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02/11/2016

Evangelho e comentário




Tempo Comum

Todos os fiéis defuntos

Evangelho: Mt 11, 25-30

25 Então Jesus, falando novamente, disse: «Eu Te louvo ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e aos pruden­tes, e as revelaste aos pequeninos. 26 Assim é, ó Pai, porque assim foi do Teu agrado. 27 «Todas as coisas Me foram entregues por Meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai; nem ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar .28 O «Vinde a Mim todos os que estais fatigados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. 29 Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas .30 Por­que o Meu jugo é suave, e o Meu fardo leve».

Comentário:

Acaso já pensámos que de facto somos esses "pequeninos" que o Senhor refere no Evangelho aos quais revela e mostra as verdades da fé, dando a conhecer o Pai?

Chegando a esta conclusão é natural e lógico que nos enchamos de alegria e demos frequentes graças por tão grandes benefícios.

(ama, comentário sobre Mt 11, 25-30, Lisboa, 0211..2012)







29/04/2016

Evangelho, comentário, L. espiritual


Páscoa

Evangelho: Mt 11, 25-30

25 Então Jesus, falando novamente, disse: «Eu Te louvo ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e aos prudentes, e as revelaste aos pequeninos. 26 Assim é, ó Pai, porque assim foi do Teu agrado. 27 «Todas as coisas Me foram entregues por Meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai; nem ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 28 «Vinde a Mim todos os que estais fatigados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. 29 Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. 30 Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo leve».

Comentário:

Acaso já pensámos que de facto somos esses "pequeninos" que o Senhor refere no Evangelho aos quais revela e mostra as verdades da fé, dando a conhecer o Pai?

Chegando a esta conclusão é natural e lógico que nos enchamos de alegria e demos frequentes graças por sermos como somos – como devemos ser – filhos pequenos que precisam de tudo.

(ama, comentário sobre Mt 11, 25-30, Lisboa, 2015.11.02)


Leitura espiritual



SANTO AGOSTINHO – CONFISSÕES

CAPÍTULO XXVIII

Divergências

Para outros essas palavras não são um ninho, mas um vergel (jardim) ensombrado onde descobrem frutos ocultos que procuram e colhem, voando e cantando alegremente.

Quando leem ou ouvem as palavras de Moisés, veem que a tua estável e eterna permanência, ó Deus, domina todos os tempos passados e futuros, e por isso não existe criatura corpórea que não seja obra tua. Veem que a tua vontade, confundindo-se com o teu ser, criou todas as coisas sem sofrer modificação, sem que nasça nela uma decisão nova, que não existisse antes; que criaste o mundo, não tirando da tua substância uma imagem tua, forma substancial de toda a realidade, mas tirando do nada uma matéria informe, diferente de ti mesmo; e esta poderia ser formada à tua imagem pela volta à tua Unidade, segundo a medida previamente estabelecida e concedida a cada ser, de acordo com sua espécie. Veem assim que todas as obras da criação são excelentes, ou porque permanecem próximas a ti, ou porque, afastadas de ti no tempo e no espaço, fazem ou sofrem as admiráveis variedades do mundo. Reconhecem essas coisas, e por isso se alegram na luz da tua verdade, à medida que o podem com as suas forças terrenas.

Outros, reflectindo o sentido destas palavras: “No princípio criou Deus...” – vê no princípio a Sabedoria, porque também ela nos fala.

Outro, ao considerar as mesmas palavras, entende por princípio o começo da criação, e a expressão: “Deus criou no princípio” significa para ele: “Deus primeiramente fez”. E entre os mesmos que por princípio entendem que Deus criou na sua Sabedoria o céu e a terra, um acredita que céu e terra designam a matéria da qual o céu e a terra foram criados; outro pensa que a expressão se aplica a naturezas já formadas e distintas; outro sustenta que a palavra céu significa natureza formada e espiritual, a terra, a natureza informe e material.

Aqueles porém que entendem por céu e terra a matéria ainda informe, com a qual viriam a ser formados o céu e a terra, não têm unanimidade: um concebe essa matéria como origem comum das criaturas sensíveis e espirituais, outro apenas como fonte de massa sensível e corpórea, contendo no seu vasto seio todas as realidades visíveis, oferecidas aos nossos sentidos.

Tampouco são unânimes os que creem que nesse texto céu e terra se referem às criaturas já formadas e dispostas; um acredita que se trata do mundo invisível e visível; outro, apenas do mundo visível, onde se contempla o céu luminoso e a terra tenebrosa, com tudo o que eles contêm.

CAPÍTULO XXIX

Dificuldades

Mas quem interpreta a palavra: “No princípio criou...” como se ela quisesse dizer:
“Primeiramente Deus criou...” – apenas pode entender, por céu e terra, se quiser se manter coerente à verdade, a matéria do céu e da terra, isto é, da criação universal, tanto espiritual como material.

Pois, se quiser referir-se com isso a um universo já inteiramente formado, seríamos levados a indagar-lhe: “Se Deus criou isso antes, o que criou depois?” – Depois de ter criado tudo, não encontrará mais nada para criar e, gostando ou não, ouvirá a pergunta: “Como é possível que Deus tenha criado isso primeiro, se nada criou depois?”

Se ele quer significar que Deus criou primeiro a matéria informe, e depois lhe deu forma, já não é uma tese absurda, desde que seja capaz de discernir a prioridade na eternidade, no tempo, na escolha, na origem. Na eternidade: Deus antecede todas as coisas; no tempo: a flor precede o fruto; na escolha: o fruto vale mais do que a flor; na origem: o som precede o canto.

Dessas quatro prioridades, a primeira e a última dificilmente se compreendem, enquanto é bem fácil entender as outras duas. É de facto raro e difícil conceber a tua eternidade criando, mas conservando-se imutável, as coisas mutáveis e, por isso, antecedendo-as. E precisa de ter uma inteligência penetrante para compreender, sem grande esforço, como o som antecede o canto, uma vez que o canto é o som organizado; e uma coisa pode muito bem existir sem forma, mas o que não existe não pode receber forma. Assim, a matéria é anterior ao que dela se forma e não porque a sua causa seja eficiente, pois também é objecto da criação; nem tampouco porque lhe seja anterior no tempo. De facto, não emitimos num primeiro instante, sons desarticulados e informes, para depois os ligarmos e formar uma melodia e um canto, como se faz com a madeira e a prata ao fabricarmos uma arca ou um vaso.

Com efeito, essas matérias precedem no tempo os objectos que delas são feitos. Mas com o canto não é assim. Quando se canta ouve-se o som do canto: não há em primeiro lugar sons desorganizados, que depois assumem a forma de canto. Logo que ele soa, o som desvanece-se, e não deixa de si nada que se possa coordenar com arte. Por conseguinte, o canto é formado de sons: o som é a sua matéria e, para se transformar em canto, recebe uma forma. A prioridade não se fundamenta num poder criador, porque o som não é o artífice do canto, mas é apenas posto pelo corpo à disposição da alma do cantor, para que dele faça um canto. Nem se trata de prioridade temporal: o som é produzido ao mesmo tempo que o canto. Tampouco se trata de prioridade de escolha: o som não é superior ao canto, pois o canto nada mais é que som, mas um som bonito. Trata-se apenas de uma prioridade de origem, pois o canto não recebe forma para se tornar som, mas o som para se tornar canto.

Compreende-se por esse exemplo, que a matéria das coisas foi criada antes, e chamada céu e terra, porque dela foram formados o céu e a terra. Não foi criada antes em sentido cronológico, porque o tempo só tem início com a forma das coisas; ora, a matéria era informe, e tornou-se perceptível juntamente com o tempo. Todavia, não se pode mencionar nada dessa matéria a não ser alguma prioridade temporal, embora ocupe a última posição na escala de valores, pois o que tem forma é evidentemente superior ao que é informe. Ou que foi precedida pela eternidade do Criador, que a fez para que fossem feitas do nada todas as coisas.

CAPÍTULO XXX

Espírito de caridade

Nessa diversidade de opiniões verdadeiras, que da própria verdade brote a concórdia! Que o nosso Deus tenha compaixão de nós, para que usemos legitimamente da lei segundo o preceito que tem por fim a pura caridade.

Por isso, se me perguntarem qual dessas opiniões foi a do teu servo Moisés, eu não seria coerente com as minhas confissões se não te confessasse que o ignoro.

Sei, contudo, que essas opiniões são verdadeiras, a não meras interpretações materialistas, sobre as quais já disse tudo o que pensava. São como meninos esperançosos aqueles que não temem as palavras do teu Livro, tão profundas na sua humildade, tão eloquentes na sua concisão. Mas nós todos que, eu o declaro, distinguimos e dizemos a verdade sobre tais palavras, amemo-nos uns aos outros; e amemos-te igualmente a ti, nosso Deus, fonte da Verdade, pois temos sede, não de fantasias, mas da própria Verdade. Honremos o teu servo, que nos legou a tua Escritura, cheio do teu espírito, e estejamos certos que, ao escrever as palavras que lhe revelaste, ele teve em mira as revelações mais salientes da verdade e os seus frutos proveitosos.

CAPÍTULO XXXI

O Génesis e seu autor

Assim, quando alguém me diz: “O pensamento de Moisés é o meu” – e outro diz: “Não, ele pensou como eu” – parece-me mais consoante com espírito religioso dizer: “Por que não admitir ambos os pontos de vista, se ambos são verdadeiros?” – E se alguém descobrir um terceiro, um quarto sentido, e outros mais, desde que sejam verdadeiros, por que não acreditar que Moisés viu todos eles, ele por cujo intermédio o Deus único adaptou as Escrituras à inteligência da multidão, que deveria descobrir-lhe significados diversos e verdadeiros?

Por mim, digo-o sem hesitar e do fundo do coração: se, investido da mais alta autoridade, tivesse algo a escrever, preferiria fazê-lo de modo que as minhas palavras proclamassem tudo o que cada um pudesse conceber de verdadeiro sobre isso, em vez de propor um significado único e claro que excluísse todos os demais, cuja falsidade não me pudesse ofender. E também não quero, meu Deus, ser tão temerário ao ponto de acreditar que esse grande homem não mereceu de ti essa graça.

Moisés, redigindo esses textos, pensou, concebeu todas as verdades que já fomos capazes de encontrar, e também as que não o pudemos, mas que podem ser descobertas.

CAPÍTULO XXXII

Oração

Enfim, Senhor, tu que és Deus, e não carne e sangue, se um homem não pôde ver tudo por completo, poderia o teu Espírito bom, que me deve conduzir à terra da rectidão, desconhecer algo do que tencionavas revelar por essas palavras a seus leitores vindouros, apesar do teu mensageiro não entender senão um dos numerosos sentidos verdadeiros? Se assim é, o sentido que ele pensou ser o mais elevado de todos. Mas revela-nos a nós, Senhor, esse sentido ou algum outro que for do teu agrado e real; e quer nos mostres o mesmo sentido que ao homem de Deus, quer seja outro, inspirado pelas mesmas palavras, alimenta o nosso espírito, guarda-nos da ilusão do erro.

Eis, Senhor meu Deus! Quantas páginas escrevi sobre tão poucas palavras! Deste modo, as minhas forças e o meu tempo serão suficientes para examinar todos os teus livros? Permite-me, pois, abreviar as minhas confissões e adoptar uma única interpretação, que me farás escolher como verdadeira, certa e boa, entre as muitas outras que me poderão ocorrer. Que a minha confissão seja suficientemente fiel para que eu tenha exactidão ao exprimir o pensamento do teu servo, pois para tal me esforçarei; e, se não o conseguir, que eu pelo menos diga o que a tua Verdade me quis dizer pelas suas palavras, como ela disse a Moisés o que lhe aprouve.

(Revisão de versão portuguesa por ama)


02/11/2015

Evangelho, comentário, L. espiritual


Tempo comum XXXI Semana

Todos os fiéis defuntos

Evangelho: Mt 11, 25-30

25 Então Jesus, falando novamente, disse: «Eu Te louvo ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e aos prudentes, e as revelaste aos pequeninos. 26 Assim é, ó Pai, porque assim foi do Teu agrado. 27 «Todas as coisas Me foram entregues por Meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai; nem ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 28 O «Vinde a Mim todos os que estais fatigados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. 29 Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. 30 Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo leve».

Comentário:

Quem não tem a experiência de que é absolutamente verdade o que o Senhor diz nos dois últimos versículos deste trecho de São Mateus?
Quando nos entregamos nas Suas mãos com abandono e confiança totais os nossos problemas e vicissitudes ficam como que esbatidas e perdem a “força” que nos condicionava.
Podem continuar a existir mas já não nos oprimem nem tiram a paz interior e, então, aos poucos vamos caminhando para uma solução que até então parecia não existir.

Note-se bem que o Senhor não promete resolver os nossos problemas – compete-nos a nós embora possamos e devamos pedir o Seu auxílio - mas sim dar-nos a paz e a tranquilidade que nos falta.

(ama, comentário sobre Mt 11, 28-30, 2015.07.16)


Leitura espiritual


São Josemaria Escrivá

Temas actuais do cristianismo ([i])

96             
A infecundidade matrimonial - pelo que pode implicar de frustração - é fonte, por vezes, de desavenças e incompreensões. Qual é, em sua opinião, o sentido que devem dar ao matrimónio os esposos cristãos que não têm descendência?

Em primeiro lugar, dir-lhes-ei que não devem dar-se por vencidos com demasiada facilidade. É preciso pedir a Deus que lhes conceda descendência, que os abençoe - se for essa a sua vontade - como abençoou os Patriarcas do Antigo Testamento. Depois, é conveniente que recorram a um bom médico, elas e eles. Se, apesar de tudo, o Senhor não lhes dá filhos, não devem ver nisso nenhuma frustração, devem ficar satisfeitos, descobrindo nesse facto precisamente a Vontade de Deus em relação a eles. Muitas vezes, o Senhor não dá filhos porque pede mais. Pede que se tenha o mesmo esforço e a mesma entrega delicada ajudando o próximo, sem o júbilo bem humano de ter tido filhos. Não há, pois, motivo para se sentirem fracassados, nem para dar lugar à tristeza.

Se os esposos têm vida interior, compreenderão que Deus os insta, levando-os a fazer da sua vida um generoso serviço cristão, um apostolado diferente do que realizariam com os seus filhos, mas igualmente maravilhoso.

Que olhem à sua volta, e descobrirão imediatamente pessoas que necessitam de ajuda, de caridade e de carinho. Há, além disso, muitas ocupações apostólicas em que podem trabalhar. E, se sabem pôr o coração nessa tarefa, se se sabem dar generosamente aos outros, esquecendo-se de si próprios, terão uma fecundidade esplêndida, uma paternidade espiritual que encherá a sua alma de verdadeira paz.

As soluções concretas podem ser diferentes em cada caso, mas, no fundo, todas se reduzem a ocupar-se dos outros com afã de servir, com amor. Deus recompensa sempre aqueles que têm a generosa humildade de não pensarem em si mesmos, dando às suas almas uma profunda alegria.

97             
Há casais em que a mulher - por qualquer razão - se encontra separada do marido, em situações degradantes e insustentáveis. Nesses casos, torna-se-lhes difícil aceitar a indissolubilidade do vínculo matrimonial. Estas mulheres separadas do marido lamentam que se lhes negue a possibilidade de construir um novo lar. Que resposta daria a estas situações?

Diria a essas mulheres, compreendendo o seu sofrimento, que também podem ver nessa situação a Vontade de Deus, que nunca é cruel, porque Deus é Pai amoroso. É possível que por algum tempo a situação seja especialmente difícil, mas, se recorrerem ao Senhor e à sua Santa Mãe, não lhes faltará a ajuda da graça.

A indissolubilidade do matrimónio não e um capricho da Igreja e nem sequer uma mera lei positiva eclesiástica. É de lei natural, de direito divino, e corresponde perfeitamente à nossa natureza e à ordem sobrenatural da graça. Por isso, na imensa maioria dos casos, é condição indispensável de felicidade dos cônjuges, e de segurança, mesmo espiritual, para os filhos. E sempre - ainda nesses casos dolorosos de que falámos - a aceitação rendida da vontade de Deus traz consigo uma profunda satisfação, que nada pode substituir. Não é um recurso, não é uma simples consolação, é a essência da vida cristã.

Se essas mulheres já têm filhos a seu cargo, hão-de ver nisso uma exigência contínua de entrega amorosa, maternal, então especialmente necessária para suprir nessas almas as deficiências de um lar dividido. E hão-de entender generosamente que essa indissolubilidade, que para elas implica sacrifício, é para a maior parte das famílias uma defesa da sua integridade, algo que enobrece o amor dos esposos e impede o desamparo dos filhos.

Este assombro em face da aparente dureza do preceito cristão da indissolubilidade não é novo. Os Apóstolos estranharam quando Jesus o confirmou. Pode parecer uma carga, um jugo; mas o próprio Cristo disse que o seu jugo é suave e a sua carga leve.

Por outro lado, reconhecendo embora a inevitável dureza de bastantes situações - as quais, em não poucos casos, se poderiam e deveriam ter evitado -, é necessário não dramatizar demasiado. A vida de uma mulher nessas condições será realmente mais dura que a de outra mulher maltratada, ou que a vida de quem padece algum dos outros grandes sofrimentos físicos ou morais que a existência traz consigo?

O que verdadeiramente torna uma pessoa infeliz - e até uma sociedade inteira - é essa busca ansiosa de bem-estar, o cuidado de eliminar, seja como for, tudo o que nos contrariar. A vida apresenta mil facetas, situações diversíssimas, umas árduas, outras, talvez só na aparência, fáceis. A cada uma delas corresponde a sua própria graça; cada uma é uma chamada original de Deus, uma ocasião inédita de trabalhar, de dar o testemunho divino da caridade. A quem sentir a angústia de uma situação difícil, eu aconselharia que procurasse também esquecer-se um pouco dos seus próprios problemas para se preocupar com os problemas dos outros. Fazendo isto, terá mais paz e, sobretudo, santificar-se-á.

98             
Um dos bens fundamentais da família está em gozar de uma paz familiar estável. Contudo, infelizmente, não é raro que, por motivos de carácter político ou social, uma família se encontre dividida. Como pensa que se possam superar esses conflitos?

A minha resposta não pode ser senão uma: conviver, compreender, desculpar. O facto de que alguém pense de maneira diferente da minha - especialmente quando se trata de coisas que são objecto da liberdade de opinião - não justifica de modo nenhum uma atitude de inimizade pessoal, nem sequer de frieza ou de indiferença. A minha fé cristã diz-me que é necessário viver a caridade com todos, inclusive com aqueles que não têm a graça de crer em Jesus Cristo. Como se não há-de viver a caridade quando, unidos pelo mesmo sangue e a mesma fé, há divergências em coisas opináveis? Mais ainda, como nesses terrenos ninguém pode pretender estar na posse da verdade absoluta, o convívio mútuo, cheio de afecto, é um meio concreto para aprender dos outros o que eles nos podem ensinar, e também para que os outros aprendam, se quiserem, o que cada um daqueles que com eles convivem lhes pode ensinar, que sempre será alguma coisa.

Não é cristão, nem sequer humano, que uma família se divida por estas questões. Quando se compreende a fundo o valor da liberdade, quando se ama apaixonadamente esse dom divino da alma, ama-se o pluralismo que a liberdade traz consigo.

Vou dar o exemplo daquilo que se vive no Opus Dei, que é uma grande família de pessoas unidas pelo mesmo fim espiritual. Naquilo que não é de fé, cada um pensa e actua como quer, com a liberdade e a responsabilidade pessoal mais completas. E o pluralismo que, lógica e sociologicamente, deriva deste facto, não constitui nenhum problema para a Obra. Mais, esse pluralismo é uma manifestação de bom espírito. Precisamente porque o pluralismo não é temido, mas amado como legítima consequência da liberdade pessoal, as diversas opiniões dos sócios não impedem no Opus Dei a máxima caridade no convívio, a compreensão mútua. Liberdade e caridade - estamos a falar sempre do mesmo. E são de facto condições essenciais: viver com a liberdade que Jesus Cristo para nós ganhou, e viver a caridade que Ele nos deu como mandamento novo.

99             
Acaba de falar da unidade familiar como de um grande valor. Isto pode dar ocasião à minha pergunta seguinte como é que o Opus Dei não organiza actividades de formação espiritual onde participem juntamente marido e mulher?

Nisto, como em tantas outras coisas, nós os cristãos temos a possibilidade de escolher entre várias soluções, de acordo com as preferências ou opiniões próprias, sem que ninguém possa pretender impor-nos um sistema único. É preciso fugir, como da peste, dessa maneira de conceber a pastoral e, em geral, o apostolado, que não parece mais do que uma nova edição, corrigida e aumentada, do partido único na vida religiosa.

Sei que há grupos católicos que organizam retiros espirituais e outras actividades formativas para casais. Parece-me muitíssimo bem que, usando da sua liberdade, façam o que consideram conveniente e que também vão a essas actividades os que encontram nelas um meio que os ajuda a viver melhor a sua vocação cristã. Mas considero que não é essa a única possibilidade e nem sequer é evidente que seja a melhor.

Há muitas facetas da vida eclesial que os casais, e inclusivamente toda a família, podem e, às vezes, devem viver juntos, como seja a participação no Sacrifício Eucarístico e em outros actos do culto. Penso, no entanto, que determinadas actividades de formação espiritual são mais eficazes se a elas forem separadamente o marido e a mulher. Por um lado, afirma-se mais o carácter fundamentalmente pessoal da própria santificação, da luta ascética, da união com Deus, que depois reverterá a favor dos outros, mas onde a consciência de cada um não pode ser substituída. Por outro lado, assim é mais fácil adequar a formação às exigências e às necessidades pessoais de cada um, e inclusivamente à sua própria psicologia. Isto não quer dizer que, nessas actividades, se prescinda do estado matrimonial dos assistentes - nada mais longe do espírito do Opus Dei.

Há quarenta anos que venho dizendo de palavra e por escrito que cada homem, cada mulher, tem de se santificar na sua vida habitual, nas condições concretas da sua existência quotidiana; que, portanto, os esposos têm de se santificar vivendo com perfeição as suas obrigações familiares. Nos retiros espirituais e em outros meios de formação que o Opus Dei organiza e aos quais assistem pessoas casadas, procura-se sempre que os esposos tomem consciência da dignidade da sua vocação matrimonial e que com a ajuda de Deus se preparem para vivê-la melhor.

Em muitos aspectos, as exigências e as manifestações práticas do amor conjugal são diferentes para o homem e para a mulher. Com meios de formação específicos, pode-se ajudar cada um a descobri-los eficazmente na realidade da sua vida, de modo que essa separação de umas horas ou de uns dias fá-los estar mais unidos e amarem-se mais e melhor ao longo de todo o outro tempo, com um amor também cheio de respeito.

Repito que nisto não pretendemos sequer que o nosso modo de actuar seja o único bom, ou que toda a gente o deva adoptar. Parece-me simplesmente que dá muito bons resultados e que há razões sólidas - além de uma longa experiência - para proceder assim, mas não ataco a opinião contrária.

Além disso, devo dizer que, se no Opus Dei seguimos este critério para determinadas iniciativas de formação espiritual, em variadíssimas actividades de outro género os casais participam e colaboram como tais. Penso, por exemplo, no trabalho que se faz com os pais dos alunos em colégios dirigidos por membros do Opus Dei, nas reuniões, conferências, tríduos, etc., especialmente dedicados aos pais dos estudantes que vivem em Residências dirigidas pela Obra.

Como vê, quando a natureza da actividade requer a presença do casal, são marido e mulher quem participa nestes trabalhos. Mas este tipo de reuniões e iniciativas é diferente dos que se dirigem directamente à formação espiritual pessoal.

100           
Continuando a tratar da vida familiar, queria agora centrar a minha pergunta na educação dos filhos e nas relações entre pais e filhos. A alteração da situação familiar em nossos dias leva, algumas vezes, a que não seja fácil o entendimento mútuo, e inclusivamente gera a incompreensão, dando-se aquilo a que se tem chamado conflito de gerações. Como se pode superar isto?

O problema é antigo, se bem que talvez agora se apresente com mais frequência ou de forma mais aguda, por causa da rápida evolução que caracteriza a sociedade actual. É perfeitamente compreensível e natural que os jovens e os adultos vejam as coisas de modo diferente. Sempre assim foi. O mais surpreendente seria que um adolescente pensasse da mesma maneira que uma pessoa madura. Todos sentimos impulsos de rebeldia para com os mais velhos quando começamos a formar o nosso critério com autonomia, e todos também, com o correr dos anos, compreendemos que os nossos pais tinham razão em muitas coisas, que eram fruto da sua experiência e do amor por nós. Por isso compete em primeiro lugar aos pais - que já passaram por esse transe - facilitar o entendimento, com flexibilidade, com espírito jovial, evitando esses possíveis conflitos com amor inteligente.

Aconselho sempre os pais que procurem tornar-se amigos dos filhos. Pode-se harmonizar perfeitamente a autoridade paterna, que a própria educação requer, com um sentimento de amizade que exige pôr-se de alguma maneira ao mesmo nível dos filhos. Os jovens - mesmo os que parecem mais indóceis e desprendidos - desejam sempre essa aproximação com os pais. O segredo costuma estar na confiança. Que os pais saibam educar num clima de familiaridade, que nunca dêem a impressão de que desconfiam, que dêem liberdade e que ensinem a administrá-la com responsabilidade pessoal. É preferível que se deixem enganar alguma vez. A confiança que se põe nos filhos faz com que eles próprios se envergonhem de terem abusado, e se corrijam. Pelo contrário, se não têm liberdade, se vêem que não se confia neles, sentir-se-ão levados a enganar sempre.

Essa amizade de que falo, esse saber pôr-se ao nível dos filhos facilitando-lhes que falem confiadamente dos seus pequenos problemas, torna possível algo que me parece de grande importância: que sejam os pais quem dê a conhecer aos filhos a origem da vida, de um modo gradual, adaptando-se à sua mentalidade e à sua capacidade de compreender, antecipando-se um pouco à sua natural curiosidade. É necessário evitar que os filhos rodeiem de malícia esta matéria, que aprendam uma coisa em si mesma nobre e santa por uma má confidência dum amigo ou duma amiga. Isto mesmo costuma ser um passo importante para firmar a amizade entre pais e filhos, impedindo uma separação exactamente no despertar da vida moral.

Por outro lado, os pais têm também de procurar manter o coração jovem, para que lhes seja mais fácil receber com simpatia as aspirações nobres e inclusivamente as extravagâncias dos filhos. A vida muda e há muitas coisas novas que talvez não nos agradem - é possível até que não sejam objectivamente melhores que outras de antes - mas que não são más, são simplesmente outros modos de viver sem transcendência de maior. Em não poucas ocasiões, os conflitos aparecem porque se dá importância a ninharias que se superam com um pouco de perspectiva e de sentido de humor.

(cont)




[i] Entrevista realizada por Pilar Salcedo, publicada em Telva (Madrid), em 1 de Fevereiro de 1968 e reproduzida em Mundo Cristiano (Madrid) em 1 de Março do mesmo ano.

29/04/2015

Evangelho, comentário L. Espiritual (A beleza de ser cristão)



Semana IV da Páscoa

Santa Catarina de Sena – Doutora de Igreja

Evangelho: Mt 11 25-30

25 Então Jesus, falando novamente, disse: «Eu Te louvo ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e aos prudentes, e as revelaste aos pequeninos. 26 Assim é, ó Pai, porque assim foi do Teu agrado. 27 «Todas as coisas Me foram entregues por Meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai; nem ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 28 O «Vinde a Mim todos os que estais fatigados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. 29 Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. 30 Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo leve».

Comentário:

São bem conhecidos os que aceitaram esse Teu suave jugo: são os santos que veneramos, que queremos imitar.

É bem verdade:

a Tua carga é leve porque dás a força necessária para a suportar e o Teu jugo é suave porque não sujeita nem obriga, é antes guia e segurança para o caminho.

(ama, comentário sobre Mt 11, 25-27, 2010.11.02)


Leitura espiritual

a beleza de ser cristão

PRIMEIRA PARTE

O QUE É SER CRISTÃO?

I.            Relações que Deus estabelece com o homem.

…/15

Já assinalámos que a única vida que Deus nos impõe é a vida humana, o ser criaturas. Vida que, ainda que sendo recebida sem opção da nossa parte para não a aceitar, não deixa de ser um dom divino; origem e fundamento de toda a grandeza humana.
A «vida cristã” a realidade de «ser nova criatura”, é também um dom de Deus; e certamente nos configura como «seus filhos”, não nos deixa indiferentes.
Podemos, todavia, rejeitá-la, se sendo conscientes da oferta que Deus nos faz, não desejamos aceitá-la, como é o caso das pessoas não baptizadas na sua infância e que não aceitam receber o Baptismo tampouco quando já adultos.
E, além do mais, ainda que tendo recebido o Baptismo na infância, está nas nossas mãos fazer com que a «participação na natureza divina” que se nos concede, e a acção da graça em nós que a acompanha, seja eficaz ou inoperante.
Uma vez recebida a Graça, aceite, e aberto o nosso espírito à sua acção, a capacidade de ser «filhos de Deus em Cristo” o corpo e as potências do homem abrem-se à santidade, à união com Deus, como filhos adoptivos, e deitam raízes e desenvolvem-se em cada cristão; na liberdade de cada cristão, qe se manifesta expressamente no desejo de amar a Deus e na decidida rejeição do pecado.
São Paulo exprime-o com estas palavras: «Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.
Pois não recebestes um espírito de escravos para recair no temor; antes recebeste um espírito de filhos adoptivos, que nos faz clamar: Abbá, Pai!
O próprio Espírito se une ao nosso espírito para dar testemunho de que somos filhos de Deus. E, seus filhos, também, herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, já que sofremos com Ele, para ser também glorificados com Ele”.[i]

A CONFIRMAÇÃO

O nosso ser criatura tem consigo uma capacidade para desenvolver as potências e as qualidades que cada um de nós tem como seres humanos.
O nosso «eu”, esse núcleo vital de cada ser humano que é a «pessoa”, encarrega-se de pôr em marcha a nossa «riqueza humana”.
Como poderemos desenvolver a «riqueza sobrenatural” que recebemos no Baptismo e chegar a viver como verdadeiros filhos de Deus em Cristo, «participando da natureza divina”?
Este é o principal trabalho do segundo sacramento da iniciação cristã: a Confirmação.
«O efeito do sacramento da Confirmação é a efusão especial do Espírito Santo, como foi concedida num outro tempo aos Apóstolos no dia de Pentecostes”.[ii]
O Senhor ao despedir-se dos Apóstolos, prometeu-lhes a chegada do Espírito Santo e anunciou-lhes a obra que o Paráclito levaria a cabo na alma de cada um deles e no espírito de todos os crentes, através dos séculos.
Manifestar a existência do Espírito Santo e prometer o seu envio aos homens, começando pelos Apóstolos, foi como que o encerrar definitivo da sua Revelação.
O anúncio de Jesus Cristo consta de duas fases: «O Paráclito. O Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará e recordará quanto vos disse.[iii]
Pouco depois, O Senhor afirma: «O Espírito da verdade vos guiará até à verdade completa, pois não falará por sua conta, mas sim pelo que oiça e vos ensinará o que há-de vir… Receberá do que é meu e vo-lo comunicará”.[iv]
O Espírito Santo, ao ensinar-nos e dar-nos a Verdade, o próprio Cristo, e ao enxertar-nos nele, permite-nos viver com Cristo e, vivendo com Cristo, com a Pessoa de Cristo, torna possível que cada um de nós esteja em condições de desenvolver as potencialidades sobrenaturais recebidas na «participação da natureza divina”, no Baptismo.
A Confirmação leva a cabo definitivamente a consolidação de cada pessoa na sua nova vida cristã, em Deus, tanto no plano do «ser” com o no do «actuar”.
Esta acção fica expressa nestas palavras: «A Confirmação imprime na alma uma marca espiritual indelével, o «carácter”, que é o sinal que Jesus Cristo marcou o cristão com o selo do seu Espírito revestindo-o com a força do alto para que seja sua testemunha”.[v]
Os efeitos da Confirmação promovem o crescimento da «nova criatura em Cristo”, que cada cristão é.
Esta acção do Sacramento ocorre seguindo um duplo canal: desenvolvendo a graça baptismal, que introduz mais profundamente o cristão na filiação divina; e aperfeiçoando o sacerdócio comum dos fieis – que mais adiante consideramos -, que dá o poder de confessar publicamente a fé de Cristo, e como que em virtude de um cargo.[vi]
A acção do Espírito Santo não se reflecte, portanto, na consciência de ser «nova criatura”, que o cristão vai adquirindo, consciência que o leva a saber-se, e a ser, «filho de Deus”, capaz de clamar «Abbá, Pai”.
Toda esta consolidação da consciência da filiação divina é obra da acção dos dons do Espírito Santo, que actuam no baptizado desde o primeiro instante da sua vida cristã, como veremos oportunamente. 
A acção do Espírito Santo, que, em primeiro lugar, fortalece o interior da pessoa do crente reflecte-se para o exterior, na condição social do homem e nas suas acuações públicas, concedem-lhe uma força especial para difundir e defender a fé mediante a palavra e as obras «como verdadeiras testemunhas de Cristo”, para confessar com valentia o o nome de Cristo e para jamais sentir vergonha da cruz”.[vii]
A Confirmação, portanto, sublinha com clareza a dignidade a que foram chamados os cristãos: a viver com Deus e em Deus, sendo filhos de Deus; e manifestando a grandeza deste viver em Cristo com as suas obras e com as suas acções, porque também estão chamados a ser testemunhas vivas da vida – no céu e na terra – de Cristo morto e ressuscitado.
Testemunhas, portanto, não só da permanência e estada de Cristo no tempo e no agora da vida dos homens, mas também do viver de Cristo na eternidade do Céu.
Viver com Cristo, guiados pelo Espírito Santo e participando da natureza divina, comporta uma plenitude de vida, uma riqueza de espirito, que logicamente se traduz em testemunho da vida de Cristo entre nós, no meio das mais variadas situações do viver.
A vida do cristão confirmado tende a converter-se num testemunho real do viver de Cristo.
Porque esta vida em Cristo é também «vida de Cristo em nós”, e não só é o Espírito Santo que clama dentro de nós «Abbá, Pai”; é também Cristo que nos une ao seu sacerdócio e nos faz viver, a todos os fiéis cristãos, membros da Igreja, o seu próprio sacerdócio de oferecimento, de intercessão, de reparação, de acção de graças a Deus Pai.
Na verdade podemos dizer que a acção Espírito Santo que recebemos na Confirmação nos une firmemente e Cristo, os ajuda a identificarmo-nos com Ele, a fazer com que o próprio Cristo cresça em nós no espírito.
Um crescimento que contem uma certa analogia – guardadas, logicamente todas as distâncias – com o crescimento de Cristo em Maria, na carne de Maria.
Quando considerarmos os dons do Espírito Santo e os seus Frutos no nosso eu, sublinharemos a realidade da conversão do cristão no próprio Cristo, que torna possível desenvolver a capacidade de entender e de actuar para dirigir todo o bem, «ao bem dos que amamos a Deus”.

IX. OS SACRAMENTOS (II)

A EUCARISTIA

O terceiro sacramento da iniciação cristã é a Eucaristia.
«A Sagrada Eucaristia culmina a iniciação cristã.
Os que foram elevados à dignidade do sacerdócio rela pelo Baptismo e mais profundamente configurados com Cristo pela Confirmação, participam, por meio da Eucaristia, com toda a comunidade no próprio sacrifício do Senhor”.[viii]
Que significado pode ter esse «culminar a iniciação cristã”?
 Acaso falta alguma qualidade ao Baptismo na sua missão de converter o cristão em nova criatura, em filho de Deus em Cristo?
 Acaso a Confirmação não comunica o Espírito Santo ao fiel cristão, que vai tornar possível que Cristo nasça nele, entenda o que Cristo lhe ensinou e seja testemunha de Cristo com e na sua vida?
Já assinalámos que os mistério da graça afecta pessoalmente o homem em todos os planos do seu viver: o do «ser” e o do «actuar”.
 O Baptismo realiza a sua missão de introduzir no espírito do baptizado a «participação na natureza divina”: esse é o plano do «ser” em que fica constituído o nosso ser «nova criatura”.
A Confirmação dá ao homem a capacidade de entender, no Espírito Santo, o sentido dessa «nova natureza”, dom de Deus Pai.
O homem compreende assim o sentido da sua vida, da sua existência como «nova criatura”, e já está em condições de levara a cabo o novo viver, que o Baptismo implica; de «actuar” verdadeiramente como cristão.
Na Eucaristia, o cristão vive, além de uma «participação na natureza divina”, enquanto «natureza”, um encontro pessoal com Deus, na Pessoa de Cristo.

(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)






[i] Rm 8, 14-17
[ii] Catecismo n. 1032
[iii] Jo 14, 26
[iv] Jo 16, 13-15
[v] Catecismo n.1304
[vi] cfr. Catecismo, nn. 1304 e 1305
[vii] Catecismo n. 1303
[viii] Catecismo n. 1322