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13/03/2021

Filosofia e Religião, Vida Humana

 


Democracia

Condições e bases da democracia

  Condição fundamental para a autêntica democracia é certo grau de maturidade cultural e cívica. A experiência prova que nas sociedades subdesenvolvidas a democracia se torna uma utopia. A própria inclusão extemporânea dos processos demecráticosegenera facilmente em anarquia, que por sua vez abrirá caminho necessário a qualquer das formas de ditadura. A maturidade de que se fala revela-se por uma certa capacidade de discernimento, opinião justa e equilibrada, expressão dos próprios sentimentos, objectividade, harmonia e conveniência com o bem comum.

  A verdadeira democracia respeita os direitos da família, da educação, livre opinião, opção e responsabilidade nos próprios destinos. Reclama um alto sentido de serviço tanto para governantes como para governados.

  A liberdade religiosa é um direito que o homem tem, a partir da sua condição de criatura. Mesmo os agnósticos e ateus têm a obrigação, pelo menos, de respeitar a liberdade de consciência e as convicções de cada um.

   Por direito natural é à família que compete educar.A educação é o prolongamento e o exercício continuado daquele amor inicial que deu origem ao acto da vida.A própria natureza dotou os pais daquela força de inclinação e instinto que os capacita para tão alta tarefa. Por isso,é à família que compete o direito de escolher as escolas dos seus filhos

(A Ferraz, Cristãos e liberdades democráticas, BROTÈRIA, Vol. 99, 1974)

26/04/2012

25 DE ABRIL: LIBERDADE CONSTRÓI-SE NA RELAÇÃO E NO COMPROMISSO


Historiador e Economista recordam 1974 e apontam perspectivas de futuro para Portugal, 38 anos após a revolução que marcou a transição para a democracia.

Lusa
Lisboa, 24 Abril 2012 (Ecclesia) – Os principais alicerces da liberdade são as relações humanas, o compromisso com causas comunitárias e a recusa do individualismo, consideram o historiador António Matos Ferreira e o economista Joaquim Cadete.

Assinalando o 38.º aniversário da ‘Revolução dos Cravos”, que a 25 de Abril de 1974 desencadeou em Portugal o processo de transição para o regime democrático, o programa ECCLESIA na Antena 1 foi à procura da liberdade a partir da óptica cristã.

“O esforço de nos libertarmos e quebrarmos cadeias não pode ser experimentado fora da relação que temos uns com os outros”, frisa António Matos Ferreira.

O director do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa lembra as pessoas “que viveram em liberdade nas experiências mais extremas, como na opressão e na injustiça”.

Em contrapartida há sociedades que “aparentemente não têm constrangimentos” à liberdade mas onde os indivíduos são incapazes de a viver plenamente, dado que ela exige uma consciência pessoal “aberta” e “profunda”.

Emissão 22-04-2012

“Todo o ser humano é limitado; esta percepção é muito importante para a consciência da liberdade, que não assenta na ideia de que tudo é radicalmente possível mas de que se é capaz de imaginar e viver algo bom, mesmo com as nossas limitações”, aponta.

Para Joaquim Cadete a liberdade no Ocidente “é muito centrada no individualismo”, pelo que é preciso “maior interligação” entre as pessoas que vivem em comunidade e o regresso a um conjunto de “valores e princípios”.

O empresário diz que é necessário acentuar “os deveres associados à liberdade”: “Fomos centrando a liberdade nos direitos adquiridos mas só se pode falar deles se houver a capacidade de continuarem a ser respeitados”.

Após a revolução os portugueses ganharam a “ilusão da conquista da liberdade”, sem perceberem “que tinham perdido imensamente em termos financeiros”, o que conduziu ao pedido de intervenção do Fundo Monetário Internacional, recorda Joaquim Cadete.

A actual sujeição de Portugal ao memorando da ‘troika’, no seguimento da “ilusão da Europa”, sinaliza que a liberdade está relacionada com a economia e a globalização.

António Matos Ferreira salienta que segundo a experiência cristã “a liberdade é interior mas sempre referenciada a algo exterior”: “Isto é muito claro para os cristãos quando afirmam que Jesus é um homem livre. Em muitos aspectos ele foi esmagado pelas circunstâncias mas a sua liberdade residia na relação íntima [com Deus Pai]”.

“Para o crente o amor é mais forte do que a morte, o mal e o pecado. Este é o cerne da liberdade e da relação”, refere.

O historiador frisa que “a liberdade é por vezes uma experiência dolorosa, difícil e contraditória”, mesmo nas comunidades crentes.

“O maior risco é uma auto-suficiência dos cristãos, quase considerando que podem prescindir dos outros”, arriscando por isso “ter uma intervenção demasiadamente arrogante”, alerta.

O responsável chama a atenção para o risco de “perda da identidade” do cristianismo, provocado por uma “profunda dicotomia” no interior das comunidades.

“Somos cristãos quando nos reunimos e consideramos que partilhamos os mesmos valores e liturgia, mas temos enorme dificuldade em estarmos presentes no mundo”, conclui.

PRE/RJM

Fonte: agencia.ecclesia.pt