Faço como as crianças que não sabem ler: digo com toda a simplicidade a Nosso Senhor o que Lhe quero dizer e Nosso Senhor sempre me entende.
(Santa Teresinha do Menino Jesus, História
de uma alma, LAI, 11ª Ed., pg. 229)
Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
Faço como as crianças que não sabem ler: digo com toda a simplicidade a Nosso Senhor o que Lhe quero dizer e Nosso Senhor sempre me entende.
(Santa Teresinha do Menino Jesus, História
de uma alma, LAI, 11ª Ed., pg. 229)
*– Jesus, considerando agora mesmo as minhas misérias, digo-te: Deixa-te enganar pelo teu filho, como esses pais bons, carinhosos, que põem nas mãos do seu menino a dádiva que dele querem receber..., porque sabem muito bem que as crianças nada têm. E que alvoroço o do pai e o do filho, ainda que ambos estejam no segredo! (Forja, 195)
*A
vida de oração e de penitência e a consideração da nossa filiação divina
transformam-nos em cristãos profundamente piedosos, como meninos pequenos
diante de Deus. A piedade é a virtude dos filhos e, para que o filho possa
entregar-se nos braços do seu pai, há-de ser e sentir-se pequeno, necessitado.
Tenho meditado com frequência na vida de infância espiritual, que não se
contrapõe à fortaleza, porque requer uma vontade rija, uma maturidade bem
temperada, um carácter firme e aberto.
Piedosos,
portanto, como meninos; mas não ignorantes, porque cada um há-de esforçar-se,
na medida das suas possibilidades, pelo estudo sério e científico da fé. E o
que é isto, senão teologia? Piedade de meninos, sim, mas doutrina segura de
teólogos.
O
afã por adquirir esta ciência teológica – a boa e firme doutrina cristã –
deve-se, em primeiro lugar, ao desejo de conhecer e amar a Deus.
Simultaneamente é consequência da preocupação geral da alma fiel por alcançar a
mais profunda compreensão deste mundo, que é uma realização do Criador. Com
periódica monotonia, há pessoas que procuram ressuscitar uma suposta
incompatibilidade entre a fé e a ciência, entre a inteligência humana e a
Revelação divina. Tal incompatibilidade só pode surgir, e só na aparência,
quando não se entendem os termos reais do problema.
Se
o mundo saiu das mãos de Deus, se Ele criou o homem à sua imagem e semelhança e
lhe deu uma chispa da sua luz, o trabalho da inteligência deve ser – embora
seja um trabalho duro – desentranhar o sentido divino que naturalmente já têm
todas as coisas. E, com a luz da fé, compreendemos também o seu sentido
sobrenatural, que resulta da nossa elevação à ordem da graça. Não podemos
admitir o medo da ciência, visto que qualquer trabalho, se é verdadeiramente
científico, tende para a verdade. E Cristo disse: «Ego sum veritas». Eu sou a verdade. (Cristo que passa,
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Uma
garotinha foi para o quarto e pegou um vidro de geleia que estava escondido no
armário e derramou todas as moedas no chão. ![]() |
| Reflectindo |
Detida no Paquistão criança de oito anos carregada de explosivos! [i]| Confidências de Alguém |
Corbis Um destes dias, ia sentada no autocarro atrás de uma menina e sua mãe, que tinha ido buscá-la à escola. Como a menina não fazia questão de falar baixo e o autocarro ia silencioso, não pude deixar de ouvir a conversa… - Mãe, logo contas-me uma história antes de eu dormir? A mãe não respondeu, mantendo-se virada para a paisagem que via pela janela. Assim, a filha voltou a pedir, desta feita com mais delicadeza: - Mãe, logo à noite contas-me uma história, por favor? A jovem mãe da criança deu-lhe, então atenção: - Ó Ana, tu sabes que eu não tenho cabeça para te contar histórias! Ando estafada, não vês? - Mas era só uma história pequenina… - tornou a Ana, fazendo uma voz irresistível. - Tu agora até já sabes ler! – atalhou a mãe. - Pois, mas não é a mesma coisa – refilou a menina. - Ora! Quando fores passar um fim de semana a casa do teu pai, pede-lhe a ele que te conte uma história, que ele deve andar mais folgado do que eu – replicou a mãe, já a impacientar-se. A criança ficou algum tempo calada. Por fim, voltou à carga: - É que o pai não tem tempo. Ele chega a casa quando eu já estou a dormir… - Pedes-lhe que te conte a história de manhã – sugeriu a mãe, agora mais sensibilizada. - Oh… De manhã o pai vai logo para o computador e, além disso tem de ser à noite! A mãe não entendeu aquela lógica e, desviando novamente o olhar da janela, interessou-se: - Mas, afinal, tem de ser à noite porquê? - É que a minha professora disse que, quando ela era pequenina, o pai ou a mãe dela contavam-lhe uma história à noite e que isso a fazia sonhar! - Ah, já estou a perceber… - disse, então, a mãe da Ana. – Tu queres é sonhar… E queres sonhar com quê, posso saber? A menina voltou a ficar em silêncio. Depois, respondeu, como se falasse para si mesma: - Eu queria sonhar que o pai e tu tinham um bebé… E eu tinha um mano pequenino… A mãe exasperou-se: - Mas que coisa! Então tu não sabes que o teu pai escolheu a família dele, Ana?! Não falámos já tantas vezes sobre isso?! - Sim… - respondeu a menina, em voz mais baixa, encolhendo-se no banco. – Mas o que eu queria saber é porque é que ele não me escolheu a mim… A conversa terminou ali. Mãe e filha saíram do autocarro poucos minutos depois. Eu fiquei a olhá-las, pela janela, solidária com a perplexidade triste da menina, cuja pergunta (cheia de sentido e legitimidade) não obteve qualquer resposta. E pensei: hoje, como ontem, ser criança deveria ser sinónimo de… ser feliz! Como seria bom se a Ana e todos os meninos e meninas do mundo não tivessem de pedir «por favor» uma história que lhes desse o direito a serem felizes, ainda que apenas no país dos sonhos!.. |