Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
29/03/2021
Pequena agenda do cristão
Leitura Espiritual Mar 29
Novo Testamento
Evangelho
Lc XIV, 15-35
Parábola da grande ceia
15 Ouvindo isto, um dos convidados
disse-lhe: «Feliz o que comer no banquete do Reino de Deus!» 16 Ele
respondeu-lhe: «Certo homem ia dar um grande banquete e fez muitos convites. 17
À hora do banquete, mandou o seu servo dizer aos convidados: ‘Vinde, já está
tudo pronto.’ 18 Mas todos, unanimemente, começaram a esquivar-se. O primeiro
disse: ‘Comprei um terreno e preciso de ir vê-lo; peço-te que me dispenses.’ 19
Outro disse: ‘Comprei cinco juntas de bois e tenho de ir experimentá-las;
peço-te que me dispenses.’ 20 E outro disse: ‘Casei-me e, por isso, não posso
ir.’ 21 O servo regressou e comunicou isto ao seu senhor. Então, o dono da
casa, irritado, disse ao servo: ‘Sai imediatamente às praças e às ruas da
cidade e traz para aqui os pobres, os estropiados, os cegos e os coxos.’ 22 O
servo voltou e disse-lhe: ‘Senhor, está feito o que determinaste, e ainda há
lugar.’ 23 E o senhor disse ao servo: ‘Sai pelos caminhos e azinhagas e
obriga-os a entrar, para que a minha casa fique cheia.’ 24 Pois digo-vos que
nenhum daqueles que foram convidados provará do meu banquete.»
Necessidade da abnegação
25
Seguiam com ele grandes multidões; e Jesus, voltando-se para elas, disse-lhes:
26 «Se alguém vem ter comigo e não me tem mais amor que ao seu pai, à sua mãe,
à sua esposa, aos seus filhos, aos seus irmãos, às suas irmãs e até à própria
vida, não pode ser meu discípulo. 27 Quem não tomar a sua cruz para me seguir
não pode ser meu discípulo. 28 Quem dentre vós, querendo construir uma torre,
não se senta primeiro para calcular a despesa e ver se tem com que a concluir?
29 Não suceda que, depois de assentar os alicerces, não a podendo acabar, todos
os que virem comecem a troçar dele, 30 dizendo: ‘Este homem começou a construir
e não pôde acabar.’ 31 Ou qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei
e não se senta primeiro para examinar se lhe é possível com dez mil homens
opor-se àquele que vem contra ele com vinte mil? 32 Se não pode, estando o
outro ainda longe, manda-lhe embaixadores a pedir a paz. 33 Assim, qualquer de
vós, que não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo.» 34 «Coisa
boa é o sal; mas, se perder o seu sabor, com que há-de ele temperar-se? 35 Não
serve nem para a terra, nem para a estrumeira: deita-se fora. Quem tem ouvidos
para ouvir, oiça!»
Texto
Enquanto se desenrola o processo contra Jesus ante
o Sinédrio tem lugar a cena mais triste a vida de Pedro.
Ele, que tinha deixado tudo para seguir Jesus,
presenciado tantos prodigíos recebera tantas mostras de afecto, agora… nega-O
rotundamente.
Sente-se como que encurralado, tem medo e com juramento
nega conhecer Jesus.[1]
Ao ler esta passagem do Evangelho escrito por São
Marcos e sabendo que este tinha sido discípulo do Príncipe do Apóstolos,
espanta-nos que este tenha querido que o Evangelista mencionasse expressamente
e com detalhes a triste ocorrência.
Fica-nos esta lição de extrema humildade do Apóstolo
que quer que conste para sempre este seu momento de fraqueza e de traição.
Para nós, pessoas comuns que não temos nem a
grandeza de espírito nem o amor por Cristo que Pedro revela, somos como que
chamados a considerar a nossa “posição” de cristãos no meio da sociedade em que
vivemos.
Somos, comportamo-nos sempre como devemos… ou, por
vezes, preferimos escamotear a verdade, escondendo ou tentando mascarar as
nossa convicções a nossa Fé?
Não será comum para a maior parte de nós que a
nossa vida corra risco por causa da Fé que professamos, mas sem dúvida que, ao
longo da vida, vamos encontrando inimigos dessa Fé e, pior, dispostos a
segregar quem a segue indefectívelmente. Sim… por vezes talvez nos seja pedido
algo heróico em que, desprezando os incómodos, as troças, as exlusões torpes,
nos atenhamos firmemente aos nossos princípios e valores que nos conferiu o Baptismo?
Mas, talvez, o mais importante em ter em conta seja
fugir dessas situações ou companhias em que tal possa acontecer.
Não por cobardia mas por prudência, cautela.
Somos como somos, seres humanos com virtudes, sem
dúvida, mas, também, com defeitos e fraquezas.
Ter coragem não é enfrentar os perigos mas sim, ter
capacidade de os evitar.
A verdadeira coragem reside em evitar o diálogo com
o maligno, considerar a tentação.
Reconhecendo o pouco que somos, recorramos à Nossa
Mãe do Céu à sua ajuda e protecção e ao Anjo da Nossa Guarda que nos guie com
mão segura.
Reflexão na Semana Santa
A Igreja começa hoje a celebrar a Semana Santa, também chamada SEMANA MAIOR.
Será
uma semana onde os cristãos terão presentes de modo especial os acontecimentos
que mais directamente se prendem com a Salvação e Redenção humanas levadas a
cabo por Nosso Senhor Jesus Cristo.
Nestes
dias iremos passo a passo reviver esses momentos deixando-nos invadir pelas
provas amor de Cristo.
Muitas
vezes há-de custar-nos aceitar os factos, as violências inauditas, o rancor asqueroso,
a ínsidia e traição, as mentiras e invenções, os testemunhos deturpados, a
indignidade e falta de respeito pela integridade de um ser humano.
Iremos
tomar consciência de que o Senhor não Se poupou a nada, numa entrega total,
submissa para dar cabal cumprimento à Vontade de Deus Pai.
Sim…
poderá parecer-nos excessivo, evitável mas, teremos de concluir que a gravidade
do pecado é de tal ordem que a sua remissão só pode concretizar-se pelo perdão
do Ofendido.
E,
assim, por uma vez que será definitiva, o Ofendido entrega-Se nas mãos dos ofensores
para que sofrendo e oferecendo a Sua vida, apague para sempre a mancha da
ofensa.
Com
esta “conclusão” bem arraigada na nossa alma, tomamos o firme propósito de não
voltar a ofender tão Excelente Senhor; sabendo, embora, que somos fracos,
volúveis e inseguros, pediremos ajuda à Sua Santíssima Mãe que nos guarde e
guie para que o consigamos.
Ano de São José
Mestre de vida interior
Ama
muito São José, quer-lhe com toda a tua alma, porque é a pessoa que, com Jesus,
mais amou Santa Maria e quem mais conviveu com Deus: quem mais O amou, depois
da Nossa Mãe. Merece o teu carinho e convém-te dar-te com ele, porque é Mestre
de vida interior e pode muito ante Nosso Senhor e ante a Mãe de Deus. (São
Josemaria, Forja, 554)
Pequena agenda do cristão
28/03/2021
São Josemaria – Textos
Eu confio em Ti, sei que és meu Pai
Jesus ora no horto: Pater mi
(Mt XXVI, 39), Abba, Pater
(Mc XIV, 36)! Deus é meu Pai, ainda que me envie sofrimento. Ama-me
com ternura, mesmo quando me bate. Jesus sofre, para cumprir a Vontade do
Pai... E eu, que também quero cumprir a Santíssima Vontade de Deus, seguindo os
passos do Mestre, poderei queixar-me, se encontro por companheiro de caminho o
sofrimento? Constituirá um sinal certo da minha filiação, porque me trata como
ao Seu Divino Filho. E, então, como Ele, poderei gemer e chorar sozinho no meu
Getsemani; mas, prostrado por terra, reconhecendo O meu nada, subirá ao Senhor
um grito saído do íntimo da minha alma: Pater
mi, Abba, Pater, ... fiat! (Via
Sacra, 1ª Estação, n. 1)
Por motivos que não vem a propósito referir – mas que são bem
conhecidos de Jesus, que aqui temos a presidir no Sacrário – a vida tem-me
levado a sentir-me de um modo muito especial filho de Deus. Tenho saboreado a
alegria de me meter no coração de meu Pai, para rectificar, para me purificar,
para o servir, para compreender e desculpar a todos, tendo como base o seu amor
e a minha humilhação. Por isso, desejo agora insistir na necessidade de nos
renovarmos, vós e eu, de despertarmos do sono da tibieza que tão facilmente nos
amodorra e de voltarmos a entender, de maneira mais profunda e ao mesmo tempo
mais imediata, a nossa condição de filhos de Deus. (Amigos de Deus, 143)
Leitura Espiritual Mar 28
Novo Testamento
Evangelho
Lc XIII, 31-35; Lc XIV, 1-14
Jesus e Herodes
31 Naquela altura aproximaram-se dele
alguns fariseus, que lhe disseram: «Vai-te embora, sai daqui, porque Herodes
quer matar-te.» 32 Respondeu-lhes: «Ide dizer a essa raposa: Agora estou a
expulsar demónios e a realizar curas, hoje e amanhã; ao terceiro dia, atinjo o
meu termo. 33 Mas hoje, amanhã e depois devo seguir o meu caminho, porque não
se admite que um profeta morra fora de Jerusalém.»
Censuras a Jerusalém
34 «Jerusalém, Jerusalém, que matas os
profetas e apedrejas aqueles que te são enviados! Quantas vezes Eu quis juntar
os teus filhos, como a galinha junta a sua ninhada debaixo das asas, e não
quiseste! 35 Agora, ficará deserta a vossa casa. Eu vo-lo digo: Não me vereis
até chegar o dia em que digais: Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor!»
Cura de um hidrópico
XIV 1 Tendo entrado, a um sábado, em casa de
um dos principais fariseus para comer uma refeição, todos o observavam. 2
Achava-se ali, diante dele, um hidrópico. 3 Jesus, dirigindo a palavra aos
doutores da Lei e fariseus, disse-lhes: «É permitido ou não curar ao sábado?» 4
Mas eles ficaram calados. Tomando-o, então, pela mão, curou-o e mandou-o
embora. 5 Depois, disse-lhes: «Qual de vós, se o seu filho ou o seu boi cair a
um poço, 6 não o irá logo retirar em dia de sábado?» E a isto não puderam
replicar.
O último lugar
7
Observando como os convidados escolhiam os primeiros lugares, disse-lhes esta
parábola: 8 «Quando fores convidado para um banquete, não ocupes o primeiro
lugar; não suceda que tenha sido convidado alguém mais digno do que tu, 9 venha
o que vos convidou, a ti e ao outro, e te diga: ‘Cede o teu lugar a este.’
Ficarias envergonhado e passarias a ocupar o último lugar. 10 Mas, quando fores
convidado, senta-te no último lugar; e assim, quando vier o que te convidou,
há-de dizer-te: ‘Amigo, vem mais para cima.’ Então, isto será uma honra para
ti, aos olhos de todos os que estiverem contigo à mesa. 11 Porque todo aquele
que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado.»
Caridade
12
Disse, depois, a quem o tinha convidado: «Quando deres um almoço ou um jantar,
não convides os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem os
teus vizinhos ricos; não vão eles também convidar-te, por sua vez, e assim
retribuir-te. 13 Quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os
coxos e os cegos. 14 E serás feliz por eles não terem com que te retribuir;
ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos.»
Texto
MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
JOÃO PAULO II
PARA A QUARESMA DE 1994
Amados Irmãos e Irmãs em Cristo
1. A Quaresma é o tempo favorável, concedido pelo
Senhor, para renovar a nossa caminhada de conversão e fortificar em nós a fé, a
esperança e a caridade, para entrar na Aliança querida por Deus e para conhecer
um tempo de graça e reconciliação.
«A família está ao serviço da caridade, a caridade
está ao serviço da família». Com um tal tema, escolhido para este ano, quereria
convidar todos os cristãos a transformarem a sua existência e a modificarem os
seus comportamentos, para serem fermento que faz crescer no seio da família
humana a caridade e a solidariedade, valores essenciais da vida social e da
vida cristã.
2. Em primeiro lugar, que as famílias tomem
consciência da sua missão na Igreja e no mundo! E na oração pessoal e
comunitária que recebem o Espírito Santo que, nelas e por elas, vem fazer novas
todas as coisas e que abre o coração dos fiéis â dimensão universal.
Saciando-se na fonte do amor, cada um tornar-se-á capaz de transmitir este amor
na sua vida e nas suas obras. A oração une-nos em Cristo, fazendo assim todos
os homens irmãos.
A família é o lugar primeiro e privilegiado da
educação e do exercício da vida fraterna, da caridade e da solidariedade, em
suas múltiplas formas. No relacionamento familiar, aprende-se a atenção, o
acolhimento e o respeito do outro, que sempre deve poder encontrar o lugar que
lhe pertence. Depois, a vida em comum é um convite à partilha, que permite sair
do próprio egoísmo. Aprendendo a partilhar e a dar, descobre-se a alegria
imensa que nos traz a comunhão dos bens. Com delicadeza, os pais procurarão
despertar nos filhos, pelo seu exemplo e o seu ensino, o sentido da
solidariedade. Desde a infância, cada um é chamado também a fazer a experiência
da abstinência e do jejum, a fim de forjar o seu carácter e dominar os seus
instintos, em especial o da posse exclusiva para si mesmo. Aquilo que se
aprende na vida familiar permanece ao longo de toda a existência.
3. Nestes tempos particularmente difíceis que o
nosso mundo atravessa, oxalá as famílias, a exemplo de Maria que se apressou a
ir visitar sua prima Isabel, se tornem próximas dos seus irmãos em necessidade
e os tenham presentes na sua oração! Como o Senhor, que toma os homens ao seu
cuidado, devemos poder dizer: «Voltei os Meus olhos para o meu povo, e o seu
clamor chegou até Mim» (1 Sam 9,16); deste modo, não poderemos permanecer
surdos aos seus apelos. Porque a pobreza de um número sempre crescente de
irmãos nossos aniquila-lhes a sua dignidade de pessoas e desfigura a humanidade
inteira; constitui uma injúria clamorosa ao dever de solidariedade e de
justiça.
4. Hoje, a nossa atenção deve concentrar-se
especialmente sobre os sofrimentos e as pobrezas familiares. Com efeito, um
grande número de famílias atingiram o limiar da pobreza, não possuindo sequer o
mínimo necessário para se alimentar e nutrir os seus filhos, para permitir a
estes últimos terem um crescimento físico e psíquico normal e seguirem uma
escolaridade regular e válida. Algumas não têm os meios para se alojarem
decentemente. O desemprego alastra cada vez mais, aumentando em proporções
consideráveis o empobrecimento de faixas inteiras da população. Mulheres há que
se vêem obrigadas a prover sozinhas às necessidades dos seus filhos e a
educá-los, o que leva muitas vezes os jovens a divagarem pelas ruas, refugiando-se
na droga, no abuso do álcool ou na violência. Constata-se actualmente um
crescimento dos casais e das famílias a braços com provações psicológicas e de
relacionamento. As dificuldades sociais contribuem às vezes para a
desintegração do núcleo familiar. Com muita frequência, o filho nascituro não é
aceite. Em alguns países, os menores são submetidos a condições desumanas ou
vergonhosamente explorados. As pessoas de idade e as diminuídas, porque
economicamente não rentáveis, são deixadas numa extrema solidão e sentem-se
inúteis. Por pertencerem a outras raças, culturas, religiões, famílias vêem-se
rejeitadas na terra onde se tinham estabelecido.
5. Face a tais flagelos, que atingem o conjunto do
planeta, não podemos calar nem permanecer inactivos, pois ferem a família,
célula básica da sociedade e da Igreja. Somos chamados a domina-los. Os
cristãos e os homens de boa vontade têm o dever de apoiar as famílias em
dificuldade, dando-lhes os meios espirituais e materiais para sair das
situações frequentemente trágicas que acabamos de evocar.
Neste tempo da Quaresma, portanto, convido antes de
mais à partilha com as famílias mais pobres, para que possam desempenhar,
particularmente com os filhos, as responsabilidades que lhes competem. Ninguém
pode ser rejeitado em nome da sua diferença, da sua debilidade ou da sua
pobreza. Pelo contrário, as diversidades são riquezas para a construção comum.
É a Cristo, que nos damos sempre que nos dedicamos aos pobres, porque eles
«revestiram o rosto do nosso Salvador» e «são os preferidos de Deus» (S.
Gregório de Nissa, O amor dos pobres). A fé exige a partilha com os
semelhantes. A solidariedade material é uma expressão essencial e primária da
caridade fraterna: é ela que dá a cada um os meios para subsistir e organizar a
sua vida.
A terra e as suas riquezas pertencem a todos. «A
fecundidade de toda a terra deve tornar-se fertilidade para todos» (S. Ambrósio
de Milão, De Nabuthe VII, 33). Nas horas dolorosas que vivemos, não basta, sem
dúvida, tomar do supérfluo, mas sim transformar os comportamentos e os modos de
consumo, a fim de cortar do próprio necessário e de olhar apenas ao essencial,
para que todos possam viver com dignidade. Façamos jejuar os nossos desejos por
vezes imoderados no possuir, a fim de oferecer ao nosso próximo o que
radicalmente lhe falta. O jejum dos ricos deve tornar-se o alimento dos pobres
(cf. S. Leão Magno, Homilia 20 sobre o jejum).
6. De modo particular, chamo a atenção das
comunidades diocesanas e paroquiais para a necessidade de encontrar meios
práticos para ir em socorro das famílias carenciadas. Sei que numerosos sínodos
diocesanos tomaram já providências nesse sentido. Também a pastoral familiar
deve poder jogar um papel de primeiro plano. Além disso, os cristãos, nos
organismos civis em que participam, apelarão insistentemente a este cuidado e a
este dever imperioso de ajudar as famílias mais débeis. Dirijo-me ainda aos
governantes das nações para que encontrem, à escala do seu país e do conjunto
planetário, os meios para fazer cessar a espiral de pobreza e endividamento das
famílias. A Igreja deseja que, nas políticas económicas, os dirigentes e os
chefes de empresa tomem consciência das mudanças a operar e das suas
obrigações, para que as famílias não dependam unicamente das ajudas que lhes
são concedidas, mas que o trabalho dos seus membros lhes possa fornecer os
meios de subsistência.
7. A comunidade cristã acolhe com alegria a
iniciativa das Nações Unidas de fazer de 1994 um Ano Internacional da Família,
e por todo o lado onde lhe é possível, de bom grado ela dá o seu contributo
especifico.
Hoje não fechemos o nosso coração, mas escutemos a
voz do Senhor e a dos nossos irmãos, os homens!
Possam as acções de caridade realizadas no decurso
desta Quaresma, pelas famílias e para as famílias, proporcionarem a cada um a
alegria profunda e abrirem os corações a Cristo ressuscitado, «o Primogénito de
muitos irmãos» (Rm 8,29)! A todos aqueles que responderão a este apelo do
Senhor, concedo de bom grado a minha Bênção Apostólica.
Vaticano, 3 de Setembro de 1993.
IOANNES PAULUS PP. II
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Sacramentos
3. Sacramentos da fé e da salvação
Cristo
enviou os Apóstolos para que, «em seu nome, pregassem a todas as nações a
conversão para o perdão dos pecados» (Lc 24, 47). «Fazei
discípulos de todas as nações, batizai-os em nome do Pai, do Filho e do
Espírito Santo» (Mt 28, 19). A missão de batizar, portanto a
missão sacramental, está implicada na missão de evangelizar; porque o
sacramento é preparado pela Palavra de Deus e pela fé, que é assentimento a
esta Palavra.
Os
sacramentos estão ordenados à santificação dos homens, à edificação do corpo de
Cristo e, por fim, a prestar culto a Deus; como sinais, têm também a função de
instruir. Não só supõem a fé, mas também a alimentam, fortificam e exprimem por
meio de palavras e coisas, razão pela qual se chamam “sacramentos da fé”.
A fé
da Igreja é anterior à fé do fiel, que é chamado a aderir a ela. Quando a
Igreja celebra os sacramentos, confessa a fé recebida dos Apóstolos. Celebrados
dignamente na fé, os sacramentos conferem a graça que significam. Eles são
eficazes, porque neles é o próprio Cristo que opera: é Ele que batiza, é Ele
que age nos sacramentos para comunicar a graça que o sacramento significa.
Os
sacramentos actuam ex opere operato (segundo o Concílio de Trento: “pelo
próprio facto de a ação ser executada”), quer dizer, em virtude da obra
salvífica de Cristo, realizada uma vez por todas. Segue-se daí que “o
sacramento não é realizado pela justiça do homem que o dá ou que o recebe, mas
pelo poder de Deus”.[1] Por
conseguinte, desde que um sacramento seja celebrado conforme a intenção da
Igreja, o poder de Cristo e do Seu Espírito age nele e por ele,
independentemente da santidade pessoal do ministro. No entanto, os frutos dos
sacramentos dependem também das disposições de quem os recebe.
A
Igreja afirma que, para os crentes, os sacramentos da Nova Aliança são
necessários para a salvação. A «graça sacramental» é a graça do Espírito Santo
dada por Cristo e própria de cada sacramento. O Espírito cura e transforma
aqueles que O recebem, conformando-os com o Filho de Deus. O fruto da vida
sacramental é que o Espírito de adoção deifique os fiéis, unindo-os vitalmente
ao Filho único, o Salvador.
O
fruto da vida sacramental é, ao mesmo tempo, pessoal e eclesial. Por um lado,
este fruto é, para todo o fiel, viver para Deus em Cristo Jesus; por outro, é
para a Igreja crescimento na caridade e na sua missão de testemunho.[2]
Reflexão na Quaresma
Quinto Domingo da Quaresma
Domingo de Ramos
Impressiona pensar que, talvez, muitos desta multidão que aclama Jesus na Sua entrada em Jerusalém serão os mesmos que, horas depois, hão-de vociferar «Crucifica-o».
Como é volúvel o ser humano sobretudo, quando abdica da vontade própria para por medo, conveniência, o que seja, se deixar conduzir por outros não lhe importando perceber o que está na raíz, qual o verdadeiro objectivo do que lhe sugerem que faça.
Os que se servem destas pobres pessoas têm de facto um objectivo: quantas mais pessoas se juntarem numa "reclamação" do que for, melhor porque será uma forma de pressionar quem tem de decidir. Será como pretender que uma mentira for repetida exaustivamente passe a ser uma verdade.
Só morrendo é que a semente
dá origem a uma vida nova, revelando assim a sua maravilhosa fecundidade.
Agora aclamam Jesus invadidos por um ímpeto interior genuíno concluindo d por querem a Sua glorificaçã, coroá-Lo Rei.
Depois, a morte que pedem aos gritos é uma cedência à pressão dos chefes do povo. Não é genuíno mas cobarde.
Mas, o que ignoram é que para Jesus a morte é semente de uma vida maravilhosamente nova e fecunda. Graças à Sua morte redentora, os benefícios da salvação são, com efeito, comunicados a todos os homens, judeus ou pagãos. A Sua morte é a conclusão da Sua missão é, por isso, a hora da Sua glorificação.
Aceitando voluntariamente a
morte, em filial e amorosa obediência ao Pai e aos Seus planos de salvação,
Jesus «deu-nos a vida imortal».
Doutrina
A oração
2.
Conteúdos da oração
Adoração
e louvor.
É
parte essencial da oração reconhecer e proclamar a grandeza de Deus, a
plenitude do seu ser, a infinidade da sua bondade e do seu amor. Pode chegar-se
ao louvor a partir da consideração da beleza e magnitude do universo, como
acontece em múltiplos textos bíblicos (cf.
por exemplo, Sl 19; Si 42, 15-25; Dn 3, 32-90) e em numerosas orações da tradição cristã [1]; ou a partir das obras grandes e maravilhosas que
Deus faz na história da salvação, como sucede no Magnificat (Lc 1, 46-55), ou nos grandes hinos paulinos (ver,
por exemplo, Ef 1, 3-14); ou de
pequenos factos e inclusive de minudências em que se manifesta o amor de Deus.
Em
todo o caso, o que caracteriza o louvor é que nele o olhar vai directamente
para o próprio Deus, tal como é em si, na sua perfeição ilimitada e infinita. “O
louvor é a forma de oração que mais imediatamente reconhece que Deus é Deus!
Canta-O por Si próprio, glorifica-O, não tanto pelo que Ele faz, mas sobretudo
porque ELE É” (Catecismo , 2639). Está por isso intimamente unida à adoração, ao
reconhecimento, não só intelectual mas existencial, da pequenez de tudo o
criado, em comparação com o Criador e, em consequência, à humildade, à
aceitação da indignidade pessoal diante de quem nos transcende até ao infinito;
à maravilha que causa o facto desse Deus a quem os anjos e o universo inteiro
rende reverência, se tenha dignado não só a olhar para o homem, mas a habitar
no homem, mais ainda, a encarnar.
Adoração,
louvor, petição, acção de graças resumem as disposições de fundo que informam a
totalidade do diálogo entre o homem e Deus. Seja qual for o conteúdo concreto
da oração, quem reza fá-lo sempre, de uma forma ou de outra, explícita o
implicitamente, adorando, louvando, suplicando, implorando ou dando graças a
esse Deus que reverencia, que ama e em que confia. Importa reiterar, também,
que os conteúdos concretos da oração poderão ser muito variados. Por vezes,
socorremo-nos da oração para considerar passagens da Escritura, para aprofundar
alguma verdade cristã, para reviver a vida Cristo, para sentir a proximidade de
Santa Maria... Noutras, iniciar-se-á a partir da própria vida para tornar Deus
participante das alegrias e afãs, ambições e problemas que a existência traz
consigo, ou para encontrar apoio ou consolo, ou para examinar diante de Deus o
próprio comportamento e fazer propósitos e tomar decisões, ou mais simplesmente
para comentar, com quem sabemos que nos ama, os acontecimentos do dia.
Encontro
entre o crente e Deus em quem se apoia e por quem se sabe amado, a oração pode incidir
sobre a totalidade dos acontecimentos que conformam a existência e sobre a
totalidade dos sentimentos que o coração pode experimentar. «Escreveste-me:
“orar é falar com Deus. Mas, de quê?” — De quê?! D’Ele e de ti; alegrias,
tristezas, êxitos e fracassos, ambições nobres, preocupações diárias...,
fraquezas!; e acções de graças e pedidos; e Amor e desagravo. Em duas palavras:
conhecê-Lo e conhecer-te – ganhar intimidade!”.[2] Seguindo uma e outra via, a oração será sempre um
encontro íntimo e filial entre o homem e Deus, que fomenta o sentido da
proximidade divina e leva a viver cada dia da existência cara a Deus.
José Luis Illanes
Bibliografía básica:
- Catecismo da Igreja Católica, 2558-2758.
Leituras recomendadas:
- S. Josemaria, Homilias «O triunfo de Cristo na
humildade»; «A Eucaristia, mistério de fé e de amor»; «A Ascensão do Senhor aos
céus»; «O Grande Desconhecido» e «Por Maria, a Jesus»,em Cristo que passa ,
12-21, 83-94, 117-126, 127-138 y 139-149. Homilias «A intimidade com Deus»;
«Vida de oração» e «Rumo à santidade» , em Amigos de Deus , 142-153, 238-257,
294-316.
- J. Echevarría, Itinerários de vida cristã,
Diel, Lisboa 2006, pp. 105-120.
- J.L. Illanes, Tratado de teología espiritual, Eunsa, Pamplona
2007, pp. 427-483.
- M. Belda, Guiados por el Espíritu de Dios. Curso de Teología
Espiritual, Palabra , Madrid 2006, pp. 301-338.













