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16/12/2011

Maria da Conceição

Maria da Conceição era uma rapariga de 15 anos pouco dada aos estudos. Frequentava a escola para estar com os colegas e sair de casa todos os dias. Namorava muito. Ficou grávida e a mãe disse-lhe que “tinha de se fazer à vida”. Não a queria lá em casa porque a vergonha era muita. 

A São procurou um trabalho que lhe desse tecto para si e para o filho que dentro de meses iria nascer. Encontrou um casal de reformados que a contratou. Ali nasceu o João, no meio da estima e cuidados dos senhores da casa e da mãe. O pai do João falecera antes de ele nascer. 

A São era uma rapariga muito bonita e, movida por um certo ciúme (não fora o patrão encantar-se pela empregada) a dona da casa propôs-lhe que deixasse o João e fosse fazer um curso correspondente ao 12.º ano para uma cidade bem longe dali. 

Com quase 17 anos a São deixou o filho entregue aos cuidados daquele casal que lhe parecia tão solícito e amigo. 

Passados alguns meses o coração do senhor General não resistiu e o João ficou apenas entregue aos cuidados da D. Anita que, dois ou três meses após foi à Segurança Social contar a sua história com a São e com o João.

As profissionais da Segurança Social comunicaram ao Tribunal que a São tinha abandonado o João porque há mais de um ano não vivia com ele. E, atenta a idade da D. Anita e a sua viuvez, o João deveria ser entregue para adopção por um casal que lhe desse um futuro promissor.

A Maria da Conceição viu-se envolvida num processo judicial que tinha por objecto declarar o João em estado de abandono e em condições para ser adoptado.

Como o tempo não pára, a São já tinha 19 anos e o João quase 4 anos. A São vivia com um bom homem, o António, que tinha uma condição económica muito razoável, que a amava, a estimava e lhe dava uma família. De tudo foi feita prova. Mas, lá estiveram, em julgamento, os técnicos da Segurança Social a debitar as razões pelas quais aquela mãe não podia ficar com o filho – acima de tudo porque aquele lhe “cobraria sempre o tempo que não esteve com a mãe”.

A São não percebia este processo porque tinha deixado o filho aos cuidados da D. Anita para o proteger. Para o proteger da sua própria imaturidade e da falta de condições que tinha para cuidar do filho. A Maria da Conceição lutou como uma leoa pelo seu João. 

Foi impedida de ver o filho durante alguns meses. E, a primeira sentença veio decretar que o João iria para adopção. A São não se conformou e recorreu-se para um Tribunal Superior. Em Novembro recebemos o Acórdão que reconhecia as muitas formas em que pode ser exercida a maternidade e por isso revogava a Sentença anterior. 

Por esta altura de Natal, de há muitos anos, o João (então com 4 anos) foi entregue à Maria da Conceição, com quem cresceu e se fez um homem.

Há dias, alguém, que não reconheci de imediato, de lágrimas nos olhos, tocou-me no ombro e disse: “Não me conhece? Sou a mãe da Maria da Conceição. Devo-lhe a felicidade da minha filha. É hoje uma grande mulher. Tem três filhos (o João e mais dois) está casada com o António há quase 20 anos. E o João já é engenheiro. Começou a trabalhar numa das empresas da mãe, e vai casar-se”. 

A maternidade na adolescência tem destas grandezas.

PS – Só os nomes não são verdadeiros.


Isilda Pegado


Presidente Federação Portuguesa pela Vida


Voz da Verdade 11-12-2011

16/06/2011

Geração à rasca ou Geração Coragem?

Para lá do Túnel
Na celebração litúrgica da Bênção da Fitas dos Universitários de Lisboa tive a oportunidade de ouvir o Senhor Cardeal Patriarca pôr em alternativa à “geração à rasca” uma desejável “Geração Coragem”. Que feliz contraposição!

Ali perguntei-me, o que desejo para os meus filhos, para os meus sobrinhos, para os amigos deles ou mesmo para todos os jovens? – “Que sejam a geração coragem”. É a resposta que rebenta dentro do peito de qualquer das mães que ali estava.

“Coragem” é uma palavra que provém (seguindo uma busca breve que fiz) do latim “cor” que significa “coração”. E, no dizer do dicionário – coragem é “firmeza de espírito, ânimo, valentia e perseverança”. Mas também a palavra “cor” tem no dicionário o sentido “coração, coragem, afecto, desejo”. Aliás, a antiga expressão popular “saber de cor” significa que o coração era tido como o centro da capacidade de saber e de memória. Em latim “cor” também significa “ ânimo, qualidade espiritual de bravura e tenacidade”. Daí a palavra coragem ter vindo do latim “coratium” de coratum (em francês “courage” de coração, “coeur”).

Quando ouvi aquela expressão “geração coragem” não resisti a perguntar – serão estes jovens aqueles que agem com o coração? Estes os jovens que ouvem o que lhes diz o coração? Que desejam para a vida? Nesta fase tão marcante como é o final da licenciatura, quais as perguntas que se formulam no coração de cada um? Por baixo da capa negra que envergam, o que palpita?

Há uns anos atrás fui convidada para intervir num ciclo de conferências de uma juventude partidária. Mandaram-me o programa das conferências cujos temas eram – 1. Aborto (este era o “meu” tema); 2. Casamento Gay; 3. Eutanásia; 4. Prostituição; 5. Drogas – Legalizar Sim ou Não? – Nessa altura questionei-me dos objectivos de vida daqueles jovens.  Que temas tão cinzentos? São estas as preocupações dos nossos jovens?

Seis anos volvidos, talvez apenas alguns deles tenham estado na manifestação da “geração à rasca”… ou talvez não!

E os “Jovens Coragem” (que agem com o coração) como ocupam o seu pensar? Com a sua formação pessoal e profissional, o trabalho onde vão servir, o resultado no desporto que praticam, a família que vão constituir, a casa e o bairro onde vão viver, a educação dos filhos que vão ter, a prestação cívica que vão dar, como constroem os tempos lúdicos e de diversão…?

Naquele dia o Senhor Cardeal Patriarca deu-nos o mote.

A mim cabe-me a difícil e gratificante responsabilidade de olhar para os que me estão confiados e indicar-lhes aquela fasquia de uma geração que “age com o coração”. Com esta imensa liberdade de ouvir o que o coração lhes pede para fazer. Dizer sim a uma Verdade maior, realista, alegre, exigente e até mesmo contra-corrente mas que faz caminhar para a Felicidade. E não uma vida dominada pela “escravidão” dos temas que são impostos, que nos fazem “dobrar” perante um poder que não tem rosto e onde em última instância se vive na amargura, na tristeza e no desespero.

As gerações não se fazem sozinhas. São fruto das circunstâncias que as rodeiam, e das opções que cada “eu” vai tomando.

As especiais dificuldades de uma ou outra época têm ditado fibra, génio e capacidades imprevisíveis. Não temos medo.

Naquele sábado de Maio, na majestosa Alameda da Universidade, ouvi o meu Cardeal Patriarca, o Pastor daqueles milhares de jovens, chamar pela Geração Coragem…

isilda pegado, Presidente Federação Portuguesa pela Vida

INFORMAÇÕES MUITO BREVES [De vez em quando]2011.06.16