17/09/2014

Leva-me pela tua mão, Senhor

Há uma quantidade muito considerável de cristãos que seriam apóstolos... se não tivessem medo. São os mesmos que depois se queixam, porque o Senhor (dizem eles!) os abandona... Que fazem eles com Deus? (Sulco, 103)

Também a nós nos chama e nos pergunta como a Tiago e João: Potestis bibere calicem quem ego bibiturus sum?; estais dispostos a beber o cálice (este cálice da completa entrega ao cumprimento da vontade do Pai) que eu vou beber? "Possumus"!. Sim, estamos dispostos! – é a resposta de João e Tiago... Vós e eu, estamos dispostos seriamente a cumprir, em tudo, a vontade do nosso Pai, Deus? Demos ao Senhor o nosso coração inteiro ou continuamos apegados a nós mesmos, aos nossos interesses, à nossa comodidade, ao nosso amor-próprio? Há em nós alguma coisa que não corresponda à nossa condição de cristãos e que nos impeça de nos purificarmos? Hoje apresenta-se-nos a ocasião de rectificar.
É necessário que nos convençamos de que Jesus nos dirige pessoalmente estas perguntas. É Ele que as faz, não eu. Eu não me atreveria a fazê-las a mim próprio. Eu vou continuando a minha oração em voz alta e vós, cada um de vós, por dentro, está confessando ao Senhor: Senhor, que pouco valho! Que cobarde tenho sido tantas vezes! Quantos erros! Nesta ocasião e naquela... nisto e naquilo... E podemos exclamar também: ainda bem, Senhor, que me tens sustentado com a tua mão, porque eu sinto-me capaz de todas as infâmias... Não me largues, não me deixes; trata-me sempre como um menino. Que eu seja forte, valente, íntegro. Mas ajuda-me, como a uma criatura inexperiente. Leva-me pela tua mão, Senhor, e faz com que tua Mãe esteja também a meu lado e me proteja. E assim, possumus!, poderemos, seremos capazes de ter-Te por modelo! (Cristo que passa, 15)


Temas para meditar - 239


Jesus Cristo


Deixai que Cristo seja para vós o caminho, a verdade e a vida. Deixai que seja a vossa salvação e a vossa felicidade. Deixai que ocupe toda a vossa vida para alcançar com Ele todas as Suas dimensões, para que todas as vossas relações, actividades, sentimentos, sejam integradas n'Ele ou, por assim dizer, sejam "cristificados". Eu vos desejo que com Cristo reconheçais a Deus como princípio e fim da vossa existência.


(Btº JOÃO PAULO IIDisc. Montmartre, 1980.06.01)

Que sentido tem o mistério do mal.

Há um rasto de mal nas pessoas, nas estruturas sociais, inclusive na natureza quando se torna inóspita para o homem. A questão do mal é um escândalo que a todos interpela. E tem um aspecto teológico: se Deus é bom, como é que permite o mal no mundo? A questão colocou-se na história de muitas formas. Com o motivo do terramoto de Lisboa, seguido de um incêndio com mais de quinze mil mortos, os pensadores ilustrados colocaram-se com dramatismo singular (Voltaire, Defoe), ainda que com profundidade insuficiente.

Ninguém prometeu que este mundo tenha que funcionar na perfeição. E a felicidade é um desejo espontâneo, mas só com tal não se adquire o direito de a ter. Também há que dizer que se o bem não existisse, não haveria problema com o mal. Todas as situações seriam teoricamente iguais, nem melhores nem piores. Na realidade, a dor ante o mal é uma reprovação do bem, que não é tão perfeito como se esperava. Tomar o mal a sério é afirmar a existência do bem, e a ilusão de que seja perfeito. Dar por garantida a primazia do bem sobre o mal é, de certo modo, afirmar a existência de Deus e uma dolorosa queixa, ao não poder compreender porque permite o mal e que sentido pode ter.

O problema é mais dramático quando se afirma que existe um Deus bom, criador e todo-poderoso. Então sim o mal torna-se doloroso. Não se entende o silêncio de Deus ante uma injustiça que, como dissemos, clama ao céu. Só no ambiente cristão (também, parcialmente no judeu e no muçulmano), a questão do mal se torna poderosa e chega verdadeiramente a ser um escândalo.

O problema não é tão forte noutras religiões. A religião greco-romana, por exemplo, acreditava numa mitologia complexa, onde os deuses se enfrentavam caprichosamente uns com os outros. E, com o mesmo capricho, faziam sofrer os mortais. Perante uns deuses tão frívolos, não se podia levar muito a sério a questão do mal.

Mas a religião cristã baseia-se no paradoxo surpreendente de um Deus morto na cruz, que participa das dores dos homens. O mal da dor tem de ter algum sentido. E quando se sente o silêncio de Deus, parece ouvir-se as palavras de Cristo: “Meu Deus, porque me abandonaste?” É como se todas as dores aí estivessem incluídas. È curioso. Cristo não venceu directamente a dor. Primeiro padeceu-a; depois ressuscitou. Na ressurreição de Cristo há uma promessa de derrota do mal, mas o seu cumprimento só chegará no final dos tempos. Entretanto, toda a dor encontra essa relação inesperada de relação com a cruz de Cristo. Todo o sofrimento tem o seu ponto de referência, que lhe dá um sentido salvador, ainda que todavia envolto no mistério.

Perante o mal, não faz sentido um farisaísmo reivindicativo de deite sempre a culpa aos outros. Qualquer um também forma parte do mal no mundo. Ninguém está limpo de pecado. É maniqueísmo pensar que a culpa de tudo é dos “maus”. E torna-se uma desculpa demasiado fácil. Alexander Solzhenitzin, ao recordar a situação terrível da sociedade comunista russa, reconhecia: em alguma medida “todos somos cúmplices”. Por isso não é válida nenhuma resposta perante o mal se não começa por si mesmo, se não se assume a sentença de Sócrates: é melhor padecer a injustiça que causá-la”.

O encontro com o mal é, além disso, uma experiência importante para a maturidade do ser humano, Com a consciência da quebras e debilidades morais próprias aprendemos a arrepender-nos, e tornamo-nos mais humildes e compreensivos para com os outros. Por outro lado, os males do mundo fazem parte forma parte de uma pessoa responsável. É próprio de pessoas maduras escutar a chamada dos bens, para os realizar; mas também dos males, para os combater. Assim se intervém na história do mundo, que tem, no fundo, um argumento moral. Enquanto se vive dependente dos gostos próprios ou da felicidade própria, se vive fora da história real da humanidade. Só quando se sente a responsabilidade do bem e do mal, se entra a fazer parte na história da humanidade, na sua épica.

(juan luis lorda, Professor de Teologia sistemática e Antropologia da Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra, in PALABRA, Abril 2014, trad ama)


Evang., Coment. Leit. Espiritual (Cong. Dout. da Fé Decl. Encarnação e Santíssima Trindade)

Tempo comum XXIV Semana

São Roberto Belarmino – Doutor da Igreja

Evangelho: Lc 7, 31-35

«A quem, pois, compararei os homens desta geração? A quem são semelhantes? Assemelham-se a crianças que, sentadas na praça, se interpelam umas às outras, dizendo: 'Tocámos flauta para vós, e não dançastes! Entoámos lamentações, e não chorastes!' Veio João Baptista, que não come pão nem bebe vinho, e dizeis: 'Está possesso do demónio!' Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: 'Aí está um glutão e bebedor de vinho, amigo de cobradores de impostos e de pecadores!' Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos.»

Comentário:

As palavras de Jesus Cristo são duras e muito directas. Refere a geração dos judeus que é a Sua, do Seu tempo.
Não pode haver duas interpretações e, de facto, a história parece confirmar esse comportamento dos judeus em relação a Jesus Cristo.
Todos? Não, evidentemente. Durante séculos o povo judaico carregou esse ónus e sofreu horrivelmente por causa disso mesmo, mas, no Século Vinte, São  João Paulo II pôs as coisas no seu devido lugar.
Mas, mais que isso, temos de considerar o que muitos fizeram em nome da Fé Cristã: exactamente o mesmo ou, talvez, pior!
Aliás, o que continuamos a fazer, diariamente, nos tempos que correm, quando julgamos, sem critério que não temos ou sequer direito que não possuímos, que os outros – sejam quem forem – é que são os culpados das nossas próprias faltas e erros.

(ama, comentário sobre Lc 7, 31-35, V. Moura, 2013.09.13)

Leitura espiritual


Documentos do Magistério
SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

DECLARAÇÃO PARA SALVAGUARDAR DE ALGUNS ERROS RECENTES
A FÉ NOS MISTÉRIOS DA ENCARNAÇÃO E DA SANTÍSSIMA TRINDADE *

 1. É necessário que o mistério do Filho de Deus feito homem e o mistério da Santíssima Trindade, que fazem parte das verdades principais da Revelação, iluminem, com a pureza da sua verdade, a vida dos cristãos. Mas, como estes mistérios foram impugnados por alguns erros recentes, a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé tomou a decisão de recordar e salvaguardar a fé, transmitida sobre estes mesmos mistérios.

2. A fé católica no Filho de Deus feito homem. Jesus Cristo, durante a Sua vida terrestre, manifestou, de diversos modos, com as palavras e com as obras, o mistério adorável da Sua pessoa. Depois de se ter tornado «obediente até à morte» [1], foi exaltado pelo poder de Deus, na ressurreição gloriosa, como convinha ao Filho «por meio do qual tudo» [2] foi criado pelo Pai. São João afirmou solenemente a seu respeito: «No princípio já existia o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus... E o Verbo fez-se homem» [3].

A Igreja conservou sempre, santamente, a fé no mistério do Filho de Deus feito homem, transmitindo-a «no decurso dos anos e dos séculos» [4], com uma linguagem cada vez mais explícita. Com efeito, no Sínodo de Constantinopla, que até hoje é recitado na celebração eucarística, ela professa a sua fé «em Jesus Cristo, Filho Unigénito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos... Deus verdadeiro de Deus verdadeiro... da mesma substância do Pai... que por nós, homens, e pela nossa salvação... se fez homem» [5]. O Concílio de Calcedónia decretou que se devia crer que o Filho de Deus foi gerado pelo Pai, segundo a Sua divindade, antes de todos os séculos e nasceu, no tempo, de Maria Virgem, segundo a Sua humanidade [6]. Além disso, este mesmo Concílio atribuiu o termo pessoa ou hypostasis ao único e mesmo Cristo, Filho de Deus, usando, porém, o termo natureza para designar a Sua divindade e a Sua humanidade. Com estas palavras, ensinou que estão unidas, na única pessoa do nosso Redentor, as duas naturezas, divina e humana, sem confusão e sem mudança, sem divisão e sem separação [7]. Do mesmo modo, o IV Concílio de Latrão ensinou que se deve crer e professar que o Filho Unigénito de Deus, eterno como o Pai, se tornou verdadeiro homem e é uma só pessoa em duas naturezas [8]. Esta é a fé católica que o II Concílio do Vaticano, de acordo com a Tradição constante de toda a Igreja, ensinou, recentemente, com muita clareza, em numerosas passagens dos seus documentos [9].

3. Alguns erros recentes sobre a fé no Filho de Deus feito homem.
São claramente opostas a esta fé as opiniões segundo as quais não nos foi revelado e nem se sabe que o Filho de Deus subsiste ab aeterno, no mistério de Deus, distinto do Pai e do Espírito Santo; e também as opiniões segundo as quais não tem sentido a afirmação de que Jesus Cristo tem uma só pessoa, gerada, antes dos séculos, pelo Pai, segundo a natureza divina, e, no tempo, de Maria Virgem, segundo a natureza humana; e, por fim, a asserção segundo a qual a humanidade de Jesus Cristo existe não como assumida na pessoa eterna do Filho de Deus, mas em si mesma, como pessoa humana, e, por conseguinte, o mistério de Jesus Cristo consiste no facto de Deus se revelar presente de um modo supremo na pessoa humana de Jesus.

Aqueles que pensam assim estão longe da verdadeira fé em Cristo, mesmo quando asserem que a singular presença de Deus em Jesus faz com que Ele seja a expressão suprema e definitiva da revelação divina, e não recuperam a verdadeira fé na divindade de Cristo, quando acrescentam que Jesus pode ser chamado Deus, porque Deus está sumamente presente naquela pessoa a que eles chamam a Sua pessoa humana.

4. A fé católica na Santíssima Trindade e no Espírito Santo.
Quando se nega o mistério da pessoa divina e eterna de Cristo, Filho de Deus, também se negam a verdade da Santíssima Trindade e, com ela, a verdade do Espírito Santo, que procede ab aeterno do Pai e do Filho, ou, por outras palavras, do Pai pelo Filho [10]. Por isso, considerando os erros recentes sobre esta doutrina, devem ser recordadas algumas verdades de fé na Santíssima Trindade e, particularmente, no Espírito Santo.

A segunda Carta aos Coríntios termina com esta admirável fórmula: «A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunicação do Espírito Santo sejam com todos vós» [11]. No mandato de baptizar, referido pelo Evangelho de São Mateus, são nomeados o Pai, o Filho e o Espírito Santo, como três que fazem parte do mistério de Deus e em cujo nome os novos fiéis devem ser regenerados [12]. Por fim, no Evangelho de São João, Jesus fala da vinda do Espírito Santo, deste modo: «Mas, quando vier o Consolador, que hei-de enviar-vos da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, Ele dará testemunho de Mim» [13].

Baseando-se nos dados da divina revelação, o Magistério da Igreja, o único que recebeu «a missão de interpretar autenticamente a palavra de Deus escrita ou transmitida» [14], professou, no Símbolo de Constantinopla, a sua fé «no Espírito Santo que é Senhor e dá a vida... e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado» [15]. Igualmente, o IV Concílio de Latrão ensinou a crer e a professar «que um só é o verdadeiro Deus,... Pai e Filho e Espírito Santo: três pessoas, mas uma única essência...: o Pai que não procede de ninguém, o Filho que procede sòmente do Pai, e o Espírito Santo que procede igualmente de ambos, sempre sem início e sem fim» [16].

5. Alguns erros recentes sobre a Santíssima Trindade e, particularmente, sobre o Espírito Santo.
É contrária à fé a opinião segundo a qual a revelação nos deixa em dúvida sobre a eternidade da Santíssima Trindade e, particularmente, sobre a existência eterna do Espírito Santo, como pessoa distinta, em Deus, do Pai e do Filho. É verdade que o mistério da Santíssima Trindade nos foi revelado na economia da salvação, principalmente em Cristo, que foi enviado ao mundo pelo Pai e que, juntamente com o Pai, envia ao Povo de Deus o Espírito que vivifica. Mas, por meio desta revelação, foi dada aos fiéis também a possibilidade de conhecer de algum modo a vida íntima de Deus, na qual «o Pai que gera, o Filho que é gerado e o Espírito Santo que procede» são «da mesma substância, iguais, do mesmo modo omnipotentes e eternos» [17].

6. Os mistérios da Encarnação e da Santíssima Trindade devem ser fielmente conservados e explicados.
O que é expresso nos documentos conciliares acima citados, sobre o único e mesmo Cristo Filho de Deus, gerado, antes dos séculos, segundo a natureza divina, e, no tempo, segundo a natureza humana, e sobre as pessoas eternas da Santíssima Trindade, pertence à verdade imutável da fé católica.

Isto não impede, certamente, que a Igreja considere como seu dever, levando também em consideração os novos modos de pensar dos homens, não deixar de envidar os seus esforços, a fim de que os mencionados mistérios sejam aprofundados, por meio da contemplação da fé e da investigação dos teólogos, e mais amplamente explicados, de um modo adequado. Mas, quando se cumpre a necessária tarefa de investigar, é preciso evitar diligentemente que estes mistérios arcanos sejam considerados num sentido diverso daquele segundo o qual «a Igreja os entendeu e entende» [18].

A verdade intacta destes mistérios é de suma importância para toda a revelação de Cristo, porque eles de tal modo fazem parte do seu núcleo, que, se forem alterados, também será falsificado o resto do tesouro da fé. A verdade destes mesmos mistérios é igualmente importante para a vida cristã, porque nada manifesta tão bem a caridade de Deus, da qual toda a vida dos cristãos deve ser uma resposta, como a Encarnação do Filho de Deus, nosso Redentor [19], e também porque «(aprouve a Deus, na Sua bondade e sabedoria, revelar-se a si mesmo e tornar conhecido o mistério da Sua vontade), por meio do qual os homens, através de Cristo, Verbo Encarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e n’Ele se tornam participantes da natureza divina» [20].

7. Portanto, com respeito às verdades que a presente Declaração defende, é dever dos Pastores da Igreja exigir a unidade na profissão de fé, do seu povo e, principalmente, daqueles que, em virtude do mandato que lhes foi confiado pelo Magistério, ensinam as ciências sagradas ou pregam a palavra de Deus.
Este dever dos Bispos faz parte do múnus que, divinamente, lhes foi confiado: de «conservar puro e íntegro o depósito da fé», em comunhão com o sucessor de Pedro, e de «anunciar incessantemente o Evangelho» [21]. Por causa do mencionado múnus, são obrigados a não permitir que os ministros da palavra de Deus se afastem da sã doutrina e a transmitam corrompida ou incompleta [22]. Com efeito, o povo confiado aos cuidados dos Bispos, e «do qual» eles «são responsáveis diante de Deus» [23], goza do «direito irrevogável e sagrado» de «receber a palavra de Deus, toda a palavra de Deus, da qual a Igreja nunca deixou de adquirir uma compreensão cada vez mais profunda» [24].

Além disso, os cristãos, e, principalmente, os teólogos, por causa do seu importante ofício e do seu necessário serviço na Igreja, devem professar fielmente os mistérios que são recordados na presente Declaração. Igualmente, sob a acção e a luz do Espírito Santo, os filhos da Igreja devem aceitar toda a doutrina da Igreja, sob a guia dos seus Pastores e do Pastor da Igreja universal [25], de modo que haja «uma singular colaboração de Pastores e fiéis, na conservação, no exercício e na profissão da fé recebida» [26].

O Sumo Pontífice, por divina Providência Papa Paulo VI, na Audiência concedida, no dia 21 de Fevereiro de 1972, ao subscrito Prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, ratificou e confirmou esta Declaração, que visa a salvaguardar a fé nos mistérios da Encarnação e da Santíssima Trindade, e ordenou que fosse publicada.

Roma, Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, 21 de Fevereiro de 1972, festa de São Pedro Damião.



Franjo Cardeal Šeper
Prefeito

Paul PHILIPPE
Arcebispo titular de Heracleopolis magna
Secretário

* L’Osservatore Romano, Edição semanal, 19 de Março de 1972, pág. 3. 9 (AAS 64 [1972], 237-241).
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Notas:
[1] Flp. 2, 8.
[2] 1 Cor. 8, 6.
[3] Jo. 1, 1 e 14 (cfr. 1, 18).
[4] I Concílio do Vaticano, Dei Filius, c. 4; DS 3020.
[5] Missal Romano; DS 150.
[6] Cfr. Concílio de Calcedónia, Definição; DS 301.
[7] Cfr. Ibid., 302.
[8] Cfr. IV Concílio de Latrão, Firmiter Credimus; DS 800 s.
[9] Cfr. II Concílio do Vaticano, Lumen Gentium, nn. 3, 7, 52, 53; Dei Verbum, nn. 2, 3; Gaudium et Spes, n. 22; Unitatis Redintegratio, n. 12; Christus Dominus, n. 1; Ad Gentes, n. 3; Paulo VI, Solene profissão de fé, em: AAS 60 (1968) 437.
[10]) Cfr. Concílio de Florenja, Laetentur Coeli; DS 1300.
[11] 2 Cor. 13, 13.
[12] Cfr. Mt. 28, 19.
[13] Jo. 15, 26.
[14] II Concílio do Vaticano, Dei Verbum, n. 10.
[15] Missal Romano; DS 150.
[16] IV Concílio de Latrão, Firmiter Credimus; DS 800.
[17] Ibid.
[18] I Concílio do Vaticano, Dei Filius, c. 4, can. 3; DS 3043; João XXIII, Alocução na abertura do II Concílio do Vaticano, em: AAS 54 (1962) 792; II Concílio do Vaticano, Gaudium et Spes, n. 62; Paulo VI, Solene profissão de fé, 4, em: AAS 60 (1968) 434.
[19] Cfr. 1 Jo. 4, 9s.
[20] II Concílio do Vaticano, Dei Verbum, n. 2; cfr. Ef. 2, 18; 2 Ped. 1, 4.
[21] PAULO VI, Exortação Apostólica Quinque iam anni, em: AAS 68 (1971) 99, e em: O.R. ed. port., 10 de Janeiro de 1971, p. 9.
[22] Cfr. 2 Tim., 4, 1-5; Paulo VI, ibid.; Sínodo dos Bispos, Assembleia de 1967, Relatório da Comissão Sinodal constituída para o exame das opiniões perigosas e do ateísmo, II, 3, e em: O.R. 30-31 de Outubro de 1967, p. 3.
[23] Paulo VI, ibid.
[24] Ibid.
[25] Cfr. II Concílio do Vaticano, Lumen Gentium, nn. 12 e 25; Sínodo dos Bispos, Assembleia de 1967, ibid., II, 4.
[1] II Concílio do Vaticano, Dei Verbum, n. 10.





16/09/2014

Adormeceu a Mãe de Deus

Esta é a chave para abrir a porta e entrar no Reino dos Céus: "qui facit voluntatem Patris mei qui in coelis est, ipse intrabit in regnum coelorum" – quem faz a vontade de meu Pai..., esse entrará! (Caminho, 754)

Assumpta est Maria in coelum gaudent angeli! – Maria foi levada por Deus, em corpo e alma, para o Céu. E os Anjos rejubilam!
Assim canta a Igreja. – E é assim, com este clamor de regozijo, que começamos a contemplação, desta dezena do Santo Rosário.
Adormeceu a Mãe de Deus. – Em volta do seu leito encontram-se os doze Apóstolos.
– Matias substituiu Judas.
E nós, por graça que todos respeitam, estamos também a seu lado.
Mas Jesus quer ter Sua Mãe, em corpo e alma, na Glória. – E a Corte celestial ostenta todo o seu esplendor, para receber a Senhora. – Tu e eu – crianças, afinal – pegamos na cauda do esplêndido manto azul da Virgem e assim podemos contemplar aquela maravilha.
A Trindade Santíssima recebe e cumula de honras a Filha, Mãe e Esposa de Deus... – E é tamanha a majestade da Senhora, que os Anjos perguntam Quem é esta? (Santo Rosário, 4º mistério Glorioso).


Temas para meditar - 238

Dignidade da Vida Humana

Disse-se que a Igreja teria ficado derrotada porque não conseguiu fazer aceitar a sua norma moral. Mas eu penso que neste fenómeno tristíssimo e involutivo quem foi verdadeiramente derrotado foi o homem, foi a mulher. Foi derrotado o médico que renegou o juramento e o título mais nobre da medicina: o de defender e salvar a Vida Humana; verdadeiramente foi o estado «secularizado», que renunciou à protecção fundamental e ao sacrossanto direito à vida para se converter num instrumento de um presumível interesse da colectividade, e por vezes se mostra incapaz de defender a observância das suas próprias leis permissivas.


(btº joão Paulo IIDiscurso aos participantes no VI Simpósio do Conselho das Conferências Episcopais da Europa, 1985.10.11)

Bento VXI – Pensamentos espirituais 16


Perdão


Se não comunicarmos uns com os outros, não poderemos comunicar com Deus. Se queremos apresentar-nos diante dele, devemos também ir ao encontro uns dos outros.
E para isso é preciso aprender a grande lição do perdão: não deixar que o ressentimento nos domine, mas abrir o coração à magnanimidade da escuta do outro, à compreensão dele, à eventual aceitação das suas desculpas ou, quando for caso disso, dispor-nos generosamente a apresentar-lhe as nossas.

(Homilia da Missa de encerramento do XXIV Congresso Eucarístico Nacional italiano. (Bari, 29.Mai.05)


(in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

Senhor, Tu és a minha alegria!

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Inclino-me perante Ti,
deixo que as minhas pernas se dobrem,
caio de joelhos,
e …
sorrio!

Sorrio,
porque sinto a Tua presença,
porque sinto o Teu olhar,
porque ouço a Tua voz,
como um calmo rio,
que se espraia,
enchendo todo o meu mar.

Abro-me todo a Ti,
deixo que me preenchas,
todo eu sou mar aberto,
a receber a Tua água,
a água que purifica,
que me acalma o deserto,
e que em tudo o vivifica.

Já não sorrio,
mas rio,
abandono-me ao Teu existir,
que faz da minha longa noite,
o meu mais brilhante dia,
e grito bem alto,
para que todos possam ouvir:
Senhor,
Tu és a minha alegria!


Joaquim Mexia Alves
Monte Real, 27 de Agosto de 2014
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Os "gostos" e "likes" em imagens/frases nas redes sociais

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Surgem bastantes vezes nas redes sociais, imagens e frases cristãs, pedindo a colocação de um “gosto” ou de um “ámen”, àqueles que visitam essas páginas.
Obviamente que, desde que colocadas com boa intenção, não fazem mal nenhum, nem a colocação das ditas imagens/frases, nem os “gostos” ou “amens”, mas verdadeiramente, quanto a mim, não servem para nada, a não ser, muitas vezes, um desejo de ter muitos “gostos” e “amens”, como num qualquer concurso de uma possível popularidade.

Reparemos que não é por eu colocar um “gosto” ou um “amen”, numa essas imagens/frases, que a minha fé aumenta, ou sequer, que assim eu testemunho a minha fé em Deus.
Podemos até, com a maior simplicidade, servirmo-nos das palavras em causa para perceber isso mesmo.
Com efeito, gostar não é amar, e a Deus ama-se, adora-se, não se gosta, ou seja, não se fica pelo gostar, porque é pouco, muito pouco, para tudo o que Deus é, deve ser, para aqueles que n’Ele acreditam.
A palavra ámen vai ainda mais longe, ou seja, é um “assim seja”, que implica uma adesão, que implica o assentimento ao que foi dito, mostrado, que implica o acreditar.
Ora o acreditar em Deus e em tudo aquilo que O envolve, está “inscrito” no Dom da Fé, (graça do próprio Deus), e vai para além da simples adesão ou assentimento, porque se torna, ou deve tornar, vida, modo de vida, naquele que acredita, naquele que vive a Fé.

Esta vivência da fé não se “demonstra” com “gostos” ou “amens” colocados nas redes sociais a propósito da publicação das tais imagens/frases, que podem ser lindíssimas, cheias de significado, mas que não passam de algo estático, que pode até roçar a superstição, a superstição do tipo, «se eu não puser lá nada pode acontecer-me algo de mal!»
Sobretudo quando essas imagens/frases vêm acompanhadas com “sentenças” do tipo, «se acreditas coloca “gosto” ou “ámen”», quase como que a dizer que «se não colocas nada é porque não acreditas.»
E há ainda que ter o cuidado de perceber que muitas dessas imagens não são verdadeiramente cristãs e sobretudo genuinamente católicas, porque mostram conceitos que não são os da Doutrina da Igreja, como as “energias” e as “luzes”, etc., etc., bem como algumas frases que subtilmente contêm erros de sentido doutrinal, ou “endeusam” figuras que não devem ser “endeusadas”, até da própria Virgem Maria, nossa querida Mãe do Céu.

Com certeza que esmagadora maioria das pessoas que colocam estas imagens/frases o fazem com a melhor das intenções e sem segundos sentidos, mas são muitas vezes aqueles que as fazem e as lançam ao público, que se aproveitam da boa vontade daqueles que as colocam.

Verdadeiramente, e desculpem a “brutalidade” das palavras, este tipo de publicações leva a que se viva uma fé “oca”, assente em coisas exteriores, assente nos nossos interesses e desejos, nos nossos pedidos de ajuda, etc., e não numa verdadeira entrega a Deus, procurando e vivendo a sua vontade, em oração diária e comprometida.
Nunca um “gosto” ou um “ámen” deste tipo pode substituir um Pai Nosso, uma Avé Maria, um Glória, uma recitação do Rosário, para já não dizer, uma celebração Eucarística.
E o problema é que muitas vezes se fica apenas por esses “gostos”, esses “amens”, julgando assim que se vive uma vida com Deus, para Deus e em Deus.

O meu intuito não é magoar ninguém, nem criticar ninguém, mas chamar a atenção para algumas práticas que, não sendo propriamente erros de vivência cristã católica, também para nada servem, nem constroem as nossas vidas com e para Deus.

Eu próprio já coloquei “gostos” e “amens” em algumas coisas desse tipo, mas é muito raro que não aproveite para reflectir, meditar sobre o que essas imagens/frases dizem à minha vivência da fé, e dá-lo a conhecer aos outros, partilhando assim, aquilo que, quero acreditar Deus me vai colocando no coração.

Vivamos verdadeiramente a Fé que nos foi dada em união de oração com toda a Igreja, testemunhando não só com palavras, mas também com gestos e actos, o amor com que Deus permanente e infinitamente nos ama.

Sempre, sempre para a maior glória de Deus!


Marinha Grande, 18 de Agosto de 2014
Joaquim Mexia Alves


Nota:
E tenhamos muito cuidado com algum tipo de imagens e frases que envolvem “energias” e “luzes”, frases do Papa Francisco e de outros que afinal nunca as disseram, bem como nomes de anjos, lembrando-nos que a Bíblia apenas nos refere três nomes de anjos: Gabriel, Rafael e Miguel.
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Evang., Coment. Leit. Espiritual (Cong. Dout. da Fé Decl. Teologia da libertação)

Tempo comum XXIV Semana

Evangelho: Lc 7, 11-17

11 No dia seguinte foi para uma cidade, chamada Naim. Iam com Ele os Seus discípulos e muito povo. 12 Quando chegou perto da porta da cidade, eis que era levado a sepultar um defunto, filho único de uma viúva; e ia com ela muita gente da cidade. 13 Tendo-a visto, o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe: «Não chores». 14 Aproximou-Se, tocou no caixão, e os que o levavam pararam. Então disse: «Jovem, Eu te ordeno, levanta-te». 15 E o que tinha estado morto sentou-se, e começou a falar. Depois, Jesus, entregou-o à sua mãe. 16 Todos ficaram possuídos de temor e glorificavam a Deus, dizendo: «Um grande profeta apareceu entre nós, e Deus visitou o Seu povo». 17 Esta opinião a respeito d'Ele espalhou-se por toda a Judeia e por toda a região circunvizinha.

Comentário:

Constantemente, o Senhor diz-nos: «Não chores»!

Tu que estás aí, esmagado pela dor física ou moral, sem saber o que fazer ou a quem recorrer; tu que de deixas vencer pelos infortúnios da vida, atordoado pelas dificuldades, sim tu… «Não chores»!

Eu, o teu Senhor e teu Deus, estou aqui, pronto a socorrer-te, desejoso de te ajudar a levantares-te, a prosseguir a tua vida!

Confia em Mim!

(ama, comentário sobre Lc 7, 11-17, V. Moura, 2013.09.17)


Leitura espiritual


Documentos do Magistério

SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

INSTRUÇÃO
SOBRE ALGUNS ASPECTOS DA
«TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO”

XI – ORIENTAÇÕES

10. A queda, por meio da violência revolucionária, de estruturas geradoras de injustiças não é pois ipso facto o começo da instauração de um regime justo. Um facto marcante da nossa época deve ocupar a reflexão de todos aqueles que desejam sinceramente a verdadeira libertação dos seus irmãos. Milhões de nossos contemporâneos aspiram legitimamente a reencontrar as liberdades fundamentais de que estão privados por regimes totalitários e ateus, que tomaram o poder por caminhos revolucionários e violentos, exactamente em nome da libertação do povo. Não se pode desconhecer esta vergonha do nosso tempo: pretendendo proporcionar-lhes liberdade, mantêm-se nações inteiras em condições de escravidão indignas do homem. Aqueles que, talvez por inconsciência, se tornam cúmplices de semelhantes escravidões, traem os pobres que eles quereriam servir.

11. A luta de classes como caminho para uma sociedade sem classes é um mito que impede as reformas e agrava a miséria e as injustiças. Aqueles que se deixam fascinar por este mito deveriam reflectir sobre as experiências históricas amargas às quais ele conduziu. Compreenderiam então que não se trata, de modo algum, de abandonar uma via eficaz de luta em prol dos pobres em troca de um ideal desprovido de efeito. Trata-se, pelo contrário, de libertar-se de uma miragem para se apoiar no Evangelho e na sua força de realização.

12. Uma das condições para uma necessária rectificação teológica é a revalorização do magistério social da Igreja. Este magistério não é, de modo algum, fechado. É, ao contrário, aberto a todas as novas questões que não deixam de surgir no decorrer dos tempos. Nesta perspectiva, a contribuição dos teólogos e dos pensadores de todas as regiões do mundo para a reflexão da Igreja é hoje indispensável.

13. Do mesmo modo, a experiência daqueles que trabalham directamente na evangelização e na promoção dos pobres e dos oprimidos é necessária à reflexão doutrinal e pastoral da Igreja. Neste sentido é preciso tomar consciência de certos aspectos da verdade a partir da praxis, se por praxis se entende a prática pastoral e uma prática social que conserva sua inspiração evangélica.

14. O ensino da Igreja em matéria social proporciona as grandes orientações éticas. Mas para que possa atingir directamente a acção, precisa de pessoas competentes, do ponto de vista científico e técnico, bem como no domínio das ciências humanas e da política. Os pastores estarão atentos à formação destas pessoas competentes, profundamente impregnadas pelo Evangelho. São aqui visados, em primeiro lugar, os leigos, cuja missão específica é a de construir a sociedade.

15. As teses das “teologias da libertação” estão sendo largamente difundidas, sob uma forma ainda simplificada, nos cursos de formação ou nas comunidades de base, que carecem de preparação catequética e teológica e de capacidade de discernimento. São assim aceites, por homens e mulheres generosos, sem que seja possível um juízo crítico.

16. É por isso que os pastores devem vigiar sobre a qualidade e o conteúdo da catequese e da formação que devem sempre apresentar a integralidade da mensagem da salvação e os imperativos da verdadeira libertação humana, no quadro desta mensagem integral.

17. Nesta apresentação integral do mistério cristão, será oportuno acentuar os aspectos essenciais que as “teologias da libertação” tendem especialmente a desconhecer ou eliminar: transcendência e gratuidade da libertação em Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem; soberania de sua graça; verdadeira natureza dos meios de salvação, e especialmente da Igreja e dos sacramentos.
Tenham-se presentes o verdadeiro significado da ética, para a qual a distinção entre o bem e o mal não pode ser relativizada; o sentido autêntico do pecado; a necessidade da conversão e a universalidade da lei do amor fraterno.
Chame-se a atenção contra uma politização da existência, que, desconhecendo ao mesmo tempo a especificidade do Reino de Deus e a transcendência da pessoa, acaba sacralizando a política e abusando da religiosidade do povo em proveito de iniciativas revolucionárias.

18. É frequente dirigir aos defensores da «ortodoxia» a acusação de passividade, de indulgência ou de cumplicidade culpáveis frente a situações intoleráveis de injustiça e de regimes políticos que mantêm estas situações. A conversão espiritual, a intensidade do amor a Deus e ao próximo, o zelo pela justiça e pela paz, o sentido evangélico dos pobres e da pobreza, são exigidos a todos, especialmente aos pastores e aos responsáveis.
A preocupação pela pureza da fé não subsiste sem a preocupação de dar a resposta de um testemunho eficaz de serviço ao próximo e, em especial, ao pobre e ao oprimido, através de uma vida teologal integral. Pelo testemunho de sua capacidade de amar, dinâmica e construtiva, os cristãos lançarão, sem dúvida, as bases desta «civilização do amor» de que falou, depois de Paulo VI, a Conferência de Puebla. [34] De resto, são numerosos os sacerdotes, religiosos ou leigos, que se consagram de um modo verdadeiramente evangélico à criação de uma sociedade justa.

CONCLUSÃO

As palavras de Paulo VI, na Profissão de fé do povo de Deus, exprimem, com meridiana clareza, a fé da Igreja, da qual ninguém pode afastar-se sem provocar, juntamente com a ruína espiritual, novas misérias e novas escravidões.

«Nós professamos que o Reino de Deus iniciado aqui na terra, na Igreja de Cristo, não é deste mundo, cuja figura passa, e que o seu crescimento próprio não se pode confundir com o progresso da civilização, da ciência ou da técnica humanas, mas consiste em conhecer cada vez mais profundamente as insondáveis riquezas de Cristo, em esperar cada vez mais corajosamente os bens eternos, em responder cada vez mais ardentemente ao amor de Deus e em difundir cada vez mais amplamente a graça e a santidade entre os homens.
Mas é este mesmo amor que leva a Igreja a preocupar-se constantemente com o bem temporal dos homens. Não cessando de lembrar aos seus filhos que eles não têm aqui na terra uma morada permanente, anima-os também a contribuir, cada qual segundo a sua vocação e os meios de que dispõem, para o bem de sua cidade terrestre, a promover a justiça, a paz e a fraternidade entre os homens, a prodigalizar-se na ajuda aos irmãos, sobretudo aos mais pobres e mais infelizes.
A intensa solicitude da Igreja, esposa de Cristo, pelas necessidades dos homens, as suas alegrias e esperanças, os seus sofrimentos e os seus esforços, não é mais que o seu grande desejo de estar presente para os iluminar com a luz de Cristo e reuni-los todos nele, seu único Salvador.
Esta solicitude não pode, em hipótese alguma, comportar que a própria Igreja se conforme às coisas deste mundo, nem que diminua o ardor da espera pelo seu Senhor e pelo Reino eterno ». [35]

O Sumo-Pontífice João Paulo 11, no decorrer de uma Audiência concedida ao Cardeal Prefeito que subscreve este documento, aprovou a presente Instrução, deliberada em reunião ordinária da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, e ordenou que a mesma fosse publicada.

Roma, Sede da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, 6 de Agosto de 1984, na Festa da Transfiguração do Senhor.

Joseph Card. Ratzinger
Prefeito

SB Alberto Bovone
Arcebispo tit. de Cesárea de Numidia
Secretário

(revisão da versão portuguesa por ama)
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Notas:
[34] Cf. Doc. de Puebla, IV, 2, n. 2. 4.
[35] Paulo PP. VI, Profissão de Fé do Povo de Deus, 30 de Junho de 1968: AAS 60, 1968, pp. 443-444.