Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
07/07/2014
Participaremos na sua maternidade espiritual
Recorre
constantemente à Virgem Santíssima, Mãe de Deus e Mãe da humanidade: e Ela
atrairá, com suavidade de Mãe, ao amor de Deus as almas com quem fazes
apostolado, para que se decidam a ser – no seu trabalho corrente, na sua
profissão – testemunhas de Jesus Cristo. (Forja, 911)
Se
nos identificarmos com Maria, se imitarmos as suas virtudes, poderemos
conseguir que Cristo nasça, pela graça, na alma de muitos que se identificarão
com Ele pela acção do Espírito Santo. Se imitarmos Maria, participaremos de
algum modo na sua maternidade espiritual: em silêncio, como Nossa Senhora, sem
que se note, quase sem palavras, com o testemunho íntegro e coerente de uma
conduta cristã, com a generosidade de repetir sem cessar um fiat que se renova
como algo íntimo entre Deus e nós. (Amigos de Deus, 281)
Pequena agenda do cristão
SeGUNDa-Feira
(Coisas
muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.
Senhor
que eu faça ‘boa cara’, que seja alegre e transmita aos outros, principalmente
em minha casa, boa disposição.
Senhor que eu sirva sem reserva de
intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou
grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que
devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em
serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser
útil.
Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.
Que o Senhor assista e vivifique o
Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus
inimigos.
Que os Bispos se mantenham firmes na
Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.
Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua
vocação e guias seguros do Povo de Deus.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me
propus ontem?
Temas para meditar - 168
Recorda-te que as abelhas no tempo em que fazem o mel comem e sustentam-se de um mantimento muito amargo; e assim nós não podemos praticar actos de maior mansidão e paciência, nem compor o mel das melhores virtudes, senão quando comemos o pão da amargura e vivemos no meio das aflições.
(são francisco de sales, Introducción a la vida devota, III, 3, trad. ama)
Tratado da lei 46
Art.
2 — Se os preceitos morais da lei abrangem todos os actos virtuosos.
(IIª-IIae,
q. CXL., a. 2).
O segundo discute-se assim. — Parece
que os preceitos morais da lei não abrangem todos os actos virtuosos.
1. — Pois, à observância dos preceitos
da lei antiga se chama justificação, conforme a Escritura (Sl 118, 8):
observarei as tuas justificações. Ora, a justificação é a execução da justiça.
Logo, os preceitos morais não abrangem senão os actos de justiça.
2. Demais. — O que cai sob a alçada de
um preceito tem natureza de obrigação. Ora, a noção de obrigação não inclui as
demais virtudes, senão só a justiça, cujo acto próprio é dar a cada um o que
lhe é devido. Logo, os preceitos da lei moral não abrangem os actos das outras
virtudes, mas só os da justiça.
3. Demais. — Toda lei é estabelecida
para o bem comum, como diz Isidoro. Ora, dentre as virtudes, só a justiça visa
o bem comum, conforme diz o Filósofo. Logo, os preceitos morais abrangem só os
actos de justiça.
Mas, em contrário, diz Ambrósio: o
pecado é a transgressão da lei divina e a desobediência aos mandamentos
celestes. Ora, os pecados contrariam todos os actos virtuosos. Logo, a lei
divina deve ordenar sobre os actos de todas as virtudes.
Ordenando-se os preceitos
da lei para o bem comum, como já se disse (q. 90, a. 2), eles hão-de
forçosamente diversificar-se conforme as diversas maneiras de ser da
comunidade. Por isso, o Filósofo ensina, que umas serão as leis estabelecidas
para a cidade governada por um rei, e outras as estabelecidas para a que é governada
pelo povo ou pelos mais poderosos, dos habitantes dela. Ora, um é o feitio da
comunidade, para que se ordena a lei humana, e outro, para que se ordena a lei
divina. — Pois, a lei humana ordena-se à comunidade civil, a constituída pelos
homens entre si; e estes se ordenam uns para os outros pelos seus actos
exteriores, com que se entre comunicam. E essa comunicação pertence
essencialmente à justiça, que é propriamente directiva da comunidade humana. Donde,
a lei humana só propõe preceitos referentes aos actos de justiça; e se ordenar
outros actos de virtude, não será senão enquanto se revestem da essência da
justiça, como está claro no Filósofo.
A comunidade porém, a que se ordena a
lei divina, é a dos homens enquanto tendem para Deus, na vida presente ou na
futura. Por isso, essa lei propõe preceitos sobre todos os actos pelos quais os
homens bem se ordenam à comunicação com Deus. Ora, o homem se une a Deus pela
razão, ou espírito, que reproduz a imagem d’Ele. Donde, a lei divina propõe
preceitos sobre todos os actos pelos quais a razão do homem fica bem ordenada.
Ora, isto dá-se pelos actos de todas as virtudes. Assim, as virtudes
intelectuais ordenam com acerto os actos da razão em si mesmos; as morais, por
seu lado, impõem ordem aos actos da razão relativamente às paixões internas e
as obras externas. Donde é manifesto, que a lei divina propõe convenientemente
preceitos sobre os actos de todas as virtudes. De modo porém que alguns actos,
sem os quais a ordem da virtude, que é a da razão, não pode ser observada, são
impostos pela obrigação de preceitos; e outros, relativos à existência completa
da virtude perfeita, pertencem à advertência do conselho.
DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO.
— O cumprir os mandamentos da lei, mesmo os que pertencem aos actos das outras
virtudes, implica a ideia de justificação. Enquanto é justo o homem obedecer a
Deus; ou ainda enquanto é justo que todo o humano esteja sujeito à razão.
DONDE A RESPOSTA À SEGUNDA. — A
justiça propriamente dita implica a dívida de um homem para com outro; ao passo
que todas as outras virtudes implicam o débito das faculdades inferiores para
com as superiores. E, conforme a natureza desse débito, o Filósofo distingue
uma certa justiça metafórica.
RESPOSTA À TERCEIRA. — A resposta deduz-se
clara do que dissemos sobre as diversas comunidades.
Nota:
Revisão da versão portuguesa por ama.
Evangelho, comentário e Leit. Espirit. (Decl. Dominus Iesus)
Evangelho:
Mt 9, 18-26
18 Enquanto lhes dizia estas coisas, eis que um chefe da sinagoga se
aproxima e se prostra diante d'Ele, dizendo: «Senhor, morreu agora minha filha;
mas vem, põe a Tua mão sobre ela, e viverá». 19 Jesus,
levantando-Se, seguiu-o com os Seus discípulos. 20 E eis que uma
mulher que padecia de um fluxo de sangue havia doze anos, se chegou por detrás
d'Ele, e tocou na orla do Seu vestido. 21 Dizia para si mesma:
«Ainda que eu toque somente o Seu vestido, serei curada». 22
Voltando-Se Jesus e, olhando-a, disse: «Tem confiança, filha, a tua fé te
salvou». E ficou sã a mulher desde aquele momento. 23 Tendo Jesus
chegado a casa do chefe da sinagoga viu os tocadores de flauta e uma multidão
de gente que fazia muito barulho. 24 «Retirai-vos, disse, porque a
menina não está morta, mas dorme». Mas riam-se d'Ele. 25 Tendo-se
feito sair a gente, Ele entrou, tomou a menina pela mão, e ela se levantou. 26
E divulgou-se a fama deste milagre por toda aquela terra.
Comentário:
Aquela mulher acredita que Jesus a
pode curar e tudo faz para o conseguir.
Está
impedida de contactar, ou dirigir-se, directa e frontalmente a Jesus para
solicitar a sua cura. Aquele tipo de doenças era rigorosamente descriminado na
sociedade judaica. As pessoas naquelas condições eram consideradas impuras e
todo o contacto com os outros era estritamente proibido. Assim como por
exemplo, os portadores de lepra. (…)
A
Fé da mulher é porém tão grande que a move a arrostar com todas as dificuldades,
- a vergonha, o poder ser descoberta, etc. - e, aproveitando os apertos da
multidão, dissimuladamente, mas com confiança, toca o manto de Jesus. No seu coração, ela estava convencida que
tanto bastaria para alcançar a graça que pretendia.
Sem
dúvida que a sua Fé é grande, total, a isso fora levada por anos, - 12 anos -
de procura incessante de cura para os seus males.
Temos
sempre de pôr todos os meios na procura do que necessitamos. O Senhor não
espera de nós nada que vá além das nossas forças e das nossas capacidades. Mas
espera que as utilizemos, todas, com critério e sem desfalecimentos. (…)
(ama, Palestra, Meadela, Fevereiro de 1981)
Leitura espiritual
Documentos do Magistério
CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ
DECLARAÇÃO
"DOMINUS IESUS"
SOBRE A UNICIDADE E A UNIVERSALIDADE
SALVÍFICA DE JESUS CRISTO E DA IGREJA
…/3
III.
UNICIDADE E UNIVERSALIDADE DO MISTÉRIO
SALVÍFICO DE JESUS CRISTO
13. É igualmente frequente
a tese que nega a unicidade e a universalidade salvífica do mistério de Jesus
Cristo. Tal posição não tem nenhum fundamento bíblico. Deve, invés, crer-se
firmemente, como dado perene da fé da Igreja, a verdade de Jesus Cristo, Filho
de Deus, Senhor e único salvador, que no seu evento de encarnação, morte e
ressurreição realizou a história da salvação, a qual tem n'Ele a sua plenitude
e o seu centro.
Os testemunhos
neo-testamentários afirmam-no claramente: «O Pai enviou o seu Filho como
salvador do mundo» (1 Jo 4,14); «Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do
mundo» (Jo 1,29). No seu discurso perante o sinédrio, Pedro, para justificar a
cura do homem que era aleijado desde o nascimento, cura realizada no nome de
Jesus (cf. Actos 3,1-8), proclama: «E não há salvação em nenhum outro, pois não
existe debaixo do Céu outro nome dado aos homens, pelo qual tenhamos de ser
salvos» (Actos 4,12). O mesmo Apóstolo acrescenta ainda que Jesus Cristo «é o
Senhor de todos»; «foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos»; pelo
que «todo o que acredita n'Ele recebe, pelo seu nome, a remissão dos pecados»
(cf. Actos 10,36.42.43).
Paulo, dirigindo-se à
comunidade de Corinto, escreve: «Porque, embora digam haver deuses no céu e na
terra, — na verdade são muitos esses deuses e esses senhores — para nós há um
só Deus: o Pai, de quem tudo procede e para o qual fomos criados; e há um só
Senhor, Jesus Cristo, pelo qual tudo existe e pelo qual também nós existimos»
(1 Cor 8,5-6). Também o Apóstolo João afirma: «Deus amou de tal maneira o mundo
que entregou o seu Filho único, para que todo o homem que acredita n'Ele não se
perca, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo para
condenar o mundo, mas para este ser salvo por seu intermédio» (Jo 3,16-17). No
Novo Testamento, a vontade salvífica universal de Deus está estritamente ligada
à única mediação de Cristo: «[Deus] quer que todos os homens se salvem e
cheguem ao conhecimento da verdade. Pois Deus é um só, e um só também o
Mediador entre Deus e os homens: esse homem, que é Cristo Jesus, que Se
entregou à morte para resgatar a todos» (1 Tim 2,4-6).
É sobre esta consciência
do dom de salvação único e universal dado pelo Pai por meio de Jesus Cristo no
Espírito (cf. Ef 1,3-14), que os primeiros cristãos se dirigiram a Israel,
mostrando que a salvação se alcançava para além da Lei, e enfrentaram o mundo
pagão de então, que aspirava à salvação através de uma pluralidade de deuses
salvadores. Este património de fé voltou a ser proposto pelo recente Magistério
da Igreja: «A Igreja crê que Cristo, morto e ressuscitado por todos (cf. 2 Cor
5,15), oferece à humanidade, pelo seu Espírito, luz e forças que lhe permitem
corresponder à sua altíssima vocação. Ela crê que não há debaixo do céu outro
nome dado aos homens pelo qual eles devam ser salvos (cf. Actos 4,12). Ela crê
também que a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontram no
seu Senhor e Mestre».42
14. Deve, portanto, crer-se firmemente como
verdade de fé católica que a vontade salvífica universal de Deus Uno e Trino é
oferecida e realizada de uma vez para sempre no mistério da encarnação, morte e
ressurreição do Filho de Deus.
Tendo presente este dado
de fé, a teologia hoje, meditando na presença de outras experiências religiosas
e no seu significado no plano salvífico de Deus, é convidada a explorar se e
como também figuras e elementos positivos de outras religiões reentram no plano
divino de salvação. Neste empenho de reflexão abre-se à investigação teológica
um vasto campo de trabalho sob a guia do Magistério da Igreja. O Concílio
Vaticano II, de facto, afirmou que «a única mediação do Redentor não exclui, antes
suscita nas criaturas uma cooperação múltipla, que é participação na fonte
única».43 Há que aprofundar o conteúdo desta mediação participada,
que deve ser todavia regulada pelo princípio da única mediação de Cristo: «Se
não se excluem mediações participadas de diverso tipo e ordem, todavia elas recebem
significado e valor unicamente da de Cristo, e não podem ser entendidas como
paralelas ou complementares desta».44 Seriam, invés, contrárias à fé
cristã e católica as propostas de solução que apresentam uma acção salvífica de
Deus fora da única mediação de Cristo.
15. Não é raro que se
proponha evitar na teologia termos como «unicidade», «universalidade»,
«absoluto», cujo uso daria a impressão de se dar uma ênfase excessiva ao
significado e valor do evento salvífico de Jesus Cristo em relação às demais
religiões. Ora, essa linguagem não faz mais que exprimir a fidelidade ao dado
revelado, uma vez que constitui uma evolução das próprias fontes da fé. Desde o
início, efectivamente, a comunidade dos crentes atribuiu a Jesus um valor
salvífico de tal ordem, que apenas Ele, como Filho de Deus feito homem,
crucificado e ressuscitado, por missão recebida do Pai e no poder do Espírito
Santo, tem por finalidade dar a revelação (cf. Mt 11,27) e a vida divina (cf. Jo
1,12; 5,25-26; 17,2) à humanidade inteira e a cada homem.
Neste sentido, pode e deve
dizer-se que Jesus Cristo tem para o género humano e para a sua história um
significado e um valor singulares e únicos, só a Ele próprios, exclusivos,
universais, absolutos. Jesus é, de facto, o Verbo de Deus feito homem para a
salvação de todos. Recebendo esta consciência de fé, o Concílio Vaticano II ensina:
«O Verbo de Deus, por quem todas as coisas foram feitas, encarnou, a fim de,
como homem perfeito, salvar a todos e recapitular todas as coisas. O Senhor é o
fim da história humana, “o ponto para o qual tendem os desejos da história e da
civilização”, o centro da humanidade, a alegria de todos os corações e a
plenitude das suas aspirações. É aquele a quem o Pai ressuscitou dos mortos,
exaltou e colocou à sua direita, constituindo-O juiz dos vivos e dos mortos».45
«Precisamente esta singularidade única de Cristo é que Lhe confere um
significado absoluto e universal, pelo qual, enquanto está na História, é o
centro e o fim desta mesma História: “Eu sou o Alfa e o Ómega, o Primeiro e o
Último, o Princípio e o Fim” (Ap 22,13)».46
IV.
UNICIDADE E UNIDADE DA IGREJA
16. O Senhor Jesus, único
Salvador, não formou uma simples comunidade de discípulos, mas constituiu a
Igreja como mistério salvífico: Ele mesmo está na Igreja e a Igreja n'Ele (cf.
Jo 15,1ss.; Gal 3,28; Ef 4,15-16; Actos 9,5); por isso, a plenitude do mistério
salvífico de Cristo pertence também à Igreja, unida de modo inseparável ao seu
Senhor. Jesus Cristo, com efeito, continua a estar presente e a operar a
salvação na Igreja e através da Igreja (cf. Col 1,24-27),47 que é o
seu Corpo (cf. 1 Cor 12,12-13.27; Col 1,18).48 E, assim como a cabeça
e os membros de um corpo vivo, embora não se identifiquem, são inseparáveis,
Cristo e a Igreja não podem confundir-se nem mesmo separar-se, constituindo
invés um único «Cristo total».49 Uma tal inseparabilidade é expressa
no Novo Testamento também com a analogia da Igreja Esposa de Cristo (cf. 2 Cor
11,2; Ef 5,25-29; Ap 21,2.9).50
Assim, e em relação com a
unicidade e universalidade da mediação salvífica de Jesus Cristo, deve crer-se
firmemente como verdade de fé católica a unicidade da Igreja por Ele fundada.
Como existe um só Cristo, também existe um só seu Corpo e uma só sua Esposa:
«uma só Igreja católica e apostólica».51 Por outro lado, as
promessas do Senhor de nunca abandonar a sua Igreja (cf. Mt 16,18; 28,20) e de
guiá-la com o seu Espírito (cf. Jo 16,13) comportam que, segundo a fé católica,
a unicidade e unidade, bem como tudo o que concerne a integridade da Igreja,
jamais virão a faltar.52
Os fiéis são obrigados a
professar que existe uma continuidade histórica — radicada na sucessão
apostólica 53 — entre a Igreja fundada por Cristo e a Igreja
Católica: «Esta é a única Igreja de Cristo [...] que o nosso Salvador, depois
da sua ressurreição, confiou a Pedro para apascentar (cf. Jo 21,17),
encarregando-o a Ele e aos demais Apóstolos de a difundirem e de a governarem
(cf. Mt 28,18ss.); levantando-a para sempre como coluna e esteio da verdade
(cf. 1 Tim 3,15). Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste
mundo, subsiste [subsistit in] na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de
Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele».54 Com a expressão
«subsistit in», o Concílio Vaticano II quis harmonizar duas afirmações
doutrinais: por um lado, a de que a Igreja de Cristo, não obstante as divisões
dos cristãos, continua a existir plenamente só na Igreja Católica e, por outro,
a de que «existem numerosos elementos de santificação e de verdade fora da sua
composição»,55 isto é, nas Igrejas e Comunidades eclesiais que ainda
não vivem em plena comunhão com a Igreja Católica.56 Acerca destas,
porém, deve afirmar-se que «o seu valor deriva da mesma plenitude da graça e da
verdade que foi confiada à Igreja Católica».57
17. Existe portanto uma
única Igreja de Cristo, que subsiste na Igreja Católica, governada pelo
Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele.58 As Igrejas
que, embora não estando em perfeita comunhão com a Igreja Católica, se mantêm
unidas a esta por vínculos estreitíssimos, como são a sucessão apostólica e uma
válida Eucaristia, são verdadeiras Igrejas particulares.59 Por isso,
também nestas Igrejas está presente e actua a Igreja de Cristo, embora lhes
falte a plena comunhão com a Igreja católica, enquanto não aceitam a doutrina
católica do Primado que, por vontade de Deus, o Bispo de Roma objectivamente
tem e exerce sobre toda a Igreja.60
As Comunidades eclesiais,
invés, que não conservaram um válido episcopado e a genuína e íntegra
substância do mistério eucarístico,61 não são Igrejas em sentido
próprio. Os que, porém, foram baptizados nestas Comunidades estão pelo Baptismo
incorporados em Cristo e, portanto, vivem numa certa comunhão, se bem que
imperfeita, com a Igreja.62 O Baptismo, efectivamente, tende por si
ao completo desenvolvimento da vida em Cristo, através da íntegra profissão de
fé, da Eucaristia e da plena comunhão na Igreja.63
«Os fiéis não podem, por
conseguinte, imaginar a Igreja de Cristo como se fosse a soma — diferenciada e,
de certo modo, também unitária — das Igrejas e Comunidades eclesiais; nem lhes
é permitido pensar que a Igreja de Cristo hoje já não exista em parte alguma,
tornando-se, assim, um mero objecto de procura por parte de todas as Igrejas e
Comunidades».64 «Os elementos desta Igreja já realizada existem,
reunidos na sua plenitude, na Igreja Católica e, sem essa plenitude, nas demais
Comunidades».65 «Por isso, as próprias Igrejas e Comunidades
separadas, embora pensemos que têm faltas, não se pode dizer que não tenham
peso no mistério da salvação ou sejam vazias de significado, já que o Espírito
Se não recusa a servir-Se delas como de instrumentos de salvação, cujo valor
deriva da mesma plenitude da graça e da verdade que foi confiada à Igreja
Católica».66
A falta de unidade entre
os cristãos é certamente uma ferida para a Igreja; não no sentido de estar
privada da sua unidade, mas «porque a divisão é um obstáculo à plena realização
da sua universalidade na história».67
(cont.)
________________________________________
Notas:
(42)
Conc. Vaticano II, Const. past. Gaudium et spes, n. 10. Cf. S. Agostinho, que
afirma que fora de Cristo, « caminho universal de salvação, que nunca faltou ao
género humano, nunca ninguém foi libertado, ninguém é libertado, ninguém será
libertado »: De Civitate Dei 10, 32, 2: CCL 47, 312.
(43)
Conc. Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 62.
(44)
João Paulo II, Carta Enc. Redemptoris missio, n. 5.
(45)
Conc. Vaticano II, Const. past. Gaudium et spes, n. 45. A necessária e absoluta
singularidade e universalidade de Cristo na história humana é bem expressa por
S. Ireneu quando contempla a proeminência de Jesus como Primogénito: « Nos
céus, como primogénito do pensamento do Pai, o Verbo perfeito conduz
pessoalmente todas as coisas e legisla; sobre a terra, como primogénito da
Virgem, homem justo e santo, servo de Deus, bom e agradável a Deus, perfeito em
tudo; enfim, salvando dos infernos todos os que o seguem, como primogénito dos
mortos, é cabeça e fonte da vida de Deus » (Demonstratio, 39: SC 406, 138).
(46)
João Paulo II, Carta Enc. Redemptoris missio, n. 6.
(47)
Cf. Conc. Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 14.
(48)
Cf. ibid., n. 7.
(49)
Cf. S. Agostinho, Enarrat. in Psalmos, Ps. 90, Sermo 2,1: CCL 39, 1266; S.
Gregório Magno, Moralia in Iob, Praefatio, 6, 14: PL 75, 525; S. Tomás de
Aquino, Summa Theologiae, III, q. 48, a. 2 ad 1.
(50)
Cf. Conc. Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 6.
(51)
Símbolo da fé: Denz., n. 48. Cf. Bonifácio VIII, Bula Unam Sanctam: Denz., n.
870-872; Conc. Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 8.
(52)
Cf. Conc. Vaticano II, Decr. Unitatis redintegratio, n. 4; João Paulo II, Carta
Enc. Ut unum sint, n. 11: AAS 87 (1995) 921-982.
(53)
Cf. Conc. Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 20; cf. ainda S. Ireneu,
Adversus Haereses, III, 3, 1-3: SC 211, 20-44; S. Cipriano, Epist. 33, 1: CCL
3B, 164-165; S. Agostinho, Contra advers. legis et prophet., 1, 20, 39: CCL 49,
70.
(54)
Conc. Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 8.
(55)
Ibid., cf. João Paulo II, Carta Enc. Ut unum sint, n. 13. Conc. Vaticano II,
Const. Dogm. Lumen gentium, n. 15 e Decr. Unitatis redintegratio, n. 3.
(56)
É, portanto, contrária ao significado autêntico do texto do Concílio a
interpretação que leva a deduzir da fórmula subsistit in a tese, segundo a
qual, a única Igreja de Cristo poderia também subsistir em Igrejas e
Comunidades eclesiais não católicas. « O Concílio, invés, adoptou a palavra
“subsistit” precisamente para esclarecer que existe uma só “subsistência” da
verdadeira Igreja, ao passo que fora da sua composição visível existem apenas
“elementa Ecclesiae”, que — por serem elementos da própria Igreja — tendem e conduzem
para a Igreja Católica » [Congr. para a Doutrina da Fé, Notificação sobre o
volume “Igreja: carisma e poder” do P. Leonardo Boff: AAS 77 (1985) 756-762].
(57)
Conc. Vaticano II, Decr. Unitatis redintegratio, n. 3.
(58)
Cf. Congr. Para a Doutrina da Fé, Decl. Mysterium ecclesiae, n. 1: AAS 65
(1973) 396-408.
(59)
Cf. Conc. Vaticano II, Decr. Unitatis redintegratio, nn. 14 e 15; Congr. para a
Doutrina da Fé, Carta Communionis notio, n. 17: AAS 85 (1993) 838-850.
(60)
Cf. Conc. Vaticano I, Const. dogm. Pastor aeternus: Denz., n. 3053-3064; Conc.
Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 22.
(61)
Cf. Conc. Vaticano II, Decr. Unitatis redintegratio, n. 22.
(62)
Cf. ibid., n. 3.
(63)
Cf. ibid., n. 22.
(64)
Congr. para a Doutrina da Fé, Decl. Mysterium ecclesiae, n. 1.
(65)
João Paulo II, Carta Enc. Ut unum sint, n. 14.
(66)
Conc. Vaticano II, Decr. Unitatis redintegratio, n. 3.
(67)
Congr. para a Doutrina da Fé, Carta Communionis notio, n. 17. Cf. Conc.
Vaticano II, Decr. Unitatis redintegratio, n. 4.
06/07/2014
O trono de Maria é a Cruz
Pede
humildemente ao Senhor que te aumente a Fé. – E depois, com novas luzes
apreciarás bem as diferenças entre as sendas do mundo e o teu caminho de
apóstolo. (Caminho, 508)
O
trono de Maria, como o de seu Filho, é a Cruz. E durante o resto da sua
existência, até que subiu ao Céu em corpo e alma, a sua silenciosa presença é o
que nos impressiona mais. S. Lucas, que a conhecia bem, anota que Ela está
junto dos primeiros discípulos, em oração. Assim termina os seus dias terrenos
Aquela que havia de ser louvada pelas criaturas até à eternidade.
Como
contrasta a esperança de Nossa Senhora com a nossa impaciência! Com frequência
exigimos que Deus nos pague imediatamente o pouco bem que fizemos. Mal aflora a
primeira dificuldade, queixamo-nos. Muitas vezes somos incapazes de aguentar o
esforço, de manter a esperança, porque nos falta fé: bem-aventurada és tu,
porque acreditaste que se cumpririam as coisas que te foram ditas da parte do
Senhor. (Amigos
de Deus, 286)
Pequena agenda do cristão
(Coisas
muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Viver a família.
Senhor, que a minha família seja um
espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para
a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e
escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.
Lembrar-me:
Cultivar a Fé.
São Tomé, prostrado a Teus pés,
disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não
tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste:
Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E
eu creio, Senhor.
Creio
firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu
Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a
minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me
crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu
coração.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me
propus ontem?
Temas para meditar - 167
A árvore da ciência do bem e do mal evoca simbolicamente o limite insuperável que o homem, enquanto criatura, deve reconhecer e respeitar. O homem depende do Criador e encontra-se sujeito às leis em que se baseou o Criador para constituir a ordem do mundo criado por Ele (...) e, por conseguinte também se encontra sujeito às normas morais que regulam o uso da liberdade.
(Btº JOÃO PAULO II, Audiência Geral, 1986.09.03)
Tratado da lei 45
Em seguida devemos tratar de cada um
dos géneros dos preceitos da lei antiga. E primeiro, dos preceitos morais.
Segundo, dos cerimoniais. Terceiro, dos judiciais.
Na primeira questão discutem-se doze
artigos:
Art. 1 — Se todos os preceitos morais
pertencem à lei da natureza.
Art. 2 — Se os preceitos morais da lei
abrangem todos os actos virtuosos.
Art. 3 — Se todos os preceitos morais
da lei antiga se reduzem aos dez preceitos do decálogo.
Art. 4 — Se os preceitos do decálogo
se distinguem convenientemente.
Art. 5 — Se os preceitos do decálogo
estão convenientemente enumerados.
Art. 6 — Se os dez preceitos do
decálogo estão convenientemente ordenados.
Art. 7 — Se os preceitos do decálogo
foram dados convenientemente.
Art. 8 — Se os preceitos do decálogo
admitem dispensa.
Art. 9 — Se o modo da virtude está na
alçada do preceito da lei.
Art. 10 — Se o modo da caridade está
na alçada do preceito da lei divina.
Art. 11 — Se se distinguem
convenientemente outros preceitos morais da lei, além do decálogo.
Art. 12 — Se os preceitos morais da
lei antiga justificavam.
Art.
1 — Se todos os preceitos morais pertencem à lei da natureza.
(Infra,
q. 104, a. 1).
O primeiro discute-se assim. — Parece
que nem todos os preceitos morais pertencem à lei da natureza.
1. — Pois, diz a Escritura (Sr 17, 9):
acrescentou-lhes a disciplina, e deu-lhes em herança a lei da vida. Ora, a
disciplina divide-se, por oposição, da lei da natureza; porque a lei natural
não se aprende, mas tem-se por instinto natural. Logo, nem todos os preceitos
morais pertencem à lei da natureza.
2. Demais. — A lei divina é mais
perfeita que a humana. Ora, esta faz, aos preceitos da lei da natureza, alguns
acréscimos relativos aos bons costumes. E isso é claro por ser a lei da
natureza a mesma para todos, ao passo que essas instituições morais variam com
os diversos povos. Logo, com muito maior razão, a lei divina devia acrescentar
à lei da natureza alguns preceitos relativos aos bons costumes.
3. Demais. — Assim como a razão
natural produz bons costumes, assim também a fé; donde o dizer a Escritura (Gl
5, 6): a fé obra por caridade. Ora, a fé não está contida na lei da natureza,
porque as suas verdades são superiores à razão natural. Logo, nem todos os
preceitos morais da lei divina pertencem à lei da natureza.
Mas, em contrário, diz o Apóstolo (Rm
2, 14): os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da
lei. O que se deve entender como referente ao que respeita aos bons costumes.
Logo, todos os preceitos morais da lei pertencem à lei da natureza.
Os preceitos morais são
distintos dos cerimoniais e dos judiciais. Pois, os morais respeitam ao que, em
si mesmo, pertence aos bons costumes. Ora, como os costumes humanos se
consideram em relação à razão, que é o princípio próprio dos actos humanos,
chamam-se bons os costumes congruentes com a razão, e maus, os que dela se
afastam. Ora, assim como todo juízo da razão especulativa procede do
conhecimento natural dos primeiros princípios, assim também todo juízo da razão
prática procede de alguns princípios naturalmente conhecidos, conforme já
dissemos (q. 94, a. 2, a. 4). Donde podemos proceder diversamente para julgar
coisas diversas. Pois, há alguns actos humanos de tal modo explícitos, que, com
pouca reflexão, podem ser logo aprovados ou reprovados, tendo-se em vista esses
princípios comuns e primeiros. Outros há porém, para cuja apreciação é preciso
reflectir aturadamente nas diversas circunstâncias, que podem ser consideradas
diligentemente só pelo homem prudente, e não por qualquer pessoa. Assim como,
considerar as conclusões particulares das ciências não pertence a todos, mas só
aos filósofos. Outros há enfim que, para julgá-las, o homem precisa ser ajudado
pela instrução divina, como é o caso do que pertence à fé.
Donde é claro que, dizendo respeito os
preceitos morais aos bons costumes e estes sendo os que estão de acordo com a
razão; e todo o juízo da razão humana derivando, de certo modo, da razão
natural, necessariamente todos os preceitos morais hão-de pertencer à lei da
natureza, mas diversamente. — Assim, há alguns de que a razão natural de
qualquer homem pode logo julgar, que devem ser obedecidos. Tais são: honrarás a
teu pai e a tua mãe; e não matarás, não furtarás. E estes pertencem
absolutamente à lei da natureza. — Há porém outros que são tidos, pelos homens
prudentes, e em virtude de uma consideração mais subtil da razão, como devendo
ser observados. E estes pertencem à lei natural, mas precisam de uma certa
doutrina pela qual os prudentes ensinem os que não o são. Tal segundo a
Escritura: Levanta-te diante dos que têm a cabeça cheia de cãs e honra a pessoa
do velho; e outros semelhantes. — Há outros enfim, para julgar dos quais a
razão humana precisa da instrução divina, que nos ensina sobre as coisas
divinas. Tais aqueles: não farás para ti imagem de escultura, nem figura
alguma; não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.
Donde se deduzem claras as RESPOSTAS ÀS
OBJECÇÕES.
Nota:
Revisão da versão portuguesa por ama.
Evangelho, comentário e Leit. Espirit. (Decl. Dominus Iesus)
Evangelho:
Mt 11, 25-30
25
Então Jesus, falando novamente, disse: «Eu Te louvo ó Pai, Senhor do céu e da
terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e aos prudentes, e as revelaste
aos pequeninos. 26 Assim é, ó Pai, porque assim foi do Teu agrado. 27
«Todas as coisas Me foram entregues por Meu Pai; e ninguém conhece o Filho
senão o Pai; nem ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o
quiser revelar. 28 O «Vinde a Mim todos os que estais fatigados e
oprimidos, e Eu vos aliviarei. 29 Tomai sobre vós o Meu jugo, e
aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para
as vossas almas. 30 Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo leve».
Comentário:
Quando tudo parece
perdido e não se encontra remédio ou solução para o que nos aflige e condiciona
a nossa vida lembremo-nos destas palavras de Jesus Cristo.
Ele é o
refúgio certo e sempre disponível e, como Ele próprio afirma, «encontraremos
descanso para as nossas almas».
Não temos que
fazer qualquer esforço em procura-lo; Ele está sempre ali, no sacrário à nossa
espera.
(ama,
comentário sobre Mt 11, 25-30 2013.11.02)
Leitura espiritual
Documentos do Magistério
CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ
DECLARAÇÃO
"DOMINUS IESUS"
SOBRE A UNICIDADE E A UNIVERSALIDADE
SALVÍFICA DE JESUS CRISTO E DA IGREJA
…/2
8. Existe também quem
avance a hipótese do valor inspirado dos textos sagrados de outras religiões.
Certamente deve admitir-se que alguns elementos presentes neles são de facto
instrumentos, através dos quais, multidões de pessoas puderam, através dos
séculos, e podem ainda hoje alimentar e manter a sua relação religiosa com
Deus. Por isso, o Concílio Vaticano II, referindo-se aos modos de agir, aos
preceitos e doutrinas das outras religiões, afirma — como cima se recordou —
que, «embora em muitos pontos estejam em discordância com aquilo que [a Igreja]
afirma e ensina, muitas vezes reflectem um raio daquela Verdade, que ilumina
todos os homens».23
A tradição da Igreja,
porém, reserva o qualificativo de textos inspirados aos livros canónicos do
Antigo e Novo Testamento, enquanto inspirados pelo Espírito Santo.24
Fiel a esta tradição, a Constituição dogmática sobre a divina Revelação do
Concílio Vaticano II ensina: «Com efeito, a Santa Mãe Igreja, por fé
apostólica, tem como sagrados e canónicos os livros inteiros do Antigo e do
Novo Testamento com todas as suas partes, porque escritos por inspiração do
Espírito Santo (cf. Jo 20,31; 2 Tim 3,16; 2 Pedro 1,19-21; 3,15-16), têm Deus
por autor e, como tais, foram confiados à própria Igreja».25 Tais
livros «ensinam com firmeza, com fidelidade e sem erro, a verdade que Deus, por
causa da nossa salvação, quis consignar nas Sagradas Letras».26
Embora querendo congregar
em Cristo todas as gentes e comunicar-lhes a plenitude da sua revelação e do
seu amor, Deus não deixa de Se tornar presente sob variadas formas «quer aos
indivíduos, quer aos povos, através das suas riquezas espirituais, das quais a
principal e essencial expressão são as religiões, mesmo se contêm “lacunas,
insuficiências e erros”».27 Portanto, os livros sagrados das outras
religiões, que sem dúvida alimentam e orientam a existência dos seus sequazes,
recebem do mistério de Cristo os elementos de bondade e de graça neles
presentes.
II.
O LOGOS ENCARNADO E O ESPÍRITO SANTO NA OBRA DA SALVAÇÃO
9. Na reflexão teológica
contemporânea é frequente fazer-se uma aproximação de Jesus de Nazaré,
considerando-o uma figura histórica especial, finita e reveladora do divino de
modo não exclusivo, mas complementar a outras presenças reveladoras e
salvíficas. O Infinito, o Absoluto, o Mistério último de Deus manifestar-se-ia
assim à humanidade de muitas formas e em muitas figuras históricas: Jesus de
Nazaré seria uma delas. Mais concretamente, seria para alguns um dos tantos
vultos que o Logos teria assumido no decorrer dos tempos para comunicar em
termos de salvação com a humanidade.
Além disso, para
justificar, de um lado, a universalidade da salvação cristã e, do outro, o
facto do pluralismo religioso, há quem proponha uma economia do Verbo eterno,
válida também fora da Igreja e sem relação com ela, e uma economia do Verbo
Encarnado. A primeira teria um plus-valor de universalidade em relação à
segunda, que seria limitada aos cristãos, se bem que com uma presença de Deus
mais plena.
10. Semelhantes teses
estão em profundo contraste com a fé cristã. Deve, de facto, crer-se firmemente
na doutrina de fé que proclama que Jesus de Nazaré, filho de Maria, e só ele, é
o Filho e o Verbo do Pai. O Verbo, que «estava no princípio junto de Deus» (Jo
1,2), é o mesmo «que Se fez carne» (Jo 1,14). Em Jesus «o Cristo, o Filho do
Deus vivo» (Mt 16,16) «habita corporalmente toda a plenitude da divindade» (Col
2,9). Ele é «o Filho unigénito, que está no seio do Pai» (Jo 1,18), o seu
«Filho muito amado, no qual temos a redenção [...]. Aprouve a Deus que n'Ele
residisse toda a plenitude e por Ele fossem reconciliadas consigo todas as
coisas, estabelecendo a paz, pelo sangue da sua cruz, com todas as criaturas na
terra e nos céus» (Col 1,13-14.19-20).
Fiel à Sagrada Escritura e
refutando interpretações erróneas e redutivas, o primeiro Concílio de Niceia
definiu solenemente a própria fé em «Jesus Cristo, o Filho de Deus, gerado
unigénito do Pai, ou seja, da substância do Pai; Deus de Deus, luz da luz, Deus
verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai, por
meio do qual foram criadas todas as coisas do céu e da terra. Por nós homens e
pela nossa salvação, desceu do céu, encarnou e Se fez homem, sofreu e
ressuscitou ao terceiro dia, voltou a subir ao céu, donde virá para julgar os
vivos e os mortos».28 Seguindo os ensinamentos dos Padres, também o
Concílio de Calcedónia professou «que o único e idêntico Filho, nosso Senhor
Jesus Cristo, é Ele mesmo perfeito em divindade e perfeito em humanidade,
verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem [...], consubstancial ao Pai
segundo a divindade e consubstancial a nós segundo a humanidade [...]; gerado
do Pai antes dos séculos segundo a divindade e, nos últimos dias, Ele mesmo por
nós e pela nossa salvação, de Maria, a virgem Mãe de Deus, segundo a
humanidade».29
Por isso, o Concílio
Vaticano II afirma que Cristo, «novo Adão», «imagem de Deus invisível» (Col
1,15), «é o homem perfeito, que restituiu à descendência de Adão a semelhança
divina, deformada desde o primeiro pecado [...]. Cordeiro inocente, pelo seu
sangue voluntariamente derramado, mereceu-nos a vida e n'Ele Deus nos
reconciliou consigo e connosco, libertando-nos da escravidão do diabo e do
pecado, de tal sorte que cada um pode dizer com o Apóstolo: o Filho de Deus
“amou-me e entregou-Se a Si mesmo por mim” (Gal 2,20)».30
A esse respeito, João
Paulo II declarou explicitamente: «É contrário à fé cristã introduzir qualquer
separação entre o Verbo e Jesus Cristo [...]: Jesus é o Verbo Encarnado, pessoa
una e indivisa [...]. Cristo não é diferente de Jesus de Nazaré; e este é o
Verbo de Deus, feito homem para a salvação de todos [...]. À medida que formos
descobrindo e valorizando os diversos tipos de dons, e sobretudo as riquezas
espirituais, que Deus distribuiu a cada povo, não podemos separá-los de Jesus
Cristo, o qual está no centro da economia salvadora».31
É igualmente contra a fé
católica introduzir uma separação entre a acção salvífica do Logos, enquanto
tal, e a do Verbo feito carne. Con a encarnação, todas as acções salvíficas do
Verbo de Deus fazem-se sempre em unidade com a natureza humana, que Ele assumiu
para a salvação de todos os homens. O único sujeito que opera nas duas
naturezas — humana e divina — é a única pessoa do Verbo.32
Portanto, não é compatível
com a doutrina da Igreja a teoria que atribui uma actividade salvífica ao Logos
como tal na sua divindade, que se realizasse «à margem» e «para além» da
humanidade de Cristo, também depois da encarnação.33
11. Do mesmo modo, deve
crer-se firmemente na doutrina de fé sobre a unicidade da economia salvífica
querida por Deus Uno e Trino, em cuja fonte e em cujo centro se encontra o
mistério da encarnação do Verbo, mediador da graça divina no plano da criação e
da redenção (cf. Col 1,15-20), «recapitulador de todas as coisas» (cf. Ef
1,10), «tornado para nós justiça, santificação e redenção» (1 Cor 1,30). De
facto, o mistério de Cristo tem uma sua unidade intrínseca, que vai da eleição
eterna em Deus até à parusia: «N’Ele [o Pai] nos escolheu, antes da criação do
mundo, para sermos, na caridade, santos e irrepreensíveis diante d’Ele» (Ef
1,4); «Foi também n'Ele que fomos feitos herdeiros, segundo os desígnios de
quem tudo realiza conforme decide a sua vontade» (Ef 1,11); «Pois àqueles que
de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem do seu
Filho, a fim de que Ele fosse o Primogénito de muitos irmãos. E aqueles que
predestinou, também os chamou; àqueles que chamou, também os justificou; e,
àqueles que justificou, também os glorificou» (Rom 8,29-30).
O Magistério da Igreja,
fiel à revelação divina, afirma que Jesus Cristo é o mediador e o redentor
universal: «O Verbo de Deus, por quem todas as coisas foram feitas, encarnou, a
fim de, como homem perfeito, salvar todos os homens e recapitular todas as
coisas. O Senhor [...] é aquele a quem o Pai ressuscitou dos mortos, exaltou e
colocou à sua direita, constituindo-O juiz dos vivos e dos mortos».34
Esta mediação salvífica implica também a unicidade do sacrifício redentor de
Cristo, sumo e eterno Sacerdote (cf. Hebr 6,20; 9,11; 10,12-14).
12. Há ainda quem sustente
a hipótese de uma economia do Espírito Santo com um carácter mais universal que
a do Verbo Encarnado, crucificado e ressuscitado. Também essa afirmação é
contrária à fé católica, que, ao contrário, considera a encarnação salvífica do
Verbo um acontecimento trinitário. No Novo Testamento o mistério de Jesus,
Verbo Encarnado, constitui o lugar da presença do Espírito Santo e o principio
da sua efusão na humanidade, não só nos tempos messiânicos (cf. Act 2,32-36; Jo
7,39; 20,22; 1 Cor 15,45), mas também nos que precederam a sua entrada na
história (cf. 1 Cor 10,4; 1 Pedro 1,10-12).
O Concílio Vaticano II
repropôs à consciência da fé da Igreja essa verdade fundamental. Ao expor o
plano salvífico do Pai sobre a humanidade inteira, o Concílio liga
estreitamente, desde o princípio, o mistério de Cristo com o do Espírito.35
Toda a obra de edificação da Igreja por parte de Jesus Cristo Cabeça, no
decorrer dos séculos, é vista como uma realização que Ele faz em comunhão com o
seu Espírito.36
Além disso, a acção
salvífica de Jesus Cristo, com e pelo seu Espírito, estende-se, para além dos
confins visíveis da Igreja, a toda a humanidade. Falando do mistério pascal, em
que Cristo agora já associa vitalmente a Si no Espírito o crente e lhe dá a
esperança da ressurreição, o Concílio afirma: «E isto vale não apenas para
aqueles que creem em Cristo, mas para todos os homens de boa vontade, no
coração dos quais, invisivelmente, opera a graça. Na verdade, se Cristo morreu
por todos e a vocação última do homem é realmente uma só, a saber divina, nós
devemos acreditar que o Espírito Santo oferece a todos, de um modo que só Deus
conhece, a possibilidade de serem associados ao mistério pascal».37
É claro, portanto, o laço
entre o mistério salvífico do Verbo Encarnado e o do Espírito, que mais não faz
que actuar a influência salvífica do Filho feito homem na vida de todos os
homens, chamados por Deus a uma única meta, quer tenham precedido
historicamente o Verbo feito homem, quer vivam depois da sua vinda na história:
de todos eles é animador o Espírito do Pai, que o Filho do homem doa com
liberalidade (cf. Jo 3,34).
Por isso, o recente
Magistério da Igreja recordou com firmeza e clareza a verdade de uma única
economia divina: «A presença e acção do Espírito não atingem apenas os
indivíduos, mas também a sociedade e a história, os povos, as culturas, as
religiões [...]. Cristo ressuscitado, pela virtude do seu Espírito, actua já no
coração dos homens [...]. É ainda o Espírito que infunde as “sementes do
Verbo”, presentes nos ritos e nas culturas, e as faz maturar em Cristo».38
Embora reconhecendo a função histórico-salvífica do Espírito em todo o universo
e na inteira história da humanidade,39 o Magistério, todavia afirma:
«Este Espírito é o mesmo que operou na encarnação, na vida, morte e
ressurreição de Jesus e opera na Igreja. Não é, portanto, alternativo a Cristo,
nem preenche uma espécie de vazio, como por vezes se julga que exista entre
Cristo e o Logos. O que o Espírito realiza no coração dos homens e na história
dos povos, nas culturas e religiões, assume um papel de preparação evangélica e
não pode deixar de referir-se a Cristo, Verbo feito carne pela acção do
Espírito, “a fim de, como Homem perfeito, salvar todos os homens e recapitular
em Si todas as coisas”».40
Concluindo, a acção do
Espírito não se coloca fora ou ao lado da de Cristo. Trata-se de uma única
economia salvífica de Deus Uno e Trino, realizada no mistério da encarnação,
morte e ressurreição do Filho de Deus, actuada com a cooperação do Espírito
Santo e estendida, no seu alcance salvífico, à inteira humanidade e ao
universo: «Os homens só poderão entrar em comunhão com Deus através de Cristo,
e sob a acção do Espírito».41
(cont.)
________________________________________
Notas:
(23) Conc. Vaticano II, Decl. Nostra aetate,
n. 2. Cf. ainda Conc. Vaticano II, Decr. Ad gentes, n. 9, onde se fala de
elementos de bem, presentes « nos usos e culturas particulares dos povos »;
Const. dogm. Lumen gentium, n. 16, onde se acena a elementos de bem e de
verdade, presentes entre os não cristãos, que podem ser considerados uma
preparação para a aceitação do Evangelho.
(24)
Cf. Conc. de Trento, Decr. de libris sacris et de traditionibus recipiendis:
Denz., n. 1501; Conc. Vaticano I, Const. dogm. Dei Filius, cap. 2: Denz., n.
3006.
(25)
Conc. Vaticano II, Const. dogm. Dei verbum, n. 11.
(26)
Ibid.
(27)
João Paulo II, Carta Enc. Redemptoris missio, n. 55. Cf. ainda n. 56. Cf. Paulo
VI, Exort. apost. Evangelii nuntiandi, n. 53.
(28)
Conc. de Niceia I, Symbolum Nicaenum: Denz., n. 125.
(29)
Conc. de Calcedónia, Symbolum Chalcedonense: Denz., n. 301.
(30)
Conc. Vaticano II, Const. past. Gaudium et spes, n. 22.
(31)
João Paulo II, Carta Enc. Redemptoris missio, n. 6.
(32)
Cf. S. Leão Magno, Tomus ad Flavianum: Denz., n. 294.
(33)
Cf. S. Leão Magno, Litterae «Promisisse me me míni» ad Leonem I imp.: Denz., n.
318: « In tantam unitatem ab ipso conceptu Virginis deitate et humanitate
conserta, ut nec sine homine divina, nec sine Deo agerentur humana». Cf. ainda
ibid.: Denz., n. 317.
(34)
Conc. Vaticano II, Const. past. Gaudium et spes, n. 45. Cf. ainda Conc. de
Trento, Decr. De peccato originali, n. 3: Denz., n. 1513.
(35)
Cf. Conc. Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, nn. 3-4.
(36)
Cf. ibid., n. 7. Cf. S. Ireneu, o qual afirmava que na Igreja « foi
estabelecida a comunhão com Cristo, ou seja, com o Espírito Santo » (Adversus
Haereses III, 24, 1: SC 211, 472).
(37)
Conc. Vaticano II, Const. past. Gaudium et spes, n. 22.
(38)
João Paulo II, Carta Enc. Redemptoris missio, n. 28. Quanto às « sementes do
Verbo » cf. ainda S. Justino, 2 Apologia 8,1-2; 10,1-3; 13,3-6: ed. E.J.
Goodspeed, pp. 84; 85; 88-89.
(39)
Cf. ibid., nn. 28-29.
(40)
Ibid., n. 29.
(41)
Ibid., n. 5.
Subscrever:
Mensagens (Atom)




