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22/11/2012

CULTIVAR A FÉ 2


PARA TERRAS LONGÍNQUAS

A fidelidade de Deus aviva a nossa esperança. À luz da fé, nenhum homem deveria duvidar de que o Senhor lhe oferece o Seu amor e amizade e este fundamento da nossa esperança é, ao mesmo tempo, estímulo para a nossa resposta fiel ao amor de Deus.

Diversas passagens dos Evangelhos contam como Jesus Cristo louva a fidelidade dos homens. Assim, no elogio do administrador fiel e prudente, que espera a chegada do seu amo, o Senhor alegra-se anunciando a recompensa dessa atitude: Feliz esse servo a quem o senhor, ao voltar, encontrar assim ocupado. Em verdade vos digo: Há-de confiar-lhe todos os seus bens [i].

Esta mesma ideia aparece refletida na parábola dos talentos. São Josemaria comentou-a repetidas vezes e via algo semelhante a uma fórmula de canonização nas palavras dirigidas ao servo bom e fiel.

A história começa quando um homem ao partir para fora, chamou os servos e confiou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada qual conforme a sua capacidade; e depois partiu [ii]. À semelhança desses servos, Deus pôs à disposição de cada homem um dom totalmente gratuito: uma vida que é, ao mesmo tempo, vocação à comunhão com o Criador. No entanto, Mateus destaca que o dom corresponde à capacidade de cada um: a um, entrega cinco talentos, porque sabe que é capaz de gerir essa quantidade; a outro, dois e, ao último, um. Deus – falando em termos humanos – utiliza “a justiça das mães”: dá a cada um de acordo com aquilo que pode aguentar, de acordo com as possibilidades que Ele mesmo pôs em cada pessoa.

No nosso caso, juntamente com muitos outros dons, talvez nos tenha confiado uma vocação, um caminho, um modo de viver na Igreja. É o talento que melhor corresponde ao nosso ser, pois o conhecimento que Deus tem de nós é amor criativo. Ninguém, portanto, pode pensar que Deus lhe pede demasiado, ou que se excedeu com ele, ou que o colocou num lugar que não é o seu, ou que as suas forças são escassas para a tarefa encomendada; a todos dá a Sua graça e dá-a na medida em que faz falta a cada um; e, simultaneamente, Deus pede muito: tudo!

O Senhor espera que correspondamos ao Seu dom administrando-o com prontidão, constância e iniciativa. Assim atuaram a maioria dos servos da parábola: Aquele que recebeu cinco talentos negociou com eles e ganhou outros cinco. Da mesma forma, aquele que recebeu dois ganhou outros dois [iii]. O importante aqui não é onde foi o servo, mas a sua generosidade, pois imediatamente se pôs a procurar onde investir o seu dote.

Uma parte não pequena de uma vida com êxito consiste precisamente nisso, em desenvolver as capacidades recebidas, intelectuais, de simpatia, de amabilidade, de relação, de trabalho, para pôr todas essas aspirações aos pés do amo, de tal maneira que Jesus aí possa entrar com liberdade e que não se convertam no ídolo do próprio egoísmo [iv].

m. díez, j. morales, j. verdiá, 2012.02.27

Nota: Revisão gráfica por ama.



[i] Mt 24, 46-47.
[ii] Mt 25, 14-15.
[iii] Mt 25, 16-17.
[iv] Cfr. Amigos de Deus, n. 21.

21/11/2012

CULTIVAR A FÉ 1


Fazer frutificar os talentos

Uma parte não pequena de uma vida com êxito consiste precisamente nisso, em desenvolver as capacidades recebidas. Neste artigo medita-se a parábola dos talentos.

Não foi por serdes mais numerosos que outros povos que o SENHOR se agradou de vós e vos escolheu; vós até éreis o mais pequeno de todos os povos. Porque o Senhor vos ama e é fiel ao juramento que fez a vossos pais [i]. Cada homem foi fruto de um amor de predileção; ao dar a vida às criaturas humanas, Deus quer que todas participem da Sua bondade e felicidade, quer ser amado livremente por elas.

Apesar dos homens o esquecerem ou desprezarem, Ele não cessa de os procurar, de andar à sua volta, de pedir a sua correspondência; o Seu desígnio não se altera, o Seu amor nunca acaba. Ele é o Deus fiel; pelo Seu amor infinito, não se arrepende dos Seus dons.

As primeiras páginas do Antigo Testamento mostram como a fidelidade do Criador não depende das debilidades e traições das Suas criaturas. Ao pecado de Adão e Eva, o Senhor responde com os Seus cuidados paternais: veste-os com amor, promete-lhes um redentor; perante as infidelidades do povo de Israel, o Senhor manifesta-se sempre como um Deus compassivo e misericordioso, lento para a ira e rico em misericórdia e fidelidade [ii], disposto a perdoar, a acolher as petições dos profetas em favor do povo pela fidelidade às suas promessas [iii].

No Novo Testamento, a fidelidade e o amor divinos atingem a sua máxima expressão: a Encarnação do Filho sela de um modo novo a Aliança de Deus com toda a humanidade. Jesus Cristo constituiu-nos parte do Seu Corpo Místico e assim o homem pode ser autenticamente filho de Deus no Filho unigénito, participando da vida divina. Cristo realiza, plenamente e para sempre, o que Moisés tinha pedido a Yahvé: «Se tu mesmo não vieres connosco, não nos obrigues a partir deste lugar. Como havemos de saber que eu e o teu povo alcançámos graça aos teus olhos? Para isso, não será indispensável que caminhes connosco? [iv].

m. díez, j. morales, j. verdiá, 2012.02.27

Nota: Revisão gráfica por ama.



[i] Dt 7, 7-8.
[ii] Ex 34, 6; cfr. Gn 3, 21; 3, 15.
[iii] Cfr. Gn 32, 9-18.
[iv] Ex 33, 15-16.