humanidade, procurem os fiéis unir a ela estreitamente a devoção ao coração imaculado da Mãe de Deus. Foi vontade de Deus que, na obra da redenção humana, a santíssima virgem Maria estivesse inseparavelmente unida a Jesus Cristo; tanto que a nossa salvação é fruto da caridade de Jesus Cristo e dos seus padecimentos, aos quais foram intimamente associados o amor e as dores de sua Mãe. Por isso, convém que o povo cristão, que de Jesus Cristo, por intermédio de Maria, recebeu a vida divina, depois de prestar ao sagrado coração o devido culto, renda também ao amantíssimo coração de sua Mãe celestial os correspondentes obséquios de piedade, de amor, de agradecimento e de reparação. Em harmonia com esse sapientíssimo e suavíssimo desígnio da divina Providência, nós mesmo, por ato solene, dedicamos e consagramos a santa Igreja e o mundo inteiro ao coração imaculado da santíssima Virgem Maria.([11])


4) Convite para celebrar dignamente o primeiro centenário da festa do Sagrado Coração de Jesus na Igreja universal


75. Completando-se felizmente este ano, como antes indicamos, o primeiro século da instituição da festa do Sagrado Coração de Jesus em toda a Igreja, instituição promovida pelo nosso predecessor Pio IX, de feliz memória, é vivo desejo nosso, veneráveis irmãos, que o povo cristão celebre este centenário solenemente em toda parte, com actos públicos de adoração, de acção de graças e de reparação ao coração divino de Jesus. Com especial fervor serão, sem dúvida, celebradas estas solenes manifestações de alegria cristã e de cristã piedade – em união de caridade e em comunhão de orações com todos os demais fiéis naquela nação em que por desígnio de Deus, nasceu a santa Virgem que foi promotora e propagadora infatigável desta devoção.


76. Entrementes, animado de doce esperança, e já pressagiando os frutos espirituais que da devoção ao sagrado coração de Jesus hão-de transbordar copiosamente na Igreja se esta devoção, conforme explicamos, for entendida rectamente e praticada com fervor, a Deus suplicamos que, com o poderoso auxílio da sua graça, queira atender estes nossos vivos desejos, e fazer que, com a ajuda divina, as celebrações deste ano aumentem cada vez mais a devoção dos fiéis ao Sagrado Coração de Jesus, e assim se estenda mais por todo o mundo o seu império e reino suave; esse "reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz".([12])

77. Como penhor destes dons celestiais, concedemo-vos de todo o coração a bênção apostólica, tanto a vós pessoalmente, veneráveis irmãos, como ao clero e a todos os fiéis confiados à vossa solicitude pastoral, e em especial àqueles que de propósito fomentam e promovem a devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 15 de Maio de 1956, ano XVIII do nosso pontificado.



PIO PP. XII.

(Revisão da versão portuguesa por AMA)

Notas:



[1] Lc 15,22
[2] S. Ambrósio, Exposit. in Evang. sec. Lucam, t. X, n.175: PL 15,1942.
[3] Cf. s. Tomás, Summa Teol., II-II, q. 34, a. 2; ed. Leon. t. VIII,1895, p 274
[4] Mt 24;12
[5] Cf.  Enc. Miserentissimus Redemptor: AAS 20(1928), p.166.
[6] Is 32,17
[7] Enc. Annum sacrum: Acta Leonis, 19(1900,) p. 79; Enc. Miserentissimus Redemptor: AAS 20(1928), p.167.
[8] Carta Apost. quibus Archisodalitas a Corde Eucharístico lesu ad S. Joachim de Urbe erigitur". (17 de fevereiro de 1903): Acta Leonis, 22(1903), p. 307s; cf. Enc. Mirae caritatis, (22 de maio de 1902): Acta Leonis, 22(1903), p.116.
[9] S. Alberto Magno, De Eucharistia, dist. VI, tr. l, c. l: Opera Omnia, ed. Borguet, vol. 38, Paris,1890, p. 358.
[10] Enc. Tametsi: Acta Leonis, 20(1900), p. 303.
[11] Cf. AAS 34(1942), p. 345a.
[12] Do Missal Rom. Prefácio de Cristo Rei.


16/06/2019

Evangelho e comentário


TEMPO COMUM


SANTÍSSIMA TRINDADE

Evangelho: Jo 16, 12-15

12 «Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender por agora. 13 Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, há-de guiar-vos para a Verdade completa. Ele não falará por si próprio, mas há-de dar-vos a conhecer quanto ouvir e anunciar-vos o que há-de vir. 14 Ele há-de manifestar a minha glória, porque receberá do que é meu e vo-lo dará a conhecer. 15 Tudo o que o Pai tem é meu; por isso é que Eu disse: ‘Receberá do que é meu e vo-lo dará a conhecer’.»

Comentário:

Neste Domingo em que a Santa Igreja celebra a Santíssima Trindade, parece muito adequado este trecho do Evangelho de São João.

Por muito que possa dizer ou tentar explicar, as palavras de Cristo serão sempre – naquela altura – algo misterioso e dificilmente incompreensível.

Por isso lhes fala abertamente no Espírito Santo que tudo virá esclarecer e tornar compreensível.

Ele – o Espírito de Deus – terá essa principal missão de tornar os mistérios divinos acessíveis e, mais, perfeitamente claros sem o que, os Apóstolos e, depois, nós ficaríamos na sombra da dúvida e falta de motivos sólidos e iniludíveis para acreditar.

Foi o que aconteceu e acontece todos os dias, Ele, o Espírito Santo, continua a iluminar a Santa Igreja com as luzes necessárias e bastantes para que possa, com segurança, guiar o povo de Deus pelo caminho certo.

(AMA, comentário sobre Jo 16, 12-15, 21.03.2019)

Temas para reflectir e meditar

Criar necessidades


Os que não estão habituados a negar-se nada, os que abrem a porta a tudo o que lhe pedem os sentidos, os que procuram em primeiro lugar o corpo e só se preocupam em procurar as maiores comodidades, dificilmente poderão ser donos de si mesmos e alcançar Deus. 
Estão como que embotados, inclusive embrutecidos, para o divino, e também para muitos valores humanos, que não entendem e para os quais se encontram incapacitados. (...) 
Viver esta virtude não é repressão, mas sim moderação, harmonia. 
É um hábito que se adquire através de muitos pequenos actos que ordenam os prazeres, inclusive os lícitos, e dirigem os bens sensíveis ao fim último do homem. (...) 
Viver bem esta virtude supõe andar desprendido dos bens, dar-Lhes a importância que têm e não mais, não criar-se necessidades; não realizar gastos inúteis; ter moderação na comida, na bebida, no descanso; prescindir de caprichos...

(são joão paulo iiHomília, Roma, 1978.11.17)


Sem Ele nada podemos


Quando sentires o orgulho que ferve dentro de ti – a soberba! –, que faz com que te consideres um super-homem, chegou o momento de exclamar: – Não! E, assim, saborearás a alegria do bom filho de Deus, que passa pela terra com erros, mas fazendo o bem. (Forja, 1054)

Vedes como é necessário conhecer Jesus, observar amorosamente a sua vida? Muitas vezes fui à procura da definição da biografia de Jesus na Sagrada Escritura. Encontrei-a lendo aquela que o Espírito Santo faz em duas palavras: pertransiit benefaciendo. Todos os dias de Jesus Cristo na terra, desde o seu nascimento até à morte, pertransiit benefaciendo, foram preenchidos fazendo o bem. Como, noutro lugar, a Escritura também diz: bene omnia fecit, fez tudo bem, terminou bem todas as coisas, não fez senão o bem.

E tu? E eu? Lancemos um olhar para ver se temos alguma coisa que emendar. Eu, sim, encontro em mim muito que fazer. Como me vejo incapaz, só por mim, de fazer o bem e, como o próprio Jesus nos disse que sem Ele nada podemos, vamos tu e eu implorar ao Senhor a sua assistência, por meio de sua Mãe, neste colóquio íntimo, próprio das almas que amam a Deus. Não acrescento mais nada, porque é cada um de vós que tem de falar, segundo a sua particular necessidade. Por dentro, e sem ruído de palavras, neste mesmo momento em que vos dou estes conselhos, aplico esta doutrina à minha própria miséria. (Cristo que passa, 16)

Pequena agenda do cristão

DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

Leitura espiritual


CARTA ENCÍCLICA

HAURIETIS AQUAS

DO SUMO PONTÍFICE PAPA PIO XII
AOS VENERÁVEIS IRMÃOS PATRIARCAS, PRIMAZES,
ARCEBISPOS E BISPOS E OUTROS ORDINÁRIOS DO LUGAR
EM PAZ E COMUNHÃO COM A SÉ APOSTÓLICA

SOBRE O CULTO DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS



V
EXORTAÇÃO À PRÁTICA
MAIS PURA E MAIS EXTENSA DO CULTO
AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS



1) Convite a compreender e praticar melhor as várias formas da devoção ao coração de Jesus

61. Antes de terminarmos as considerações tão belas e tão consoladoras que vos estamos fazendo sobre a natureza autêntica deste culto e a sua cristã excelência, nós, cônscios do ofício apostólico confiado em primeiro lugar a São Pedro depois que ele por três vezes professou o seu amor a Jesus Cristo nosso Senhor, julgamos conveniente, veneráveis irmãos, exortar-vos uma vez mais, e por vosso intermédio exortar todos os caríssimos filhos que em Cristo temos, a que vos esforceis com crescente entusiasmo por promover esta suavíssima devoção, pois confiamos que dela hão-de brotar grandes proveitos também nos nossos tempos.


62. Em verdade, se se ponderam devidamente os argumentos em que se funda o culto ao coração ferido de Jesus, todos verão claramente não se tratar aqui de uma forma qualquer de piedade, que se possa pospor a outras ou ter em menos, mas sim de uma prática religiosa sumamente apta para conseguir a perfeição cristã.

Se segundo o conceito teológico tradicional, expresso pelo Doutor angélico – "a devoção não é outra coisa senão a vontade pronta de se dedicar a tudo o que se relaciona com o serviço de Deus",[1] pode haver serviço divino mais devido e mais necessário, e ao mesmo tempo mais nobre e mais suave, daquele que se presta ao seu amor?

Que coisa pode haver mais grata e mais aceita a Deus do que o serviço que se faz à caridade divina, e que se faz por amor, sendo, como é, todo serviço voluntário, de certo modo, um dom, e constituindo o amor "o dom primeiro e origem de todos os dons gratuitos"?[2]

Digna é, pois, de sumo apreço uma forma de culto mediante a qual o homem ama e honra mais a Deus e se consagra com maior facilidade e liberdade à caridade divina; forma de culto que o nosso próprio Redentor se dignou propor e recomendar ao povo cristão, e que os sumos pontífices confirmaram com memoráveis documentos e enalteceram com grandes louvores. Por isso, quem tivesse em pouco esse insigne benefício que Jesus Cristo deu à sua Igreja, procederia temerária e perniciosamente, e ofenderia o próprio Deus.


63. Isso posto, não se pode duvidar de que os cristãos que honram o sacratíssimo coração do Redentor cumprem o dever, por demais gravíssimo, que eles têm de servir a Deus, e que justamente se consagram a si mesmos e todas as suas coisas, seus sentimentos interiores e sua actividade exterior, ao seu Criador e Redentor, e que desse modo observam aquele divino mandamento: "Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente e com todas as tuas forças"[3].

Além disso, têm a certeza de que honrar a Deus não os move principalmente o proveito pessoal, corporal ou espiritual, temporal ou eterno, e sim a bondade do próprio Deus, a quem eles procuram obsequiar com correspondência de amor, com actos de adoração e com a devida acção de graças. Se assim não fora, o culto ao sacratíssimo coração de Jesus não corresponderia ao carácter genuíno da religião cristã, visto que com tal culto o homem não honraria principalmente o amor divino; e não sem motivo, como às vezes sucede, poder-se-ia increpar de excessivo amor e solicitude de si mesmos os que entendem mal esta nobilíssima devoção ou não a praticam convenientemente.


64. Tenham, pois, todos a firme persuasão de que no culto ao Augustíssimo Coração de Jesus o mais importante não são as práticas externas de piedade, e que o motivo principal de abraçá-lo não deve ser a esperança dos benefícios que Cristo nosso Senhor prometeu em revelações, e estas privadas, precisamente para que os homens cumpram com mais fervor os principais deveres da religião católica, a saber: o dever do amor e o da expiação, e assim também obtenham da melhor maneira o seu próprio proveito espiritual.


65. Exortamos, pois, todos os nossos filhos em Cristo a praticarem com entusiasmo esta devoção, tanto os que já costumam beber as águas salutares que manam do coração do Redentor, como sobretudo os que, à guisa de espectadores, olham de longe, com curiosidade e dúvida.

Considerem esses com atenção tratar-se, como já dissemos, de um culto desde há tempos arraigado na Igreja, e que se apoia solidamente nos próprios Evangelhos; de um culto em favor do qual está claramente a tradição e a sagrada liturgia, e que os próprios pontífices romanos exaltaram com muitos e grandes louvores; pois não se contentaram com instituir uma festa em honra do Coração do Redentor e estendê-la a toda a Igreja, mas ainda tomaram a iniciativa de dedicar e consagrar com rito solene todo o género humano ao mesmo sacratíssimo coração.[4]

Considerem, finalmente, os frutos copiosos e consoladores que a Igreja tem colhido desta devoção: inúmeras conversões à religião católica, a fé de muitos reavivada, a união mais estreita dos cristãos com o nosso amantíssimo Redentor; frutos esses todos que, sobretudo nestes últimos decénios, têm sido observados com maior frequência e esplendor.

66. Ao contemplarmos este magnífico espetáculo da extensão e do fervor com que a devoção ao sacratíssimo Coração de Jesus se tem propagado em toda classe de fiéis, sentimo-nos cheios de alegria e de consolação; e, depois de darmos as devidas graças ao nosso Redentor, que é tesouro infinito de bondade, não podemos deixar de nos congratular paternalmente com todos os que têm contribuído eficazmente para promover este culto, pertençam eles ao clero ou as fileiras dos simples féis.

PIO PP. XII.


(Revisão da versão portuguesa por AMA)

Notas:


[1] Summa theol., II-II, q. 82, a, l; ed. Leon. t. IX,1897, p.187.
[2] Ibid., I, q. 38, a. 2; ed. Leon. t. N,1888, p. 393.
[3] Mc 12,30; Mt 22,37
[4] Cf. Leão XIII, Enc. Annum Sacrum: Acta Leonis, vol. 19(1900), p. 71s; Decr. S.C. Rituum, 28 de Jun. de 1899, in Decr. Auth. III, n. 3712; Pio XI, Enc. Miserentissimus Redemptor; AAS, 20(1928), p.177s; Decr. S.C. Rituum, (29 de Jan. de 1929): AAS 21(1929), p. 77.